LIÇÃO Nº 12 – DO JULGAMENTO À RESSURREIÇÃO
João foi testemunha privilegiada do processo da paixão, morte e ressurreição de Jesus
INTRODUÇÃO
-Na sequência do estudo do Evangelho segundo Jesus, analisaremos a narrativa da paixão, morte e ressurreição de Cristo neste livro.
-João foi testemunha privilegiada do processo da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
I – JESUS NO GETSÊMANI
-Na sequência do estudo do Evangelho segundo João, analisaremos hoje a narrativa este evangelho sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus.
-É evidente que esta narrativa está presente em todos os evangelhos, até porque Jesus veio ao mundo para morrer por nós, é esta a razão de ser de Sua peregrinação terrena, de forma que não poderia qualquer evangelho omitir estes fatos.
-Tal tema, ademais, é um dos que mais demonstram como devem ser estudados e compreendidos os evangelhos, a saber, como um conjunto, em que cada um dos livros mostra uma faceta, um perfil de todo o processo.
-Cada evangelista vai trazendo um aspecto de todo este processo, de modo que somente temos condição de avaliar todo ele através de uma leitura conjunta, que abranja todas as narrativas ao mesmo tempo.
-Como exemplo disso, podemos identificar as chamadas “sete palavras da cruz”, as sete afirmações dadas pelo Senhor Jesus enquanto estava na cruz do Calvário, palavras estas que são mencionadas separadamente nos evangelhos.
Senão vejamos:
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc.23:34);
“Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc.23:43);
“Mulher, eis o teu filho. Eis a tua mãe” (Jo.19:26);
“Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt.27:46; Mc.15:34);
“Tenho sede” (Jo.19:28);
“Está consumado” (Jo.19:30);
“Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito” (Lc.23:46).
-Daí porque ser importante que sempre se estude a chamada “Harmonia dos Evangelhos”, que é a tentativa de unir os quatro evangelhos canônicos em uma única narrativa, cujo objetivo é compreender a unidade e coerência do testemunho bíblico sobre Jesus.
-As narrativas sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus são, assim, diferentes em cada evangelho, como, aliás, nos deixou bem claro o exímio músico e compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), que compôs as “paixões”, conhecidíssimas obras, a saber, a “Paixão segundo São João”, composta em 1724 e a “Paixão segundo São Mateus”, composta em 1729 (que, aliás, é a sua mais longa composição).
-A narrativa de João tem, em relação às demais, um fator diferencial: João foi uma testemunha privilegiada de todo o processo. Era discípulo do chamado “círculo íntimo” de Jesus, formado por ele, Pedro e Tiago. Como tal, participou mais diretamente da agonia de Jesus no Getsêmani, que é o início da paixão propriamente dita (Mt.26:37; Mc.15:33).
-Como se não bastasse isso, era pessoa conhecida do sumo sacerdote (Jo.18:15) e, como tal, pôde assistir à sessão do Sinédrio e acompanhar os atos relativos ao julgamento de Jesus, tendo, ademais, sido o único discípulo que acompanhou o Senhor até o Calvário (Jo.19:26).
-Tem-se, portanto, que se tratou de uma testemunha privilegiada de todos estes acontecimentos e, por tê-los registrado quando já escritos os demais evangelhos, pôde complementar a narrativa e com nuanças que somente alguém que tudo presenciou poderia trazer.
-Por fim, o evangelho segundo João já é totalmente construído dentro da perspectiva do que denominou de “a hora de Jesus”. Em todo o evangelho, vemos que havia “a hora” em que Jesus seria glorificado (Jo.2:4; 7:30; 8:20; 12:23,27; 13:1; 16:32; 17:1).
-Em João, portanto, fica bem explícito, desde a narrativa do primeiro sinal, a transformação da água em vinho,
que haveria uma “hora” e que se teria a consumação da obra que Jesus viera fazer.
-Esta hora, como diz o próprio evangelista, iniciou-se com a oração de Jesus pelos Seus discípulos, a chamada “oração sacerdotal de Jesus”, estudada na lição anterior, que, como visto, é um paralelo do rito do dia da expiação, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo para expiar o pecado do povo.
-O sumo sacerdote, naquela ocasião, entrava primeiro no lugar santíssimo única e exclusivamente para encher o ambiente de incenso (Lv.16:12,13).
Como se sabe, o incenso simboliza a oração (Ap.5:8) e, portanto, ao mostrar que todo o processo de paixão, morte e ressurreição começa com a oração, João mostra claramente como Cristo é o sumo sacerdote e a vítima que tinha vindo para entregar Sua vida e obter a remissão da humanidade, como, aliás, havia sido admitido pelo próprio sumo sacerdote Caifás (Jo.11:49-53).
-Jesus orou pelos Seus discípulos e, então, saiu do cenáculo e foi para o jardim do Getsêmani, que ficava no sopé do monte das Oliveiras, que ficava da outra margem do ribeiro do Cedrom, que o separava de Jerusalém (Jo.18:1).
-A palavra “Getsêmani” significa “prensa de azeite”. É elucidativo que Jesus tenha vindo orar ali. Por primeiro, porque se encontrava fora da cidade de Jerusalém, e isto nos faz lembrar o “bode emissário” do dia da expiação, que era levado para fora do arraial, carregando os pecados de todo o povo (Lv.16:10), como, também, fora da cidade, haveria de ser sacrificado (Lv.16:27; Hb.13:11-13).
-Por segundo, porque seria neste jardim que Ele iniciaria o Seu sofrimento, como uma azeitona que é prensada para poder fornecer o azeite. Jesus iria sacrificar a Sua vida, morrer, para que nos desse vida.
-João dá a entender que Jesus estava Se dirigindo a este jardim todos os dias desde que viera para a Páscoa. Ensinando no templo durante o dia, retirava-se para o monte das Oliveiras e Judas o sabia muito bem, tanto que, tendo saído do cenáculo, foi encontrar-se com os soldados que prenderiam Jesus para os levar até lá (Jo.18:2,3).
-João não narra a oração que Jesus fez no Getsêmani, oração feita por Si mesmo, em que sacrificou a Sua vontade, o início de Seu sofrimento, já que sofreu tão grande agonia que o Seu suor se tornou em gotas de
sangue (Lc.22:44), dando-se início, assim, ao próprio derramamento de sangue pela nossa salvação, o que, aliás, já fora dito desde o jardim do Éden, quando se afirmou que “a semente da mulher” teria ferido o seu calcanhar (Gn.3:15).
-Em vez de narrar a agonia sofrida por Jesus, onde se tem demonstrada toda a humanidade do Salvador, João prefere demonstrar a manifestação da divindade do Senhor no episódio.
-Judas chega ao jardim com uma coorte, cujos soldados, tanto romanos quanto judeus, estavam com lanternas, archotes e armas. Jesus não Se intimidou, pelo contrário, adiantou-Se e perguntou a quem eles buscavam e, Jesus, então, diz: “Sou eu” (Jo.18:5).
-Este adiantar-se de Jesus era fruto de que Ele sabia todas as coisas que Lhe haviam de vir. Demonstrou não estar com medo, tomava atitude condizente com a renúncia de Sua vontade natural de não querer morrer, era a resolução de fazer a vontade do Pai, entregando-Se para a morte.
-Era “a fé do Filho de Deus” (Gn.2:20), que, por atitudes, comprovava o amor que tinha ao Pai e aos homens e que O levava a entregar-Se pela humanidade. É este mesmo amor e determinação que são exigidos dos filhos de Deus (I Jo.3:16).
-Temos aqui o quinto “Eu sou” de Jesus no evangelho segundo João, a utilização pelo Senhor do nome de Deus, com o qual a Divindade Se identificou a Moisés no monte Horebe (Ex.3:14).
-Das sete ocasiões em que João menciona esta expressão na boca de Cristo, três são precisamente no jardim do Getsêmani (Jo.18:5,6,8).
Ao assim fazer, o apóstolo deixa bem claro que, mesmo no momento de maior agonia vivido pelo homem Jesus, em que, por obediência ao Pai, sacrifica a Sua vontade e aceita morrer, não deixou de ser Deus, mostrando que estava a entregar a Sua vida pela humanidade, nunca tendo ela sido tomada de Si por parte dos homens (Jo.10:17,18).
-Ao proferir a expressão “Eu sou”, todos os soldados recuaram e caíram por terra. Jesus manifestava todo o Seu poder e, se quisesse, poderia escapar, retirar-Se dali, como, aliás, já havia ocorrido outras vezes (Jo.8:59; 10:39), mas não o fez, porque havia chegado a Sua hora (Jo.8:20).
-Ficou ali onde estava, os soldados se recompuseram e Jesus novamente perguntou a quem buscavam eles disseram que a Jesus Nazareno, tendo, então, o Senhor dito que O prendessem mas que deixassem os demais ir embora (Jo.18:8).
-Pedro, então, tentou reagir à prisão de Jesus, cortando a orelha do servo do sumo sacerdote chamado Malco, mas Cristo o repreendeu, mandando que Pedro pusesse a sua espada na bainha, dizendo que iria beber o cálice que o Pai Lho havia dado (Jo.18:10,11).
-Verificamos aqui que Jesus, conforme dissera, entregava-Se pela humanidade. Havia imobilizado os soldados com o poder da Sua palavra, mas permitiu que se recompusessem para O prender. Simultaneamente, impediu que Seus discípulos fossem presos, permitindo que fugissem dali. Tinha o absoluto controle de todas as coisas, mas Se permitia prender para fazer a vontade do Pai.
-Também mandou que Pedro cessasse a reação, com autoridade mandando que ele tornasse a pôr a espada na bainha, gesto que fez com que todo o ímpeto e a autoconfiança do discípulo se esvaíssem, abrindo caminho para a negação que dentro em pouco ocorreria.
-Mais uma vez, abria mão de Sua glória para consumar a obra que Lhe havia sido dada pelo Pai e pela qual Se humanizara.
-Os soldados, então, prenderam a Jesus e o manietaram, conduzindo-o primeiramente a Anás, sogro de Caifás, o antigo sumo sacerdote (Jo.18:12,13).
II – O JULGAMENTO DE JESUS
-João é o único que relata a condução de Jesus até a casa de Anás. Lucas menciona que Anás era o sumo sacerdote, assim como Caifás, no ano em que João Batista começou a pregar (Lc.3:2).
-Anás havia sido destituído do sumo sacerdócio pelos romanos, mas os judeus ainda o consideravam como tal, já que o sumo sacerdócio era um ofício vitalício. Além do mais, Anás gozava de grande prestígio entre os judeus, tanto que o historiador Flávio Josefo diz que cinco de seus filhos exerceram o sumo sacerdócio, algo singular na história de Israel.
-O fato de Jesus ter sido levado primeiramente a Anás mostra tanto o prestígio dele, como também a própria conspiração para condenar Jesus.
Anás como que “preparou” a audiência oficial no Sinédrio que levaria à condenação de Cristo. Tanto assim é que Anás, em seguida, mandou que Jesus fosse oficialmente levado à presença de seu genro, Caifás, que era oficialmente o sumo sacerdote.
-Quando Jesus foi levado até Anás, João, que era conhecido do sumo sacerdote, conseguiu entrar na sala do sumo sacerdote e se fazia acompanhar de Pedro.
Pedro, entretanto, ficou do lado de fora e lá foi confrontado pela porteira, que o identificou como discípulo de Jesus, e ele o negou (Jo.18:17), tendo, então, ido se aquentar com a criadagem numa fogueira, pois a noite estava fria (Jo.18:18).
-João, que estava na sala do sumo sacerdote Anás, conta o interrogatório feito a Jesus nesta ocasião. É ele o único a relatá-lo, pois foi o único a presenciá-lo.
-Indagado por Anás sobre os Seus discípulos e sobre Sua doutrina, Jesus disse ter sempre falado abertamente e que, por isso, deveria o sumo sacerdote perguntar a respeito aos ouvintes de Suas palavras e, diante desta resposta, um criado do sumo sacerdote lhe deu uma bofetada, tendo, então, Jesus perguntado a ele porque O feria, vez que deveria dizer o mal que porventura tivesse Ele falado (Jo.18:20,21).
-Não tendo podido obter qualquer prova contra Jesus, Anás, então, mandou que Jesus fosse apresentado a Caifás (Jo.18:24).
-A criadagem, então, vendo Pedro aquentando-se na fogueira, perguntou-lhe se ele não era um dos discípulos de Jesus, e Pedro fez nova negativa.
Ante esta negativa, um outro criado, parente de Malco, de quem Pedro cortara a orelha, voltou a indagar se Pedro não era discípulo de Jesus e Pedro tornou a negar, instante em que o galo cantou, cumprindo-se, assim, o que Jesus dissera a ele quando as últimas instruções (Jo.18:25-27).
-João não relata a audiência ocorrida no Sinédrio, pois, certamente, a ela não teve acesso, mas estava ali por perto, tanto que, quando Jesus foi conduzido até Pôncio Pilatos, de manhã cedo, acompanhou o seu Mestre, ainda que à distância, pelas circunstâncias (Jo.18:28).
-A informação trazida por João é de grande relevância. Mostra que o julgamento feito pelo Sinédrio se deu antes do amanhecer, o que contrariava as normas judiciárias então existentes, que proibia julgamentos noturnos, a demonstrar a nulidade do julgamento efetuado.
-João ainda mostra a hipocrisia da cúpula religiosa judaica ao relatar que eles não entraram no pretório, local em que ficava o presidente da Judeia, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa, já que o local onde ficavam gentios era considerado imundo e exigia a purificação do judeu se nele entrasse (Jo.18:28).
-Estavam a pecar deliberadamente, querendo matar um inocente (e, por isso, queriam o aval do governo romano, pois o Sinédrio não podia condenar pessoa alguma à morte), mas fingiam uma santidade, cuidando para não se contaminar entrando num recinto frequentado por gentios.
-Como os integrantes do Sinédrio não podiam entrar no pretório, Pilatos saiu e perguntou qual acusação tinham contra Jesus, tendo os Seus acusadores dito ser ele um malfeitor e que, por isso, o teriam entregado ao presidente.
Esta resposta mostra de que não tinham de que o acusar, motivo por que Pilatos disse que deveriam julgá-l’O conforme a lei judaica, mas aí revelaram eles o seu intento, dizendo que não podiam condená-l’O à morte (Jo.18:29,30).
-João mostra-nos aqui que, não só o intento do Sinédrio era homicida, consoante havia já determinado o próprio Caifás (Jo.11:51), mas que a morte teria de ser por crucifixão, segundo a lei romana, consoante também o próprio Jesus já havia dito mais de uma vez ao longo de Seu ministério público (Jo.3:14; 8:28).
-Pensavam as autoridades religiosas judaicas que estavam eliminando um homem que consideravam uma ameaça ao “statu quo” existente em Israel, mas, na verdade, eram apenas instrumento do desígnio divino para a salvação da humanidade.
-Não estavam a querer tirar a vida de Cristo, mas tudo ocorria para que Ele entregasse Sua vida em resgate dos homens (Jo.10:17,18). O evangelista enfatiza, em sua narrativa, este aspecto de todo o processo da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
-Isto nos dá uma importante lição: tudo acontece conforme os desígnios divinos, nada ocorre fora dos planos de Deus, mas Deus dá ao homem a liberdade de se submeter voluntariamente a tais planos, desfrutando da obediência assumida. Jesus aceitou submeter-Se à vontade do Pai, sofria todo aquele processo porque o quisera e foi recompensado pela Sua obediência até a morte e morte de cruz com a Sua sublime exaltação (Fp.2:5- 11).
-Neste processo, tomaram parte pessoas como João, Judas e Pedro. João sempre se manteve ao lado do Senhor Jesus, confiando, como o Mestre, nas promessas divinas, no amor, poder e sabedoria de Deus.
-Pedro, autoconfiante, achando poder mudar os desígnios divinos, adaptando-os à sua visão de mundo, fracassou, porquanto viu que não podia alterar a vontade do Senhor, mas, a tempo, reconhecendo o amor, o poder e a sabedoria divinos, arrependeu-se e se submeteu a Jesus.
-Judas Iscariotes, tentando mudar os desígnios divinos, adaptando-os à sua visão de mundo, fracassou tanto quanto Pedro, mas, ao verificar que não podia alterar a vontade do Senhor nem que tinha controle algum sobre a situação, em vez de reconhecer o senhorio do Mestre, preferiu dar cabo de sua vida, tornando-se o filho da perdição (Jo.17:12).
-O livre-arbítrio, como se verifica, foi exercido por estes três discípulos de Jesus, sem que isto representasse minimamente a perda da soberania divina, tendo cabido a cada um deles, o destino decorrente de sua opção, opção já previamente sabida mas não impedida por Cristo, que como disse João, sabia “…todas as coisas que sobre Ele haviam de vir…” (Jo.18:4).
-Pilatos entrou novamente no pretório e chamou a Jesus, passando a interrogá-l’O. Pelo que se verifica, Jesus teria entrado no recinto. Não teria se “contaminado”? A resposta é negativa.
A celebração da Páscoa já havia se dado na noite anterior com os Seus discípulos e o segundo “jantar pascal” era só exigido para quem vivia fora de Israel. No seu ritualismo, os integrantes do Sinédrio faziam questão de participar de dois jantares, mas este segundo não era obrigatório, de modo que não havia problema algum em Jesus adentrar no pretório.
-A pergunta feita por Pilatos bem demonstra qual era a acusação trazida pelo Sinédrio: rebelião contra o domínio romano. O governador perguntou a Jesus se Ele era o rei dos judeus (Jo.18:33).
-Jesus, então, pergunta a Pilatos se ele dizia isto dele mesmo ou se o haviam dito ao presidente. Pilatos afirma que quem lho havia dito tinham sido os principais dos sacerdotes que O haviam entregado.
-Jesus, então, disse que Seu reino não era deste mundo, tanto que, se assim fosse, Seus servos estariam a lutar para que não fosse entregue aos judeus.
Pilatos, então, diante desta resposta, quis tirar de Cristo a admissão de que Ele Se considerava rei, e Jesus, então, diz que era Pilatos quem dissera que Ele era rei, e o confirma, dizendo que para isso havia nascido e vindo ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade, pois, todo que é da verdade, ouviria a Sua voz.
-Pilatos, diante desta resposta, perguntou a Jesus o que era a verdade e voltou aos judeus, dizendo não ter encontrado crime algum praticado por Jesus, mas, conforme costume existente, perguntou ao povo se queria que Jesus ou Barrabás, um salteador, fosse solto e o povo, então, escolheu a Barrabás (Jo.18:35-40).
-João mostra claramente que Jesus foi injustamente condenado, mas que Se submetia à injusta condenação à morte, e morte de cruz.
-Como o povo escolheu Barrabás, confirmando o que o evangelista já dissera no introito de seu livro, de que viera para os Seus mas eles não O receberam (Jo.1:11), Pilatos mandou açoitar Jesus e os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça e lhe vestiram uma veste de púrpura, esbofeteando-O e Lhe zombando, dizendo: “Salve, rei dos judeus” (Jo.19:1-3).
-Depois deste escárnio, Pilatos tornou a dizer que não via em Cristo crime algum, apresentando-o aos Seus
acusadores e dizendo: “Eis aqui o homem” (Jo.19:5).
-Esta expressão de Pilatos, trazida unicamente por João, mostra-nos como Jesus era o homem que humilhava até a morte, e morte de cruz, para salvar a humanidade.
-Jesus é apresentado coroado de espinhos, mostrando que estava a assumir a maldição decorrente do pecado, pois os espinhos exsurgirão na Terra como castigo pelo pecado do primeiro casal (Gn.3:18).
-Jesus é apresentado açoitado, vítima de uma injustiça, pois ainda não fora formalmente condenado, pelo contrário, declarado inocente pela autoridade julgadora, pois estava a assumir a culpa da humanidade, a fim de poder imputar a Sua justiça aos homens (Rm.4:1-8,25).
-Jesus é apresentado com veste de púrpura, depois de ter sido aclamado, em tom de zombaria, como “rei dos judeus”. Jesus, sendo rei, é aviltado e zombado, porque se fez vil e desprezível, assumindo o nosso lugar, para nos salvar.
-Este era o homem que vinha trazer a salvação e, apresentado aos principais dos sacerdotes e seus servos, é rejeitado por eles, que insistem em pedir a Sua crucifixão. Pilatos, então, reafirma a Sua inocência e diz que pegassem eles a Cristo e O crucificassem.
-Os judeus, confirmando ainda mais a injustiça da condenação, invocaram a sua lei para dizer que Jesus merecia ser morto porque Se tinha feito Filho de Deus (Jo.19:7). Ora, como poderiam condenar Jesus segundo a lei romana se utilizando da lei judaica, cuja aplicação haviam se recusado fazer logo no início da audiência?
-Esta afirmação dos inimigos de Jesus teve efeito contrário. Pilatos ficou atemorizado, já que Jesus havia dito que Seu reino não era deste mundo e como os judeus dissessem que Ele Se fazia Filho de Deus, foi perguntar a Cristo qual era a Sua origem, mas Jesus ficou calado (Jo.19:9).
-Diante do silêncio de Jesus, Pilatos lembrou-Lhe que tinha o poder para crucificá-l’O ou soltá-l’O e Jesus Lhe respondeu que nenhum poder Pilatos teria se de cima não lhe fosse dado, mas maior pecado tinha aquele que O havia entregado ao governador (Jo.19:10,11).
-Pilatos, diante desta afirmação de Cristo, procurou soltá-l’O, mas foi, então, acusado pelos judeus de não ser “amigo de César”, pois “quem se faz rei é contra o César”. Mais uma vez, mostram os judeus a inconsistência de suas acusações contra Jesus, pois, agora, invocam a lei romana, dizendo que Jesus Se fazia rei e deveria,
portanto, ser condenado por isso, sem que prova alguma o demonstrasse, até porque Jesus já dissera a Pilatos que seu reino não era deste mundo.
-Jesus dá-nos mais uma demonstração de que estava no controle de todas as coisas. Era necessário que morresse e, por causa disto, Pilatos, mesmo reconhecendo Sua inocência, entregá-l’O-ia à morte e, nesta entrega, seria Jesus crucificado. No entanto, tudo isto se dava pela vontade divina, não pelo poder de César.
-Pilatos, então, premido pelas acusações das autoridades judaicas, assentou-se no tribunal e novamente apresentou Jesus à turba, chamando-O, então de rei: “Eis aqui o vosso rei” (Jo.19:14).
-Os judeus, porém, tornaram a pedir a Sua crucifixão. Pilatos perguntou ao povo se queriam que crucificasse o rei dos judeus e os principais dos sacerdotes disseram que não tinham rei senão a César (Jo.19:15). Diante de tal assertiva, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado (Jo.19:16).
-Consumava-se a rejeição de Jesus por Israel, por meio do Sinédrio, a máxima autoridade judaica.
III – A MORTE DE JESUS
-Jesus, então, levou às costas a Sua cruz, sendo levado até o monte Calvário, onde foi crucificado, no meio de dois outros condenados, sendo que, na cruz, foi colocado um título:
“Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a sua condenação oficial, tanto que escrita em todas as línguas oficiais: hebraico, grego e latim (Jo.19:19).
-“Jesus Nazareno” fora o nome pelo qual Cristo tinha sido identificado desde o momento de Sua prisão no jardim. “Rei dos judeus” era a acusação feita pelos judeus ao governo romano, para que pudesse ser Ele morto e com morte de cruz.
-Os principais dos sacerdotes não gostaram deste título e quiseram a correção, para que constasse “Ele disse: sou rei dos judeus”, mas Pilatos manteve o que havia determinado que se escrevesse. Jesus era oficialmente reconhecido como o rei dos judeus pela maior autoridade do mundo (Pilatos ali representava César), para nos mostrar que Jesus não deixou de ser o que era, mesmo morrendo na cruz.
-Jesus de tudo Se despojara para morrer pela humanidade, pagando o preço dos nossos pecados ao Se sacrificar na cruz do Calvário.
-Este despojamento envolveu as Suas próprias vestes. Dividiram suas vestes em quatro partes e foram distribuídas entre os soldados, mas a túnica não foi dividida, sendo sorteada e isto se deu para que se cumprissem as Escrituras (Jo.19:23,24).
-João estava junto à cruz e, por isso, também traz ao conhecimento de todos três palavras proferidas por Cristo na cruz que não foram registradas por nenhum outro evangelista, palavras que confirmam este despojamento, esta renúncia de Si mesmo que caracteriza a Sua obra salvífica.
-Por primeiro, mostra que estava junto à cruz juntamente com a mãe de Jesus, Sua tia, Maria, mulher de Clopas e Maria Madalena (Jo.19:25).
-A seguir, diz que Jesus entrega aos cuidados do próprio João os cuidados de Sua mãe. Nesta palavra, além de mostrar o grau de confiança de que João gozava junto a Cristo, tanto que era o único apóstolo que estava ali, ao pé da cruz, também nos revela como Jesus cumpria, como homem, todos os deveres sociais.
-Os irmãos de Jesus, àquela altura, eram incrédulos (Jo.7:5). Embora o Senhor já soubesse que Seus irmãos se converteriam (vemo-los convertidos após a ascensão de Jesus, no cenáculo, onde, posteriormente, foram revestidos de poder – At.1:14)., tinha o dever, naquele momento, de suprir a subsistência de Sua mãe junto a alguém que realmente O amasse e se dedicasse a cuidar, por amor a Ele, de Sua mãe até a morte.
-Por isso, tendo a João como o discípulo que mais O amava, entrou aos seus cuidados a Sua mãe. Aqui, uma vez mais, Jesus chama Maria de “mulher” e diz a João que ela passaria a ser a sua mãe, a nos mostrar, com clarividência, que a maternidade de Maria era terrena, terminava ali, sem qualquer repercussão na obra salvífica de Cristo.
-Desmonta-se, assim, o dogma romanista da maternidade divina de Maria. Não há dúvida de que o ser que Maria deu à luz era homem e Deus, mas a maternidade de Maria restringia-se ao aspecto terreno: biológico (mas não genético), social e jurídico.
-Jesus despojava-Se, por força das circunstâncias, da Sua condição de arrimo de família, mas não deixava Sua mãe desamparada, muito pelo contrário, propiciava a ela um filho exemplar, o apóstolo do amor, que dela cuidou até o final de sua vida.
-Como ensina o saudoso pastor Antônio Gilberto (1927-2018), “é a palavra da recordação de Jesus por nós” (As últimas palavras de Jesus na cruz. Bíblia com comentários de Antônio Gilberto, p.1506). Ao Se lembrar de Sua mãe, Jesus mostra que não se esquece de nenhum dos Seus, lembrando que quem é Seu discípulo é Sua mãe e Seus irmãos (Mt.12:49; Mc.3:33-35; Lc.8:21).
-E, neste despojamento, em que “nada fazia por Si mesmo, mas falava como o Pai O ensinou” (Jo.8:28), Jesus fez como que um retrospecto de tudo quanto estava escrito a Seu respeito e percebeu que ainda não se cumprira uma profecia, qual seja, a de que Ele tomaria vinagre (Sl.69:21), disse que tinha sede (19:28).
-João, que estava ao pé da cruz, bem ouviu Jesus dizer que tinha sede. Era a demonstração de que o Verbo Se tinha feito carne e que passava por todos os processos biológicos como qualquer ser humano e a crucifixão gerava sede na vítima.
-Jesus sentia sede, mas só o revelou, porque tinha de ainda sofrer algo que estava profetizado, cumprir a Palavra de Deus, mesmo com dano próprio.
Jesus dá-nos aqui o exemplo para que sempre cumpramos a vontade divina, mesmo que isto, num primeiro momento, traga um mal imediato para si. Jesus teve de tomar vinagre para cumprir a Escritura e, por isso, disse que tinha sede.
-Como ensina o pastor Antônio Gilberto (1927-2018): “É a palavra de sofrimento de Jesus por nós” (As últimas palavras de Jesus na cruz. Bíblia com comentários de Antônio Gilberto, p.1506).
Ao dizer que tinha sede para cumprir profecia relativa a Seu sofrimento, Jesus mostra que realmente tomou o cálice que tinha de beber para a nossa salvação (Mt.26:39,42; Mc.14:36; Lc.22:42; Jo.18:11).
-Tendo, então, bebido o vinagre e, desta maneira, cumprido tudo quanto estava profetizado a Seu respeito,
Jesus pronuncia mais uma palavra na cruz: “Está consumado” (Jo.19:30).
-Esta palavra antecedeu à Sua morte, foi a penúltima palavra proferida. Jesus somente poderia morrer se tudo cumprisse. E Ele o fez. Estava consumada a obra que Lhe fora dada a fazer: entregar a Sua vida para resgate da humanidade.
-Como ensina o pastor Antônio Gilberto (1927-2018): “É a palavra da vitória de Jesus por nós” (As últimas palavras de Jesus na cruz. Bíblia com comentários de Antônio Gilberto, p.1506).
Jesus cumpria a exigência da justiça divina e obtinha a salvação da humanidade, oferecendo sacrifício perfeito e tirando o pecado do mundo.
-Observemos que a palavra de Jesus foi “está consumado” e não “tudo está consumado” como muitos, inadvertidamente, dizem. O que se consumou foi o beber do cálice, foi a entrega da vida pela salvação da humanidade, o restabelecimento da amizade entre Deus e os homens.
-A obra de Jesus não findou na cruz. Ele, como disse em Sua oração sacerdotal, haveria de mandar o Espírito Santo, como também interceder pelos Seus discípulos no céu, até o instante em que retornará à Terra para tudo restaurar (At.3:21).
-João, então, conta-nos outro fato que somente alguém que estava ao pé da cruz poderia relatar. Quando se aproximava o final do dia, para que os corpos não ficassem na cruz, pois se estava no segundo dia de celebração da Páscoa, foram quebrar os ossos dos sentenciados para acelerar-lhes a morte, mas, ao verem que Jesus já havia morrido, não efetuaram a quebra de Seus ossos. Um soldado, porém, para certificar-se de que realmente Jesus estava morto, furou o lado do Senhor com uma lança e logo saiu água e sangue (Jo.19:31-37).
-Esta notícia que nos dá o apóstolo do amor traz-nos preciosas: a primeira que, mesmo após a morte de Jesus, as Escrituras continuaram se cumprindo em relação a Ele, porquanto estava profetizado que nenhum dos Seus ossos se quebraria (Sl.34:20), confirmando que Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, figurado pelo cordeiro pascal (Ex.12:46; Nm.9:12).
-Não somente isto, mas que o corpo de Jesus seria traspassado, conforme profetizado por Zacarias (Zc.12:10).
-A segunda lição diz respeito a que Jesus derramou todo o Seu sangue na cruz. Quando o soldado furou o lado de Cristo, saiu sangue e água, ou seja, o sangue todo foi derramado. Isto nos mostra que o sacrifício de Jesus foi total, que derramou todo o Seu sangue, entregou toda a Sua vida pela humanidade. Foi um sacrifício completo.
-A terceira lição é que o lado de Jesus foi furado, tendo saído sangue e água. Alguns estudiosos das Escrituras entendem ter, neste instante, sido formada a Igreja que, tal qual Eva, “saiu do lado” de Jesus, Igreja que nasce purificada pelo sangue de Cristo (I Jo.1:7) e lavada pela água da Palavra (Ef.5:26).
IV – O SEPULTAMENTO E A RESSURREIÇÃO DE JESUS
-José de Arimateia, discípulo oculto de Jesus, rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus e teve sua pretensão atendida pelo presidente da Judeia. Foi, então, e tirou o corpo de Jesus da cruz, o que, evidentemente, foi visto por João que ali estava.
-João pôde ver que Nicodemos, outro discípulo de Jesus, também veio até lá levando quase cem libras, isto é, cerca de cento e trinta e quatro quilos de um composto de mirra e aloés.
-Ambos tomaram o corpo de Jesus, envolveram-no em lençóis com as especiarias, como os judeus costumavam fazer na preparação para o sepulcro e sepultaram Jesus em um horto, num sepulcro novo, onde ninguém havia sido posto ainda, uma vez que estava próximo o final do dia, quando se celebraria o segundo dia da Páscoa.
-Estas informações trazidas pelo apóstolo do amor, testemunha destes fatos, trazem-nos também importantes revelações. Confirmam que se cumpriu a profecia de que Jesus seria sepultado em um sepulcro de uma pessoa rica (Is.53;9), no caso, José de Arimateia.
-Também mostram que Jesus teve Seu corpo preparado às pressas, para que fosse devidamente sepultado, o que motivou as mulheres que estavam ao pé da cruz a quererem “complementar” o trabalho posteriormente (Lc.23:55,56).
-Apesar de ter se feito maldição por nós, morrendo na cruz (Gl.3:13), Jesus não deixou de ser sepultado, visto que, como homem, tinha de tornar ao pó, visto que era pó (Gn.3:19) em mais uma comprovação de que o Verbo Se fizera carne.
-Ademais, os casos de pessoas insepultas na Bíblia Sagrada sempre são de pessoas que desagradaram a Deus, como Jezabel (II Rs.9:34-37), o que, evidentemente, não era o caso de Jesus.
-Outra lição que temos, muito bem explanada pelo pastor José Carlos Magalhães, da Assembleia de Deus do Ministério de São Miguel Paulista, é o cuidado que Deus quis que se tivesse com o corpo de Jesus, o mesmo cuidado que temos de ter, agora, com a Igreja, que é o corpo de Cristo. Temos tido este cuidado?
-João, então, narra a ressurreição de Jesus, dizendo que Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, no primeiro dia da semana, sendo ainda escuro, tendo visto que a pedra do sepulcro fora tirada e, diante desta constatação, foi dizer-lhe a Pedro e ao próprio João, dando conta de que haviam tirado o corpo do sepulcro, não sabendo onde o haviam posto (Jo.20:1,2).
-Pedro e João, diante da notícia, correram até o sepulcro, mas João, mais jovem, foi mais veloz e chegou primeiro, tendo abaixado e visto os lençóis, mas não entrou no sepulcro.
Pedro, entretanto, entrou, viu os lençóis no chão bem como o lenço que estado sobre a sua cabeça, enrolado num lugar à parte. João também entrou, viu aquilo e creu, mas tornaram para casa sem dizer coisa alguma e, inclusive, deixando as mulheres ali (Jo.20:1-10).
-Nesta narrativa, também omitida nos demais evangelhos, vemos que João não abandonara Pedro, apesar de ele ter negado a Jesus, demonstrando, assim, um amor pelo seu companheiro, não o recriminando. Também notamos como ainda a juventude do apóstolo tornava-o vulnerável, pois não entrou no sepulcro de imediato, ao contrário do Pedro, embora tenha sido mais veloz, demonstrando certa imaturidade.
-De igual maneira, João mostra como ambos, sem o Espírito Santo, apesar de testemunharem a ressurreição, não puderam propagá-la, porquanto não lembraram de que Jesus havia dito que ressuscitaria nem o que Escritura dizia a respeito.
-Mesmo João, tendo crido que Jesus havia tornado à vida, era incapaz de desta constatação ver o cumprimento da Palavra de Deus, o que nos mostra realmente a necessidade do Espírito Santo na vida de cada um de nós, como Jesus ensinara nas Suas últimas instruções.
-Ademais, a narrativa de João mostra claramente como a ressurreição foi uma realidade, pois a mentira contada pelos judeus de que ocorrera o furto do corpo não faz qualquer sentido, uma vez que ninguém levaria um corpo de um cadáver judeu deixando os lençóis nem tampouco mantendo os lençóis separados do lenço, que estava enrolado num lugar à parte.
-A narrativa mostra-nos, por fim, com absoluta clareza, que Jesus é Deus e, como tal, um ser organizado, não é Deus de confusão (I Co.14:33).
Os lençóis e o lenço foram deixados ordenadamente no sepulcro, como também, quando da multiplicação dos pães, os pedaços que sobraram foram devidamente recolhidos e postos em doze cestos (Jo.6:12,13).
-Se Jesus sempre trabalhou com ordem e organização, como podemos achar que seremos Suas testemunhas se realizarmos as coisas desordenada e desorganizadamente, máxime nas atividades relacionadas com a obra de Deus? Pensemos nisto!
-João narra como testemunhou, assim como Pedro e Maria Madalena, que o túmulo estava vazio e como a forma como estava o túmulo descreditava a versão que as autoridades judaicas mandaram espalhar (Mt.28:11-15).
-No entanto, seu registro vai além, pois narra a aparição de Jesus a Maria Madalena, mostrando que Jesus não só não estava no túmulo, mas que havia retornado à vida.
-Pedro e João foram embora do sepulcro e, como dois homens, estavam tentando racionalizar o que tinha acontecido. Maria Madalena, mulher que era, chorava porque não tinha podido fazer o que entendia ser o último ato de amor pelo Mestre, ungindo convenientemente o Seu corpo.
-Ainda chorando, abaixou-se para ver o sepulcro, quando, então, viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés (Jo.20:12).
-Esta visão que teve Maria Madalena mostra-nos, por primeiro, que, enquanto estivermos movidos única e exclusivamente pela razão, como foi o caso de Pedro e de João, não conseguiremos ver o sobrenatural.
Maria Madalena abaixou-se para ver o sepulcro, mas não apenas com o intuito de entender o que se passava, mas movida também pela sensibilidade, pelo desejo de agradar ao Senhor.
-Será que não temos deixado de ter a presença de Jesus por causa de um racionalismo exacerbado, por insensibilidade ou por desconhecimento das Escrituras, como era o caso de Pedro e de João? Pensemos nisso!
-Os dois anjos, uma à cabeceira e outro aos pés de onde jazera o corpo de Cristo, é mais um indicador de que o corpo não fora furtado, como disseram os judeus em sua mentira, mas que havia ocorrido uma separação do corpo daquela mortalha.
-Os dois anjos, também, confirmavam o que Jesus dissera no início de Seu ministério, qual seja, a de que, ao longo da realização pública da obra salvífica que Lhe fora confiada, seria assistido pelos anjos (Jo.1:51).
-Os anjos, então, dirigiram-se a Maria Madalena e lhe perguntaram porque estava ela chorando, tendo, então, ela dito que haviam levado o seu Senhor e não sabiam onde O haviam posto (Jo.20:13).
-Maria sentiu a aproximação de alguém, voltou-se para trás e viu alguém em pé, que não sabia que era Jesus. Jesus, então, pergunta a Maria Madalena porque estava chorando e a quem ela buscava. Maria Madalena, cuidando que se tratava do hortelão, pediu que dissesse para onde havia levado o corpo, que ela o levaria.
-Jesus chamou Maria Madalena pelo nome e ela, imediatamente, reconheceu a voz de Jesus (Jo.20:16), pois era Sua ovelha (Jo.10:27).
-Jesus, então, diz a Maria que não O detivesse, porque ainda não tinha subido para o Seu Pai, mas que fosse aos discípulos, a quem chamou de irmãos e diz que subiria ao Seu Pai e Pai deles, ao Seu Deus e Deus deles e Maria Madalena imediatamente foi divulgar a mensagem recebida (Jo.20:17,18).
-A mensagem de Jesus mostrava que a Sua ressurreição era a comprovação de que Ele unira Deus aos homens novamente. Seus discípulos, por terem crido n’Ele, agora eram filhos de Deus, tanto que Jesus, o Filho Unigênito, agora Se tornara o primogênito, pois os que haviam crido n’Ele eram agora Seus irmãos, assim como o Seu Deus Se tornava o Deus deles.
-Ao afirmar que os discípulos eram Seus irmãos e que tinham ambos o mesmo Deus, Jesus também demonstrava que continuava a ser homem, pois como tal havia ressuscitado, ainda que glorificado desde já.
-Enquanto o racionalismo de Pedro e de João havia impedido a divulgação da mensagem da ressurreição, a sensibilidade de Maria Madalena fazia com que a ressurreição fosse anunciada aos discípulos.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11528-licao-12-do-julgamento-a-ressurreicao-i
