JUVENIS | LIÇÃO Nº 5 – ENTENDENDO OS EVANGELHOS
Os Evangelhos são os relatos dos fatos mais significativos e interessantes das realizações do Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento. A palavra “evangelho”, do grego euangellion, significa “boas-novas”.
No grego secular, o vocábulo euangellion faz referência a uma boa notícia que diz respeito a um fato importante.
Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas apresentam-nos o mesmo protagonista sob óticas diferentes, com o fim de revelar o Mestre de uma perspectiva particularizada, expressando a cosmovisão do autor.
Mesmo havendo visões diferentes, há várias semelhanças entre estes três livros, por isto são chamados de “sinóticos”, o que significa “sin” = mesmo; “ótica” olhar”, ou seja, mesmo olhar.
Originado de uma palavra grega que significa “ver junto” ou “compartilhar de um mesmo ponto de vista.
O evangelho de João é considerado autóptico, porque sua escrita está de acordo com a visão do autor, a ênfase explicita o que o autor deseja ressaltar. Esta característica também está evidente nos outros livros de mesma autoria.
É possível relacionar os fatos em três colunas para fazer as devidas comparações, observando as semelhanças e diferenças, estabelecendo um olhar em conjunto, bem como atentar para as particularidades.
Podemos fazer esta observação a partir do conteúdo do livro, das informações mais frequentes, das ocorrências que são mencionadas num livro e não no outro, nas coincidências presentes nas obras etc.
Os evangelhos sinóticos nos permitem traçar quadros comparativos entre os evangelistas e, assim, poderemos descobrir quais são as características ímpares de cada um deles, como o fato se deu, observar detalhes entre as ocorrências, verificar como foi o início, meio e final dos eventos que envolviam o Mestre etc.
Também destacamos os temas comuns, as situações que diversificam, as questões centrais, as mensagens-chave que estão impressas nos textos para assimilarmos. Quando
fizermos isto, o estudo bíblico destes livros ficará mais simplificado e poderemos compreender melhor a mensagem de Cristo.
É necessário considerar que os Evangelhos narram as ocorrências mais significativas, que explicam os objetivos da vinda do Mestre e os propósitos da Sua pregação.
Alguns fatos não foram mencionados porque estavam relacionados e apresentavam, talvez, semelhanças com os fatos principais:
Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. (Jo 20.30)
Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. (Jo 21:25)
Há dois elementos comuns nos quatro Evangelhos: ausência de informações sobre a infância de Jesus, apenas Lucas destaca um fato ocorrido com Cristo quando estava nos seus doze anos (Lc 2.40-52).
Também se observa diversos fatos que destacam os eventos que antecederam e sucederam a crucificação e ressurreição de Cristo.
Este cenário possibilita a melhor compreensão da vontade divina em relação ao envio do Cordeiro (que foi morto antes da fundação do mundo – Ap 13.8). A última semana de vida de Cristo é o momento principal, o ápice de todos os evangelhos.
Cada livro, portanto, apresenta uma perspectiva única para um público específico: Mateus, para os judeus verem que as profecias estavam se cumprindo; Marcos, para os romanos crerem na ação ininterrupta e no poder do Mestre e Lucas, para os gentios, porque a salvação é universal.
Mateus escreveu para comprovar que Jesus era o Rei dos Judeus, descendente do Rei Davi, em quem as profecias messiânicas se cumpriram.
Este evangelho tinha o propósito de fortalecer a fé entre os judeus cristãos e isso fornece a possibilidade para o evangelismo do povo judeu.
O texto, por sua vez, é repleto de referências do Antigo Testamento, pois seu objetivo é fazer esta ponte entre o AT e o NT. O Sermão da Montanha, por exemplo, é uma aplicação aperfeiçoada da Lei de Moisés, um ensino que os Mestres da Lei ainda não tinham oferecido ao povo.
O evangelho de Marcos é considerado um evangelho de ação. É o primeiro evangelho a ser escrito e o seu foco está centrado nos milagres e realizações de Cristo para servir as pessoas. Por o texto é mais conciso. Nele, o Senhor Jesus Cristo é visto
como servo sofredor: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mc 10.45)
Lucas, por sua vez, escreveu para um público mais amplo. Os gentios, versados, na cultura grega, tomaram conhecimento do HOMEM PERFEITO, segundo o ideal grego. Apresenta Jesus como alguém que não tinha preconceitos e atendia a todos independentemente das condições físicas ou da classe social.
Cristo procurou incluir a todos os homens em sua pregação, o que envolvia os marginalizados e excluídos da sociedade.
O médico Lucas era grego e fez bom uso da linguagem grega para escrever o texto no qual retrata Jesus como o Filho do Homem (26 vezes), fazendo uso de um estilo mais refinado e detalhado. Como pesquisador, valeu-se do método científico.
Procurou verificar a veracidade dos fatos com as testemunhas antes de registrá-los, porque era preciso ter certeza:
Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram. Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra.
Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio; para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado. (Lc 1:1-4)
O último evangelho de João foi escrito com a finalidade de comprovar que Jesus é Deus, demonstrar que suas realizações eram fruto do ministério que exercia em comunhão com Pai, revelar os momentos nos quais o Mestre anunciou a vinda do Espírito Santo, o Consolador etc.
Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus (Jo 5.18). Eu e o Pai somos um.
Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.
Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?
Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia e porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. (Jo 10.30-33)
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra- nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. (Jo 14. 9,10)
O apóstolo amado deixou explícito qual foi o objetivo principal da escrita: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20.31)
Portanto, durante a leitura dos Evangelhos é preciso observar:
– As opiniões que Jesus emite sobre a Sua pessoa;
– Quem são as pessoas que estão a falar com Jesus.
– As considerações de Jesus sobre Deus.
– As reações de Jesus diante das situações que O agradam e O incomodam.
– O que Jesus solicita para as pessoas fazerem.
Por exemplo, cada um dos quatro evangelhos segue esta progressão geral:
Uma declaração do status divino de Jesus (Mt 1:23; 3:13-17; Mc 1:1, 9-11; Lc 1:32-35; 3:21-22;Jo 1:1, 29-34)
Os milagres e ensinamentos de Jesus (Mt 4–25; Mc 1–13; Lc 4–19:27; Jo 2–17)
A traição, julgamento e morte de Jesus (Mt 26–27; Mc 14–15; Lc 19:28–23:56; Jo 18–19)
Ressurreição de Jesus e encorajamento aos seus seguidores (Mt 28:1-15; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10)
(Disponível em: https://bibliotecadopregador.com.br/os-4- evangelhos/. Acesso em 25 abr.2025)
As Escrituras apresentam os quatro Evangelhos tipificados, desde o Antigo Testamento, nas cortinas do Tabernáculo e nas criaturas do altar do capítulo em Ezequiel.
A cor azul refere-se ao evangelho de João, pois aponta para o céu, de onde Jesus, o Verbo Divino, veio para nos conceder a salvação.
O evangelista evidencia a divindade de Cristo, neste livro, diversas vezes. Mateus salienta a realeza do Senhor no primeiro capítulo quando deixa explícito que Cristo é da descendente do Rei Davi e também usa o título “Filho de Davi” em torno de 11 vezes. A púrpura era a cor da realeza e o Salvador é o Rei dos Reis.
Marcos apresenta a Cristo como aquele que veio servir e dar a sua vida em resgate, derramando o Seu sangue, por isto o carmesim é a cor que representa o seu evangelho.
O Salvador veio à Terra como um homem que viveu sem pecar, sem nenhuma falha. Este é o motivo da cor branca, pois no Senhor não há mancha, não há mácula, Ele é o homem perfeito.
Como visto acima, o leão indica a realeza, haja vista que é conhecido como o rei dos animais, o Evangelho que retrata esta posição de Cristo é Mateus.
O boi é o animal que leva o jugo, a semente, que ara a terra, que presta serviço.O evangelho que nos apresenta Jesus, como servidor, é o Evangelho de Marcos.
O homem perfeito, em sua melhor forma física e mental, que causa admiração e é visto como referencial para todos os homens, foi apontado por Lucas.
A águia é o animal que vem das alturas e vive nelas. Até mesmo os seus ninhos lá ficam. O evangelista que salienta as origens do nosso Cristo em todo o Seu livro, bem como a Sua divindade é João.
COMO COMPARAR OS TEXTOS DOS EVANGELHOS SINÓTICOS?
Em todos os Evangelhos, somos agraciados com as maravilhosas e inefáveis palavras, do Senhor Jesus, nos ensinando sobre a especificidade do amor ao próximo e o perdão divino.
Os relatos contidos nos Evangelhos são referentes às maravilhas, aos milagres operados por Cristo, o quais foram demonstrações do poder divino e compaixão.
Este foi o maior referencial de serviço e humildade que motivou/inspirou os cristãos a seguirem o seu exemplo.
Para desenvolvermos habilidades de análise, no estudo dos evangelhos sinóticos, precisamos analisar e interpretar devidamente os textos e fazer uma análise mais crítica das Escrituras.
Neste processo, se fará uma comparação das diferentes versões da mesma história e distinguir as ênfases de cada autor, observando o contexto histórico e cultural, os padrões e temas recorrentes.
Desta forma, ainda há mais aspectos a observar, tais como: semelhanças e diferenças na ordem dos eventos, nos seus detalhes e na linguagem utilizada pelos personagens.
“Quase todo o conteúdo de Marcos se encontra em Mateus e grande parte do que conta Marcos se encontra também em Lucas. Além disso, Mateus e Lucas têm vários elementos que não estão em Marcos.” Disponível em: https://www.abiblia.org/ver.php?id=8220. Acesso em 26 abr.2025.
ALGUNS EXEMPLOS PARA COMPARAÇÃO:
Ivan Pereira (2018) declara que as concordâncias dos sinóticos demonstram que as semelhanças entre os três não podem ser apenas fruto do acaso, pois o fato de descreverem faros semelhantes e até fazer uso de termos idênticos, nos faz crer na existência de uma relação de dependência entre os livros (pois são inspirados nas mesmas fontes). No entanto, para melhor compreensão de tal relação. é preciso observar também as não poucas e consideráveis diferenças entre os três evangelhos sinóticos.
REFERÊNCIAS:
1.BÁRBARA. Entendendo os Evangelhos Sinóticos: Marcos, Mateus e Lucas. Disponível em: https://estudandoabiblia.com.br/evangelhos- sinoticos-marcos-mateus-lucas/. Acesso em 26 abr.2025.
2.BÍBLIOTECA do Pregador. Os 4 Evangelhos: O que são e quem escreveu? Disponível em: https://bibliotecadopregador.com.br/os-4-evangelhos/. Acesso em 25 abr.2025.
GUEDES, Ivan Pereira. Evangelhos: A Questão Sinótica – As semelhanças. Disponível em: https://reflexaoipg.blogspot.com/2018/01/evangelhos- questao-sinotica-as.html. Acesso em 26 abr.2025
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11422-licao-5-entendendo-os-evangelhos-i
Vídeo: https://youtu.be/yhT-zz7lLG0








