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JUVENIS | LIÇÃO Nº 2- O REINO DE DEUS ESTÁ ENTRE NÓS


As mensagens bíblicas referentes ao Reino de Deus foram emitidas, primeiramente, pela viva voz da profecia que proclamou a salvação e a intervenção de nosso Deus para instaurar o Seu Reino.

Desde o Antigo Testamento, os profetas mencionavam a libertação espiritual que viria para os judeus, porque o Senhor atuaria a favor dos justos e julgaria os ímpios. Neste tempo de restauração e julgamento, o seu Ungido, o Messias ali estaria para visitar Israel e julgá-lo de modo histórico, como nunca antes fora realizado:

Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. (Ml 4.1)

Quem parará diante do seu furor, e quem persistirá diante do ardor da sua ira? A sua cólera se derramou como um fogo, e as rochas foram por ele derrubadas. (Na 1.6)

Porque Tofete já há muito está preparada; sim, está preparada para o rei; ele a fez profunda e larga; a sua pilha é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do Senhor como torrente de enxofre a acenderá. (Is 30:33)

Observemos, pois, que esta dimensão é escatológica e referente apenas ao FIM DOS TEMPOS. O Reino de Deus tem esta dupla dimensão, esta dupla face: aquilo que é, que está sendo e aquilo que há de vir, que tem dimensão futura.

Os judeus ainda não estavam devidamente crentes no Messias, nem deram ouvidos à pregação escatológica de João Batista que falava daquele que haveria de vir:

“E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.“ (Mt 3:11)

Ele conclamava o povo ao arrependimento como pré-requisito para a submissão 
ao batismo nas águas. Sobre o conceito de arrependimento, “metanoia”, Ladd (1997, p.37) destaca que a “palavra ‘conversão’ expressa melhor a ideia do que arrependimento.

[…] sugere primariamente tristeza pelo pecado; metanoia sugere uma mudança de mentalidade; a concepção hebraica implica na volta completa do homem completo para Deus.”

A pregação do batismo de arrependimento e a orientação para que as pessoas se convertessem foi um preparo para o traçado do caminho que conduz ao prosseguimento da pregação relativa ao Reino de Deus.

A partir de João, segundo Ladd:

O Reino de Deus está operando no mundo e o menor nesta nova era desfruta e conhece bênçãos maiores que as desfrutadas por João, porque participa de uma nova comunhão pessoal com o Messias e das bênçãos que este fato confere. João é o arauto, assinalando que a antiga era havia chegado ao fim e a nova era estava irrompendo no horizonte. (Ladd, 1997, p.41)

Aqueles que tiveram bom discernimento e se apresentaram ao Batista, demonstraram que estavam disponíveis para receber os benefícios oriundos do Reino de Deus, benefícios espirituais originados da salvação da alma de um coração arrependido que se volta para Deus e submete-se a Ele.

Foi neste contexto que Cristo veio, com o fim de promover a fé nos corações, de conduzir os homens a Deus, aliviando o peso do jugo do pecado, trazendo paz às suas almas. Ao contemplar Jesus, João se conscientiza de sua situação.

Cristo não tinha pecados a confessar, nem do que se arrepender. João era um pecador indigno: “Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar-lhe a correia da sandália.” (Jo 1.27)

O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e que havia de vir, acabara de chegar e o tempo de começar a pregação, de proclamar o Reino de Deus já se iniciara, mensagem cujo propósito principal era conduzir os homens ao arrependimento e reconhecimento de que Deus é o verdadeiro Senhor sobre todas as coisas, daí a libertação dos oprimidos e cura das enfermidades.

Para compreender os milagres e a mensagem de Jesus, precisamos avaliar o contexto social e o mundo onde as pessoas viviam e, assim, verificar a necessidade da implantação do Reino de Deus na Terra:

E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho. (Mc 1:14,15)

E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. (Mt 4:23)

O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os contritos de coração, A proclamar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.

E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer- lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. (Lc 4:18-21)

Os profetas do Antigo Testamento referiam-se ao Dia do Senhor quando falavam do futuro, da visita do nosso Deus para purificação do pecado e do mal com o fim de estabelecer o Reino Divino na Terra.

Quando Jesus veio, proclamou o Reino de Deus com base nas profecias, tratando da questão do pecado, do mal e da morte (como consequência de tudo isto).

A Humanidade precisava ser resgatada e somente o Filho de Deus poderia fazê-lo. A proclamação do Reino traz uma mensagem de esperança, que retoma as profecias do Antigo Testamento e prenuncia um novo tempo, quando os males deste mundo serão exterminados e o nosso Deus agirá de tal forma que a Terra se tornará um novo planeta.

Quando o homem se arrepende e entrega a sua vida ao Criador, torna-se filho de Deus, é adotado como filho e começa a desfrutar de uma relação de intimidade, de filiação, de proteção com o Pai Celestial. Ladd destaca que, para Deus, o homem tem um valor inestimável, porque é criatura dotada de valor único.

Como filho de Deus, ele deve manter, com o Criador, uma relação de confiança e obediência filial. Também precisa reconhecer que há muitos filhos de Deus com os quais deve mante a comunhão de irmãos.

No entanto, é preciso tomar precauções com o pecado porque ele quebra esta relação de comunhão com Deus, mas não altera Sua Paternidade. O objetivo principal de Jesus Cristo é restaurar aquilo que, de fato, pertence ao homem.

A Paternidade de Deus é dom no Reino de Deus. Ele tem o maior cuidado dos homens, até os próprios cabelos de suas cabeças estão contados: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” (Mt 10:30)

O homem encontra seu valor último em termos de sua relação com Deus. A parábola do rico estulto procura ensinar que um homem não pode satisfazer sua vida com celeiros de trigo e conforto físico; ele deve ajuntar também riquezas para com Deus (Lc 12.15-21).

É loucura ganhar o mundo inteiro e perder a verdadeira vida (Mt 16.26), que somente pode ser realizada na comunhão com Deus. Assim o homem foi criado para a filiação com Deus. Deus tem prazer no homem não por causa daquilo que ele é em si mesmo, pois é um pecador perdido.

Mas todo homem é capaz de responder ao amor de Deus e tornar-se um filho de Deus. É somente quando um pecador se arrepende que há alegria nos céus (Lc 15.7) (Ladd, 1997, p.53)

A manifestação de Cristo foi o momento de consumação do Reino quando Ele anunciou que o Reino era chegado.

Estava se referindo ao Reino Teocrático, não compartilhava um reino terreno. Mas Israel rejeitou esta oferta. Jesus trouxe uma nova mensagem, que oferecia descanso e alívio para todos os que cressem, dando início a uma nova família de fé, na qual não havia preconceitos de qualquer tipo.

Nas Escrituras, somos premiados com o Sermão do Monte e uma série de ensinos que revivem a Lei Mosaica do Reino Teocrático do Antigo Testamento, que Jesus interpreta e se torna o código de conduta dos servos aqui na Terra.

Quando o Reino de Deus será consumado plenamente? Quando Cristo retornar pela Segunda Vez, Israel se converterá, reconhecendo a autoridade do Messias e verá as promessas a respeito da restauração do Reino de Davi se cumprirem literalmente. Desta forma, podemos notar que há dois grupos distintos: Israel e a Igreja.

O Reino de Deus é o domínio verdadeiro do Senhor que se cumpre na missão histórica de Cristo em seu ministério na Terra, durante a proclamação do Evangelho, bem como no fim dos tempos quando haverá a consumação de todas as coisas, na Era Vindoura.

Ladd enfatiza que, embora poucos apresentem nosso Deus seja Rei, no Antigo Testamento, não podemos deixar de enfatizar que Ele manifesta a Sua soberania real no mundo dos homens e das nações em todos os tempos:

O Reino é sempre uma esperança terrena, muito embora a Terra seja vista como algo redimido da maldição do mal. Entretanto a esperança do Velho Testamento é sempre ética, e não especulativa.

Permite que a luz do presente brilhe de forma a permitir que Israel seja confortada pela história aqui e agora. Por esta razão, há uma aproximação no que tange a um futuro próximo e a outro, distante.

Deus agirá no futuro próximo para salvar ou julgar Israel, mas Ele também vai agir em um futuro indeterminado para trazer a esperança escatológica ao ponto de sua plena realização. Os profetas não fazem uma distinção nítida entre o futuro imediato e o remoto, pois em ambos poder-se-á observar o ato de Deus para com o Seu povo. (Ladd, 1997, p.59)

Sendo assim, o Reino de Deus é o domínio de Deus em todas as eras. Quem se submete à Lei Divina, submete-se à soberania divina, reconhecendo- o como o Senhor.

No Antigo Testamento, quando o gentio se voltava para o Judaísmo e adotava a Lei, obedecendo-a, consequentemente estava submisso ao poder, à supremacia divina.

Apesar da dependência divina, muitos judeus ainda aguardavam um Reino de caráter material, que salvaria o povo do jugo de Roma. Dentre eles, a Bíblia fala de Teudas e de um egípcio sem nome:

E disse-lhes: Homens israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens, porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.

Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. (Atos 5:35-37)
Não és tu porventura aquele egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores? (Atos 21:38)

Além destes homens, também foram citados na História, Bar Kokhba, e os zelotes, líderes judaicos radicais, que desejavam a vinda de um Messias, conquistado por meio de luta, que seja até por meio da espada.

A revolta contra Roma tinha o objetivo de apressar o Reino de Deus, mas Jesus veio para mostrar que o Reino não tinha dimensão material. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. “ (Sl 103:19)

“Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder, […] O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações”. (Sl 145: 11,13)

A expressão “o reino dos céus” aparece apenas em Mateus, onde é mencionada cerca de trinta e quatro vezes.

Várias vezes em Mateus, e em vários lugares do restante do Novo Testamento, a expressão “reino 
de Deus” é usada.

“O reino dos céus” é uma expressão semítica, na qual o vocábulo “céus” é um termo usado em substituição ao nome “divino” (Lc 15.18). Desde que a tradição mostra que Jesus não criticou de modo consistente a palavra “Deus”, é possível que o “o reino dos céus” seja uma expressão nativa do contexto judaico- cristão, a qual preservou a tradição do evangelho encontrada em Mateus, em lugar de refletir o uso real feito por Jesus.

Possivelmente ele tenha usado ambas as frases e os Evangelhos, que foram originalmente endereçados a destinatários gentílicos, omitiram a expressão semítica, pois a mesma seria sem sentido aos seus ouvidos. (Ladd, 1997, p.61)

Portanto, quando o homem tem o privilégio de herdar a vida eterna, também está a entrar no Reino de Deus.

Ambas as expressões são sinônimos de entrar e pertencer à Era Vindoura. Os verdadeiros “filhos do Reino respondem positivamente a Jesus e à Sua Palavra:

“O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno;” (Mt 13:38) Por isto, precisamos receber a mensagem do Reino em atitude de dependência, como se fôssemos crianças:

“Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.” (Mc 10:15)

Jesus provou que o Reino de Deus havia chegado quando esclareceu que os poderes satânicos submetem-se ao poder de Deus e são expulsos: “E logo correu a sua fama por toda a província da Galileia.” (Mc 1:28);

“Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.” (Mt 12:28) O povo ficou maravilhado ao ver tantos oprimidos serem libertos da escravidão satânica.

Apesar de verem tantas maravilhas, os fariseus incrédulos ainda interrogaram a Jesus quando o Reino iria se manifestar.

O Mestre, por sua vez, respondeu que o Reino estava no meio deles, mas não esperavam que fosse assim:

“E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está dentro de vós.” (Lc 17:20,21)

Não há sombra de dúvidas que o Reino de Deus seja recebido no homem interior, realizando primeiramente uma transformação interna. A recusa ao amor de Deus impediu que a maioria destes homens tivessem acesso à salvação. Por tal motivo as classes sociais marginalizadas estão acessando o

Reino de Deus, pois os líderes respeitáveis estão recusando a mensagem que salva: “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles:

O primeiro. Disse- lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.” (Mt 21:31) O domínio de Deus é decretado e se apresenta com veemência em todos os contextos das Escrituras.

O dinamismo do Reino de Deus se concretizou na pessoa e na obra de Cristo. Todos os que têm acesso a Ele são abençoados, tal como João Batista que atuou como precursor de Cristo e pregou o arrependimento, participando intensivamente do caminho de preparo para o recebimento do Filho de Deus e pôde ver o poder divino atuando entre os homens que se arrependeram, a primeira condição para herdar a vida eterna.

Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus! (Mc 10:23,24)

Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. (Lc 12:31,32)

Ladd (1997, p.69) declara que “o Reino é dom da vida conferido ao povo quando se manifesta seu governo” e é por isto que devemos aguardar seu governo nesta era, seu domínio produzindo bênçãos em nossa vida, como um tesouro, uma pérola sem preço, juntamente com outros bens que podem ser desfrutados aqui e agora, em nosso tempo. São presentes concedidos pelo Pai e devemos recebê-los com a alegria, com a receptividade de uma criança:

“ Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus.” (Mt 19:14) Todos aqueles que pedem, receberão a satisfação de suas necessidades, pois quando buscamos a entrada da porta do Reino Divino, não somos repelidos:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7:7); “Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.“ (Lc 12:31,32)

A presença do Reino de Deus em Jesus significava a libertação da hemorragia (Mc 5.34), da cegueira (Mc 10.52), da possessão demoníaca (Lc 8.36) e até mesmo da própria morte (Mc 5.23).

Jesus reivindicou que tais livramentos foram evidências da presença da salvação messiânica (Mt 11.4-5) Foram considerados como que garanti da vinda do reino escatológico que, em última análise, vai significar a imortalidade do corpo.

O Reino de Deus preocupa-se não somente com as almas dos homens, mas com a salvação do homem em sua totalidade […]

Maior do que a libertação dos cegos e coxos, dos leprosos e surdos e mesmo do que a ressurreição dos mortos, era a pregação das boas novas aos pobres. Este evangelho era a própria presença de Jesus, e a alegria e comunhão que ele trouxe aos pobres. (Ladd, 1997, p.72-73)

Como visto, o Deus que está no comando do Reino é Juiz, livrará o seu povo de toda enfermidade em seu Reino Messiânico:

“Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei, ele nos salvará […] E morador nenhum dirá:

Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da iniquidade.” (Is 33.22,24) Em Seu Reino Vindouro, todos os moradores estarão livres do pecado e da enfermidade.

O pecado não mais terá poder, ele será lançado no mar do esquecimento:
Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade.

Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar.

Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos. (Mq 7:18-20)

O Reino Vindouro será de restauração, pois Senhor restaurará o seu povo e com ele fará um novo pacto, uma nova aliança, escrevendo a Sua Lei no coração desta nação que tomou a iniciativa de prestar culto a Deus, obedecer a Sua Palavra e manter comunhão com Ele:

Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.

Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.

E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. (Jr 31.31-34)

Enquanto isto, Cristo nos deixa claro que precisamos praticar a justiça e não viver de acordo com o exemplo dos escribas e fariseus que não eram como as crianças, achando que já possuíam tudo, ao passo que nada tinham.

Enquanto as crianças nada tinham e tudo possuíam, em nível de prontidão, para habilitá-las a entrar no Reino de Deus.

A prática da Lei Justa é a Lei das Bem- aventuranças, que aponta para as mudanças no interior do ser humano, de um homem que sente-se dependente de Deus, que tem compaixão do próximo, que pratica o altruísmo e a cordialidade, o amor ao próximo como a si mesmo etc.

Tais pessoas engrandecem o Senhor e têm livre acesso a Ele, fruindo de sua presença e de suas orações atendidas.

Para Ladd (1997, p.115) “a religião do Sermão do Monteé produtivamente uma religião de obras. Entretanto esta ética pode ser considerada como um tipo de ética extremada, heróica e anormal que o próprio Jesus foi incapaz de realizar.”

É preciso frisar, portanto que a Lei do Reino é a Lei do Amor e da Comunhão. É a Lei da bênção. É a Lei da Salvação.

Nosso Deus é um Deus paternal que procura manter seus filhos em torno de si e os convida para receber a redenção.

Foi por isto que Jesus chorou sobre Jerusalém. Aquele povo recusou a visita de Jesus justamente quando Ele veio trazer-lhes a paz, a graça e a misericórdia. No entanto, quando o homem recusa a visitação do Senhor, segue-se o juízo divino.

Infelizmente, a Cidade de Paz sofreu uma catástrofe iminente:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? (Lc 13:34)

Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio dela, saiam; e os que nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! Porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem. (Lc 21:20-24)

E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada. (Mc 13:2)

Para demonstrar de modo figurado, ou seja, metafórico, alguns aspectos do Reino de Deus, o Senhor Jesus fez uso de parábolas, para apontar que elas se cumprem no presente, mas ainda não se consumaram plenamente.

Estão em curso e apresentam os mistérios ocultos do Reino:

E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. (Mc 4:11,12)

O Reino, que havia chegado, tinha o propósito de extirpar o poderio de Satanás deste mundo e da vida das pessoas, era um Reino de natureza diversa dos outros e dotado de qualidades diferenciadas, porque ao invés de oprimir espiritualmente, ele oferecia salvação e transformação, perdão e libertação.

OS QUATRO TIPOS DE SOLO – na sua atuação presente, o Reino é como um semeador lançando as sementes, mas não consegue alcançar a todos com sua pregação, haja vista que uma semente cai ao largo da estrada; outra é sufocada pelos prazeres mundanos; outra não suporta as preocupações do cotidiano e apenas umas sementes brotam e produzem frutos.

Assim, o Reino prossegue operando de modo silencioso e secreto entre os homens. Não há imposições, nem força, a proclamação da mensagem precisa ser recebida de forma voluntária. Quando isto ocorre, a Bíblia diz: “E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.” (Mt 13:8)

O que mais importa é o ato de semear, de proclamar a mensagem do Reino.

A SEMENTE DE MOSTARDA – a semente de mostarda esclarece a verdade de que, assim como a semente de mostarda cresce e se desenvolve de forma surpreendente, o Reino de Deus será como uma grande árvore, que já se encontra no mundo de forma até insignificante, mas que já apresenta, em si mesma, grande valor.

Esta parábola também indica a Igreja que começou de modo simples e tornou-se uma grande instituição, os discípulos formavam apenas um grupo reduzido de doze homens e, atualmente, são milhares.

https://blog.cancaonova.com/livresdetodomal/o-reino-de- deus-o-grao-de-mostarda-e-arvore/. Acesso em 04 jan.2026.

O FERMENTO – O Reino de Deus manterá o seu domínio sobre toda a Terra, crescerá e se desenvolverá tanto quanto a semente de mostarda, exercendo o domínio sobre o mundo, aumentando cada vez mais o seu raio de abrangência.

A REDE – a rede lançada ao mar apanha todos os tipos de peixes. Quando os pescadores fazem a seleção do pescado, todos os peixes bons ficam retidos e os peixes ruins são lançados fora. No Reino-Igreja, as pessoas boas e más estão misturadas e somente serão separadas no Julgamento Final. A Igreja é o local onde se reúnem pessoas de todos os tipos que são avaliadas pelo Senhor.

JOIO E TRIGO – O bem e o mal coexistirão até o fim dos tempos, Jesus estava enfatizando que o Reino age no mundo sem julgamento imediato:

“ Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai- o no meu celeiro.” (Mt 13:30)

O Reino é a atuação exterior visível da vontade divina; é o ato do próprio Deus. Está relacionado aos homens e pode atuar nos homens e através dos homens; mas nunca se torna sujeito aos homens. Ele permanece sendo sempre o Reino de Deus.

É significativo o fato de que, muito embora os homens devam receber o Reino, este ato de recepção humana não é descrito como uma vinda do Reino. O Reino não vem à medida que os homens o receberam.

O fundamento da necessidade que os homens têm de receber o Reino repousa no fato de que em Jesus o Reino entrou para a esfera da História. Deus fez algo novo. Ele visitou o Seu povo na missão de Jesus, trazendo-lhe a salvação messiânica. O ato divino requer uma resposta humana, muito embora permaneça sendo um ato divino. (Ladd, 1997, p.98)

Todos aqueles que se dispuseram a fazer a vontade divina, tiveram seus pecados perdoados e se tornaram filhos do Reino são os integrantes da Igreja fundada por Cristo, mantém comunhão com Ele e com o verdadeiro povo de Deus.

A Igreja não é o Reino, mas prega que o Reino é chegado e, futuramente, partilhará do Reinado Messiânico de Cristo. Ladd (1997, p.107) declara que “a Igreja é a forma assumida pelo Reino de Deus no intervalo existente entre a ascensão e parousia de Jesus.”

A Igreja deve imitar a Jesus: “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.” (Mt 9:35) Porque ela surgiu apenas por causa destas pregações…

A Igreja é o povo do futuro, mas também faz parte do povo do presente, assim como o Reino de Deus. Constituída de homens mortais e pecadores, terá que passar pelo Grande Tribunal no Final dos Tempos, quando prestaremos contas diante do Rei dos Reis.

Daí a necessidade de vivermos de acordo com as Leis do Reino e estarmos prontos para adentrarmos na Era Vindoura. Livre de toda perversidade e egoísmo, orgulho e animosidade, a Igreja demonstra que o seu testemunho a torna apta para ser o agente no qual o Reino de Deus atua e amplia sua abrangência.

Neste Reino Espiritual (“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” – Rm 14:17), o maior objetivo é conquistar almas, pessoas que experimentem mudança nas suas histórias e comecem a compartilhar o seu testemunho. Qual é o nosso posicionamento no Reino?

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

1. Sugerimos a Dinâmica “Buscai primeiro o Reino de Deus” do Canal Abba Amor que você pode acessar no link: https://www.youtube.com/watch?v=6b6Y5zdJT0Y. Acesso em 04jan2026.

2. Converse com a turma sobre as diferenças e semelhanças das parábolas de Cristo e seus significados.

REFERÊNCIAS:

LADD, George Eldon. O Evangelho do Reino. Disponível em: https://cdn.bookey.app/files/pdf/book/pt/o-evangelho-do-reino.pdf. Acesso em 04jan2026. E.book.

LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Exodus, 1997.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/12040-licao-2-o-reino-de-deus-esta-entre-nos-i

Vídeo: https://youtu.be/jEJ-PnrQ2wA

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