LIÇÃO Nº 11 – O ESPÍRITO HUMANO E AS DISCIPLINAS CRISTÃS
-Na continuidade do estudo da doutrina bíblica do homem, estudaremos sobre as disciplinas da vida cristã.
-O espírito é o responsável pela disciplina da vida cristã.
I – O QUE É DISCIPLINA
-“Disciplina”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é
“o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”,
“obediência às regras e aos superiores”;
“regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”;
“ordem, bom comportamento”;
“obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”,
palavra que vem do latim “disciplina, ae”, cujo significado era “ação de se instruir, educação, ciência, disciplina, ordem, sistema, princípios de moral”.
-Mário Ferreira dos Santos (1907-1968), em seu Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais, define disciplina como
“…a) Forma primitiva de discípulo. Em sua etimologia, é a ação de aprender, de instruir-se. É a direção dada por um mestre ao discípulo.
b) Emprega-se para indicar a submissão da vontade e da inteligência a normas de pensamento, da ação, de conduta, sob os vários aspectos que apresenta a vida humana. Assim se pode falar em disciplina ética, moral, jurídica, militar, gramatical etc.
c) Usa-se também para indicar no domínio da cultura, o ramo de saber, onde não predomina a invenção. Daí falar-se nas disciplinas filosóficas
d) Em sentido sociológico é a obediência às ordens ou regulamentos, que emanam da autoridade hierárquica, a quem cabe o mando. Daí falar-se em “espírito de disciplina”, o que predomina em quem obedece fielmente às ordens emanadas da autoridade à qual está subordinado” (pp.561-2).
-Na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra “disciplina” aparece por cinco vezes, sendo que, no Antigo Testamento, apenas no capítulo 23 do livro de Provérbios (Pv.23:12,13,23), enquanto, em o Novo Testamento, aparece em duas oportunidades, em Cl.2:23 e Hb.12:8.
-No Antigo Testamento, a palavra “disciplina” é “musar” (מוסך), palavra que significa “correção”, “instrução”, “castigo”.
Nas três vezes em que aparece no capítulo 23 do livro de Provérbios, está relacionada com uma vida regrada, que segue os parâmetros estabelecidos por alguém, seja o próprio Deus (o “redentor forte” de Pv.23:11), sejam os pais (Pv.23:13), sejam as regras sociais cotidianas (Pv.23:23).
-A propósito, neste último versículo, a disciplina é, ao lado da sabedoria e da prudência, a consequência pela compra da verdade, o que nos remete, imediatamente, à circunstância de que a disciplina é o resultado direto pela submissão à Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17).
-Em o Novo Testamento, a palavra “disciplina” aparece em Cl.2:23 traduzindo a palavra grega “apheidia” (άφειδία), cujo significado é “severidade”, “tratamento duro”, expressão que o apóstolo aplicara para as práticas ascéticas seguidas pelos gnósticos que estavam perturbando a igreja em Colossos.
-Já em Hb.12:8, a palavra “disciplina” traduz a palavra grega “paideia” (παιδεία), palavra que corresponde ao hebraico “musar” e cujo significado é “instrução”, “disciplina”, “castigo”.
No texto em apreço, o escritor aos hebreus faz questão de mostrar aos servos de Deus que o Senhor nos mantém sob disciplina porque nos ama, porque faz parte do real e verdadeiro relacionamento com Deus a manutenção de uma vida regrada, de uma vida disciplinada.
-O primeiro significado de disciplina é “o ensino e educação que um discípulo recebia do mestre”, “a ação de aprender, de instruir-se, a direção dada por um mestre ao discípulo”.
Não é por outro motivo que o Senhor Jesus Se disse o único Mestre (Mt.23:8), porque “disciplina” é o aprendizado junto ao Mestre e somente podemos ter disciplina se aprendermos da própria Verdade, que é Jesus (Jo.14:6).
-Não há como alcançarmos descanso para as nossas almas, ter paz com Deus se não aprendermos de Cristo (Mt.11:29).
-Ser “discípulo” de Jesus importa em ter uma “disciplina”. Para servir ao Senhor, impõe-se d’Ele aprender, tê-l’O como Mestre, passar a imitá-l’O (I Co.11:1), tê-l’O como exemplo (I Pe.2:21).
-Por isso, não há como entender uma vida cristã sem “disciplina”, sem o ensino de Jesus, ensino este que se encontra na Bíblia Sagrada, “porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Rm.15:4).
-Não se compreende, pois, que pessoas queiram servir ao Senhor Jesus, digam-se “crentes” na atualidade mas não têm qualquer interesse em aprender de Jesus, nem sequer fazem uma leitura devocional diária das Escrituras Sagradas. Tais pessoas são “sem disciplina” e, por isso, não podem ser consideradas como verdadeiros “discípulos” do Senhor.
-O segundo significado de “disciplina” é “obediência às regras e aos superiores”, “a submissão da vontade e da inteligência a normas de pensamento, da ação, de conduta”, “a obediência às ordens ou regulamentos, que emanam da autoridade hierárquica, a quem cabe o mando, o “espírito de disciplina”, que predomina em quem obedece fielmente às ordens emanadas da autoridade à qual está subordinado”.
-A disciplina, neste significado, lembra-nos que o ser humano não é senão uma criatura na ordem cósmica.
Embora tenha sido criado como a “coroa da criação terrena” (Sl.8:5), o homem não passa de um mordomo do Senhor, ou seja, alguém que tem de se sujeitar a Deus, o único e exclusivo dono de todas as coisas que há no universo (Sl.24:1).
-A disciplina é, portanto, um aspecto da mordomia, pois, em sendo “obediência às regras e aos superiores”, nada mais é que a obediência a Deus, o Criador,
Aquele que fez o homem e que lhe determinou um modo, uma maneira de viver. A disciplina envolve, portanto, um modo de viver determinado por alguém superior, em termos espirituais, o modo de viver determinado por Deus aos homens.
-Muitos, equivocadamente, confundem a graça de Deus com a ausência de regras. Acham que o homem só deveria obedecer a regras e mandamentos na dispensação da lei, nos tempos de Moisés e que Jesus, ao trazer a graça e a verdade (Jo.1:17), estabeleceu um modo de vida sem quaisquer regras ou limites.
-Isto, porém, não corresponde à verdade bíblica, visto que, como ensinou o apóstolo Paulo (e não há, à evidência, no texto sagrado, alguém mais avesso ao legalismo do que Paulo), a vida em Cristo é um “andar conforme a regra” (Gl.6:16).
-Os salvos na pessoa de Jesus têm, sim, mandamentos a seguir, têm um modo de viver distinto, estabelecido e determinado por Deus, o que o apóstolo Paulo chama de “lei de Cristo” (I Co.9:21; Gl.6:2) e que se resume nos dois mandamentos, quais sejam, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc.12:31), mandamentos estes concretizados e sintetizados naquele que Jesus denominou de “novo mandamento”, que é o de amar uns aos outros como Jesus nos amou (Jo.13:34).
-Os homens sem Deus e sem salvação não andam conforme a regra, não se amam uns aos outros como Jesus nos amou, mas são “amantes de si mesmo” (II Tm.3:2), que se rebelaram contra Deus e não fazem senão satisfazer seus próprios desejos, confundindo “liberdade” com “libertinagem”, tendo uma “vã maneira de viver” (I Pe.1:18), mal sabendo, porém, que, em sua rebelião, estão assinando a sua própria sentença de morte eterna.
OBS: Recentemente, surgiu mais um “falso cristo”, José Luís de Jesus Miranda, criador do movimento “Creciendo en Gracia”, que tem entre seus “ensinos”, o de que “pecado é não fazer o que se tem vontade”, pois a “liberdade que há em Cristo” ( e ele se diz a reencarnação de Jesus) é “fazer o que se quer”.
Esta mensagem absurda tem conquistado milhares de seguidores, porque está bem de acordo com o propósito rebelde do coração humano escravizado pelo pecado.
-A liberdade tem, como contrapartida indispensável, a responsabilidade. Deus nos criou com o poder de escolha, com o poder de decidir o que iremos fazer ou não, mas prestaremos contas de todas estas escolhas e decisões perante Ele, com quem haveremos de tratar um dia (Hb.4:13).
-O terceiro significado de “disciplina” é “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”.
A “disciplina” envolve, portanto, o conjunto de regras, de procedimentos que devem ser seguidos a fim de que haja bem-estar.
-Desde quando o homem foi criado, Deus estabeleceu regras ao homem para que ele vivesse bem e alcançasse a felicidade, que é o objetivo que Deus quer a todos os homens, a quem ama com um amor tal que deu o Seu Filho Unigênito para proporcionar a salvação.
-Quando o homem aceita estas regras, passa a viver conforme a vontade de Deus, alcança esta felicidade, felicidade esta que o texto sagrado chama de “bem-aventurança”, ou seja, uma felicidade além dos limites compreendidos pela limitada mente humana.
-Enquanto o primeiro casal seguiu o regulamento prescrito por Deus no Éden, teve uma vida de comunhão e de delícias, mas, em tendo desobedecido ao Senhor, perdeu esta comunhão, passando a viver separado de Deus, por causa do pecado (Is.59:2).
-Foi esta separação que Jesus veio desfazer (Ef.2:12-19), mas, além de termos de crer n’Ele, pois a salvação nos vem pela fé (Ef.2:8), temos, também, de nos submeter à vontade de Deus, ao regulamento, ou seja, termos uma vida disciplinada, sem o que não alcançaremos o fim da nossa fé, que é a salvação (I Pe.1:9).
-Não é por outro motivo que Jesus sintetizou a vida cristã em três atitudes, pois disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mc.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23).
-Estas palavras foram proferidas aos “discípulos”, ou seja, a quem quer se submeter à disciplina divina, ao modo de viver estabelecido e determinado por Deus em Sua Palavra.
-A primeira atitude é a de “renunciar a si mesmo” ou “negar a si mesmo”, o que envolve a anulação da própria vontade, o abandono da vontade própria em troca da vontade de Deus.
-A vida cristã envolve deixar os próprios desejos para que os desejos de Deus sejam cumpridos em nossa vida.
Ter disciplina é, portanto, aprender o que Deus quer de nós e cumprirmos esta vontade em nossa existência.
-A segunda atitude é a de “tomar sobre si a sua cruz”, ou seja, assumir as responsabilidades e os encargos que a vida cristã exige.
-Ser cristão é ser servo de Deus e o servo tem um serviço a realizar, tem tarefas a cumprir. Deus não nos chamou para ficarmos ociosos ou para simplesmente nos deleitarmos em momentos de reunião de adoração (como, infelizmente, muitos têm achado), mas, sim, para cumprirmos uma obra que Deus nos confiou, obra esta que deve ser realizada para a glorificação do nome do Senhor.
-A terceira atitude é “seguir a Jesus”, ou seja, tomar as mesmas atitudes, ter o mesmo sentimento, o mesmo pensamento e o mesmo proceder do Senhor Jesus, que nos deixou o Seu exemplo para que fosse seguido (I Pe.2:21).
-Neste momento é que devemos, como nunca, procurar aprender com o Senhor, mantendo com Ele um contínuo diálogo mediante a leitura e meditação da Palavra e a oração, para que, pelo Espírito de Deus, compreendamos o desejo, a vontade de Deus para as nossas vidas e para que ajamos cada vez mais como verdadeiros “cristãos”, ou seja, “pequenos Cristos”, “parecidos com Cristo”. Foi esta semelhança que fez com que os antioquitas denominassem de cristãos os discípulos em Antioquia (At.11:26).
-O quarto significado de “disciplina” é “ordem, bom comportamento”. Como já dissemos, a disciplina nada mais é que a assunção do modo de viver determinado por Deus ao homem.
-Nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33), de forma que a vida do cristão deve ser uma vida ordenada, uma vida que esteja de acordo com a ordem estabelecida pelo Senhor.
-O “bom comportamento” nada mais é que o comportamento de acordo com as Escrituras, que a conduta segundo a vontade de Deus. Por isso, o apóstolo Paulo dizia que não mais vivia mas era Cristo que vivia nele (Gl.2:20).
-O quinto significado de “disciplina” é “…obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”. Temos aqui a grande diferença entre o legalismo formalista e a disciplina da vida cristã.
-A disciplina é algo que vem de dentro, vem do coração do homem, não uma imposição ou uma aparência que não corresponde ao que está no interior.
Jesus condenou duramente os fariseus precisamente porque eles construíam uma disciplina baseada na aparência, no aspecto exterior, sem qualquer preocupação numa real transformação interior.
-Disciplina não é a submissão a regras sob o ponto-de-vista exterior, mas, sim, uma obediência aos mandamentos divinos que tem sua origem no espírito, passa pela alma e atinge, por fim, o corpo (I Ts.5:23).
-A disciplina é a firmeza e a constância, que são fundamentais para se alcançar a vitória sobre o pecado e sobre o mal (I Co.15:57,58). Paulo, no término de sua vida, disse que havia “combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé”.
-O que significam estas expressões? Significam que Paulo, ao longo de toda a sua vida cristã, foi firme e constante. Diante das lutas, que nunca cessaram, manteve sempre o combate, o bom combate, porque era um combate feito com a armadura de Deus, de acordo com as regras estabelecidas pelo Senhor.
-Acabou a carreira, ou seja, jamais cessou de correr. A corrida do cristão não é uma prova de velocidade, mas, antes, é uma prova de resistência, com todas as dificuldades que existem na manutenção do fôlego e do objetivo de chegar ao final.
-Guardou a fé, ou seja, em momento algum se deixou abalar, deixou que as circunstâncias viessem a roubar a confiança que tinha em Deus. Esta firmeza aliada à constância é que o levaram a uma disciplina que lhe permitiu chegar ao fim, que é a salvação da sua alma.
II – O ESPÍRITO HUMANO E A DISCIPLINA DA VIDA CRISTÃ
-Tendo visto o que é a disciplina, logo notamos que se trata de uma atividade que está umbilicalmente relacionada com o espírito, pois a disciplina nos fala de um relacionamento com Deus, de atendimento à vontade de Deus, de conformação à imagem de Deus, de perseverança em agradar a Deus enquanto estivermos nesta peregrinação terrena.
-O espírito humano é responsável pelo nosso relacionamento com o Senhor, como também pela comunhão entre Deus e o homem e a disciplina tem, por objetivo, fortalecer esta comunhão, cujo fim é o de criar uma unidade entre Deus e o homem, a finalidade de toda a obra salvífica de Cristo Jesus (Jo.17:21- 23).
-Se a disciplina é, como vimos, “obediência às regras e aos superiores”, o mandamento de Jesus é que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (Jo.15:12) e, para tanto, precisamos não só desenvolver o amor a Deus e o amor ao próximo, como também ficarmos cada vez mais parecidos com Jesus (Rm.8:29).
-Como afirma a missionária Nayla Cintra, “…O principal objetivo das Disciplinas Espirituais é nos fazer parecidos com Jesus. A verdade é que não precisamos “adivinhar” quem Deus É, como Ele age e qual é o seu caráter.
Mas podemos conhecê-lo se andarmos com Ele. As Disciplinas Espirituais ajudam nesse processo, que também é possível chamar de santificação.…” (Disciplinas espirituais – Se tornando parecidos com Jesus. 27 mar. 2023. Disponível em: https://fhop.com/serie-disciplinas-espirituais-se-tornado-parecidos-com-jesus/
Acesso em 01 set. 2025).
-Como ensina o pastor Claudionor Corrêa de Andrade (1955-2025), a disciplina tem por objetivo “…tornar o santo mais santo” (Disciplina. In: Dicionário Teológico, p.124).
-A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma: “…a experiência pentecostal é resultado da vida guiada pelo Espírito Santo.
As práticas da leitura da Bíblia, da oração, do jejum e a participação nos cultos são essenciais para que o crente vivencie a presença do Espírito, pois são formas de adoração, ou seja, são serviço sagrado, culto, reverência a Deus por aquilo que Ele é e por Suas obras: ‘Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás’ (Mt.4:10).
A atuação do Espírito no nosso meio pode ser observada na vida de santidade, nos dons e na manifestação do Espírito Santo, na cura divina e na ordem no culto…” (DFAD, 2. ed., IX, p.137).
-Uma vez alcançada a salvação, este processo somente termina com a glorificação, que se dará no dia do arrebatamento da Igreja. Até lá, quem ainda estiver a militar na face da Terra, precisa seguir a santificação sem a qual ninguém verá a Deus (Hb.12:14). Quem é santo deve se santificar ainda, quem é justo, deve fazer justiça ainda (Ap.22:11).
-O pressuposto de todas as disciplinas cristãs é o amor a Deus. Quando cremos em Jesus, o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm.5:5) e este amor de Deus gera, em nós, o amor a Deus (I Jo.4:19).
-Não há como nos inserirmos nas disciplinas cristãs se não amarmos ao Senhor. Já na antiga aliança, o primeiro e grande mandamento era o de amar a Deus de todo o coração, de toda alma e de todo o pensamento (Dt.6:5; Mt.22:37).
-Somente quando amamos a Deus damos ouvidos à Sua voz e nos achegamos a Ele (Dt.30:20). Este amor a Deus é a inclinação com que correspondemos ao amor demonstrado por Cristo na cruz do Calvário (Rm.5:8) e é a comprovação de que realmente fomos por Ele atraídos (Os.2:14; Jo.12:32).
-O salvo, assim como a sulamita do livro de Cantares (Ct.6:13), busca a companhia do Senhor, o seu amado, procura sempre ir ao seu encontro, para com ele gozar da intimidade e, assim, construir a unidade pretendida para toda a eternidade (Ct.3:1-4).
-Quando não o faz, corre o risco de vida, como, aliás, aconteceu com a própria Sulamita, quando, em vez de ir ao encontro do amado, manteve-se inerte, acomodada, o que lhe causou grave e sério prejuízo (Ct.5:1-8).
-Não podemos, pois, descuidar destas disciplinas espirituais, uma vez que, conforme já vimos, devem elas ser demonstração de constância e firmeza e só a sua observância fará com que tenhamos bem-estar, bom comportamento.
-A primeira das disciplinas espirituais é a prática da leitura da Bíblia Sagrada. A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus e a principal fonte de revelação da vontade de Deus para com o homem.
Se queremos ter uma vida de comunhão com Deus, faz-se mister que saibamos qual é a vontade de Deus para com o homem e esta vontade está estampada na Palavra de Deus.
Com efeito, Deus é a verdade (Jr.10:10) e a Sua Palavra é a verdade (Jo.17:17), prova de que a Palavra é a principal e completa revelação do Senhor à humanidade (Hb.1:1; Ap.19:13).
-Ponto fundamental para conhecermos o caráter e a vontade de Deus, portanto, é conhecer a Sua Palavra e, por este motivo, Jesus sempre demonstrou que Seu ministério nada mais era senão o cumprimento das Escrituras (Mt.5:17,18; Jo.5:39; Lc.24:44-47), bem como que ensinar a Palavra era, ao lado da pregação do Evangelho, o principal e exclusivo trabalho dos apóstolos na igreja primitiva (At.6:2,4).
-O salmista alerta que a felicidade do homem está em ter prazer na lei do Senhor de dia e de noite (Sl.1:1,2) e, desde o tempo de Moisés, é dito que o segredo da própria vida espiritual é o fato de termos conhecimento e praticarmos, dia-a-dia, a Palavra do Senhor (Dt.6:1-9).
-Lamentavelmente, ao contrário de todas estas passagens das Escrituras que determinam a meditação contínua e incessante na Palavra do Senhor, poucos são aqueles que, dizendo-se crentes em Cristo, dedicam-se ao estudo e à leitura da Bíblia Sagrada.
-Certo pastor afirmou que, para não causar mais vergonha e decepção entre alunos de cursos teológicos, deixou de fazer uma pergunta com a qual iniciava seu curso no início do ano em todas as escolas de teologia em que já lecionou.
-Perguntava o pastor se alguém ali, que por se interessar em estudar a Palavra de Deus mais profundamente, havia se matriculado num curso de teologia, havia lido a Bíblia inteiramente ao menos uma vez e, para sua decepção, ano após ano, este número nunca superava parcelas ínfimas da classe.
-Assim, se entre pessoas que, teoricamente, dão valor ao estudo da Palavra de Deus, eram tão poucos os que leram a Bíblia toda pelo menos uma vez na vida, que dirá no restante do meio do povo de Deus?
-A leitura da Bíblia deve ser uma leitura devocional. A leitura devocional é a leitura com devoção e “devoção”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “apego sincero e fervoroso a Deus, sob uma forma litúrgica ou por práticas regulares privadas; sentimento religioso, piedade”.
Vemos, portanto, que a leitura dita “devocional” é uma leitura que se faz com apego, com sinceridade, com fervor a Deus, de modo regular e que está sempre caracterizado e confirmado com a prática.
-A leitura devocional é, portanto, em primeiro lugar, uma leitura “com apego”, ou seja, uma leitura em que o leitor está envolvido, interessado em aprender com o que está lendo. A leitura devocional, portanto, é uma leitura em que todo o ser do leitor está orientado e dirigido para o texto que se vai ler.
-Não se trata, portanto, de uma simples “passada de olhos” no texto, de uma leitura em que os olhos leem algo, mas a mente está em outro lugar, com sua atenção em outras coisas.
Quantas vezes não vemos, em meio a leitura de um texto bíblico nas igrejas locais, pessoas com as Bíblias abertas mas que estão com sua atenção voltada para o movimento à sua volta? Efetivamente, esta leitura não é uma leitura devocional, pois não há apego, não há envolvimento da mente e do sentimento do indivíduo com o que se está a ler.
-Não é por outro motivo que, no texto sagrado, a palavra utilizada para a leitura devocional da Bíblia é “meditar”, como se vê, por exemplo, em Js.1:8, onde o próprio Senhor, ao orientar Josué, após a morte de Moisés, manda que o novo líder de Israel meditasse no livro da lei de dia e de noite.
-Ora, o livro da lei, àquela altura, era tudo quanto havia das Escrituras Sagradas e, ao determinar que Josué, para que tivesse êxito em sua missão, não apartasse da sua boca a lei e nela meditasse de dia e de noite, o Senhor estava determinando que Josué não cessasse de refletir, pensar longamente, ocupar-se daquilo que estava escrito no livro.
-“Meditar” é, precisamente, dizem-nos os lexicógrafos (aqueles que escrevem dicionários), o ato de “refletir, pensar longamente, ocupar-se, estudar, praticar e fazer”.
-A leitura devocional, portanto, é muito mais do que um simples passar de olhos, mas é uma leitura que é acompanhada de um pensamento longo, de uma reflexão, de um envolvimento mental contínuo com aquilo que está escrito, pensamento longo e reflexão que levam a uma tomada de atitudes, a modos de viver.
OBS: A palavra hebraica empregada para “meditar” é “hagah” (הגה), cujo significado é “refletir, gemer, resmungar, ponderar, planejar, maquinar”.
“…Hagah representa algo tranqüilo, diferente do sentido de ‘meditação’ enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: medita. Sl.1:2, p.537).
-Esta meditação, conforme determinada por Deus a Josué, era uma meditação contínua. A expressão bíblica é “de dia e de noite”, ou seja, a qualquer hora do dia, a qualquer momento, em outras palavras, sempre.
Assim como há um mandamento bíblico para orarmos ininterruptamente, também existe uma determinação do Senhor para que jamais deixemos de pensar e de refletir sobre as Escrituras Sagradas.
O salmista diz que meditava todo o dia (Sl.119:97). Mas por que deveria Josué meditar de dia e de noite no livro da lei? O próprio Deus responde:
“para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito, porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Js.1:8). Estas palavras, a propósito, são repetidas pelo salmista (Sl.1).
-A leitura devocional da Bíblia, por ser feita com apego, isto é, com meditação, com envolvimento mental e longa reflexão a respeito do que é lido, produz em cada leitor o cuidado necessário para que pratiquemos as ações corretas, para que ajamos segundo a vontade de Deus, que está expressa no texto sagrado, a fim de que tenhamos uma vida espiritual bem-sucedida e que adquiramos a prudência, que é nada mais, nada menos que a ciência do Santo (Pv.9:10).
-Para que sejamos vitoriosos nas lutas diárias que temos na vida com Cristo nesta Terra, para que saibamos o que o Senhor Jesus, que é o Santo, quer de cada um de nós, é indispensável, são palavras do próprio Deus, que estejamos a meditar de dia e de noite na Palavra do Senhor.
-Por isso, temos visto, notadamente nestes últimos dias, tantos crentes que têm fracassado na fé, que têm se desviado dos caminhos do Senhor, que têm agido fora dos ditames estabelecidos por Deus em Sua Palavra, bem como agido imprudentemente e tido grandes derrotas espirituais em suas vidas.
-Tudo isto tem acontecido porque tais pessoas não têm meditado de dia e de noite na Palavra do Senhor. Não leem a Bíblia e se a leem, não meditam naquilo que está escrito, fazem tão somente uma “passada de olhos”, que não é o que determina o Senhor para que alcancemos o sucesso e a vitória espirituais.
-Com a leitura devocional das Escrituras, temos um diálogo entre Deus e o homem, com a iniciativa divina e, como a Palavra de Deus é discernida espiritualmente (II Tm.3:16,17), pelo Espírito Santo, temos uma comunicação do Espírito Santo conosco, o que, logicamente, se faz por intermédio do espírito humano (Rm.8:16).
-A comunicação é condição indispensável e necessária para que se tenha a comunhão e a comunhão é tarefa do espírito humano, motivo pelo qual esta disciplina é ação do próprio espírito humano.
-Quando lemos as Escrituras, somos alimentados espiritualmente (Mt.4:4; Lc.4:4) e isto nos traz fortaleza e vigor espirituais, que nos permite, assim como o profeta Elias, com a “comida vinda do céu”, caminharmos ininterruptamente em direção ao encontro com o Senhor.
-A segunda disciplina da vida espiritual é a oração. Orar é o ato pelo qual o homem se dirige a Deus para com Ele dialogar.
É uma atitude que expressa em si, de uma só vez, uma série de verdades que, por si só, já demonstram a excelência de uma conduta desta natureza, a saber:
a) quando oramos, reconhecemos a soberania de Deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração, que nada mais é que o cumprimento do grande mandamento (Mt.22:36,37).
b) quando oramos, reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de Deus e que, sem Ele, nada podemos fazer, o que, nada mais é, que a primeira bem-aventurança proclamada por Jesus no sermão do monte (Mt.5:3).
c) quando oramos, revelamos a nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em Deus e não em qualquer outro ser, o que significa uma ação que agrada a Deus, pois sem fé é impossível agradar-Lhe (Hb.11:6).
d) quando oramos, revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de Deus expressa em Sua Palavra, que quer que oremos sem cessar (I Ts.5:17), bem como que imitemos Jesus (I Co.11:1, I Pe.2:21), cujo ministério terreno foi, sobretudo, um ministério de oração.
e) quando oramos, demonstramos o nosso amor para com o próximo, pois intercedemos por eles e, como somos justos, permitimos que tal oração tenha uma eficácia benévola em suas vidas, o que é o complemento do grande mandamento (Mt.22:39,40), bem como a comprovação de que somos filhos de Deus (I Jo.2:5).
f) quando oramos, demonstramos a nossa esperança, pois, ao orarmos, apresentamos nossos desejos diante de Deus, reconhecendo que devemos sempre esperar nEle, que é a âncora da nossa vida (Hb.6:19). Afinal de contas, sabemos que Deus trabalha por aqueles que n’Ele esperam (Is.64:4).
-Não pode existir uma vida real de comunhão com Deus sem que haja oração. A oração é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus, é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do Senhor.
-A oração é, assim, a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de Deus. Nas páginas das Escrituras Sagradas, veremos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus.
-Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. Eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia-a-dia.
-A oração, como bem afirmou Paulo, é indispensável para que vençamos as hostes espirituais da maldade, pois é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente a armadura de Deus (Ef.6:13-18).
-A oração é outra forma de diálogo com Deus, só que, ao contrário da meditação nas Escrituras, a iniciativa não é mais do Senhor e, sim, do homem.
-De qualquer modo, há o estabelecimento de uma comunicação e a comunicação leva à comunhão, o que explica que, também aqui, temos a atuação do espírito humano promovendo a comunhão com Deus.
-A terceira disciplina é o jejum, que deve ser sempre entendido como um reforço à oração. O jejum é a abstenção total ou parcial de alimentação com a finalidade de aprimoramento do exercício da oração e da meditação.
-É uma prática encontrada nas mais antigas religiões da humanidade, em todos os lugares e nos mais variados estágios da civilização.
Assim, tanto foram encontrados sacerdotes de tribos nos mais distantes continentes que jejuavam para ter maior contacto com as divindades ou os espíritos dos antepassados, como também, como o jejum tem sido prática regular em todas as grandes religiões da atualidade (islâmicos, hinduístas, budistas, judeus e, por fim, os próprios cristãos).
-Por trás do jejum, existe a crença (que é válida) de que a mortificação do corpo, o sacrifício faz com que o homem se aproxime mais da divindade, porquanto revela seu desapego aos prazeres e às coisas materiais mais importantes, que são as referentes à sobrevivência, com o intuito de melhor perceber a vontade de Deus e de melhor agradá-l’O.
-Verdade é que não podemos entender o jejum, como muitos que assim fazem nas outras religiões, como um necessário desprendimento do corpo, como se o corpo fosse um mal em si e, portanto, um obstáculo para que tenhamos uma vida espiritual.
-Esta ideia, como já vimos neste trimestre, não corresponde ao ensino bíblico a respeito do assunto, pois Deus fez o homem corpo, alma e espírito (Gn.2:7, I Ts.5:23) e a Bíblia infirma que tudo quanto Deus fez foi por Ele considerado bom (Gn.1:31), o que inclui o nosso corpo.
-É por isso que a Bíblia não considera o jejum como uma penitência ou um sacrifício necessário para o desenvolvimento espiritual, pois devemos também ter o nosso corpo envolvido no anúncio da salvação, tanto que Deus o tornou templo do Espírito Santo (I Co.6:19).
-O jejum é uma prática recomendada, mas é um método para reforço da oração, não algo que possa trazer algum mérito ou que demonstre haver algum merecimento na vida de algum homem, pois tudo o que recebemos de Deus é fruto da Sua imensa misericórdia e graça (Lm.3:22).
-Este errôneo conceito de jejum próprio dos gentios, foi o motivo da reprovação da prática farisaica, como vemos no sermão do monte (Mt.6:16). Assim, ao contrário do que argumentam alguns falsos mestres nos nossos dias, Jesus não reprovou o jejum mas, sim, este errado conceito de jejum.
-Quando falamos em jejum, há aqueles que entendem que o jejum é a abstinência completa de todo e qualquer alimento, tanto água quanto os demais alimentos, não aceitando a ideia de que possa existir um jejum parcial.
-O jejum não envolve necessariamente abstinência de água, ainda mais quando se trata de um jejum prolongado, pois Jesus, ao jejuar quarenta dias no deserto, absteve-se apenas de alimento sólido, tanto que é dito que teve fome, mas não, sede (Mt.4:2).
-O ser humano não sobrevive se deixar de tomar água por mais de cinco dias, sendo que, dependendo da pessoa e do clima, este prazo pode ser bem menor, inferior a três dias.
-Devemos compreender o jejum como uma abstinência total ou parcial de alimentação. O jejum envolve uma abstinência, uma privação, que pode não ser completa.
-Um exemplo bíblico de jejum parcial encontramos em Dn.10:3, onde o profeta afirma que não comeu manjar desejável, num exemplo de que a abstinência não era total. Desta forma, não temos respaldo bíblico para afirmar que todo e qualquer jejum somente é válido se for total.
-O jejum não é tão somente uma abstinência de alimentação do corpo. A Bíblia sempre se refere ao jejum como uma “aflição de alma” (Lv.23:29; Is.58:5), ou seja, é uma prática que tem de estar relacionada com uma atitude de oração, de busca da presença do Senhor com o entendimento, com o sentimento e com a vontade, ou seja, com a alma.
-Como se não bastasse isso, o jejum exige, também, uma vida de obediência ao Senhor, uma vida de santidade.
A prática de jejum desacompanhada de uma vida deste tipo não tem qualquer valor para Deus, é simplesmente passar fome (Is.58; Zc.7).
-O jejum, como representa um reforço à oração, bem como uma atitude de maior renúncia diante de Deus é, também, algo que está na alçada do espírito humano, pois reforça a comunhão com o Senhor.
-A outra disciplina espiritual é a participação nos cultos, ou seja, a adoração coletiva com os irmãos da igreja local a que pertencemos.
-As Escrituras dizem que a nossa participação no culto é a apresentação do nosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm.12:1).
-Assim, nossa participação em um culto é um sacrifício que oferecemos a Deus, é um ato de adoração e, como tal, embora se trate de apresentação do corpo, é nitidamente uma tarefa do espírito humano, a quem incumbe administrar a adoração.
-Exige o texto sagrado que “apresentemos nosso corpo”, o que faz com que não se tenha base bíblica para que tenhamos “cultos on line”, como tem sido a tônica na vida espiritual de muitos após a pandemia do COVID-19.
-“Apresentar o corpo” é estar presente com o corpo no lugar onde se fará o culto. Num culto “on line”, somos tão somente assistentes remotos de uma celebração, não há uma adoração coletiva, mas, quando muito, o acompanhamento de uma adoração de terceiros e/ou uma adoração individual.
-À evidência que tal atitude é melhor do que a ausência de qualquer atividade de cunho espiritual. Melhor participar remotamente de uma celebração do que de nada participar, mas não podemos entender, como muitos, que esta prática substitua e dispense a presença num culto.
-Tanto é verdade que muitos que aderiram a esta prática hoje já não estão mais a cultuar, abandonaram a fé, numa clara demonstração de que não se trata de prática que contribua para a santificação, que seja uma válida alternativa da disciplina da vida espiritual. Tomemos cuidado, amados irmãos!
-A participação no culto é um ato de adoração e, portanto, atividade que diz respeito ao espírito humano e, tanto assim é, que se trata, como diz o apóstolo Paulo, de uma atitude que leva a que, pela renovação da nossa mente, entendermos a vontade de Deus (Rm.12:2,3), o que configura uma nítida intensificação da nossa comunhão com o Senhor, função do espírito humano.
-A participação no culto não é apenas um deslocamento para um local de adoração. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus lembra que as disciplinas envolvem a adoração que, por sua vez, abrange serviço sagrado, culto e reverência a Deus.
-Neste sentido, aliás, a primeira edição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus era mais assertiva, pois afirmava: “…a adoração é serviço sagrado, culto, reverência a Deus por aquilo que Ele é e por Suas obras…” (DFAD 1.ed., XV, p.143).
-Desta forma, o discípulo de Jesus deve ser alguém que se empenhe em fazer a obra de Deus, dedicando-se para que o nome do Senhor seja glorificado.
Por isso, “…nós adoramos a Deus como crentes individualmente e em todo o tempo…” (DFAD 1.ed., XV.2, p.144), de forma que a disciplina envolve, também, o testemunho, uma vida de santidade, um “viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem” (I Pe.2:12).
-É a isto que o apóstolo Paulo denomina de “andar segundo o espírito” (Rm.8:1), porque é uma vida governada pelo espírito humano, que, por sua vez, está em comunhão com o Espírito Santo (Rm.8:16).
-A adoração não se limita, pois, a uma frequência a reuniões, mas envolve o serviço cristão, o testemunho, como também a comunhão entre os irmãos, num compartilhamento de vida, já existente na igreja primitiva (At.2:44-46; 4:32-35).
-Esta comunhão fraterna, esta união existente entre os crentes é também um aspecto desta disciplina cristã, a demonstração de que estamos a cumprir o mandamento de nos amarmos uns aos outros como Jesus nos amou.
-Quando, porém, inexiste esta união, é porque ainda está a imperar a carne, a natureza pecaminosa entre os que cristãos se dizem ser, como bem atestou Paulo à igreja em Corinto (I Co.,3:1-3), prova de que se está ainda diante de pessoas que “andam segundo os homens”.
-Nem poderia ser de outro modo, porquanto inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões são obras da carne (Gl.5:20) e os que causam divisões são ditos sensuais, pessoas que não têm o Espírito (Jd.19).
-Este é, lamentavelmente, o quadro que temos visto cada vez mais entre os que cristãos se dizem ser, o que é mais um prenúncio de que estamos às vésperas do arrebatamento da Igreja, pois é este mais um sinal da proximidade da volta de Cristo, o esfriamento do amor de quase todos em virtude da multiplicação da iniquidade (Mt.24:12), dias em que haverá tanto traições como aborrecimentos mútuos entre os que cristãos se dizem ser (Mt.24:10).
-Que Deus nos guarde, que pertençamos aos remanescentes que, tendo aprendido com Jesus e se empenhando para cada dia mais d’Ele Se aproximar, venhamos a encontrá-l’O nas nuvens não muito depois destes dias.
– Que nossas sejam as palavras do missionário e poeta sacro João Gomes da Rocha (1861-1947): “Mais perto quero estar, meu Deus de Ti!” (duas primeiras estrofes do hino 187 da Harpa Cristã).
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11962-licao-11-o-espirito-humano-e-as-disciplinas-cristas-i
