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JUVENIS – LIÇÃO Nº 1 – JOSÉ: FIEL ATÉ NAS DESVENTURAS

 


Mais um trimestre no qual estamos comprometidos em vos trazer novidades contidas na Palavra do Senhor e, desta vez, falaremos sobre o estudo biográfico, ou seja, destacaremos alguns aspectos da vida de personagens bíblicos que foram referenciais em seu tempo.

Está claro que deve ter sido difícil fazer esta seleção, porque as Escrituras são repletas de personagens-ícone, homens e mulheres de Deus que nos deram exemplo por meio de seu testemunho.

Basta fazer uma rápida visitinha à galeria dos heróis da fé em Hebreus 11. Esta lição é mais que oportuna nos tempos que vivemos, pois nossos jovens precisam de referenciais, de observar pessoas que seguem os padrões estabelecidos por Deus e detectar que isto é possível, de ver gente modelando os princípios do Senhor na prática cotidiana e eles vejam como se faz para viver uma nova dimensão de vida.

O método de estudo biográfico é a descrição de uma história de vida, observando-se as peculiaridades desta existência, as situações positivas e negativas das experiências vividas e no que tudo aquilo consistiu para nosso aprendizado. (conceito meu).

É necessário observar que tais pessoas viveram muito antes de nós, em período histórico, em ambiente geográfico e culturais totalmente diferentes e, mesmo assim, apresentam características semelhantes às nossas. Elas tiveram experiências ímpares com Deus, assim como nós também tivemos.

De que forma vamos lidar com isto? É neste contexto que se inicia o processo comparativo, haja vista que elas são como um espelho, ao refletir algumas de nossas características e revelar o padrão do Senhor para nós.

Para lidar com esta questão, dedicamo-nos à reflexão e análise da personagem, dos seus aspectos positivos e negativos, verificando como o Senhor foi bondoso em sua vida e lhe ensinou preciosas lições.

Da mesma forma, Ele também atuará em nossas vidas. Por que as informações biográficas foram registradas no texto bíblico? Para atender os propósitos do autor do texto. Quando ele apresentava a história, precisava descrever os personagens e explicar suas ações.

Tudo isto era feito na inspiração do Espírito Santo que tencionava nos ensinar futuras lições. Cada informação era estritamente necessária, juntamente com os fatos históricos que estavam alinhados a cada personagem bíblico.

Não nos esqueçamos que a história de vida de uma pessoa torna-se um meio de ensinar uma lição histórica. Os fatos são mais do que um registro. Estão relacionados à pessoa e servem para nos ensinar.

Portanto, todo o período da vida da pessoa é estudado, atentando- se para as formas de Deus agir em sua vida e como esta atuação divina contribuiu para mudar a história da nação.

As Escrituras apresentam incontáveis histórias. Somente elaelas contém relatos de histórias de vida que começam na Terra e prosseguem nos céus:

Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus.

Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel. (Hb 11.22- 24)

Para fazer a exposição do caráter da personagem é necessário: apresentar os fatos de modo que eles estejam relacionados ao progresso e ao caráter do personagem em estudo; destacar os detalhes de suas vidas apresentados de forma bem completa, juntamente com o pronunciamento de Deus sobre eles.

Observamos que muitos personagens bíblicos podem ser utilizados nesse tipo de estudo: discípulos, profetas, pessoas piedosas, cujas histórias estão nas Escrituras.

Para incluir uma informação biográfica nas Escrituras, o autor teve que provar um ponto, pois ele tinha que convencer alguém de que a proposição, do que dizia, era comprovada com base nos fatos. É o que observamos no ministério de Cristo e nas cartas de Paulo.:

Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Ele nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte.

Nele temos depositado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos. […] São eles hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também.

São descendentes de Abraão? Eu também. São eles servos de Cristo?—? — estou fora de mim para falar desta forma—eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites.

Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar.

Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar e perigos dos falsos irmãos.

Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro? (I Co 1. 8-10; 2 Co 11. 22-29))

RESUMO DA BIOGRAFIA:

Para qualquer um dos quatro tipos de estudos biográficos, devemos ler, observar e tomar notas. Em seguida, será possível esboçar nossas anotações para auxiliar a interpretar a informação coletada. Numa narrativa simples, os pontos principais a serem esboçados devem ser:

l – Nascimento e início da vida;

ll – Conversão e ministério;

lll – Relacionamento com os outros;

lV – Avaliação de caráter;

V – Últimas experiências Vividas e Morte;

Vl – Propósito do Autor ao escrever a história.

Nosso propósito, neste comentário, não será contar detalhes da história de José (que viveu, provavelmente no período de 1678 -1570 a.C.), haja vista que o comentarista da revista já o fez muito bem. Sendo assim, traçaremos algumas considerações sobre a atuação deste personagem tão querido que é um modelo de conduta para todos nós.

José foi o décimo-primeiro filho de Israel, Yosep que significa “que o Senhor acrescente” (filhos), foi o milagre durante tantos anos aguardado que somente trouxe felicidade a Jacó, o qual estabeleceu os limites da sua felicidade ao período de vida no qual esteve ao lado do filho: “

Não descerá meu filho (Benjamim, anotação nossa) convosco; porquanto o seu irmão é morto, e só ele ficou. Se lhe suceder algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer meus cabelos brancos com tristeza à sepultura. (Gn 42:38)

Então lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava.

Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José, que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó seu pai. E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra. (Gn 45:26-28)

Ele recebia atenção redobrada do pai e, certamente, da mãe, haja vista que era o filho mais aguardado, o fruto do casamento com a mulher amada, por quem Jacó tanto fizera sacrifícios.

Era evidente que o fruto desta união seria alvo de tantos cuidados e mimos. Jacó, por sua vez, estava reproduzindo o mesmo erro de seus pais, quando resolveram manter a predileção por um dos filhos. Simplesmente, não avaliou o sofrimento que tal atitude lhes causou, nas diversas contendas internas que houve na família de Isaque em consequência dos atos discriminatórios do pai:

E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. (Gn 25:28) Então falou Rebeca a Jacó seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pai que falava com Esaú teu irmão, dizendo:

Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte. Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando. (Gn 27:6-8)

O ciúme entre os irmãos já existia no tempo de Abraão, quando Isaque era o predileto; no tempo de Isaque, quando Esaú tinha a prioridade por ser o primogênito e, no tempo de Jacó por ser José, o filho da mulher amada.

E, neste cenário, vemos Rúben cometendo a falha de envolver-se com a serva de Raquel, o que lhe causou a perda da primogenitura, fato que parece não ter ficado esclarecido para os irmãos que não compreendiam porque José estava usando a túnica colorida indicada para os primogênitos.

Jacó, pelo que se nota, optou por ocultar a grave falha de Rúben e penalizá-lo, tirando-lhe a primogenitura, a qual pelo visto seria transferida a José. Simeão e Levi já não eram confiáveis após o episódio da matança dos homens em Siquém e os demais não lhe estimulavam para ocupar o posto. José era o único que demonstrava condições para assumir a responsabilidade na família.

Era esperado que houvesse disputas destes irmãos, com José, pois sentiam as consequências do tratamento diferenciado e, por serem de má índole, agiam de forma contrária ao que Jacó esperava.

O costume de “José (que) trazia más notícias deles a seu pai.” (Gn 37.2) agravou mais ainda a situação, porque o filho favorito conquistou a posição (por eles) almejada e, ainda, sobrepunha-se como o mais favorável. Isto só fez ampliar o ciúme a ponto de despertar o desejo de acabar com a vida do irmão.

Foi necessária a interferência de Judá para que eles não o fizessem e, assim, o vendessem como escravo. Cremos que o poder divino estava protegendo aquele jovem de 17 anos, dando-lhe uma nova oportunidade para rever a sua história.

Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas. Chamou a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão. Mandou perante eles um homem, José, que foi vendido por escravo; Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros;

Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou. Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou. Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; Para sujeitar os seus príncipes a seu gosto, e instruir os seus anciãos. Então Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão. (Sl 105:15-23)

O salmista mostra, de forma breve, a trajetória de José que foi o homem certo que estava nos lugares certos, no momento certo. Olhando para ele, era preciso dizer: EIS O HOMEM QUE PRECISÁVAMOS!!! Em todos os locais pelos quais passou, José somente trouxe bênçãos, auxiliou na organização, cuidou da fazenda, manteve tudo no lugar. Seus superiores ficavam tranquilos, porque sabiam que tudo correria muito bem, de forma ordeira, sem nenhuma agitação.

José mantinha a organização por fora e, também, garantia sua disciplina interna, seu auto-controle, temperança:

Não cedeu às investidas da mulher de Potifar, nem aos desejos que ela certamente tenha provocado;

Mesmo sendo injuriado pela esposa de Potifar, não agiu de forma agressiva com seus patrões, recebendo, em si, o castigo imerecido;

Pode ter recebido provocações na prisão, no entanto manteve-se firme, sem dar atenção àqueles que a ele se dirigiram;

Sofreu, pacientemente, durante dois anos na prisão, servindo ao carcereiro-mor, de forma submissa, apesar de não merecer a estadia naquele local;

Chegando ao palácio do Faraó, um local onde imperava a idolatria, manteve-se firme, servindo ao Deus vivo. Em nenhum momento, negou a sua fé.

O autocontrole de José foi essencial para que se mantivesse firme no seu propósito de prosseguir servindo a Deus, preservando os seus valores morais.

O Pr. Osmar José da Silva (2000, p. 91) faz um questionamento bem interessante sobre José, procurando saber porque ele não entrou na genealogia de Jesus, visto não se mencionar nenhuma falha em sua vida. O referido autor, ao mesmo tempo, responde que “José não aparece na linhagem de Jesus, porque ele mesmo é o tipo de Cristo, e foi chamado de salvador do mundo. Seus irmãos o trataram de senhor e ele os tratou como seus servos. Chamaram-no de senhor da Terra.”

DEZ Semelhanças de José do Egito e Jesus

Champlim (2001, p.593), por sua vez, fez um levantamento de aspectos do caráter de José e das lições espirituais deles advindas:

José sofreu diversas perseguições e reviravoltas na vida, mas não se entregou à amargura.

A vida de José foi a vida de um homem. Todos os fatos ruins contribuíram para exaltá-lo e, também, abençoar quem estava ao seu redor.

Ele apresentava uma moral elevada, uma inteligência considerável e uma vontade fora do comum. Tudo isto o impulsionava para a frente, fazendo com que se destacasse dos demais.

Por meio dele, houve provisão alimentar para muitas pessoas e, assim, o propósito divino realizou-se naquela nação, incluindo-se Israel.

Embora tenha enfrentado forte oposição, o propósito divino em sua vida se realizou e ele pôde ver a mão do Altíssimo atuando.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Rm 8.28)

E José lhes disse: Não temais; porventura estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos filhos. Assim os consolou, e falou segundo o coração deles. (Gn 50:19-21)

Deus concedeu-lhe dons e ele os exerceu. O Espírito Santo estava sobre Ele e o usava no momento certo com a Palavra da Sabedoria e a Palavra da Ciência (ou seja, o Senhor revelava a José o que estava escondido).

José tinha visão espiritual, sabia que o lugar do seu povo não era o Egito e, por isto, solicitou que levassem os seus ossos para a Terra Prometida:

E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos daqui.” (Gn 50.25)
Também os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, foram enterrados em Siquém, naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que se tornara herança dos filhos de José. (Js 24.32)

Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos. (Hb 11.22)

SUGESTÃO DE ATIVIDADES:

1.Faça tiras com os nomes dos locais pelos quais José passou e entregue a duplas de alunos. Peça para eles escreverem, de forma resumida, o que aconteceu no local e como José reagiu. Depois, peça para a dupla contar a sala. Isto também pode ser feito numa cartolina e, posteriormente, colocado em ordem cronológica. (Ex. Casa de Jacó – poço – casa de Potifar…)

2.Sugiro que vejam ou ouçam uma pregação de Charles Spurgeom: José atacado pelos arqueiros. Disponível em: https://teologico.club/sermoes- de-charles-spurgeon/jose-atacado-pelos-arqueiros/. Acesso em
27jun.2025. Esta pregação te dará muitos conteúdos para tua aula.
REFERÊNCIAS:

BIBLIOTECA DO PREGADOR. 10 Semelhanças de José do Egito e Jesus. Disponível em: https://bibliotecadopregador.com.br/10-semelhancas-de-jose- do-egito-e-jesus/. Acesso em 27jun2025.

JOSÉ. In: R. N. CHAMPLIN, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 3, p.591-595.

SILVA, Osmar José da. O Dilúvio e os Patriarcas. In: Reflexões Filosóficas de eternidade a eternidade. São Paulo: Candeia, 2000, v.3.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11561-licao-1-jose-fiel-ate-nas-desventuras-i

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