JUVENIS | LIÇÃO Nº 7 – O AMOR NÃO É INVEJOSO
De acordo com Botari (2025), a “etimologia da palavra inveja remonta aos étimos latinos in (dentro de) + videre (olhar).
E essa formação alude a um “olhar mau que penetra no outro” e a um desejo de desviar a atenção daquilo que incomoda. Essa percepção se manifesta em expressões populares como “mau olhado” ou “olho grande”. Na mitologia grega, a deusa da inveja é Phthónos.
Ela personifica o rancor que destrói as relações e consome o homem interior. Como um fogo que tudo destrói à sua frente, a inveja também corrói aqueles que se permitem dominar por ela:
“Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano. Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.” (Sl 32:2,3)
Popularmente, a inveja adquiriu contornos tão internos que lhe foram atribuídos poderes que não possuía. Este sentimento que faz referência à “falta de algo que o outro tem e nós não temos”, surge, no ser humano, de duas formas diferentes:
Latente: quando a pessoa nota a situação desvantajosa e desenvolve formas de se lidar com as circunstâncias que não lhe favorecem.
Manifesta: quando a emoção é explícita e o indivíduo é motivado a mudar o seu comportamento de tal forma que reaja às circunstâncias desfavoráveis para si.
O principal desejo do invejoso é a destruição do objeto, a eliminação do elemento que provoca o incômodo. O ato de se livrar, do que provoca a comparação, é considerado pelo invejoso, uma forma de não mais sentir a dor de não possuir o que deseja.
Uma das saídas que ele encontra é a negação, quando se contrapõe, às informações alheias, sobre o alvo de seus sentimentos de inveja, dizendo: “Eu nem percebi que ele trocou de carro…” “Não gostei daquela roupa!” “Aquela pregação não tinha nenhuma novidade!”
Num outro momento, ele racionaliza ou minimiza o mérito da pessoa: “É obvio que a aula tenha sido diferente. Ela passou a semana inteira se preparando.”
A inveja branca parece inofensiva, mas ainda causa males a quem se tornou alvo deste sentimento, pois o invejoso costuma imitar e, se for exagerado, é capaz de “roubar a identidade do outro”, embora não tenha impulsos destrutivos de prejudicar.
Onde Nasce a Inveja na Psique
A psicanalista Melanie Klein (1991) aponta que a inveja é uma emoção muito arcaica que remonta ao nascimento, ligada ao sentimento de **frustração**.
A frustração é a raiva oriunda da ausência de gratificação, ou seja, o desejo por algo inacessível em um dado momento. Este sentimento primitivo pode evoluir para a inveja destrutiva na vida adulta. Cuidado: Posição de Objeto de Inveja
Uma forma de manifestação da inveja, por vezes inconsciente, é a tendência de alguns indivíduos se colocarem na **posição de objeto de inveja**.
Essas pessoas, geralmente, têm dificuldades em reconhecer suas próprias limitações e passam a viver em um mundo imaginário de superioridade, acreditando que os outros as perseguem por inveja, quando na verdade, não conseguem lidar com seus próprios conflitos.
Extraído de: https://www.psiconversa.com.br/2023/12/o-conceito-de-inveja-na- psicologia.html. Acesso em 07nov.2025.
A imagem, que representa a inveja, revela uma entidade assustadora, dotada de olhos afundados, dentes manchados e um peito coberto de musgo verde. Não apenas sente inveja como, também, espalha seu veneno para afetar os outros.
Jesus enfrentou a inveja dos litigiosos, dos contenciosos fariseus, daqueles que, por causa de sua inveja, por não obedecerem a Lei de Deus como Jesus, invejavam-no. Para demonstrar o seu despeito, armavam diversas discussões com o Mestre, a fim de procurar minar a autoridade espiritual de nosso Cristo.
Atuaram como aquela serpente maligna que, no Jardim do Éden, convenceu Eva com seus argumentos falaciosos, inoculando seu veneno mortal ao questionar a atuação do Mestre.
Felizmente, eles não conseguiram afastar as pessoas de Cristo e viram que seus protestos de nada adiantaram. O sentimento foi tão maligno que se valeram do último recurso que tinham: destruir a vida de Jesus, já que não puderam minar o seu ministério.
Provavelmente, ele, o Salvador seria esquecido no decorrer dos anos. Mas eles não imaginavam que nosso Mestre ressuscitaria, abalando as estruturas terrenas. Diante disto, tiveram que se calar e, mesmo espalhando a mentira do roubo do corpo, não conseguiram deter os cristãos. Aleluia!
A inveja é resultado da natureza pecaminosa. E os filhos de Adão que foram gerados à semelhança de Adão, segundo as Escrituras na qual está escrito que os primeiros homens já foram gerados pecadores.
Embora os filhos Abel e Caim tenham recebido a mesma educação, tenham aprendido sobre o mesmo Deus e valores morais.
No entanto, as pessoas fazem escolhas. Abel optou por ser fiel e quando oferecia sacrifícios, o Senhor contemplava o coração do adorador.
Caim, por sua vez, não era bem-intencionado; seus sacrifícios não eram ofertados com sinceridade e demonstrações de um coração piedoso. A diferença entre os irmãos fez o Senhor reagir a favor de Abel, porque Ele se agradara da oferta.
Percebendo que não fora agraciado por Deus, Caim fica enfurecido, a inveja dele se apossa e um desejo destrutivo toma conta de seu coração. O resultado? Já conhecemos.
Com seus tentáculos, a inveja apossou-se dele e, sem exterminá-la, foi alimentando a concupiscência da carne até executar o seu plano maldito. Ao ser repreendido por Deus, para que controlasse as suas tendências malignas, não deu ouvidos, preferiu atuar segundo os desejos do seu coração quando o mal bateu à porta.
José, tal como Abel, era irmão dos outros invejosos e maldosos. Mas ele era diferente. Um bom filho que dava ouvidos ao pai e, principalmente, a Deus, temente à Sua Palavra e fiel aos princípios divinos. José é uma referência para os jovens.

Ter inveja é praticar a obra da carne, resultado de uma mente que produz/ cultiva maus pensamentos e deseja o que é mau para o próximo, não está satisfeita com o bem do próximo. Parte da comparação para almejar o melhor posicionamento, busca os elogios e as vantagens apenas para si.
Alguns querem ser alvo da inveja alheia para sentir-se bem. A respeito disto, Art Markman nos aconselha: “Talvez seja a hora de temperar o seu orgulho e a sua confiança com uma pitada de humildade – em vez de presumir que todas as reações invejosas dos outros são culpa deles.” Precisamos nos comportar de tal forma que não busquemos atenção de outros para nossas qualidades.
Tudo isto não passa de impulsividade, do propósito de homens que vivem na superficialidade, de acordo com suas emoções, agindo de modo irrefletido, sem responsabilizar-se pelas consequências.

Se tivermos o devido controle de nossas ações e procurarmos ser mais racionais, avaliando melhor nossos atos e pensamentos, não haverá espaço para inveja, para sentimentos negativos e maléficos a respeito de nosso próximo. Por que isto pode ocorrer?
Porque o Senhor Jesus nos ensinou a importância do amor ao próximo. Devemos amá-lo como a nós mesmos. Aprendemos que a benignidade é um aspecto do fruto do Espírito, a disposição para meditar no bem e desprezar a malícia.
O benigno tem a mente sadia, não se dedica a pensamentos maus acerca do próximo, nem deseja o mau para o próximo, ele se alegra com os benefícios feitos ao seu irmão.
O Senhor faz o Sol nascer sobre justos e injustos, abençoando a todos e, por isto, não podemos nos posicionar como os únicos que devem ser enriquecidos com o favor divino como o salmista Asafe declarou: “ Pois eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios.” (Sl 73.3).
O Senhor nos alerta a aproximar-nos dEle, em todo tempo, sem ficar questionando a vida do próximo.
O amor deve se pautar pela Verdade, pois o nosso Deus, que é Amor, é Verdadeiro e não compactua com a mentira.
O Senhor não se compraz com elogios falsos carregados de inveja, elogios denominados de lisonjas, cuja finalidade é obter algo em troca, um posicionamento ou bem material Tal posicionamento caracteriza um falso amor:
“ O homem que lisonjeia o seu próximo arma uma rede aos seus passos.” (Pv 29.5) Os invejosos são assim: elogiam desdenhando, elogiam querendo sair com vantagens, elogiam para atrair a atenção etc.
Como diz a canção da Harpa Cristã, de nº 396:
Muito além do nosso entendimento Alto mais que todo o pensamento Glorioso em seu sublime intento
É o amor de Deus, sem par
Não há comparativos para o amor do nosso Deus, porque este amor é perfeito e suplanta todos os modelos de amor que conhecemos.
A Bíblia nos aconselha a imitarmos a Deus como filhos amados. (Ef 5.1) e, neste contexto, somos orientados a abandonar todos os sentimentos que lhe desagradam para fazer a Sua vontade, dando exemplo e testemunhando a este mundo que o maior antídoto para a inveja é o AMOR.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
No link abaixo há um quis que você e seus alunos podem fazer como teste para ver se são invejosos. O que acham?
https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/10/27/7- maneiras-de-usar-a-inveja-a-seu-favor.htm. Acesso em 08nov.2025.
REFERÊNCIAS:
BOTARI, Maristela Vallim. O conceito de Inveja na Psicologia. Disponível em: https://www.psiconversa.com.br/2023/12/o-conceito- de-inveja-na-psicologia.html. Acesso em 07nov.2025.
FREITAS, Beto. Deusa da inveja – Mitologia grega. Disponível em: https://deusesgregos.com.br/deusa-da-inveja/. Acesso em 07nov.2025.
MARKMAN, Art. Relações humanas: como lidar com a inveja alheia sem se queimar. Disponível em: https://fastcompanybrasil.com/worklife/relacoes-humanas-como- lidar-com-a-inveja-alheia-sem-se-queimar/. Acesso em 08 nov.2025
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11880-licao-7-o-amor-nao-e-invejoso-i
Vídeo: https://youtu.be/dPtR1ETTZwQ
