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JUVENIS | LIÇÃO Nº 3 – AS FILHAS DE ZELOFEADE: O PEDIDO QUE MUDOU A HISTÓRIA

Zelofeade era descendente da família de José, da tribo de Manassés. Este filho de Héfer não teve filhos, apenas cinco filhas do sexo feminino, as quais foram Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza (Nm 26:33).

Seu nome, de origem hebraica, significa “proteção do medo”, derivando de sel (sobra) e pahad (temor).

A peregrinação de Zelofeade é finalizada quando seu falecimento o separa das filhas. No entanto, a história está apenas começando porque teremos acesso à pregação de um ideal de justiça, de respeito a todas as famílias, da não- discriminação.

Suas filhas refletiram seus valores de coragem e integridade, defendendo a justiça e os direitos fundamentais. Estamos diante de uma história que nos oferece diversas lições morais e espirituais, com o propósito de manter uma fé inabalável e uma conduta exemplar diante das adversidades.

Percebe-se que estas moças foram educadas a valorizar o que é perene, o que perdura ao longo dos anos, como a herança e a identidade familiar.

Precisamos reconhecer o significado desta narrativa bíblica, a necessidade do respeito às questões legais e territoriais relativas à distribuição da herança na Terra Prometida. A importância de Zelofeade se reflete na sua linhagem, na postura de suas filhas que, numa comunidade tribal e patriarcal, buscaram a equidade, a justiça social, a honra ao nome de sua família, a genealogia

Ele residia na região montanhosa de Gileade, uma área rica em história e significado dentro da Terra Prometida. O contexto social em que Zelofeade estava imerso era marcado por tradições culturais arraigadas e estruturas comunitárias firmes.

Essa localização geográfica desempenhou um papel crucial em sua jornada pessoal e influenciou suas interações diárias com os habitantes da região. (Disponível em:

https://explorandoapalavra.com/quem-foi-zelofeade-na-biblia/. Acesso em 11jul2025.)

O filho primogênito, do sexo masculino, conduziria adiante o nome da família e seria agraciado com a herança do pai, até mesmo se a sua mãe não fosse a mulher amada (como já foi apontado a situação de Leia e Raquel):

“Mas ao filho da desprezada reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver; porquanto aquele é o princípio da sua força, o direito da primogenitura é dele “ (Dt 21.17) Sendo assim, a distribuição da herança sempre estava restrita aos filhos do sexo masculino. As filhas que se casassem tinham direito a um dote, um presente valioso da parte do pai:

E disse Calebe: Quem ferir a Quiriate-Sefer, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher. E tomou-a Otniel, filho de Quenaz, o irmão de Calebe, mais novo do que ele; e Calebe lhe deu a sua filha Acsa por mulher.

E sucedeu que, indo ela a ele, o persuadiu que pedisse um campo a seu pai; e ela desceu do jumento, e Calebe lhe disse: Que é que tens?

E ela lhe disse: Dá-me uma bênção; pois me deste uma terra seca, dá-me também fontes de águas. E Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores. (Jz 1:12-15)

A mulher não escolhia o seu esposo e o dote era opção de seu pai. A filha de Calebe fez uma reivindicação, tal como as filhas de Zelofeade.

Nem todas as mulheres aceitaram todas as condições que foram impostas. Vejamos que eram leis estabelecidas pelos homens, pois quando Moisés orou ao Senhor, pedindo orientação, nosso Deus instruiu o servo dEle a atendê-las, Calebe também caiu, em si, e percebeu que fora injusto com sua filha.

Conceder a terra apenas aos filhos homens era deixar de observar, portanto, as circunstâncias específicas que poderiam ocorrer: Zelofeade tinha cinco filhas e as gerações posteriores não levariam seu nome, suas terras, nem sua herança.
Estas cinco jovens tinham fé em relação a esta herança. Foram educadas nesta trajetória de busca nas areias do deserto para uma terra que mana leite e mel. Terra que devia pertencer a elas e a seus descendentes. Estas moças não

eram como Esaú que não valorizava a herança de seus pais e a negociava para satisfazer uma necessidade imediata
E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura?

Então disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó.

E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura. (Gn 25. 32-34)
E ninguém seja fornicador, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura (Hb 12.16)

Estavam ansiosas por uma herança que ainda não haviam contemplado, mas acreditavam e desejavam esta terra como se a tivessem visto. É verdade que a luta não foi apenas delas, porém todos criam que “Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: o Senhor justiça nossa. “ (Jr 23.6)

Mas tal era a força da fé dessas cinco mulheres que as levou a sentir uma profunda ansiedade por uma parte da herança.

Elas não eram tão simplórias a ponto de viver apenas para o presente. Haviam superado sua infância – não estavam satisfeitas em viver apenas para o dia. Sabiam que, no devido tempo, as tribos cruzariam o Jordão e estariam na Terra Prometida, então começaram, por assim dizer, como boas donas de casa, a pensar onde seria sua porção, e a refletir que, se tivessem sido deixadas de fora quando o rolo do recrutamento foi lido – e se nenhuma porção fosse designada para Tirza, nenhuma porção para Milca e nenhum lugar para qualquer uma das cinco irmãs, elas seriam como mendigos e párias no meio da terra. (Spurgeon, 2022, p.34)

Vejamos que as famílias beneficiadas com um filho primogênito não tinham preocupação referente à possessão de terras, porque a família teria descendência.

No entanto, o que dizer acerca das famílias chefiadas por mulheres, desamparadas e órfãs, como ficariam? Teriam direito a algum lugar para se estabelecer e dar prosseguimento à herança de sua família?

Esta era a preocupação destas e, provavelmente, de outras pessoas que estavam em situação de desigualdade social, haja vista que tais famílias fugiam ao padrão recorrente.

A terra, por sua vez, foi prometida a todos os que atravessassem o Rio Jordão. Foi o Senhor que prometeu. Não há erro algum em desejar algo que o Senhor já nos concedeu. Só lhes faltava tomar a posse e agradecer ao Senhor.

Era uma terra grandiosa, uma habitação destinada aos príncipes do Senhor, o melhor que havia naquela região, um território incomparável, que produzia uvas enormes, romãs doces como o mel, pastos excelentes para a criação de cabras leiteiras. Daí surgiu a alcunha “terra que mana leite (de cabra)
e mel (romã adocicada).

A conquista da terra foi resultado do enfrentamento de grandes dificuldades: “Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” (Nm 13. 33)

Elas não duvidaram que esta bênção seria possível e ali estavam para tomar posse dela. Não tiveram temor da congregação. E, para isto, tinham que buscar a pessoa certa, aquela que exercia a função de mediador entre Deus e os homens, o profeta Moisés que clamou a Deus:

E apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes e de toda a congregação, à porta da tenda da congregação, dizendo:

Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre a congregação dos que se ajuntaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos.

Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pai. E Moisés levou a causa delas perante o Senhor. (Nm 27. 2-5)

Afirmaram que seu pai não fora rebelde como Coré, mas perecera no deserto, como ocorreu com todos os israelitas (pois apenas Calebe e Josué sobreviveram), mas gostariam de preservar o nome da família. Para um desejo louvável como este, um pedido feito sem rebeldia, não haveria como deixar de atender.

Foram mulheres que reivindicaram seus direitos sem usar a força, sem gritar, sem exigir dizendo que mereciam e foram vilipendiadas, sem dizer que foram marginalizadas, apenas apresentaram sua causa. Poderíamos afirmar que as filhas de Zelofeade adotaram o comportamento das feministas por solicitar que os seus direitos fossem observados? É claro que não !!!

Estas cinco mulheres criam no advogado que atende prontamente todos aqueles que rogam por justiça: “O Senhor, porém, será juiz, e julgará entre mim e ti, e verá, e advogará a minha causa, e me defenderá da tua mão.” (I Sm 24.15). Deus é justo, não desampara ninguém.

E falou o Senhor a Moisés, dizendo:

As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas. E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém morrer e não tiver filho, então fareis passar a sua herança à sua filha.

E, se não tiver filha, então a sua herança dareis a seus irmãos. Porém, se não tiver irmãos, então dareis a sua herança aos irmãos de seu pai. Se também seu pai não tiver irmãos, então dareis a sua herança a seu parente, àquele que lhe for o mais chegado da sua família, para
que a possua; isto aos filhos de Israel será por estatuto de direito, como o Senhor ordenou a Moisés. (Nm 27:6-11)

O Senhor conhecia o coração destas filhas e foi por causa delas que a Lei de Herança foi mudada, por causa do respeito que tinham pelo seu pai, por causa do desejo de manter o nome da família honrado. Foi assim que se iniciou a caminhada para a liberdade, haja vista que deixaram as casas do Egito para se apossar de sua nova habitação na Terra Prometida.

Estas mulheres notáveis tiveram seus nomes registrados nas Sagradas Escrituras. Há diversas referências a grupos de mulheres que não são identificadas, tais como as filhas de Adão, as irmãs de Jesus, as filhas de Felipe etc.

No entanto, as filhas de Zelofeade são apresentadas pelo nome em vários textos, com exceção de um (Crônicas), por sua identidade e descrição de seu ato que contribuiu para a mudança na Lei Mosaica:

E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos, e gerou filhos e filhas (Gn 5.4)
Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? ⁵⁶ E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? (os irmãos recebem nome; as irmãs, não) (Mt 13. 55,56)

“E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. E tinha estas quatro filhas virgens, que profetizavam.” (At 21.8,9)

Estas jovens são referenciadas em outros textos como retomada do fato ocorrido na lição de Nm 26 e 27. Ou seja, tornou-se um fato memorável para além das gerações:

Como o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram as filhas de Zelofeade. Pois Maalá, Tirza, Hogla, Milca e Noa, filhas de Zelofeade, se casaram com os filhos de seus tios. E elas casaram-se nas famílias dos filhos de Manassés, filho de José; assim a sua herança ficou na tribo da família de seu pai. (Nm 36. 10-12)

Zelofeade, porém, filho de Hefer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, não teve filhos, mas só filhas; e estes são os nomes de suas filhas: Maalá, Noa, Hogla, Milca e Tirza. (Js 17.3)

E Maquir tomou a irmã de Hupim e Supim por mulher, e era o seu nome Maaca), e foi o nome do segundo Zelofeade; e Zelofeade teve filhas. (I Cr 7.15)

Como visto acima, elas se casaram com pessoas de sua tribo e a herança perpetuou o nome de seu pai, atendendo o desejo de seus corações. E a justiça foi feita.

SUGESTÃO DE ATIVIDADES:

Os teus alunos conhecem A parábola do juiz iníquo e da viúva persistente ? Conte para eles. Veja o estudo: 3 lições da parábola do juiz iníquo https://bibliotecadopregador.com.br/licoes-da-parabola-do-juiz-iniquo-e-da-
viuva-persistente/. Acesso em 12jul2025.

Fale com a turma sobre os males do movimento feminista: aborto, desordem nas famílias, desrespeito aos pais e às lideranças etc. Reivindicar direitos não consiste em fazer desordens.

REFERÊNCIAS:

EXPLORANDO A PALAVRA.COM. Quem foi Zelofeade na Bíblia? Disponível em: https://explorandoapalavra.com/quem-foi-zelofeade-na-biblia/. Acesso em 11jul2025.
FERREIRA, Joel Antônio. Mulheres que conquistaram espaço e voz na Bíblia. São Paulo: Paulus, 2023.
SPURGEON, Charles. Mulheres do Antigo Testamento: estudo sobre as mulheres notáveis da Bíblia. Londrina, PR: Penkal, 2022.
ZELOFEADE. In: CHAMPLIN, R. N., Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v.6, p.726.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11593-licao-3-as-filhas-de-zelofeade-o-pedido-que-mudou-a-historia-i

Vídeo: https://youtu.be/vUnruZ13104

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