JUVENIS | LIÇÃO Nº 6 – O AMOR NÃO ARDE EM CIÚMES
As Escrituras referem-se ao homem em sua completude, ao homem interior e ao homem exterior. Atentam para os seus sentimentos nos polos negativos e positivos. Um dos sentimentos que podem trazer prejuízos às relações humanas é o ciúme.
Até mesmo o título de nossa lição refere-se ao mesmo como algo completamente destituído do verdadeiro amor. A pessoa, que sente ciúmes, declara amar, mas o amor revelado é incerto, não está cumprindo os seus propósitos, que é demonstrar confiança.
No Dicionário Online de Português, o vocábulo ciúme é um substantivo masculino. Reporta-se ao “sentimento complexo e de difícil compreensão, provocado pelo medo de perder a pessoa amada, receio de que a pessoa amada se apegue a outra, desejo de manter ou de proteger algo que é motivo de orgulho (zelo).” (Disponível em: https://www.dicio.com.br/ciume/. Acesso em 31out2025)
Nosso Deus também sente ciúmes porque é um Deus zeloso e não aceita que se compartilhe a adoração, devida a Ele, com um outro deus: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. “ (Mt 22:37)
O apóstolo Paulo, em sua primeira epístola aos coríntios (1 Coríntios 13:4), fala que “o amor não arde em ciúmes”. O termo grego zeloo (ciúmes) empregado nesta passagem abrange o conceito de “ser zeloso” tanto no bom quanto no mau sentido. No bom sentido pode significar um “cuidado zeloso” que busca
o bem, a proteção, o acolhimento a integridade e a felicidade da outra pessoa. O próprio Deus expressa Seu zelo e cuidado por aqueles que criou, dizendo: “Não terás outros deuses diante de Mim.
[…] Porque Eu sou Deus zeloso” (Êxodo 20:3, 5). Deus rejeita a adoração e o serviço de um coração dividido. O próprio Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mateus 6:24). Portanto, esse é o aspecto positivo: “quem ama, cuida!” (Disponível em: https://biblia.com.br/perguntas- biblicas/ciumes-tem-sintomas-tratamento-e-cura/. Acesso em 31out2025)
Quando o pecado surgiu na esfera humana, veio com o fim de distorcer a criação divina. O homem foi criado de modo perfeito e era dotado de sentimentos nobres, que levavam o próximo em conta e o respeitavam.
Com o surgimento do pecado, o homem tornou-se egoísta, procurando atender apenas as suas ambições e exigindo que o seu próximo (ente amado) também o faça.
Tal atitude prejudica os relacionamentos e torna-se um reflexo das vivências aonde Deus não ocupa o lugar principal. Quando uma pessoa exige amor exclusivo, está demonstrando o seu egoísmo e provocando sofrimento no alvo de seu ciúme. O temor de que a afeição, seja dirigida a outrem, sinaliza insegurança e ausência de paz.
O ciúme de quem tem zelo é diferente do sentimento daquele que vive desconfiando do outro, pois ele não dispõe de nenhuma certeza e conta apenas com a imaginação:
“Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele. Come e bebe, te disse ele; porém o seu coração não está contigo.” (Pv 23:7)
A benignidade, o pensamento positivo relacionado ao próximo, nos traz condições para enfrentarmos tal sentimento. É preciso ser otimista e não ficar alimentando expectativas que o companheiro (a) não poderá satisfazer.
Um marido atento e cuidadoso pode alertar a esposa se perceber que algum homem está insinuando-se com más conversações, atitudes para despertar-lhe a atenção ou, até mesmo, valendo-se de
circunstâncias/ convites para atividades da igreja com o fim de tê-la próxima a si. O sobreaviso do cônjuge é uma demonstração de amor e de cuidado, sem incorrer em ciúme patológico, tendo em vista que não atrapalha a vida do outro, não controla suas atividades, nem causa danos à sua vida. Trata-se de um ciúme zeloso para o benefício da família.
O ciúme patológico pode se originar de situação semelhante. No entanto, as ocorrências não são verdadeiras. Estão na dimensão da imaginação. São resultantes da insegurança e desconfiança do marido, apesar da mulher conceder-lhe inúmeras provas de seu compromisso e fidelidade. Sendo assim, ele demonstra o quanto suspeita do cônjuge sem justificativas plausíveis.
Converte-se numa pessoa abusiva e controladora. As reações desproporcionais e angustiantes vão se tornando cada vez piores à medida que o ciumento se torna mais possessivo e inseguro, provocando desgastes no relacionamento e ele começa a burlar as regras.
Alguns iniciam uma perseguição à pessoa e até contratam detetives. O desespero vai se aprofundando, uma vez que “Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.“ (Sl 42.7)
A pessoa vai perdendo totalmente o controle das suas emoções, tal como as águas do mar revolto nos afogam e, dentre as situações mais sérias, há casos de homicídio (“se não for meu, não será de mais ninguém”) e suicídio (age deste modo para mostrar ao outro o quanto ele o faz sofrer).
Em pesquisa no site Zenklub, localizamos alguns sintomas característicos do ciúme, que podem ser observados em pessoas com tal sentimento:
-Pensamentos de traição e abandono;
-Busca constante por pistas ou evidências que indiquem uma traição;
-Medo excessivo de perder a pessoa, causando até mal-estar físico;
-Análise constante dos pensamentos, gestos e atitudes do outro;
-Violação da privacidade;
-Controle excessivo do dia a dia do outro;
-Interferência nas relações pessoais e profissionais do outro;
-Criação de situações imaginárias que levam a conclusões sem sentido;
-Insônia, agitação, ansiedade e até depressão;
-Sentimento de solidão e tristeza profunda quando não está junto ao outro.
(Zenklub. Disponível em https://zenklub.com.br/blog/amor/ciumes. Acesso em 31out2025)
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR, 2002), o ciúme obssessivo é um Transtorno Delirante Paranoico centrado na obviedade sem motivo evidente ou justo de que está sendo traído ou enganado pelo parceiro. (Zenklub. Disponível em https://zenklub.com.br/blog/amor/ciumes. Acesso em 31out2025)
Algumas pessoas manifestam ciúme porque são dependentes emocionalmente, não souberam lidar com traumas da infância, há situações deste período que foram mal resolvidas.
A ausência de um dos pais pode ter gerado lacunas afetivas que provocaram futuros descontroles emocionais, bem como relacionamentos amorosos que produziram decepção. De modo geral, as vivências que originam ciúmes sempre são impelidas por questões de insegurança, falta de autoconfiança e baixa autoestima. E, principalmente, falta de Deus !!!
Nas Escrituras, vemos uma situação bem interessante. Enquanto o Rei Saul estava procedendo de acordo com a vontade de Deus, não demonstrava que tinha dependência emocional, nem ciúmes de ninguém. Quando começou a desobedecer às ordens do Senhor, sua insegurança teve início.
Sua rebelião ao oferecer sacrifício em lugar do profeta, trouxe um imenso prejuízo e ele não se conteve, rasgando o manto do profeta para que ficasse:
Agora, pois, rogo-te perdoa o meu pecado; e volta comigo, para que adore ao Senhor. Porém Samuel disse a Saul: Não voltarei contigo; porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei sobre Israel.
E virando-se Samuel para se ir, ele lhe pegou pela orla da capa, e a rasgou. (I Sm 15:25-27) . Aquela insegurança já era resultado do peso da culpa, da ciência de que não mais sua descendência estaria no comando do Reino.
Ao contemplar Davi, deparou-se com um concorrente ao trono, pois via que Deus estava com o jovem. Saul se ressentia por estar longe da presença do Senhor.
Ficar próximo ao rapaz, era uma forma de proteger-se e de sentir que Deus ainda se manifestava, haja vista que Samuel não mais aparecia. Demonstrou, portanto, uma dependência emocional que resultou em manifestações de ciúme obsessivo, perseguição e desejo de destruir Davi, porque, assim, o Reino, em disputa, estaria salvo.
E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele. ( I Sm 16:23)
E Saul atirou com a lança, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes. E temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul. […] Então Saul temeu muito mais a Davi; e Saul foi todos os seus dias inimigo de Davi. (I Sm 18.11,12,20)
E procurou Saul encravar a Davi na parede, porém ele se desviou de diante de Saul, o qual feriu. (I Sm 19:10)
Sucedeu também no outro dia, o segundo da lua nova, que o lugar de Davi apareceu vazio; disse, pois, Saul a Jônatas, seu filho: Por que não veio o filho de Jessé nem ontem nem hoje a comer pão? […]
Então se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe: Filho da mulher perversa e rebelde; não sei eu que tens escolhido o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha da nudez de tua mãe? Porque todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a terra nem tu estarás seguro, nem o teu reino; pelo que envia, e traze-mo nesta hora; porque é digno de morte.
Então respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de morrer? Que tem feito?
Então Saul atirou-lhe com a lança, para o ferir; assim entendeu Jônatas que já seu pai tinha determinado matar a Davi. (I Sm 20.27, 29-33)
As pessoas precisam cuidar-se para não desenvolver dependência afetiva em seus relacionamentos. Também precisamos salientar que entre o ciúme e a inveja há linhas tênues.
O próprio João reconheceu a grandeza do Senhor Jesus e não teve ciúme da posição que ocupava, não sentiu-se ameaçado porque Jesus também estava batizando e preferiu fazer esta declaração, aos seus discípulos, quando os mesmos reclamaram: ” É necessário que ele cresça e que eu diminua.” (Jo 3.30)
O propósito do ciumento é enfraquecer o alvo do seu ciúme e exercer poder sobre ele, tomando o seu lugar/posição, deixando claro quem está no comando. Podemos notar estas reações em Caim que desejava ser como Abel, os irmãos de José que ansiavam pelo amor do pai, Absalão que disputou o trono com Davi:
E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? (Gn 4.9)
Então lhe disseram seus irmãos: Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por seus sonhos e por suas palavras. (Gn 37:8)
Então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios são bons e retos, porém não tens quem te ouça da parte do rei.
Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na terra, para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!
Sucedia também que, quando alguém se chegava a ele para se inclinar diante dele, ele estendia a sua mão, e pegava-o, e o beijava. (II Sm 15.3-5)
Para ilustrar tal circunstância, exemplificamos por meio de relacionamentos abusivos nos quais alguém procura se valer de chantagens pra exercer o poder sobre o (a) companheiro (a). É o caso de Tamar, nora de Judá, que aguentava calada, as atitudes violentas de Er e Onã no leito conjugal.
Ambos praticavam o coito interrompido para não terem filhos, enquanto Tamar era acusada de ser estéril e culpada pela morte dos rapazes. Mas a Bíblia conta que ela tomou uma atitude surpreendente…deixemos para outra vez….”
Então disse Judá a Tamar sua nora: Fica-te viúva na casa de teu pai, até que Selá, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e ficou na casa de seu pai.” (Gn 38.11)
Precisamos romper com o abuso de palavras e de gestos. Há muitos casos, atualmente, de rapazes que manipulam e forçam moças a enviar fotos de “nudes” e depois ficam chantageando a “pobre” com estas fotos.
Assim, geram uma tremenda confusão. Vigiemos, pois. A relação abusiva somente traz prejuízos para a nossa vida emocional e pode ocasionar diversos males, tais como:
síndrome do pânico (a pessoa sempre está em alerta, temendo que algo vai acontecer, tendo o organismo como aliado nas expectativas ruins, consequentemente há palpitações, falta de ar, sensação de sufocamento etc.); ansiedade contínua, sensação de que não terá condições de realizar suas tarefas e ficar nervoso(a) por causa disto, manifestará vários sintomas físicos como sinal de inquietação; a depressão é resultante da contínua pressão psicológica e a sensação de que não poderia lidar com a situação, o que vai provocar o abatimento e a apatia característicos desta condição.
Para superar os efeitos do ciúme e evitar tal sentimento, precisamos exercitar o domínio próprio em primeiro lugar. Aprender a conter-se e avaliar as situações é imprescindível para lidarmos com o que nos inquieta. Também precisamos conhecer a nós mesmos e as nossas limitações.
A Palavra de Deus é um espelho, no qual nos contemplamos e podemos verificar onde estão as nossas fraquezas para poder corrigi-las.
E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. (Tg 1:22-25)
O ciumento não conhece nem pratica o verdadeiro amor, porque o amor se concretiza em comportamento, em atitudes que beneficiem o próximo.
A partir do instante que ele exerce pressão sobre a pessoa e demonstra desconfiança, está testemunhando o seu desamor e, infelizmente, o amor de Deus também não está nele.
Antes de tudo, é preciso buscar ao Senhor de todo o coração e “⁶ Humilhar-se, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo os exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” (1 Pe 5:6,7) Entregando ao Senhor nossos sentimentos, angústias, medos e ciúmes.
Enquanto não reconhecermos que o Senhor sara as feridas da alma, mesmo que estejamos despedaçados “por dentro”, não seremos felizes e os problemas com ciúmes persistirão:
“Vinde, e tornemos ao Senhor, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida “ (Os 6:1) Abandonar o ciúme é uma declaração de amor ao próximo e a Deus porque Ele deseja restaurar relacionamentos.
Confronte seus pensamentos com a realidade. Pergunte-se: por que estou com ciúmes? Há algum motivo concreto para me sentir assim?
Que evidências eu tenho de que a pessoa com quem me relaciono gosta de mim e me ama? Analise os fatos reais e não os distorcidos. O problema está em minha percepção ou a pessoa com quem me relaciono me dá motivos reais para ter ciúme? (Disponível em: https://biblia.com.br/perguntas- biblicas/ciumes-tem-sintomas-tratamento-e-cura/. Acesso em 31out2025.)
O amor não arde em ciúmes e a marca do cristão é o amor. Desta forma, precisamos buscar diversos modos de evitá-lo. O site zenklub oferece algumas dicas:
1.Procure estar feliz consigo mesmo. Cultivamos bons relacionamentos quando a autoestima está elevada.
2.Compreenda melhor suas aptidões, suas reações, o que decepciona e te faz ter bom desempenho. Invista naquilo que vale a pena, assim poderá concentrar-se melhor nos seus sentimentos. Assim, poderá entender a funcionalidade deles e lidar melhor com as emoções.
3.Os pensamentos positivos nos auxiliam quando alguma desconfiança vem nos tentar com suas malícias. Nesta vida, torna- se um dever o adestramento da empatia e resiliência, juntamente com a positividade para enfrentarmos as situações ambíguas.
4.Estabelecer relações nas quais haja o diálogo e o respeito.
5.Praticar atividades que estimulem o corpo e a mente. Já dizia o tal ditado: “Mente desocupada é oficina do diabo.” Não podemos ficar disponíveis para alguém todo o tempo. Isto sufoca qualquer relacionamento. Cada um deve ter seus hobbies particulares.
6.´Digamos não de vez em quando. Estabelecer limites é um benefício para todo relacionamento. “Não se deve fazer tudo que todos pedem, é preciso se conectar com as suas verdadeiras vontades e desejos para ser feliz.”
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
-Pergunte à turma se alguém já enfrentou situações de ciúme alguma vez. E como reagiu à situação.
-Leia com a turma o texto de Gn 20. 2-12 e depois Gn 26. 6-12. Converse com os alunos sobre a possibilidade de ciúme nestes contextos. Como Deus livrou os seus e os motivos do livramento.
REFERÊNCIAS:
CIÚME. In: Dicionário Online de Português. Disponível em: https://www.dicio.com.br/ciume/. Acesso em 31out2025.
CIÚMES têm sintomas, tratamento e cura. Disponível em: https://biblia.com.br/perguntas-biblicas/ciumes-tem-sintomas- tratamento-e-cura/. Acesso em 31out2025.
ZENKLUB. Ciúmes: o que é, quais os sintomas, as causas e como tratar? Disponível em: https://zenklub.com.br/blog/amor/ciumes. Acesso em 31out2025.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11854-licao-6-o-amor-nao-arde-em-ciumes-i
