LIÇÃO Nº 10 – ESPÍRITO – O ÂMAGO DA VIDA HUMANA
-Na continuidade do estudo da doutrina do homem, analisaremos a terceira parte do homem: o espírito.
-O espírito do homem é o elemento que o torna totalmente diferente dos demais seres criados na Terra e o faz manter um relacionamento com o seu Criador.
I – O QUE É O ESPÍRITO HUMANO
-Na continuidade do estudo da doutrina bíblica do homem, analisaremos a terceira parte do ser humano, o espírito, que é a parte mais importante do homem (I Ts.5:23), embora tenha sido a última a ser criada (Gn.2:7).
-O homem é um ser tricotômico, ou seja, formado de três partes, a saber: corpo, alma e espírito.
-O homem, ao contrário dos demais seres criados na Terra, é dotado de uma parte imaterial, que a Bíblia denomina, algumas vezes, de “homem interior” (Ef.3:16), o “fôlego de vida” soprado por Deus no nariz do primeiro ser humano, pelo qual ele se tornou ” alma vivente” (Gn.2:7).
-O homem interior, como nos ensina a Palavra de Deus, é formado, por sua vez, de duas partes, que são inseparáveis, mas que são distintas e têm atividades e funções diferentes, a saber: alma e espírito.
-Esta diferença entre estas partes está presente em textos como Hb.4:12 e I Ts.5:23, que nos informam que são distintos, embora, repitamos, jamais se tenha qualquer referência bíblica que indique que, em algum momento, eles serão separados.
-A palavra “espírito”, na Bíblia, tem vários significados, assim como “alma”. A palavra hebraica para espírito (“ruach” – ח_ רּו) pode ser traduzido como “soprar, sopro”, como no Sl.18:15, parte final (“…pela Tua repreensão, Senhor, ao soprar das Tuas narinas”) ou “vento”, como em Gn.8:1 (“…e Deus fez passar um vento sobre a terra…”).
-É, também, com estes significados que encontramos, às vezes, a palavra grega “pneuma” (πνεῦμα), como em II Ts. 2:8, (“…a quem o Senhor desfará pelo assopro da Sua boca…”) e em Jo.3:8 (” O vento assopra onde quer…”).
-A palavra ” espírito”, a exemplo do que ocorre, também, com a palavra ” alma”, pode significar, em algumas passagens bíblicas, “vida” ou “respiração”, como, por exemplo, em Gn.6:17 (“…para desfazer toda carne
em que há espírito de vida debaixo dos céus…”), no Sl.146:4 (” Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua
terra…”).
-Algumas vezes, a palavra “espírito” é utilizada com o significado de “homem interior”, ou seja, refere- se à parte imaterial do homem, o que inclui tanto a alma quanto o espírito. É o que vemos em Nm.16:22 (“…Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne…”), em Jó 14:10 (“…rendendo o homem o espírito, então onde está?”), em Ec.12:7 (“…e o espírito volte a Deus, que o deu…”) e em Hb.12:23 (“…e aos espíritos dos justos aperfeiçoados…”).
-A palavra “espírito” também designa, em algumas passagens bíblicas, os outros “seres espirituais”, ou seja, os seres que não têm corpos físicos, os seres primitivamente celestiais, cuja semelhança com o homem está, exatamente, em que, a exemplo do homem, também são dotados de espíritos, embora, ao contrário dos homens, não tenham corpos físicos.
-É neste sentido que é dito que Deus é Espírito (Jo.4:24), que os anjos são espíritos ministradores (Hb.1:14), bem como que o nosso adversário e seus anjos são espíritos (Jó 4:15, Lc.4:36).
II – DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO
-Alma e espírito formam o “homem interior” (Rm.7:22; II Co.4:16; Ef.3:16). Ambos não são compostos de matéria, diferenciando-se do corpo neste ponto.
-Com efeito, a Bíblia registra que Deus formou o corpo do homem da matéria, mas, para criar a parte imaterial do homem, ” soprou em suas narinas” (Gn.2:17), expressão bíblica que indica que o homem interior não tem qualquer relação com a matéria existente na Terra, mas decorre de uma criação que advém diretamente da personalidade divina, do ser divino.
-Ao criar o homem interior, diz-nos o texto sagrado que houve o ” fôlego de vida” e o homem foi feito ” alma vivente”. Ora, isto já é o primeiro texto bíblico que nos mostra haver distinção entre a alma e o espírito.
-Enquanto “alma vivente”, o homem se distingue e se diferencia dos demais seres criados na Terra, tendo noção da sua individualidade e da sua existência, sentindo, querendo e pensando.
-Era necessário que o homem fosse uma ” alma vivente” precisamente para que pudesse desempenhar a sua função de dominador sobre as demais criaturas terrenas, pois só poderia dominá-las se, em primeiro lugar, tivesse capacidade para tanto, o que lhe adveio pelo entendimento, pela sensibilidade e pela vontade e, em segundo lugar, se fosse consciente de que era diferente dos demais, se tivesse um sentido da sua própria existência.
-É, por isso, que vemos, na Bíblia Sagrada, que o salmista tinha abatimento na alma (Sl.42:5) e Jesus, ao sentir a aproximação da Sua morte, disse estar com Sua alma triste (Mt.26:38)
-Entretanto, não bastava ao homem, para ser um mordomo, um administrador supremo da criação terrena, que tivesse entendimento, sensibilidade e vontade.
-Estas faculdades apenas o permitiam se relacionar com os demais seres criados, inclusive com os demais seres humanos, mas não lhe trariam noção alguma da sua condição de administrador, de servo, pois a alma, por si só, era insuficiente para lhe mostrar a realidade de um Criador, de um Deus que é o Senhor de todas as coisas.
-Ter a noção de que existe e que domina sobre os outros seres é o que nos vem através da alma, mas ter a noção de que existe um Deus, de que Ele é o Senhor de todas as coisas e que devemos prestar-Lhe contas é algo bem diverso, algo que somente através de uma parte específica se poderia dar ao homem, pois o tornaria
totalmente distinto dos demais seres, com condições de ser um fiel e competente administrador da criação na Terra.
-Esta parte é, precisamente, o espírito, aquele “fôlego de vida”, aquele canal de relacionamento entre Deus e o homem, a parte do homem que mantém nele a noção de Deus e estabelece a relação indispensável que deve existir entre o mordomo e o seu Senhor.
-É, por isso, que, em Sua exclamação final na cruz do Calvário, Jesus dirigiu-Se a Deus e, após isto, é dito que rendeu o Seu espírito (Lc.23:46), a indicar que o espírito está vinculado diretamente ao relacionamento entre Deus e o homem.
-Por ser o responsável pelo relacionamento com Deus, o espírito só cumpre a sua finalidade quando houver esta relação entre Deus e o homem, quando Deus e o homem se comunicam, compartilham seus sentimentos e desejos.
-Este contacto, esta comunicação (que a ação se tornar comum, que é a circunstância de o que o homem pensa, quer e sente é exatamente o que Deus pensa, quer e sente) é o que denominamos de ” vida espiritual”.
-O espírito humano tem como finalidade estabelecer este relacionamento entre Deus e o homem e, quando está separado do seu Criador, por causa do pecado (Is.59:2), o espírito fica em profunda aflição, a principal causa de todos os desvarios e loucuras (Ec.1:17).
-Vemos, pois, que alma e espírito são distintos, têm funções diversas, mas, assim como o corpo, integram-se numa unidade que permite ao homem exercer a sua mordomia.
-A alma dá a noção da superioridade que tem o homem em relação aos demais seres criados na Terra e a de igualdade em relação aos demais seres humanos nesta sua tarefa de administração, enquanto o espírito nos faz perceber a nossa condição de servos diante do Senhor nesta mesma missão que nos foi outorgada.
OBS: “…O homem também é o templo de Deus, e da mesma maneira, constitui-se de três partes. O corpo é como o átrio exterior, com sua vida visível a todos. Aqui o homem deve obedecer a cada mandamento de Deus; aqui o Filho de Deus serve como substituto e morre pela humanidade.
Por dentro, está a alma do homem, que constitui a sua vida interior e inclui sua emoção, vontade e mente. Tal é o Lugar Santo de uma pessoa regenerada, pois seu amor (phileo- φιλέω), vontade e pensamento estão plenamente iluminados para que possa servir a Deus como o sacerdote do passado o fazia.
No interior, além do véu, encontra-se o Santo dos Santos, no qual nenhuma luz humana jamais entrou e olho humano algum jamais penetrou.
Ele é o ‘esconderijo do Altíssimo”, a habitação de Deus. O homem não pode ter acesso a ele, a menos que Deus queira rasgar o véu, como fez por ocasião da morte de Cristo (Mt.27.51). Ele é o espírito do homem.
Este espírito jaz além da consciência própria do homem e acima da sua sensibilidade. Aqui o homem une-se a Deus e tem comunhão com Ele, mas sempre por meio do corpo. Este argumento esboça o seguinte, na presente analogia do corpo como templo de Deus: nenhuma luz é fornecida para o Santo dos Santos porque Deus habita ali.(…).
No Santo dos Santos, portanto era desnecessária a luz, porque ‘ Deus é luz’ (…). Seu espírito é como o Santo dos Santos habitado por Deus, onde tudo é realizado pela fé, além da vista, sentidos ou entendimento.
A alma simbolizava o Lugar Santo, pois ela é amplamente iluminada com muitos pensamentos e preceitos racionais, conhecimento e entendimento concernente às coisas do mundo idealista e terreno.
O corpo é comparado ao átrio exterior, claramente visível a todos.…” (SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você, p.75- 6).
III – AS ATIVIDADES OU FUNÇÕES DO ESPÍRITO HUMANO
-Tendo visto que o espírito não se confunde com a alma, embora, muitas vezes, o texto bíblico a eles se refira em conjunto, por serem ambas a parte imaterial do homem, é preciso observar quais são as faculdades do espírito.
-Segundo os estudiosos, podemos distinguir no espírito humano quatro atividades ou funções: a fé, a consciência, a intuição e a comunhão.
-Quando falamos da alma, temos nelas “faculdades”, que são “poderes que podem ser exercidos”. Já, com relação ao espírito, temos “atividades” ou “funções”, que são “tarefas que devem ser cumpridas”.
-Com efeito, quando falamos do relacionamento entre Deus e o homem, ao analisarmos a Bíblia Sagrada, vemos que este relacionamento foi estabelecido dentro de duas atividades fundamentais para o homem, sem o que ele não poderia se relacionar com o seu Criador.
-A primeira dessas atividades é a fé, pois “sem fé é impossível agradar-Lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam” (Hb.11:6).
-Não podemos pensar num relacionamento entre Deus e o homem se o homem não crer que Deus existe e que é o Senhor de todas as coisas.
-Dotado por Deus do livre-arbítrio, o homem tem o poder de escolher entre servir a Deus, ou não, entre fazer o que Deus manda, ou não.
-Ora, para que faça o que Deus quer, para que escolha servir a Deus, precisa crer em Deus, ou seja, acreditar, confiar no Senhor, dar crédito às Suas Palavras.
-Quando Deus disse ao homem que não deveria comer do fruto da árvore do bem e do mal, colocou em ação, precisamente, esta faculdade do espírito humano e o pecado só entrou no mundo porque o primeiro casal não creu em Deus, achando que, ao comer do fruto proibido, tornar-se-iam iguais a Deus, crendo, assim, na mentira da serpente.
-Um relacionamento entre Deus e o homem só é possível porque o homem é capaz de perceber a existência de Deus, porque o homem é capaz de vislumbrar, pelas obras da criação e, diante de sua pequenez e limitações, de que há um ser supremo, que governa todas as coisas, ser este que outro não é senão Deus.
-Esta crença em Deus é a fé natural, a fé que é uma função do espírito humano e que está presente em todos os homens pelo simples fato de serem humanos.
-Como afirma o pastor Claudionor Corrêa de Andrade (1955-2025), a “fé natural” é “…Conhecimento oriundo da observação da natureza e do labor filosófico que conduz à certeza quanto à existência do Supremo Ser.
Este tipo de fé pode ser encontrado, por exemplo, nas obras dos filósofos gregos que, embora desconhecessem os escritos dos profetas hebreus, lograram descobrir, nalgum ponto de suas elocubrações, a presença imarcescível de Deus (Rm 1.20,21).…” (Fé natural. In: Dicionário Teológico, p.157).
-É o que o pastor Antônio Gilberto da Silva (1927-2018) afirma ser o “crer”: “…Crer é humano, natural. É usar a força da vontade para aceitar algo.
É o chamado ‘pensamento positivo’. É uma força, mas na esfera do natural. É chamada fé natural, fé intelectual, fé teórica.
Ela pode levar o homem a reconhecer, como verídicos, fatos do Evangelho, mas não redunda em conversão. O pecador pode saber que Cristo é divino e, mesmo assim, rejeitá-l’O como Salvador.…” (Um estudo da doutrina da fé. In: Bíblia de Estudo Antônio Gilberto, p.2298).
-Todos os homens, portanto, têm condições de crer na existência de Deus e Deus a eles Se revela, seja através da natureza (Rm.1:20-22), seja através de Israel (Ex.19:5,6), seja através de Jesus (Jo.1:14).
-Verdade é que, em virtude do pecado e dos seus efeitos, o espírito humano é tolhido e dominado pela natureza pecaminosa, que a Bíblia denomina de “carne”, estabelecendo um conflito interno no ser humano, impedindo, assim, que esta percepção da existência do Criador possa ditar regras de vida para o homem que, perdido e dominado pelo pecado, chega até o extremo de negar a própria existência divina, revelando toda a sua situação de desgraça e ignorância (Sl.14:1; 53:1).
OBS: “…O plano de Deus na criação foi o de dar ao homem a capacidade de conhecer o seu Criador, bem como o de ser capaz de conhecer as realidades espirituais em geral. Deus criou [o homem, observação nossa] de tal modo (…) que (…) pode, por seus dotes naturais, entender tais coisas (…).
A fé não pode ser destruída, tal como não poder destruída a alma. A fé, porém, pode ser ocultada pela mente consciente, devido à perversão do indivíduo, ou podemos negligenciar-lhe o desenvolvimento nas coisas espirituais.
Tão completo pode ser esse bloqueio da fé que nenhum único raio de luz venha a iluminar a mente física, a consciência. Assim, um homem pode chegar a nem mesmo crer na existência de sua
própria alma, ou na existência do seu Criador. No entanto, [o homem, observação nossa] (…) sabe da verdade dessas coisas, a fé continua existindo -mas não pode esse conhecimento ser transmitido ao indivíduo consciente.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Fé. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.694).
-É interessante notar que, na filosofia, na ciência e na teologia, os homens chegaram à constatação, ainda que por outras vias que não a Bíblia Sagrada, da realidade da existência desta fé natural.
-Os filósofos e cientistas, de forma consensual, têm reconhecido que todo conhecimento, ainda que procure ser criterioso e fundado em provas e demonstrações, depende de alguns pontos de partida, de alguns princípios que devem ser adotados sem comprovação, que devem ser aceitos.
-Insistem eles que esta aceitação é resultado de uma ” intuição”, de uma ” evidência”, de uma “necessidade lógica”, mas, no fundo, o que se está a dizer é que, por mais que o homem exija provas e demonstrações para aceitar como verdadeiras algumas conclusões, jamais poderá partir do nada, deve, pelo menos, aceitar como verdadeiros alguns postulados, alguns princípios que não são capazes de qualquer demonstração, ou seja, deve crer em alguma coisa, sem o que não é possível qualquer atividade racional.
-Esta crença, esta aceitação nada mais é do que o reconhecimento de que o homem precisa crer para desenvolver todas as suas potencialidades, de que o homem é dotado de uma fé que é indispensável para a sua própria existência. Esta crença, fundamental e indispensável para todo o conhecimento, é o que caracteriza uma das atividades do espírito humano.
-Esta fé, que denominamos de fé natural, porque decorre da própria natureza do homem, é fruto da sua criação enquanto imagem e semelhança de Deus, não pode ser confundida com a fé salvadora, com a fé que é fruto do Espírito e com o dom espiritual da fé, que são conceitos distintos e sobre os quais falaremos aqui, apenas de passagem, para diferenciá-los da fé natural de que estamos a falar.
-A fé salvadora é um dom de Deus (Ef.2:8). É a capacidade que Deus dá ao homem para crer que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador e, portanto, que devemos nos arrepender de nossos pecados e passar a servir- Lhe, passando a fazer a Sua vontade.
-Quando o homem pecou, perdeu a condição de poder retornar a uma vida de comunhão com Deus. O pecado fez separação entre Deus e o homem e o homem não tinha como salvar-se. Por isso, o próprio Deus deu-lhe a boa notícia (o evangelho), ainda no jardim do Éden, de que alguém, da semente da mulher, iria esmagar a cabeça da serpente e triunfar sobre o mal, proporcionando um meio de o homem recuperar a comunhão perdida com Deus.
-Para que o homem possa salvar-se, além de Jesus ter vindo ao mundo e morrido em nosso lugar, é preciso que sejamos convencidos de que somos pecadores e nos arrependamos e este convencimento exige a crença na obra salvadora de Jesus.
-Esta crença, esta fé, que nos traz a salvação, vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17). Esta fé não é de todos (II Ts.3:2), ao contrário da fé natural.
-A fé fruto do Espírito Santo (Gl.5:22) é o resultado da transformação operada pela salvação. Quando cremos em Cristo, tornamo-nos uma nova criatura (II Co.5:17) e passamos a ter um novo caráter, uma nova conduta, a apresentar novas qualidades, entre elas, a fé, que nada mais é do que um comportamento de quem tem confiança em Deus, que tem consciência de que Deus está no controle de todas as coisas, tanto assim que esta qualidade do fruto do Espírito está relacionada com a bem-aventurança dos que têm fome e sede de justiça, pois a confiança em Deus nos permitirá receber a fartura do Senhor (Mt.5:6).
-Esta fé também não é de todos, mas só daqueles que creram em Jesus e foram nascidos da água e do Espírito (Jo.3:8), daqueles que foram gerados de novo para uma viva esperança, para uma herança incorruptível (I Pe.1:3,4) e que se constitui num dos instrumentos para a nossa perseverança (I Pe.1:5).
-O dom espiritual da fé (I Co.12:9), por fim, é um dos chamados dons de poder que o Espírito Santo deixa à disposição da Igreja.
Trata-se de uma confiança extraordinária, especial que faz com que pessoas tenham uma crença pontual além dos limites do imaginável e que, mediante esta confiança, realizem coisas que estão além do alcance da imaginação humana.
-Temos sempre ouvido ações e gestos de servos do Senhor que, tomados pelo Espírito com uma fé excepcional, agem de acordo com a vontade de Deus e servem para a Sua glorificação.
-Assim, por exemplo, agiu Paulo no navio que o levava a Roma, ao usar de autoridade para impedir que algum mal se fizesse aos presos e, assim, sendo um simples prisioneiro, dirigir e comandar a própria salvação de todos os que ali estavam (At.27:30-36).
-Esta fé é apenas daqueles salvos que são aquinhoados pelo Espírito Santo com este dom e devem exercê-lo sempre em vista do consolo, admoestação e conforto da Igreja.
-Para haver um relacionamento entre Deus e o homem, entretanto, embora seja necessário que o homem creia, confie em Deus, isto não é suficiente para que se estabeleça um relacionamento.
-Deus é superior ao homem, Seus pensamentos e caminhos são muito superiores aos do homem e, desta forma, não haveria como o homem, por si só, chegar ao mesmo nível de Deus, a fim de se pudesse instituir uma relação entre eles.
-Por causa disto, Deus dotou o homem de consciência, ou seja, da capacidade de saber o que é certo e o que é errado, quase que como uma voz do próprio Deus no interior do homem, a permitir-lhe saber o que deve e o que não deve ser feito.
-Deste modo, através da consciência, o homem poderia saber qual é a vontade de Deus e, assim, poder estabelecer um relacionamento apesar da infinita distância entre o Senhor e Seu mordomo.
-A consciência é, assim, a função do espírito que nos permite saber o que é o certo e o que é errado, um verdadeiro tribunal que existe em nosso interior a nos dizer quando estamos acertando e quando estamos errando, algo que existe em todo ser humano, se bem que o pecado gere, como efeito, o embrutecimento do homem, a ponto de ele chegar a ter a própria consciência cauterizada (I Tm.4:2), ou seja, completamente sufocada e inoperante.
-A consciência, desde a Antiguidade, já era considerada como esta voz de advertência, esta instância julgadora no interior do homem.
-O filósofo grego Sócrates a ela se refere e os filósofos estoicos (mencionados em At.17:18) a consideravam uma ” fagulha do ser divino no homem”, figura que acabou sendo trazida para os discursos filosóficos e teológicos cristãos mas que deve ser acolhida com cuidado, pois, se é verdade que a consciência é algo que traz para o interior do homem a moralidade divina, é algo que vem da parte de Deus, mas que com Deus não se confunde.
-Os estoicos eram panteístas e, portanto, consideravam que Deus e a Sua criação se confundiam, o que sabemos não ser o ensinamento da Bíblia Sagrada (vide lição 4 deste trimestre).
-A consciência é a capacidade que temos de distinguir o certo do errado, mas, nem por isso, o homem está isento de errar.
-Através da consciência, Deus permitiu ao homem discernir entre o que é correto, o que está de acordo com a vontade divina e o que não o é, mas, devemos lembrar, o homem é livre, ou seja, pode escolher entre fazer
o certo, ou não. Se fizer o errado, acabará dominado pelo pecado, sem condições de se libertar, a não ser por intermédio de Cristo Jesus, como podemos observar nas Escrituras em diversas passagens (v.g., Gn.2:16,17; 4:6,7; Jo.8:31-36).
-Somente quando o espírito está em comunhão com Deus, somente quando há um verdadeiro relacionamento entre Deus e o homem, podemos ter uma consciência sensível e obediente à voz do Senhor. Esta é a consciência sem ofensa (At.24:16) e a consciência pura (I Tm.3:9) de que fala o apóstolo Paulo.
-A consciência, embora seja a capacidade que Deus deu ao homem para que distinga o certo do errado, ou seja, embora seja a capacidade que Deus deu ao homem para entender a lei de Deus, é uma função do espírito humano e, por isso, não é uma partícula de Deus no homem, mas uma forma de o homem poder entender e discernir a vontade de Deus em sua existência, em seu ser.
-Daí porque haver diversas qualificações da consciência na Bíblia Sagrada, algo que somente é possível porque a consciência é do homem e não de Deus.
-Em sendo a consciência humana, é por isso que podemos falar em consciência fraca (I Co.8:7,12), em consciência má ou contaminada (Hb.10:22; Tt.1:15). Como diz Russell Norman Champlin, a consciência é qualificada “…dependendo de como o espírito humano reage ao Espírito de Deus…” (Consciência. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, p.870).
-Estas duas atividades do espírito, ínsitas à própria natureza humana, são mantidas mesmo se o homem não mantém um relacionamento com Deus por causa do pecado. Sua existência demonstra porque, mesmo não tendo se convertido, o homem fica inescusável diante do Senhor (Rm.1:20; 2:13-16).
IV – O ESPÍRITO HUMANO E A SALVAÇÃO
-Sendo a parte que liga o homem a Deus, tem-se que o espírito é a parte que deve governar todo o ser humano: “…É o intangível, invisível espírito humano que governa a existência mental e emocional do homem.…” (GOT QUESTIONS. O que é o espírito humano. Disponível em: https://www.gotquestions.org/Portugues/espirito-humano.html Acesso em 12 ago. 2025).
-O espírito deve, pois, ser a parte que deve dirigir o ser humano, homem que foi criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn.1:26,27) e que, dia após dia, em sua existência terrena, deve refletir esta glória divina como um espelho (II Co.3:18).
-O pecado, porém, causa separação entre o homem e Deus (Is.59:2) e, por conseguinte, rompida é a ligação entre o homem e seu Criador e o espírito passa a não mais poder exercer todas as suas atividades. Para se utilizar de uma linguagem muito própria da informática: o espírito fica “off line”, é desativado.
-O resultado disto é que o homem sem Deus e sem salvação, morre espiritualmente, ou seja, fica separado de Deus, razão por que a fé natural não pode se tornar fé salvadora, pois ela, por si só, não leva à conversão, como também a consciência tão somente aponta a reprovação divina dos atos cometidos, pecaminosos que são, correndo-se o risco até de haver uma imersão tão profunda na vida de pecado que a consciência seja até cauterizada.
-O espírito, que tinha conexão com o divino e que, por isso mesmo, trazia a “iluminação” para o ser humano,
pois Deus é luz (I Jo.1:5), agora vive em trevas, numa escuridão, e, nesta escuridão, nada consegue ver.
-Diante deste estado de coisas, o diabo atinge a nossa alma, mantendo-a cega, sem condições de ver as coisas espirituais (II Co.4:4), motivo pelo qual passa o pecador a viver nas trevas espirituais sob o domínio de Satanás (At.26:18; I Pe.2:9).
-Bem por isso as Escrituras denominam este homem que vive na prática do pecado de “filho do diabo” (Jo.8:44; I Jo.3:8-10) e de “filho da noite e das trevas” (I Ts.5:5), porque são cegos espirituais, pessoas que não conseguem ver as coisas relacionadas com a eternidade.
-Diante desta circunstância, como bem nos mostra o apóstolo Paulo, o homem, sem visão espiritual, ensoberbece, passa a se achar “um deus” e se entende independente do Senhor, não glorificando a Deus, não reconhecendo n’Ele o Senhor, criando discursos em que tenta entender o mundo tendo a si como centro.
-Nas trevas, o seu coração obscurece e se torna insensato, passando não a crer em Deus, mas a crer na criatura e, deste modo, passa a confiar e a depositar sua esperança em “deuses” feitos à sua imagem e semelhança, como disse o filósofo grego Xenófanes de Colofão (570-475 a.C.), tornando-se loucos, adorando a criaturas em vez de ao Criador (Rm.1:21,22).
OBS: Eis o pensamento de Xenófanes de Colofão: “Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois,desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm.”
-Na verdade, esta adoração a supostas criaturas nada mais é que adoração ao próprio diabo, porquanto, por detrás dos ídolos, como nos há de ensinar também o apóstolo Paulo, estão os demônios (I Co.10:14-21).
-Não é surpresa, pois, que o suprassumo desta idolatria, que será a adoração ao Anticristo, como se terá na Grande Tribulação, nada mais será que adoração ao próprio diabo (Ap.13:4,12-15).
-Notamos, pois, como o diabo é astuto e enganador. Apesar de trazer um discurso de que o homem é autossuficiente, independente de Deus e que é “como Deus”, na verdade, torna-o um escravo e um adorador de outras criaturas, admitindo haver outros “deuses”, mas que o leva, verdadeiramente, a ser tão somente um adorador de demônios e do próprio Satanás.
-Mas, com o pecado, e a morte espiritual que lhe é consequente (Rm.6:23), não se tem prejudicada apenas a fé, mas também a consciência.
-O homem, no pecado, perde a noção de quem é, pois, como visto, achando-se “um deus”, acaba se tornando um “filho do diabo”, um “escravo do pecado”. Não tem mais a noção de que se trata de um ser criado à imagem e semelhança de Deus.
-Assim, embora tenha a noção do que seja certo ou errado, porquanto, ao ser criado, o homem tem escrito em seu coração o bem e o mal (Rm.2:15), lamentavelmente, não segue esta consciência, mas, ao revés, faz tudo aquilo que sabe que é errado, porque está vendido sob o pecado (Rm.7:14).
-Trata-se de um homem carnal (Rm.7:14), de um homem natural (I Co.2:14), porque guiado pela “carne”, ou seja, pela “natureza pecaminosa”.
-Este homem, dominado pela “carne”, não consegue discernir as coisas espirituais, está sempre à mercê das três concupiscências: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I Jo.2:16), deixando-lhe levar por estes desejos ardentes e incontroláveis que só o fazem pecar e pecar.
-O espírito está desativado, não tem como ligar o homem a Deus e, consequentemente, o homem acaba satisfazendo os desejos do diabo, vivendo na prática do pecado e não tendo a mínima consciência de que está caminhando para a perdição eterna.
-Nesta ausência de consciência, ele não apenas não tem ciência de quem é, como também de que é o próximo, porquanto supostamente pensa em si mesmo, ainda que esteja a caminhar para a perdição eterna.
-Quando, porém, o homem ouve o Evangelho e crê em Cristo Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, nasce de novo e passa a ver o reino de Deus (Jo.3:3), a enxergar a luz do evangelho de Cristo (II Co.4:4).
-Com o perdão dos pecados e a purificação operada pelo sangue de Cristo (I Jo.1:7-9), torna a haver
comunhão entre Deus e a pessoa, e o espírito fica “on line”, é ativado.
-Neste ato de crer em Jesus, há a mistura da fé natural com a Palavra de Deus (Hb.4:2), o Evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16), surgindo, então, a fé salvadora,
“…Proveniente da proclamação do Evangelho, esta fé leva-nos a receber a Cristo como o nosso único e suficiente Salvador (Jo 3.16). Ao contrário da fé natural, que brota através do labor filosófico, a fé salvadora só há de nascer no coração humano através da pregação do Evangelho (Rm 10.13.16).
Sem a mensagem da cruz, não pode haver fé salvadora.…” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fé salvadora. In: op.cit., p.157).
-“…Fé, estritamente falando, é divina, sobrenatural. É atributo de Deus. É força vital divina, criativa, fé sobrenatural.
1. Baseia-se na Palavra de Deus (Rm.10:17).
2. Tem assento no coração (Rm.10:10; Mc.11:23) (…). Fé salvadora: fé para salvação (…)
A fé salvadora envolve quatro fatores pessoais:
a. O conhecimento da verdade divina, mediante a Palavra (Rm.10:17).
b. O assentimento do intelecto às verdades divinas da salvação.
c. O consentimento da vontade pessoal à salvação.
d. A confiança total no Salvador Jesus, o que implica a apropriação pessoal de Seus méritos. A entrega pessoal a Ele…” (SILVA, Antônio Gilberto da. Um estudo sobre a doutrina da fé. In: Bíblia de Estudo Antônio Gilberto, pp.2298-9) (negritos originais).
-Por causa disso, a fé passa a ser exercida, passa-se a confiar em Deus e, deste modo, a vontade do Senhor passa a ser praticada pelo salvo, que passa a ter uma boa consciência (I Tm.1:5,19), uma consciência pura (I Tm.3:9; II Tm.1:3).
-Verdade é que, com a salvação, passa a haver uma guerra interna entre a natureza pecaminosa, que agora estará crucificada com Cristo mas ainda não destruída (Gl.5:24), e o espírito (Gl.5:17).
-A nova vida em Cristo é caracterizada por este predomínio do espírito sobre a carne, pelo governo do espírito sobre corpo e alma, a fim de que sejamos instrumentos da glorificação de Deus (I Co.10:31).
-Passamos, então, a andar na luz, como Jesus na luz está (I Jo.1:7) e, com o espírito humano à frente, passemos a viver por fé (II Co.5:7), de fé em fé (Rm.1:17), agradando a Deus (Hb.11:5,6).
-Na novidade de vida estabelecida pela salvação em Cristo (Rm.6:4), também passamos a ter consciência de quem somos e, a partir daí, passamos a viver de tal maneira que nem ofendamos a Deus nem ao próximo (At.24:16), consciência esta que está em comunhão com o Espírito Santo (At.9:1), que testifica que somos filhos de Deus (Rm.;8:16).
-Temos, portanto, a nítida noção de quem somos, ou seja, que somos filhos de Deus e que, como tal, temos de andar segundo o Espírito, ou seja, consoante a orientação que nos der o Espírito Santo, o que nos levará sempre a glorificar a Cristo.
-A boa consciência levar-nos-á a ter uma vida com simplicidade e sinceridade de Deus na graça de Deus (II Co.1:12), fazendo, inclusive, que não firamos a consciência do próximo e contribuamos para o crescimento espiritual dos irmãos (I Co.8:9-13).
-Por isso, o apóstolo Paulo diz que o fim do mandamento é o amor de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida (I Tm.1:5), ou seja, o governo do espírito no ser humano traz o cumprimento do mandamento de amar uns aos outros como Jesus nos amou, porque nos permite ter uma fé autêntica e uma consciência boa, que nada mais é que que “o coração puro”.
-Temos, então, aqui, a terceira atividade do espírito humano, que é chamada de “intuição” ou “intuição espiritual”, que é a capacidade de percepção imediata, sem intervenção do entendimento, da realidade espiritual e do que Deus quer que venhamos a fazer ou deixar de fazer.
-Por intermédio da “intuição” ou “intuição espiritual”, o espírito humano recebe a orientação, a direção divina
para a prática ou abstenção de um ato.
-O Espírito Santo foi-nos dado para que nos guie em toda a verdade, dizendo-nos tudo o que tiver ouvido e nos anunciando o que há de vir (Jo.16:13). É Ele quem penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus (I Co.2:10) e, dentro do relacionamento que passamos a ter com Ele, Ele nos faz saber como devemos agir.
-“…A intuição é o órgão sensitivo do espírito humano. É tão diametralmente diferente do sentido físico e do sentido anímico que é chamada intuição.
A intuição suporta uma sensibilidade direta independente de qualquer influência exterior. Esse conhecimento que nos chega sem nenhuma ajuda do pensamento, da emoção ou da vontade é intuitivo. «Sabemos» por meio de nossa intuição, e nossa mente nos ajuda a «compreender».
As revelações de Deus e todos os movimentos do Espírito Santo são perceptíveis para o crente através da intuição. Em consequência, um crente deve levar em consideração dois elementos: a voz da consciência e o ensino da intuição.…” (NEE, Watchman. O homem espiritual: os três volumes. Trad. de Délcio de Oliveira Meireles, pp.32-3).
-A intuição leva-nos a agir com sabedoria e sabedoria é diferente de entendimento. “…espírito “sabe” enquanto a mente “entende.” O crente “sabe” (ou, conhece) as coisas de Deus pela intuição do seu espírito. Estritamente falando, a mente pode apenas “compreender”; ela nunca pode “saber.” O saber é obra da intuição, o compreender é tarefa da mente. O Espírito Santo capacita nosso espírito a saber; nosso espírito instrui a mente a compreender.…” (NEE, Watchman. op.cit., p.280).
-O saber gera em nós a “sabedoria”, que é “fazer a coisa certa, no momento certo, da forma certa”, é a consequência de se “sentir o sabor”, perceber a situação e agir corretamente diante desta percepção, mesmo que não se tenha pensado sobre a situação, mesmo que não se tenham analisado as circunstâncias.
-O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Sl.111:10; Pv.9:10) e os servos do Senhor são chamados de “sábios”, precisamente porque, em tendo alcançado a salvação, agora são guiados pelo Espírito Santo, passam a ter um espírito ativo que atua pela intuição.
-A intuição é chamada pelo apóstolo João de “unção do Santo” (I Jo.2:20), pela qual tudo sabemos e pelo qual somos em tudo ensinados (I Jo.2:27).
-“…Todo aquele que anda intimamente com Deus, desfrutando da comunhão secreta e da união espiritual, receberá a revelação de Deus na sua intuição e saberá claramente o que fazer.…” (NEE, Watchman. op.cit., p.286).
-Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que “o homem espiritual” tudo discerne e de ninguém é
discernido (I Co.2:15), pois este discernimento espiritual nada mais que a intuição.
-O governo do espírito no ser humano torna-o um autêntico e genuíno filho de Deus, alguém conforme à imagem de Cristo e, por isso mesmo, o salvo produz o fruto do Espírito (Gl.5:22), pois tem uma vida no Espírito, vida que deve ser continuada e cada vez mais intensa até aquele dia em que o filho de Deus chegará à estatura completa de Cristo, a varão perfeito, passando a ser semelhante a Jesus (I Jo.3:2), pois quem é santo deve santificar-se ainda (Ap.22:11) e quem tem esta esperança purifica-se a si mesmo (I Jo.3:3).
-Bem por isso passa o salvo a ser um “homem espiritual”, que tudo discerne e de ninguém é discernido (I
Co.2:15).
-O “homem espiritual” tem a mente de Cristo (I Co.32:16) e um grau de intimidade com o Senhor que supera até mesmo o entendimento humano. Como diz a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, “…O Espírito Santo opera por meio do espírito humano: ‘o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus’ (Rm.8:16); mas isso nunca se diz com respeito à alma humana…” (DFAD 2. ed. V.5, p.87).
-Como bem explica o apóstolo Paulo, o contato do espírito humano com o Espírito Santo se dá sem a participação do entendimento, ou seja, sem a intervenção da alma (I Co.14:2), mas isto provoca uma edificação espiritual do ser humano, na mais íntima interação entre Deus e o homem aqui na Terra (I Co.14:4).
-Esta intuição aumenta sobremaneira quando ocorre o revestimento de poder, o batismo no Espírito Santo.
-Quando o homem é batizado no Espírito Santo, fala em línguas estranhas (At.2:4; 10:45,46; 19:6) e o falar em línguas estranhas é o estabelecimento de uma comunicação direta entre Deus e o homem, sem a intervenção do entendimento, é uma “ligação direta” entre o Espírito Santo e o espírito humano (I Co.14:2,14).
-A consequência desta comunicação é a edificação espiritual daquele que fala em língua estranha (I Co.14:4), ou seja, uma ação que promove o crescimento espiritual do salvo.
-Daí a importância e necessidade de que os filhos de Deus não só sejam revestidos de poder, mas também orem no Espírito Santo, ou seja, orem em línguas estranhas, como recomenda, mais de uma vez, o texto sagrado (Ef.6:18; Jd.20).
-E, por falar em crescimento espiritual, temos, então, a quarta atividade do espírito humano, que é a comunhão.
-“…A comunhão é a adoração a Deus. Os órgãos da alma são incompetentes para adorar a Deus. Não podemos receber Deus com nossos pensamentos, sentimentos ou intenções, porque unicamente podemos conhecê-Lo diretamente em nossos espíritos.
Nossa adoração a Deus e as comunicações de Deus conosco acontecem diretamente no espírito. Têm lugar no homem interior», não na alma ou no homem exterior.…” (NEE, Watchman. op.cit., p.32).
-A comunhão é, pois, a atividade do espírito humano que nos leva a adorar a Deus, adoração que deve ser
“em espírito e em verdade” (Jo.4:23,24).
-Portanto, o espírito humano nos leva a que nos aproximemos mais do Senhor, fazendo com que, a cada dia, nos conformemos à imagem de Cristo (Rm.8:29), sendo pois aquele que leva nosso corpo e alma às chamadas disciplinas cristãs ou disciplinas espirituais como a leitura e meditação nas Escrituras, a oração, o jejum e a participação nos cultos, o que será minudenciado em lição próxima.
– Tais disciplinas produzem em nós a santificação presente, mantendo-nos cada vez mais separados do pecado e separados para Deus, promovendo o nosso crescimento na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pe.3:18).
Pr. Caramuru Afonso Francisco
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