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JUVENIS | LIÇÃO Nº 12 – JOÃO MARCOS: A IMPORTÂNCIA DE APRENDER COM OS ERROS

João Marcos é um personagem bem conhecido no Novo Testamento e merece o nosso estudo e atenção para as situações peculiares ocorridas na sua biografia. Seu nome é duplo.

O primeiro, João, significa “Yahweh mostrou graça”; de origem latina, Marcus, foi o nome mais utilizado no cotidiano. As famílias costumavam colocar nomes duplicados: em hebraico (original “Joanã – II Rs 25.23) e latim).

Ele era judeu, filho de pai grego (?) e vivia numa cultura greco-latina. O latim era o idioma político e o grego era a linguagem da cultura.

Marcos fora bem-educado nas letras de sua época e seu capital cultural também foi útil para a divulgação da palavra de Deus e escrita do Evangelho.

Como já foi dito, não há relatos sobre o pai de Marcos, mas a sua mãe era uma judia cristã (provavelmente viúva), por isto sua casa era designada como a casa de Maria, que era cedida para os cristãos da Igreja Primitiva realizarem as suas reuniões.

Alguns afirmam que a Ceia de Cristo com os discípulos também foi realizada ali. Provavelmente, o homem que estava com o cântaro, era João Marcos:

E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o. E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?

E ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado e preparado; ali preparai-a para nós. E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa. (Mc 14:13-16)

Um outro relato no qual Marcos, provavelmente surge, refere-se à ocorrência da prisão de Cristo no Jardim do Getsêmani.

Um jovem aparece embrulhado num lençol e quase é preso também. No entanto, ele foge, sem o lençol, naturalmente com as roupas “de baixo”.

A única menção deste fato está no livro de Marcos e é, por isto, que os estudiosos, supõem que ele seja este jovem: “E certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E os jovens lançaram lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu deles nu.“ (Mc 14:51,52)

Nestas situações, o nome de Marcos não é citado. Seu nome aparece, pela primeira vez, no texto bíblico em At 12.12:

“E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam.“ (At 12:12)

Ele era um jovem, filho de crente, que estava assistindo o crescimento da igreja e todas as perseguições que ela enfrentava para divulgar as boas-novas de salvação. Sendo filho de uma família mais abastada, não se habituara a enfrentar dificuldades de nível econômico, social e cultural.

Entretanto, a sua realidade ficou totalmente diversa das suas expectativas quando começou a assistir e abrigar a Igreja em sua casa.

Ele participou, portanto, das primeiras reuniões de caráter missionário de uma igreja que estava a se expandir pela Judeia, Samaria e outras partes do Império Romano.

Enquanto não saía de Jerusalém, estava aprendendo a Palavra de Deus com Pedro e os outros irmãos da igreja central, ou como dizemos, da igreja sede.

A pregação do evangelho estava cada vez mais intensa até que a Palavra alcançou o efeito desejado em Antioquia e muitas almas se renderam a Cristo.

A Igreja de Jerusalém decide enviar Barnabé, um judeu grego, para uma igreja formada por gregos, pois assim eles teriam muitas afinidades e o discipulado seria mais proveitoso.

Barnabé sugere o nome de Saulo para acompanhá-lo nesta missão, haja vista que este servo do Senhor também era dotado de extensa sabedoria para o ensino das Escrituras.

Além disto, ele decide levar João Marcos nesta primeira viagem missionária, logo que partiram de Chipre: “ E a palavra de Deus crescia e se multiplicava. E Barnabé e Saulo, havendo terminado aquele serviço, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, que tinha por sobrenome Marcos “ (Atos 12:24,25)

Nesta primeira viagem, eles passaram por Chipre, Perge, Icônio e Atália. Quem fizer a leitura de Atos 13 e 14, verá que Paulo e Barnabé estabeleceram igrejas, mas não sem um alto preço.

Tudo foi a custo de muitas adversidades e perseguições; além disto, houve sinais e operações de milagres, demonstrações da grandeza e sabedoria divina etc.

Embora o povo assistisse a tudo isto, não deixou de agir de forma belicosa, espancando os servos de Deus, rejeitando a pregação, permitindo que sofressem a injúria e humilhação a ponto de passarem fome.

Para Marcos, tudo isto era severo até demais, ele ainda não estava pronto para enfrentar tais circunstâncias e decidiu retornar a Jerusalém: “E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, da Panfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.” (Atos 13:13)

Alguém pode se perguntar qual foi a reação de Marcos à recepção que Paulo e Barnabé tiveram após a viagem.

Quando os dois retornaram a Jerusalém, foram tratados como heróis de guerra. Eles voltaram contando história de como Deus estava alcançando os gentios e as maravilhas que eles experimentaram. Ficamos pensando se Marcos compartilhava dessa alegria ou se ficou desapontado de não estar com eles quando voltaram. (Jesse Johnson, 2012)

Em Atos 15, vemos que os irmãos, no retorno da viagem missionária, sentem a necessidade de retornar aos locais por onde passaram com o fim de estimular os cristãos a permanecerem firmes na fé, enfrentando as perseguições, edificá-los espiritualmente, e exortá-los a viver em santificação perante o Senhor.

Barnabé, por sua vez, opta por levar Marcos novamente, mas seu desejo é contrariado. Não mais era plano de Deus que este jovem estivesse nesta comissão:

E Paulo e Barnabé ficaram em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor. ³⁶ E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.

E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra. E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro.

Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus. (Atos 15:35-40)

Paulo separou-se de Marcos, naquela circunstância, mas uniu-se a Silas, com quem teve momentos maravilhosos do ministério de pregação. E o mais interessante é que a separação ocorre em At 15,39 e dois versículos após, At 16.1, ele conhece outro jovem, Timóteo, que o seguirá até o final da carreira.

Depois, surgirá Lucas como o próximo companheiro de viagens, o qual se destacará no registro dos Atos dos Apóstolos e do Evangelho. Realmente não conhecemos os planos divinos! Enquanto isto, Marcos permaneceu na companhia de Barnabé enquanto passava por um processo de maturidade espiritual.

Assim como Paulo e Silas prosseguiram na sua viagem missionária, somos informados, por meio das epístolas, que a discordância deste apóstolo com Barnabé foi, de fato, uma circunstância que trouxe pontos positivos.

Na epístola aos Colossenses, Paulo faz recomendações positivas a respeito de Marcos: “Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o; “ (Cl 4:10).

Quando escreve a Filemon, ele menciona Marcos como um de seus cooperadores: “ Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.” (Filemom 1:23,24).

Sendo assim, é notório que Marcos já havia conquistado um bom conceito a partir de Paulo, o que era um ponto bastante positivo em relação a ele.

No final da carreira de Paulo, sua consideração para com Marcos é visível. Ele já é visto como uma pessoa útil para o ministério.

Após um embate entre Paulo e seu tio, decorridos vinte anos, este homem de Deus reconquistou sua boa- fama, seu bom testemunho, provando que era capaz de recuperar-se: “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.” (2 Tm 4:11)

Os teólogos, estudiosos das biografias destes homens de Deus, afirmam que Marcos foi ao encontro de Paulo quando ele foi solto, mas não o acompanhou na viagem até a Espanha: “Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. “ (Rm 15.28)

O Senhor permitiu que Marcos, no início, fosse afastado de Paulo, mas não o deixou sozinho. Todos nós recordamos que Pedro foi para a casa de Marcos quando foi solto da prisão.

Era nesta casa que os irmãos estavam orando. Provavelmente, eles já mantinham uma relação de proximidade, que foi se aprofundando, conforme Pedro: “A vossa coeleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos.” (I Pe 5:13)

O filho apresenta traços do pai e eles pareciam apresentam características comuns: o fracasso de um empreendimento, as falhas constantes na trajetória espiritual, o desejo de acertar etc. Enquanto o tio (ou primo, segundo outros estudiosos) era aquele que estimulava, dava injeções de ânimo, encorajava.

Marcos estava assessorado por pessoas que poderiam auxiliá-lo nesta nova etapa e reconstruir-se, reescrever a sua história, bastava dar ouvidos aos mais experientes.

E foi exatamente isto que ele fez. Atentou para Pedro, para sua história e redescobriu seu potencial para ser útil ao Reino de Deus.

O Pedro que se refez, se reconstruiu após as experiências com o Mestre, trouxe a sua contribuição para a história do Marcos, o qual também foi amadurecendo e revendo a sua história de vida.

Em seus relatos, Pedro contava, também, como foi a sua convivência com o Mestre, os eventos que marcaram o ministério de Cristo e quais foram as sensações de fazer parte de tudo aquilo. Tais histórias provocaram tanto impacto na vida de Marcos, que ele decidiu escrevê-las.

É por isto que hoje temos o seu evangelho, ou seja, o evangelho de Marcos, a partir dos relatos de Pedro.

A carreira ministerial de Marcos estava crescendo, pois ele compreendeu que o verdadeiro caminho para seu aperfeiçoamento estava em dedicar-se a Cristo e à Sua Palavra. Conhecer e registrar os caminhos percorridos pelo Mestre, foi um divisor de águas em sua vida.

Estava pronto para, a partir de então, assumir o risco de professar a sua fé e enfrentar a perseguição, haja vista que estava blindado interiormente com o poder de Deus, autoridade espiritual para pregar e divulgar esta mensagem que salva e liberta o homem do pecado.

Este jovem obreiro não mais era um homem que se permitiria levar pelo vento das ocorrências, oscilando de um lado a outro, temendo os opositores, as críticas e

tribulações oriundas da obra missionária. Naquele instante, estava convicto do seu chamado que era apregoar a fé.
Relação especial com Pedro.

Embora não disponhamos de informações sobre os primeiros anos de João Marcos, algumas poucas coisas podem ser incluídas. Nada sabemos sobre o seu pai, e a casa onde ele residia era chamada “casa de Maria” (sua mãe). Isso, talvez indique que, então, o pai de Marcos já havia falecido.

Pedro foi bem recebido nessa casa e, talvez, isso signifique que havia uma história anterior de amizade. Papias reforça que o evangelho de Marcos repousa sobre as palavras e as narrativas de Simão Pedro, outra indicação de que havia laços especiais entre os dois.

Pedro chama Marcos de “meu filho Marcos”(I Pe 5.13). Isso pode indicar uma relação especial entre eles, ou, então, que Marcos converteu-se a Cristo pela agência de Pedro. (Champlim, 2001, p.130)

Há testemunhos da Igreja Primitiva declarando que Marcos permaneceu em Roma durante o reinado de Nero e, após a partida de Paulo (haja vista que Paulo foi decapitado no período de 64 a 67 d.C.), ele ficou na companhia de Pedro, pregando o Evangelho até que este discípulo fosse martirizado.

No entanto, para surpresa de todos, Marcos não era o mesmo! Ele não desistiu! Prosseguiu sua jornada e foi para o norte da África.

Lá, ficou pastoreando uma congregação. Nero, por sua vez, estava em seu encalço. Já abatera Paulo e Pedro e agora era a vez de conduzir Marcos à sepultura. Em Alexandria, ele vitimou o servo do Senhor, assassinando-o: “Segundo a tradição, ele foi arrastado pelas ruas por cordas amarradas ao seu corpo até morrer, por causa de sua fé em Jesus e por pregar o evangelho.

Embora essa informação não esteja nas Escrituras, é amplamente aceita por estudiosos e registros históricos da Igreja.” (Biblia Sagrada Online)

Marcos testemunhou a perseguição de muitos cristãos de seu tempo e até o versículo-chave de seu evangelho trata da oferta de si próprio que se constitui em serviço para o Reino de Deus:

“Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mc 10.45)

Muitos cristãos estavam servindo a Deus, ao próximo e ofertando a sua vida sob o reinado de Nero. Com as suas próprias vidas e atos cotidianos, enfrentavam as circunstâncias, de tal modo, que se autocondenavam à morte pelas feras selvagens no Coliseu. Ele registrou as palavras de Jesus de que os

crentes poderiam ser perseguidos, que o evangelho deveria alcançar os quatro cantos da terra e que viu os seus predecessores (aqueles que o ensinaram) serem mortos pela causa que ele também defendia.

Tradições posteriores apresentam Marcos como fundador da igreja de Alexandria, mas a essa tradição falta qualquer apoio mais sólido. As tradições também registram que em Alexandria, Marcos se tornou pastor, e que ali, finalmente foi martirizado. (Champlim, 2001, p.130)

Quando avaliamos os fatos ocorridos na vida de Marcos, dali extraímos alguns aprendizados, tais como:

 necessário ter humildade e verificar onde estão os nossos erros para corrigi-los e reverter a situação;

Precisamos buscar a companhia de pessoas mais experientes e espirituais para nos ensinarem a servir melhor a Cristo;

Deus é misericordioso e não está em busca de pessoas perfeitas para pregar o evangelho;

Todos nós temos direito a uma segunda oportunidade, até mesmo o Senhor nos diz, em Sua Palavra, para nos lembrarmos onde caímos.

Se fracassarmos no momento presente, não quer dizer que o futuro será igualmente um fracasso.

A fidelidade ao Senhor e à Sua Palavra nos dará condições de suportarmos a perseguição, permanecendo firmes no propósito que assumimos diante do Senhor.

SUGESTÃO DE ATIVIDADES:

Escreva as frases acima em tiras e peça para duplas, trios ou apenas um jovem fazer comentários sobre a sua leitura.

Em seguida, selecione versículos bíblicos correspondentes a cada situação e peça para eles fazerem as relações, como no exemplo abaixo:

A recompensa da humildade e do temor do Senhor são a riqueza, a honra e a vida. (Pv 22.4)

É necessário ter humildade e verificar onde estão os nossos erros para corrigi-los e reverter a situação;

REFERÊNCIAS:

1.BIBLIAON. A história de Marcos (o Evangelista). Disponível em: https://www.bibliaon.com/historia_de_marcos/#:~:text=Marcos%2C% 20o%20Evangelista%2C%20tamb%C3%A9m%20conhecido,da%20primei ra%20gera%C3%A7%C3%A3o%20de%20crist%C3%A3os. Acesso em 11set2025.

2.Instituto HeSed. São Marcos, Evangelista. Disponível em: https://institutohesed.org.br/sao-marcos-evangelista-2/. Acesso em 11set2025.

3.JOÃO MARCOS. In: CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p.129-130, v.4.

JOHNSON, Jesse. Do fracasso à fidelidade – João Marcos, o primeiro filho de crente. Disponível em: https://reforma21.org/sem-categoria/joao-marcos.html. Acesso em 11set2025.

Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11730-licao-12-joao-marcos-a-importancia-de-aprender-com-os-erros-i

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