LIÇÃO Nº 12 – O FILHO E O ESPÍRITO
INTRODUÇÃO
-Na sequência deste bloco do trimestre, em que estamos a estudar as relações entre as Pessoas Divinas, analisaremos a relação entre o Filho e o Espírito Santo.
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-O Filho também enviou o Espírito Santo.
I – O FILHO TAMBÉM ENVIOU O ESPÍRITO SANTO
-Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, neste bloco dedicado à análise das relações entre as Pessoas Divinas, debruçar-nos-emos sobre as relações entre o Filho e o Espírito Santo.
-A primeira questão que se discutirá é se o Espírito Santo foi também enviado pelo Filho, que é a questão
conhecida em teologia como “Filioque”, expressão latina que significa “e o Filho”.
–No Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, que foi convocado para enfrentar o “macedonianismo”, heresia ensinada por Macedônio I, bispo de Constantinopla de 342 até 346 e, depois, de 351 até 360, cujas datas de nascimento e morte são desconhecidas, que negava a divindade do Espírito Santo, chegou-se à conclusão, com base nas Escrituras, que o Espírito Santo era Deus.
-Assim, foi alterado o Credo, um resumo das principais crenças cristãs, que havia sido elaborado no Primeiro Concílio de Niceia, em 325, que ficou conhecido como “Credo Niceno”, a fim de que ficasse clara a divindade do Espírito Santo, já que, no Credo aprovado em Niceia, se tinha apenas a frase: “E também no Espírito Santo” (DFAD 2.ed.. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.210).
-Na fórmula aprovada no Primeiro Concílio de Constantinopla, teve-se a seguinte redação: “E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas;” (DFAD 2.ed. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.211).
-Diante desta redação, ficava bem clara a divindade do Espírito Santo, pois Ele é chamado “Senhor”, bem como que Ele é adorado e glorificado assim como o Pai e o Filho, ou seja, é estabelecida, sem qualquer margem de dúvida, a coigualdade entre o Espírito Santo e as demais Pessoas Divinas.
-Nesta redação, ainda, é explicitado que o Espírito Santo atuou, primeiramente, por meio dos profetas, invocando-se, aqui, nitidamente, o texto de Hb.1:1, segundo o qual Deus primeiramente Se revelou pelos profetas e, por fim, por meio do Filho.
-Esta invocação do texto de Hb.1:1 também deixa claro que, no texto aprovado, se entendia que o Espírito Santo fora enviado pelo Pai, tanto que os profetas falaram pelo Espírito, o que está de acordo com outros textos como Mc.12:36; Lc.2:26; I Pe.1:12 e II Pe.1:21.
-O Espírito Santo, então, teria sido enviado pelo Pai, e falou por meio dos profetas, até que, então, veio o Filho, igualmente enviado pelo Pai.
-Quando o Senhor Jesus voltou ao céu, pediu ao Pai que mandasse o Espírito Santo (Jo.14:16), e Seu pedido foi atendido, tanto que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes (At.2:4), daí porque ter Cristo chamado o revestimento de poder (At.1:8), o batismo com o Espírito Santo (At.1:1:5), de promessa do Pai (Lc.24:49; At.1:4).
-Assim, tinha-se, pelo que se verifica, a ideia de que o Espírito Santo procedia do Pai, assim como o Filho.
-O Pai era a Primeira Pessoa da Trindade porque enviou as outras duas Pessoas Divinas, mas não foi enviado por nenhuma delas, ou, como afirmou, de modo muito feliz, o Catecismo Maior de Pio X: “25) Por que o Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade?
O Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, porque não procede de outra Pessoa, mas é o princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo.”
-O Filho procedia do Pai por “eterna geração” (Sl.2:7; At.13:33; Hb.1:5; 5:5), enquanto o Espírito Santo, por “aspiração” ou “espiração” (Jo.14:26; 15:26).
-A “eterna geração”, que não se confunde com criação, é a escolha do Filho como sendo Aquele que realizaria a obra salvífica, fazendo-Se homem e morrendo pelos pecadores, oferecendo a Si mesmo como sacrifício perfeito para redenção da humanidade. Desde a eternidade, Ele foi escolhido para ser o Cordeiro que tiraria o pecado do mundo (I Pe.1:18-20; Ap.13:8).
-A “aspiração” ou “espiração” é o ato de vontade pelo qual o Pai faz externar o Seu amor, mandando o Espírito Santo para que se mantivesse viva a promessa da redenção entre os homens e criando as condições para que o Filho encarnasse e, como homem, pudesse realizar a obra salvífica. É um dom, não uma geração.
-Agostinho assim explica esta distinção: “…Com respeito às relações mútuas na Trindade, se aquele que gerou é princípio do gerado, o Pai é princípio em referência ao Filho, porque o gerou.
Entretanto não é uma investigação de pouca importância inquirir se o Pai é também princípio com relação ao Espírito Santo, pois está escrito: procede do Pai. Se assim for, é princípio não somente do que gera ou faz (o Filho), mas também da Pessoa que ele dá (o Espírito).
Isso lançaria uma possível luz sobre a questão que a muitos preocupa, sobre a possibilidade de dizer-se que o Espírito Santo também seja Filho, já que sai do Pai, como se lê no Evangelho (Jo 15,26).
Saiu do Pai, sim, mas não como nascido, mas como Dom, e por isso, não se pode dizer filho, já que não nasceu como o Unigênito e nem foi criado como nós, que nascemos para a adoção filial pela graça de Deus.…” (A Trindade. 2.ed. Coleção Patrística, v.7. São Paulo: Paulus, V.14.15, p.188).
-Apesar do texto do Credo Niceno Constantinopolitano, Agostinho (354-430), ao estudar a Trindade, entendeu que o Espírito Santo não foi enviado apenas pelo Pai, mas também pelo Filho.
-No seu livro sobre a Trindade, assim escreve o bispo de Hipona: “…Não são, portanto, três deuses, mas um só Deus, embora o Pai tenha gerado o Filho, e assim, o Filho não é o que é o Pai.
O Filho foi gerado pelo Pai, e assim, o Pai não é o que o Filho é. E o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho, mas somente o Espírito do Pai e do Filho, igual ao Pai e ao Filho e pertencente à unidade da Trindade.… (idem, I.4.7, p.36).
-Igualmente, no sermão 469, sobre a Trindade, Agostinho afirma: “…Suponhamos que dois pedaços de madeira amarrados juntos sejam jogados em uma fornalha ardente. Uma só labareda escapa dos dois ao mesmo tempo. Assim, do Pai e do Filho procede o Espírito Santo e ele possui, como eles, o poder e a divindade.…” (Sermão 469. A Santa Trindade III, p.4. Disponível em: https://www.centroculturalcampogrande.pt/sermoes.agostinho/pdf/469.pdf Acesso em 10 nov. 2025).
-Esta ideia acabou se disseminando no Ocidente, principalmente por causa do arianismo, heresia que negava a divindade de Cristo, que encontrou bastante guarida entre os povos bárbaros que haviam dominado partes do Império Romano do Ocidente, principalmente os visigodos (que ocuparam a Península Ibérica) e os francos (que ocuparam a França).
-Para enfrentar esta heresia, o Terceiro Concílio de Toledo, na Espanha, em 589, alterou a redação do Credo Niceno Constantinopolitano, acrescentando a expressão “e do Filho” (Filioque, em latim), ficando assim: ““E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas;”.
-O rei dos francos, Carlos Magno, que foi coroado como Imperador pelo Papa Leão III em 800, promoveu o
uso da cláusula “Filioque” e, em 809, no Sínodo de Aachen, ela foi oficialmente introduzida na liturgia franca.
-O Papa Leão III (795-816) aprovava a doutrina, mas não autorizou a mudança da redação do Credo, em respeito ao Primeiro Concílio de Constantinopla e para não causar divergência com o Oriente, mas, a pedido do Imperador Henrique II, durante a sua coroação, em 1014, o Papa Bento VIII consentiu com a introdução da cláusula no Credo, que passou a ser, então, o padrão da Igreja do Ocidente, também chamada Igreja Latina, porque tinha o latim como sua língua oficial.
-Isto causou tensão entre Ocidente e Oriente, pois os orientais viam nesta cláusula tanto uma alteração indevida de texto aprovado em Concílio quanto uma heresia teológica, porque, segundo eles, considerar que o Espírito Santo vem tanto do Pai quanto do Filho é, a um só tempo, uma subordinação do Espírito Santo em relação às demais Pessoas Divinas, como também a violação da monarquia do Pai, que é a doutrina de que o princípio da divindade da Trindade parte unicamente do Pai, embora todas as Pessoas sejam divinas.
-Com o Cisma do Oriente em 1054, ou seja, a divisão entre a Igreja Latina e a Igreja Oriental (que passou a ser a Igreja Ortodoxa), a diferença de pensamento se cristalizou e persiste até hoje. Para os ortodoxos, o Espírito Santo procede apenas do Pai.
-A Reforma Protestante manteve a doutrina romanista a respeito da Trindade, de modo que se acolheu a cláusula “Filioque”. O Catecismo Maior de Westminster assim afirma: “10. Quais são as propriedades pessoais das três pessoas da Divindade? O Pai gerou o Filho, o Filho foi gerado pelo Pai, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, desde toda a eternidade. Hb 1.5-6; Jo 1.14 e 15.26; Gl 4.6.”
-É também esta posição adotada pelas Assembleias de Deus, como se vê da Declaração de Fé: “…O Pai possui a mesma essência divina das demais pessoas da Trindade [Jo.10:30; I Co.2:10,11]. O Filho é gerado do Pai [Hb.5:5], e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho [Jo.15:26; 20:22] (…) Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e o Ensinador [Jo.14:26] …” (DFAD 2.ed., II.1, pp.39-40).
-Tal posicionamento, entretanto, é refutado pelo pastor e teólogo Dr. Roberto dos Santos, que, em artigo publicado pelo Portal Escola Dominical, assim se expressou:
“…O termo Filioque que significa “e do Filho”, foi adicionado ao Credo Niceno-Constantinopolitano original. A DFAD não pode aceitar tal acréscimo. Eis aqui o melhor entendimento sobre esta questão tão essencial a teologia cristã: Cristo diz especificamente, ao falar sobre a origem do Espírito, que Ele vem do Pai: “Eu vos enviarei o Consolador que vem do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai.
Quando ele vier, ele testificará de mim” (Jo 15.26-27). Em termos de raciocínio teológico, então, ao atribuir à noção de que tanto o Pai quanto o Filho causam a procissão hipostática do Espírito (a própria Pessoa do Espírito, isto é), então a Trindade se torna desequilibrada e fica claro por que o Pai e o Filho podem e cocausam outra Pessoa Divina, mas o próprio Espírito não causa nenhuma Pessoa Divina.
Confunde as propriedades pessoais das Pessoas Divinas, ou seja. Os Pais da Igreja ensinam consistentemente que é, exclusivamente, a propriedade pessoal/hipostática do Pai causar as outras duas Pessoas Divinas, a saber, o Filho por meio da geração e o Espírito por meio da procedência. É isso que o torna exclusivamente o Pai, sua própria Pessoa Divina distinta do Filho, que é dele e do Espírito que é dele.
Dessa forma, salvaguardamos a Divindade, porque dizemos que apenas o Pai é a Origem sem origem, Aquele que unicamente comunica sua essência Divina, desde a eternidade e para a eternidade, a seu Filho e Espírito. Se o próprio Filho também pode comunicar a essência Divina, então não está claro de que maneira o Pai é o Pai e de que maneira o Espírito é Divino, porque Ele mesmo não pode comunicar a essência como o Pai e o Filho.
Como tal, a cláusula Filioque (que consta na DFAD) nos impede de ter uma integridade completa da e no Ser Divino, ao fazer com que o Espírito não compartilhe a coigualdade com o Pai e o Filho.
Se o Espírito deve ser igual ao Pai e ao Filho, então Ele deve cocausar o Filho com o Pai; ou o Pai, o Filho e o Espírito devem cocausar uma Quarta Pessoa Divina, para que o Espírito participe da comunicação da essência Divina, sendo assim coigual.
Mas, então, essa Quarta Pessoa Divina, para ser coigual ao Pai, ao Filho e ao Espírito, então deve causar uma Quinta. E assim por diante ad infinitum.
Essa noção desmorona em ou a desigualdade do Espírito (portanto, Binitarianismo, e não Trinitarianismo); ou em uma multiplicação infinita da Divindade (portanto, algum tipo de panteísmo); ou em pura arbitrariedade ad hoc que não atinge a integridade completa do Ser Divino.
Lembre-se, a causação hipostática Divina é um mistério e o acima e o que a Igreja formulou e formalizou como seu Credo, é apenas um esquema metafísico para que a mente humana possa obter uma ideia remota sobre o Ser de Deus e ter uma compreensão tênue sobre a Revelação da Trindade.
Na realidade, nenhum de nós pode dar uma análise detalhada das fases da causação, sua fisiologia e sua realização na realidade.…” (Explicando alguns pontos críticos da Declaração de Fé das Assembleias de Deus segundo a nova redação de 2025. Disponível em: https://www.portalebd.org.br/mais/estudos-biblicos/11439- explicando-alguns-pontos-criticos-da-declaracao-de-fe-das-assembleias-de-deus-dfad-segundo-a-nova- redacao-de-2025 Acesso em 10 nov. 2025).
-Os defensores da cláusula “Filioque” afirmam que o texto de Jo.15:26 diz que o Espírito Santo vem da parte do Pai mas é enviado também pelo Filho: “…quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei de enviar…”.
-O texto de Jo.16:7 diz que o envio é também feito pelo Filho, quando Jesus diz: “…se Eu não for, o
Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-l‘O-ei”.
-Segundo tais estudiosos, pois, fica bem claro que o Filho também enviou o Espírito Santo e que tal circunstância não gera qualquer desequilíbrio entre as Pessoas Divinas, pois, assim como o Filho não é menor que o Pai por ter sido por Ele enviado, também o Espírito Santo em nada fica diminuído em Sua deidade por ter sido enviado tanto pelo Pai quanto pelo Filho.
-O mesmo ocorre com relação à questão da blasfêmia, pois o Filho não é em nada diminuído em relação ao Espírito Santo porque a blasfêmia contra o Filho é perdoável, enquanto a que se fizer contra o Espírito jamais será perdoada (Mt.12:31,32).
-Agostinho, ainda que tratando da relação entre o Pai e o Filho, apresenta este entendimento: “…27. O fato de dizermos que o Filho foi enviado pelo Pai, porque este é Pai e aquele é Filho, não impede que creiamos que o Filho é igual, consubstancial e coeterno ao Pai, e assim com razão podemos dizer que o Filho foi enviado pelo Pai.
E não é porque um seja maior, o outro menor, mas porque um é Pai, o outro é Filho; um gerou e o outro foi gerado; aquele é de quem procede o que foi enviado; este é o que existe por aquele que envia. Pois o Filho vem do Pai e não o Pai do Filho.
Após essas premissas, é possível compreender não somente que o Filho se denomine enviado, porque o Verbo se fez carne (Jo 1,3.14), mas também que foi enviado precisamente para que o Verbo se fizesse carne e, por sua presença corporal, realizasse o que sobre ele foi escrito.
Em outras palavras: não somente para que seja considerado homem porque o Verbo se fez carne; mas também se entenda que ele é o próprio Verbo, enviado para se fazer homem.
É enviado, não no sentido de que seja inferior no poder, na substância ou em algo em que não seja igual ao Pai, mas no sentido de que o Filho vem do Pai e não o Pai do Filho.…” (A Trindade. 2.ed. Coleção Patrística, v.7, IV.20.27, p.164).
-Este mesmo raciocínio é adotado na Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “… A subordinação do Filho não compromete a Sua deidade absoluta e, da mesma forma, a subordinação do Espírito Santo ao ministério do Filho e ao Pai não é sinônimo de inferioridade.…” (DFAD 2.ed., II, p.40).
-O Catecismo Mario de Pio X, naturalmente seguindo a linha da cláusula “Filioque”, assim sintetiza a questão: “135) Por que a terceira Pessoa da Santíssima Trindade é chamada particularmente com o nome de Espírito Santo? A Pessoa da Santíssima Trindade é designada particularmente com o nome de Espírito Santo, porque procede do Padre e do Filho por meio de aspiração e de amor.”
-A objeção que se faz com relação à violação da “monarquia do Pai”, ou seja, que só o Pai é a Pessoa de onde procedem as demais, que seria quebrada com a admissão de que o Espírito também teria sido enviado pelo Filho é enfrentada mediante o argumento de que o envio do Filho não é da mesma natureza do envio do Pai e, por isso, alguns chamam de “processão” ao envio do Pai e “aspiração” ao envio do Filho.
-O envio do Filho é subordinado ao envio do Pai, tanto que, nas passagens bíblicas que falam do envio do Filho, há sempre uma expressão que dá a este envio um caráter subalterno.
-Em Jo.15:26, o envio do Filho é dito que será feito “da parte do Pai”, ou seja, o Filho envia mas “através do Pai”, enquanto, em Jo.16:7, o envio é feito apenas “se Jesus for”, o que relaciona o texto com Jo.14:16, em que o envio do Espírito é precedido de um rogo do Filho ao Pai.
-O que se pode também verificar é que o envio do Espírito Santo para a Igreja pressupõe a obra redentora do Filho e, portanto, nesta pressuposição, o Filho também envia o Espírito, pois o Pai só o faz porque o Filho o pede e o Filho o pede porque agora edificará a Igreja tendo consumado a obra da redenção no Calvário.
-Neste passo, ao explicar a questão, um apologista católico romano diz que o termo grego “ekporeusis”, “proceder”, tem, realmente, o significado de “proceder de uma única fonte”, o que não ocorre com o termo latino “procedit”, que não tem esta conotação de única fonte (Cf. Apologistas da Fé Católica. Filioque : uma resposta às obejções dos ortodoxos. Disponível em: https://apologistasdafecatolica.wordpress.com/2018/02/21/filioque-uma-resposta-as-objecoes-dos- ortodoxos/ Acesso em 18 nov. 2025).
-De qualquer maneira, causou admiração o fato de, em encontro ecumênico na Basílica São Paulo Fora dos Muros, em Roma, em 14 de setembro de 2025, presidido pelo Papa Leão XIV o Credo ter sido recitado sem a cláusula “Filioque”, em mais um gesto ecumênista do Romanismo para aproximação com os ortodoxos…
II – O FILHO E O ESPÍRITO SANTO NA CRIAÇÃO
-Verificado o debate que existe sobre se o Espírito Santo procede do Pai ou do Pai e do Filho, verifiquemos a relação que há entre o Filho e o Espírito Santo na Criação.
-Já vimos, na lição anterior, que o Pai envia o Espírito Santo para que “conserve” o caos (pré-criação ou pós- criação, tanto fez e é indiferente para a análise do tema aqui tratado), enquanto o Filho executa o quanto foi proclamado pelo Pai.
-“E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas” (Gn.1:2). No estado caótico, o Espírito Santo como que guarda as “águas”, que é o “nada”, para que, disto, se faça o “tudo”, por meio do Verbo, por Quem tudo foi feito, e sem O qual nada do que foi feito Se fez (Jo.1:3).
-Deste “nada” fala o profeta Isaías, em Is.48:16, chamando-o de “aquilo”: “Chegai-vos a mim e ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez, eu estava ali; e, agora, o Senhor JEOVÁ me enviou o seu Espírito”.
-Como afirma o saudoso pastor Ailton Muniz de Carvalho (1952-2020): ‘…Este ‘aquilo’, um dos maiores mistérios de todo os mistérios, é sem dúvida a matéria preexistente a toda criação (…) No quinto estado da matéria, tudo estava enigmaticamente transformado em ‘aquilo’, sendo este o segundo maior mistério de Deus,
ainda que Ele não tivesse falado em segredo…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. Deus e a história bíblica dos seis períodos da criação. 4.ed., pp.44-6) (negrito original).
-O Espírito mantém este material, surgido do “nada”, que é moldado pelo Filho, após ter sido “mantido” e “conservado” pelo Espírito Santo. Filho e Espírito Santo tornam realidade o quanto projetado pelo Pai, são ambos enviados para que tudo passe a existir.
-O Senhor, nas Suas inquirições a Jó, mostra como havia todo um moldar na criação de todas as coisas Jó 38:4-18), que é sem dúvida a descrição daquilo que foi feito pelo Filho na execução da obra criadora, execução que é feita enquanto o Espírito Santo mantinha a matéria primordial para que fosse moldada pelo Verbo.
-Após tudo ter sido criado, agora o Filho sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Hb.1:3) e esta sustentação é feita em companhia do Espírito Santo, pois é o Espírito quem renova a face da Terra (Sl.104:27-30).
-Uma vez mais, vemos o Espírito Santo naquele papel de controlador, avaliador e checador, encarregando-Se de manter a criação na dinâmica planejada inicialmente pelo Pai. Enquanto o Filho sustenta a criação pela palavra do Seu poder, numa atitude podemos dizer, a grosso modo, estática; o Espírito Santo mantém o movimento de tudo, guarda para que tudo fique funcionando a contento, uma vez que tudo se mantém de pé pela ação do Verbo.
III – O FILHO E O ESPÍRITO SANTO NA SALVAÇÃO
-A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma: “…O Pai planejou a redenção [´Tt.1:2], e o Filho, ao ser enviado ao mundo, realizou-a [Jo.17:4; Hb.5:9]. Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e o Ensinador [Jo.14:26].…” (DFAD 2.ed., II.1, p.40).
-O Espírito Santo participa ativamente da encarnação do Verbo, o Filho que seria Aquele que haveria de executar a obra salvífica. Ele desceu sobre Maria e a cobriu com a Sua sombra e, desta maneira, o Verbo Se fez carne no ventre da virgem (Lc.1:35).
-Vemos, pois, que a participação de Maria neste processo foi ser a “portadora”, e isto é o que significa “tokos”, que deu a expressão “Thetókos” (Θεοτόκος), estabelecida no Primeiro Concílio de Éfeso, em 431, ou seja, “portadora de Deus”, aquela que carregou e nutriu o Verbo encarnado desde a Sua concepção, fruto da ação conjunta do Filho e do Espírito Santo, até o Seu nascimento.
-Lamentavelmente, este conceito foi desvirtuado para “Mãe de Deus” e, a partir deste desvirtuamento, abriu- se caminho para o culto a Maria e todos os seus quatro dogmas (maternidade divina, virgindade perpétua, imaculada conceição e assunção), tendência que parece agora encontrar uma tentativa de retrocesso no Vaticano, desde a edição do documento “Mater populi fidelis”, em 2025, em que se negou a concessão dos títulos de “corredentora” e “medianeira universal de todas as graças” a Maria, consequência lógica e inevitável da distorção iniciada após o Primeiro Concílio de Éfeso.
-A encarnação do Verbo dá-se por ação conjunta do Filho e do Espírito Santo, onde o Filho Se autogera e o Espírito Santo cria as condições para que isto se faça. Por isso não havia necessidade alguma de Maria ter sido concebida sem pecado (imaculada conceição) nem tampouco de se ter mantido perpetuamente virgem (virgindade perpétua) e, por conseguinte, não ter condição alguma de subir aos céus assim como Cristo (assunção).
-Em seguida à encarnação do Verbo, o Espírito Santo atua sobre Isabel e sobre João Batista, para atestar a presença do Filho, já feito homem, no ventre de Maria, visando com isso prosseguir com Seu trabalho de manutenção viva da promessa da redenção e de haver o fortalecimento da fé tanto de Isabel quanto de Maria (Lc.1:39-55).
-Já vemos aqui que o Espírito Santo veio para glorificar o Filho (Jo.16:14) e, por isso, tanto o cântico de Isabel, conhecido como “Benedicta” (Lc.1:41-45), quanto o cântico de Maria, conhecido como “Magnificat” (Lc.1:46-55), exaltam Cristo e Sua obra salvífica e todos sabemos que os cânticos bíblicos são mensagens proféticas, ou seja, mensagens inspiradas pelo Espírito Santo.
-Além disto, nessa ocasião, João Batista, que estava no ventre de Isabel, é cheio do Espírito Santo (Lc.1:15), uma situação singular entre os profetas até então, pois houve casos, como Jeremias, de profetas que foram escolhidos ainda no ventre de suas mães (Jr.1:5), mas não de quem fosse cheio do Espírito ainda antes de nascer, o que faz com que João tenha sido o maior dos homens (Lc.7:28).
-O Espírito Santo, como fala por meio dos profetas, é a Pessoa Divina incumbida de capacitá-los para que entreguem a mensagem aos homens e, até João, fazia isto tão somente por sonhos e visões (Nm.12:6), com exceção de Moisés em que se tinha um diálogo direto (Nm.12:8).
-Com a vinda do Filho, entretanto, agora o Espírito Santo, além de sonhos e visões (At.16:9), também faz lembrar o que Jesus disse, ensinando todas as coisas, ou seja, dando o entendimento daquilo que foi dito (At.8:30-35).
-O Espírito Santo, então, faz o controle, a avaliação, a checagem do quanto foi aprendido por parte dos discípulos de Jesus e, nas mais diversas situações, faz com que aquilo que foi aprendido seja explicado, aplicado e praticado. É bem por isso que o Espírito Santo santifica a Igreja com a Palavra de Deus (Jo.3:5; 15:3; Tt.3:5,6).
-As Escrituras, fruto da inspiração do Espírito Santo (II Pe.1:20,21), testificam do Filho (Jo.5:39) e são lembradas pelo Espírito Santo (Jo.14:26), que, desta maneira, não só ensina os discípulos (Jo.14:26), como também guia em toda a verdade (Jo.16:13), pois a Palavra é a verdade (Jo.17:17), e o resultado disto é glorificar o Filho (Jo.16:14).
-O Espírito Santo não fala de Si mesmo (Jo.16:13), mas recebe do que é tanto do Pai quanto do Filho e o anuncia (Jo.16:14,15). O papel do Espírito é o de verificador daquilo que foi planejado pelo Pai e executado pelo Filho.
-Este papel de silêncio quanto a Si mesmo, por vezes, é mal compreendido por alguns que, com isso, defendem um falso entendimento de que o Espírito Santo não pode ser nem adorado nem glorificado, como se não fosse Deus.
-Isto é completamente falso, pois os serafins, nos céus, adoram ininterruptamente as três Pessoas Divinas,
como se observa da expressão “Santo, Santo, Santo” (Is.6:3).
-Ao anunciar o que recebe do Pai e do Filho (e aqui se tem, uma vez mais, uma passagem que corrobora com a cláusula “Filioque”), o Espírito Santo põe em movimento o quanto é planejado pelo Pai e executado pelo Filho, é o elemento dinâmico da Trindade.
-É o Espírito Santo que faz com que a obra salvífica do Filho seja levada até os homens, obtenha a devida aplicação.
-Não é por outro motivo que João Batista, para preparar o caminho do Senhor (Mt.3:3), teve de ser cheio do Espírito Santo, para que, então, pudesse pregar conclamando o povo ao arrependimento e confissão de pecados, comprovados pelo batismo (Mt.3:5,6).
-Além da mensagem do arrependimento e confissão dos pecados, João Batista também pregou que o Cristo, que estava para vir, e por isso as pessoas precisavam se preparar espiritualmente para recebê-l’O, bem como disse que o Cristo haveria de batizar com o Espírito Santo e com fogo (Mt.3:11; Lc.3:16; Jo.1:33), já indicando
que, após a realização da obra salvífica, esta plenitude do Espírito continuaria necessária para que se pudesse aplicar a salvação aos homens, o que foi posteriormente reafirmado pelo próprio Jesus, pouco antes de subir aos céus (At.1:5; 11:16).
-O Espírito Santo, no batismo de Jesus, desce sobre o Filho, feito homem, para enchê-l’O do Espírito Santo
(Lc.4:1), cumprindo assim o que fora profetizado por Isaías (Is.11:1,2).
-Ungido com o Espírito Santo e com virtude, Jesus dá início a Seu ministério público, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele (At.10:38), percorrendo todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o Evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo (Mt.4:23; 9:35).
-O Espírito Santo enche o Filho feito homem para que o Verbo encarnado realizasse a obra que Lhe tinha sido dada pelo Pai (Jo.4:34; 17:4).
-Tem-se aqui, mais uma vez, destacado o papel proeminente do Espírito Santo que é a de controlar, avaliar e checar o plano estabelecido pelo Pai, fazendo com que o quanto planejado pelo Pai tenha um ambiente propício para que haja a realização do Filho, realização esta que é mantida e conservada pelo Espírito.
-Logo após o batismo, Jesus já é levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mt.4:1). Jesus passa a ser guiado pelo Espírito Santo, dando-nos o exemplo, pois é o Espírito quem tem de nos guiar em toda a verdade enquanto estivermos nesta peregrinação terrena (Jo.16:13).
-Por isso, o Senhor, inclusive, disse a Seus discípulos que, quando fossem conduzidos às autoridades por causa do Evangelho, não se inquietassem, pois o Espírito lhes falaria o que deveria ser dito (Mc.13:11; Lc.12:12).
-Durante todo o Seu ministério público, Jesus viveu em íntima comunhão com o Espírito Santo (Lc.10:21; At.10:38), sendo por Ele guiado e, nesta condução, fazia com que o Filho estivesse sempre com o Pai, buscando-O em oração e jejum, a fim de que pudesse realizar a obra que Lhe fora dada a fazer.
-A importância do Espírito Santo é ressaltada pelo Senhor Jesus durante o Seu ministério, tanto que afirmou que o pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt.12:32; Mc.3:29; Lc.12:10), ou seja, quem faz a comunicação da obra salvífica divina ao homem é a Pessoa do Espírito Santo e se o homem ofender a esta Pessoa, recusar-se terminantemente a ter a Sua ação, não terá como se salvar.
-Esta afirmação de Jesus se deu quando alguns escribas e fariseus imputaram a expulsão de um demônio numa pessoa cega e muda por Cristo a ação demoníaca, dizendo que o Senhor estava possesso e agia por demônios (Mt.12:24; Mc.3:22; Lc.11:15).
-Aqui vemos uma grande elucidação de que o Espírito Santo agiu durante o ministério terreno de Jesus, pois, ao atribuírem a ação de Jesus a um demônio, o Senhor não disse que estavam a ofendê-l’O, mas, sim, ao Espírito Santo.
Por quê? Porque quem agia em Jesus era o Espírito Santo e, ao dizerem que estava Jesus agindo por demônio, atribuíam a Satanás o que estava sendo feito por Deus, na Pessoa Divina do Espírito, ou seja, era o Espírito Santo quem atuava dando virtude ao Filho, para que Ele realizasse os sinais e maravilhas.
-É o papel de controle, avaliação e checagem, ou seja, a obtenção de melhorias contínuas na implementação do projeto.
-Com relação a Cristo, plenamente Deus e plenamente homem, não havia qualquer necessidade de correção do que falhou ou de criação de condições para que houvesse melhorias, mas tão somente a padronização do que deu certo, para que servisse de exemplo aos discípulos do Senhor na continuidade de Sua obra por meio da Igreja.
-É exatamente isto que faz o Espírito Santo, na medida em que, na companhia da Igreja, o corpo de Cristo (I Co.12:27; Ef.4:12), neste tempo que, no plano da salvação, é a dispensação da graça de Deus, iniciada precisamente com a descida do Espírito Santo sobre a Igreja, está sempre a fazer, ou seja, fazer lembrar o que Jesus falou (e o que Jesus fala é sempre o que Ele faz – At.1:1) (Jo.16:26) e que é o padrão, o exemplo a ser seguido (I Pe.2:21).
-O ponto culminante da obra de Cristo, Seu sacrifício vicário na cruz do Calvário, não foi feita sem a devida assistência do Espírito Santo.
O escritor aos hebreus diz-nos que a oferta do sangue de Cristo se fez pelo Espírito eterno (Hb.9:14), ou seja, seu gesto de entrega de Si mesmo por nós se faz em comunhão e sob a direção do Espírito Santo.
-A perfeição do sacrifício de Cristo foi testificada pelo Espírito Santo aos homens, seja quando se celebrava o dia da expiação, quando se notava a necessidade de um sacrifício melhor que o previsto na lei (Hb.9:8), seja pela profecia que dizia da necessidade de um novo concerto (Hb.10:15-18).
-Consumada a obra pelo Filho (Jo.17:4; Jo.19:30), o Espírito Santo ressuscitou dos mortos a Jesus (Rm.8:11; I Pe.3:18), pois é o Espírito Santo o Vivificador (II Co.3:6), como proclama o Credo Niceno- Constantinopolitano, o Espírito de vida (Rm.8:2).
-Ao fazê-lo, o Espírito Santo validou, aprovou, confirmou a justiça de Cristo, deu como que uma “chancela de qualidade total” à obra realizada no Calvário, deixando irrefutável a constatação de que Jesus venceu a morte e o pecado e que é, por isso mesmo, o Salvador da humanidade, Aquele que pode conceder a vida eterna aos que n’Ele creem.
Este é o sentido da expressão “justificado em Cristo” que vemos dita em I Tm.3:16, um texto que é como que um “mini-Credo” nas Escrituras.
-Após a ascensão de Cristo aos céus, o Espírito Santo desceu para ocupar o lugar de Vigário de Cristo, ou seja, está a substituir a Pessoa Divina do Filho no papel de Consolador ou Paráclito (Jo.14:16), ou seja, o papel de “Deus conosco”, que era, então, exercido por Jesus desde que veio a este mundo (Is.7:14; Mt.1:23).
-Neste contexto, o Espírito Santo é um substituto, pois está a exercer uma função em lugar do Filho, temporariamente. Com efeito, o Espírito Santo está a fazer companhia à Igreja aqui na Terra, já que Jesus subiu aos céus.
-No entanto, isto perdurará somente durante a dispensação da graça de Deus, que findará com o arrebatamento da Igreja, quando, então, o Espírito Santo, a exemplo de Eliezer, que levou Rebeca ao encontro de Isaque (Gn.24:56-67), levará a Igreja, a noiva de Cristo, ao encontro do Senhor Jesus nos ares (I Ts.4:16,17), momento, aliás, que é ansiado tanto pelo Espírito Santo quanto pela Igreja (Ap.22:17).
-É oportuno observar, a título de esclarecimento, que o Espírito Santo não deixará a Terra, como alguns equivocadamente dizem, pois não pode o Espírito Santo abandonar a humanidade, pois foi enviado pelo Pai para com os homens estar desde o princípio da história, tanto que O vemos contendendo com a geração antediluviana (Gn.6:3) e falando por meio dos profetas (Hb.1:1).
-Após ter levado a Igreja ao encontro de Cristo, o Espírito Santo cessará de atuar de forma plena, como tem feito desde o dia de Pentecostes, por meio da Igreja, que, pelo poder conferido pelo Espírito Santo (At.1:8; 4:31; 8:19; 10:38; Rm.1:4; 15:19; I Co.2:4; Gl.3:5; I Ts.1:5), tem resistido ao mal e sido sal da terra e luz do mundo (II Ts.2:7; Tg.4:7; Mt.5:13-16).
-Voltará, então, a falar por meio dos profetas, agindo sob medida, já que nem Cristo nem a Igreja, que é Seu corpo, estarão sobre a face da Terra.
-O Evangelho do reino voltará a ser pregado (Mt.24:14), por meio dos cento e quatro e quatro mil judeus (Ap.7:4) e das duas testemunhas (Ap.11:3,4), por meios dos quais o Espírito Santo falará aos homens, anunciando o que há de vir, ou seja, o juízo sobre a humanidade impenitente e a volta de Cristo para reinar
sobre a Terra, conclamando os homens a não crerem na besta, mensagem que será, depois, repetida pelos anjos que proclamarão o evangelho eterno (Ap.14:6-12).
-Mesmo na Grande Tribulação, o Espírito Santo agirá para a glorificação do Filho, para o controle, avaliação e checagem da obra salvífica do Verbo encarnado, para que se cumpram os propósitos estabelecidos pelo Pai.
-Cumpre observar que, ao término da Grande Tribulação, quando os judeus finalmente reconhecerem o Senhor Jesus como o Cristo, o Espírito Santo será derramado sobre Israel e o que hoje acontece com a Igreja acontecerá com os israelitas, que passarão, desde então, finalmente, a ser o povo santo e a nação sacerdotal sobre a face da Terra (Ex.19:5,6), durante o reino milenial de Cristo (Jl.2:28-32; Zc.12:1-13:6).
– Aí teremos o Espírito Santo, mais uma vez, glorificando o Filho e sendo a Pessoa Divina encarregada do controle, avaliação e checagem para que se tenha a qualidade total durante o Milênio, o período em que se terá a restauração de tudo e o pleno cumprimento das profecias messiânicas (At.3:21).
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12219-licao-12-o-filho-e-o-espirito-santo-i
