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LIÇÃO Nº 1 – A IGREJA QUE NASCEU NO PENTECOSTES


ESBOÇO Nº 1

A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

Neste terceiro trimestre letivo de 2025, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus escolheu tratar de um tema muito interessante, qual seja, um estudo sobre a igreja em Jerusalém, a chamada “igreja-mãe”, a primeira igreja local surgida no dia de Pentecostes (At.2:41) e que se tornou praticamente a única igreja local até a dispersão dos discípulos ocasionada pela perseguição empreendida pelos judeus sob o comando de Saulo (At.8:1).

O estudo da igreja em Jerusalém, cujo histórico se encontra nos primeiros sete capítulos do livro de Atos dos Apóstolos, é extremamente importante, pois sabemos que o livro de Atos não é apenas histórico, mas também normativo, porquanto é o registro dos primeiros dias da Igreja, mostrando- nos qual o modelo, qual o padrão que deve ser seguido pelas igrejas locais enquanto Jesus não nos vem arrebatar.

Assim, estudar a vida da igreja em Jerusalém desde a ascensão do Senhor até a dispersão dos discípulos é estudar o padrão querido e desejado pelo Senhor Jesus, a cabeça da Igreja (Ef.1:22; 5:23), e, portanto, a referência a ser seguida por todos os cristãos, o modo de ser determinado por Cristo para a Sua Igreja.

Só por isto, vemos quão relevante será este estudo, pois, ao fazê-lo, temos a oportunidade de verificar como estamos, enquanto membros em particular do corpo do Cristo e enquanto igrejas locais, à luz da Palavra de Deus, fazendo aquilo que recomendou Paulo aos coríntios:

“Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis, quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.” (II Co.13:5).

Bem por isso, o subtítulo de nosso trimestre fala da “base para o crescimento da Igreja em meio às perseguições”, que seriam a doutrina, a comunhão e a fé, como bem explicita Lucas em At.2:42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”.

A capa da revista do trimestre evoca, precisamente, este versículo do livro de Atos que descreve a igreja em Jerusalém.
Nela, vemos, em torno de uma mesa, um grupo de pessoas e isto nos fala da comunhão, pois, na cultura hebraica, a refeição é um símbolo de comunhão, “comer e beber” significa “estar em comunhão”, compartilhar a vida, conviver.

A igreja em Jerusalém vivia em comunhão, comunhão esta formada por meio da doutrina dos apóstolos. O texto bíblico é claríssimo ao afirmar que “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (At.2:44).

A imagem das pessoas está distorcida, não podemos perceber exatamente o que fazem, mas não parecem estar a conversar, de forma que podemos inferir que estejam em oração, talvez até para dar início à refeição, o que nos leva também à circunstância de que a oração era uma constante entre os crentes em Jerusalém (At.2:14; 3:1; 4:24).

Este é mais um fator de comunhão, já que a oração nos ajuda a nos moldarmos ao caráter de Cristo e a sermos dirigidos pelo Espírito Santo, o que reforça a nossa qualidade de membros em particular do corpo de Cristo, a nos levar ao crescimento em tudo em Cristo, ao aumento do corpo em unidade, pois há um só Senhor (Ef.4:4,5,15,16).

Por fim, em destaque na capa, vemos um pão, a nos lembrar que, na igreja em Jerusalém, todos perseveravam no partir do pão, mais um elemento de comunhão, entendido este partir do pão não só como a celebração da ceia do Senhor, que é a solene declaração de nossa comunhão com os santos e com o Senhor, mas também a vida em comum, até porque, em Jerusalém, todos passaram a também compartilhar os seus bens uns com os outros (At.2:45,46).

Podemos dividir o trimestre em três blocos. O primeiro, dá-nos as características básicas da igreja em Jerusalém, os parâmetros com que foi edificada pelo Senhor:

uma igreja nascida no Pentecostes (lição 1),

uma igreja que é o modelo e referência de todas as igrejas locais (lição 2),

fiel à pregação do Evangelho (lição 3),

cheia do Espírito Santo (lição 4),

cheia de amor (lição 5) e que

não é conivente com a mentira (lição 6).

O segundo bloco mostra-nos as atitudes da igreja em Jerusalém diante da perseguição, que é, como sabemos, uma realidade inevitável para o corpo de Cristo, como disse o próprio Senhor no ato mesmo da revelação deste mistério que era a Igreja, ao afirmar que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja (Mt.16:18).

Assim, estudaremos que a igreja em Jerusalém não temia a perseguição (lição 7), enfrentava seus problemas (lição 8) e se arriscava (lição 9).

Por fim, no terceiro bloco, veremos que a igreja em Jerusalém, ainda que após algum tempo, despertou para o aspecto missionário, estudando a sua expansão, primeiramente entre os judeus (lição 10) e, depois, também entre os gentios (lições 11 e 12) e, por fim, o concílio de Jerusalém onde se tratou da diversidade cultural nascida desta expansão (lição 13).

O comentarista do trimestre é o pastor José Gonçalves, pastor-presidente da Assembleia de Deus em Água Branca, Piauí; graduado em Teologia pelo Seminário Batista de Teresina e em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí.

Ensinou grego, hebraico e teologia sistemática na Faculdade Evangélica do Piauí. Há anos é comentarista das Lições Bíblicas.

B)LIÇÃO Nº 1 – A IGREJA QUE NASCEU NO PENTECOSTES

INTRODUÇÃO

-Neste trimestre, estudaremos a igreja em Jerusalém, a “igreja-mãe” da Cristandade, o primeiro modelo apresentado no livro de Atos para a Igreja.

-A igreja em Jerusalém era pentecostal.

I – A HISTÓRIA DA IGREJA COMEÇA EM JERUSALÉM

-Neste trimestre letivo, iremos estudar a igreja em Jerusalém, que é a “igreja-mãe”, a primeira igreja local do planeta, e, por conseguinte, iremos estudar o início do livro de Atos dos Apóstolos, onde está registrada a história dessa igreja.

-Como ensina Russell Shedd (1929-2016), o versículo-chave da narrativa de Atos é At.1:8, pois o livro procura mostrar, de forma esquemática e cronológica, como sói ocorrer nos escritos de Lucas, como o Evangelho, por meio dos apóstolos, partiu de Jerusalém, do cenáculo onde os discípulos se reuniram após a ascensão do Senhor, até chegada de Paulo, o apóstolo dos gentios, a Roma, num período de aproximadamente trinta anos.

-Jerusalém foi a cidade escolhida pelo próprio Deus para que se fizesse a adoração a Deus até a vinda do Cristo (Dt.12:11-13; II Sm.24:18,25), quando, então, a adoração se daria em espírito e em verdade (Jo.4:21,22).

-Jerusalém surge, pela vez primeira, nas Escrituras, no capítulo 14 do livro do Gênesis, ainda chamada de
Salém, palavra que significa “paz”, quando o seu rei, sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque veio

abençoar Abrão, depois que o patriarca retornou vitorioso da guerra contra os reis que haviam vencido das cidades da planície.

-Naquela ocasião, já vemos que o rei de Salém abençoou o patriarca (Gn.14:19,20), mostrando-se, pois, superior a ele (Cfr. Hb.7:7), bem como participou de uma refeição com ele, com pão e vinho (Gn.14:18).

-Jerusalém, então, apresenta-se como o lugar de onde vinha o rei-sacerdote, para abençoar e estabelecer comunhão, com pão e vinho, àquele que havia sido escolhido por Deus para ser o pai de nações, o amigo de Deus, o pai da fé.

-Tipologicamente, pois, já vemos, neste episódio, a apresentação de Jerusalém como sendo o local onde se daria início ao povo de Deus formado pela fé n’Aquele que haveria de, mediante Seu sacrifício, restabelecer a comunhão entre o Senhor e a humanidade e fazer todas as famílias da terra benditas.

-Jerusalém foi o lugar onde Jesus Se sacrificou por nós, como sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb.5:8-10), retirando a separação entre Deus e os homens (e a prova disso foi o rasgo do véu de cima a baixo no templo – Mt.27:51; Mc.15:38; Lc.23:45), onde também ressuscitou, vencendo a morte e o pecado (I Co.15:3,4,55-57) e, deste modo, podendo formar o Seu rebanho (Jo.10:16,26-29).

-Este rebanho formado por aqueles que creram em Jesus e que, por isso, foram justificados pela fé e tiveram paz com Deus (Rm.5:1).

-Posteriormente, Salém foi habitada pelos jebuseus (pelo menos parte dela, próximo ao monte Sião) e, por isso, passou a se chamar Jebus, palavra cujo significado é “monte sem água” ou “pisado com força ou firmeza”, cidade que foi, na partilha, destinada à tribo de Benjamim (Js.18:21,28). Entretanto, nem os judaítas (Js.15:63) nem os benjaminitas (Jz.1:21) a conquistaram.

-Jebus somente seria conquistada por Davi, quando já tinha sete anos de reinado (II Sm.5:6-9), quando, então, passou a se chamar Jerusalém, cujo significado é “justiça e paz”, como também “a cidade de Davi”, passando, então, a ser a capital de Israel.

-Foi o lugar que Deus escolheu para ser o local onde seria construído o templo, conforme determinação dada ao próprio Davi pelo profeta Gade (II Sm.24:18), na eira do jebuseu Araúna (ou Ornã), que foi comprada por Davi (II Sm.24:24) e onde Salomão construiu o templo (II Cr.3:1).

-Deus já mostrava que era em Jerusalém onde se fariam os sacrifícios que prefiguravam o sacrifício vicário de Cristo para a salvação de toda a humanidade (I Jo.2:2) e onde se daria o Seu próprio sacrifício, fora do arraial (Hb.13:13), já que Jesus expiaria o nosso pecado (Lv.4:21; Hb.13:12).

-Lamentavelmente, Jerusalém, de centro de adoração a Deus, transformar-se-ia no centro da idolatria que, começando no próprio reinado de Salomão, sorrateiramente nos arredores da cidade (I Rs.11:7,8), acabou por se alastrar a ponto de haver idolatria no próprio templo, como se vê nos dias dos reis Acaz (II Rs.16:11,12), Manassés (II Rs.21:4,5; 23:4,6,7) e dos sucessores de Josias (Ez.8).

-Não é por menos que Jerusalém, desde os dias do profeta Isaías, já era chamada por Deus como sendo, espiritualmente, Sodoma e Gomorra (Is.1:10).

-Entretanto, mesmo após a destruição de Jerusalém e do templo por Nabucodonosor (Jr.52:12,13), o Senhor impediu a ocupação da cidade e, ao término do cativeiro, puderam os judeus para lá retornar e reedificar o templo (Ed.6:14-16) e a cidade (Ne.6:15,16; 7:1,2) e, ainda, com a promessa de que a glória da segunda casa seria maior que a da primeira (Ag.2:9).

-Esta promessa, ademais, mostrava que Jerusalém era o lugar escolhido para que se manifestasse a glória de Deus, o que ocorreu quando da dedicação do templo por Salomão (I Rs.8:10,11; II Cr.7:1,2), glória que ali se manteve até pouco antes da destruição daquela casa, quando, então, foi ela retirada, conforme visão do profeta Ezequiel (Ez.11:22,23).

-Evidentemente, que, dali por diante, vivendo os judeus o “tempo dos gentios” (Ez.30:3), teriam a sua capital sob domínio estrangeiro (Ne.9:36) e Jerusalém seria pisada pelos gentios até que o Cristo viesse para reinar, pondo fim a esse tempo (Lc.21:24).

-A glória do Senhor somente retornaria a Jerusalém quando o Senhor Jesus foi levado ao templo para ser apresentado, menino de apenas quarenta dias de idade, quando é anunciado como o Cristo tanto por Simeão quanto por Ana (Lc.2:25-38).

-Ao retornar ao templo para assumir Seu compromisso pessoal diante de Deus, aos doze anos, Jesus já mostra a Sua sabedoria aos doutores (Lc.2:46,47), uma forma de demonstração da Sua glória e, ao vir a Jerusalém, pela vez primeira em festa obrigatória, após o início do ministério, realiza vários sinais (Jo.2:23), inclusive anunciando o que seria o maior sinal, a Sua ressurreição, quando, então, Se mostraria o verdadeiro templo, o Seu corpo (Jo.2:19-22).

-Este corpo místico, que aqui nasceria após a Sua ascensão aos céus, a Sua Igreja (Mt.16:18; I Co.12:27), também haveria de nascer em Jerusalém, o lugar designado pelo próprio Senhor Jesus:

“Ficai, porém na cidade de Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc.24:49); “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At.1:8).

-Não há, pois, qualquer dúvida que o Senhor já escolhera Jerusalém para ser o local onde se teria início a Igreja e que, portanto, ali seria a primeira igreja local.

-Ora, o livro de Atos foi escrito para ser, a um só tempo, um registro histórico da Igreja, mas também uma referência, um modelo, um exemplo para a Igreja durante a dispensação da graça.

-Tendo sido a igreja mais minudentemente descrita no livro de Atos, a igreja em Jerusalém se apresenta como sendo o modelo, a referência, o exemplo de igreja local a ser seguido por todos os discípulos de Jesus até o dia do arrebatamento da Igreja.

-Evidentemente que não se trata de uma igreja local perfeita, porquanto os discípulos são imperfeitos, tanto que Jesus põe, na igreja, ministros para o aperfeiçoamento dos santos (Ef.4:11), mas é, indubitavelmente, um modelo a ser seguido e que, precisamente por ter sido negligenciado, em nossos dias, tem gerado os grandes transtornos que estamos ultimamente a padecer.

-Jerusalém sempre foi uma referência na Cristandade. Mesmo após a dispersão dos discípulos, em virtude da grande perseguição promovida por Saulo (At.8:1), perseguição permitida muito por causa da falta de compreensão do caráter missionário por parte da igreja-mãe (Cf. At.5:16), Jerusalém continuou a ter, como não podia deixar de ser, sua devida importância, tanto que é lá que se realiza a primeira grande assembleia da Igreja (At.15).

-Mesmo após a destruição da cidade e do templo pelos romanos, no ano 70, Jerusalém vai continuar sendo uma igreja cristã de referência, montando o que se denominou de “Pentarquia”, ou seja, as cinco igrejas locais que balizavam a Cristandade, a saber: Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Roma e Constantinopla, cujos líderes eram chamados de “Papas” ou “Patriarcas”, denominação esta última, aliás, que persiste até hoje.

-Eusébio de Cesareia, em sua História Eclesiástica, diz que, mesmo após a total expulsão dos judeus de Jerusalém, em 135, por ordem de Adriano, quando a cidade foi totalmente ocupada por gentios, sob o nome

de “Élia”, organizou-se ali uma igreja local, formada por cristãos gentios, cujo primeiro líder teria sido um homem chamado Marcos.

-A importância de Jerusalém é retomada quando da peregrinação de Helena, mãe do imperador Constantino, que, inclusive, teria mandado erigir a Igreja do Santo Sepulcro na cidade, fazendo com que passasse a ler um local de peregrinação.

-Este simbolismo de Jerusalém foi tanto que os muçulmanos fizeram questão de conquistar a cidade e de ali construírem duas mesquitas no lugar do templo judeu, o Domo da Rocha e Al Aqsa, que lá estão até hoje.

-A proibição de peregrinação de cristãos a Jerusalém, no século XXI, feita pelos turcos seldjúcidas, que motivou o início das Cruzadas, evento que alterou profundamente o aspecto sócio-econômico-político da Europa.

-Até hoje há em Jerusalém três Patriarcados, ou seja, igrejas locais de instituições religiosas cristãs: o Patriarcado Latino, ligado à Igreja Católica Apostólica Romana (surgida da igreja em Roma);

o Patriarcado Ortodoxo Grego, sede da Igreja Ortodoxa Grega de Jerusalém (igreja que se tornou autônoma da Igreja Ortodoxa Grega, surgida da igreja em Constantinopla) e o Patriarcado Armênio, sede da Igreja Apostólica Armênia na Terra Santa (igreja autônoma da Igreja Apostólica Armênia, que se separou do restante da Cristandade após o Concílio de Calcedônia em 451).

-Jerusalém, por fim, será o lugar onde Israel, com o apoio do Anticristo, reconstruirá o templo, que será profanado pelo próprio Anticristo (Dn.9:27), bem como o local onde ficarão expostos os corpos das duas testemunhas (Ap.11:8) e onde Jesus estabelecerá a sede de Seu reino milenial (Ap.20:9).

II – A “GESTAÇÃO” DA IGREJA EM JERUSALÉM

-Assim como a salvação estava prevista desde antes da fundação do mundo, de igual modo a igreja já estava estabelecida por Deus ainda antes que o mundo existisse.

-A igreja foi o “…mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são coerdeiros e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” (Ef.3:4-6).

-A igreja era o grande mistério de Cristo que só foi revelado pelo próprio Senhor quando fez a famosa “declaração de Cesareia”, quando afirmou que edificaria a Sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt.16:18).

-A igreja, portanto, é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja.

-Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida.

-No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer.

OBS: Diante de tantos exemplos históricos, relatemos dois episódios elucidativos desta realidade. O imperador romano Juliano (331-363, imperador de 361 a 363) perseguiu impiedosamente os cristãos, depois que os cristãos já haviam sido reconhecidos por Roma, tendo ele mesmo abandonado o Cristianismo.

Pouco antes de morrer, numa campanha militar em 363, é dito que exclamou em alta voz: “venceste, ó Galileu”. Na China comunista, os cristãos foram impiedosamente perseguidos e toda obra missionária naquele país foi impedida totalmente.

Com a abertura do regime a partir de 1979, pensou-se que o Cristianismo estaria dizimado naquele país e, para surpresa de todos, o número de cristãos no período difícil do governo de Mão-Tsé-Tung (1947-1979), dobrou naquele país. Ninguém pode prevalecer contra a igreja do Senhor Jesus!

-Assim como a salvação estava prevista desde antes da fundação do mundo, de igual modo a igreja já estava estabelecida por Deus ainda antes que o mundo existisse.

A igreja foi o “…mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são coerdeiros e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” (Ef.3:4-6).

-Como afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “…A igreja envolve um mistério que não foi revelado no Antigo Testamento, mas que foi manifesto aos santos na nova aliança [Ef.5:32; Cl.1:26,27] …” (DFAD 2. ed. X, p.150).

-A igreja era o grande mistério de Cristo que só foi revelado pelo próprio Senhor quando fez a famosa “declaração de Cesareia”, quando afirmou que edificaria a Sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt.16:18).

-Parece-nos que havia como que uma senha do Pai ao Filho, para que Ele só revelasse este grande mistério quando o Pai revelasse a um homem que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo.

-Isto aconteceu em Cesareia de Filipe, que era uma cidade construída por Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, filho de Herodes, o Grande (Lc.3:1), e que era um “abrigo idólatra” na terra de Israel, pois ali havia vários templos de diversas divindades, inclusive templos em homenagem aos dois primeiros imperadores romanos, César Augusto e Tibério.

-Neste local, onde havia culto a vários deuses, o Pai revela a Pedro que o único e verdadeiro Deus havia Se humanizado e era o Senhor Jesus e, então, diante de tal revelação, Cristo revela o mistério da Igreja, este povo que se formaria por intermédio do Deus feito homem.

-A igreja, portanto, é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja.

-Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida.

-No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer.

OBS: Diante de tantos exemplos históricos, relatemos dois episódios elucidativos desta realidade. O imperador romano Juliano (331-363, imperador de 361 a 363) perseguiu impiedosamente os cristãos, depois que os cristãos já haviam sido reconhecidos por Roma, tendo ele mesmo abandonado o Cristianismo.

Pouco antes de morrer, numa campanha militar em 363, é dito que exclamou em alta voz: “venceste, ó Galileu”. Na China comunista, os cristãos foram impiedosamente perseguidos e toda obra missionária naquele país foi impedida totalmente.

Com a abertura do regime a partir de 1979, pensou-se que o Cristianismo estaria dizimado naquele país e, para surpresa de todos, o número de cristãos no período difícil do governo de Mão-Tsé-Tung (1947-1979), dobrou naquele país. Ninguém pode prevalecer contra a igreja do Senhor Jesus!

-Concebida ainda antes da fundação do mundo, como primeiro momento da congregação de tudo em Cristo Jesus (Ef.1:10), a Igreja foi revelada por Jesus na famosa “declaração de Cesareia”.

No entanto, somente teria existência própria a partir do instante em que Jesus subiu aos céus, assentando-Se à direita de Deus, visto que a igreja é “o corpo de Cristo”.

-Enquanto Jesus não ascendeu aos céus, não poderia haver uma verdadeira “igreja”, visto que Jesus ainda estava com os discípulos. A partir do instante, porém, em que ascendeu aos céus, passamos a ter a Igreja, Igreja que iniciaria a Sua missão evangelizadora a partir da descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, ato inicial da dispensação da graça e de apresentação da Igreja ao mundo.

-Assim, podemos dizer que a Igreja começa efetivamente no dia de Pentecostes, visto que a Igreja nada mais é que “…a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe.2:9) e isto só se deu a partir do dia de Pentecostes.

OBS: O fato de o início da atividade da Igreja ter se dado no dia de Pentecostes, não quer dizer que ela tenha sido inaugurada neste dia, como bem atesta o pastor Osmar José da Silva, cujo pensamento ora transcrevemos:

““…A Igreja de Jesus Cristo é composta de bilhões vezes bilhões de almas, uma multidão que homem algum jamais poderá calcular.

Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração, e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo, que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo:

Hebreus 2.12:’…Eis-Me aqui, e aos filhos que Deus Me deu.’ Então haverá festa nos céus, todas as hostes celestiais se alegrarão juntamente com todos os seus servos.…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.110).

-Há estudiosos que entendem que, no dia de Pentecostes, a Igreja nasceu, ou seja, veio à luz, mas que ela teria sido gerada no dia da crucifixão de Jesus, no Calvário, quando o Senhor foi traspassado por uma lança no lado, quando, então, jorrou sangue e água (Jo.19:34).

-Assim como Eva foi retirada do lado de Adão, entendem tais estudiosos que a Igreja é retirada do corpo de Cristo, pois, com este traspasse, tanto foram derramadas as últimas gotas do sangue de Jesus, o sangue que faz com que seja possível o surgimento deste novo povo de Deus (Ef.2:13,14), como se derramou água, sabendo que só quem é nascido da água e do Espírito pode entrar no reino de Deus (Jo.3:5).

OBS: Este escrito de um padre católico romano bem sintetiza este entendimento: “…O peito traspassado é o novo templo: dele jorra o Espírito e a vida, num movimento de subida e descida:

a água e o sangue que escorrem do lado do Senhor geram a vida, e a vida retorna ao lado direito do Senhor. O templo deixa de ser um lugar para ser a morada eterna em espírito e em verdade (cf. Jo 4,25b). Do lado do primeiro Adão nasceu Eva, a mãe da vida que trouxe em si o germe da morte.

Do lado aberto de Cristo, o novo Adão, nasce a Igreja, a nova Eva, mãe que gera filhos chamados à vida eterna.…” (BESEN, José Artulino. O lado aberto, manancial de água viva. Disponível em: https://pebesen.wordpress.com/2012/07/04/v-o- lado-aberto-manancial-de-agua-viva/ Acesso em 02 nov. 2023).

-Agostinho (354-430) foi um dos que deu esta interpretação, “in verbis”:

“…Por esta razão foi feita a primeira mulher do lado de Adão adormecido e o segundo Adão, inclinando a cabeça, dormiu na cruz para que fosse formada a Sua esposa e saísse de seu lado durante Seu sono.

Ó morte, que aos mortos ressuscita! O que é mais puro que este sangue? O que é mais saudável que esta ferida? … (Sobre João. In: AQUINO, Tomás de. Cátena áurea 13921. Citações de Jo.19:31-37. Jo.19:31. Disponível em: https://www.clerus.org/bibliaclerusonline/pt/index.htm Acesso em 02 nov. 2023) (tradução nossa de texto em espanhol).

-Esta geração se completa com a ressurreição de Cristo, quando, então, os discípulos recebem o Espírito Santo, na tarde do domingo da ressurreição (Jo.20:22), recebendo, pois, o selo que é decorrência da fé em Jesus, da entrada na graça (Jo.7:38,39; Ef.1:13; Rm.5:1,2).

-Assim como na formação do homem (Gn.2:7), a Igreja primeiro exsurge como um corpo inerte, no dia da crucifixão e recebe o sopro de vida na tarde do domingo da ressurreição.

-A partir de então, temos como que a “gestação” da Igreja e, por conseguinte, da igreja local em Jerusalém, pois Jerusalém era o lugar escolhido por Jesus para o nascimento de Seu povo, de Seu rebanho.

-Esta “gestação”, segundo Lucas, deu-se mediante uma nutrição, pois Jesus, durante os quarenta dias em que esteve sobre a face da Terra após a ressurreição, deu mandamentos aos discípulos, bem como a eles Se apresentou vivo (At.1:2).

-Jesus repisou o que havia ensinado aos discípulos e Se fez presente entre eles, preparando-os para o que lhes estava destinado a fazer, que era dar prosseguimento à Sua obra salvífica, porquanto, no instante em que receberam o Espírito Santo, foram enviados por Ele como o Pai O enviara (Jo.20:21).

-Jesus falou com os Seus discípulos a respeito do Reino de Deus (At.1:3), ou seja, o tema a ser tratado pela igreja local, o que deve ela buscar é o Reino de Deus, que é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17).

-Ao longo da história da Igreja, temos visto quantas igrejas locais têm se perdido, têm morrido precisamente porque trocaram o Reino de Deus pelas coisas desta vida, a Sua missão por outras tarefas, como o poder temporal, a filantropia como prioridade e tantas outras coisas similares.

-Não há como surgir uma igreja local genuína sem que se tenha a observância da doutrina de Cristo nem tampouco a presença de Jesus, bem como que se deixe a temática do Reino de Deus como prioridade.

-Antes de subir aos céus, o Senhor mandou que os Seus discípulos ficassem em Jerusalém para que recebessem o batismo no Espírito Santo, o que, inclusive, havia sido dito por João Batista como sendo uma obra a ser realizada pelo Cristo (At.1:4,5).

-O batismo no Espírito Santo era o alvo a ser alcançado. Era através dele que os discípulos seriam revestidos de poder e se tornariam testemunhas de Jesus em Jerusalém, Judeia e Samaria e até aos confins da terra (At.1:8).

-A Igreja era distinguida de Israel. Os discípulos aguardavam a restauração do reino a Israel, ou seja, o estabelecimento do reino messiânico predito pelos profetas, a libertação de Israel como nação e como potência mundial.

-No entanto, o Senhor Jesus mostrava aos discípulos que não era para isto que haviam sido salvos. Não se tratava de restabelecimento do reino a Israel mas, sim, de salvação da humanidade, do início de um novo tempo, o tempo do Espírito Santo, o tempo deste novo povo de Deus, a Igreja.

-Não cabia aos discípulos perquirir a respeito da restauração do reino a Israel (At.1:6,7), mas, sim, pregar o Evangelho a toda criatura (Mc.16:15).

A Igreja deveria ir a todo o mundo (Mc.16:15), ensinar as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, bem como a guardar todas as coisas que Jesus havia mandado (Mt.28:19,20) e em Seu nome pregar o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém (Lc.24:47).

-Enquanto dizia isto, Jesus Cristo ascende aos céus e é oculto por uma nuvem. Os discípulos ficam com os olhos fitos no céu, aguardando ver Jesus novamente, mas são, então, chamados por dois anjos, que dizem que Jesus já havia sido recebido nos céus e que haveria de vir assim como para o céu tinha sido visto ir (At.1:9- 11).

-A Igreja, então, é ensinada que deveria se revestir de poder para realizar a obra que lhe fora confiada por seu Senhor e que deveria permanecer nesta tarefa até o dia em que, novamente, Jesus Se faria visto por eles nas nuvens: cumprir os mandamentos de Cristo, a começar pelo de pregar o Evangelho a toda criatura e ensinar os discípulos a doutrina; revestir-se de poder e ser testemunha do Senhor até aos confins da terra, falando aos homens a respeito do Reino de Deus.

-Incontinenti, os discípulos voltaram para Jerusalém, para o cenáculo onde estavam desde o dia em que o Senhor com eles Se reunira para celebrar a páscoa e instituir a ceia, passando a perseverar unanimemente em oração e súplicas, não só os onze apóstolos, mas também as mulheres e demais discípulos, inclusive os recém- convertidos da família biológica de Jesus (At.1:14).

-A igreja local, já sem a presença física de Jesus, foi se reunir para que continuassem a desfrutar a presença de Jesus, pois Ele está no meio daqueles que se reúnem em Seu nome, a partir de dois ou três (Mt.18:20) (e eram mais de quinhentos os que haviam visto Jesus subir aos céus – I Co.15:6).

-Já no seu limiar, ainda antes do seu nascimento, a igreja em Jerusalém nos ensina que é preciso cumprirmos os mandamentos de Jesus e buscarmos a Sua presença e isto se dá quando nos reunimos em Seu nome e perseveramos em oração.

-Esta é a realidade da igreja que nasce no Pentecostes. O missionário Theodore Richard Stohr (1915-2000), o autor do primeiro esboço de um Cremos das Assembleias de Deus, num artigo publicado em 1938, no jornal Mensageiro da Paz, ao dizer quem são os pentecostais, assim termina seu escrito:

“…Tal despertamento nasceu em oração e vive, deste modo, até hoje. É na atmosfera da oração que temos respirado o puro ar celestial, que nos revigora e nos conduz como Igreja missionária, triunfante!” (apud GERMANO, Altair. A origem do “Cremos” das Assembleias de Deus no Brasil. 11 out. 2011. Disponível em: http://www.altairgermano.net/2011/10/origem-do-cremos-das-assembleias-de.html Acesso em 27 dez. 2016).

-Uma vez reunidos e em oração, a igreja em Jerusalém já viveu dois problemas: por primeiro, a falta de perseverança de alguns, porquanto, se eram mais de quinhentos os que viram Jesus subir, somente quase cento e vinte perseveraram até o revestimento de poder, ocorrido dez dias depois (At.1:15) e, por segundo, a necessidade de substituição de Judas Iscariotes, o apóstolo que perdera sua posição em virtude da traição (At.1:16-26).

-Muitos discutem se havia, mesmo, a necessidade de tal substituição e se teve ela, mesmo, a aprovação divina, mas o fato é que estavam eles em oração, já tinham, desde o domingo da ressurreição, o Espírito Santo e, antes de lançarem sortes sobre os dois candidatos que se apresentaram, oraram.

III – O NASCIMENTO DA IGREJA EM JERUSALÉM NO PENTECOSTES

-Estavam os discípulos a orar há dez dias, cumprindo a ordem de Jesus, aguardando o revestimento de poder prometido.
-Cumprindo-se o dia de Pentecostes, pois se estava no quinquagésimo dia após a Páscoa, quando Jesus havia sido morto, então, ocorre o derramamento do Espírito Santo, o revestimento de poder, vindo à luz este novo povo que se revela, assim, em meio a todas as nações, como a Igreja de Cristo, a Igreja de Deus e isto se dá em Jerusalém, que, por isso, passa a ser a primeira igreja local.

-O título adotado para o livro que registra este nascimento da Igreja e da igreja em Jerusalém, “Atos dos Apóstolos”, tem sua razão de ser histórica, mas não seria demasiado dizer que, na verdade, o livro de Atos bem poderia ser chamado de “Atos do Espírito Santo”, visto que Lucas, em toda a sua narrativa, faz questão de mostrar que a Igreja age sob a direção do Espírito Santo.

-“…O Espírito Santo é mencionado mais de cinquenta vezes neste livro, particularmente em relação ao batismo com o Espírito Santo, a ser cheio do Espírito Santo e a ser guiado pelo Espírito Santo.…” (BÍBLIA DE ESTUDO SCOFIELD, p.992).

“…Quanto ao lado teológico, o tema dominante do livro de Atos é a atividade do Espírito Santo…” (BRUCE, F.F. Atos, Livro de. In: DOUGLAS, J.D. (org,). O novo dicionário da Bíblia. Trad. de João Bentes. v.1, p.169)

-Lucas começa o seu livro mostrando que, sem o Pentecoste, não poderia a Igreja cumprir a sua missão sobre a face da Terra. Era indispensável o revestimento de poder para que os discípulos pudessem ser testemunhas de Cristo em todos os cantos da Terra.

-A igreja, neste sentido, tem de ser “pentecostal”. Não é possível, é inimaginável que a Igreja atue a contento sem que o Espírito Santo a revista de poder e, por consequência, dirija a sua ação.

-Não é por acaso, aliás, que esta primeira lição esteja a enfatizar que a igreja em Jerusalém nasceu no Pentecoste.

-Nos dias em que vivemos, esta condição “sine qua non” apresentada por Lucas logo no início de seu livro histórico sobre a Igreja tem sido perigosamente desprezada, inclusive pelos que se dizem “pentecostais”.

-Já não se considera necessário o batismo com o Espírito Santo, o revestimento de poder como um pré- requisito para a evangelização, muito menos para o exercício do ministério.

Já há Assembleias de Deus que separam ministros e oficiais sem que se preencha este requisito, contrariando a própria determinação do Senhor Jesus, pois foi quem disse que era necessário ficar em Jerusalém até do que alto houvesse o revestimento de poder (At.1:4,5).

-Também, com muita clareza, Lucas nos mostra, já no limiar de seu livro, que esta experiência era distinta da conversão, pois Jesus estava a falar com os apóstolos, ou seja, com aqueles que havia escolhido para fazer a Sua obra e, como sabemos, sobre os quais já repousara o Espírito Santo, neles soprado pelo próprio Senhor em uma de Suas aparições (Jo.20:22).

-Sem o poder do Espírito Santo, não se poderia partir de Jerusalém e se atingir os confins da Terra. Esta mesma realidade persiste ainda hoje e não podemos nos desviar daquilo que nos diz a Palavra de Deus.

-Somente o Espírito Santo poderia conduzir a Igreja depois da partida do Senhor Jesus e, por isso, não poderiam eles sair e iniciar a pregação do Evangelho sem que fossem devidamente revestidos de poder, sem que o Espírito Santo viesse para iniciar o Seu ministério sobre a face da Terra.

-Por que, então, nos dias hodiernos, muitos não esperam pela direção, orientação e chegada do Espírito Santo para executar a obra de Deus? Por que, em nossos dias, os homens dominam e não dão lugar à ação do Espírito Santo? Pensemos nisto!

-Durante todo o livro de Atos, o Espírito Santo é apresentado como sendo o diretor, o orientador, Aquele que dava as condições de tempo, espaço e modo para a pregação e expansão do Evangelho.

-Jesus foi claríssimo ao dizer que sem Ele nada pode ser feito (Jo.15:5 “in fine”) e que Ele voltaria para nós,
não nos deixando órfãos, enviando o Espírito Santo (Jo.16,18,26).

-O Vigário de Cristo não é o Papa, como afirmam os romanistas, mas, sim, o Espírito Santo. Deste modo, como se pode pretender ter uma Igreja sem que o Espírito Santo assuma o Seu devido lugar?

-Quando Lucas nos fala, por cinquenta vezes, a respeito do Espírito Santo em seu livro, não podemos deixar de observar que Atos é o segundo volume de sua obra. No primeiro volume, que é o Evangelho, o Espírito Santo aparece por dezesseis vezes, a saber: Lc.1:15, 35, 41, 67; 2:25-27; 3:16,22; 4:1,14,18; 10:21; 11:13;
12:10,12.

-As primeiras menções ao Espírito Santo dizem respeito às pessoas que foram cheias pelo Espírito para profetizar, a saber, João Batista e seus pais (Isabel e Zacarias), como também Simeão (Lc.1:15,41,67; 2:25- 27). Em tais profecias e manifestações, tem-se a confirmação de que tanto os ministérios de João quanto de Jesus seriam diretamente orientados pelo Espírito Santo.

-Também foi dito que o Espírito Santo é quem haveria de gerar Jesus no ventre de Maria, a indicar que a própria encarnação do Cristo seria obra do Espírito Santo, como, de resto, toda a continuidade de Seu ministério (Lc.1:35).

-Lucas faz questão, também, no Evangelho, de ressaltar que João Batista havia profetizado a respeito do batismo com o Espírito Santo (Lc.3:16), profecia que o Cristo ressurreto relembra antes de subir aos céus no livro de Atos (At.1:4,5), como também faz questão de mostrar que Jesus, também, antes do início de Seu ministério, foi ungido pelo Espírito Santo (Lc.3:22), tendo tanto ido ao deserto por direção do Espírito como, após a tentação, iniciado a sua pregação na Galileia (Lc.4:1,14).

-Durante a narrativa do ministério terreno de Cristo, por fim, Lucas volta a mencionar o Espírito Santo por cinco vezes. Quando retornou a Nazaré, Ele próprio, na sinagoga do lugar onde fora criado, afirmou que havia sido ungido pelo Espírito Santo (Lc.4:18).

-Registra uma alegria de Jesus, no Espírito Santo, após o retorno dos setenta discípulos (Lc.10:21), como também, três ensinos de Jesus mostrando que o Espírito Santo seria dado pelo Pai aos que lh’O pedissem (Lc.11:13), que a blasfêmia contra o Espírito Santo não teria perdão (Lc.12:10) e, por fim, que, no momento em que os discípulos fossem levados à presença de autoridades, o Espírito Santo lhes ministraria o que haveriam de falar (Lc.12:12).

-Já no Evangelho, portanto, Lucas mostrava que o Espírito Santo era indispensável para a realização da obra de Deus, muito particularmente para a execução de tudo quanto Cristo haveria de fazer e ensinar.

-Desta forma, Lucas como que mostra, em Atos, o cumprimento de tudo quanto fora anunciado e mostrado quanto ao papel do Espírito Santo no ministério terreno de Jesus reproduzindo-se no “corpo de Cristo”, na Igreja edificada pelo Senhor e que prossegue a Sua obra salvífica.

-Estavam todos reunidos no mesmo lugar. A igreja local é uma reunião de pessoas, reunião que se faz segundo a vontade de Jesus, no lugar determinado pelo Senhor.

-Muitos, na atualidade, reúnem-se sem se preocupar se o Senhor quer que eles ali estejam. No mais das vezes, reúnem-se onde querem, segundo a sua vontade e não a de Jesus. Nestas circunstâncias, não há de se formar uma verdadeira igreja local, não há como se ter senão uma mera organização humana. Tomemos cuidado, amados irmãos!

-Havia uma reunião, ou seja, havia uma interação entre as pessoas, havia um compartilhamento de vidas, uma comunhão, o que, também, atualmente, não se verifica em muitos lugares, onde há apenas uma multidão, sem qualquer interação entre as pessoas, um mero ajuntamento que não faz a suposta igreja local diferir de qualquer outro ajuntamento como um grupo de torcedores num estádio ou os assistentes num espetáculo, ou, ainda, os assistentes de uma transmissão ao vivo numa rede social.

-Como estavam a cumprir o mandamento do Senhor, a buscar a Sua presença, de repente, um som como de um vento veemente encheu toda a casa em que estavam assentados e passaram eles a ver línguas repartidas como de fogo, que pousaram sobre cada um deles e todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santos lhes concedia que falassem (At.2:1-4).

-A perseverança na oração e a obediência à ordem de Jesus permitiu que, no tempo querido pelo Senhor, se cumprisse a promessa do revestimento de poder e eles puderam ter a visão de coisas celestiais que permitiu que eles discernissem o que estava a acontecer, ou seja, o revestimento de poder, o batismo no Espírito Santo era sinalizado pelo falar em outras línguas, era a completa submissão do discípulo ao domínio do Espírito Santo, com o controle por parte d’Ele da língua e da linguagem, aquela o mais rebelde dos órgãos do corpo humano (Tg.3:5-10), esta a própria expressão da nossa razão, que nos faz dominadores sobre a criação terrena (Gn.2:19,20).

-A manifestação do poder de Deus atraiu uma multidão e, diante desta multidão, no meio dos quais já havia quem estava a zombar dos discípulos, Pedro, então, começa a cumprir o propósito de tudo aquilo, que era o de fazê-los testemunhas de Cristo, a começar por Jerusalém.

-O batismo no Espírito Santo era uma necessidade para que a igreja pudesse pregar o Evangelho e Pedro, então, cumpre este propósito, prega o Evangelho e quase três mil almas são salvas naquele dia (At.2:14-41).

-De imediato, cumprindo a ordenança do Senhor, são aquelas pessoas, todas elas judias e que já conheciam as Escrituras, tendo crido que Jesus era o Cristo nelas prometido, batizadas nas águas.

– A igreja local em Jerusalém nascia, debaixo do vento e do fogo do Espírito Santo, depois de uma jornada intensa de oração, em obediência ao Senhor e aqueles quase cento e vinte crentes de tornavam mais de três mil num só dia, iniciando uma jornada que somente terminará no dia do arrebatamento da Igreja, quando, então, todos irão para a Nova Jerusalém. Aleluia!

 Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11559-licao-1-a-igreja-que-nasceu-no-pentecostes-i

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