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JUVENIS | LIÇÃO Nº 2 – MIRIÃ: DISPONIBILIDADE APESAR DA IDADE

Desde a juventude, os personagens marcantes da Bíblia demonstram a grandeza de seu caráter, da sua fé, do compromisso assumido com a lei divina e a obediência aos pais também se revela como um traço marcante na formação de suas personalidades.

É o que observamos também na adolescente Miriã que nem sequer foi nomeada em Êxodo 2.4, quando recebeu a missão de cuidar do bebê Moisés, o seu irmão, às margens do Rio Nilo:

“E sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer. “ Se distingue pela sua disposição para ajudar os pais e contribuir para proteger o mais novo membro da família, sentindo-se como co-participante da responsabilidade de preservar a descendência da tribo de Levi.

Ela será nomeada apenas em Ex 15. 20,21: “ Então Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças.

E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.” Foi no momento de travessia do Mar Vermelho. Os pais de Miriã eram Anrão e Joquebede:

“E o nome da mulher de Anrão era Joquebede, filha de Levi, a qual nasceu a Levi no Egito; e de Anrão ela teve Arão, e Moisés, e Miriã, irmã deles. “ (Nm 26.59).

Há hipóteses de que seu nome seja de raiz semítica e, também, egípcia, “mara”, o que significa bem-nutrida, saciada, e, naquele local, também tinha o sentido de bonita. Outros estudiosos designam outra raiz egípcia, de onde vem o seu nome mHeri ou amada. A partir do ugarítico, vem da palavra rum (elevar),

ou seja, elevada. Miriã era um referencial entre as mulheres hebreias, pois foi chamada de profetisa, uma líder que tinha bastante influência entre elas.

Miriã e Arão, seu irmão, enfrentaram um período bastante turbulento da história do povo israelita. Sendo adolescentes, ainda não tinham formação moral e religiosa para se defrontar com tantos reveses que surgiam e prejudicavam o cotidiano de seu povo.

Não podiam desfrutar de atividades típicas de adolescentes de seu tempo, haja vista que era um povo escravo, com a obrigação de trabalhar, sem nenhuma compensação por isto.

A força de trabalho destes jovens, certamente, era usada de forma abusiva e, provavelmente, não havia distinção: homens e mulheres trabalhavam para satisfazer o egoísmo do faraó e perpetuar a sua imagem e poderio em monumentos que resistiriam no decorrer dos séculos.

No entanto, o homem sempre foi orgulhoso e, ciente da sua força, bem como da possibilidade de se estabelecer no poder, ele enfrenta os povos que considera maiores e mais fortes por meio da opressão, para que não seja confrontado e desempossado de sua posição de proeminência.

E levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; o qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.

Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra. E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas.

Porque edificaram a Faraó cidades- armazéns, Pitom e Ramessés. Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel.

E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os obrigavam com dureza. (Ex 1. 8-14)

Esta situação foi se agravando a tal ponto que os egípcios decidiram deter o crescimento da população hebreia. As parteiras hebreias chamavam-se Sifrá (hb. quer dizer: esplendor) e Puá (hb. quer dizer: beleza). Elas receberam a ordem de matar os meninos e de preservar a vida das meninas. Mas as parteiras

enfrentaram o rei do Egito, demonstrando temor a Deus e encontrando um álibi. Era a crueldade do faraó em contraste com a postura ética das parteiras, bem como o seu respeito à vida:

E o rei do Egito falou às parteiras das hebreias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o da outra Puá), e disse: Quando ajudardes a dar à luz às hebreias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva.

As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera, antes conservavam os meninos com vida. Então o rei do Egito chamou as parteiras e disse-lhes: Por que fizestes isto, deixando os meninos com vida?

E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebreias não são como as egípcias; porque são vivas, e já têm dado à luz antes que a parteira venha a elas. (Ex 1. 15-19)

Nosso Deus faz uso de meios inusitados para abençoar o Seu povo e foi assim que estas mulheres foram beneficiadas pelo Senhor, suas casas foram estabelecidas (ou seja, o Senhor concedeu-lhes descendência) e os israelitas multiplicaram-se cada vez mais.

A corte egípcia viu que estava difícil deter o crescimento daquele povo. As parteiras não estavam dispostas a cometer tal crueldade e foi assim que o faraó tomou outra decisão: permitir que as meninas sobrevivessem e os meninos, jogados no Rio Nilo para serem devorados, afogados pela correnteza…

Portanto Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou, e se fortaleceu muito. E aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, ele estabeleceu-lhes casas.

Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida. (Ex 1. 20-22)

Estas parteiras desafiaram a autoridade real com o fim de evitar um grande genocídio. Mas foi a resistência, coragem e determinação de duas escravas que contribuiu para a salvação de um menino nascido na tribo de Levi que, futuramente, liderou a saída dos hebreus do Egito.

Joquebede e Miriã enfrentaram perigos para preservar a vida de Moisés. E o faraó (provavelmente Ramsés II – 1290 a 1224 a.C.) era aquele que dominava toda a região do Crescente Fértil ao norte, a Mesopotâmia e, ao sul, o Egito. Sobrevivia com altos tributos daquele povo e maioria de trabalho escravo.

O ato de mandar matar os meninos era resultado da incompetência do faraó, de um temor infundado, de homens que só pensavam na sua grandeza, no centro de seu poder.

Joquebede, as parteiras e Miriã não temeram o terror que o faraó estava infligindo à população hebreia. Estas mulheres se identificaram em sua dor, sua condição de inferioridade e na linguagem amorosa que o sexo feminino dirige às crianças.

Mãe e filha se uniram para salvar o novo membro da família e, durante três meses, conseguiram escondê-lo em casa. Não mais conseguindo, elaboraram um plano: fizeram um cesto de papiro e o vedou com betume e piche para que nada penetrasse nas suas reentrâncias.

Embalaram a criança, colocando-a no cesto que foi colocado na margem do Rio Nilo, o maior rio do mundo conhecido da época. Elas sabiam que todo cuidado era pouco. Corriam perigo em manter o bebê em casa e no Rio Nilo também. Mas estavam arriscando.

O rio que era prenúncio de morte estava, ali, naqueles instantes, preservando a vida.
Ferreira (2023, p.72) destaca que estas ações de Joquebede foram propositais, um sinal de que buscava, nos próprios egípcios, a salvação do seu filho:

O estratagema das escravas era usufruir o que havia de mais precioso no rio. A água e as plantações de papiros. Se a água servia, também, para banhar a princesa real, se nas águas estavam os papiros que não deixariam a criança ser levada pela correnteza, foi ali que aconteceu a realização do plano de vida. Provavelmente, as escravas já sabiam que a filha do faraó se banhava ali, naquele horário.

O cesto foi ali colocado, e acompanhado, de longe, pela irmã. Mãe e filha nunca perderam a esperança na vida. (Ferreira, 2023, p.72) PS. Trata-se de uma leitura pessoal do autor.

Duas filhas se encontraram: a filha do faraó e a filha hebreia. Ambas queriam que o menino sobrevivesse. A egípcia ofertava a vida, mas não dispunha do alimento adequado.

A hebreia era dotada do alimento, mas não podia garantir a vida. Estas mulheres precisavam se unir em prol da sobrevivência do menino.

E assim o fizeram, a partir da sugestão de Miriã para a Princesa Hatshepsutt que estava a banhar-se no rio:
E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela margem do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua criada, que a tomou.

E abrindo-a, viu ao menino e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele, e disse: Dos meninos dos hebreus é este. Então disse sua irmã à filha de Faraó: Irei chamar uma ama das hebreias, que crie este menino para ti?

E a filha de Faraó disse-lhe: Vai. Foi, pois, a moça, e chamou a mãe do menino. Então lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário. E a mulher tomou o menino, e criou-o. (Ex 2.5-9)

Segundo alguns estudiosos, foi a Princesa Hatshepsutt que adotou Moisés. Este é um dado que não posso confirmar, com todas as letras, dadas as limitações de conhecimento nesta área.

Tudo isto fazia parte dos planos divinos para salvar a vida de seu filho. Deus conta com servos fiéis e corajosos, que não temem o inimigo, enfrentando as situações adversas, de forma ousada.

O que mais nos causa admiração é vermos uma mulher e uma adolescente na dianteira desta batalha. Miriã foi uma jovem destemida, corajosa e obediente.

Esteve al lado da mãe, disponível para auxiliá-la a salvar o irmão, ainda que estivesse correndo riscos. Diante de nós ficam as indagações:

– Quantos jovens destemidos temos nesta geração?

– Quantos jovens disponíveis para auxiliar os pais em situações de risco que, futuramente, beneficiarão a família?

– Quantos jovens dariam a sua vida em prol da causa santa do Evangelho?

– Quantos jovens enfrentariam o inimigo para livrar/libertar o próximo de males como drogas, prostituição, imoralidade?
São perguntas que fazemos com a finalidade de despertar reflexões e nos estimular a assumir a responsabilidade que o Senhor coloca diante de nós para que mudemos a nossa realidade.

Assim foi com o nascimento de Moisés. A salvação, preservação da vida daquele bebê foi o prenúncio da mudança completa da história de Israel.

Ele foi usado por Deus para retirar o povo do Egito, conduzir a nação pelo deserto e deixá-la nas proximidades da Terra Prometida. Ainda bem que Miriã estava a vigiar aquele bebê….

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

1.Converse com a turma sobre a necessidade de auxiliar os pais, a disposição de Miriã, o que eles fazem para auxiliá-los e qual a melhor forma de ajudar.

2.Como se faz um papiro? Veja o vídeo: Disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=z_tnbpuu6PI. Acesso em 08jul2025.

3.O que é Papiro – Termos Teológicos. Veja o vídeo: Disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=B9StAh4LkXc. Acesso em 08jul2025.

REFERÊNCIAS:

FERREIRA, Joel Antônio. Mulheres que conquistaram espaço e voz na Bíblia:
resistência ao patriarcalismo. São Paulo: Paulus, 2023.

Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11580-licao-2-miria-disponibilidade-apesar-da-idade-i

Vídeo: https://youtu.be/3r5_0Ym9L3M

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