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LIÇÃO Nº 10 – A EXPANSÃO DA IGREJA

INTRODUÇÃO

-Na sequência do estudo sobre a igreja em Jerusalém, estudaremos a expansão do Evangelho ocorrida após a dispersão por causa da perseguição liderada por Saulo.
-A igreja em Jerusalém começou a pregar o Evangelho na Judeia e Samaria.

I – O EVANGELHO CHEGA A SAMARIA

-Na lição 7, vimos que a perseguição da Igreja teve uma consequência: a propagação do Evangelho a
Judeia e Samaria, consoante o desígnio já revelado pelo Senhor Jesus pouco antes de Sua ascensão (At.1:8), mas, até então, passados alguns anos já, cerca de seis, ainda não cumprido pelos discípulos, que insistiram em ficar em Jerusalém.


-Diante da perseguição, duas foram as reações: a primeira, de lamentação e inércia, representada tanto pelos varões piedosos que foram enterrar Estêvão como por todos aqueles que, diante da adversidade surgida, resolveram se refugiar em suas casas, cessando, assim, de divulgar a Palavra por Jerusalém, como costumavam fazer até então (At.8:2,3).

-A reação de inércia e introversão diante da perseguição é perfeitamente compreensível do ponto-de-vista natural, visto que o instinto de autopreservação é inerente à própria natureza humana.

-Todos nós, diante do perigo, nos retraímos, a fim de manter a nossa sobrevivência. No campo espiritual, porém, não é a atitude que se deve ter, visto que, como novas criaturas, não podemos amar a nós mesmos mais do que a Cristo Jesus.

-O próprio Senhor Jesus disse que quem quiser ganhar a sua vida, perdê-la-á, mas quem a tiver por perdida
por amor d’Ele, ganhará (Mt.10:39; Mc.8:35; Lc.17:33; Jo.12:25).

-Os que ficaram atônitos e resolveram apenas prantear a morte de Estêvão, como também os que se refugiaram em seus lares, querendo, com isso, escapar da perseguição, não foram bem sucedidos.

O texto sagrado diz-nos que foram precisamente estes os que foram alcançados pelo terrível e cruel Saulo, que assolava as casas, arrastando homens e mulheres e os encerrando na prisão (At.8:3).

-Faz-nos lembrar o que ocorreu com o profeta Urias, filho de Semaías, de Quiriate-Jearim, contemporâneo de Jeremias que, tendo sido chamado pelo Senhor para igualmente contradizer a apostasia em que viviam os judaítas, ao contrário de Jeremias, resolveu fugir para o Egito, abandonando a sua tarefa, com o propósito de sobreviver à fúria do rei e das autoridades.

-Ao contrário de Jeremias que, apesar de todo o sofrimento, foi mantido em vida pelo Senhor e não só cumpriu seu ministério durante quarenta anos até a destruição de Jerusalém e do templo, sendo poupado e continuado a profetizar depois destas calamidades, Urias foi como sequestrado no Egito, levado a Jerusalém, onde foi morto por ordem do rei Jeoaquim (Jr.26:20-23). Quis ganhar a sua vida e a perdeu.

-Os que queria preservar a sua vida e liberdade eram, precisamente, aqueles que eram alcançados pelo perseguidor, precisamente porque o Senhor não queria que eles assim procedessem mas que, diante da perseguição, lembrassem daquilo que lhes havia sido proposto, que era a evangelização da Judeia, Samaria e até os confins da terra.

-Quando não seguimos a direção determinada pelo Senhor, pomos em risco a nossa integridade física e a de nossa família, como também a nossa própria salvação.

-Para que não tenhamos perigo de nos perder, temos de amar a Cristo e quem O ama, guarda os Seus mandamentos (Jo.14:21).

-Os que se acovardam, que se deixam levar pela timidez diante da perseguição, que, em nossos dias, é cada vez maior, estão correndo grande perigo, já que os tímidos (ou covardes, em algumas versões) ficarão do lado de fora da cidade santa (Ap.21:8). Tomemos cuidado, irmãos!

-Mas houve aqueles que tiveram outra reação diante da perseguição: dispersaram-se, saindo de Jerusalém e, por onde passavam, anunciavam a Palavra (At.8:4).

-Estes, ao contrário dos primeiros, resolveram atender ao “ide” de Jesus e, apesar das muitas dificuldades, visto que estavam a deixar seus lares e uma vida comunitária que lhes permitia uma dedicação integral ao Senhor, passaram a anunciar o Evangelho, dizendo que Jesus era o Messias prometido, Aquele que viera redimir a humanidade.

-Estes salvos anônimos, sem a direção dos seus líderes (pois os apóstolos ficaram em Jerusalém – At.8:1), mostram, claramente, que, na dispensação da graça, na dispensação do Espírito Santo, o sacerdócio é universal, ou seja, todos os salvos são sacerdotes e têm o dever de ser testemunhas de Cristo Jesus.

-Isto não significa que todos são pregadores, no sentido de terem eloquência, mas, sim, que todos devem ser provas de que Jesus transforma o homem e concede a vida eterna.

-Ao se dedicarem ao anúncio da Palavra enquanto eram obrigados a deixar Jerusalém praticamente com a roupa do corpo, estes crentes anônimos mostravam que a prioridade de suas vidas era a obra de Deus.

-À evidência que, diante da destruição daquela vida comunitária que mantinham em Jerusalém, tais pessoas tiveram de voltar a ter atividades seculares para sua própria sobrevivência, sem falar que, nos locais para onde iam, certamente passaram a ser vistos com, no mínimo, suspeita, já que, até pelo anúncio da Palavra, eram facilmente identificados como integrantes da “seita dos nazarenos”.

-No entanto, o mais importante para eles era serem “testemunhas de Cristo”.

-Temos esta mesma consciência? Buscamos primeiro o reino de Deus e a sua justiça, reino de Deus que não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17), ou, quando muito, dedicamos alguns instantes, durante um dia da semana, para Deus?

-Os judeus guardam o sábado para o Senhor, mas o salvo tem como “descanso” (e “sábado” em hebraico é “Shabat”- ַשָּבת – que significa precisamente “descanso”), ou seja, como dia dedicado ao Senhor, o dia chamado “hoje” (Hb.4:7), i.e., a todo momento, a todo instante temos de ter a Deus como prioridade de nossas vidas.

-Aqueles discípulos mostravam que, a exemplo de Jesus, “a sua comida era fazer a vontade d’Aquele que os enviara e realizar a Sua obra” (Cf. Jo.4:34), lembrando que, no cenáculo, Cristo, no dia mesmo de Sua ressurreição, havia enviado Seus servos assim como o Pai O enviara (Jo.20:21).

-A nova vida em Cristo (e foi neste dia que os discípulos receberam o Espírito Santo – Jo.20:22 — já que Jesus havia sido glorificado — Jo.7:38,39) é caracterizada pela consciência de que estamos na Terra para anunciar a salvação na pessoa de Jesus. É para isto que ainda somos mantidos na face da Terra por um tempo. Temos esta consciência?

-A novidade de vida obtida pela nossa salvação em Jesus (Rm.6:4) faz com que agora vivamos para Deus (Rm.6:10) e, como tal, temos de ser instrumentos de justiça (Rm.6:13), servindo a Deus e isto nada mais é que pregando o Evangelho, seja com nossa vida santa, separada do pecado, seja com o anúncio de Jesus Cristo.

-Os membros da igreja em Jerusalém, mesmo estando numa situação extremamente difícil, tendo de abandonar a cidade onde moravam, tornando-se alvo de potencial perseguição por parte das autoridades judaicas, tomaram a iniciativa de, aonde chegassem, pregar o Evangelho, falar de Jesus.

-Faziam-no porque sabiam que a razão de ser de suas vidas, o motivo pelo qual peregrinavam aqui na Terra era fazer a vontade de Deus e a vontade de Deus era que realizassem a Sua obra.

-Como diz o apóstolo Paulo, porque do Senhor, pelo Senhor e para o Senhor são todas as coisas (Rm.11:36) e, entre todas estas coisas, estamos nós, os Seus discípulos, os Seus irmãos por adoção.

-Estamos aqui na Terra, caminhando para o céu, porque Ele nos amou e morreu em nosso lugar; por Sua intercessão e companhia, que nos mantém livres do pecado e em condições de fazermos a Sua vontade e para cumprirmos esta vontade, pregando o Evangelho aos incrédulos e ensinando a Sua Palavra aos crentes.

-Este é o sentido da vida e não é surpresa, pois, que, ultimamente, tenhamos visto muitos sedizentes cristãos sofrerem dos mesmos males que estão a assolar os incrédulos, como a depressão, a ansiedade, demonstrações da falta do sentido da vida.

-Como afirma o neropsiquiatra austríaco Victor Frankl (1905-1997), o sentido da vida é fundamental para a vida e a dignidade humana e o homem, sabemos, somente encontra este sentido quando cumpre o propósito divino de ser imagem e semelhança de Deus, o que se obtém quando alcança a salvação em Cristo Jesus e, enquanto salvo, membro em particular do corpo de Cristo, sabe que sua existência nesta Terra só tem razão de ser quando passa a realizar a obra de Deus, que é levar a mensagem salvífica a todos os homens.

-Hoje em dia, são pouquíssimos os sedizentes cristãos que seguem esta atitude dos membros da igreja em Jerusalém. Tanto assim é que, nas igrejas locais, há um departamento de evangelismo, como se apenas uma parte dos crentes fosse incumbida de anunciar o Evangelho.

-Como afirma o presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), pastor José Wellington Bezerra da Costa: “…Com o crescimento da igreja, até certo ponto inesperado, houve também um volume considerável de atividades administrativas que, em regra geral, consomem a maior parte do tempo do pastor.

Com isso, a administração dos números assumiu posição de prioridade, enquanto a evangelização passou a ser tarefa de um grupo isolado da igreja local, geralmente chamado de ‘Departamento de Evangelismo’. Esse “departamento’ é que planeja e executa o evangelismo nos fins de semana, uma vez no mês e, pasmem, algumas igrejas só tratam desse assunto durante os congressos da mocidade, anualmente (!).

O que deveria ser tarefa diária de todos os crentes, sob a liderança do pastor, passou a ser feita periodicamente, por uns poucos.

Evidentemente, trata-se de exceções que, todavia, tendem a crescer.…” (COSTA, José Wellington Bezerra da. Como ter um ministério bem-sucedido. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp.181-2). E, o que foi chamado de exceção, virou regra…

-Entre estes crentes anônimos que saíram de Jerusalém, Lucas destaca o diácono Filipe que foi para Samaria (At.8:5).

-A ida de Filipe para Samaria é realmente digna de nota, pois sabido o ambiente cultural adverso que havia entre judeus e samaritanos (Jo.4:9).

-No entanto, Filipe, ele próprio, pelo que se deduz de seu nome, um judeu grego, vindo da diáspora (e, portanto, sabedor dos males advindos do preconceito étnico-racial), pôde entender, pelo Espírito Santo, que os samaritanos também se encontravam entre os que deveriam ser atingidos, mencionados que tinham sido expressamente pelo Senhor Jesus (At.1:8).

-O texto bíblico é sucinto, mas não devemos desconsiderar as imensas dificuldades que Filipe teve para pregar o Evangelho em Samaria.

-A barreira cultural era grande, mas o diácono não se deixou esmorecer. Como varão cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At.6:3), pôde, a exemplo do que fizera o Senhor Jesus em Seu colóquio com aquela mulher samaritana à beira do poço de Jacó (Jo.4:1-42), fazer com que as multidões unanimemente lhe prestassem atenção e recebessem a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador.

-Filipe pregava-lhes a Cristo (At.8:5). Este é o verdadeiro e genuíno anúncio da Palavra.
-Temos de falar de Jesus, mostrar Jesus, anunciar Jesus. Muitos, na atualidade, a pretexto de pregarem o Evangelho, estão a contar fábulas, inventar histórias, criar emoções e fantasias a fim de ter em volta de si multidões.

-Há, mesmo, na atualidade, uma tendência intensificada para auditórios de fábulas. Vivemos os últimos dias da Igreja na face da Terra e já chegou o tempo em que muitos não sofrem a sã doutrina, mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoam para si doutores conforme as suas próprias concupiscências, desviam seus ouvidos da verdade, voltando às fábulas (II Tm.4:3,4).

-No entanto, Filipe nos ensina que anunciar a Palavra é pregar a Cristo e, como diria Paulo posteriormente, e Cristo crucificado (I Co.2:2).

-Para acolhermos o modelo bíblico de igreja, a igreja em Jerusalém, uma igreja pentecostal, temos de pregar a Cristo para as multidões, deixando de lado tudo quanto não se refere ao Senhor Jesus.

-Voltemos aos primórdios, pois é quando se prega a Cristo que despertamos a atenção das multidões, que carecem de fome e sede da Palavra de Deus (Am.8:11,12).

OBS: “…Não tenhamos dúvida de que um sermão substancioso só pode ser entregue após o pregador entrar pelo caminho da oração, do estudo da Palavra de Deus e, nesta condição, subir ao púlpito debaixo da unção do Espírito Santo e obedecer então à ordem do Senhor Jesus: Mt.14.16b.

Aí Jesus não disse: fazei um arranjo, convencei o Meu povo com palavras bonitas, justifique a falta de alimento; aliás, como sugeriram alguns dos Seus discípulos. Não! Não foram essas evasivas apresentadas.

Jesus sentiu que a necessidade do povo era alimento espiritual, por isso a Sua ordem foi imperativa: ‘Dai-lhes vós de comer’. E a necessidade das multidões dos nossos dias não é diferente.

As almas estão famintas, e o lugar onde se encontra a pobre humanidade é deserto, e ‘a hora é já avançada’, mas o pregador que tem visão de Deus vê o terrível problema que tanto aflige este mundo sem Deus e, indo aos pés de Cristo buscar a solução, o Senhor lhe repete as mesmas palavras:

‘Dai-lhe vós de comer”, e a santa Palavra que Ele nos confiou é pão que sacia a alma. Então, o pregador deve conscientizar-se de que só quando ele prega a Palavra da vida está realmente entregando um sermão substancioso, capaz de satisfazer o anelo da alma faminta.…” (SANTANA, Rodrigo Silva. Noções de homilética. 3.ed., pp.46-7)

-Filipe pregava a Cristo e a Palavra era confirmada com sinais e maravilhas. Jesus salva e cura. Assim, não só pregava a Palavra, como também fazia sinais, o que aumentava, ainda mais, a atenção das multidões (At.8:6).

-Temos de pregar a Palavra e a Palavra precisa ser confirmada com sinais e maravilhas (Mc.16:20).

-Em nossos dias, as Assembleias de Deus estão bem aquém daquilo que as caracterizou no início de sua história no Brasil. Logo que chegaram ao nosso país, Daniel Berg e Gunnar Vingren pregavam que Jesus salvava e curava.

-A propósito, a primeira brasileira a ser batizada com o Espírito Santo, a irmã Celina Martins Albuquerque (1874-1969), antes de ser revestida de poder, foi curada de um câncer que lhe começava a tomar o rosto. Precisamos voltar a crer que Jesus salva e cura!

OBS: “…Os sinais iam seguindo os que criam. O Senhor curou uma paralítica, que imediatamente deixou as muletas. (Ela as prendeu na parede de sua sala para que, mudas, eloquentes, a todos falassem do milagre.) Várias outras provas da operação divina foram testemunhadas pelos crentes.

Mas o mais impressionante aconteceu com a irmã Celina Alburquerque: Jesus a libertou totalmente do câncer que se enraizava em seu rosto! Naquela mesma semana, ela estava a orar de madrugada, quando foi batizada no espírito Santo.…” (A história das Assembleias de Deus no Brasil. Os primórdios. Disponível em: http://www.assembleiadedeusdf.com.br/nossahistoria/osprimordios.htm Acesso em 20 jan. 2011).

-O surgimento da “segunda onda pentecostal”, que inverteu a pregação do Evangelho, dando proeminência aos sinais e não à salvação e, assim, acabou por dar guarida à falsa “teologia da confissão positiva”, que foi a porta de entrada da chamada “terceira onda pentecostal”, caracterizada pela acolhida da igualmente falsa “teologia da prosperidade”, não deixa de ser resultado de uma diminuição da ênfase, por parte do chamado “pentecostalismo clássico” (ou “primeira onda pentecostal”), a que pertencem as Assembleias de Deus, aos sinais e maravilhas como atração indispensável na pregação do Evangelho.

-Atualmente, não faltam os críticos de tais posturas, que, evidentemente, devem ser confrontadas, porquanto são distorções da sã doutrina. No entanto, não basta dizermos que devemos priorizar a salvação, a vida eterna, que o Evangelho nos leva a buscar “as coisas de cima” e não as “coisas terrenas” (Cf. Cl.3:1-3).

-É necessário que também observamos a Bíblia Sagrada e, deste modo, a exemplo dos crentes da igreja em Jerusalém, não só preguemos a Cristo, mas também realizemos sinais, prodígios e maravilhas, que são o chamariz para a mensagem da palavra da cruz, da palavra da verdade.

-Os apóstolos dedicavam-se à oração e ao ministério da palavra (At.6:2,4) e o resultado disto é que, realizando muitos sinais e prodígios entre o povo (Atr.5:12), não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo no templo e nas casas (At.5:42).

-Como afirma o saudoso ex-consultor doutrinário e teológico da CPAD, pastor Claudionor Corrêa de Andrade (1955-2025): “…No ato de orar, teologizamos Aquele que nos responde cada uma das preces e colhe-nos todas as lágrimas conforme o salmista reconhece em seu abatido e humilhado clamor (…)

Oferecemos, pois, a teologia mais alta, sublime e bela, nossa oração sincera, fonte da própria teologia, o amoroso Deus, depreende-se desde já que a oração é o primeiro dever do ministro do Santo Evangelho…” (Youtube. Os 18 Desafios Finais das Assembleias de Deus no Brasil. EETAD. 13 maio 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ucgwhAN5pj0 13min-14min).

-Como resultado da pregação de Filipe, os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham e muitos paralíticos e coxos eram curados, gerando, como consequência, grande alegria naquela cidade (At.8:6-8).

-Jesus é o mesmo e devemos prosseguir esta obra, pregando que Jesus salva e cura, mas uma pregação com fé, pois os sinais só seguem aos que creem (Mc.16:17,18).

-A pregação de Filipe foi tão eficaz que até mesmo Simão, conhecido mágico de Samaria e cuja fama o levara a uma posição de influência na sociedade samaritana, também se converteu, ficando atônito com o que Jesus fazia por intermédio de Filipe (At.8:9-13).

-A repercussão da obra de Filipe não demorou chegar a Jerusalém, quando, então, os apóstolos enviaram para lá Pedro e João que, ao chegarem, ao notarem que os samaritanos não tinham sido revestidos de poder, oraram por eles neste sentido, com imposição de mãos, tendo, então Jesus batizado os samaritanos convertidos com o Espírito Santo (At.8:14-17).

-Notemos que o gesto dos apóstolos mostra que a pregação do Evangelho não pode se limitar apenas a que Jesus salva e cura, mas também que Jesus batiza com o Espírito Santo.

-Os apóstolos, ao ficarem cientes de que os samaritanos haviam sido batizados apenas nas águas, logo trataram de levar os crentes de Samaria à busca do Espírito Santo e isto apesar de serem samaritanos.

-Os apóstolos, guiados pelo Espírito Santo, faziam “tabula rasa” dos preconceitos étnico-raciais, a demonstrar que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação tanto do judeu quanto do gentio (Rm.1:16).

-Só o Evangelho, levando Cristo, o único que destrói a barreira de separação existente não só entre homem e Deus mas entre os próprios homens (Ef.2:11-19), pode promover o congraçamento entre os povos e derrubar as barreiras culturais existentes entre as nações.

-Daí a certeza do poeta sacro Herbert Nordlund (1912-1949): “Quando os salvos congregados, dentre os povos e nações, virem Cristo mui amado, oh! que gozo encherá seus corações” (estribilho do hino 488 da Harpa Cristã).

-Nada mais falso, pois, do que dizer que o Evangelho promove dissensão ou separação entre povos, nações ou entre segmentos da sociedade. O Evangelho é o verdadeiro caminho para a confraternização universal, para o encontro da justiça e da paz.

-O Evangelho não levanta preconceitos nem discriminações, mas, muito pelo contrário, leva os povos a terem paz e amor entre si, pois tornam a ter paz com Deus (Rm.8:1).

-Os inimigos do Evangelho são os verdadeiros protagonistas do ódio e da opressão, não os servos de Deus. São os inimigos do Evangelho que têm “discurso de ódio” e que protagonizam a morte e o homicídio, como estão a mostrar, claramente, as estatísticas de milhões e milhões de mortos causados por revolucionários, comunistas, nazistas e tantos outros que sempre se mostram como adversários de Cristo e de Sua Palavra.

-O revestimento de poder entre os samaritanos teve efeito não somente para os samaritanos mas para os próprios apóstolos Pedro e João que, na volta a Jerusalém, pregaram a Palavra em aldeias de samaritanos (At.8:25).

-O impulso do Espírito Santo para a evangelização de Samaria era visível e mostrava que o Senhor estava, realmente, naquele negócio. Entretanto, apesar de as evidências mostrarem que as barreiras culturais estavam dissipadas, o tempo mostraria que não era bem assim.

-Nesta ocasião, é importante salientar que o referido Simão, o ex-mágico, ofereceu dinheiro aos apóstolos para que também pudesse impor as mãos e, assim, batizar com o Espírito Santo a quem as mãos fossem impostas (At.8:18).

-Pedro, ao receber esta oferta, repreendeu duramente o ex-mágico, dizendo que o dinheiro dele fosse para perdição, pois cuidara que o dom de Deus se alcançava por dinheiro (At.8:19).

-Apesar da dureza desta repreensão, trata-se de um episódio muito importante para os dias difíceis pelos quais passamos, vez que nos traz grandes lições.

-Por primeiro, vemos que o batismo com o Espírito Santo é um “dom de Deus”. Os apóstolos impuseram as mãos e os samaritanos foram revestidos de poder, mas o revestimento não era fruto de qualquer mérito ou dádiva especial conferida aos apóstolos, mas “um dom de Deus”.

Com isto, não se tinha qualquer elemento para se dizer que somente seriam batizados com o Espírito Santo aqueles que recebessem imposição de mãos de apóstolos.

-Isto é muito importante porque sepulta toda e qualquer doutrina que crie uma mediação humana para a recepção da graça de Deus, como se criou mediante a “doutrina dos sacramentos” ao longo da história da Igreja ou as recentes inovações a respeito de “novas unções”, “novas visões”.

-A graça provém de Deus (Ef.2:8), não havendo, pois, qualquer “depositário” a quem devamos recorrer para ter acesso ao Senhor. A Igreja é o veículo pelo qual a graça de Deus alcança a humanidade, pois ela é o corpo de Cristo, Cristo por quem vem a graça (Jo.1:16,17), graça que é dada a todos nós e não apenas a um grupo restrito.

-Por segundo, vemos que o “dom de Deus não se alcança por dinheiro”. O dinheiro, como dizem, move o mundo (“money makes the world go around” – Joel Grey), mas, com relação às coisas de Deus, significado algum possui. Pedro ensina-nos que não podemos servir ao Senhor fundamentados no poder econômico, que nada representa no campo espiritual.

-Pelo contrário, o amor ao dinheiro desvia-nos da fé (I Tm.6:9-11), tanto que Pedro bem mostrou que a consideração ao dinheiro conduz à perdição. Quem confia no dinheiro, não tem o coração reto diante de Deus (At.8:20-23).

-Por terceiro, notamos que não há comunhão entre Deus e Mamom (Mt.6:24). Fazer a obra de Deus pensando- se em dinheiro é “não ter parte nem sorte nesta Palavra”, característica que já o Senhor Jesus prenunciara, ao distinguir entre o pastor e o mercenário (Jo.10:11-14).

-Temos aqui um claro divisor de águas que nos permitirá conhecer, por seus frutos, muitos que se dizem “obreiros do Senhor” na atualidade. Não há como querer ter “o dom de Deus” e, simultaneamente, dele se valer para ganhar dinheiro, para se enriquecer. Discirnamos, amados irmãos!

-Quem está confiado no dinheiro e atrás dele está, diz o apóstolo Pedro, em “fel de amargura e em laço de iniquidade” (At.8:23).

-O “fel de amargura” significa privação da graça de Deus (Hb.12:15), tornando a pessoa, que está no meio dos salvos, um elemento de perturbação e de contaminação.

-Por isso, em sequência a este indevido envolvimento afetivo com o dinheiro, sempre sobrevém o sentimento faccioso e a amarga inveja (Tg.3:14-16).

-O “laço de iniquidade”, adverte-nos Paulo, leva à queda na tentação e em concupiscências nocivas e loucas, que submergem os homens em perdição e em ruína (I Tm.6:9). Quantos não têm caído por causa do amor ao dinheiro? Quantos não têm se tornado “desgraçados”. Que Deus nos guarde!

-Esta impossível comunhão entre Deus e Mamom faz com que vejamos, com absoluta clareza, como é satânica a “teologia da prosperidade” que, lamentavelmente, tem dominado muitos dos que cristãos se dizem ser, inclusive nas igrejas ditas pentecostais.

-Onde há o predomínio do “dom de Deus”, não pode haver a busca pelo dinheiro, pelas riquezas. Ao contrário de Pedro, muitos, na atualidade, estão a aceitar as ofertas dos “ex-mágicos” e a se envolverem com o “fel de amargura e o laço de iniquidade”.

Não é deste modo que o Evangelho se propaga, ensina-nos Lucas em Atos dos Apóstolos. Fiquemos com a Bíblia!

OBS: Quantos, na atualidade, não têm ido atrás de “campanhas de prosperidade”, cópias mal feitas dos arautos do evangelho da prosperidade, para “evangelizar” seus bairros, distritos e vilas? Fujamos disto, pois não é assim que atua o Espírito Santo!

-Por quarto, devemos observar que Pedro, mesmo tendo sido duro para com Simão, o mago, não fechou a porta da salvação para ele.

-Muito pelo contrário, disse que havia, ainda, oportunidade de arrependimento, dizendo-lhe que deveria orar a Deus para que, porventura, lhe fosse perdoado o pensamento do seu coração (At.8:22).

-O Evangelho é uma mensagem de salvação, não de condenação. Pedro não “excomungou” Simão, mas também não deixou de lhe falar a verdade. Esta é a postura da Igreja: pregar a salvação, mas denunciar o pecado, dizendo que sempre há oportunidade de perdão por intermédio de Cristo Jesus.

-Nos dias de hoje, porém, não são poucos os que, depois de um grande trabalho de evangelização, na primeira falha observada, são os primeiros a lançar no inferno os que se salvaram.

-Como costumava nos dizer o saudoso pastor Walter Marques de Melo (1933-2012), um querido irmão que conosco frequentava os estudos dos professores de EBD, procedem como as galinhas que “juntam com o bico mas espalham com os pés”.

-Pedro, apesar de ter duramente repreendido Simão, não o “excluiu”, mas, sem deixar de apontar o erro e o pecado (pois também não era, como muitos hoje, “cobridores de pecados”), mostrou o caminho do arrependimento e da salvação.

-Por quinto, Pedro, em seu zelo, faltou um pouco com amor com o ex-mágico Simão, talvez por se tratar de um samaritano ou um habitante dentre os samaritanos, revelando, assim, um certo resquício de judaísmo. Simão era verdadeiramente um crente (At.8:13), mas, ainda, um neófito, alguém que precisava conhecer melhor a Palavra de Deus.

-Tanto é assim que Simão, o ex-mágico, após ter sido repreendido por Pedro, aceitou a oferta de arrependimento lançada pelo apóstolo e pediu oração, a fim de que não se perdesse. Mostrou-se, pois, arrependido e humilde, disposto a pagar o preço pela sua imprudência (At.8:24).

II – FILIPE E O MORDOMO-MOR DA RAINHA DOS ETÍOPES

-Após este clímax no trabalho do Senhor em Samaria, Filipe é mandado pelo anjo do Senhor para que se levantasse e fosse para a banda do sul ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que estava deserta (At.8:26).

-Temos aqui uma clara demonstração de que a obra do Senhor é guiada e dirigida pelo Espírito Santo e que o homem que é nascido do Espírito é como o vento, não sabendo de onde vem nem para onde vai (Jo.3:8).

-Filipe teve de deixar uma igreja vigorosa como era Samaria para ir para um caminho onde não havia pessoa alguma.

-A mensagem do anjo do Senhor é clara: deveria ir para a estrada de Gaza, que, naquela ocasião, era uma cidade deserta. Como atender a um chamado desta ordem? Como deixar multidões, onde se é usado por Deus, para ir para um lugar onde não havia pessoa alguma?

-Filipe não questionou e partiu para Gaza. Temos este mesmo desprendimento, amados irmãos, em especial, obreiros? A obra do Senhor precisa ser propagada e não temos que questionar as ordens do Senhor, nem verificar as condições e as circunstâncias do local para onde o Senhor nos manda ir.

-Será que podemos tornar realidade, em nossas vidas, as palavras do pastor, teólogo e poeta sacro Robert Lowry (1826-1899), traduzido pelo pastor e missionário inglês Ernesto Wooton: “Aonde guiar-me, meu Senhor, eu seguirei por Teu amor, é Tua mão que me conduz, por mim ferida sobre a cruz”.

-Será que podemos tornar realidade, em nossas vidas, as palavras da poetisa sacra Frida Vingren (1891-1940): “Se Cristo comigo vai, eu irei, e não temerei, com gozo irei, pois comigo vai. É grato servir a Jesus, levar a cruz. Se Cristo comigo vai, eu irei” (estribilho do hino 515 da Harpa Cristã)?

-Enquanto ia no caminho para Gaza, Filipe viu aproximar-se um séquito que conduzia o mordomo-mor de Candace, a rainha dos etíopes, um eunuco que vinha de Jerusalém, onde fora adorar, prosélito que era do judaísmo.

-O Espírito Santo mandou que Filipe se aproximasse daquele homem e o evangelista assim o fez, percebendo que o eunuco lia o profeta Isaías, em voz alta, prova de que Filipe era conhecedor do hebraico.

-Esta circunstância revela-nos que Filipe, além de ser um homem de oração, era, também, um conhecedor das Escrituras, a exemplo de Estêvão, embora não se tenha notícia que disputasse com os judeus na sinagoga como fizera o seu colega diácono e que se tornara o primeiro mártir da igreja.

-É preciso tanto conhecer as Escrituras quanto o poder de Deus (Mt.22:29), máxime quando se está a falar de quem pertence ao ministério, à liderança da Igreja. Muito do que temos observado de ruim nas igrejas locais, na atualidade, é que não há nem uma coisa nem outra: os obreiros são analfabetos bíblicos e não têm qualquer vida devocional, não buscando a presença de Deus em oração, jejum, consagração e busca do batismo com o Espírito e dos dons espirituais. O resultado só pode ser a lástima que estamos a observar em nossos dias. Que o Senhor desperte os que dormem e que sejam esclarecidos por Cristo (Ef.5:14)!

-Filipe, então, perguntou-lhe se estava a entender o que lia, e o eunuco lhe respondeu como poderia entender se ninguém o ensinava, tendo, então, pedido que Filipe subisse e com ele se assentasse (At.8:27-31).

-Neste relato, uma vez mais, Lucas nos mostra que a obra do Senhor tem de ser dirigida pelo Espírito Santo e que o ponto de partida para qualquer evangelização é a Palavra de Deus.

-Filipe fora enviado até aquele eunuco, sedento da Palavra de Deus, porque havia transposto a barreira cultural, como já provara no seu trabalho em Samaria.

-Agora, estava a evangelizar um prosélito, é bem verdade, mas que vinha da África, da Etiópia, uma única e isolada pessoa, como fizera Jesus em Samaria, mas que daria início a um povo cristão que, em pleno século XXI, ainda resiste no norte da África, apesar de toda islamização da região, a chamada Igreja Copta.

-Filipe, como fizera com a multidão, agora prega a Cristo ao eunuco. Não devemos apenas falar às multidões, mas, também, a indivíduos.

-A evangelização é tanto coletiva quanto individual. O que não podemos deixar de fazer, e o estamos deixando infelizmente, é de anunciar a Cristo Jesus. Começando no texto que o eunuco lia do profeta Isaías, Filipe anunciou a Jesus (At.8:32-35).

-Filipe foi tão incisivo e poderoso em suas palavras que o eunuco, assim que encontrou uma quantidade de água (que não era corrente, pois na região onde estavam não há rios, prova de que não existe esta obrigatoriedade de se batizar em água corrente), pediu para ser batizado e Filipe assentiu, desde que ele houvesse recebido a Palavra.

-Após o batismo, Filipe foi arrebatado e o eunuco seguiu o seu caminho, pronto para dar início a uma das mais antigas tradições do povo de Deus no norte da África.

-Entre a Judeia e a Samaria, Jesus punha um alto funcionário africano para que o Evangelho fosse para lá.

-Era a propagação da Palavra de Deus, feita por direção do Espírito Santo e com a obediência dos que ouviam a Sua voz. É deste modo que o Evangelho tem atingido, geração após geração, os confins da Terra. Estamos dispostos a ser Filipes nestes últimos tempos da dispensação da graça?

– Filipe achou-se em Azoto, cidade da Judeia, tendo, a partir de então, passado a anunciar o Evangelho em todas as cidades, até chegar a Cesareia, onde fixou residência e onde o Evangelho chegaria aos gentios completamente desligados de Israel… (At.8:40).

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11697-licao-10-a-expansao-da-igreja-i

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