JUVENIS – LIÇÃO Nº 9 – A IGREJA E A PRÁTICA DA PALAVRA
A Palavra de Deus é incomparável. Usamos diversas metáforas para representá-la, tais como bússola, luz, alimento (pão), guia, tesouro, espelho etc.
Mais doce que o mel sustenta o homem espiritual, concedendo-lhe energia para prosseguir na jornada espiritual que o levará ao céu.
Vejamos que as diversas metáforas, associadas à Palavra, sempre estão associadas à conduta, porque o modo de agir está conectado à forma de andar: “Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor.
[…] E não praticam iniquidade, mas andam nos seus caminhos. Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos. Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos. “(Sl 119 1,3-5)
Esta é a concepção de observância da Palavra de Deus, apontada pela Bíblia, está relacionada à caminhada espiritual. É por isto que a Lei do Senhor é a nossa bússola, nos guia, nos concede visão para compreendermos como deve ser a nossa trajetória, nossa conduta: “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” (Sl 119:9)
Enquanto o povo de Israel esteve caminhando pelo deserto, deveria permanecer atento ao tabernáculo, o lugar no qual Deus habitava e era o sinal visível da presença de Deus entre o Seu povo.
Era dali que Ele ministrava a Sua lei para a qual o povo deveria atentar, observando todos os princípios que Ele estabelecia para aquela nação que somente deveria se locomover com a direção do Pai Celestial.
Para isto, o povo deveria estar atento para a Casa do Senhor, para a nuvem posta sobre ela. Quando a nuvem se locomovia, era sinal que o tabernáculo deveria ser desmontado, o povo deveria desarmar o acampamento e partir até o local onde o Senhor estabelecesse:
Quando, pois, a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, então os filhos de Israel caminhavam em todas as suas jornadas.
Se a nuvem, porém, não se levantava, não caminhavam, até ao dia em que ela se levantasse; Porquanto a nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernáculo, e o fogo estava de noite sobre ele, perante os olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas. (Ex 40:36-38)
O povo estava aprendendo a seguir uma trajetória de acordo com a vontade do Senhor. Isto é louvável. Glória a Deus!
Aleluia! Assim deveria ser a partir, de então, a conduta do povo israelita. Assim deve ser a nossa conduta. Precisamos ser guiados pela vontade de Deus, pela vontade da sua Palavra
Onde guiar-me, meu Senhor / Eu seguirei por Seu amor É Sua mão que me conduz /Por mim ferida sobre a cruz
Guia-me sempre, meu Senhor / Guia meus passos, Salvador
Tu me compraste sobre a cruz /Rege-me em tudo, meu Jesus (141 HC) https://www.instagram.com/reels/DMd1hnLxGuY/. Acesso em 21fev2026.
Sim, fomos comprados pelo sangue de Cristo, pertencemos a Ele, Aleluia! E por este motivo devemos dar a Ele esta honra de ser o nosso guia, Senhor da nossa vida, que a Sua Palavra seja nosso norte, venha nos orientar em nossa trajetória, mostrando-nos qual é a melhor forma de agir em cada circunstância.
Esta era a vontade de Deus para o povo israelita, vontade que ficou expressa no livro de “Deuteronômio” (deutero – segundo, repetição; nomio – lei). Ou seja, no livro de Deuteronômio, Moisés faz uma revisão da Lei, uma repetição dos principais ensinos do Senhor, retomando os fatos principais que o povo vivenciou em sua jornada no deserto.
Destas vivências, muitas lições foram aprendidas e a principal delas era que o povo não deveria se desviar dos caminhos que o Deus de Israel tinha traçado para o povo caminhar. Quando o povo sai da rota e se desvia, há muitos prejuízos na caminhada e o alvo buscado
– a Terra Prometida – torna-se muito mais longínquo, não era geograficamente, mas porque não estavam preparados espiritualmente para nela habitar, a conduta estava em desacordo com a Palavra do Senhor e era necessário retornar aos princípios divinos antes de tomar posse das promessas que vieram do sublime Trono. O povo tinha que ser preparado, disciplinado, passar por
provações antes que aprendesse a confiar em Deus e, assim, assumir a posse da Terra. A Palavra de Deus foi a responsável por gerar novas atitudes, novo modo de pensar e de gerar no povo a fé necessária para assumir nova postura como povo que veio conquistar, tomar posse da promessa divina. Só a Palavra de Deus podia mudar a natureza daquele povo.
Diante deste quadro, vemos que o livro de Deuteronômio contém diversas alusões à obediência à Lei do Senhor; às condições de preservação da terra se forem fiéis à Lei do Senhor; à posse da terra se dará mediante à obediência aos mandamentos de servir ao Senhor de dia e de noite, sem adorar os deus das outras nações; ao segredo da felicidade restrito ao compromisso de adoração ao Senhor; ao dever dos pais de ensinar esta Lei aos seus filhos para que se preserve o compromisso de obediência por todas as gerações.
É preciso observar que o comprometimento de servir ao Senhor se dá numa dimensão interna do ser humano, isto se processa na mente, no coração, no homem interior:
“E o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas.” (Dt 30:6)
Daí a necessidade de internalizarmos os ensinos bíblicos por meio da leitura e meditação constante na Lei do Senhor.
A nossa fé é aumentada, acrescentada por meio da Palavra de Deus que é mais doce que o mel:
A Palavra de Deus é para mim Um tesouro sem igual em valor
Fala do amor de Deus, do amor que não tem fim Mais precioso do que ouro é este amor
A palavra de Deus é doce mais que o mel O que a toma pela fé, há de ser fiel Porque Deus nos concedeu o Emanuel
Rocha viva donde mana leite e mel (106 HC)
Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca.
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. (Salmos 119:103-105)
Precisamos investir tempo e energia no convencimento à leitura da Palavra de Deus: estabelecer cronogramas de leituras para os alunos e premiar os cumpridores das propostas traçadas. Se possível, pode-se levantar alguns temas para estudo sistemático em grupo e esclarecer temas que geram dúvidas na turma. A EBD é um espaço de estudo sistemático das Escrituras e os professores podem se apropriar destes momentos para levar seus alunos a associarem alguns aprendizados e conceitos bíblicos.
Além disto, pode estimular a pesquisa, atividade a ser realizada entre uma semana com vistas à outra, com retorno dos alunos para a turma e o compartilhamento coletivo de saberes.
Jesus Cristo conta a história da casa, construída sobre a rocha, para explicitar a importância da Palavra de Deus em nossa vida, da Palavra que nos dá condições de permanecer firmes, de conhecermos a melhor rota a seguir.
Firme está aquele que pode se contemplar no espelho, que é a Palavra e verifica que a sua conduta está de acordo com os ensinos do livro da Lei do Senhor.
E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando- vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito (Tiago 1:22-25)
Nossos alunos precisam estar plenamente conscientes de que a Palavra de Deus é o espelho deles, que devem se contemplar constantemente nela, pois as Escrituras mostram nossos defeitos e nos corrigem.
Diante disto, é preciso ter a atitude correta quando se estuda, quando se medita na Lei do Senhor que produz santificação, que purifica o homem interior, porque a Palavra de Deus é água que lava, que limpa e restaura o homem à condição que o Senhor para Ele deseja.
É o que vemos no tabernáculo, a bacia d’água aonde o sacerdote se lavava, além de purificá-lo, também era o espelho da Palavra, haja vista que, ao abaixar-se para purificar-se, ele podia contemplar- se e fazer uma auto-análise, verificando como estava a sua vida.
Como estamos estudando a Bíblia? Vejamos alguns princípios que devemos seguir para aprender a Palavra do Senhor.
OS SETE PECADOS MORTAIS DO ESTUDO BÍBLICO E COMO VOCÊ PODE EVITÁ-LOS:
1.O texto por pretexto – falta de contextualização interna
Versículos fora de contexto. Este versículo é uma espécie de ameaça piedosa (não se trata de uma bênção)
Tirar versículo de seu contexto.
Usar sequência de versículos isolados.
A Bíblia foi escrita como unidades literárias completas, como livros, cartas e poemas, para serem lidas do princípio ao fim.
“E Mispá, porquanto disse: Atente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro.” (Gn 31:49)
2.Ser muito literal, literalismo
O estudioso de seitas e heresias, Walter Martin, em seu estudo sobre o Mormonismo, combate o pensamento de que Deus tem um corpo físico como o nosso.
É preciso evitar o literalismo rígido e observar as metáforas, símiles e símbolos presentes nas histórias, provérbios, cartas e profecias.
Faze maravilhosas as tuas beneficências, ó tu que livras aqueles que em ti confiam dos que se levantam contra a tua destra.
Guarda-me como à menina do olho; esconde-me debaixo da sombra das tuas asas. (Salmos 17:7,8)
Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. (Isaías 59:1)
3.Ignorar o ambiente bíblico. Não-contextualização externa.
Colossos ficava a menos de 15 km de Laodiceia. Conhecida por suas águas frias e refrescantes.
A cidade de Hierápolis, ao norte, era famosa por suas benéficas fontes de água quente.
Laodiceia tinha um aqueduto de 9 km de extensão que traria tanto a água quente como a fria, as quais chegariam mornas a esta cidade.
E ao anjo da igreja de Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Ap 3:14-16)
4.Unilateralismo. Confiar em traduções falhas.
Na NTLH está “Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie na sua própria inteligência. Lembre-se de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo. “
Vejamos que os diversos textos estão relacionados ao trabalho de remoção de obstáculos do nosso caminho, para que trilhemos caminhos retos. Não se trata de mostrar o caminho, mas endireitar o caminho.
Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. (Provérbios 3:5,6)
5.Subjetivismo – interpretação pessoal
MARAVILHOSAS COISAS NA BÍBLIA SE VEEM, COISAS ALI COLOCADAS POR MIM E POR VOCÊ!
Somos tentados a ler, nas Escrituras, as nossas próprias ideias e os nossos próprios interesses, ao invés do que o que o escritor realmente quer comunicar.
3 Jo 1.2 –para justificar que Deus quer que todos os cristãos tenham prosperidade financeira e saúde física.
Esta era uma forma pessoal de saudação nas cartas de antigamente. Extrapolamos os votos de João para Gaio, desejando tudo isto para todos os crentes.
a)Leia as afirmações do escritor em todo o seu contexto, em vez de aplicar somente os textos isolados.
b)Seja sensível ao tipo de linguagem e literatura que o escritor está utilizando.
c)Procure conhecer o fundo histórico e cultural.
d)Certifique-se de que a interpretação está baseada no que o escritor realmente disse.
Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma. (3 João 1:2)
Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras. (Sl 137:9) Então o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho, Absalão!
Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho! (2 Samuel 18:33) – o interlocutor disse ao pastor que precisa abrir uma igreja ‘Abre salão’
6.Auto-suficiência – pensar que você pode fazer tudo
A Reforma Protestante de Martinho Lutero que se preocupou em traduzir a Bíblia para a língua do povo. Para ele, qualquer pessoa era melhor que os papas, concílios ou credos da Europa. Este pensamento preconiza que não temos que nos basear nos especialistas para entender a Palavra de Deus.
É uma tolice levar isto ao extremo. Precisamos ter ferramentas para fazer o estudo pessoal. Deus nos supriu com uma infinidade de recursos: dicionário bíblico, bíblias de estudo, livros teológicos etc.
E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos. (II Tm 2.5,6) Faze bem ao teu servo, para que viva e observe a tua palavra.
Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei. (Sl 119:17,18)
7.Intelectualismo – deixar de aplicar o que você aprendeu.
Deus não escreveu a Bíblia para encher os nossos cérebros, mas para transformar as nossas vidas. É vital entender os ensinamentos e estudar a Bíblia, mas não se pode dar apenas no nível acadêmico.
Pode-se evitar os seis pecados mortais e ainda conhecer a Palavra, apenas intelectualmente. O ensino da Bíblia precisa ser filtrado para haver conhecimento verdadeiro.
ESTOU MERAMENTE AMPLIANDO / ENCHENDO A MINHA MENTE OU APLICANDO O QUE ESTOU APRENDENDO?
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
a)Professor, o estudo acima é para complementar o que já aprendemos sobre o tema da Palavra de Deus. Se quiser compartilhar algum tópico com teus alunos.
Em Deuteronômio, temos 44 referências sobre a necessidade de obediência à Lei do Senhor, as quais são feitas por Moisés aos israelitas. Sugerimos que você apresente um texto para cada aluno memorizar e recitar no culto do domingo à noite.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Site: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/12170-licao-9-a-igreja-e-a-pratica-da-palavra-i
