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JUVENIS – LIÇÃO Nº 12 – A VIDA APÓS O CATIVEIRO

 

Com o fim do império do povo assírio, início do império babilônico e, posteriormente, império persa, o povo israelita, que compunha as dez tribos do norte, ficou ocupando a região de Samaria e arredores.

No entanto, é preciso considerar que já haviam se associado a outros povos idólatras e apreendido os seus costumes, deixando de adorar o verdadeiro Deus e de seguir a Lei de Moisés.

É por isto que tais hebreus eram vistos como inimigos do povo de Judá e Benjamim no retorno do cativeiro, apesar de serem da linhagem de Abraão. Que quadro deprimente! Os próprios irmãos procurando impedir a reconstrução em Jerusalém!

Ouvindo, pois, os adversários de Judá e Benjamim que os que voltaram do cativeiro edificavam o templo ao Senhor Deus de Israel, Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais, e disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da

Assíria, que nos fez subir aqui. Porém Zorobabel, e Jesuá, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: Não convém que nós e vós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós sozinhos a edificaremos ao Senhor Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia. Todavia o povo da terra debilitava as mãos do povo de Judá, e inquietava-os no edificar (Ed 4.1-4)

Como foi que Zorobabel conseguiu reunir pessoas para sair da Pérsia e retornar? Primeiramente, sabemos que a poderosa mão do Senhor estava estendida sobre o seu povo.

O Pai Celestial permitiu a aplicação do cativeiro para discipliná- los e ensiná-los a nunca mais envolver-se com a idolatria. Foi exatamente o que aconteceu.

Flávio Josefo (2021, p.499) destaca que foi no primeiro ano do rei Ciro, aos setenta anos depois que as tribos dos reis de Judá e de Benjamim tinham sido levadas cativas que Deus se compadeceu do sofrimento delas e cumpriu o dito do profeta Jeremias: “Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniquidade, e a da

terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas.” (Jr 25.12) Ele também disse que voltariam e reconstruiriam o Templo.

Foi Deus quem tocou no coração de Ciro para escrever esta carta: “Cremos que o Deus-Todo-Poderoso que nos constituiu rei de toda Terra é o Deus que o povo de Israel adora, pois Ele predisse por meio de seus profetas que nós traríamos o nome que trazemos e reconstruiríamos o Templo em Jerusalém, na Judeia, consagrado à Sua honra.”
Por que este rei se expressava desta maneira?

Na verdade, ainda não tivemos acesso à informação do modo como Ciro soube que fora escolhido por Deus com o fim de garantir o retorno dos judeus à Sua pátria.

Uma rede midiática, ao apresentar uma história bíblica, apresenta Daniel revelando a profecia ao monarca, mas a Bíblia silencia em relação a isto.

Flávio Josefo declara que Ciro teve a oportunidade de ler nas profecias de Judá. No entanto, as perguntas prosseguem: Como estas profecias chegaram ao seu conhecimento para que pudesse lê-las? Quem lhe deu acesso a esses textos?

Esse soberano falava assim porque lera nas profecias de Isaías, escritas duzentos e dez anos antes que ele tivesse nascido e cento e quarenta anos antes da destruição do Templo, que Deus lhe tinha feito saber que constituiria a Ciro rei sobre várias nações e inspirar-lhe a resolução de fazer o povo voltar a Jerusalém para reconstruir o Templo.

Essa profecia causou- lhe tal admiração que desejando realizá-la, mandou reunir na Babilônia os principais dos judeus e anunciou que lhes permitia voltar ao seu país e reconstruir a cidade de Jerusalém e o seu Templo, que eles não deveriam duvidar de que Deus os auxiliaria neste desígnio que escreveria aos príncipes e governadores de suas províncias vizinhas da Judeia para que lhes fornecessem o ouro e a prata de que iriam precisar e as vítimas para os sacrifícios. (Flávio Josefo, 2021, p.499-500)

Está claro e visível para todos nós que a alegria do povo seria infinita. Fomos presenteados com o Salmo 126 no qual o povo expressa a tamanha felicidade que sentia quando retornava à Sua terra.

O sentimento de liberdade era incalculável, a paz que inundava os corações era infinita e as expressões de júbilo ao Senhor eram inúmeras. Não eram fugitivos da Pérsia, estavam saindo com permissão oficial do Rei mais poderoso da

Terra que escreveu uma carta ao rei da Síria dizendo: “O Rei Ciro, a Sisina e a Sarabazan, saudação. Nós permitimos a todos os judeus que moram em nosso território e que quiserem voltar ao seu país que para lá se retirem com toda liberdade e reconstruam a cidade de Jerusalém e o Templo de Deus.” (op. cit, p. 500)

Deus usou o Rei Ciro, da Pérsia, para derrotar o Império Babilônico, libertar o povo judeu do cativeiro e auxiliar na reconstrução do templo, o que foi predito há duzentos anos atrás pelo profeta Isaías.

Ele permitiu a reconstrução do Templo e restituiu os vasos sagrados que Nabucodonosor retirou do Templo, tratava-se de: cinquenta bacias de ouro e quatrocentas de prata, cinquenta vasos de ouro e quatrocentos de prata, cinquenta baldes de ouro e quinhentos de prata, trinta grandes pratos de ouro e trezentos de prata, trinta grandes taças de ouro e duas mil e quatrocentas de prata e, além disso, mil outros grandes vasos.

E não só isto, presenteou os judeus com vinho, óleo, trigo e animais. Nesta primeira marcha, retornaram quarenta e dois, quatrocentos e sessenta e dois judeus a Jerusalém.
Todos foram movidos a se engajar nesta obra de reedificação do Templo, desde governantes seculares a profetas piedosos, em cinco anos de árduo trabalho.

De forma esquemática, podemos considerar este período do seguinte modo:

I– A RECONSTRUÇÃO do TEMPLO POR ZOROBABEL

a.Decretada a volta dos exilados

b.Ciro decreta a libertação (Is 44.28; 45.1-4);

c.Foram feitas listas dos que voltaram.

Alguns cativos permaneceram na Babilônia.

II– PRINCIPIADA A RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO

Alicerces são assentados com júbilo. Preocupação excessiva com a correta execução da construção. (Ed 3.10)
A obra é detida pelo rancor local. Hostilidade entre judeus e samaritanos.

O Rei Esar-Hadom foi o responsável pela introdução de estrangeiros em Samaria (II Rs 17.24). Estes estrangeiros casaram-se com israelitas e seus descendentes “foram falar com Zorobabel e com os chefes das famílias:

Vamos ajudá-los nessa obra porque, como vocês, nós buscamos o Deus de vocês e temos sacrificado a ele desde a época de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos trouxe para cá”. (Ed 4:2). Zorobabel opôs-se à oferta (Ed 4.3), pois viu que era incompatível judeus e pagãos edificarem uma Casa ao Senhor.

III– TERMINADA A RECONSTRUÇÃO DO TEMPLO

a.Exortações de Ageu e Zacarias. b. Provisão e proteção de Dário IV- SEGUNDO RETORNO DO POVO JUDEU
Problemas no recrutamento e viagem.

Com cerca de 1.500 sacerdotes, chefes de famílias e levitas, Esdras partiu do Rio Aava após um período de jejum e oração. Foram dependentes da proteção divina naquela viagem de 1.448 km que durou quatro meses, muitos víveres e cem talentos de prata.

Esdras é figura muito importante na história judaica. É conhecido como o “segundo Moisés”, pois foi ele o principal responsável pela restauração da religião judaica após o retorno do cativeiro da Babilônia. Esdras era filho de Seraías, o sumo- sacerdote que foi assassinado por Nabucodonosor em 586 a.C. (Ed 7.1; II Rs 25.18- 22) e irmão de Josadaque, o sumo-sacerdote levado cativo (I Cr 6.15).

Era sacerdote da casa de Arão e escriba hábil na Lei de Moisés (Ed 7.1-6), preparado para ensinar Israel (Ed 7.10).

Foi responsável pela organização da sinagoga e do Cânon do Antigo Testamento. A tradição judaica considera-o como tendo sido o responsável pela compilação das Escrituras, pela modernização do alfabeto hebraico e pela criação do Sinédrio.

A carreira de Esdras, em Jerusalém, começou doze anos antes da carreira de Neemias, que não chegou ao chegou até o vigésimo ano, ou 445 a.C. É provável que Esdras tenha feito uso da biblioteca de Neemias, neste período, para escrever o livro de Crônicas.

Deduz-se, segundo Archer (2012, p.520) que, no período mencionado pela narrativa bíblica, dizendo respeito a Neemias indo para Jerusalém no 20º ano de Artaxerxes (Ne 1.1) e outra vez no segundo ano (Ne 13.6), a referência também deve ser a respeito de Artaxerxes I (com as respectivas datas de 445 e 433 a.C.), e não ao reinado de Artaxerxes II (que produziria as respectivas datas de 445 e 372 ).

O livro de Esdras mostra-nos, sem sombra de dúvida, que a figura de Esdras foi fundamental para que a fé judaica permanecesse viva após o retorno do cativeiro da Babilônia.

VOCÊ SABIA?

Dos seus dez capítulos, os seis primeiros se ocupam da narração sobre os pioneiros que voltaram do exílio babilônico para Jerusalém sob o comando de Zorobabel e Jesua, entre outros, o que ocupa um período de tempo relativo à uma geração inteira antes dele. A menção a Esdras apenas se dará a partir do capítulo sete.

Oitenta anos depois, em 456 a.C., sob a liderança de Esdras, o sacerdote e escriba, um pequeno grupo (duas mil pessoas) retorna com a autorização oriunda de um Decreto do Rei Artaxerxes.

Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia:
Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos.

Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e deem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam.

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela. (Jeremias 29:4-7)

Por isto alguns dos deportados não retornaram a Jerusalém. Estavam muito bem na Pérsia, prosperaram financeiramente, suas famílias geraram novos filhos e adquiriram propriedades, até fazendo novos negócios.
Mas aqueles que voltaram e se dedicaram à reconstrução da história:

1.Os alicerces do templo são assentados com diversas manifestações de júbilo, tendo o cuidado de se iniciar pelo altar, o primeiro a ser reconstruído, no lugar apropriado, observando-se o que estava escrito na Lei, no que diz respeito às atividades a serem realizadas nele ( Ed . 3.3-5)

2.Havia um comprometimento sério de todo o grupo para a realização das obras, um verdadeiro entusiasmo que motivava a correção e planejamento da construção.

3.Tudo isto gerou o surgimento de inimigos da obra, provocando hostilidades tais que revelaram a rivalidade entre os judeus e samaritanos.

4.Os descendentes de assírios e israelitas dispuseram-se a auxiliá-los na construção: “Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais, e disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir aqui.” (Ed 4:2).

Esta proposta disfarçada de verdadeira religião, para Zorobabel, era incompatível, pois não era de bom grado, judeus e pagãos trabalharem juntos com o fim de erguer a Casa do Senhor.

Para Bento & Plácido (2010, p.290), os profetas Ageu e Zacarias presenciaram os fatos descritos e foram as pessoas a quem Deus usou para exercer o ministério profético nesse período, elogiando diversas vezes os feitos de Zorobabel.

“As palavras de Ageu e Zacarias podem perfeitamente ser comparadas com aquela brisa forte vinda das montanhas; são palavras de refrigério e encorajamento vindas diretamente de Deus para o povo. Tanto que Zorobabel, juntamente com os seus liderados, logo se aperceberam que Deus estava novamente entre eles, e retomaram a construção com todo o vigor.”

Quando o templo estava pronto: “ofereceram para a dedicação desta casa de Deus cem novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros, e doze cabritos por expiação do pecado de todo o Israel; segundo o número das tribos de Israel.” (Ed 6:17)

No livro de Esdras, vemos, mais uma vez, o zelo de Deus para que Seu povo não perdesse a comunhão com Ele, nem deixasse esquecido o pacto estabelecido no monte Sinai. A obra de Esdras, fruto de um chamado divino correspondido (Cf. Ed.7:10)

Deus tomou todas as providências necessárias para que o castigo do cativeiro não significasse a perda da identidade do Seu povo escolhido. Esdras, neste ponto, prefigura Cristo e nos mostra Jesus como sendo o nosso Restaurador.

AS CONQUISTAS DE CIRO, O GRANDE

O livro de Neemias relata a história de Neemias, copeiro do rei Artaxerxes que, compungido com o triste relato trazido da Palestina sobre a situação deplorável do povo que havia retornado do cativeiro, acaba conseguindo ser nomeado administrador da região pelo rei e, assim, consegue reedificar Jerusalém e preservar a autonomia dos judeus frente aos seus vizinhos, notadamente os samaritanos. Assim, ao lado de uma restauração religiosa com

Esdras, Deus providencia a restauração administrativa de Seu povo, através de Neemias.
Desde a primeira viagem de Neemias a Jerusalém para dar início às obras de reconstrução dos muros, até a restauração do culto no templo e as devidas reformas civis, morais e religiosas, concluídas na segunda viagem, cobrindo um período de aproximadamente 12 anos (446 a 434 a.C.).

As condições morais e espirituais dos judeus estavam longe de ser satisfatória. Príncipes, sacerdotes, levitas e todo o povo haviam assumidos muitos casamentos mistos com nações idólatras que os cercavam e, embora não estivessem adorando ídolos, mesmo assim se mostravam coniventes com a idolatria, permitindo sua infiltração e colocando em risco a geração seguinte.

Neemias venceu as ameaças de ataques tomando sábias medidas defensivas (Ne 4.1-23), enfrentando francamente a desunião interna e dando exemplo pessoal (5.1-19), bem como agindo com prudência diante das acusações falsas (Ne 6.1-14). Neemias deixa transparecer claramente que ele tinha um plano, o qual era organizar a construção em diversos grupos, todos agindo simultaneamente e cada qual responsável por sua parte do muro (Ne 3)

OBSTÁCULOS EXTERNOS:

a. Desprezo (Ne 4.1-6);

b. Força ( Ne 4.7-23);

c. Astúcia ( Ne 6.1-19).

OBSTÁCULOS INTERNOS:

a. Escombros (Ne 4.10);

b. Medo ( Ne 4.11- 14);

c. Cobiça (5.1-13).

Os samaritanos tornaram-se hostis para com os repatriados e fizeram todo o possível para impedir a construção. Mediante manobras políticas, o povo de Samaria pôde convencer o Rei da Pérsia que era conveniente interromper os trabalhos. Vê-se também que os judeus permitiram que se propagasse o desânimo quando se intensificou a oposição.

A construção foi suspensa por 16 anos. Quão fácil é dizer? “Certamente não é da vontade de Deus, quando temos que edifiquemos agora.”

Quando temos que enfrentar a oposição a uma obra! Mas tal situação não vem do céu.

A seção de Esdras 4.6-23 é um parêntese e não tem a ver com a primeira época da restauração, mas com a construção do muro durante o período de Xerxes (485- 465 a.C.), e o de Artaxerxes (464-424 a.C.). O autor altera aqui a ordem cronológica e introduz aqui os incidentes para mostrar como os samaritanos persistiam em opor- se à obra de Deus.

Observa-se que o rei persa mandou parar os trabalhos até que cessassem os conflitos (4.21). Assim ele deu tempo para eles reconsiderarem e refletirem, algo que tornou possível a missão de Neemias. (Ne 2.1-8)

No livro de Neemias, assim como no de Esdras, vemos que Deus zelou para que Seu povo estivesse estabelecido e organizado, após o término do cativeiro da Babilônia, a fim de que não perdesse a sua identidade. Assim como Esdras, Neemias é uma figura de Cristo, mostrando que Jesus é o nosso Restaurador, o Reedificador da comunhão entre Deus e os homens.

Para Archer (2012, p.519), “o tema desse livro composto é um relatório da reconstrução da teocracia hebreia, nos alicerces físicos e espirituais do passado. Assim como Deus protegia seu remanescente do ódio de inimigos externos, também os livrou da corrupção insidiosa dos irmãos falsos dentro da própria comunidade.”

Neemias foi chefe de Estado, o governador nomeado por Artaxerxes, ocupando uma posição superior à de Esdras, o líder espiritual da comunidade.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

a)Use o mapa, os gráficos e asilustrações do comentário em sua aula.

b)Faça seus alunos refletirem sobre a caminhada no deserto com milhares de pessoas e as dificuldades que elas trariam.

REFERÊNCIAS:

ARCHER Jr., Gleason L. Panorama do Antigo Testamento. ed. rev. e ampl. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2012.

BENTHO, Esdras Costa & PLÁCIDO, Reginaldo Leandro. Introdução ao Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

FLÁVIO JOSEFO. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11317-licao-12-a-vida-apos-o-cativeiro-i

Vídeo: https://youtu.be/w9mKXAGvePk

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