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LIÇÃO Nº 13 – PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE

INTRODUÇÃO

-Na conclusão do estudo da doutrina bíblica do homem, estudaremos a preparação do ser humano para a eternidade.

-O ser humano deve se preparar para a eternidade.

I – O SER HUMANO E A ETERNIDADE

-Na conclusão do estudo da doutrina bíblica do homem, estudaremos a preparação do ser humano para a eternidade.

-Quando Deus criou o homem, fê-lo para que dominasse sobre a criação terrena e, para tanto, o Senhor o pôs no jardim do Éden, na Terra, para que, de lá, cumprisse os cinco propósitos determinados pelo Senhor ao ser humano: frutificação, multiplicação, enchimento da terra, sujeição da terra e a dominação sobre a criação terrena (Gn.1:28).

-Para que pudesse exercer suas tarefas, o homem foi posto no jardim do Éden. Seu corpo era renovado diariamente, porque tinha ele acesso à árvore da vida, que impedia a corrupção de sua parte material, não tendo, pois, qualquer doença, enfermidade ou mesmo envelhecimento.

-Sua alma funcionava perfeitamente. Tinha pleno uso de seu entendimento, como aprendera logo no início de sua existência, ao dar nome aos animais (Gn.2:20); sua sensibilidade era sempre direcionada para o bem, visto que não tinha culpa alguma e vivia em plena harmonia com a natureza e sua mulher (Gn.2:21-24) e a sua vontade era plenamente livre, visto que, na inocência, nunca praticara o mal e, portanto, não havia sido escravizado pelo pecado (Gn.2:16; Jo.8:34).

-Seu espírito também tinha plena atuação. Sua consciência era sem ofensa, pois o homem foi criado reto (Ec.7:29); sua intuição era total, porque tinha pleno relacionamento com o Senhor, agindo sempre com sabedoria e prudência, já que temia a Deus (Sl.111:10; Pv.9:10) e havia sempre crescente comunhão com o seu Criador, com quem tinha momentos de intimidade toda viração do dia (Gn.3:8).

-A vida terrena, portanto, era já uma vida espiritual, porque controlada pelo espírito, já que era o espírito do homem que governava a sua estrutura, fazendo com que a alma tivesse saciada a sua sede de Deus e que o corpo fosse instrumento de justiça, bem como uma vida eterna, pois o ser humano, que não fora feito para morrer, não tinha qualquer perspectiva de morte.

-Pelo contrário, o próprio Deus lhe dissera que, se fosse obediente, jamais morreria, que a morte somente existiria em caso de prática do pecado (Gn.2:17).

-No entanto, o homem pecou e a morte se tornou de possibilidade uma realidade triste e lamentável.

-No processo da tentação, já temos um primeiro prejuízo, uma vez que tanto a alma da mulher quanto o seu espírito são atingidos, já que o diálogo com a serpente fez com que ela não só tivesse abalada a sua fé, mas, também, afetada a sua sensibilidade.

-A serpente despertou em Eva a dúvida e a concupiscência. Com suas mentiras, fez a mulher desacreditar do que Deus disse (incredulidade) e ver a árvore da ciência do bem e do mal como boa para se comer (concupiscência da carne), agradável aos olhos (concupiscência dos olhos) e desejável para dar entendimento (soberba da vida) (Gn.3:6).

-A incredulidade, ou seja, a perda da fé produz desagrado a Deus (Hb.11:6) e se apresenta como uma derrota para o mundo (I Jo.5:4), mundo este que está no maligno (I Jo.5:19). É um apartar-se do Deus vivo, o surgimento de um coração de incredulidade e infiel (Hb.3:12).

-Esta concepção da concupiscência, que não é de Deus mas do mundo (I Jo.2:16), atraiu e enganou a mulher e, assim, permitiu que se desse à luz o pecado (Tg.1:15).

-O pecado, por primeiro, atingiu o espírito. Com efeito, no momento em que a mulher, enganada que foi pela serpente (II Co.11:3; I Tm.2:14), comeu o fruto proibido, consumou-se o pecado e se gerou a morte (Tg.1:15).

-A prática do pecado, porém, foi ocasionada porque a mulher deixou de dar crédito à Palavra de Deus e, portanto, houve uma demonstração de incredulidade, prejudicando, assim, uma função do espírito, que é a fé.

-A mulher deixou de crer que o Senhor era galardoador dos que O buscam (Cf. Hb.11:6) e, crendo na mentira satânica, achou que poderia ser igual a Deus, sabendo o bem e o mal (Gn.3:5).

-A mulher, não só deixou de crer, como também convenceu seu marido a que não mais cresse também e Adão, então, acreditando na mulher e não mais em Deus, comeu com ela.

-“Os olhos foram abertos” e o primeiro casal notou que estava nu (Gn.3:7). Aqui, também, continuamos a ver
o efeito do pecado no espírito.

-Para tanto, permitimo-nos aqui reproduzir, por sua biblicidade, reflexão a respeito deste significado desta percepção da nudez feita por João Paulo II (1920-2005, Papa de 1978-2025), ex-chefe da Igreja Romana:

“… De fato, alguns versículos depois, o mesmo autor escreve: Então, abriram-se os olhos aos dois e, reconhecendo que estavam nus, prenderam folhas de figueira umas às outras e colocaram-nas como se fossem cinturões (Gén. 3, 7).

O advérbio «então» indica novo momento e nova situação, consequentes à ruptura da primeira Aliança; é situação que vem depois da falência na prova ligada à árvore do conhecimento do bem e do mal, que ao mesmo tempo constituía a primeira prova de «obediência», isto é, de atenção à Palavra em toda a sua verdade e de aceitação do Amor, segundo a plenitude das exigências da Vontade criadora.

Este novo momento ou nova situação comporta também novo conteúdo e nova qualidade da experiência do corpo, de maneira que já não se pode dizer: «estavam nus e não tinham vergonha».

A vergonha é portanto aqui experiência não só original, mas «de confim». É significativa, portanto, a diferença de formulações, que divide Gênesis 2, 25 de Gênesis 3, 7. No primeiro caso, «estavam nus, mas não tinham vergonha»; no segundo caso, «reconheceram que estavam nus».

Quer então dizer que, num primeiro tempo, «não reconheceram que estavam nus»? que não sabiam e não viam reciprocamente a nudez dos seus corpos? A significativa transformação que nos é testemunhada pelo texto bíblico acerca da experiência da vergonha (de que fala ainda o Gênesis, sobretudo em 3, 10-12), dá-se a um nível mais profundo que o puro e simples uso do sentido da vista.

A análise comparativa entre Gênesis 2, 25 e Gênesis 3 leva necessariamente à conclusão de não tratar-se aqui da passagem do «não reconhecer» ao «reconhecer», mas duma radical mudança do significado da nudez original, da mulher diante do homem e do homem diante da mulher.

Vem a mudança da consciência de ambos, como fruto da árvore da consciência do bem e do mal: Quem te disse que estavas nu? Comeste, porventura, algum dos frutos da árvore que te proibi comer? (Gén. 3, 11) . Tal mudança diz respeito diretamente à experiência do significado do próprio corpo diante do Criador e das criaturas.

O que é confirmado pelas palavras do homem: Ouvi o ruído dos teus passos no jardim, e, cheio de medo, porque estou nu, escondi-me (Gén. 3, 10).…” (JOÃO PAULO II.

Os significados das primordiais experiências do homem. 12 dez. 1979. Catequeses ensinando a teologia do corpo, pp.239-30).

-Como bem anota o papa polonês, a verificação da nudez não era uma percepção física, mas uma “mudança de consciência”. A consciência sem ofensa passou a ser uma “consciência de pecado”, sentiu-se a reprovação pela desobediência e surgiu o “sentimento de vergonha”, a ideia de que algo estava errado com o que Deus havia feito.

-Há, portanto, uma mudança no espírito, pois a consciência é uma função do espírito.

-Quando o Senhor chega ao jardim, como fazia diariamente, a reação do primeiro casal também mostra como o que havia sido primeiramente modificado tinha sido o espírito.

Em vez de ir ao encontro de Deus, como sempre tinha feito, Adão e Eva se escondem (Gn.3:8). Não havia mais comunhão, o espírito já não mais conseguia impelir o homem para se aproximar de Deus, o espírito estava inerte, não mais conseguia operar.

-Esta é a comprovação de que ocorrera a morte espiritual, o homem já não mais podia conviver com Deus, o pecado o separara de seu Criador (Is.59:2) e morte nada mais é que separação. Mostrava-se, assim, a verdade da ordem divina, que o primeiro casal desacreditara.

-Mas a prática do pecado não se circunscreveu apenas ao espírito. Como dissemos, assim que o Senhor chegou ao jardim naquele fatídico dia, o casal se escondeu, ou seja, sentiu medo, depois de ter sentido vergonha.

-O primeiro casal, que tinha uma sensibilidade plenamente feliz, começa a ter sentimentos ruins, que nada mais são que interpretações subjetivas de emoções sentidas, e, como dizem os psicólogos, as emoções ditas primárias são o medo, a ira e o amor.

-O primeiro casal primeiro sentiu medo, e a presença do medo já significa a ausência do amor (I Jo.4:18). Adão e Eva já pressentiam a aplicação da pena, aliás, já a sentiam na medida em que viram não ter mais condições de se apresentar diante de Deus.

-Na sequência, quando são convocados por Deus para o julgamento, Adão apresenta um sentimento de ira, culpando o Senhor pelo seu erro, ao dizer que só errara por causa da mulher dada a ele e a mulher, por sua vez, também demonstrou ira, culpando a serpente.

-A sensibilidade aqui se mostra totalmente deturpada, pois passa a prevalecer o egoísmo e a desconsideração do próximo, exatamente o contrário do sentimento divino, que é altruísta e compassivo (Jl.2:13; Fp.2:5-8).

-Mas o entendimento também foi afetado pelo pecado. Extremamente inteligente, Adão não conseguiu fazer vestes dignas do nome, tendo fracassado na sua atividade como estilista, fazendo cintas ou aventais de folhas de figueira (Gn.3:7), totalmente inúteis para o fim pretendido, tanto que, posteriormente, Deus substituiu aquela roupa por túnicas de peles (Gn.3:21).

-Por fim, a vontade igualmente ficou prejudicada, porque, a partir de então, não pôde mais o homem livrar-se do pecado, ficou escravizado por ele e, deste modo, não mais podia fazer o bem (Jo.8:34; Rm.7:14- 24).

-O corpo passou a ser corruptível, sendo sentenciado que voltaria ao pó da terra de onde havia sido tomado, o que traria doenças, enfermidades e envelhecimento (Gn.3:19).

-A perspectiva, portanto, da eternidade com Deus desaparecera. O primeiro casal é expulso do jardim do Éden e terá de lavrar a terra para, com penar, poder sobreviver, tendo não mais um lugar de delícias, mas uma terra amaldiçoada, com quem teria de lutar continuadamente, da qual teria de ter o sustento (Gn.3:17-19).

-Deveria iniciar uma lutar inglória, porque buscaria, a cada dia, com dificuldade, a sobrevivência, sabendo, porém, que iria morrer, que seu corpo seria separado da alma e do espírito, de forma inevitável (Hb.9:27), vindo, depois disso, o juízo, que seria de condenação, ante a prática do pecado.

-Não havia mais a possibilidade de se viver para sempre no jardim do Éden. O homem teria de livrar a terra, amaldiçoada pelo pecado, para sobreviver, sobrevivência que seria apenas passageira, já que decretada estava sua morte física.

-Diante de tal quadro tétrico, porém, o Senhor trouxe uma boa notícia: o homem seria salvo. Seria restabelecida a amizade entre Deus e o homem. Nasceria um homem que promoveria esta restauração, que venceria o pecado, a morte e desfaria as obras do diabo, ainda que mediante um sacrifício (Gn.3:15).

-Surge, então, a esperança da vida eterna. O primeiro casal, que vivia uma eternidade presente, com a renovação diária do corpo e a comunhão perene com Deus, tudo perdera, mas, no mesmo dia da queda, teve a revelação de que não era este o plano divino, que queria, sim, conviver para sempre com o homem que havia criado (Cf. Ap.21:3).

-A vida eterna, como bem explica o Senhor Jesus, é conhecer a Deus por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, como Seu enviado (Jo.17:3), ou seja, como a “semente da mulher” prometida no dia mesmo da queda (Gn.3:15).

-A vida eterna passou, então, a ser uma esperança, algo a ser esperado, visto que precisava vir a “semente da mulher”, aquele que promoveria o restabelecimento da amizade entre Deus e o homem.

-Entende-se, então, a alegria de Eva quando nasceu Caim (Gn.4:1), porquanto achava ela que já seria “a semente da mulher” que promoveria a salvação, o que, entretanto, não era o caso. Bem ao contrário, Caim foi o primeiro impenitente (Gn.4:16; I Jo.3:12).

-Caim é o primeiro ímpio identificado na história da humanidade porque rejeitou glorificar o nome de Deus. Acusado pela consciência, chamado a fazer o bem pelo próprio Deus e dada oportunidade de arrependimento após ter matado seu irmão Abel, preferiu não crer no perdão divino e sair da presença do Senhor, não deixando a prática do pecado até a sua morte física.

-Em consequência, será muito provavelmente o primeiro a ser julgado no juízo do trono branco, no final da história, e, como seu nome não estará escrito no livro da vida, porquanto a recusou e preferiu a morte, será lançado no lago de fogo e enxofre (Ap.20:15), sofrendo, então, a segunda morte (Ap.20:14)

-Percebe-se, pois, claramente, que, ante a entrada do pecado no mundo, embora reine, desde então, a morte, há a promessa da vida eterna, a promessa da salvação, promessa esta que é dada a todos os homens, pois a salvação é oferecida a toda a humanidade (Jo.3:16; I Tm.2:3,4; Tt.2:11; I Jo.2:2).

-Para tanto, porém, faz-se mister que se proceda exatamente da forma contrária de Caim, ou seja, aceitando- se glorificar o nome de Deus, acusado pela consciência, atender ao convencimento divino do pecado, justiça e juízo, arrependendo-se e confessando seus pecados e pedindo o perdão divino, crendo que Jesus é o Salvador e se mantendo na presença do Senhor até o dia em que se dará a morte física ou, então, no dia do arrebatamento da Igreja, se a morte física até lá não tiver ocorrido.

-Vemos, pois, que, em se tendo tornado a vida eterna uma realidade presente para aquele que alcançou a salvação em Cristo Jesus, pois, como disse o Senhor a Nicodemos, quem crê no Filho Unigênito tem a vida eterna (Jo.3:16), isto não significa que tudo já tenha terminado. Não, não e não!

-A salvação é um processo e, assim, embora a vida eterna já seja uma realidade, há a necessidade de esperamos a glória de Deus. Entramos na graça pela fé em Jesus, mas precisamos ficar firmes e nos gloriarmos na esperança da glória de Deus (Rm.5:2).

-Uma vez alcançada a salvação, mister se faz que renunciemos à impiedade e às concupiscências mundanas e vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (Tt.2:12,13).

-Esta renúncia à impiedade e às concupiscências mundanas dá-se mediante o “andar segundo o espírito” (Rm.8:1), é o governo do espírito humano sobre a alma e o corpo, que nos leva à chamada “santificação”.

II – A SANTIFICAÇÃO POSICIONAL – O INÍCIO DO CONFLITO ENTRE A CARNE E O ESPÍRITO

-Diante da revelação de Deus, seja pela criação, seja pela consciência, o ser humano, tendo tido conhecimento do eterno poder, da divindade e da justiça divinas, acusado pela sua consciência, precisa atender ao convencimento do Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8-11).

-Em nossos dias, depois que o Espírito Santo foi mandado pelo Senhor Jesus, o Evangelho é proclamado, conclamando aos homens que se arrependam de seus pecados e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados e recebam o dom do Espírito Santo (At.2:38).

-Quando o ouvinte crê no Evangelho e invoca o nome do Senhor, é salvo (Rm.10:13), crendo com o coração e confessando com a boca ao Senhor Jesus, crendo que Deus O ressuscitou dos mortos (Rm.10:9).

-Neste mesmo instante, aquele que creu tem os seus pecados perdoados e é justificado, de modo que os pecados são tirados e recebe o ouvinte a justiça de Cristo. Por isso, a partir do momento em que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas.

-Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”, “…ato soberano de Deus, mediante a obra de Cristo (Hb.10:9-10) …” (GONÇALVES, Jayro. O papel da Igreja no século XXI (3). Vigiai e orai. Disponível em < http://www.google.com/search?q=cache:vEcdkMOmKsAJ:www.irmaos.com/vigiaieorai/103.2.jsp+%2 2santifica%C3%A7%C3%A3o+posicional%22&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=1> Acesso em 21 jun. 2006).

-Esta santificação não se deve a qualquer obra humana, mas à vontade de Deus (Hb.3:1; Rm.1:7) e, por isso, é perfeita e completa. A partir do instante em que aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, nossos pecados são perdoados, somos justificados e, por isso, passamos a ser “santos de Deus”.

-Por isso, todo pecador arrependido e remido pelo Senhor Jesus é um “santo”, não tendo, pois, cabimento, procedimentos como os de “canonização” ou “beatificação”, como vemos em alguns segmentos religiosos.

-Esta circunstância, porém, não retira o fato de que permanecemos com a “velha natureza”, ou seja, embora, ao crermos em Jesus, estejamos, de pronto, livres do poder do pecado, pois Jesus nos liberta (Jo.8:36), bem como adquirimos uma nova natureza, pois nascemos de novo (Jo.3:5), o fato é que não nos livramos, de imediato, do “corpo do pecado”, ou seja, embora nasçamos de novo, este “corpo da morte” (Rm.7:24) ainda continua convivendo com o homem, pois ainda ele não alcançou a glorificação, o instante em que ingressaremos na dimensão celestial, sendo como o Senhor Jesus já é desde a Sua ressurreição (I Jo.3:2).

-É esta situação de conflito que se cria a partir do momento da nossa justificação que levou o apóstolo Paulo a tratar do conflito entre a carne e o espírito.

-Este conflito entre as duas naturezas que passam a conviver no homem que se arrepende, se converte, é gerado de novo e justificado pela fé em Cristo é um dos pontos principais para que entendamos o significado da salvação e da vida do cristão enquanto estiver sobre a face da Terra.

-A obra de Cristo nos separou do pecado e gerou um conflito, uma luta entre nós e o maligno, entre nós e as portas do inferno, entre nós e as hostes espirituais da maldade.

-Este conflito inicia-se em nós mesmos, visto que passamos a ter duas naturezas: a “velha natureza”, ou seja, a natureza pecaminosa, herdada de Adão, que está dominado pelo pecado e a “nova natureza”, surgida com a regeneração, com o novo nascimento, resultado da nossa fé em Cristo Jesus, do arrependimento dos nossos pecados, da conversão e do perdão dos pecados por conta do sacrifício de Cristo e da nossa consequente justificação.

-A “velha natureza”, que Paulo chama de “carne”, herdada de Adão, obedece à “lei do pecado e da morte”
(Rm.8:2).

-Adão gerou descendente conforme a sua semelhança (Gn.5:3) e, a partir de então, vemos que o homem, assim que adquire a consciência, submete-se ao pecado, fazendo aquilo que sabe ser errado e que não queria fazer (Rm.7:16-18).

-Esta “velha natureza”, este “velho homem” não abandona o ser humano quando ele aceita a Cristo como seu Senhor. Quando somos salvos, esta “velha natureza” não mais tem domínio sobre o homem, como também ganhamos uma “nova natureza”, pois nascemos de novo, mas a “velha natureza” permanece em nós, o que continuará ocorrendo até o instante em que alcançarmos a glorificação, quando, aí, sim, seremos semelhantes a Cristo, adquirindo a condição de justos aperfeiçoados, passando a ter comunhão plena com o Senhor, não havendo mais qualquer separação (I Co.15:54).

-Surge, portanto, um conflito, uma luta incessante na vida do cristão, que terá de conviver com esta dualidade em seu próprio interior. De um lado, a “carne”, que foi subjugada por Cristo, mas que está ali, presa, mas pronta para se manifestar à primeira vacilação, visto que está crucificada com Cristo (Rm.6:6; Gl.2:20; 6:14), mas ainda não tragada (I Co.15:54); de outro, o “espírito”, que é a nova natureza surgida com a regeneração, a vivificação do espírito humano, que faz a ligação entre Deus e o homem, que se encontrava separado (i.e., morto) de Deus por causa do pecado.

-Com a remoção dos pecados, o espírito se religa a Deus e passa a dominar o homem, vez que entra em comunhão com o Espírito Santo, que infunde, no ser humano, as virtudes do amor, da fé e da esperança, numa completa transformação. O homem, então, passa a servir a “lei do espírito de vida” (Rm.8:2).

-É importante observar, portanto, que, conforme nos ensina o apóstolo Paulo, este conflito entre as duas naturezas somente começa a existir no exato instante em que somos justificados pela fé em Cristo.

-Não é verdadeira, portanto, a imagem que se criou, inclusive entre os judeus, de que o homem nasce com
duas “inclinações”, uma “inclinação para o bem” (que os rabinos judeus denominaram de “ietzer tov”) e uma

“inclinação para o mal” (que os rabinos judeus denominaram de “ietzer ha-ra”), conceitos que estão hoje muito em voga, pois disseminados pelo movimento Nova Era e que encontra nos princípios “yin-yang” uma das expressões mais conhecidas na atualidade.

-Na verdade, o homem, enquanto não crer em Cristo, não poderá se libertar da sua natureza pecaminosa que, inevitavelmente, o leva para a morte assim que adquire a consciência.

OBS: “…No judaísmo pós-exílico, bem como na crença religiosa do zoroastrianismo , o bem e o mal estavam emparelhados numa unidade de oposição contrastante. É quase certo que os judeus tenham herdado essa noção dualística dos persas.

Durante muitos séculos, depois do Cativeiro da Babilônia, que havia começado em 586 a.C., os judeus tinham vivido em grandes concentrações permanentes entre os babilônios e os persas, formando uma população de mais de um milhão, mesmo antes da era cristã.

É natural que houvessem assimilado muito da cultura alienígena em cujo seio viviam, inclusive certas crenças religiosas, pois havia um intercâmbio livre e esclarecido entre os ‘sábios’ persas ou ‘magos’ e os ‘mestres de sabedoria’ judeus — os Sábios Rabínicos…” (AUSUBEL, Nathan. Ietzer tov e ietzer ha-ra. In: A JUDAICA, v.5, p.364). Como se percebe, esta ideia de uma dupla inclinação ínsita ao homem é fruto de influência externa sobre o judaísmo, algo alheio às Escrituras.

-O homem é dominado pelo pecado, devido a sua natureza distorcida, passando a pecar assim que adquire a consciência. Em virtude disto, só se nascer de novo, o que se faz somente mediante a fé em Cristo Jesus, ganha uma nova natureza, uma natureza livre do pecado. Só, então, surge o conflito entre a carne e o espírito, que é descrito por Paulo como uma consequência da justificação, um resultado da salvação.

-A justificação permite-nos dizer que não seremos condenados pelo Senhor, apesar dos pecados cometidos antes do nosso arrependimento. Esta convicção é externada em Rm.8:1, que nos afirma que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.

-“Estar em Cristo Jesus” é o estado decorrente da justificação, é estar em paz com Deus (cf. Rm.5:1).
-“Estar em Cristo Jesus” é ter comunhão com o Senhor, ou seja, nos tornamos participantes da natureza divina, passamos a ser um com o Senhor (Jo.17:21).

-Comunhão significa um estado em que há comunidade, ou seja, em que o que é de Deus passa a ser nosso e o que é nosso passa a ser de Deus. Esta comunidade é o contrário do que havia antes, ou seja, da separação que havia entre o homem e Deus por causa do pecado.

-Trata-se de uma função do espírito humano, que, agora, vivificado, passa a operar, levando o salvo a adorar a Deus e a cada dia aproximar-se d’Ele, o que já é o que se denomina de “santificação progressiva”.

-“Estar em Cristo Jesus” é o estado resultante da salvação, estado que já havia sido descrito pelo Senhor nas Suas últimas instruções aos discípulos, quando Se comparou a uma videira verdadeira e aos Seus seguidores, aos ramos (Jo.15:5).

-Nesta figura, Jesus demonstra, claramente, que é preciso que haja um relacionamento interdependente entre Jesus e os salvos, um relacionamento que se dá entre seres da mesma natureza, que se comunicam diretamente, sem qualquer distinção essencial.

-A justificação é uma absolvição, é uma não condenação, mas isto só é possível porque adquirimos a mesma natureza de Cristo, ou seja, uma natureza sem pecado, separada do pecado, onde predomina o amor, a fé e a esperança, que nos são trazidas pelo Espírito Santo, o mesmo Espírito que ungiu a Cristo e que O manteve separado do pecado durante toda a Sua existência terrena (At.10:38; Hb.4:15).

-“Estar em Cristo Jesus” é, portanto, o resultado da vitória de Cristo sobre o pecado, vitória esta alcançada mediante uma vida humana sem pecado (Rm.8:3), caracterizada pela obediência até a morte e morte de cruz (Fp.2:8).

-Jesus, ao viver separado do pecado durante a Sua vida terrena, cumpriu a lei (Mt.5:17), tornando possível que aqueles que n’Ele cressem também pudessem cumprir a justiça da lei, mediante uma vida debaixo da lei do espírito de vida, mediante uma vida de santidade, que o apóstolo Paulo denomina de “andar segundo o

espírito” (Rm.8:4).

-“Estar em Cristo Jesus”, pois, não é apenas um instante, um momento, quando somos justificados por crermos em Jesus, mas um estado que deve perdurar no tempo, assim como Jesus Se manteve separado do pecado durante toda a Sua existência terrena. A obediência deve ser até a morte, até o fim.

-É por isso que o apóstolo afirma que “estar em Cristo Jesus” é “andar segundo o espírito”, ou seja, é um processo de continuidade, um processo diário, sem qualquer interrupção, que depende de cada uma de nossas atividades.

-A palavra “andar” (no original grego – ‘peripateuein’-περιπατευειν) traz-nos a ideia de um deslocamento, de uma caminhada, de uma jornada, que outra não é senão a jornada da nossa própria vida terrena.

-Foi por isso que Martinho Lutero afirmou que esta luta entre a carne e o espírito nos obriga a conter a “velha natureza” “tanto tempo quanto nós vivermos” (cf. “Prefácio a Romanos”, texto que se encontra na seção Estudos Bíblicos do Portal Escola Dominical, cuja leitura recomendamos).

OBS: “…Andamos segundo a carne significa seguir os desejos pecaminosos da antiga vida de uma pessoa. Andar segundo o Espírito significa seguir os desejos do Espírito Santo, viver de uma maneira que O agrade.” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, nota a Rm.8.4, p.1160) (destaques originais).

-O apóstolo, pois, apresenta-nos que um efeito, que é a necessidade de termos uma continuidade no estado que o Senhor nos pôs pela nossa justificação. Esta continuidade é o que os estudiosos da Bíblia Sagrada chamam de “santificação progressiva ou prática”.

III – A SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA E O PROSSEGUIMENTO DO CONFLITO ENTRE A CARNE E O ESPÍRITO

-Vemos, pois, que a salvação traz “para dentro do homem” o conflito entre duas naturezas opostas: a “carne”, ou seja, a “natureza pecaminosa” e o “espírito”, ou seja, a nova natureza, a “participação na natureza divina” (cf. II Pe.1:4).

-Quando aceitamos a Cristo e nascemos de novo, começa a haver uma luta, um conflito entre estas duas naturezas, mas, diante da salvação, passa o salvo a “andar segundo o espírito”, ou seja, está livre da lei do pecado e da morte, não está mais sob o domínio do pecado, e a sua nova natureza prepondera sobre a “velha natureza”, fazendo com que a pessoa se mantenha separada do pecado.

-A sua absolvição, obtida no instante em que creu em Jesus, permanece, porque a pessoa persiste se mantendo separada do pecado.

-Este processo de separação do pecado é o que se chama de “santificação progressiva ou prática”, um processo diário e contínuo, que deve perdurar até o fim, seja este fim a nossa morte física, seja o dia do arrebatamento da Igreja, se vivos estivermos nesta ocasião.

-Quem não vive separado do pecado, quem não se santifica, peca. Santificar-se é se manter separado do pecado e isto precisamos fazer a cada dia, a cada minuto, a cada segundo.

-Como disse o escritor aos hebreus (Hb.12:14), devemos seguir a santificação, ou seja, é necessário se separar do pecado e continuar dele se separando, para que tenhamos condição de ver o Senhor Jesus.

-Se, entretanto, não nos separarmos do pecado, ou seja, se pecarmos, certamente voltaremos a ficar sob o domínio do pecado. Jesus foi claro ao afirmar que quem pratica o pecado é servo do pecado (Jo.8:34) e não é por outro motivo que, no dia do juízo, quando estiverem diante d’Ele pessoas que chegaram a invocar o Seu nome, Ele os rejeitará, precisamente porque “praticaram a iniquidade”, ou seja, pecaram, não se separaram do pecado (Mt.7:22,23).

-“Os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne, mas os que são segundo o espírito, para as coisas do espírito” (Rm.8:5). O apóstolo aqui é enfático ao mostrar que “andar segundo a carne”, ou seja, submeter-se ao pecado, ser dominado pelo pecado, é algo incompatível com o filho de Deus, com o verdadeiro salvo.

-O salvo não vive sob o domínio do pecado, não tem inclinação para a carne, para a morte. A santificação é uma medida que não nos permite ficar atraídos ou com propósitos pecaminosos. Quem vive na prática do pecado é “filho do diabo” (I Jo.3:8,9).

-Paulo não está a dizer que o salvo não mais peca. Ainda estamos neste mundo e, por causa disto, estamos sujeitos a pecar, mesmo tendo aceitado a Cristo como nosso Senhor e Salvador.

-O apóstolo João aprofundou-se nesta questão e demonstrou que os homens não estão livres totalmente do pecado (I Jo.1:8-2:2), pois ainda não foram libertos do “corpo do pecado”, isto é, da natureza pecaminosa.

-No entanto, e é isto que o apóstolo nos mostra, o verdadeiro salvo não é uma pessoa que tenha um modo de vida voltado para as coisas pecaminosas, cujos propósitos e tendências sejam todas no sentido da separação de Deus mediante a prática da iniquidade.

-Os que se inclinam para as coisas da carne, os que têm intenções e objetivos pecaminosos, estes, diz o apóstolo, “são segundo a carne”, ou seja, continuam sob o domínio do pecado, ainda que possam se dizer “crentes”, “evangélicos” ou seja lá o título que assumirem.

-O fato é que seu alvo não é a comunhão com Cristo, mas, sim, tudo aquilo que nos separa de Cristo. A
palavra “inclinar” tem o significado de “estar disposto”, “pensar”, “ter atitudes” num determinado sentido.

-No texto original grego, é a mesma palavra que, na nossa versão em português, é traduzida por “mesmo sentimento” em Fp.2:5, quando se fala da atitude de Cristo, de Seu propósito quando veio a este mundo para fazer a vontade do Pai.

-Assim, se o propósito, a intenção, o objetivo de alguém é o pecado, é tudo aquilo que desagrada a Deus e/ou está em desacordo com a Sua Palavra, temos a comprovação de que esta pessoa não é salva, pois, como diz o apóstolo, “é da carne” e, por isso, “inclina-se para as coisas da carne”.

OBS: “…’Os que se inclinam para a carne’ (…) indica o indivíduo que não tem contactos específicos com o Espírito Santo, o indivíduo não- regenerado, que não sabe o que é a conversão e que, muito menos ainda, sabe o que é a presença habitadora do Espírito Santo. Os indivíduos aqui referidos ‘se inclinam para a carne’ porque são totalmente dominados pelos apetites da carne.…”( CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. v.3, com. Rm.8:5, p.705).

-Quais são os nossos objetivos na vida? Quais têm sido as nossas intenções? Por que e para que estamos a praticar estes ou aqueles atos? Isto nos mostra se andamos segundo a carne ou segundo o espírito.

-O justificado pela fé em Cristo Jesus age sempre por motivos e propósitos que estão de acordo com a vontade de Deus, que nos mantêm separados do pecado e que, por isso, não nos impede de prosseguir na nossa comunhão com o Senhor.

-A “inclinação da carne” é inimizade contra Deus e os que são segundo a carne não podem agradar a Deus
(Rm.8:7,8).

-Temos aqui uma contundente declaração das Escrituras que desmente todo e qualquer movimento de tolerância e convivência com o pecado, movimentos estes que, lamentavelmente, estão presentes e em número cada vez maior no meio do segmento dito evangélico.

-Quantos não estão a dizer que “Deus só quer o coração”? Quantos não têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. II Tm.4:3) para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade?

-Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8)!
-Quem se diz de Cristo Jesus, quem diz que está em Cristo Jesus, continua o apóstolo, não pode estar na carne.

-Se o Espírito de Deus habita em nós, é porque o pecado foi extirpado de nós, porque não mais estamos separados de Deus por causa do pecado.

-Para o Espírito Santo fazer morada em nós, torna-se necessário que o Cordeiro de Deus tenha tirado o pecado que havia em nós, o que ocorre quando somos justificados.

-E, ao nos tornarmos morada de Deus no Espírito (Ef.2:22), ou seja, templo do Espírito Santo (I Co.6:19), devemos nos manter separados do pecado, para que não venhamos a perder esta comunhão, pois devemos ser santos em toda a nossa maneira de viver (I Pe.1:15).

-A santificação progressiva ou prática surge, então, em primeiro lugar, como uma separação do pecado, uma manutenção do estado de separação do pecado que alcançamos no instante em que somos alcançados pela graça de Deus e recebemos a salvação na pessoa de Cristo Jesus. Este é o primeiro aspecto da santificação: a separação do pecado.

-Neste ponto, devemos nos distanciar da “inclinação da carne”, distância que tende a aumentar a cada instante
de nossas vidas.

-Estamos mortos para o pecado (Rm.6:2) e, segundo o apóstolo, isto é uma necessidade, pois, “se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado” (Rm.8:10a).

-Aqui, ao contrário dos que muitos pensam, não se está defendendo a “mortificação do corpo”, ou seja, que se menospreze o corpo físico, o que seria uma influência do pensamento filosófico de Platão (filósofo grego, que viveu entre 427-348 ou 347 a.C.), pensamento também existente nas filosofias orientais, notadamente a hinduísta e as dela provenientes, segundo o qual o corpo, a matéria são um mal na vida espiritual, mas, sim, a necessidade de contermos e de anularmos a influência do “corpo do pecado”, ou seja, da “natureza pecaminosa”, do “velho homem” no nosso dia-a-dia.

OBS: “Não o corpo distinto da alma, mas o homem inteiro agindo em e por seu corpo, lugar necessário de sua existência, de sua ação, de sua presença no mundo (…). As duas expressões do versículo [Rm.6:6, observação nossa] corpo de pecado e homem velho são, portanto, equivalentes…” (BÍBLIA SAGRADA – TRADUÇÃO ECUMÊNICA BRASILEIRA, nota y, p.2181, remetida pela nota v, p.2185)

-Não é possível dizermos que “estamos em Cristo Jesus”, se nós não nos separarmos do pecado, se não
mudarmos de atitude a partir de nossa conversão.

-A transformação deve ser radical e tudo aquilo que buscávamos na “velha vida” deve ser abandonado. Não é possível sermos uma nova criatura sem que venhamos a ter novos objetivos, novos propósitos, novas motivações, novas intenções.

Antes, vivíamos para fazer a vontade da nossa carne, ou seja, queríamos tão somente saciar nossos apetites, nossos desejos desmedidos, as nossas concupiscências.

-Agora, porém, porque estamos em Cristo, nosso propósito passa a ser fazer somente a vontade de Deus, obedecer-Lhe e render-Lhe glória. De instrumentos de iniquidade passamos a ser instrumentos da glória de Deus. É isto uma realidade na nossa vida?

OBS: “…É impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (vv.7,8 [Rm.8:7,8]; Gl.5.17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (v.13[Rm.8.13]), torna-se inimigo de Deus ([Rm]8.7;

Tg.4.4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (v.13[Rm.8.13]). Aqueles cujo amor e solicitude estão prioritariamente fixados nas coisas de Deus podem esperar a vida eterna e a comunhão com Ele (vv.10,11,15,16[Rm.8.10,11,15,16]).” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Rm.8.5-14, p.1711).

IV – A SANTIFICAÇÃO COMO SEPARAÇÃO PARA DEUS

-Mas, embora a santificação seja, em primeiro lugar, uma separação do pecado, não se esgota aí esta figura que é descrita pelo apóstolo ao tratar dos efeitos da justificação.

-A separação do pecado é, sem dúvida, um importantíssimo prisma da santificação, mas se a isto se reduzisse
a vida espiritual, não teríamos a “vida em abundância” prometida pelo Salvador (Jo.10:10b).

-Jesus não só afirmou que Seus discípulos estariam em comunhão com Ele, sendo ramos da videira verdadeira, como também disse que estes ramos produziriam frutos (Jo.15:2,16).

-Não temos, portanto, apenas um comportamento negativo, uma abstinência que é importante e base para estabelecer a unidade entre Deus e o salvo, através de Cristo, mas, além deste “não-fazer”, existe também um “fazer”, um conjunto de ações positivas, de atitudes afirmativas, que caracterizam o servo do Senhor.

-Por isso, os estudiosos da Bíblia, ao falar da santificação, afirmam que, ao mesmo tempo em que ela é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus.

-O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

-Jesus, gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:35), manteve-Se sem pecado durante toda a Sua existência terrena, mas, além de viver separado do pecado, também foi separado para Deus, a fim de fazer bem e curar a todos os oprimidos do diabo (At.10:38), para consumar a obra da salvação, glorificando o nome do Pai (Jo.17:4).

-Nós, como membros do corpo de Cristo (I Co.12:27), devemos, igualmente, repetir o que fez o nosso Mestre, seguindo as Suas pisadas (I Pe.2:21).

-A santificação envolve a nossa disposição para produzir fruto, ou seja, para sermos instrumentos nas mãos do Senhor para a glória do Seu nome. Isto somente se dará se tivermos atitudes que denunciem a nossa nova natureza.

-A conduta do cristão deve ser totalmente diferente das dos demais homens, porque temos um propósito, que é o de fazer com que os homens glorifiquem ao nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).

-Em Lv.20:26, Deus diz a Israel que o havia separado dos outros povos para que eles fossem Seus. Vemos aqui as duas dimensões da santificação: de um lado, a separação dos outros povos, ou seja, a separação do pecado; de outro, a separação para que Israel fosse propriedade peculiar de Deus entre as nações (cf. Ex.19:5,6), i.e., uma separação para Deus.

-Esta separação para Deus envolve, portanto, num primeiro instante, a consciência por parte do salvo de que ele agora não mais vive, mas é Cristo que vive nele (Gl.2:20).

-Quando somos salvos, devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade d’Aquele que nos salvou. Deixamos de ter querer e o nosso querer passa a estar submetido à vontade divina.

-Passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14), passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (Jo.3:8).

-Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade.

-Somos propriedade peculiar de Deus, passamos a pertencer-Lhe e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

-O lado positivo da santificação, o lado positivo da salvação exige, portanto, obediência e submissão ao Senhor. Coisa bem diversa do que ensinam os arautos da chamada “confissão positiva”, que veem uma absurda e antibíblica subordinação de Deus ao crente através de “determinações”, “declarações” e outras fábulas criadas para mostrar um “lado positivo” da salvação, repleto de “direitos” dos salvos.

-No entanto, como vemos, o lado positivo da santificação traz-nos deveres, obrigações, tarefas que nos são cometidas pelo nosso Senhor, pelo nosso Dono, pois fomos separados para sermos de Deus. É, por isso, que o apóstolo Pedro é enfático ao afirmar que fomos salvos “…para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (I Pe.1:2 “in medio”).

-A separação para Deus, também, tem o objetivo de nos conservar irrepreensíveis para a vinda de Jesus (I Ts.5:23).

-Um dos objetivos da santificação, nesta separação para Deus, é a de nos tornar insuscetíveis a qualquer censura ou repreensão, ou seja, de nos tornar exemplos e referências para todos os homens com quem convivemos.

-Quando somos separados para Deus, somos separados para sermos exemplo aos outros homens, para sermos testemunhas da transformação que Cristo opera no ser humano e, assim, sermos instrumentos para que os homens glorifiquem a Deus, reconheçam Sua soberania e Seu poder.

-Assim como os tropeços dos salvos contribuem extremamente para o descrédito em Deus e na Sua Palavra (e os tropeços são chamados de “escândalos”, que é a palavra grega para tropeço), assim também a conduta irrepreensível de um salvo é uma grande pregação e demonstração do poder de Deus aos homens.

-Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado”.

-A santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; I Ts.5:23; Ap.19:7,8).

-É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”, termo muito utilizado pelos crentes
pentecostais.

-Se formos ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, veremos que “consagração” vem do latim tardio “consecratio”, que era o ato de tornar sagrado, o oferecimento aos deuses.

-Sagrado é aquilo que é separado para o culto, algo cujo uso é destinado tão somente ao culto de uma divindade. O sociólogo francês Émile Durkheim, considerado o primeiro sociólogo enquanto tal, ensinava que uma das principais tarefas de uma religião era a distinção entre o que era sagrado e o que era profano, ou seja, aquilo que estava destinado ao uso no culto e o que poderia ser usado para qualquer outro fim, distinção, aliás, que nos remete, na Bíblia Sagrada, a Lv.10:10, Ez.22:26 e 44:23, textos que deveriam ser do conhecimento deste sociólogo, que era judeu.

-A consagração é, como se verifica, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto, ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor.

-Na lei de Moisés, a consagração se encontrava regrada em Lv.27:28-34, onde se verifica que havia uma dedicação integral dos bens ou das pessoas ao Senhor, de modo perpétuo e irrevogável. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus. Neste sentido, consagração corresponde ao lado positivo da santificação, ou seja, a santificação enquanto destinação de algo para uso exclusivo do Senhor.

OBS: “…Consagração era um depósito total, completo, sem retorno. Não se podia arrepender depois do ato de consagração, não havia retorno. Aquilo que se consagra não se redime, não se resgata.(…). Consagrar é entregar tudo(…)é entregar o todo da promessa a Deus.…” (ROCHA, A. Nelson. Quando a consagração é o voto da falência, p.32,37) (destaque original).

-Aquilo que é consagrado, pertence a Deus e não pode ser utilizado para qualquer outro fim. Por isso, não podemos consagrar bens ou pessoas e utilizá-los fora dos propósitos de louvor e adoração a Deus. Os crentes, também, estão consagrados ao Senhor, foram ungidos sacerdotes reais e, portanto, não podem, em hipótese alguma, em suas vidas, servirem a outro propósito que não seja a glória de Deus. Será que somos realmente consagrados a Deus?

V – A SANTIFICAÇÃO COMO REVESTIMENTO DA PLENITUDE DE CRISTO

-Mas a santificação envolve também um outro aspecto, qual seja, o revestimento da plenitude de Cristo. “…A santificação também significa um revestimento da plenitude de Cristo.

A mesma vida que foi separado do mundo e entregue a Deus, fica cheia da plenitude de Deus…” (BÉRGSTEN, Eurico. Teologia sistemática: doutrina do Espírito Santo, do homem, do pecado e da salvação, p.147) (destaque original).

-Há um intervalo de tempo entre o instante em que aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas e, por isso, somos justificados pela fé em Cristo, e o momento em que alcançaremos a glorificação.

-Neste intervalo, enquanto estamos separados do pecado e, simultaneamente, separados para Deus, não permanecemos estáticos, pois a vida jamais comporta a imobilidade ou a paralisia.

-Vida é constante movimento, é dinâmica, é contínua mobilidade. Por isso, mesmo, as Escrituras estão repletas de passagens em que nos fala do crescimento espiritual e do aperfeiçoamento dos santos.

-O crescimento espiritual do salvo, o seu aperfeiçoamento faz parte deste revestimento da plenitude de Cristo de agora se está a tratar.

-O salvo tem como meta atingir a estatura completa de Cristo, a qualidade de varão perfeito (Ef.4:13), não sendo por outra razão que Jesus destacou, na Igreja, os dons ministeriais, cuja função é, precisamente, promover o aperfeiçoamento dos santos (Ef.4:11,12).

-A igreja, enquanto organismo vivo, deve crescer (Ef.4:15,16), crescimento que se deve dar tanto na graça quanto no conhecimento de Cristo Jesus (II Pe.3:18).

-Este crescimento é um dos aspectos da santificação, crescimento este que tem como objetivo tornar-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, cada vez mais parecidos com Ele. Esta semelhança somente se torna possível quando nos arraigamos e fundamos em amor e conheçamos o amor de Cristo, que excede todo o nosso entendimento (Ef.3:16-19).

-É absolutamente necessário que desenvolvamos a nossa fé, mediante o conhecimento de Cristo, conhecimento este que somente se dará por intermédio da Sua Palavra. O Senhor disse que as Suas ovelhas conhecem a Sua voz (Jo.10:14) e só conheceremos a voz do Senhor se conhecermos a Sua Palavra (Jo.5:39).

OBS: “…Uma vez que tenhamos respondido sim a Ele [Jesus, observação nossa], continuaremos a segui-lO porque Seu caminho nos traz a vida e a paz.

Devemos diariamente preferir conscientemente centralizar nossa vida em Deus. Leia a Bíblia para descobrir as diretrizes divinas e passe a segui-las. Em cada situação de perplexidade, pergunte a si mesmo: o que Jesus gostaria que eu fizesse? Quando o Espírito Santo indicar o que é certo, faça-o imediatamente.…” (BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, nota a Rm.8.5,6, p.1565).

-A vida espiritual, assim como a vida material, tem de se submeter a um contínuo crescimento.

-Não é à toa que Jesus compara o início da vida espiritual como sendo o novo nascimento. Assim como a vida física se inicia com a geração, também a vida espiritual é iniciada pela nova geração, a “regeneração”, a partir da qual se inicia todo o processo de crescimento espiritual. Por isso, a Bíblia fala em meninos em Cristo (I Co.3:1) e a pessoas que têm maturidade, a ponto de produzir fruto (Jo.15:16).

-A santificação, tomada neste aspecto, foi a mencionada pelo Senhor na Sua oração sacerdotal (Jo.17:17), quando nos mostra que o principal meio de santificação do salvo sob este aspecto se encontra na Sua Palavra.

-A Palavra de Deus não só nos promove a lavagem da regeneração (Tt.3:5), como também nos permite, pela sua contínua meditação (Sl.1:2), sermos constantemente orientados, guiados e dirigidos pelo Espírito de Deus.

-Através da santificação mediante o conhecimento incessante do Senhor (Os.6:3), a iluminação que recebemos do Senhor, quando do encontro com Ele por ocasião de nossa salvação, aumenta a cada dia, a cada momento.

-Daí porque o profeta Oseias ter dito que o conhecimento do Senhor é como a alva, ou seja, como o amanhecer, quando a luz do Sol desponta e, embora traga a claridade, dissipando a escuridão, é pequena perto do esplendor que se dá ao meio-dia, o que, aliás, é ensinado também pelo proverbista (Pv.4:18).

Dentro deste sentido, também, o apóstolo Paulo diz que o salvo é um espelho que, transformado de glória em glória, reflete a imagem de Cristo (II Co.3:18).

-Na antiga aliança, dois episódios bem figuram esta realidade espiritual. Tanto na dedicação do tabernáculo por Moisés (Ex.40:34,35), quanto na dedicação do templo por Salomão (I Rs.8:10,11), após a inauguração destas casas, é dito que a glória de Deus as encheu, de tal maneira que se tornou impossível entrar no local, tornando-se estes locais de adoração semelhantes ao céu, onde está o Rei da Glória (Sl.24:7-10).

-Assim como o tabernáculo de Moisés ou o templo de Salomão, o salvo, que é o templo do Espírito Santo, necessita ser, também, cheio da glória de Deus, para que os homens possam contemplar, a exemplo dos israelitas, a presença de Deus no seu meio, por nosso intermédio.

-Isto somente se dará se houver a santificação, o crescimento espiritual que nos tornará cada dia mais semelhantes a Cristo, num desenvolvimento que não tem fim, vez que a perfeição é inatingível enquanto estivermos neste mundo. O instante final desta jornada será a glorificação propriamente dita, o que ocorrerá quando da vinda de Jesus para arrebatar a Sua Igreja.

-A santificação, como se percebe, portanto, é um processo contínuo e progressivo. Santificamo-nos a cada dia, a cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito.

Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor. “Parar”, “estacionar” nada mais é que “regredir”, “recuar”, “retirar-se para a perdição” e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39).

OBS: “…ser ‘guiado pelo Espírito de Deus’ envolve mortificar progressivamente os apetites pecaminosos de natureza inferior. Isso implica que, enquanto todos os cristãos estão, de forma geral, sendo ‘guiados pelo Espírito de Deus’, existem graus crescentes de ser guiado pelo Espírito.

Quanto mais completamente as pessoas forem guiadas pelo Espírito Santo, mais completamente obedientes a Deus elas serão e se viverão conforme seus padrões de santidade.

Visto que a palavra grega traduzida por guiados é um particípio presente, pode ser traduzida por ‘tantos quantos estão continuamente sendo guiados pelo Espírito de Deus’. Esta direção não deve se restringir ao conhecimento objetivo dos mandamentos das Escrituras e ao esforço consciente para obedecer-lhes (embora mais certamente o inclua).

Ao invés disso, inclui mais completamente o fator subjetivo de ser sensível às inspirações do Espírito Santo durante todo o dia, inspirações que, se genuínas do Espírito Santo, nunca nos estimularão a agir contrariamente às Escrituras.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, nota a Rm.8:14, p.1160) (destaque original).

-Quanto a este aspecto, ainda, é importante verificarmos que a santificação importa em revestimento da plenitude de Cristo, ou seja, quanto mais santificados formos, menos apareceremos, mais refletiremos a imagem do Senhor.
-Um dos grandes erros tem sido o de confundir a santificação neste sentido de crescimento espiritual com a exaltação do salvo e não do Salvador.

-A verdadeira santificação faz com que tenhamos o mesmo sentimento de João Batista, ou seja, do de diminuirmos para que Cristo cresça (Jo.3:30), tanto que Paulo diz que, no nosso crescimento espiritual, há a formação de Cristo em nós (Gl.4:19). Portanto, quando crescemos espiritualmente, assumimos a forma de Cristo, ou seja, o jeito de Cristo, a ponto de as pessoas não nos verem, mas, sim, a Cristo.

-É por isto que é dito que a santificação nos faz participantes da natureza divina. Passamos a não ter mais pecado, em virtude do perdão recebido pelo sacrifício de Cristo no Calvário e a cada dia mais termos semelhança da imagem de Deus, que é a própria imagem de Cristo, Deus feito homem.

-Em razão disto, o salvo externa a própria natureza divina, daí porque ser chamado de “filho de Deus” (Rm.8:16), filho por adoção, já que não o era por natureza, vez que possuía a natureza pecaminosa, agora crucificada com Cristo. Esta filiação divina mostra que somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:17), que temos a mesma natureza do Pai e do Filho, fazendo jus à vida eterna, a morar na casa do Pai (Jo.14:1-3).

-Não é verdadeiro crescimento espiritual, portanto, aquele que traz a exaltação da figura humana. Quantos não têm se apresentado, no meio evangélico, como “apóstolos”, “paipóstolos”, “anjos de fogo” e tantas coisas mais, aparecendo mais do que Cristo?

Quantos, inclusive, não têm defendido que devem ter, sim, discípulos seus, esquecendo-se que devemos, todos, ser discípulos e servos de Cristo Jesus?

Isto tudo é uma eloquente demonstração de que esta santificação não existe, que as pessoas não estão a trilhar o correto caminho bíblico, que não passam de falsos mestres, de falsos apóstolos, vez que não estão refletindo a glória de Deus, nem tampouco se assemelham a Cristo, mas, antes, comportam-se como os homens amantes de si mesmo e arrogantes que surgiriam nos tempos trabalhosos dos últimos dias (cf. II Tm.3:1-5).

-A santificação enquanto crescimento espiritual, também, não pode se fazer sem a Palavra de Deus.

-Todo crescimento espiritual está firmado no conhecimento de Jesus Cristo e este conhecimento se dá, especificamente, pela Palavra do Senhor.

-Portanto, sem qualquer cabimento as inovações que se fazem, nos últimos dias, em nome do “crescimento espiritual”, com base em “novas visões”, “nova unção” ou “novos dons”. Nada disso pode trazer real e verdadeiro crescimento espiritual, pois o crescimento é a formação de Cristo em nós, é o crescimento no conhecimento de Cristo Jesus.

-A santificação dá-se na verdade, verdade que é a Palavra de Deus (Jo.17:17). A Palavra que lavou para a regeneração, é a mesma água que dá o crescimento da planta nascida (I Co.3:6). A água é a Palavra, Palavra esta que foi a utilizada na evangelização e que permanecerá para sempre (I Pe.1:25). Sem a Palavra, jamais alcançaremos o dia perfeito, jamais teremos condição de ver a luz do meio-dia (Is.8:20).

– Feliz 2026!

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11979-licao-13-preparando-o-corpo-a-alma-e-o-espirito-para-a-eternidade-i

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