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JUVENIS – LIÇÃO Nº 5 – O ENSINO E A IGREJA

Ensinar, no contexto das Sagradas Escrituras, é um dom ministerial concedido pelo Espírito Santo aos servos do Senhor que transmitem com discernimento e eficiência, fora do comum, as verdades que dizem respeito ao Reino de Deus.

Para isto, deve haver dedicação, como diz o apóstolo Paulo, haja vista que o ato de ensinar requer o preparo de quem se disponibiliza a fazê-lo (Rm 12.7).

O Dicionário Teológico, de Andrade (1998, p.136) destaca que ensino é oriundo do latim ensignare, significando gravar, instruir. Sendo assim, as propostas didáticas precisam buscar este fim: oportunizar a memorização do conteúdo e contribuir para a mudança de condutas.

Yamauchi & Wilson (2020, p.652) declaram que “a ideia de educar é transmitida em hebraico por verbos que podem ser traduzidos por instruir, treinar, direcionar e aprender, e por substantivos que denotam discernimento, sabedoria e conhecimento. (itálico nosso)

Esta forma de educação, segundo os autores, se caracterizava pela informalidade e era ministrada pela família; no entanto, no final do período bíblico, começou a surgir uma educação de caráter formal, com um objetivo religioso, ou seja, manter a comunidade em torno da Torá, apreendendo novos ofícios, consciente de que o seu Mestre por excelência sempre será o Senhor:

Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. (Dt 4.1)
Faze-me saber os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia. (Sl 25:4,5)

Aquele que repreende os gentios não castigará? E o que ensina ao homem o conhecimento, não saberá? […] Bem-aventurado é o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei; (Sl 94.10,12)

Os israelitas recebiam uma educação totalmente diferenciada dos outros povos, por isto o salmista faz referência aos gentios como um povo que receberia o castigo divino por não seguir a Lei Divina.

O povo de Deus se diferenciava exatamente por isto: cumpria a Lei de Deus, seguia os seus estatutos e sabia que o ato de obedecer era andar nos caminhos do Senhor, revelar uma conduta diferenciada, dar testemunho de sua fé por meio de seus atos, o que tornava o israelita diferenciado:

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Êx 19:5,6)

O testemunho do povo do Senhor fez diferença. As operações divinas foram alvo do conhecimento de muitos povos, os quais descobriram quem era o Deus verdadeiro, Forte e Poderoso, Criador dos Céus e da Terra.

Um Deus elevado e distinto como este, também teve igualmente um povo distinto, um povo que foi educado em santidade, separado para Ele e que não viveu de acordo com o estilo de vida, com a conduta dos outros povos.

Por isto, o povo do Senhor devia memorizar, lembrar-se constantemente dos seus mandamentos, os “mitsvot”, diretrizes éticas para viver corretamente, princípios que se constituiriam em atos de adoração a Deus quando fossem obedecidos.

Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os guardares, para que bem te suceda, e muito te multipliques, como te disse o Senhor Deus de teus pais, na terra que mana leite e mel.

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.

E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;

E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. (Dt 6:3-7)

Os filhos que aprendiam ofícios (artesão, metalurgia, pedreiro, cerâmica, cuidado com os animais e comércio), em casa, na prática, com os pais, também aprendiam a Lei Divina, pois segundo Yamauchi & Wilson (2020, p.652) “o objetivo final de toda educação era o reconhecimento da autoridade do Senhor em todos os caminhos e circunstâncias da vida, para que a Terra possa encher- se do conhecimento do Senhor.”

Portanto, a família era o fundamento, o alicerce da educação judaica. A instrução religiosa era responsabilidade do pai que ensinava, primeiramente a Shemá (Dt 6.4), assim que a criança começasse a falar.

Nas festas tradicionais, como a Páscoa, Festa da Colheita, Festa dos Tabernáculos, as crianças ouviam histórias do povo e precisava memorizá-las.

Por meio da oralidade, da contação de histórias, as crianças viviam e reviviam as grandes histórias da redenção. As franjas (filactérios) que usavam, nas vestes, eram ajudas visuais para recordar os mandamentos divinos

Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. (Pv 3:5,6)

Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Que nas bordas das suas vestes façam franjas pelas suas gerações; e nas franjas das bordas ponham um cordão de azul.

E as franjas vos serão para que, vendo-as, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os cumprais; e não seguireis após o vosso coração, nem após os vossos olhos, pelos quais andais vos prostituindo.

Para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os cumprais, e santos sejais a vosso Deus. (Nm 15:38- 40)

Tendo em vista que a Educação e o Ensino Informal ainda ocupam posição privilegiada no contexto da nação israelita, é imprescindível destacar que esta é a função da Igreja. Como agência do Reino de Deus na Terra, ela é detentora da mensagem que salva e aponta caminhos.

Por tais motivos, o Senhor Jesus Cristo a incumbiu de formar discípulos, formar alunos dispostos a aprender a servir ao Senhor. Sendo assim, Cristo exerceu o seu ministério ensinando e recebeu, com prazer, o título de Mestre: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.

Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.” (Jo 13:13,14) Jesus é o Mestre e nós devemos segui-lO, imitá-lO, pois o ensino fez e faz toda a diferença no ministério da igreja.

Antes de retornar aos céus, Ele recomendou-nos que fizéssemos discípulos. Precisamos pregar o evangelho a toda a criatura, mas devemos ter a responsabilidade de ensinar os novos convertidos para formar verdadeiros e autênticos seguidores de Cristo.

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo. Amém. (Mt 28:19,20)

E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? (Lc 24.32)

O mestre por excelência tem o devido conhecimento da Lei Divina para transmiti-la aos seus alunos. Este é um privilégio concedido a todos os que se esmeram na dedicação ao ensino. Precisamos ler e saber o que o Senhor nos tem ordenado:

“Buscai no livro do Senhor, e lede; nenhuma destas coisas faltará, ninguém faltará com a sua companheira; porque a minha boca tem ordenado, e o seu espírito mesmo as tem ajuntado.” (Is 34:16)

Não poderíamos deixar de comentar sobre o principal método de ensino de Cristo que ensinava com autoridade, pois vivia de acordo com seus ensinos e, além disto, falava de temas que despertavam o interesse da multidão, mantendo as pessoas atentas e interessadas em ouvi-lO:

“E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.}” (Mt 7:28,29).

Ele fazia o povo ver e sentir o sabor de suas palavras, ilustrando-as por meio de histórias, solicitando a interação das pessoas, fazendo perguntas, questionando o posicionamento delas diante das circunstâncias citadas.

As parábolas são um excelente instrumento didático porque despertam a atenção e mantém as pessoas estimuladas para descobrir os resultados, o final da história.

O Senhor Jesus dominava esta arte muito bem. A sabedoria dEle a todos suplantava e a convicção que manifestava, enquanto ensinava, causava admiração a todos.

Para Jesus, não importava o número de pessoas, mas a necessidade de se conhecer acerca do Reino de Deus. Não importava a distância, mas a missão de alcançar as vidas: “E percorria as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém.” (Lc 13:22)

Esta é missão da Igreja, desde a ascensão do Senhor, testemunhar de Jesus: “Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” (Jo 21.24) A Igreja recebe a comissão de ir às nações para testemunhar e ensinar acerca de Cristo.

No entanto, não basta haver novos convertidos, é preciso contribuir para a formação de novos crentes, dedicados a aprender, a compreender a mensagem das Escrituras, compreender os propósitos divinos para sua vida, santificando-se de modo progressivo, servindo ao Senhor com dedicação. Infelizmente, muitos deixaram de valorizar as atividades de ensino que são promovidas pela Igreja, buscando um “evangelho light”, no qual os homens vivem segundo as suas paixões, seguindo os impulsos carnais, de modo leviano, porque o ato de estudar e obedecer a palavra, para muitos, é custoso.

Se prosseguirem nesta postura, dificilmente alcançarão o nível anunciado por Paulo: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” (Ef 4:13)

A Igreja tem a missão de ensinar a Palavra de Deus aos servos do Senhor. Este ensino é uma de suas tarefas principais, que entendemos seja de igual importância que a tarefa de evangelização, até porque é complemento necessário e indispensável da evangelização.

Não se evangeliza enquanto não se dá condições para que o novo convertido possa, com suas próprias forças, servir a Cristo, tenha condições de, por si só, dar testemunho consciente a respeito do que é ser cristão.

Assim, a evangelização, a proclamação do Evangelho envolvem algo mais do que simplesmente anunciar as boas novas de salvação, mas também, a concessão do fundamento doutrinário básico capaz de tornar a pessoa consciente do que representa ser um cristão. Por causa disto, a evangelização já traz em si um discipulado, ou seja, um aprendizado, pois “discipulado” nada mais é que “aprendizado” (Francisco, 2017)

A pessoa que nasceu de novo é como uma criança. Assim como os israelitas estavam empenhados em educar os seus filhos, ensinando-lhes ofícios, ensinando as Leis de Deus, levando-os a memorizá-las, assim deve fazer a Igreja como o novo nascido, conduzi-lo a priorizar a Palavra de Deus em sua vida.

Desta forma, ele crescerá espiritualmente e dará frutos, que todos possam testemunhar a mudança do caráter e a disponibilidade para se tornar mais uma nova testemunha. Jesus discipulou doze homens durante três anos, ensinando- os a Palavra, realizando milagres para que pudessem apreender como o poder

opera particularmente nas vidas das pessoas, além de compreender aspectos referentes ao Reino de Deus: “Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.” (Jo 14:12)
Os crentes, portanto, precisam seguir o conselho que Paulo deu ao seu pupilo Timóteo: “Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá.” (I Tm 4:13).

Um discipulado de caráter eficaz no qual prevalece a relação pessoal e o conhecimento das limitações de outrem, caracterizado pela confiança mútua e a lealdade, tal como era a relação dos discípulos com Cristo.

Vejamos, no contexto que Paulo estimulava Timóteo a aperfeiçoar-se no conhecimento da Palavra de Deus, por meio da constante leitura da Palavra, à oração, ao testemunho do Evangelho e edificação espiritual dos novo-convertidos.

Também é preciso frisar que a tarefa do discipulado não se limita apenas àqueles que estão se inserindo no rebanho do Senhor, porque o nosso aprendizado é contante e, para alcançar a estatura de varão perfeito, temos que buscar este saber constantemente, por meio do exame da Palavra e da oração.

Desta forma, a pessoa irá se desligar cada vez mais deste mundo e comprometer-se com Cristo. Espera-se que, a cada dia, os crentes se tornem cada vez mais espirituais.
Jesus não determinou que Lázaro fosse daquele jeito para casa nem tampouco Se incumbiu de desligar o ex-defunto.

Mandou que aquelas pessoas que estavam ali vendo o milagre tratassem de tirar as faixas de Lázaro, de modo que ele próprio (Lázaro) fosse para a sua casa (Jo.11:44).

Assim ocorre com o novo convertido: só Jesus poderia trazê-lo à vida, ou seja, salvá-lo; mas cabe a nós que estamos com Jesus neste mundo tomar as providências necessárias para que o novo crente se desligue de tudo aquilo que estava relacionado com a vida sem Cristo, ou seja, com a morte espiritual, para que ele, individualmente, siga em direção à sua casa, onde já o aguarda o Salvador. Aleluia! (Franscisco, 2017)

Ao sair do estado de trevas e adentrar à vida, numa nova dimensão, o novo convertido aprenderá a caminhar com o Senhor, servir ao Senhor de acordo com as Escrituras, para que se tornem verdadeiros discípulos com direito à entrada nos céus. Precisamos estar convictos de que discipular, na igreja, não é conceder cargos aos novatos que estão bem-dispostos e animados.

É necessário que amadureçam primeiro. Trabalhem junto, sejam assistentes, contribuintes, cooperadores durante um bom tempo, até assumirem uma posição de liderança. Somente se obtém maturidade espiritual com muito tempo. Sabemos que alguns estão há anos na igreja e ainda não obtiveram.
A maturidade espiritual é observável quando se faz um trabalho minucioso com o mesmo propósito de Paulo: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;” (Gl 4.19), haja vista que os crentes precisam ser imitadores de Cristo e refletir a imagem de Cristo em suas ações

: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. “(II Co 3:18)

Iniciar um trabalho de discipulado, de ensino sistemático da Palavra de Deus, é uma urgência em nossos dias, num tempo que o ensino vem declinando cada vez mais em nossas igrejas, quando os crentes se permitem sufocar-se pelas propostas desta vida terrena, deixando de buscar o que é do Alto:

A ausência do discipulado nas igrejas locais é um dos fatores primordiais pelos quais se dá o esfriamento do amor da esmagadora maioria das pessoas que se disseram um dia cristãs (Mt.24:12).

Precisamos pertencer ao grupo minoritário, ao grupo daqueles que, por terem fome e sede de justiça, serão fartos (Mt.5:6); aqueles que, mesmo tendo a multidão sido despedida, mantém aos pés do Senhor com interesse em d’Ele aprender (Mt.13:36); aqueles que não se acham autossuficientes, como a igreja de Laodiceia (Ap.3:17), mas que, como o salmista, se acha pobre e necessitado (Sl.40:17a), carente do aprendizado de Cristo. (Francisco, 2017)

Sendo assim, é tempo de refletirmos na importância do trabalho do professor de EBD, porque todo professor de EBD é um discipulador, está contribuindo para a formação do caráter cristão de seus alunos.

Não importa que sejam até pastores… Eles também são discipulados, precisam ficar cada vez mais parecidos com Cristo. Este é o propósito de todos aqueles que estão com os seus olhos voltados para o céu, esperando o Senhor voltar.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

Converse com a turma sobre a importância da leitura da Bíblia. Já pensou em montar um programa de leitura bíblica com eles?

 Declare sobre o discipulado que é feito na tua sala também, pois o objetivo é torná-los cada vez mais imitadores de Cristo.

Interrogue a turma e selecionem algumas ações que devem ser observadas quando tiverem novos convertidos na igreja ou no grupo de adolescentes/jovens.

REFERÊNCIAS:

EDUCAÇÃO. In: YAMAUCHI, Edwin M.; WILSON, Marvin R. Dicionário da vida diária na Antiguidade Bíblica & Pós-Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2020, p. 652- 655.
ENSINO, Dom do. In: ANDRADE, Claudionor Correa. Dicionário Teológico. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, p. 136-137.
FRANCISCO, Caramuru Afonso. A Igreja e sua função pedagógica. Revista Âncora. Volume XI, Ano 12, Agosto de 2017, p.1-18. Disponível em: www.revistaancora.com.br/revista_11/07%20-%20Francisco.pdf. Acesso em 23jan.2026.

Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/12096-licao-5-o-ensino-e-a-igreja-i

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