JUVENIS – LIÇÃO Nº 5 – AMOR AO PRÓXIMO
Vivemos numa sociedade onde prevalece o egoísmo e as pessoas visam apenas obter vantagens para si, sem preocupar-se com o benefício de outrem.
Tal egoísmo é próprio da natureza pecaminosa cuja função é cobiçar, haja vista que a natureza do pecado é a cobiça.
Quando nos recusamos a ser oportunistas e aproveitadores, estamos cumprindo o mandamento áureo que o Senhor Jesus nos deixou de que é “amarmos o próximo como a nós mesmos”.
Precisamos nos colocar no lugar do outro, imaginar o que o outro pensaria naquela situação, compartilhar a dor alheia, a alegria de outrem: “ Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram.” (Rm 12:15)
O apóstolo João, o discípulo do amor, foi aquele que apreendeu muito bem os ensinamentos do Mestre a respeito e deixou-nos explícito, em suas cartas, tais orientações acerca da vida prática, do cotidiano de quem recebeu Jesus e deseja viver o Evangelho em sua essência.
Se o fruto do Espírito é o Amor e a Lei se resume nos dois mandamentos que são “Amar a Deus e amar ao próximo”, é necessário doutrinar a Igreja no que diz respeito à prática do verdadeiro amor, que não se resume a discursos, mas atesta o testemunho de quem realmente vivencia internamente o amor de Deus em sua vida.
O discípulo amado aponta que o ato de aborrecer o irmão provocará a morte espiritual, a separação de Deus primeiramente. Antes, separam-se os irmãos; posteriormente, estão separados de Deus e, no caso de Caim, separaram-se fisicamente, pois o ódio ao irmão pode trazer terríveis consequências.
Quantos irmãos, amigos e parentes não se comunicam mais? Nem sequer mencionam o nome da pessoa? Embora não tenham cometido homicídio como Caim, tal pessoa está como morta para ela:
“Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.” (1 Jo 3:15)
Ao invés de tirarmos a vida de nosso irmão, desfazermo-nos da vida de nosso irmão, criticarmos a vida de nosso irmão etc, precisamos dar a nossa vida em prol do benefício de nosso irmão, fazer sacrifícios pelo benefício dele, deixar um pouco de nós, em nível material e espiritual com o outro.
O texto bíblico nos diz que ao vermos o nosso irmão necessitado, não podemos “cerrar”, ou seja, fechar o coração, recusarmo-nos mentalmente a ajudá-lo. Já ocorreram situações nas quais ficamos buscando razões (motivos) para nos recusar a prestar auxílio a alguém?
Enquanto as emoções nos aquecem e procuram nos convencer a fazer algo, racionalizamos e damos estímulo à recusa até que desistimos de agir. Mas a pergunta continua a ecoar: “Como estará nele o amor de Deus?”
O amor de Deus se reflete nos atos e no caráter do cristão, não está restrito às demonstrações públicas, às pregações e palestras de quem deseja promoção social. Precisa ser verdadeiro e concretizado em obras que tragam mudanças nas vidas das pessoas.
Se nosso coração nos condenar – Se tivermos consciência de que nosso amor é fingido, nos sentiremos interiormente condenados ao professar ter o que não temos.
E se o nosso coração nos condena, Deus é maior que o nosso coração, pois ele conhece todos os enrolamentos e reviravoltas hipócritas da alma, ele procura o coração, experimenta as rédeas e vê toda a falsidade e maldade desesperada do coração que não podemos ver e, se pudéssemos vê-los, não os poderíamos
compreender; e como ele é o juiz justo, ele nos condenará mais estrita e extensivamente do que podemos ser por nossa própria consciência. (Adam Clarke. Disponível em: https://versiculoscomentados.com.br/index.php/estudo-de- 1-joao-3-20-comentado-e-explicado/. Acesso em 26out2025)
João enfatiza a necessidade de obedecermos aos mandamentos do Senhor e os mandamentos áureos não podem, de forma alguma, ser negligenciados, haja vista que os tais foram ministrados desde o Monte Sinai.
Nossas orações são respondidas porque vivemos em comunhão com Deus. Viver em comunhão pressupõe obediência à Palavra, compromisso com o Senhor, amor verdadeiro Àquele que cuida de nós.
Quando se refere em I Jo 3.22, aos cristãos que guardam os mandamentos e fazem o que agradam a Deus, João se reporta aqueles que têm as suas orações respondidas porque desfrutam de uma visível comunhão com Cristo. Tal recomendação foi dada pelo Senhor Jesus:
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. Se me amais, guardai os meus mandamentos. (Jo 14:13-15)
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. (Jo 14.21)
O amor ao próximo é um mandamento. Não podemos negar a veracidade disto, nem deixar de fazê-lo. Se não o fizermos, o Senhor nos negará diante do Pai; se o fizermos pensando apenas em promoção social, em sermos vistos, para que elogiem e engrandeçam o trabalho de nossas mãos, também será desconhecida esta obra diante do Pai.
O amor está alicerçado na fé no Filho de Deus, no ato de procurar conhecer cada vez o Senhor e estar cheio do Seu Espírito:
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. (Jo 14:23,24)
Após as considerações relativas ao texto da Leitura Bíblica em Classe, trataremos de dialogar acerca do comentário da lição:
Na lição anterior, falamos sobre amor-próprio, um sentimento estritamente necessário para quem for cumprir o mandamento. Como poderemos amar o próximo, se não amarmos a nós mesmos? O Senhor Jesus destacou este amor por si, como uma condição para que amemos o próximo:
“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mt 7:12)
Ou seja, o que desejo para mim, o que busco para mim, o que não tive para mim, é o que, de certa forma, vou trabalhar para conceder a outros.
Quando falamos do Amor Verdadeiro, somente conseguimos falar acerca da pessoa de Cristo. É incrível verificarmos que fariseus, estudiosos da Lei, homens comprometidos com a observação e ensino da Lei de Moisés, fizessem uma pergunta tão ingênua para o Senhor:
“Quem é o meu próximo?” Sabendo que o amor ao próximo fazia parte dos dez mandamentos.
Quem ama o próximo, não furta, não tem inveja, não adultera, não dá falso testemunho, não cobiça o bem que pertence ao outro, não mata.
O amor a Deus e ao próximo era o supra-sumo da Lei e eles estavam totalmente perdidos…. O Senhor Jesus conta a história de um samaritano sem preconceitos, que se coloca no lugar do outro, sem desejar-lhe mal, apenas pensando em sua recuperação, não importando qual fosse a sua origem, tratando-o como o próximo…
Porque para Deus todos nós somos irmãos. No entanto, somos repletos de preconceitos e escolhemos a quem vamos ajudar. Muitas vezes, somos parecidos com estes tais fariseus.
Estávamos separados de Deus, mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2.1), mas o sangue de Jesus nos redimiu e nos trouxe de volta ao estado de comunhão com Deus, tornamo-nos amigos de Deus e inimigos do mal, como diz conhecida canção do Diante do Trono Kids e agora conhecemos as ações do verdadeiro amor que transforma, que regenera o pecador:
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. (Jo 15:13-17)
Todo aquele que foi salvo e está em comunhão com Seu Criador, ostenta a imagem do Senhor e, por onde ele passar, é visível que a presença divina, a essência e a imagem celestial estejam evidentes nas suas ações, na sua forma de ser, na conduta amorosa com o próximo.
Ser a imagem de Deus, portanto, é refletir a essência de Deus em nossa vida, em atitudes de amor, não apenas na relação comunicativa com Deus, bem como no relacionamento com o semelhante.
A Bíblia nos orienta, por meio do apóstolo Paulo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;” (Ef 5:1) Os filhos amados são semelhantes ao Pai, apresentam as suas características e, com Ele, aprendem a ser pessoas melhores, imitando os seus gestos.
Como filhos de Deus, devemos imitá-lO, somos a Sua imagem, Seu reflexo aqui na Terra. As pessoas conhecem e têm acesso a Deus por meio de nós.
O veículo de transmissão da mensagem divina é o Amor, a mensagem do evangelho traduzida nas ações da amorosidade divina em relação ao homem. E, se pregamos o Amor de Deus, também devemos vivê-lo.
Amor sem preconceito, porque Cristo morreu por todos. Amor que não retribui o mal, porque Cristo nos ensinou a dar a outra face, andar a segunda milha, dar a túnica e a capa etc..
Amor que trata bem os inimigos, assim como Cristo tratou a Judas que lhe deu o beijo traidor dizendo: “Amigo, a que vieste? “ (Mt 26.50) O Mestre nos ensinou, com seu testemunho, que não podemos estabelecer condições para amar.
Para amar o próximo, deve-se estabelecer a empatia como a condição essencial, pois diz respeito ao ato de se colocar no lugar do outro, exercitar a sensibilidade para captar a emoção da outra pessoa e compreender a sua situação.
Mais uma vez, trataremos de apresentar Jesus como exemplo de empatia. Diante da viúva de Naim, “vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe:
Não chores.” (Lc 7:13) Ele sempre trazia conforto para o coração aflito e paz para a alma atribulada:
Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.
Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca irá morrer. Crês tu isto? (Jo 11:23-26)
Temos um exemplo bíblico maravilhoso de empatia e altruísmo. Rute conhece a situação de sua sogra, sabia o que era a solidão oriunda da viuvez, estava compartilhando a pobreza, a tristeza, a melancolia. Para Noemi, era desalentador viver em Moabe.
Era imperativo retornar à Belém, ao seu povo, a sua cultura. Diante disto, Rute se une à sua sogra, junto com Orfa (a outra nora), no retorno à Belém e, ao chegar próximo à entrada da cidade, Noemi se despede delas, solicitando que retornem a Moabe. Rute, apesar disto, se nega a retornar, dizendo:
Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar. Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi? (Rt 1:16-19)
Ela deu uma das mais lindas provas de amor a alguém. Colocou- se no lugar da sua sogra: irei aonde fores, pousarei aonde pousares, o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus, onde morreres ali morrerei e serei sepultada.
É o verdadeiro oposto de egoísmo e demonstração de ajustamento à realidade do outro. Rute demonstrou prontidão para satisfazer a necessidade de Noemi, sem pensar no benefício próprio. O testemunho de Rute teve repercussão em toda comunidade e, por isto, o Senhor a favoreceu.
Ela agiu sem interesses, sem segundas intenções e o Senhor agradou-se dela, abençoando-a. Conduziu-a até os campos de Boaz e, ali, ficaram, evidentes, os mandamentos da Lei de Moisés que beneficiava o próximo. Um deles era a Lei da Respiga.
Na época da colheita, o dono do campo ordenava os seus funcionários que deixassem ramos de trigo ou cevada caídos nos cantos da plantação, pois as pessoas necessitadas passariam para recolhê-las e assim não teriam fome.
Foi que Rute fez. Também havia a Lei do Levirato, por meio da qual a viúva se casaria com um irmão do falecido e, no caso de Rute, foi um parente. No caso, Boaz. Assim, a viúva não ficaria desamparada e sem sustento. Vejam que, nos dois casos da Lei, se visava o benefício do próximo e o amparo às pessoas.
O ato de pregar o Evangelho consiste no desenvolvimento da empatia e do altruísmo. O evangelista deve ter estas duas faculdades e colocá-las em prática.
É só observarmos os exemplos que Jesus nos deixou, visto que Ele tratava cada pessoa de um modo. Ele não tinha fórmulas prontas para trazer curas nas vidas das pessoas, cada uma delas foi tratada de acordo com as suas circunstâncias, sua história, sua necessidade particular. Vejamos como Ele curou os cegos:
Trouxeram-lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via. (Mt 12:22)
E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! Tem misericórdia de mim.
E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama.
E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.
E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. (Mc 10:48-52)
E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa.
E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.
Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e o fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu a todos claramente. (Mc 8:22-25)
Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. (Jo 9.6,7)
Jesus demonstrou a estes homens enfermos e sofredores que os amava por meio de Suas palavras que confortam e animam o coração desalentado pela dor da alma.
Cristo os amou com a Sua conduta quando lhes ministrou a cura, dando-lhes uma nova vida, uma oportunidade de serem felizes, de contemplarem o mundo que estava oculto pela escuridão, tirou-os das trevas e, além disto, deu-lhes a oportunidade de conhecer o caminho da luz.
Comprovou que os amava por meio do anúncio de salvação, do restabelecimento da saúde e o testemunho verdadeiro dos sentimentos nobres daquele é a expressa imagem de Deus, a essência do Amor.
O exercício do amor em nosso cotidiano precisa considerar que todos os seres humanos são feitos à imagem de Deus e, por isto, devemos respeitar as pessoas, considerando os seus sentimentos, suas necessidades, seus valores, sua cultura etc. Sigamos o exemplo dos grandes homens de Deus que não tiveram a sua vida por preciosa, mas preferiram levar no corpo e na alma as marcas do Senhor Jesus.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
– Faça uma lista de atividades que podem ser feitas em prol de auxílio ao próximo na igreja.
– Que tal combinar com a turma para montar umas cestas básicas para doação no Natal? Antes, é preciso fazer uma lista do que irá na cesta. Depois, cada um propõe o que irá trazer.
– A autora da lição também propõe um grupo de oração na p.36 da Revista do Professor. É uma excelente sugestão.
REFERÊNCIAS:
CLARKE, Adam. Se o nosso coração nos condenar. Disponível em: https://versiculoscomentados.com.br/index.php/estudo-de-1-joao-3- 20-comentado-e-explicado/. Acesso em 26out2025)
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11831-licao-5-amor-ao-proximo-i
Vídeo: https://youtu.be/NFqzq2NqyN8
