Jovens – Lição 01- Davi: escolhido de Deus e ungido pelo Senhor
TEXTO PRINCIPAL
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos.” (Sl 139.23).
– Examina-me, Deus – A palavra “pesquisa” aqui é a mesma que no Salmo 139:1.
Veja as notas desse versículo. O salmista havia declarado o fato de que é uma característica de Deus que ele “sonda” o coração; e ele ora aqui para que Deus “exerça” esse poder em relação a si mesmo; que como Deus poderia saber tudo o que há dentro do coração, ele o examinaria com o mais minucioso escrutínio, de forma que ele pudesse estar sob nenhuma ilusão ou auto-engano; que ele não pode se entregar a quaisquer falsas esperanças; para que ele não acalente quaisquer sentimentos ou desejos impróprios.
A oração denota grande “sinceridade” por parte do salmista. Também indica autodesconfiança. É uma expressão do que todos devem sentir que têm uma visão justa de si mesmos – que o coração é muito corrupto; que podemos nos enganar; e que a pesquisa mais completa “deve” ser feita para que “não” sejamos enganados e perdidos.
e conhece meu coração – conheça ou veja tudo o que está dentro dele.
prova-me – À medida que o metal é testado ou comprovado, ele é colocado em “teste” para saber o que é. A prova aqui é aquela que resultaria da inspeção divina de seu coração.
e conhece meus pensamentos – veja o que eles são. A palavra traduzida por “pensamentos” ocorre apenas em um outro lugar, Salmo 94:19.
A ideia é:examine-me completamente; examine não apenas minha conduta exterior, mas também o que penso; quais são meus propósitos; o que passa pela minha mente; o que ocupa minha imaginação e minha memória; o que protege minhas afeições e controla minha vontade.
Ele deve ser um homem muito sincero que ora para que Deus examine seus pensamentos, pois poucos gostariam que seus semelhantes, mesmo seus melhores amigos, soubessem tudo em que estão pensando. [Barnes, aguardando revisão]
RESUMO DA LIÇÃO
Davi foi escolhido e ungido por Deus para uma grande missão que incluía preservar o povo escolhido e a linhagem real do Messias.
Entenda o Resumo da Lição:
– O nome Davi, do hebraico dāwid (דּוד), literalmente, “amado”, está associado à adoração, ao louvor, ao culto, ao canto, à poesia, à liturgia e à oração.
O rei é descrito como dāwid ’îsh hā ’Ĕlōîm (דּויד אישׁ האלהים), “Davi, homem de Deus”, expressão que no profetismo israelita identifica o sujeito como profeta, enviado especial de Deus ou alguém que está na presença do Senhor (Dt 33.1; Jz 13.6; 1 Sm 12.27; 2 Rs 1.10ss.). Estas duas características de Davi, músico e homem de Deus, resumem adequadamente o biografado, bem como a singular vocação do jovem Davi.
TEXTO BÍBLICO
1 Samuel 16.1-13.
1. Então, disse o Senhor a Samuel:
Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite e vem; enviar-te-ei a Jessé, o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.
– O Senhor disse a Samuel: “Até quando você irá se entristecer por causa de Saul – o sofrimento de Samuel por causa da rejeição de Saul, acompanhado, sem dúvida, por sinceras orações por sua restituição, mostrou os sentimentos amáveis do homem; mas eles estavam em desacordo com seu dever público como profeta.
O propósito declarado de Deus de transferir o reino de Israel para outras mãos que não as de Saul não era uma ameaça furiosa, mas um decreto fixo e imutável; de modo que Samuel deveria ter se submetido mais cedo à manifestação peremptória da vontade divina.
Mas, para não deixar mais espaço para duvidar de ser inalterável, ele foi enviado em uma missão particular para ungir um sucessor de Saul (ver 1Samuel 10:1).
A designação imediata de um rei era da maior importância para os interesses da nação no caso da morte de Saul, que, a essa época, era temida; estabeleceria o título de Davi e confortaria as mentes de Samuel e outros homens bons com um acordo correto, qualquer contingência que pudesse acontecer.
Escolhi um de seus filhos para ser rei – A linguagem é notável e sugere uma diferença entre este e o antigo rei. Saul era a escolha das pessoas, o fruto de seus desejos desobedientes e pecaminosos para sua própria honra e engrandecimento.
O próximo era ser um rei que consultaria a glória divina, e selecionado daquela tribo para a qual a preeminência tinha sido prometida cedo (Gênesis 49:10). [Jamieson; Fausset; Brown]
2. Porém disse Samuel:
Como irei eu? Pois, ouvindo-o Saul, me matará. Então, disse o Senhor: Toma uma bezerra das vacas em tuas mãos e dize: Vim para sacrificar ao Senhor.
– Como poderei ir? – Este é outro exemplo de enfermidade humana em Samuel. Como Deus o havia enviado nessa missão, Ele o protegeria na execução. foi sacrificar ao Senhor – Parece ter sido costume com Samuel fazer isso nos diferentes circuitos para os quais ele foi, para encorajar a adoração a Deus. [Jamieson; Fausset; Brown]
3. E convidarás Jessé ao sacrifício;
e eu te farei saber o que hás de fazer, e ungir-me-ás a quem eu te disser.
– Convide Jessé para o sacrifício – isto é, a festa social que seguiu a oferta de paz. Samuel, sendo o ofertante, tinha o direito de convidar qualquer convidado que quisesse. [Jamieson; Fausset; Brown]
4. Fez, pois, Samuel o que dissera o Senhor e veio a Belém.
Então, os anciãos da cidade saíram ao encontro, tremendo, e disseram: De paz é a tua vinda?
– as autoridades da cidade foram encontrar-se com ele tremendo – Belém era uma cidade obscura, e não dentro do circuito habitual do juiz. Os anciãos estavam naturalmente apreensivos, portanto, que sua chegada foi ocasionada por alguma razão extraordinária, e que isso poderia acarretar o mal em sua cidade, em consequência do afastamento entre Samuel e o rei. [Jamieson; Fausset; Brown]
5. E disse ele:
É de paz; vim sacrificar ao Senhor. Santificai-vos e vinde comigo ao sacrifício. E santificou ele a Jessé e os seus filhos e os convidou ao sacrifício.
– Consagrem-se – pelas preparações descritas (Êxodo 19:14-15). Os anciãos deviam se santificar. O próprio Samuel tomou o maior cuidado na santificação da família de Jessé. Alguns, no entanto, acham que os primeiros foram convidados apenas para participar do sacrifício, enquanto a família de Jessé foi convidada por eles mesmos para a festa subsequente. [Jamieson; Fausset; Brown]
6. E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse:
Certamente, está perante o Senhor o seu ungido.
– Aqui Samuel, em consequência de tirar suas impressões da aparência externa, cai no mesmo erro que antigamente (1Samuel 10:24). [Jamieson; Fausset; Brown]
7. Porém o Senhor disse a Samuel:
Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.
– porque [o SENHOR] olha não o que o homem olha. As palavras entre parênteses são corretamente fornecidas na Septuaginta. Para o pensamento veja 1Crônicas 28:9; Lucas 16:15; Atos 1:24, etc. Deus primeiro deu ao povo um rei de estatura imponente e aparência majestosa, como eles teriam escolhido para si mesmos (1Samuel 10:24): agora Ele escolherá “um homem segundo o seu coração” com base no seu valor moral interior. [Kirkpatrick, 1896]
8. Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse:
Nem a este tem escolhido o Senhor.
– (8-10) Quando Jessé então criou seus outros filhos, um após o outro, diante de Samuel, o profeta disse no caso de cada um: “Este também Jeová não escolheu”. Como Samuel deve ser o sujeito do verbo ויּאמר em 1Samuel 16:8-10, podemos supor que ele comunicou o objetivo de sua vinda a Jessé. [Keil e Delitzsch]
9. Então, Jessé fez passar a Samá, porém disse:
Tampouco a este tem escolhido o Senhor.
– (8-10) Quando Jessé então criou seus outros filhos, um após o outro, diante de Samuel, o profeta disse no caso de cada um: “Este também Jeová não escolheu”. Como Samuel deve ser o sujeito do verbo ויּאמר em 1Samuel 16:8-10, podemos supor que ele comunicou o objetivo de sua vinda a Jessé. [Keil e Delitzsch]
10. Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé:
O Senhor não tem escolhido estes.
– (8-10) Quando Jessé então criou seus outros filhos, um após o outro, diante de Samuel, o profeta disse no caso de cada um: “Este também Jeová não escolheu”. Como Samuel deve ser o sujeito do verbo ויּאמר em 1Samuel 16:8-10, podemos supor que ele comunicou o objetivo de sua vinda a Jessé. [Keil e Delitzsch, aguardando revisão]
11. Disse mais Samuel a Jessé:
Acabaram-se os jovens? E disse: Ainda falta o menor, e eis que apascenta as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Envia e manda-o chamar, porquanto não nos assentaremos em roda da mesa até que ele venha aqui.
– Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas – Jessé, evidentemente sem nenhuma ideia da sabedoria e bravura de Davi, falou dele como o mais inadequado. Deus, em Sua providência, ordenou que a designação de Davi aparecesse mais claramente como um propósito divino, e não o desígnio de Samuel ou Jessé.
Davi não tendo sido santificado com o resto de sua família, é provável que ele retornou aos seus deveres pastorais no momento em que o negócio especial em que ele foi convocado foi feito. [Jamieson; Fausset; Brown, aguardando revisão]
12. Então, mandou em busca dele e o trouxe (e era ruivo, e formoso de semblante, e de boa presença).
E disse o Senhor: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.
– Ele era ruivo… – Josefo diz que Davi tinha dez anos, enquanto a maioria dos comentaristas modernos é da opinião de que ele deveria ter quinze anos de idade. [Jamieson; Fausset; Brown, aguardando revisão]
13. Então, Samuel tomou o vaso do azeite e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e, desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi. Então, Samuel se levantou e se tornou a Ramá.
– Samuel então apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu – Esta transação deve ter sido estritamente privada. [Jamieson; Fausset; Brown, aguardando revisão]
INTRODUÇÃO
Ao enumerarmos os principais estadistas da história, ou os reis mais célebres, ou ainda os personagens bíblicos mais admirados, provavelmente Davi fará parte da imensa maioria das listas.
Sem dúvida, temos no jovem vindo de Belém, uma das personalidades mais conhecidas da humanidade. Nessa primeira lição, falaremos sobre o chamado de Davi, a soberania de Deus e a vocação divina para nossas vidas.
– O rei David é uma das figuras mais conhecidas da história judaica, principalmente por matar o gigante Golias. Davi foi ungido rei, no entanto, a unção real deu-lhe muitas outras competências e habilidades para a poesia, música, engenharia, guerra, etc., tornando-o um líder completo.
Davi era o filho mais novo de Jessé, de Belém de Judá. Há uma ênfase diferenciadora no aspecto físico de Davi: ele era ruivo (Cabelo ruivo é raro no Oriente Médio e na Ásia; A palavra “admoni”, que é usada na Bíblia para descrever Davi como ruivo, também é usada para descrever Esaú, seu 9º tio-avô, que é conhecido por ter tido cabelos ruivos.
A tradição hebraica diz que Davi e Esaú eram ambos ruivos) e também é dito que tocava harpa, era bastante jovem quando cuidava das ovelhas de seu pai.
Quando Deus rejeitou Saul como rei, Ele enviou o profeta Samuel para ungir Davi rei de Israel. Ao contrário do que o profeta viu na aparência de Saul e dos irmãos de Davi, o Senhor viu o coração de Davi. Aspectos estes e muitos outros que iremos estudar com um pouco mais de profundidade neste segundo trimestre com os comentários do Auxílio ao Mestre!
I. O CHAMADO DE DAVI
1. Tempos difíceis.
Nos dias de Davi, Israel passava por uma série de situações que despertava certa preocupação. Em uma região bastante disputada por povos vizinhos, os hebreus mantinham uma vigilância frequente contra os invasores. Essas disputas territoriais eram constantes e motivadas pela busca de água, de pastagens, de terras cultiváveis e por incompatibilidade religiosa e cultural.
É necessário enfatizar que muitos desses problemas vieram em decorrência de um constante esquecimento do povo acerca do que Deus fizera por ele.
O Senhor orientou os israelitas sobre como deveriam buscá-lo e como deveriam ensinar às novas gerações acerca dos livramentos recebidos e vitórias conquistadas (Dt 11.26-32; Js 1.7-8). O povo que saiu do Egito tinha um perfil sofrido e pouco preparo para as batalhas. No deserto, Israel foi pastoreado e conduzido pelo Senhor.
A partir desse cuidado, o povo que estava prestes a cruzar o Jordão era forte e reconhecido pela sua bravura e postura vitoriosa (Js 2.8-14).
No entanto, nos anos seguintes, os israelitas negligenciaram as orientações divinas a ponto de se levantar uma geração que não conhecia ao Senhor (Jz 2.10).
Tem início uma sequência lamentável de fatos (que pode ser acompanhada ao longo do Livro de Juízes): sem Deus, o sofrimento é inevitável; a força e orientação que vinha do Senhor já não é mais constante; o povo cai nas mãos dos inimigos (os filisteus, por exemplo), o povo se arrepende e clama, Deus manda juízes, a libertação é alcançada; o povo se alegra, porém logo esquece e volta aos maus hábitos. E o ciclo se repete algumas vezes.
– A história de Davi é uma das mais conhecidas da Bíblia. Ele foi o homem escolhido por Deus para liderar Seu povo e com certeza foi um homem muito usado por Ele.
A história começa a ser contada, no Antigo Testamento em 1 e 2 Samuel e segue até 1 Reis e 1 Crônicas. Foi caçula de Jessé entre 8 irmãos e pertencia à tribo de Judá.
Foi criado e treinado para exercer a profissão de pastor de ovelhas. Destacava-se também por inúmeros talentos como ser um grande guerreiro com direito até a cânticos em sua homenagem, tocar harpa e até por fazer instrumentos musicais para o louvor na casa do Senhor (1 Crônicas 23:5).
Ao descrever Davi, um dos servos de Saul usou os seguintes termos (1 Samuel 16:18): “filho de Jessé, de Belém, sabe tocar harpa”; “um rapaz corajoso”; “apto para ir à guerra”; “tem bom senso”; “de boa aparência”; “o Senhor está com ele”.
Antes disso, se diga que três reis reinaram sobre todo o povo unido de Israel: Saul, Davi e Salomão. Depois os israelitas se dividiram em “dois países”: Judá, a sul, e Israel, a norte. Os reis de Judá eram descendentes de Davi mas os reis de Israel vieram de várias famílias e tribos diferentes.
A monarquia israelita atingiu seu apogeu no ato da unção de Salomão por seu pai Davi, proclamando-o seu sucessor como rei de Israel, de modo que a participação do povo no processo político e religioso na escolha de seu líder, foi significativamente enfraquecido.
Tanto a Bíblia quanto historiadores e pesquisadores afirmam que um dos pontos centrais para a decadência da liga tribal israelita, de certo modo, teria sido a fraca união e falta de força, tecnologia e organização militar da mesma, perante os ataques filisteus.
A Confederação Tribal ou Liga Tribal durou aproximadamente duzentos anos (cerca de 1210 a 1020/1010 a.C.), tendo recebido o golpe decisivo responsável pelo seu declínio, aproximadamente, em 1050 a.C., na batalha descrita em 1 Samuel, 4, na qual em uma investida frustrada contra os filisteus, além da morte da maioria dos combatentes, a Arca da Aliança, símbolo da presença de Yahweh junto ao povo hebreu, foi tomada e levada pelos filisteus.
Assim, os filisteus, segundo John Bright, destruíram o santuário da Liga Tribal em Silo e espalharam suas guarnições, ocupando assim a terra. Segundo o mesmo autor, os filisteus afirmaram o seu monopólio do ferro, sendo o mesmo só abundante entre os hebreus apenas no reinado de Davi. Some-se a isso, o abandono da fé no SENHOR como Único Deus verdadeiro em Israel, e como consequência, as tribos estavam dispersas e sendo dominadas.
2. Samuel: um profeta em Israel. Samuel entra em cena envolto em uma história inspiradora. Um verdadeiro presente de Deus, fruto de uma oração impressionante de Ana (1Sm 1.9-19). Cresceu servindo ao Senhor e, ao longo de sua vida, teve uma destacada importância à frente do povo de Israel.
O último líder do período dos juízes, aos poucos foi sendo visto pelo povo como insuficiente. Com o passar do tempo, os israelitas começaram a desejar um rei, nos moldes das nações ao seu redor. E Saul foi escolhido (1Sm 8.20). Ao contrário do que muitos pensam, Saul também foi escolhido por Deus e ungido pelo profeta para essa grande missão. Assim como foi com Davi, Deus escolhe os seus.
Porém, não basta sermos escolhidos, precisamos fielmente obedecer ao Senhor e estar sempre no centro da sua vontade.
Deus escolheu Saul, mas Saul aos poucos deixou de escolher e ouvir Deus. Assim como no tempo dos juízes, com o esfriamento do coração de Saul, o povo também começou a sofrer, e as consequências estavam tomando grandes proporções. Enfim, chegou o dia em que o Senhor rejeitou Saul e ordenou a Samuel que fosse à casa do belemita (1Sm 16.1).
– O profeta Samuel foi o último líder de Israel antes de o povo ter um rei. Ele escolheu e confirmou Saul como o primeiro rei de Israel e, depois, fez o mesmo com Davi. A vida de Samuel nos ensina lições importantes sobre fé, obediência e lealdade a Deus. Samuel foi um profeta com uma vida cheia de significados e momentos marcantes.
Ele nasceu em uma época em que Israel estava sem liderança forte e passava por crises espirituais. Sua mãe, Ana, era estéril, mas orou intensamente pedindo a Deus um filho, prometendo dedicá-lo ao Senhor. Deus atendeu ao pedido, e Ana deu à luz Samuel.
Quando ele ainda era criança, foi levado ao templo para ser criado pelo sacerdote Eli, cumprindo o voto de sua mãe. Samuel começou a ouvir a voz de Deus desde jovem. Em uma dessas ocasiões, Deus mostrou a Samuel que a família de Eli seria punida por causa do comportamento malicioso de seus filhos.
Com o tempo, Samuel cresceu e se tornou um profeta e juiz de Israel, sendo um dos últimos juízes antes do estabelecimento da monarquia.
Em toda a sua vida, Samuel falou ao povo sobre a importância do arrependimento e da obediência a Deus. Ele chamou o povo de Israel ao retorno à adoração verdadeira, afastando-se da idolatria que havia se espalhado.
A pedido do povo, que queria um rei para ser como as outras nações, ele escolheu Saul como o primeiro rei de Israel, ainda que com certa relutância, pois acreditava que o povo devia confiar somente em Deus.
Mais tarde, quando Saul desobedeceu às ordens de Deus, Samuel foi encarregado de ungir Davi como o novo rei de Israel. Mesmo em idade avançada, Samuel permaneceu fiel à sua missão. Sua história é narrada nos livros de 1 e 2 Samuel, na Bíblia.
Samuel morreu em uma fase de grande turbulência no reino de Israel. Ele foi sepultado em sua casa em Ramá, sendo amplamente lamentado por todo o povo de Israel.
3. Deus chama Davi.
O chamado de Davi nos traz importantes oportunidades de aprendizado. Primeiramente, ele atendeu a um propósito divino duplo: preservar o povo escolhido e a linhagem real do Messias. Deus fala claramente com o profeta Samuel e ordena que ele vá até a casa de Jessé, o belemita, para ungir o novo rei (1Sm 16.1).
Como veremos mais para frente, Saul estava muito distante dos propósitos divinos. Já não ouvia mais o Senhor e estava envolto em uma sucessão de erros e fracassos. Samuel então, mesmo receoso de que Saul descobrisse sobre sua missão em Belém, foi até à casa de Jessé.
Ao chegar, revela sua intenção e começa a buscar a quem deveria ungir conforme suas próprias referências, alguém que pudesse se enquadrar nas características desejadas de um rei.
Por isso, o velho profeta procurava alguém apto aos olhos humanos, mas o Senhor já havia escolhido alguém segundo o seu coração (At 13.22). Samuel esperava ungir o primeiro, mas Deus escolhera o último.
– Davi não era o primogênito, mas o caçula, o oitavo filho de Jessé. Se tomarmos como base que o rei Davi ascendeu ao trono de Judá em 1011 a.C., com cerca de trinta anos (2 Sm 5.4), e, que provavelmente nascera em 1041 a. C., pouco tempo depois de Saul sagrar-se rei, concluímos que Davi não possuía mais de 13 anos quando foi consagrado rei de Israel.
Logo, a vocação ministerial não se limita à condição social e à idade do escolhido. É o Senhor quem escolhe. Ele é soberano em suas escolhas!Todavia, a menoridade de Davi ante seus irmãos colocava-o como o último na hierarquia familiar e tribal (1 Sm 16.5,11-13). O termo “menor” (ARC), ou o “mais moço” (RA), do hebraico qātōn (קטן), significa “ser pequeno”, mas também “ser insignificante”, ou “ser jovem insignificante”.
Essa condição independia do jovem Davi. Ele era o menor dentre seus irmãos, não apenas na hierarquia familiar, mas também nos direitos sociais e tribais que pertenciam primeiramente ao primogênito. O fato de o Senhor escolher a Davi dentre os seus irmãos, significa que Deus, embora respeite, pouco se preocupa com as condições sociais do escolhido.
É o Senhor quem habilita e capacitada o eleito independente da classe social do sujeito. Deus não vê como o homem!O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamente afirma que a raiz qtin “denota pequenez de quantidade ou qualidade”.
Davi era o mais moço (1 Sm 17.14, 33) e, segundo a tradição do núcleo familiar (bayît ’āb), seus irmãos tinham a proeminência (veja 1 Sm 17.28, 29). Esta é a principal razão pela qual eles são chamados ao sacrifício e à mesa enquanto Davi permanece no pastorício (v.11; 17.15).
Deus, porém, honrou a Davi diante de seu pai e de todos os seus irmãos (vv.12,13; 17.12,13). Se você é um servo ou serva de Deus, chamado ou escolhido pelo Senhor, saiba que suas condições sociais não são entraves para a realização da obra de Deus.
Na magnífica história contada por Max Lucado, Hermie é uma lagarta comum que sempre está a se queixar de sua vulgaridade: não era colorido como as borboletas, não era forte como uma formiga, não possuía uma casa como um caracol, não era belo como uma joaninha. Hermie era tão comum que até mesmo entre os da sua espécie ele era o mais sem graça.
Algumas lagartas tinham pintas, mas Hermie não; algumas lagartas possuíam listras, mas Hermie não. Diuturnamente Hermie reclamava em suas orações dizendo: “Deus, por que o Senhor me fez tão comum?” Um dia Deus respondeu as orações de Hermie dizendo: “Não se preocupe Hermie.
Eu amo você. E eu ainda não terminei o trabalho em você!” Assim como Hermie, muitos vocacionados acham-se uma pessoa comum, no entanto, Deus ainda não concluiu a obra na vida do escolhido. Da chamada de Davi até sua ascensão, o jovem passou por muitas vicissitudes.
Do poço até o trono do Egito, José sofreu muitas agruras. No final, enquanto dormia, Deus fez uma grande transformação na vida de Hermie.
A pequena lagarta transformou-se numa bela e voante borboleta. Deus ergueu Hermie do chão, deu-lhe asas para voar e alçar os mais belos jardins. A unção de Davi O versículo 11 de 1 Samuel 16 é o clímax dos versículos antecedentes: Davi é ungido “no meio dos seus irmãos”.
Esta perícope também marca uma nova fase na vida de Davi: “desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi”. Esta santa e magnífica unção é realizada após uma cerimônia ritual para escolher o ungido.
À uma, os irmãos de Davi, a partir do primogênito, foram rejeitados. Eles eram belos, fortes, guerreiros, mas por alguma razão não agradavam a Deus.
Naquele instante, Samuel manda buscar o garoto Davi; apenas treze anos, com um cajado e uma harpa nas mãos e os altos louvores no coração. Davi trazia o cheiro das ovelhas e a pele crestada pelo sol palestinense. Foi ali, na presença de todos que o garoto comum tornou-se o ungido, mas a obra do Senhor ainda não estava completa em Davi. A unção de Davi outorga-lhe a presença do RUACH YHWH.
O menino transforma-se no ungido do Senhor e futuro rei teocrático de todo o Israel. É assim quando Deus nos tira de nosso lugar comum! O versículo 12 apresenta um movimento oposto na vida do rei Saul: “E o Espírito do Senhor se retirou de Saul”, o que corresponde à loucura, à imprudência e ao devaneio (1 Sm 18.10-12).
De acordo com o hagiógrafo, o sucesso de Davi doravante é consequente à presença do Espírito Santo nele (Is 11.2), enquanto a loucura de Saul resulta da falta da presença do Espírito de Deus.
Recordemos que em Gênesis 41.8, a o sucesso de José equivale à presença do Espírito de Deus; o mesmo também se diz do Messias e seu reinado e ministério gloriosos (Is 11.2 ver Sl 45; 110; Is 9.1-7; 61.1-11). A força de Sansão também é atribuída à presença do Espírito de Deus (Jz 14.19; 15.14), assim como a fraqueza do juiz resulta da ausência do Espírito de Deus (Jz 16.20).
Ser ungido, portanto, significa ser o escolhido de Deus. Todo vocacionado é ungido por Deus para realizar os propósitos e desígnios divinos no mundo.
SUBSÍDIO I
“As ovelhas precisavam de constante proteção porque nos tempos bíblicos haviam muitos perigos para o rebanho. Leões e ursos eram comuns (Jz 14.8; 2Rs 2.25), e as aventuras de Davi para proteger os seus rebanhos também eram comuns (1Sm 17.34-36).
Amós descreve um pastor que tentou tirar uma ovelha da boca de um leão (Am 3.12). Hienas e chacais também abundavam. Não foi acidentalmente que Jesus afirmou que o bom pastor tinha de dar a vida pelas ovelhas (Jo 10.11).
O pastor tinha de lutar, porque era seu dever pagar os proprietários por quaisquer perdas incorridas (Gn 31.39; Êx 22.10-13). Qualquer empregado que o pastor arranjasse não teria a mesma dedicação (Jo 10.12,13).” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.126).
II. A SOBERANIA DE DEUS E A VOCAÇÃO DIVINA
1. Deus é soberano.
Um dos princípios da vocação divina é a soberania de Deus. Ela consiste no total poder e domínio de Deus sobre todas as coisas. Tudo que existe, desde as forças da natureza e todos os seres vivos, estão subordinados a Deus e a Ele devem obediência.
Como servos de Deus, nos conforta saber que nada acontece sem que haja a permissão divina. Confiemos nos Senhor, pois nada tem força ou poder para frustrar os seus planos (Jó 42.2). Ele é soberano e todas as coisas foram criadas conforme a sua permissão (Sl 33.10,11).
É Deus que estabelece a forma como o mundo funciona e também tem o poder para aplicar a sua justiça e interferir em todas as coisas da forma que quiser. Algo que precisa ser bem compreendido é a relação entre a soberania divina e o nosso livre-arbítrio.
Essa é uma condição permitida por Deus, ou seja, em acordo com a sua soberania. Porém, destacamos que as nossas ações trazem consequências sobre nossas vidas (Rm 2.6-8). Embora tenhamos o livre-arbítrio, destacamos que Deus já sabe tudo o que acontecerá, por isso devemos sempre estar debaixo de sua orientação.
– A soberania de Deus é a ideia de que Deus tem poder e domínio sobre toda a criação, sendo o verdadeiro rei e autoridade suprema. É um princípio fundamental da teologia cristã. A soberania de Deus é Seu poder e domínio sobre toda a criação.
Tudo que existe está debaixo do poder de Deus. Nada acontece sem a permissão de Deus e nada pode impedir Deus de cumprir Seus planos. Deus é o soberano, o Rei, a autoridade suprema sobre tudo que existe e acontece.
Ele criou tudo de acordo com Sua vontade e fez planos que não podem ser destruídos (Salmos 33:10-11). E Como soberano, Ele estabelece as leis de nosso mundo e garante a aplicação da justiça.
Ele também tem poder para perdoar e interferir no mundo quando e como quer. Esse é o significado da soberania de Deus. Afirmar a soberania de Deus é prática recorrente entre os cristãos, especialmente os reformados.
Cantamos hinos e cânticos que enaltecem a soberania de Deus. Mas o que é soberania? O que isso significa? Segundo o pastor John Piper, significa que: “Deus tem a autoridade, a liberdade, a sabedoria e o poder legítimos para cumprir tudo o que ele pretende que aconteça.
E, portanto, tudo o que ele pretende que aconteça, acontece. O que significa: Deus planeja e governa todas as coisas. ” O Salmo 115 diz que Deus está no céu e faz tudo o que lhe agrada: No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Salmo 115:3)
A soberania de Deus expressa o modo como Ele age no universo para que tudo e todos cumpram o seu plano divino. Deus é soberano sobre a natureza. E ele [Jesus], despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. (Marcos 4:39) Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. (Mateus 10:29) Deus é soberano sobre cada detalhe da nossa vida.
E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. (Mateus 10:30) Deus é soberano sobre o destino das nações.
É ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis… o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Dn 2.21, 4.17) Deus é soberano sobre os nossos planos. Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã.
Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. (Tiago 4:13-15) O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. (Provérbios 16:1).
2. O que é vocação divina?
A busca pela vocação divina deve fazer parte das nossas vidas. É Deus que nos escolhe, nos chama e nos direciona para que possamos viver os seus propósitos no mundo criado por Ele. A nossa vocação pode não ser nos moldes de alguns personagens bíblicos como Abraão (Gn 12.1-3), Moisés (Êx 3.11-14), Davi (Sl 78.70) e Jeremias (Jr 1.4-10).
Talvez não sejamos ungidos por um velho profeta, surpreendidos por uma sarça ardente, tenhamos nossos lábios tocados ou ainda ouçamos uma ordem clara nos enviando para longe. Mas, uma coisa é certa: Deus tem uma vocação para cada um de nós.
Esse chamado pode acontecer em nossos corações, de forma discreta, porém muito clara. Que as nossas ações para com a nossa vocação estejam sempre de acordo com as diretrizes divinas e para que possamos ser usados por Deus e assim, sermos canal de bênção na vida de muitos.
Ao analisarmos a história de Davi, aprendemos que nem sempre Deus nos dá as informações completas acerca de uma vocação a ser desenvolvida, no entanto, a seu tempo, os frutos serão percebidos se nos permitirmos cumprir totalmente as orientações recebidas do Senhor.
– Há três pressupostos fundamentais, nas Escrituras, sobre a Teologia Bíblica da Vocação e Chamada que devem ser considerados, a priori, em qualquer análise: Primeiro, que as duas expressões, “Vocação” e “Chamada”, são uma só e a mesma coisa.
Ambas provêm do verbo grego kaleo que significa “chamar ou convocar”. Tanto que, neste artigo, ambas são tratadas como uma unidade só. Segundo, que a Bíblia se reporta a duas naturezas diferentes de Vocação e Chamada: A “Vocação e Chamada Geral”, na qual podemos afirmar que todos os crentes são chamados, ou seja, todos os crentes são vocacionados e a “Vocação e Chamada Específica”, na qual Deus escolhe, a dedo, no tempo e no espaço, pessoas especialmente dotadas para trabalhos e ministérios específicos, na igreja e fora dela.
Terceiro, a Chamada e Vocação Geral, é feita independentemente dos dons, talentos, habilidades e preferências de cada um.
Todos, sejam quais forem os seus dons e capacidades, têm a mesma e única incumbência. Já, a Chamada e Vocação Específica, aquela que acontece no tempo e no espaço, leva em conta os dons e talentos de cada um, bem como suas tendências, suas preferências, e com eles e elas se harmoniza.
3. Buscando a nossa vocação.
Quando atendemos ao chamado de Deus e aceitamos a vocação divina, experimentamos uma profunda alegria e satisfação. Dessa forma, podemos perceber que as nossas vidas estão nas mãos do nosso Amado Deus. A Palavra do Senhor convida-nos a estar atentos à sua voz e prontamente dizermos “sim” ao seu chamado. T
ambém é importante frisar que a nossa vocação divina pode não ser o “pregar para multidões”, “pastorear grandes igrejas” ou ainda “ser um famoso ministro de louvor”.
Salomão edificou o templo, mas quem assentou os tijolos? Neemias reconstruiu os muros (Ne 2.17), mas quais eram as pessoas que estavam ao seu lado? Busquemos, com sabedoria, a direção do Senhor para as nossas vidas. Nossa vocação divina pode ser nas mais diversas áreas onde, dirigidos pelo Espírito Santo, poderemos ser canais de bênção na vida de muitos.
Vejamos um exemplo no Novo Testamento. Tabita, também conhecida como Dorcas, dedicava-se ao cuidado dos pobres de sua cidade, inclusive costurando túnicas e vestidos para as viúvas necessitadas.
Ela era uma seguidora de Jesus Cristo que se dedicava com alegria atendendo (Mt 20.27), especialmente, as mulheres desfavorecidas de sua sociedade (At 9.36-42). Ore com convicção para que o Senhor revele qual a vocação divina para a sua vida e, sem medo, diga “sim” ao seu chamado.
– É muito comum que pessoas pensem que os seus chamados acontecerão sempre de uma maneira sobrenatural, com grande aparato, como por exemplo foi o chamado apóstolo Paulo, quando uma luz mas forte que a própria luz do sol, em pleno meio-dia, raiou sobre ele e o fez cair do animal que se encontrava, ouvindo uma voz poderosa que falava em sua amada língua hebraica.
Mas não é assim que acontece, ao contrário, eles acontecem na proporção que nós estamos engajados na igreja local, servindo ao Senhor, convivendo com os irmãos, provando e mostrando para os nossos irmãos que amamos a Deus e gostaríamos de servi-lo.
Nós precisamos de luz na mente. Se você tem servido na igreja local e se existem estes aspectos exteriores que têm norteado a sua vida, e se há pessoas que convivem com você que têm sugerido a você que Deus pode estar tratando com você de uma maneira mais amiúde, mais especial.
Nós precisamos crescer em graça porque se nós crescermos apenas em conhecimento e não crescemos em graça nós estaremos correndo um grande risco de nos tornarmos pessoas áridas, que tem muita luz na mente mas que tem pouco calor no coração. Quando nós conciliamos conhecimento a graça aí sim nós podemos crescer de uma maneira saudável.
Mas para você ter certeza de que esses dois pilares inalienáveis estão crescendo de uma maneira equilibrada, já dizia o John Knox, procure equilibrar conhecimento e graça através de uma coisa que se chama quebrantamento. O quebrantamento vai fazer com que você nunca desconheça qual é seu devido lugar.
Que apenas a Deus é devida a honra, que apenas a Deus é devida a glória, que apenas a Deus é devido todos os louvores. Portanto, para que você não cresça demais no que diz respeito ao conhecimento e não cresça demais no que diz respeito à graça, você pode conciliar esses dois conhecimentos através dessa ponte chamada quebrantamento.
SUBSÍDIO II
“As 4 marcas do Bom Pastor:
1) O Bom Pastor conhece suas ovelhas e as chama por seus nomes.
2) O Bom Pastor vai adiante do seu rebanho.
3) O Bom Pastor guarda seguramente, na sua mão, as ovelhas.
4) Dá a sua vida pelas ovelhas:
Pode-se dizer isto de todos os pastores que, como Davi, feriram o leão e o urso, em defesa das ovelhas. Quantos bispos da Igreja, durante os primeiros séculos da sua existência, enfrentaram a fúria da perseguição para salvar as ovelhas entregues ao seu cuidado? Contudo, parece que Jesus, aqui, se referia à luta, na qual para salvar suas ovelhas, ia render a sua vida.” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.300-302).
III. O SENHOR VÊ O CORAÇÃO
1. O que o homem vê?
O ser humano tem uma inclinação natural de julgar os seus semelhantes a partir daquilo que pode ser percebido externamente.
A aparência física, as palavras bem colocadas, um gestual coerente com a ocasião, as roupas bem escolhidas, a eloquência na argumentação, as causas defendidas, a seleção de fotos e a edição escolhidas para as redes sociais, tudo é levado em conta na hora de atribuir o juízo de valor sobre alguém que estamos conhecendo. Se alguém se destaca nesses critérios, facilmente será admirado, desejado e seguido.
O contrário também se aplica: quantos são rejeitados e alvos de preconceito por conta de sua aparência? As consequências desse comportamento são bem conhecidas.
A aparência externa não pode determinar o caráter da pessoa que a possui. Podemos, muitas vezes, olhando para uma pessoa, fazer uma leitura de como achamos que está o coração dela, mas dessa forma, provavelmente seremos induzidos ao erro.
As palavras bem escolhidas, o porte físico ou os hábitos finos não conseguem atribuir a alguém o caráter, a integridade e a fidelidade de uma pessoa que serve ao Senhor. As qualidades externas são, por definição, superficiais.
O que realmente determina se uma pessoa é ou não é alguém que busca estar no centro da vontade do Senhor são as qualidades espirituais que trazemos em nossos corações. Lembremos sempre: do nosso coração procedem as saídas da vida (Pv 4.23). O nosso exterior é reflexo do interior, e não o contrário.
– As pessoas tendem a julgar o caráter e o valor dos outros apenas pelas aparências externas. Se uma pessoa é alta, bonita, em forma e bem vestida, então ela possui qualidades físicas que os humanos geralmente admiram e respeitam.
Frequentemente, essas são as qualidades físicas que buscamos em um líder. Entretanto, Deus tem a capacidade única de ver dentro de uma pessoa. Deus conhece o nosso verdadeiro caráter porque Ele “vê o coração”.
Em 1 Samuel 16, tinha chegado a hora de Samuel ir à casa de Jessé, em Belém, para ungir o próximo rei de Israel.
Quando Samuel viu o filho mais velho de Jessé, Eliabe, Samuel ficou impressionado com o que viu. “Certamente está diante do Senhor o seu ungido”, disse o profeta (versículo 6). Não obstante, Deus disse a Samuel: “Não olhe para a sua aparência nem para a sua altura, porque eu o rejeitei. Porque o Senhor não vê como o ser humano vê. O ser humano vê o exterior, porém o Senhor vê o coração” (1 Samuel 16:7).
Saul, o primeiro rei de Israel, era alto e bonito. Samuel provavelmente estava procurando alguém como Saul, e a aparência de Eliabe foi bastante impressionante. Mas Deus tinha um homem diferente em mente para ungir como o próximo rei de Israel.
O Senhor já havia revelado a Samuel que buscava um homem segundo o Seu próprio coração (1 Samuel 13:14). Samuel olhou para todos os sete filhos mais velhos de Jessé, mas o Senhor rejeitou-os todos como a Sua escolha para rei.
Deus estava procurando alguém que tivesse um coração fiel. Davi, o filho mais novo de Jessé, a quem nem se preocuparam em chamar, estava cuidando das ovelhas. Depois que Samuel rejeitara os outros filhos, finalmente chamaram Davi e o Senhor disse: “Este é ele” (1 Samuel 16:12). Davi foi a escolha de Deus — imperfeito, mas fiel, um homem segundo o coração de Deus. Embora a Bíblia diga que era bonito (versículo 12), Davi não era uma figura impressionante.
Mas Davi havia desenvolvido um coração segundo Deus. Em seu tempo sozinho nos campos, pastoreando os rebanhos, Davi passou a conhecer a Deus como o seu Pastor (ver Salmo 23). As aparências podem enganar. A aparência externa não revela como as pessoas são.
A aparência física não mostra o valor, o caráter, a integridade ou a fidelidade de uma pessoa a Deus. As qualidades externas são, por definição, superficiais. As considerações morais e espirituais são muito mais importantes para Deus. Deus vê o coração.
O coração nas Escrituras é a vida moral e espiritual no interior de uma pessoa. Provérbios 4:23 explica que tudo o que fazemos flui de nossos corações.
O coração é o núcleo, a essência interior de quem somos: “A pessoa boa tira o bem do bom tesouro do coração, e a pessoa má tira o mal do mau tesouro; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45). Para todos que o viram, Judas Iscariotes parecia um discípulo fiel, mas a sua aparência era enganadora.
Os outros discípulos não tinham a menor ideia do que estava acontecendo dentro de Judas. Jesus era o único que conhecia o coração de Judas: “Não é fato que eu escolhi vocês, os doze? Mas um de vocês é um diabo” (João 6:70).
A perspectiva de Deus é mais alta, mais profunda e mais sábia que a nossa (Isaías 55:8–9). Segunda Crônicas 16:9 diz que os olhos de Deus estão continuamente passando por toda a terra para dar força àqueles cujo coração é totalmente dele.
Deus pode examinar os nossos corações, examinar as nossas motivações e saber tudo o que há para saber sobre nós (Salmo 139:1).
Deus sabe se uma pessoa será fiel. Deus vê o que as pessoas não podem ver. O Rei Davi estava longe de ser perfeito. Ele cometeu adultério e assassinato (2 Samuel 11).
Mesmo assim, Deus viu em Davi um homem de profunda e permanente fé, totalmente comprometido com o Senhor. Deus viu um homem que dependeria do Senhor para obter força e orientação (1 Samuel 17:45, 47; 23:2). Deus viu um homem que reconheceria o seu pecado e fracasso e que se arrependeria e pediria perdão ao Senhor (2 Samuel 12; Salmo 51).
Deus viu em Davi um homem que amava o seu Senhor; um homem que adorava o seu Senhor com todo o seu ser (2 Samuel 6:14); um homem que havia experimentado a limpeza e o perdão de Deus (Salmo 51) e passou a entender as profundezas do amor de Deus por ele (Salmo 13:5–6). Deus viu um homem com um relacionamento sincero e pessoal com o seu Criador.
Quando Deus olhou para o coração de Davi, Ele viu um homem segundo o Seu próprio coração (Atos 13:22). Como Samuel, não podemos ver o que o Senhor vê, e devemos confiar nEle para obter sabedoria. E podemos confiar que, quando Deus olha para os nossos corações, Ele vê a nossa fidelidade, o nosso verdadeiro caráter e o nosso valor como indivíduos.
2. O que Deus vê?
Deus nos conhece por completo: nosso caráter, nossas intenções, nossa visão de mundo e a forma como nos dedicamos a buscar intimidade com Ele.
Tanto o profeta quanto o pai do jovem percebiam e viam as coisas com limitações (1Sm 16.7). No entanto, Deus tinha planos surpreendentes para aquela ocasião e um jovem pastor de ovelhas seria ungido como o novo rei de Israel. Deus buscava um homem segundo o seu coração (1Sm 13.14).
A escolha do Senhor foi a de um jovem imperfeito, mas fiel. Davi não se destacava pelo porte físico. Era bem jovem, ainda em formação e estava muito aquém da forma física dos soldados de Saul. Mas o coração de Davi agradava ao Senhor. Nós não somos capazes de ver como o Senhor vê, e assim como Samuel, somos limitados.
Por isso mesmo, devemos confiar em Deus para obter o discernimento correto que vem do alto. Devemos confiar no Senhor sabendo que quando Deus olha para os nossos corações, Ele consegue ver a nossa fidelidade, os nossos valores e as nossas intenções.
– Em 1Sm 13.14, as esperanças que Saul tinha de estabelecer uma dinastia foram desfeitas, mas o próprio Saul ainda não será deposto (15.23).
Também é dito que o SENHOR já tinha determinado ungir um homem que lhe agrada. A frase pode ser interpretada “um homem da sua própria escolha,” ressaltando a eleição soberana da parte de Deus.
Mesmo assim, à luz de textos bíblicos tais como 2.35 e 16.7, o texto também diz que Davi, o escolhido do Senhor, “era segundo o coração de Deus” no sentido de estar dedicado à sua vontade e aos seus propósitos. Os olhos de Deus são infalíveis, conseguem ver além do que somos capazes de imaginar.
O Senhor é capaz de ver os nossos corações. Deus vê tudo, Ele enxerga muito além da nossa aparência física, ele vê os nossos desejos, as nossas intenções, as nossas frustrações e sentimentos mais internos. Ele consegue ver o que mais ninguém é capaz de ver nas nossas vidas.
3. Como somos vistos?
Somos sempre vistos por Deus. O texto sagrado diz que os olhos do Senhor estão continuamente passando sobre a terra para fortalecer aqueles que tem o coração voltado para Ele (2Cr 16.9). Também aprendemos que o Senhor examina nossos corações e nos conhece profundamente.
Aos que seguem a Deus, essas são duas verdades maravilhosas no cumprimento de sua vontade: somos cuidados, fortalecidos e conhecidos pelo nosso Senhor. Também somos vistos pelas pessoas que encontramos no nosso dia a dia.
Quando elas nos veem, conseguem ver um seguidor de Jesus? Elas sabem que quando estamos presentes, somos canal das bênçãos do Senhor? É importante termos em mente que o nosso coração deve irradiar a presença divina em nossas vidas refletindo em nossos atos, palavras e pensamentos.
Que possamos, com as nossas vidas, anunciar o amor de Deus a todas as pessoas e assim cumprir o maior propósito de nossas vidas.
– Como Deus nos vê? É uma pergunta que devemos nos fazer constantemente! O fato é que Deus olha para nós e o que Ele está contemplando deve estar de acordo com o Seu desejo para nós, se temos nascido de novo e estamos em Cristo. Vários lugares nas Escrituras referem-se aos crentes que estão “em Cristo” (1 Pedro 5:14; Filipenses 1:1; Romanos 8:1).
Colossenses 3:3 dá um pouco mais de discernimento: “Porque vocês morreram, e a vida de vocês está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” Quando nos aproximamos de Cristo como pecadores quebrantados, Ele troca nosso pecado por Sua justiça (2 Coríntios 5:21).
Através do arrependimento e aceitação da morte de Jesus em nosso favor, somos até chamados de Seus filhos (João 1:12; Gálatas 3:26). Deus não vê mais as nossas imperfeições. Em vez disso, Ele vê a justiça do Seu próprio Filho (Efésios 2:13; Hebreus 8:12).
Porque estamos em Cristo, Deus vê a justiça de Cristo nos cobrindo. Somente “em Cristo” a nossa dívida de pecado é cancelada, o nosso relacionamento com Deus é restaurado e a nossa eternidade é garantida (João 3:16-18; 20:31).
Em Cristo, Deus me vê como uma nova criação: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17). Temos paz com Deus e somos considerados justos diante dEle (2 Coríntios 5:17-21).
Em vez de ver o meu pecado, Deus vê a justiça do Seu Filho. Ele me vê como justificado, redimido, santificado e até mesmo glorificado (veja Romanos 8:30).
Em Efésios 1:3–14 aprendemos algumas das maneiras pelas quais Deus nos vê em Cristo. Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Estamos equipados com tudo de que precisamos. Somos escolhidos para “sermos santos e irrepreensíveis diante dele [de Deus]” (Efésios 1:4).
Somos vistos como santos e irrepreensíveis porque estamos em Cristo (cf. 2 Coríntios 3:18). Efésios 1:5 nos diz que, em Cristo, fomos predestinados “para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo”. Isso significa que Deus me vê como Seu filho (cf. João 1:12-13).
Isso é “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:6). Em Cristo, Deus me vê em amor, e Ele derrama sobre mim Suas abundantes dádivas e “a riqueza da sua graça” (Efésios 1:7-8). Deus me vê em Cristo como um herdeiro das riquezas celestiais (Efésios 1:11; cf. Romanos 8:17). Deus me vê como Seu, para sempre.
Ele me selou com o Espírito Santo como “o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Efésios 1:13-14). Deus me vê como obra de Suas mãos (Salmo 139:13-16; cf. Efésios 2:10); como Seu amigo (Tiago 2:23); e como um escolhido, “santos e amados” (Colossenses 3:12).
Ele me vê como “morto para o pecado” (Romanos 6:11), mas “ressuscitado com Cristo” (Colossenses 3:1); como o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 3:16); como uma pedra viva colocada por um Mestre Construtor (1 Pedro 2:5); como parte de uma “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pedro 2:9); e como um dos “peregrinos e forasteiros” neste mundo (1 Pedro 2:11). Deus me vê como parte do seu rebanho: “Ele é o nosso Deus, e nós somos povo do seu pasto e ovelhas de sua mão” (Salmo 95:7).
CONCLUSÃO
Chamado para uma grande missão. Davi foi escolhido por Deus e ungido rei para preservar o povo escolhido e a linhagem real do Messias.
Compreendemos que a soberania de Deus e a vocação divina são conceitos que se relacionam na vida daquele que busca seguir pelo bom caminho e ser canal da bênção do Senhor na sociedade.
Vamos alegremente obedecer ao Senhor e colocar em prática a vocação divina delegada a cada um de nós, buscando para nossas vidas as posturas desejadas em alguém segundo o coração de Deus.
– Fica evidente em toda a história de Davi a sua paciência para esperar o tempo certo, o seu temor ao Senhor, agindo apenas sob sua direção, a fé confiante no Deus de Israel que seria fiel em cumprir sua promessa.
Embora tenha passado pelo vale da sombra e da morte, não temeu, sua convicção e esperança garantiram a vitória. Quando você confia no Senhor no meio da provação, Deus faz você tão firme quanto o monte Sião.
Apesar de Davi ser um homem segundo o coração de Deus, enfrentou a retaliação de uma parte do seu povo quanto a unificação do reino.
Isso nos mostra que a dificuldade de o povo de Deus estar unido não é recente, mas um problema antigo, que demanda esforço e persistência da liderança em sua busca. Estarmos unidos é a premissa básica para que nossas principais instituições estejam fortalecidas.
Como crentes, nosso valor próprio é baseado no fato de que Deus nos ama e nos chama de seus filhos. Saber que somos seus filhos nos encoraja a viver tal qual Jesus viveu entre nós. Não estamos livre das adversidades e tristeza, mas elas não podem passar do círculo exterior.
O próprio Deus se torna o seu perímetro interno de cuidado e proteção. Momentos difíceis não são desculpa para má conduta. É importante continuar vivendo retamente, mesmo quando tudo vai mal.
Tudo já valeu a pena, mas a maior recompensa ainda está por vir.
Que o mundo saiba que Jesus Cristo é o seu Senhor!
Dele seja a glória!
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Francisco Barbosa (@Pbassis)
Fonte: https://auxilioebd.blogspot.com/2025/04/ebd-jovens-licao-01-davi-escolhido-e.html
Vídeo: https://youtu.be/L21J3KEsLS8