JUVENIS | LIÇÃO Nº 9 – O AMOR NÃO SE ENSOBERBECE
Para a tradição católica, só o fato de pensar neste pecado é pecar. Segundo a Bíblia, o salário do pecado é a morte.
Cada um dos pecados, considerados capitais, tem uma história secreta que revela como eles se tornaram pecados capitais, trazendo impacto na história, na sociedade e, principalmente, em nossas almas.
Para Igor Alves “a soberba é uma manifestação de orgulho, de pretensão, de superioridade sobre as outras pessoas. É a arrogância, a altivez, a autoconfiança exagerada.”
Manifesta-se negativamente quando alguém manifesta a pretensão de superioridade com o fim de convencer o outro a sentir-se inferior.
Outras formas de soberba também se manifestam nas ações que revelam ideologias racistas, xenófobas, elitistas, corporativistas.
O mais perigoso dos pecados pode levar o transgressor a pagar um alto preço por desacatar as leis morais divinas.
O conceito de pecado capital não aparece nas Escrituras. No entanto, algumas menções surgiram em monastérios no Egito., mais de três séculos d.C.
Em aproximadamente 375 d.C., um monge chamado Evágrio Pôntico (c. 346–399 d.C.) deixou a cidade pecaminosa de Constantinopla para entrar para um monastério. Começou a catalogar as tentações que seduziam os homens para o inferno, criando uma listas das tentações mais perigosas. Evagrios acreditava que existiam oito tentações da alma. A soberba era uma das mais fatais.
Ele dizia que a soberba corrompia tudo o que tocava, era como um tumor da alma cheio de pus, já que amadurece e rompe, criando uma confusão repugnante.
Os estudos sobre o assunto evoluíram até 590 d.C., quando o Papa Gregorius, o Grande , examinou a lista e reduziu os pecados a sete, mudou o nome de tentações para pecados capitais, os quais continham a semente de todo mal.
O Para Gregorius considerava a soberba como o início de todos os pecados. Mas o que é a soberba? E por que ela é considerada tão maligna?
A soberba é definida como uma forma de arrogância, vaidade, senso exagerado da própria importância.
Ela faz uma pessoa sentir que não precisa de Deus: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm- se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem.” (Sl 14.1)
Os vícios trabalham juntos subordinados a um vício principal que é a soberba. Ela manchou o tecido da criação desde o início dos tempos com a história de Lucífer e a personificação do Mal. Tomado pela soberba, o Rebelde se insurgiu contra Deus.
Ele quis SER, FAZER e TER aquilo que não lhe pertence. Este foi o ponto marcante na vida do querubim ungido e a sua soberba que indicava oposição declarada contra Deus, quis ser admirado como Deus, semelhante ao Altíssimo:
Os cinco eus que marcaram o fracasso (Is 14.13,14)
1. Eu subirei aos céus (13 a)
2.Exaltarei o meu (o Dele) trono (13 b)
3.No monte da congregação me assentarei (13 c)
4.Subirei acima das mais altas nuvens (14 a)
5.Serei semelhante ao Altíssimo (14 b)
Adão e Eva também quiseram ser, ter e fazer o que não era de sua competência, mas do Senhor. O pecado foi motivado pela soberba
porque eles desrespeitaram as ordenanças divinas, comendo o fruto proibido.
O indivíduo soberbo pode ser o vaidoso, aquele que costuma usar outras pessoas com o fim de validar o seu ego, pois precisa de outros que digam o quanto é maravilhoso. A opinião dos outros o deixa preocupado.
Para Evágrio Pôntico, a vaidade interferia na santidade e a oração de quem ama a popularidade não alcançará Deus.
O soberbo se concentra em si próprio, haja vista que é dotado do sentimento de autossuficiência e não sente necessidade de Deus. Assim, é levado a questionar o lugar do Altíssimo e acha que merece uma posição mais elevada que a que lhe cabe.
Em Atenas e Roma, sob a influência do mundo grego, a soberba foi condenada. Os gregos usavam os contos sobre a soberba para falar sobre este pecado, dizendo como este pode levar uma pessoa à ruina.
Por exemplo, há o conto de Ícaro, o qual achou que podia voar com asas de cera e caiu espatifando-se.
A Bíblia é clara ao apontar os homens que se levantam contra os princípios divinos. A soberba alimenta o motor da história, ela inspira e corrói ao mesmo tempo.
Uma das ilustrações mais proeminentes da soberba, nas Escrituras, é da Torre de Babel, que é descrita no Gênesis e por Flávio Josefo, como um dos ícones da arrogância, representando visualmente os homens que não se submeteram a Deus e decidiram desafiá-lO:
Porém esses homens rudes e indóceis não obedeceram e, pelo seu pecado, foram castigados com os males que lhes sucederam. E Deus, vendo que o seu número crescia sempre, ordenou-lhes segunda vez que formassem novas colônias.
Esses ingratos, porém, esquecidos de que deviam a Ele todos os seus bens e atribuindo-os a si mesmos, continuam a desobedecer-lhe e acrescentaram à sua desobediência a impiedade de imaginar que era uma cilada que se lhes armava, a fim de que, estando divididos, pudesse Deus mais facilmente destruí-los.
Ninrode, neto de Cam, um dos filhos de Noé, foi quem os levou a desprezar a Deus dessa maneira. Ao mesmo tempo, valente e corajoso, persuadiu-os de que deviam unicamente ao seu próprio valor, e não a Deus, toda a sua boa fortuna.
E como aspirava ao governo e queria que o escolhessem como chefe, abandonando a Deus, ofereceu-se para protegê-los contra Ele (caso Deus ameaçasse a Terra com outro dilúvio), construindo uma torre para este fim, tão alta que não somente as águas não poderiam chegar-lhe ao cimo como ainda ele vingaria a morte de seus antepassados.
O povo insensato, deixou-se dominar pela estulta convicção de que lhes seria vergonhoso ceder a Deus e começaram a trabalhar nesta obra com incrível ardor. (Flávio Josefo, 2021, p.84)
Está visível para todos que a soberba moveu os corações destes para tomar tais iniciativas, trilharem caminhos que conduzem à perdição.
De acordo com a ótica, consistia no melhor a fazer, no emprego da melhor tecnologia, pois se uniriam para construir um monumento que demonstraria toda a grandeza, sabedoria e poderio daquela comunidade. No entanto, o proverbista alerta dizendo:
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” (Pv 14.12;16.25)
É primordial que busquemos a face do Senhor com o fim de conhecermos os caminhos que estão traçados para os seus filhos: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jr 29.11)
Enquanto Ninrode e sua equipe estavam com os corações repletos de malícia, imaginando maldades acerca da pessoa de nosso Deus, as Escrituras nos dizem que os pensamentos do Senhor são de paz, são benignos e seu fim é beneficiar os homens. Bem dizia o profeta Isaías acerca do Senhor:
Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. (Is 55.7-9)
O homem é dotado do poder da linguagem e foi justamente nesta área que o Senhor atuou, levando os homens a falarem diversos idiomas porque, desta forma, os pensamentos divinos sobre a ocupação do planeta prosseguiriam.
O homem deveria ocupar a Terra e cultivá-la. Não poderia ficar centralizado apenas num local. Deveria submeter-se ao Criador de todas as coisas, sem desafiar seus propósitos.
Ninrode ouviu falar que o Senhor prometera não mais destruir a Terra com água, mas agiu como um incrédulo, um soberbo que não valorizou as promessas divinas e se valeu deste pretexto para projetar-se sobre o grupo.
Uma outra pessoa que posicionou-se, no início, como alguém que ouvia a Deus e o temia, que estava disposto a obedecê-lo foi Balaão.
O soberbo é ambicioso por natureza e sempre quer se destacar na posição social e material. Balaque, o rei dos moabitas, ofereceu-lhe tudo isto para que Balaão amaldiçoasse Israel que se aproximava de Moabe e inspirava temor aos seus inimigos.
O profeta manteve uma postura firme no início, mas parece que tudo aquilo não totalmente autêntico porque, no fim, ele cedeu. É curioso ver Balaão, ansioso, a caminho de Moabe, agitado, porque estaria numa situação constrangedora.
O Senhor, por meio de seu anjo, travou-o no caminho e, diante da jumenta empacada, este homem a maltrata e está tão nervoso que não percebe o seu estado. Começa a dialogar com o animal até que avista o anjo e é exortado a submeter-se a Deus, dizendo apenas aquilo que for ordenado a falar.
É uma pena que este homem não tenha resistido até o final, porque Israel caiu em pecado e perdeu vário homens.
Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; talvez o poderei ferir e lançar fora da terra; porque eu sei que, a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado. […]
Então disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto é bendito.
Então Balaão levantou-se pela manhã, e disse aos príncipes de Balaque: Ide à vossa terra, porque o Senhor recusa deixar-me ir convosco. […]
Os quais foram a Balaão, e lhe disseram: Assim diz Balaque, filho de Zipor: Rogo-te que não te demores em vir a mim.
Porque grandemente te honrarei, e farei tudo o que me disseres; vem pois, rogo-te, amaldiçoa-me este povo.
Então Balaão respondeu, e disse aos servos de Balaque: Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia ir além da ordem do Senhor meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande; Agora, pois, rogo-vos que também aqui fiqueis esta noite, para que eu saiba o que mais o Senhor me dirá.
Veio, pois, Deus a Balaão, de noite, e disse-lhe: Se aqueles homens te vieram chamar, levanta-te, vai com eles; todavia, farás o que eu te disser. […]
Viu, pois, a jumenta o anjo do Senhor, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; pelo que desviou- se a jumenta do caminho, indo pelo campo; então Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho.
Mas o anjo do Senhor pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo uma parede de um lado e uma parede do outro lado. Vendo, pois, a jumenta, o anjo do Senhor, encostou-se contra a parede, e apertou contra a parede o pé de Balaão; por isso tornou a espancá-la.
Então o anjo do Senhor passou mais adiante, e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão; e a ira de Balaão acendeu-se, e espancou a jumenta com o cajado. Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?
E Balaão disse à jumenta: Porque zombaste de mim; quem dera tivesse eu uma espada na mão, porque agora te mataria.
E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.
Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face. Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim; Porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se desviasse de diante de mim, na verdade que eu agora te haveria matado, e a ela deixaria com vida. (Nm 22.6,11-12, 16-18-20; 23-29; 30-33)
Balaão agiu de modo arrogante, de modo soberbo com a jumenta e toda aquela postura parecia o orgulho espiritual de muitos que se projetam sobre os demais, impondo a sua espiritualidade como exemplo para ser seguido.
O melhor discurso está no exemplo e não nos arroubos verbais de quem não cumpre o que diz, que não vive o que prega….
A filósofa Lúcia Helena Galvão conta uma história “Eu, carregar um porco?” na qual um sábio, vendo um garoto impulsionando um porco machucado a andar, decidiu carregá-lo. As pessoas ficavam olhando admiradas.
Como poderia um senhor já idoso carregar um porco tão pesado? Outros o fitam com um olhar zombeteiro, haja vista que o animal sendo levado era alvo de repúdio de muitos. No entanto, o homem não se importava.
Os alunos de Filosofia ficavam indagando sobre os reais motivos da atitude daquele senhor e lhe perguntaram mais tarde.
O sábio não se lembrou. O professor dos jovens disse que era por causa da consciência, a atitude certa a se tomar naquela hora. E, em seguida, começou a rir, porque falava de si mesmo e não do sábio.
Aquele ancião agiu naturalmente, era um homem virtuoso e não precisava de estímulo algum para auxiliar um animal em dificuldades. Não era uma pessoa soberba. Tratava os seres humanos e os animais de forma digna como todos têm direito.
É bem mais fácil conhecermos alguém nos momentos problemáticos. É o caso de Pedro. Quando Cristo mais precisou de sua
companhia (no Getsêmane estava dormindo) e de seu apoio, O negou. No entanto, Pedro não admitia suas fraquezas, tinha seus arroubos de ordem espiritual, querendo provar que o pecado e as fraquezas não o alcançariam. Ledo engano. Não admitia que somos limitados e dotados de uma natureza pecaminosa….
Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galileia.
Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.
Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.
Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. (Mt 26:31- 35)
O crente verdadeiramente espiritual não precisa proclamar aos quatro ventos que ele não falhará, simplesmente não peca, naturalmente não cede às propostas do inimigo, sem fazer propaganda de si mesmo.
Pedro e Balaque falharam de forma explícita, porque fizeram questão de apelar para a prepotência espiritual.
Ao observarmos estes comportamentos, estamos prontos para refletir em nossa postura e no que as
Escrituras dizem: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos.” (Pv 16:18,19)
Sendo assim, o soberbo sem tem prejuízos por causa desta postura. Buscar a humildade é um imperativo bíblico:
“Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (Tg 4.4) O Senhor abençoa todos aqueles que reconhecem o seu poderio e majestade, que estão dispostos a buscar a humildade, virtude aprendida com o Mestre Jesus: “Antes, ele dá maior graça.
Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (Tg 4.6) “ Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. “ (Mt 11:29)
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
-Sugerimos que você veja, com seus alunos, o “reel” O que a Bíblia diz sobre a soberba? Que está disponível em: https://youtube.com/shorts/shU9vqm9XbI?si=3D4CPLy-4- yp8CXC. Acesso em 20nov.2025. Em seguida, peça para eles contarem histórias bíblicas ou não de pessoas e se houve um resultado negativo.
-Também recomendamos a história do Filósofo e o sábio. Que o professor apenas assista para reproduzir pra sala e interrogar os alunos, verificando sobre o posicionamento deles antes de finalizar a história: Carregariam o porco? Quem era aquele homem que apareceu repentinamente? O garoto estava correto na forma de tratamento ao animal? O que é ser virtuoso para você?
https://youtube.com/shorts/shU9vqm9XbI?si=3D4CPLy-4-yp8CXC.
REFERÊNCIAS:
ALVES, Igor. O que é soberba? Disponível em: https://www.significados.com.br/soberba/. Acesso em 22nov.2025.
HISTORY, Documentários. Os sete pecados capitais, a soberba. YouTube, 10 de agosto de 2019. 44min24s. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Ji4l5ieLZG0.>. Acesso em: 20 de nov. de 2025.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Trad. Vicente Pedroso 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
NOVA ACRÓPOLE. Lúcia Helena Galvão. O filósofo e o sábio. YouTube.
23 de set. de 2025. 9min13s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VB15K15Vdho. Acesso em: 22 de nov. de 2025.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11930-licao-9-o-amor-nao-se-ensoberbece-i
Vídeo: https://youtu.be/Xk21jzlNhL0
