JUVENIS – LIÇÃO Nº 1 – DEUS É AMOR
Com alegria, caros professores, iniciamos mais um trimestre, apresentando um tema tão caro a todos nós: o AMOR,
A ESSÊNCIA DE DEUS. Este é atributo do Altíssimo, comunicável a nós, que deve nortear toda a nossa conduta e formas de pensar.
Oriundo do gr.αγα’ πη (agápe) e ἔρως (eros), o amor é um sentimento visível no comportamento. É impossível falar de amor sem as atribuições concretas, palpáveis, das ações no cotidiano.
Não podemos nos limitar a falar de amor sem mencionar a sua origem que é divina. Ele não se restringe apenas ao ato de sentir-se atraído por algo ou alguém, de gostar ou desejar algo.
Faz referência a um sentimento nobre e sublime que, em si, incorpora outros sentimentos notáveis, tais como a bondade, a benignidade, o altruísmo, a longanimidade, a fidelidade etc.
Quando tratamos do conceito de amor, precisamos observar o que dizem as diversas áreas do conhecimento. A Psicologia estuda a mente e o comportamento humano, sua atenção está voltada para a sua mente e emoções, para as reações que as circunstâncias do cotidiano vão gerar no comportamento.
O amor, nesta área do saber, é visto na concepção do psicólogo Robert Stemberg, como paixão, intimidade e compromisso, limitando-se, assim, ao aspecto físico:
podem variar em nível de intensidade, de nível de comprometimento na forma de se relacionar, que pode ser até incomum (as pessoas se relacionam de modos específicos), diferenciada em diversos casos; no entanto, as pessoas constroem pontes, aprendem a cuidar-se umas das outras e compartilhar amor.
Neste contexto, as pessoas se associam, por meio da partilha de um carinho mais forte e verdadeiro. Desta forma, o amor será a consequência de uma relação na qual há uma constante troca de experiências. É na Psicologia que somos agraciados com informações sobre os diversos tipos de amor. Tal informação será o tema de nosso próximo comentário.
O amor também foi objeto de reflexão dos filósofos. Aqueles que estão em busca do saber, do conhecimento sobre o mundo, também se debruçaram diante deste tema que vem intrigando os modos de atuação dos homens no seu cotidiano e nas suas relações sociais.
Para Abbagnano (2000, p.38-42), “os significados que este termo apresenta na linguagem comum são múltiplos, díspares e contrastantes, igualmente múltiplos, díspares e contrastantes são os que se apresentam na tradição filosófica.” De acordo com a concepção filosófica, em Abbagnano, o AMOR é conceituado como:
a) Relação intersexual quando essa relação é seletiva e eletiva, sendo, por isso, acompanhada por amizade e por afetos positivos (solicitude, ternura etc.)
b) Relações sexuais de base puramente sensual, que não se baseiam na escolha pessoal, mas na necessidade anônima e impessoal de relações sexuais.
c) Vasta gama de relações interpessoais entre pais e filhos, amigos, entre cidadãos, entre cônjuges, por coisas e objetos inanimados.
O autor do Dicionário de Filosofia informa que os gregos viam, no amor, uma força unificadora e harmonizadora, tinham este entendimento, baseados no amor sexual, na concórdia política e na
amizade. Ele informa o que Aristóteles nos declara acerca dos primeiros filósofos e suas sugestões acerca do Amor: Hesíodo e Parmênides diziam que o amor é a força que move as coisas, unindo-as e mantendo juntas. Empédocles dizia que o Amor mantinha unidos os quatro elementos.
Platão dizia que o amor é:
1) falta, insuficiência, necessidade e, ao mesmo tempo, desejo de conquistar e de conservar o que não se possui.
2) O amor é atraído para a beleza, o anúncio e a aparência do bem.
3) É desejo de vencer a morte.
4) Distingue tantas formas do amor quantas são as formas do belo, desde a beleza sensível até a beleza da sabedoria, que é a mais elevada de todas, a mais nobre.
Aristóteles via o amor como algo pertencente ao homem, ser dotado de corpo e alma e enfraquecimento destas dimensões de seu ser.
Também aponta que o amor é fundamento de necessidade, imperfeição ou deficiência. O amor é um fenômeno humano, de acordo com o filósofo.
Ele estimula o desejo pelo convívio, haja vista que o ser humano é sociável, carente de amizades e de conhecimento dos caminhos onde possa praticar a concórdia.
Plotino declarou que o Amor é o caminho preparatório que conduz a uma nova visão, pois o objeto e alvo do Amor é o Bem Superior que se unem para beneficiar o homem.
O próprio Deus responde amorosamente à necessidade de amor humano, por isso seu atributo fundamental é o de Pai.
O amor fraterno deriva de Deus, mas é o próprio Deus em todo seu resplendor. Um dos maiores exemplos deste amor está na presença do Altíssimo, que inundou o Jardim do Éden, após o pecado original, para demonstrar que o Senhor vai ao encontro da humanidade para demonstrar seu amor e cuidado: “E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela
viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? “ (Gn 3. 8,9) E não há comentários para o texto áureo para o texto áureo bíblico:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)
Nas Escrituras, o Amor é um atributo divino, de caráter moral, que atende não só as nossas curiosidades teológicas, bem como a necessidade de assimilar princípios éticos.
A religião verdadeira está fundamentada no amor. A compreensão de seus pressupostos filosóficos também podem se dar a partir das reflexões do Amor e dos relacionamentos.
Como um ser dotado de toda inteligência e soberania que é, nosso Deus vem demonstrando amor por todas as criaturas. Este amor divino é o padrão mais alto que todos nós já vimos, o mais puro, o mais santo, o mais glorioso etc.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: Que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. (1 Jo 4:8-10)
Champlim (2001, p.139) declara que o princípio do amor é garantir a felicidade do homem, fazer com que ele tenha o destino perfeito e cumpra o propósito da sua existência; ciente disto, encontrará a motivação para as suas ações, vivendo situações que lhe permitam amar a Deus e ao próximo, conhecendo o valor da reciprocidade, do altruísmo, descobrindo que o sucesso no relacionamento com Deus se reflete no relacionamento com o próximo:
“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:37-39)
Este autor também afirma que o amor é a prova da espiritualidade, pois se trata de um desafio a ser buscado por aqueles que desejam se relacionar, intensamente, com o seu Deus, cuja essência é o Amor, a maior de todas as virtudes cristãs, maior que a fé e a esperança: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” (I Co 13.13)
Todas as virtudes cristãs, o fruto do Espírito, brota do solo do Amor, é resultado de suas capilaridades. Somente haverá a produção deste fruto, a partir da regeneração, do novo nascimento, da implantação do amor na alma.
Uma alma regenerada não é mais egoísta, porque o amor, nela inserido, fez toda a diferença, consistindo na formação de uma nova natureza que tem o amor divino como sua inspiração para sua nova conduta.
O amor é a prova da verdadeira espiritualidade, da inserção do homem na família de Deus, na Igreja de Cristo, onde os filhos de Deus são estimulados a viver a de modo altruísta, em comunhão.
A prática da lei do amor é um dos sinais de desenvolvimento espiritual, visível na forma como praticamos atos de bondade, os quais são indícios de nosso crescimento e espiritualidade.
O amor é o caminho mais rápido de retorno ao Senhor Deus, porquanto é a virtude moral suprema que precisamos possuir, a fim de compartilhar de sua imagem moral, permitindo que todas as demais virtudes morais possam ser bem mais facilmente adquiridas.
Somente quando já somos possuidores da natureza moral divina é que podemos possuir a natureza metafísica que está destinada aos remidos, a saber, a própria natureza de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Somente então é que nos tornamos verdadeiros filhos de Deus, juntamente com o Filho de Deus, dentro da família divina, participantes da natureza divina. (Champlim, 2001, p.141)
Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. (II Pe 1.4)
Os deuses gregos eram o contraste do nosso Deus, do Deus Verdadeiro apresentado nas Escrituras. Eles se caracterizavam por suas características humanas, de homens pecadores, vencidos pela natureza carnal.
Eram dominados pela ira quando enfrentavam situações complexas, não tinham autocontrole de suas emoções, vingavam-se de seus oponentes e não reagiam de forma amorosa.
O ódio era uma das essências do caráter desses entes desprezíveis, destruidores que exerciam forças sobre-humanas para demonstrar o descontentamento. Muitos adoradores de deuses pagãos faziam sacrifícios com a finalidade de apaziguar a ira de seus deuses.
Tal situação é curiosa, porque o nosso Deus se distingue de todos eles exatamente por causa do seu traço principal: o Amor.
Nosso Deus ama e não faz o mal a ninguém. Apenas age com justiça quando for necessário. Ele é longânimo e sempre se comunicou com as Suas criaturas.
Assim como existe uma mente mais alta que a nossa, semelhante existe um coração maior que o nosso. Deus não é simplesmente Aquele que ama; Ele é igualmente o Amor que é amado. Há uma infinita vida de sensibilidade e afeição em Deus. Deus tem sensibilidade, e isso em grau infinito. O sentimento por si só, porém, ainda não é amor.
O amor implica não apenas em receber, mas em dar, mas em dar, não meramente em emoção, mas em concessão.
Assim é que o amor de Deus se manifesta em sua atividade eterna de dar (Tg 1.15): “Deus que dá!” Dar não é um episódio em Seu ser; faz parte de Sua natureza.
E não somente dar, mas dar-se a Si mesmo. Isso Ele faz eternamente, nas autocomunicações da Trindade; isso Ele faz igualmente em Suas relações com os homens, no dar-se por nós, em Cristo, e a nós, no Espírito Santo. (Bancroft, 1995, p.73)
A Verdade mais profunda, registrada nas Escrituras, refere-se ao profundo amor divino demonstrado pelo homem: “Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus.” (Jo 16.27); “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.” (I Jo 4:19)
Ele nos amou primeiro de forma insondável: “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3.19)
Nossa mente é limitada para dimensionar o alcance do amor divino, os motivos deste amor, as razões de tal amor que ultrapassa todas as estações, culturas e a estrutura do tempo.
Nós o amamos porque o amor do Senhor é imutável e resiste ao passar do tempo. Sim, o amor do Senhor não se arrefece (esmorece).
Ele não deixa de nos amar, não depende de nossas ações, nem de nossa posição social ou igreja na qual estamos, para nos cercar com Seu amor: “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.” (Jr 31:3)
A partir do instante que temos esta certeza, precisamos permanecer firmes, correspondendo ao amor que Ele nos tem devotado, desfrutar da bênção de estar cercado, inundado pelo amor divino:
“Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor.“ (Jo 15:9) “Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.” (Jd 1:21)
Nós o amamos porque o Senhor não estabeleceu condições para nos amar. Seu amor é incondicional. Todos são o alvo do amor divino, sem exceção: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3:28).
Para o Senhor temos o mesmo valor, custamos o mesmo preço, o Seu sangue derramado na cruz do Calvário e, assim, a única condição para vivenciar o amor de Cristo: “É lícito, se crês de todo o coração.
E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.” (At 8.37) Quando nossos pensamentos estão centrados no Senhor e Ele passa a fazer parte da realidade de nossa vida, não há nenhum obstáculo para desfrutar de Seu amor.
Deus sempre se manifestou no meio do Seu povo. Para Adão e Eva, Ele deixou a promessa que viria a Semente da Mulher com o fim de esmagar a cabeça da serpente e trazer a salvação a todos os que se envolveram no pecado. Esta foi uma prova do amor de Deus para a humanidade:
o Amor Encarnado, em forma humana, habitando entre nós e demonstrando, na prática, o que é e como é que se vivencia o verdadeiro amor de Deus.
Ele veio para se doar completamente e ensinar o que é o altruísmo: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.” (Jo 15:13) Basta crer e confessar o nome de Jesus como o Senhor para que este amor venha fazer parte de nossas vidas, pois este amor é verdadeiro:
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. (Rm 10:9- 11)
Além de obtermos a certeza de que o Senhor nos ama, ainda poderemos desfrutar da doce presença do Espírito Santo que foi derramado para que Amor divino habite em nossos corações e aumente a nossa fé, paciência, esperança, enchendo o nosso coração de contentamento por tudo que recebemos da parte do Senhor:
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Rm 5:1-5)
Dentre as circunstâncias mencionadas, vimos que o amor é um atributo comunicável de Deus a Seus filhos, os quais estão dispostos a imitá-lo e aprender com o senhor e procurar agir de modo que lhe agrade. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude e atuar de acordo com Sua palavra.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
1. Você conhece esta canção? Leve para a aula e apresente aos alunos para cantarem juntos:
ESSÊNCIA DE DEUS – JOÃO ALEXANDRE. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=tQDFU_1VqPM. Acesso em 27set2025.
2. Façam um levantamento de canções que falam do Amor de Deus.
REFERÊNCIAS:
AMOR. In: CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 1, p.138-142.
BANCROFT, Emery E. H. Teologia Elementar: doutrinária e conservadora. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1995.
PSICANÁLISE Clínica. Conceito de amor na psicanálise e psicologia. Disponível em: https://www.psicanaliseclinica.com/conceito-de-amor- na-psicanalise/. Acesso em 27set2025.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11760-licao-1-deus-e-amor-i
Vídeo: https://youtu.be/A3w7OuudzmQ
