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JUVENIS – LIÇÃO Nº 6 – A MISSÃO SOCIAL DA IGREJA

Alguém diria que a única função da Igreja é ganhar almas, no entanto, as boas obras, que dizem respeito aos aspectos sociais, à prática da caridade, sempre farão parte dos sinais do novo nascimento. Elas resultam da fé em Cristo.

Todos aqueles que vivem nesta nova dimensão de vida e são justificados pela fé em Cristo receberam o “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5.5)

É este amor que nos move a termos empatia e simpatia pelas pessoas, a nos colocarmos em seu lugar e procurarmos atender às suas necessidades.

Amar o próximo como a nós mesmos envolve a pregação do evangelho e exercitá-lo materialmente, suprindo a necessidade daquele que está carente de pão, de vestuário, de uma palavra que cura as feridas da alma.

Como sal da terra e luz do mundo, a Igreja precisa demonstrar sua generosidade, tal como Cristo demonstrou enquanto esteve pregando aqui na Terra.

Temos um excelente exemplo na ocasião da multiplicação dos pães, porque o Senhor não quis despedir a multidão faminta:

“E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias, e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho.” (Mt 15:32) Ele fez o milagre com o fim de atender a necessidade do povo, uma necessidade material e urgente. Tratava-se de uma obra social.

O evangelho de arrependimento foi pregado, mas a obra social foi feita também.
Sendo assim, em nenhum momento, deixaremos de pregar o evangelho para, apenas, realizar obras sociais, em primeiro plano.

Primeiramente, prega-se o evangelho de arrependimento, a necessidade de salvação em Cristo, de mudança de vida, demonstrando o que é ser uma nova criatura e templo do Espírito Santo.

A partir do instante que foram verificados os sinais verdadeiros da conversão, as obras sociais da igreja podem entrar em ação.

Por que estamos dizendo isto? Para que não tenhamos pessoas infiltrando-se, em nosso meio, apenas com o fim de serem beneficiadas, com interesses nos bens materiais, sem desejar a presença de Cristo em suas vidas. O sentimento de compaixão marcou o ministério do Senhor Jesus, o que veio fazer grande diferença nos atos de cura e de salvação.

Os discípulos tiveram a Jesus como exemplo. O derramamento do Espírito Santo em suas vidas lhes deu mais condições para desfrutar do poder do amor divino, tendo este amor derramado em seus corações. Somente o salvo, que passou por uma conversão genuína pode manifestar materialmente este amor.

A prova do amor de Deus, em nosso coração, é perceptível nos atos e palavras que acolhem e demonstram compaixão. Quando Pedro e João encontraram o homem coxo à porta do templo, ofereceram-lhe algo melhor que ele esperava:

O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.

E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa.

E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. (Atos 3:3-6)

A vida deste homem mudou completamente, a ponto de vermos o ex- paralítico: “saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.” (Atos 3:8)

O trabalho social da Igreja se concretiza na transformação constante de vidas que se inicia pelo aspecto espiritual, haja vista que a partir do instante que este coxo teve uma experiência com Deus e foi curado, é previsível que outras oportunidades de caráter material/financeiro surgirão e ele poderá superar-se, não mais necessitando de esmolas.

Começamos a comentar esta lição sugerindo este debate, pois não basta dar o peixe em todo o tempo, também devemos ensinar a pescar. Garantir oportunidades para que o próximo tenha condições de manter-se, de sobreviver, também é uma demonstração de amor ao próximo. Não podemos sustentar a fanfarronice, nem permitir que a preguiça e a procrastinação se instalem em algumas famílias.

O Senhor Jesus nos deu o exemplo dizendo: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (Jo 5:17) O princípio do trabalho é uma ordenança divina que foi obedecida pelo homem desde a criação do Jardim do Éden.

Tornou-se penoso por causa do pecado. Mas o nosso Deus ordenou ao homem, desde o início, que buscasse, no trabalho, o seu sustento.

Creio que os caros professores estão compreendendo este nosso preâmbulo para, a partir deste instante, iniciarmos os comentários relativos ao trabalho social da Igreja Primitiva.

Sendo assim, o nível de abordagem passará por uma mudança a partir de agora. Precisamos atentar para as diferentes realidades.

Falaremos sobre as dificuldades vividas pela Igreja nascente e depois abordaremos acerca de nosso posicionamento que precisa se basear no exemplo da Igreja Primitiva e nas orientações da Palavra de Deus.

De acordo com Casonatto, a Igreja experimentou uma nova situação após o Pentecostes em 33 d.C., porque muitos judeus e prosélitos que compartilharam da bênção do Espírito Santo e da salvação, decidiram ficar em Jerusalém para compreender melhor o evangelho de Jesus Cristo, as Escrituras e a fé que tinham aceitado.

A Igreja responsabilizou-se por auxiliar estes irmãos, procurando suprir as necessidades mais urgentes:
E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.

E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.

Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

Então José, chamado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. (Atos 4:32-37)

Além disto, havia muitos problemas sociais na cidade de Jerusalém, provocados pelas rebeliões de nacionalistas judeus que provocavam muita violência e, assim, a vida dos judeus começou a ficar bem difícil por causa da retaliação dos romanos.

Os seguidores de Cristo não podiam passar fome e toda a comunidade precisava se organizar. Então foi proposto o serviço do diaconato para sete homens cheios do Espírito Santo que tivessem conhecimento da Palavra de Deus.

Dois deles, Estêvão e Felipe, destacaram-se como grandes pregadores do Evangelho:

“E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre esta necessidade.” (Atos 6:2,3)

A perseguição aos cristãos foi se intensificando. Um dos perseguidores foi Herodes, o Grande em 40 d.C. Jerusalém foi assolada pela fome e muitos cristãos perseguidos, perderam suas propriedades, sofreram maus-tratos e tribulações:

E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; E matou à espada Tiago, irmão de João. (Atos 12:1,2)

Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições. Em parte, fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados.

Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria recebestes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. (Hb 10:32-34)

Paulo também levanta esta questão na sua carta aos Gálatas, fazendo menção ao Concílio de Jerusalém, em 49 d.C., pois a pregação aos gentios e a mensagem e as ações de Pedro, Tiago e João precisam envolver os pobres.

E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência. (Gl 2:9,10)

Daniel Conegero, num estudo de sua autoria sobre a Igreja Primitiva, afirma que “a maioria dos membros da Igreja Primitiva era formada por pessoas simples, como camponeses e pescadores.” Também destaca que “entre os membros da Igreja Primitiva estavam judeus, gentios, homens, mulheres, jovens, velhos, soldados, senhores e escravos.” (Tito 2:1-10).

Estas posições sociais tornavam as pessoas mais vulneráveis às mazelas econômicas que surgiam na Palestina e arredores.

Mesmo havendo irmãos de classes mais abastadas, é preciso considerar que eles eram minoria. Apesar das dificuldades financeiras e necessidades de ordem econômica, o Senhor velava por sua igreja e cuidava do seu povo, auxiliando-o para que se prevenisse dos males que poderiam vir:

E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.

E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judeia. O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo. (Atos 11:27-30)

É comovente observarmos a atitude os apóstolos e dos obreiros da igreja diante do aviso do Senhor. Eles se movimentaram no sentido de garantir que os irmãos não passem fome, colocando o amor em prática: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como reside nele o amor de Deus?

Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas em obra e em verdade.” (1 Jo 3:17,18) Não podemos viver o amor de Deus apenas em nossa imaginação, porque todas as vezes que Cristo sentia compaixão, o sentimento não ficava apenas na dimensão abstrata, mas se concretizava em atos de misericórdia, de cura, de salvação, de libertação etc.

Os irmãos da Macedônia souberam que o apóstolo Paulo estava recolhendo ofertas para auxiliar os irmãos da Judeia e, mesmo apresentando dificuldades de caráter financeiro, foram generosos e prontificaram-se a contribuir também:
Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em

riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus. (2 Co 8:1-5)

Tais circunstâncias demonstradas apontam que os crentes da Igreja Primitiva passaram diversas necessidades geradas pela perseguição à igreja, pelas mazelas sociais daquele período histórico e que afetou a Palestina. Eles não se caracterizavam por serem pessoas procrastinadoras, que se acomodavam aos cuidados e sustento alheios, mas foram vítimas de uma época.

Peixoto resume em três períodos o posicionamento da Igreja:

PRIMEIRO: Compaixão e Graça. A caridade cristã teve grande apelo junto à população. Os cristãos se tornaram conhecidos e admirados pela bondade, hospitalidade e generosidade com os necessitados. Por exemplo: auxílio aos pobres, adoção de órfãos etc.

SEGUNDO: Vida comunitária. Em contraste com a rígida hierarquia social do Império Romano, os cristãos valorizavam todas as pessoas igualmente e modelavam uma comunidade que quebrou barreiras sociais, onde todos tinham voz e eram cuidados.

TERCEIRO: Valorização do indivíduo. Os cristãos valorizavam todas as pessoas individualmente. Enquanto Roma valorizava a unidade cívica, subordinando a pessoa individual ao culto imperial, o cristianismo afirmou a dignidade e o valor de cada um.

Esta atitude da Igreja Primitiva era um sinal de sua espiritualidade e compromisso com a Palavra de Deus, era resultado do amor divino derramado no coração e conhecimento da Lei de Moisés que já fazia parte da cultura israelita.

Desde o início da jornada no deserto, o povo foi orientado a ser hospitaleiro (como Abraão) e generoso, principalmente com o órfão e a viúva. Os diáconos foram separados especialmente para cuidar deste grupo de pessoas. Tratar bem as pessoas, em estado de vulnerabilidade, é obedecer a Lei de Deus:

O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egito. A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligires, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor. (Êx 22:21-23)

Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. (Dt 10:17,18)

Quando Cristo veio, Ele explicitou a importância da fraternidade, do cuidado com o próximo, do olhar atento para quem passa fome, sente sede e frio.

O cristão precisa estar disposto para ajudar, praticar a misericórdia e sempre buscar o bem do próximo. A recomendação bíblica se atualiza para todos os crentes:
Permaneça o amor fraternal. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. (Hb 13:1,2)

E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. (Tg 2:15-18)

Praticar a caridade é uma demonstração de fé. Entretanto, o exercício desta fé precisa ser colocado em pauta no momento necessário, com quem for necessário, nem deve ser usado para promoção de ninguém. Que não sejamos os cristãos que procuram fazer as boas com o fim de sermos vistos, tal como os fariseus, nem sejamos parte dos grupos que procuram Jesus por interesse ou curiosidade:

E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos (…) Jesus respondeu-lhes, e disse:

Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou. Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. (João 6:2,26-29)

Cristo nos ensina lições preciosas que devem estar em nossa lembrança todos os dias. Quando cremos verdadeiramente em Deus, praticamos o amor ao próximo e trabalhamos pela comida que permanece, somos bem sucedidos. Esta é a parte que não nos será tirada.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES:

Converse com a turma para descobrir quem são as pessoas mais carentes da igreja. Sugira o recolhimento de roupas e alimentos para formar cestas para doação. Pensem nisto como uma atividade regular da classe, para ser feita mensamente.

REFERÊNCIAS:

CONEGERO, Daniel. Estudo Sobre a História da Igreja Primitiva. Disponível em: https://estiloadoracao.com/igreja-primitiva/#google_vignette. Acesso em 31jan.2026.

CASONATTO, Odalberto Domingos. Por que Paulo organiza coletas para os cristãos de Jerusalém? Disponível em: https://www.abiblia.org/ver.php?id=10350. Acesso em 31jan.2026.

PEIXOTO, Pr. Leandro B. A Igreja Primitiva e a Expansão do Cristianismo. Disponível em: https://www.sibgoiania.org/sermao/a-igreja-primitiva-e-a- expansao-do-cristianismo/. Acesso em 31jan.2026.

SOARES, Pr. Paulo Guedes. Cuidar dos necessitados. Disponível em: https://ibbv.org.br/cuidar-dos-necessitados/. Acesso em 31jan.2026.

 Profª. Amélia Lemos Oliveira

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/12112-licao-6-a-missao-social-da-igreja-i

Video: https://youtu.be/Xb3GElxXZ8A

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