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JUVENIS – LIÇÃO Nº 13 – QUATROCENTOS ANOS DE SILÊNCIO

A vinda do Filho de Deus foi o maior acontecimento que o mundo pode testemunhar até agora. Muitos falam das guerras mundiais, dos avanços da medicina, da criação da pílula anticoncepcional, do bebê proveta, da invenção da bomba atômica etc.

No entanto, se atentarmos para a maioria destas descobertas, veremos que elas somente trouxeram discordâncias, contendas; em alguns casos, destruição, miséria, degradação do ser humano…

Cristo, por sua vez, veio trazer a paz, na plenitude dos tempos, no momento certo. O seu reino foi a demonstração de que o arrependimento de pecados é demonstração de que o Reino de Deus está a exercer o seu poderio na vida das pessoas.

Quando atentamos para o caracterizado encerramento da atividade profética, ficamos a nos perguntar: Como o nosso Deus deixou de falar com o homem durante tanto tempo? Isto é possível?

Vimos, no comentário anterior, que o povo judaíta havia retornado à sua terra e estava a reconstruir os seus muros e o seu templo.

Um longo período se passou e este povo estava nas gerações posteriores, já parcialmente distanciadas da Lei Divina, precisando de alentos de pessoas comprometidas com o Senhor.

Dentre os grandes líderes, destacam-se os Macabeus (que são mencionados no livro apócrifo), Simeão e Ana, bem como João Batista (os quais estão no Novo Testamento e exaltam a Cristo).

João Batista foi a voz profética que anunciou o Reino de Deus, o arrependimento e o Cristo que se destacaria dentre todos os homens, haja vista que diante deste Cristo: “Respondeu João a todos, dizendo:

Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar-lhe a correia das sandálias; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Lc 3.16)

A profetisa Ana também tinha conhecimento da revelação do Messias. Ao contemplar a Jesus, recém-nascido, aos 8 dias de vida, ela viu a redenção de Israel e começou a testemunhar a todos ali que a plenitude dos tempos se cumprira e Messias tinha vindo para conceder salvação ao povo:

E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. E sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém. (Lc 2. 36-38)

Simeão, o outro servo do Senhor, que estava no Templo, e viu Jesus que foi levado para ser circuncidado, recebeu, do Senhor, a momentânea iluminação de que ali estava aquele de quem o Senhor lhe revelara.

Ou seja, o Senhor mostrara a Simeão que Ele não morreria antes que visse o Ungido do Senhor. E, cheio do Espírito Santo, este servo de Deus tomou o menino nos braços, profetizou para Ele e O abençoou. Que momento ímpar na vida de Maria!

Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor.

E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:

Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos: Luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel.

E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam.

E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado (E uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. (Lc 2. 25-35)

Estes servos do Senhor tiveram a revelação divina no conhecido período do silêncio divino. O que tudo isto sugere? Que Deus não deixa de falar com seus filhos, com aqueles que andam na sua presença em retidão.

Não temos, ´verdade’, registro escrito de profecias, nem livros que exortam o povo israelita, mas apresentamos, de forma explícita, um homem e uma mulher que andaram nos caminhos do Senhor e foram guiados pelo Espírito, ao Templo, para que vissem a Redenção de Israel. Nosso Deus sempre fala!

O povo judaíta, que estava no cativeiro, ouvia o Senhor por meio de Ezequiel; o povo, que estava na Jerusalém destruída, ouvia Jeremias e o povo do palácio tinha o testemunho de Daniel interpretando sonhos e declarando aos idólatras quem era o verdadeiro Deus.

O Senhor não abandona o Seu povo. Um Pai amoroso sempre está atento às necessidades dos seus filhos e sabe qual é a melhor disciplina a ser aplicada.

Sendo assim, o período do intertestamento, quer dizer, “inter” ou “entre” os dois testamentos compreende 400 anos de silêncio profético, no sentido escrito. O evangelista Lucas observa que Deus falou com Simeão e Ana. Provavelmente, eles não foram os únicos a receberem a visitação do nosso Deus.

Já falamos sobre o período profético e, agora, trataremos de alguns aspectos históricos. O período intertestamentário abrange o final do período do Império Persa, o Império Grego e início do Império Romano. Trata-se de quase meio milênio.

Neste período, o único livro, cujos fatos são mencionados no Novo Testamento é o livro de Macabeus: é um livro que narra os episódios que envolveram a história judaica entre 175 a 134 a.C., quando os judeus se encontravam sob o domínio dos selêucidas, reis da Síria que sucederam ao general Seleuco, que recebeu o reino após a morte de Alexandre Magno.

Apresenta valor histórico, pois nos traz informações sobre este período da história de Israel, mas não pode ser considerado inspirado, inclusive porque não foi encontrada cópia alguma deste livro em hebraico, língua em que foram escritos os registros inspirados.

Ao contrário dos outros livros duplos do Antigo Testamento (Samuel, Reis e Crônicas), não contém uma narrativa que dá continuidade aos eventos históricos do livro primeiro, mas é uma narrativa paralela aos acontecimentos narrados em I Mc.1-7.

Esta circunstância já destoa o texto de todas as Escrituras. Trata-se, pois, de um caso de narração paralela, nem sempre coerente e que a torna inexata.

O autor ainda solicita desculpas por eventuais erros:

” […] Tendo passado assim os acontecimentos referentes a Nicanor e como, desde esses tempos, a cidade ficou em poder dos hebreus, também eu aqui, porei fim ao meu relato.

Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era justamente isso que eu queria; se vulgarmente e de modo medíocre, é isso o que me foi possível. De fato, como é nocivo beber somente vinho, ou somente água, ao passo que o vinho misturado à água é agradável e causa um prazer delicioso, assim é a arte de dispor a narrativa que encanta a inteligência de quem lê o livro. Aqui, porém, será o fim.” (II Mc.15:37-39).

POR QUE OS JUDEUS NÃO ACEITAM O LIVRO DE MACABEUS COMO LIVRO INSPIRADO?

24 livros fazem parte da TANACH.

Macabeus foi escrito posteriormente ao encerramento da TANACH.

Já havia mais de 200 anos que a TANACH tinha sido encerrada.

– As entoações dos livros e as suas mensagens foram entregues a Moshe no Monte Sinai. Até mesmo os Salmos. Deus ditou os livros para formar a TANACH.

– Na Grande Assembleia fora revelado o que Deus já havia mostrado a Moshe. Não se pode colocar um livro a mais já que é algo sagrado.

– Os Macabeus são um livro histórico no qual o povo procura se proteger do Império Grego-sírio e se tornar numa nação forte.

-A inconsistência da obra se apresenta no fato de que, pela Torá, o Rei de Israel deve ser descendente da tribo de Judá, o Cohen não pode ser o principal rei de Israel.

– Quando os macabeus tiveram vitória na guerra, deviam fazer o império voltar às suas origens e não fazer os macabeus assumirem o trono.

– Misayok omitindo ensinamentos na Mishná, motivos pelos quais os Macabeus não podem ser considerados um livro.

– São Livros Deuterocanônicos – canonizados na segunda etapa.

– A opressão que caiu sobre Israel foi tal, que não houve igual desde o dia em que tinham desaparecido os profetas. (I Mc 9.27)

– Chanukah – domínio da luz sobre a escuridão, da pureza sobre a impureza, transformar o mundo num local iluminado com a luz divina para receber a presença divina em todos os momentos.

– Estes tópicos são proposições do Rabino Shamai Ende Rosh Yeshivá. Por que o livro dos Macabeus não faz parte do Tanach ? Programa Lamá Rabino. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZJq7Xv45JPo. Acesso em 23mar.2025.

Uma grande influência, deixada pelos Macabeus na cultura israelita, foi a celebração da Chanukkah. Ela é resultante de um milagre realizado pelo Senhor, que manteve o castiçal aceso, mesmo não havendo óleo nele. Para os judeus, foi um milagre e como a luz do candelabro tem o aspecto simbólico muito forte, eles atribuíram significado e motivos para relembrar este fato. Jesus também esteve presente numa Festa da Chanukkah.

No NT, ela é chamada de Festa da Dedicação: “ E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno. E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão.” (Jo 10.22,23)

Como o povo celebra esta festa? É celebrada a partir do final de novembro até o final de dezembro. Durante a festa, à noite, as famílias judaicas acendem as velas de um candelabro chamado menorá.

Ao longo da semana de Chanukkah, os judeus oferecem presentes às crianças, se reúnem com a família, comem coisas fritas e fazem orações especiais. É um tempo para agradecer a Deus e mostrar sua devoção.

O Chanukkah celebra a restauração da adoração a Deus no templo de Jerusalém, no tempo entre o Antigo e o Novo Testamentos.

Os fatos citados acima ocorreram no período intertestamentário durante o Império Grego, comandado inicialmente por Alexandre, o Grande. Os livros bíblicos apócrifos o mencionam. O propósito dos livros apócrifos é apontar para o cenário preparatório para a primeira vinda de Cristo. Foram escritos durante o hiato de quatro séculos, no período intertestamentário:

O macedônio Alexandre, filho de Filipe, já era senhor da Élade. Ele saiu do país de Cetim, venceu Dario, rei dos persas e medos, e se tornou rei em seu lugar. Fez numerosas guerras, apoderou-se de fortalezas e exterminou os reis da terra.

Chegou até os confins do mundo, tomando posse das riquezas de numerosas nações. O mundo calou-se diante dele.

Depois disso, ele se exaltou e se encheu de orgulho. Formou um exército poderosíssimo, subjugou países, nações e ditadores, obrigando-os a pagar tributos. Depois, ficou doente e percebeu que ia morrer. Então convocou os seus oficiais, aqueles nobres que tinham sido seus companheiros desde a mocidade, e ainda vivo repartiu o seu império com eles.

Alexandre reinou doze anos, e morreu. Seus oficiais assumiram o poder, cada um na própria região. Todos eles se fizeram coroar como reis, e depois passaram a coroa para os filhos por muitos anos. E os males se multiplicaram no Mundo.

Deles brotou um ramo perverso, chamado Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco. Ele estivera em Roma como refém, mas, no ano cento e trinta e sete da dominação grega, tornou-se rei. Nessa época, brotou em Israel uma geração de ímpios, que persuadiram muitas pessoas, dizendo:

“Vamos fazer aliança com as nações vizinhas, porque, depois que nos afastamos delas, muitos males nos aconteceram”. Essa proposta agradou a muita gente. Alguns do povo tomaram a iniciativa e foram até o rei, que lhes deu permissão para introduzir os costumes pagãos.

Foi assim que construíram em Jerusalém uma praça de esportes de acordo com os usos pagãos. Disfarçaram a circuncisão e renegaram a aliança sagrada. Associaram-se às nações pagãs e se venderam para praticar o mal. ( I Macabeus 1. 1-15)

ALEXANDRE, O GRANDE

Alexandre inaugurou o período helênico ao inaugurar tantos territórios para a Grécia. No entanto, o seu comando durou apenas 12 anos.

Após a sua morte, aos 33 anos, não legou seu reinado para os seus filhos, mas para quatro generais que ficaram responsáveis pelas seguintes regiões:
Cassandro (Macedônia e partes da Trácia); Lisímaco (Lídia, Jônia, Frígia e partes da Turquia);
Selêuco I (atual Irã, Iraque, Síria e partes da Ásia Central); Ptolomeu I (Egito e regiões adjacentes)

CASSANDRO LISÍMACO SELÊUCO I PTOLOMEU I

Estes reis procuraram dar sequência ao governo de Alexandre e helenizar todos os povos alcançados, ou seja, torná-los amantes da cultura grega e praticantes de preceitos filosóficos, amantes das artes e da beleza. Sendo assim, era necessário

que atuassem como os gregos, procurando impor atividades deste naipe para a população. É neste cenário para a escrita dos livros apócrifos que vemos a multiplicação dos males sobre a Terra, a degradação moral que envolveu o povo judeu.

A nação escolhida por Deus tinha que lutar para manter a identidade moral e sobreviver, conservando a identidade judaica, os costumes do povo escolhido por Deus. No entanto, havia a imposição de “modus vivendi” pagão. Como os judeus sobreviveriam a este contexto imperial hostil?

O rei baixou um decreto, determinando que o reino inteiro formasse um povo só, e cada qual deixasse de lado seus costumes particulares.

Todas as nações obedeceram ao decreto do rei. Entre os israelitas, muitos gostaram da religião do rei e passaram a oferecer sacrifícios aos ídolos e a profanar o sábado.

Além disso, através de mensageiros, o rei mandou a Jerusalém e às cidades de Judá um documento com várias ordens: Tinham que adotar a legislação estrangeira; proibia oferecer holocaustos, sacrifícios e libações no Templo e também guardar os sábados e festas; mandava contaminar o santuário e objetos sagrados, construindo altares, templos e oratórios para os ídolos, e imolar porcos e outros animais impuros; ordenava que não circuncidassem os filhos e que profanassem a si próprios com todo o tipo de impurezas e abominações, esquecendo a Lei e mudando todos os costumes. Quem não obedecia à ordem do rei, incorria em pena de morte.

O rei mandou documentos escritos que continham as ordens para todo o seu reino. Nomeou fiscais sobre todo o povo e determinou que as cidades de Judá, uma após outra, deveriam oferecer sacrifícios. Muita gente do povo passou para o lado deles, todos traidores da Lei.

Começaram a praticar o mal no país, e os israelitas tiveram que se esconder em qualquer refúgio disponível. (I Macabeus 1. 41-53)

O que precisamos aprender neste período do hiato que está registrado nestes livros? O povo israelita voltou diferenciado do Exílio. Eram setenta anos de diferença.

É como se o livro do profeta Malaquias terminasse com reticências. Espera-se, portanto, o cumprimento das profecias. É uma Literatura que proporciona a compreensão do mundo do Novo Testamento e estabelecimento da transição destes períodos: Antigo e Novo Testamentos.

Não podemos ignorar a presença e influência de Alexandre, o Grande, porque a sua responsabilidade pela ampliação dos domínios militar e cultural se concretizam nestes quatrocentos anos, quando transformações nunca vistas na História, se refletem na língua grega que fará parte da escrita do Novo Testamento.

O Exílio Babilônico e a destruição do templo foram os fatores que levaram o povo a questionar a existência do povo judeu como nação, como povo da Aliança.

Este povo precisou remodelar sua vida religiosa sem o templo e a terra, pois o Templo era o lugar da habitação de Jeová. Por isto esta nação sentia a necessidade de retorno à sua terra.

As práticas religiosas ancestrais foram retomadas no retorno à Terra a partir do Império Persa. Neste período, foi estabelecida uma ordem mínima baseada na Lei e estudo da Torá. A escrita do livro de Crônicas teve a finalidade de reconstruir a identidade e história judaicas. Assim, estará firmado o Judaísmo do Segundo Templo.

As sinagogas foram o centro de reunião de cunho didático e religioso, foram lugares para se ensinar e praticar religião comunitariamente. A Lei era valorizada, observada como algo superior aos sacrifícios. Sem o Templo, não havia como fazer os sacrifícios. Observar a Torá equivale ao sacrifício e manutenção desta identidade judaica.

A terceira grande transformação se concretiza na língua corrente – o aramaico (pois aquele povo já vivenciava a terceira geração).

A cultura foi um instrumento de dominação. Os costumes expressos, no NT, escrito em grego, alcançou todos os locais do Império. Os apócrifos também revelam a agitação social, política e religiosa nas quais estes livros são escritos.

Uma destas situações se manifestam quando Antíoco IV, em 168 a.C., ordenou a abolição do culto judaico no Templo de Jerusalém e a transformação do Santuário em templo pagão. Em 167 a.C., fez o sacrifício de um porco num altar pagão erguido por cima do grande altar do Templo de Jerusalém e dedicou-o a Zeus. Destruindo o ethos judaico, achavam que seria mais fácil dominar o povo. Mas os macabeus purificam o Templo e o rededicam a Deus.

ANTÍOCO EPIFÂNIO

Então, o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único povo.

Cada um devia renunciar a seus costumes particulares. Todos os gentios se conformaram a essa ordem do rei, e muitos de Israel adotaram a sua religião, sacrificando aos ídolos e violando o sábado.

Deviam suprimir holocaustos, sacrifícios e libações no templo; violar os sábados e as festas; profanar o santuário e os santos; erigir altares, templos e ídolos; sacrificar porcos e outros animais impuros.

Deviam também deixar seus filhos incir­cun­cidados e macular suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Lei e a transgredir as prescrições. Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei seria morto. (I Macabeus 1.11-12,20-23,41-43,45-50) (negrito nosso)

A Independência Política do povo hebreu foi obtida com João Hircano em 120 a.C. A obtenção desta liberdade se manifestou na indução de outros povos à fé israelita. Em 112 a.C., os povos habitantes da Idumeia foram forçados a se converter ao Judaísmo.

O filho de João Hircano, Aristóbulo, neste período de dominação política dos hebreus, também forçou a conversão dos pagãos, que viviam na Galileia, ao Judaísmo, no período de 103-104 a.C.

Foram 100 anos de estabilidade e independência. Em 142 a.C., a dinastia dos macabeus começa a entrar em declínio. No entanto, em 63 a.C., o General Romano Pompeu invade e subjuga a Palestina, anexando-a oficialmente ao Império Romano.

MAIS ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE MACABEUS

O texto padrão de Macabeus é da Septuaginta e está no grego. Foi traduzido para o siríaco e para o latim a partir do grego.

O original deve ter sido escrito em hebraico / aramaico e traduzido para o grego, mas não resistiu até o séc. IV. Somente há cópias após o terceiro século depois de Cristo.

É uma narrativa histórica que abrangeu um período de 40 anos. Nela há intrigas de toda sorte, derrotas e vitórias em torno de Jerusalém. O autor da obra é anônimo e, provavelmente, relacionado à dinastia hasmoneia.

Foi escrito por volta do séc I a.C., nos últimos anos do reinado de João Hircano (antes de 129 a.C.) ou Alexandre Janeu (100 a.C.). Recebeu o nome de Macabeus de acordo com a tradição Septuaginta.

JOÃO HIRCANO

TEMA: O zelo do Senhor. Prática da tradição, leis e zelo pela tradição judaica.

Vendo isso, Matatias se indignou, tremeu de raiva e, num impulso da ira santa, avançou sobre o apóstata e o matou sobre o altar. Imediatamente matou também o funcionário do rei, que obrigava o povo a oferecer o sacrifício, e demoliu o altar. Ele estava agindo por amor à Lei, do mesmo modo como Fineias fez com Zambri, filho de Salu. ( I Mc 2.24-26)

Antíoco Epifânio tentou implantar o paganismo, mas o mover interior pelas coisas de Deus conduziu os judaítas a arregimentarem uma tropa, com um número considerável de pessoas com o fim de buscar a formação de um Estado independente.

Os grandes heróis judeus são personificados e tornados referenciais para toda a nação, tais como: Matatias, Judas, Jônatas, Simão e os demais irmãos que seguirão.

A guerra foi um conflito armado com os gregos e o Governo Independente buscou a restauração do culto no Templo.

Na época de Jesus e dos apóstolos ainda havia a influência deste período, tendo em vista os referenciais para o povo na luta e na restauração espiritual. Havia a responsabilidade de se preservar a identidade nacional perdida durante o período do exílio.

Eram o zelo e o heroísmo presentes nesta literatura historicista que se inicia a partir de Alexandre, o Grande (356-323 a.C.) e termina com o assassinato de Simão Macabeu (334 a.C.). Há um tom apologético e judeocêntrico com referências ao Antigo Testamento (7.16,71; 5.48; 2. 49-64).

É um livro composto por diferentes gêneros:

– Passagens poéticas, narrativas, testamento (2.49-70);
– Documentos e discursos (2.49-68; 3.18-22; 4.8-11; 13.3-6;16.2,3);
– Orações (4.30-33);
– Cânticos de lamento (2.7-13; 3.50-58);

– Salmos de triunfo (4.24).

A obra é oriunda de documentos oficiais mantidas nos documentos dos hasmoneus, baseada em relatos de testemunhas oculares e em registros da dinastia selêucida.

Observa-se o tom ufanista do autor diante das sucessivas vitórias em relação aos inimigos (as nações vizinhas e Antíoco Epifânio).

Os judeus são o centro da história, a Lei e a cultura judaica. Enquanto isto, os gregos procuravam helenizar o mundo.

Nesse contexto gentílico, os judeus são a minoria e adoram apenas um Deus, lutam por sua terra e adotam um padrão de conduta diferenciado dos gentios que são mais numerosos e poderosos.

À família de Matatias é atribuída o papel, a tarefa divina de libertar Israel (5.62). Mesmo não sendo da casa de Davi ou da casa de Zadoque, a ela foi concedido o papel de amparar a nação e exercer a função política e religiosa, dando preferência a Simão Macabeu.

Era um judaísmo disposto a ceder por motivos políticos à unitarização de Antíoco IV ao passo que um simples sacerdote da província com seu aferro à Lei e ao modo de vida de seus pais conclama o povo à resistência e os liberta. Assim, recebe o coroamento de sua obra por meio de seus filhos.

A fidelidade à Lei é coroada por Deus com sucessos, com vitórias nas batalhas. A providência divina agia de tal forma que aquele povo era mantido de forma intacta, segura, num contexto pagão no qual o humanismo e a idolatria eram liberados.

Por causa do crescimento da iniquidade, as pessoas estavam construindo ginásios, revertendo a circuncisão para se parecerem com os gregos.

O período de independência judaica aponta para a expansão. Houve corrupção e conflitos dentro da família, seguidas de acordos com os romanos.

Em 76 – 66 a.C. O domínio dos hasmoneus alcança a máxima extensão na administração de Salomé Alexandra.

Os livros de Macabeus contam a respeito do zelo de Israel por Deus, pela Torá de Deus, pela pureza de Israel e tudo isso enraizado na estória que vai desde Abraão, incluindo Fineias e Elias entre os seus momentos-chave. N. T. Whright

Embora tenha informações essenciais para o conhecimento da história do povo judeu, no período dos 400 anos de silêncio profético, o livro de Macabeus, mesmo assim, teve diversos problemas detectados como os já apresentados no início do comentário pelo Rabino Shamai Ende, bem como o sacrifício pelos mortos, costume que foi adotado pelo catolicismo nas missas de sétimo dia.

Estes motivos impediram a consideração do livro como digno de estar entre os inspirados nas Escrituras.

No entanto, é um considerável e instrumento histórico. Também é o único texto que ampara a ideia de sacrifício pelos mortos, pois em II Mc.12:43-46, Judas mandou que se fizesse um sacrifício pelos pecados de quem já havia morrido, o que, à evidência, contraria completamente a lei de Moisés (embora sirva de base ‘bíblica’ para as missas de sétimo dia, para a doutrina do purgatório)

Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles.

Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento, eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas. (II Mc.12:43-46)

Os Macabeus contribuíram para o aumento do território dos judeus. Contribuíram para a conversão de outros povos ao judaísmo, além de conquistar outras nações, anexando, assim outras terras ao território judeu.

Por isto, a Bíblia se refere ao nascimento de Cristo como a plenitude dos tempos, porque vemos o povo sob o domínio do Império Romano, gozando de uma infraestrutura muito melhor, mais padronizada, de um sistema filosófico melhor elaborado, de uma ciência mais avançada na área da biologia, matemática e física, de conhecimentos linguísticos mais acessíveis a todo o povo.

REFERÊNCIAS:

CHANUCÁ.

https://pt.chabad.org/holidays/chanukah/default_cdo/jewish/Hanukkah.htm. Acesso em 22 mar.2025.
PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO. Selênucidas e Ptolomeus. Disponível em: https://www.searaagape.com.br/periodointertestamentario_seleucidaseptolomeus. html. Acesso em 22 mar.2025.

POSNER, Rabi Menachem. Chanucá. 13 Fatos Sobre Chanucá Que Todo Judeu Deveria Saber. Disponível em: https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/4979884/jewish/13-Fatos-Sobre- Chanuc-Que-Todo-Judeu-Deveria-Saber.htm. Acesso em 22 mar.2025.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

1. Professor, já pensou em fazer uma maratona bíblica com seus alunos? Faça perguntas simples sobre as lições. Esta lição trabalha com muitos nomes e é bem interessante.

Use os mapas e as ilustrações do comentário durante sua aula. Aumente o tamanho se puder. É para isto que postamos.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11331-licao-13-quatrocentos-anos-de-silencio-i

Vídeo: https://youtu.be/_jpG8soG3ZU

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