JUVENIS – LIÇÃO Nº 2 – OS DIFERENTES TIPOS DE AMOR
Tivemos o raro prazer de verificar que o amor é o principal atributo de nosso Deus, a Sua essência, elemento que faz parte de sua personalidade e estende-se a todos os seres humanos, haja vista que “Ele nos amou primeiro!”
Sendo assim, as Escrituras nos revelam, por meio de Jesus Cristo, que do Amor, se origina o principal mandamento no qual estão baseados toda a Lei e os profetas:
“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 22:37-40)
A Bíblia fala do amor divino do início ao seu final. Como somos filhos de Deus e adotados para viver na luz, como filhos da luz, precisamos andar como nosso Senhor andou e relacionando-se de acordo com os princípios recomendados na Palavra de Deus para que vivamos em amor, em justiça e sejamos bem-sucedidos em nossa jornada cotidiana.
O sentimento-comportamento mais poderoso do mundo pode se apresentar de forma multifacetada e adquirir diversos nomes. Precisamos observar em qual dimensão, em qual área de nossa vida, estamos aplicando este sentimento-comportamento para nomeá-lo de acordo com a concepção grega.
O amor sexual, ou erótico, refere-se à libido, ao impulso sexual de que fomos dotados e atraídos para o sexo oposto, quando o olhar se volta para as zonas erógenas (áreas do corpo atraentes, que despertam o desejo sexual).
Este impulso, segundo a Psicanálise, se dá início da vida, quando a criança é amamentada e demonstra prazer no ato de mamar nos seios da mãe, é visto como um prazer no nível da oralidade, no contato com o outro pela boca. Não há nada de indecente nisto.
É a primeira forma de relacionamento criada por Deus e se torna um ato singular e santo. Assim como o ato sexual é santo, quando praticado nos limites do casamento: “ Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.” (Ct 1.2)
É necessário enfatizar que o amor erótico já surgiu no Jardim do Éden antes da existência do pecado, fazia parte dos momentos de inocência do homem e em nenhum momento se relacionou com o pecado original.
A partir da criação, o homem já tinha consciência que devia reproduzir-se, demonstrando desejo físico por sua mulher, e tudo isto somente ocorreria por meio do ato sexual:
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.” (Gn 2:24,25)
Sendo assim, em Cantares de Salomão, somos agraciados pela presença de um casal que nos demonstram como se dá o relacionamento de um casal na sua intimidade, explicando-nos o que são as zonas erógenas e como deve ser o tratamento dado a elas.
No amor erótico, vemos que a intimidade se inicia de forma física, movida pelo desejo, pela visão, pelas sensações promovidas pelos órgãos dos sentidos, tais como tato, audição, paladar, olfato. Com o tempo, esta intimidade vai se aprofundando e o relacionamento vai alcançando outras dimensões. Assim, também, ocorre com o nosso relacionamento com Deus.
Primeiramente, aprendemos a amá-lO porque satisfaz nossas necessidades imediatas. No entanto, este amor vai alcançando dimensões mais profundas a partir do momento que nosso diálogo e intimidade com Ele se intensifica.
Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam. (Ct 8:6,7)
Vimos, portanto, que no relacionamento esta sensação de pertencimento é uma evidência. Um pertencimento resultante de um compromisso assumido a partir de uma união física.
Por isto não diz respeito aos nossos jovens. O amor erótico está restrito apenas aos casados, segundo as Escrituras.
A prática de leitura de revistas eróticas, visualização de sites, pornofonias (piadas sujas), posts eróticos, músicas com duplo sentido e que induzem à prática sexual, jogos que apresentam personagens sensuais e quase desnudas etc. são impróprios para cristãos, haja vista que a Bíblia nos recomenda, por meio do profeta Davi e do patriarca Jó a tomarmos cuidado com o nosso olhar.
Paulo também nos orienta a buscarmos o que é mais honesto e puro. Assim teremos a mente de Cristo, uma mente cristã, uma mente sadia, sem malícia:
Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim. (Sl 101.3)
Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem? (Jó 31:1)
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Fp 4:8)
O amor phileo refere-se ao amor entre amigos, amor entre irmãos, pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela Palavra de Deus, foram regeneradas pelo Espírito Santo e tiveram o amor divino derramado em seus corações.
Tal possibilidade lhes deu condições de amar verdadeiramente o próximo e praticar o amor sem interesses escusos, sem as segundas intenções, “fazer o bem sem olhar a quem”, convivendo de forma pacífica. Este tipo de amor surge entre pessoas que têm características semelhantes, que possibilitam a formação de grupos comuns.
O padrão de amizade fraternal que temos na Bíblia é de Davi e Jônatas: “E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.” (I Sm 18.3)
Fizeram uma aliança, assumiram um verdadeiro compromisso de amizade que transpôs os limites da vida de Jônatas, haja vista que após o falecimento do amigo, Davi ainda procurou ser fiel à promessa que lhe havia feito.
O Senhor Jesus também destacou a necessidade do compromisso da amizade, da fidelidade, lembrando aos discípulos que estar junto é observar na prática, de forma coerente, aquilo que o grupo professa e prega no seu cotidiano:
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. (Jo 15:13-16)
No seio do povo de Deus, as amizades precisam ser fraternais e verdadeiras. Nâo podemos ceder lugar ao desamor, à inveja, nem à competitividade. Aprendamos com Jônatas que reconheceu Davi como o futuro ocupante do trono e compreendeu a vontade divina.
Jesus falou daquele que dá a vida pelos seus amigos e Jônatas arriscou-se mais de uma vez por Davi, dando-nos um grande exemplo de amizade sem interesses, pois muitos desaparecem nos momentos difíceis. O apóstolo João retoma esta ideia demonstrando o que Jesus nos ensinou:
“ Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.” (1 Jo 3:16) E, daí, vem a pergunta: Qual será a nossa disponibilidade em sacrificarmo-nos pelos outros?
O amor storge é o amor entre os familiares, entre pais e filhos, entre os parentes. Este tipo de amor também é apresentado na Bíblia em diversas ocasiões.
Vemos a necessidade do cultivo deste amor entre os irmãos, como já foi observado na família de Abraão, Isaque e Jacó, o que levou a contendas e separações, cujas consequências ainda são notadas.
Mas não podemos deixar de mencionar a luta das filhas de Zelofeade para manterem a herança do pai na família: “As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas.” (Nm 27.7)
As Escrituras também exaltam a união da família no Salmo 128, quando o varão é apresentado à cabeceira da mesa, juntamente com a esposa e filhos ao redor: “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa.” (Sl 128:3)
Lembrando-se que a mesa é local de comunhão, de compartilhamento, de sentir prazer com a companhia do outro. Além disto, o proverbista orienta o jovem a receber amorosamente os conselhos de seus pais, pois tal ato, de caráter corretivo, também é uma demonstração de amor: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe.” (Pv 1:8)
Sendo assim, o culto doméstico é um dos melhores espaços para ensino-instrução da Palavra de Deus, é o momento no qual a família fica unida em torno das Escrituras e pode partilhar o pão sagrado. Além de adorar a Deus, a família se dedica ao louvor, ao ensino dos filhos, à unidade da fé em Cristo.
A finalidade é “desligar o altar da televisão e ligar o altar da adoração…” A família que exalta ao Deus dos céus unida, traz a paz para o seu lar, contribui para estabelecer bases firmes e fundamentais da fé de seus filhos, compartilha valores eternos e aprofunda o relacionamento entre pais e filhos.
A família foi criada por Deus para ser o microcosmo da vivência do amor, aprendemos a amar primeiro, a partir do modelo de amor que nossos pais nos trazem.
O amor ágape é o amor perfeito e incondicional. Não depende de nenhum pré-requisito para amar. Escrevendo aos Coríntios, na sua I epístola, Paulo descreve no cap. 13:4-7 esse tipo de amor altruísta, justo, verdadeiro e paciente:
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (I Co 13.4-7)
Quando contemplamos este tipo de amor, verificamos o quanto é difícil para o ser humano colocá-lo em prática. No entanto, tal tipo de amor faz parte da natureza intrínseca do Criador. Chafer (2003, p.229) declara que “o amor é a estrutura do seu ser. Deus é a fonte inesgotável do amor […] Sem o atributo do amor, Deus não seria o que Ele é.
Como nenhuma outra virtude, o amor é a motivação primária em Deus, e para satisfazer o Seu amor, toda a criação foi formada.” Isto quer dizer que o perfeito amor do Criador foi o motivo da criação do homem, a coroa de tudo que foi formado com o fim de exaltar o Senhor e estar em comunhão com Ele.
Enquanto se relaciona com o seu Criador, com o seu Deus, o homem é o alvo deste amor, o qual é comunicado nos momentos de comunhão com o Pai Celestial.
Por meio de atos dos benefícios, das bênçãos, também são comunicados os reflexos deste amor, haja vista que o homem está acima de todas as criaturas formadas; portanto, ele é o ser mais amado, por quem o “Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo” (Ap 13.8)
E, até mesmo que tenha cometido pecados, o amor divino está disposto a salvá-lo, reconciliá-lo com Deus, pois somente este amor garantiria um sacrifício para salvar o pecador: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” (II Co 5.19)
O amor divino é imensurável, mas observa a justiça, a correção do Senhor. Daí a necessidade pela busca da santificação, porque nosso Deus é Santo:
“Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? “ (Hb 12:6,7) O amor do nosso Pai Celestial busca o ajuste entre a Santidade e o Amor.
Somente viverão, com Ele, aqueles que trilharem o caminho da santificação: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;” (Hb 12:14). Sendo assim, o Amor de Deus não é uma mera afeição, Ele decidiu nos amar e quer ser reconhecido e adorado por nós em razão deste motivo.
A Bíblia nos mostra os quatro tipos de amor da língua grega mas também nos dá exemplos de outros tipos de amor, ou outras expressões do amor:
O amor patriótico – o amor pelo país, seu povo e sua terra, querendo seu bem – Salmos 137:4-6
O amor a coisas boas – como a justiça e a verdade, sendo dedicado a essas coisas – Salmos 119:159-160
O amor ao dinheiro – um amor de dedicação dado à coisa errada, que causa muitos problemas – 1 Timóteo 6:10
O amor ao mundo – assim como podemos amar coisas boas, podemos amar coisas ruins, como o pecado – 1 João 2:15-16
O amor a Deus – o amor que sentimos quando entendemos o amor de Deus por nós – 1 João 4:19 (BibliaOn. Disponível em: https://www.respostas.com.br/tipos-de-amor/. Acesso em 04out2025)
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
Peça para os seus alunos sugerirem quais as diferentes formas de compartilhar cada um dos tipos de amor apresentados na lição.
REFERÊNCIAS:
AMOR. In: ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.45-46.
BibliaOn. Tipos de amor que existem na Bíblia. Disponível em: https://www.respostas.com.br/tipos-de-amor/. Acesso em 04out2025.
CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003, v.1.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11776-licao-2-os-diferentes-tipos-de-amor-i
Vídeo: https://youtu.be/Ji0lQx9Yhxs


