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JUVENIS | LIÇÃO Nº 5 – SANSÃO: LIVRE-ARBÍTRIO NO PLANO DIVINO

A partir de nossa consulta ao Dicionário de Nomes Próprios, verificamos que o nome de Sansão tem um significado curioso: “pequeno sol”, “como o sol” ou “homem de força descomunal” O nome se originou do hebraico Shimshoun,
que é diminutivo do termo Shemesh, cujo significado é “sol”.

Sendo assim, o real significado do nome seria “solzinho” ou “pequeno sol” (Disponível em https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/sansao. Acesso em 23jul2025)

Foi anunciado como um enviado por Deus para uma mulher estéril: “ Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. “ (Jz 13.5)

Sansão foi escolhido pelo Senhor para julgar o povo e livrá-lo de seus inimigos, guiar o povo na guerra no período em torno de 1.000 a.C. Sua missão fora combater os filisteus, um povo originário de Caftor, da região de Creta, Europa. Já foi pesquisado e constatado que eles não têm DNA dos povos semitas.

Vejamos, portanto, que Sansão foi predestinado por Deus para ser um combatente, alguém que defenderia Israel deste poderoso inimigo e, para isto fora dotado pelo Senhor de uma força descomunal com o fim de exercer o seu papel.

Em adição a isto, ele deveria ser nazireu, consagrado a Deus e seguir princípios que o mantivessem separado para o exercício da sua pureza, que se iniciou desde o ventre, pois sua mãe devia observar alguns requisitos:

“ Porém disse-me: Eis que tu conceberás e terás um filho; agora pois, não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa imunda; porque o menino será nazireu de

Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte.” (Jz 13.7). Tudo estava devidamente encaminhado. No entanto, Deus sempre respeitou o livre-arbítrio das pessoas.

A decisão de prosseguir obedecendo era exclusiva de Sansão. Ele estava pronto para as consequências de não assumir devidamente a responsabilidade para a qual foi chamado?

¹”E os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor os entregou na mão dos filisteus por quarenta anos.“ (Jz 13.1) Não podemos afirmar precisamente se este período se tratava de 40 anos literais ou o apontamento de um período de provação.

Em todo este período, o povo deve ter clamado por socorro e o Senhor entrou com providência e atuou de forma miraculosa.

Certamente, todos viam Sansão como o milagre divino na vida daquela mulher e, provavelmente, foi um garoto que recebeu inúmeros cuidados e, em seu estado de santificação progressiva, foi educado de tal forma que receberia uma missão especial de origem divina.

Sansão agia como um garoto / adolescente mimado para quem lhe faziam todas as vontades. Agiu, de certa forma, sob o controle de seus pais até um certo tempo, mas a Bíblia não indica como ele atuava.

O destaque bíblico está no fato que ele foi um personagem movido por seus impulsos, por sua natureza carnal, seus desejos, quando desvaloriza os seus votos e vai passando por um processo de decadência.

 

“E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus.” (Jz 14:1) (cidade assinalada em destaque), cidade que ficava a 4,8 km de distância, na fronteira do território de Judá. Ele desejou aquela mulher e exigiu que os seus a requeressem para que fosse sua esposa:

“Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos

meus olhos.” (Jz 14.3) Sansão não era um bom filho, não ouvia os seus pais. Se ele agia assim com os seus pais, como poderia ter alguma reverência com o verdadeiro Deus?

Este é o início da escala descendente do nosso anti-herói, do homem que age segundo o interesse do seu olhar movido pela luxúria e carnalidade. Agradava-lhe casar-se com filisteia, pois aquela ocasião apenas serviu para acirrar o combate com os filisteus. Embora tivesse uma força física notável, a sua fraqueza moral vai se evidenciando cada vez mais.

A descida de Sansão a Timna não o conduz apenas ao encontro de uma mulher. Um “um filho de leão, rugindo, lhe saiu ao encontro” (Jz 14.5). Rodrigo Silva (2025) afirma que filhotes não caçam, nem atacam homens, são as leoas que caçam para os filhotes.

O estudioso destaca que o filhote poderia até estar um pouco assustado. Sansão cometeu um erro ao atacá-lo e sujar-se com o cadáver do animal, porque tal ação constitui-se na quebra do voto do nazireado.

E no retorno, quando encontra favo de mel e dele se alimenta, tocando no corpo do morto, está desobedecendo, mais uma vez, ao seu voto. Seus pais não ficaram sabendo da ocorrência porque, certamente, o repreenderiam, dizendo que traspassou o limite traçado por Deus.

Por causa deste fato, ele propôs o enigma que foi descoberto e, por isto, matou trinta homens, tocou em seus cadáveres para tirar suas vestes e pagar a dívida. Um abismo conduz a outro abismo.

Nesta circunstância, vemos Sansão sendo enganado pela primeira vez. A sua esposa o persuade para revelar o segredo, com choro e o já conhecido “mimimi” feminino. Sansão era fraco. Não resistia às investidas femininas. Sua esposa descobriu e traiu o segredo.

Traído por sua mulher, retorna à casa dos seus pais e ao retornar, se depara com a traição do sogro: a mulher é dada ao seu companheiro de honra.

Ele não queria se casar com a irmã mais nova, mas respirava vingança. Com trezentas raposas, incendeia as searas dos filisteus e provoca uma tremenda crise de caráter econômico e bélico. Os filisteus, por sua vez, se vingam, incendiando a casa da sua ex-esposa junto a toda sua família.

Diante desta crise, ele vai se esconder entre os judaítas. Temendo a retaliação, eles decidem entregá-lo amarrado com cordas, porém ele se solta-se das amarras, quebrando as cordas como fios de linho.

E, vindo ele a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando; porém o Espírito do Senhor poderosamente se apossou dele, e as cordas que ele tinha nos braços se tornaram como fios de linho que se queimaram no fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.

E achou uma queixada fresca de um jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu com ela mil homens. Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento, montões sobre montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens. (Jz 15.14-16)

A moralidade, a conduta de Sansão era limitada pelos desejos carnais, os quais o impulsionavam até encontrar mais uma mulher que agradasse o olhar sensual.

Em suas andanças, foi até Gaza, que ficava a 3,2 Km do litoral Mediterrâneo, foi conquistado por mais uma mulher, uma prostituta.

Sabendo que os filisteus estavam à sua procura, Sansão retirou os portões da cidade e os colocou nas montanhas em direção a Hebrom, percorrendo uma distância estimada de 64,36 Km.

Finalizando este relacionamento, engraçou-se com Dalila, oriunda do Vale de Sorek, e não era de origem filisteia. Vendo os filisteus que Dalila satisfazia-lhe os prazeres da carne e podia vencê-lo prometeram-lhe 1.100 moedas de prata, pois descobriram parcialmente no que consistia a fraqueza de Sansão.

Ele já havia cedido aos apelos dos desejos carnais, quebrou dois votos do nazireado, estava vivendo perigosamente, no limite das tentações, desfrutando materialmente dos prazeres com o inimigo, o que mais se poderia esperar? Sansão já não mais era uma referência para nenhum dos povos.

Tem-se início o jogo de sedução: “Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força.” Por três vezes fez a indagação e por três vezes, só teve duas respostas evasivas e falsas de um homem que era posto para dormir, na terceira, ele permitiu que se aproximasse do alvo em si; após as tentativas fracassadas, levantava-se e defendia-se como antes.

Suas opções falsas foram:

1.Amarrar com sete tendões frescos;

2.Amarrar com cordas novas que não tenham feito obra nenhuma;

3.Tecer as sete tranças da cabeça com a urdidura da teia.

Apesar de estar afastado da trajetória traçada pelo o Senhor, é visível que o Deus de Israel nunca desapontou Sansão. o qual mesmo tendo quebrado dois votos do seu nazireado,, ainda tinha forças para enfrentar o inimigo.

Ele recebeu uma grandiosa dádiva divina para cumprir uma missão específica, mas cometeu muitos erros e tomou más decisões. Sua força, na verdade, não estava no cabelo.

O cabelo era apenas a representação do compromisso, o sinal da obediência que ele ficou devendo aos seus pais, o que foi o princípio da sua queda.

O que mais importava era o seu compromisso com Deus. Esta é a origem da força sobrenatural que todos nós temos.

Este homem já estava cada vez abaixo na sua descida ao poço. Já chegara o mais próximo possível da confissão que nunca deveria fazer, do segredo que nunca deveria contar, tal como o enigma que revelou à primeira esposa. Sem resistir mais, porque sempre sucumbia a este tipo de tentação, ele confessa:

E descobriu-lhe todo o seu coração, e disse-lhe: Nunca passou navalha pela minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem.

Vendo, pois, Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, mandou chamar os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ter com ela, trazendo com eles o dinheiro.

Então ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força.

E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele. (Jz 16.17-20)

É o ocaso na vida de um homem que, ao acordar, vê as suas sete tranças rapadas por um dos filisteus. Sem forças para enfrentá-los, com os olhos vazados.

Os olhos que o conduziram a tantas mulheres, que lhe deram tantos prazeres….não contemplam, mas todo o corpo percebeu que havia descendido mais um pouco no trajeto que o conduzia ao declive de sua posição social, pois tinha que entrar num poço para empurrar uma pesada pedra que moía o trigo. O homem que era o juiz, o senhor de sua tribo, aquele que tomava as decisões,

julgava as causas do povo, tornara-se, primeiramente, escravo de seus desejos, para, finalmente, ficar subjugado pelo povo inimigo.

Este sofrimento durou meses, quem sabe tenha passado mais de um ano, até o povo filisteu celebrar a colheita, as riquezas e o seu deus Dagom, um dos deuses do panteão de Ugarit que era celebrado por ser da agricultura, garantindo a produção da terra.

Block (2024, p.576) declara que o nome Dagom está relacionado à palavra hebraica “grãos” que é dagan, o que indica tratar-se de uma divindade agrícola, associada a grãos e colheitas. Também foi reconhecido como o pai de Baal, o deus do tempo/clima e um de seus títulos era Filho de Dagom.

 

Com o trabalho de Sansão e a quietude do inimigo mais perigoso, a colheita foi realizada e chegara o tempo de celebrar. A festividade a Dagom era uma forma de celebrar a colheita do trigo, haja vista que Sansão destruiu as searas dos filisteus.

De acordo com o Comentário Moody, o templo apresentava a seguinte dimensão arquitetônica:
No desenho do templo duas colunas centrais sustentavam o telhado do recinto onde as pessoas mais importantes estavam reunidas.

Essa sala dava para um grande átrio. O povo se assentava ou ficava em pé sobre o telhado que havia em cima da sala, dali podiam ver o grande átrio onde Sansão foi forçado a diverti-los.

A seu pedido, Sansão foi levado do átrio até as colunas adjacentes à sala. Se essas colunas pudessem ser removidas, o telhado viria abaixo sobre as cabeças das autoridades, matando muitos de ambos os grupos. (Moody, 1995, p.71)

Sansão foi um homem de ação. Somente se dedicou à reflexão enquanto trabalhava no moinho, deixou de enxergar com os olhos cheios de luxúria para ver as circunstâncias sob outro prisma, com os olhos da alma. Estava ocupado demais trabalhando, não mais dispunha de tempo para criar encrencas.

Observe o local das duas colunas. Disponível em: https://shalom-israel-halom.blogspot.com/2010/08/arqueologos-descobrem-templo-filisteu.html.Acesso em 25jul.2025

Em toda a narrativa, Sansão nunca age no interesse de alguém, exceto de si próprio. Ele não se preocupa com o propósito divino, com a vontade de seus pais, ou com o coração das amantes com as quais se casa. Todos devem ser manipulados em prol dele. […]

A compreensão normativa bíblica de liderança exige uma liderança servidora na qual os interesses dos liderados têm precedência sobre os interesses do líder. (Block, 2024, p.576)

Sansão foi um mau exemplo de líder, alguém que recebeu uma dádiva da qual não zelou, não cuidou de preservar o que havia recebido. Preferiu brincar, desperdiçar sua vida “brincando” com os dons que Deus lhe deu. Como nos diz

o comentarista, Sansão recebeu a unção, mas não a honrou. Recebeu autoridade espiritual, mas a perdeu. Que aprendamos a lição…Tenhamos reverência com o que é espiritual e honremos o nosso Deus!

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

1.Sugerimos alguns vídeos para você, professor, ter conhecimentos da terra e da história de Sansão com mais profundidade: SANSÃO – A verdadeira historia: https://www.youtube.com/watch?v=WReq0mgEXjU. Acesso em 22jul2025.

2.Outro vídeo bem interessante que traz muitas informações: A HISTÓRIA DE SANSÃO E DALILA | SANSÃO O HOMEM MAIS FORTE DA
BÍBLIA (Rodrigo Silva) | PrimoCast 444. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tjrTLC195_w. Acesso em 22jul2025.

3.ARQUEÓLOGOS DESCOBREM TEMPLO FILISTEU SEMELHANTE AO DESTRUÍDO POR SANSÃO ! Disponível em: https://shalom-israel- shalom.blogspot.com/2010/08/arqueologos-descobrem-templo- filisteu.html. Acesso em 22jul2025.

4.É necessário conversar com os adolescentes sobre questões como jugo desigual, flerte com situações de perigo, de tentação, de ficar rondando circunstâncias que vão levá-los a pecar.

REFERÊNCIAS:

1.BLOCK, Daniel I. Comentário Exegético: Juízes e Rute. São Paulo: Vida Nova, 2024.

2.PFEIFFER, Charles F; HARRISON, Everett, F. Comentário Bíblico Moody: Josué a Cantares. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1995, v.2. SANSÃO. In: CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5.ed. São Paulo: Hagnos, 2021, v.6.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11626-licao-5-sansao-livre-arbitrio-no-plano-divino-i

Vídeo: https://youtu.be/DlSgx69-PSg

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