LIÇÃO Nº 2 – O CORPO: A MARAVILHOSA OBRA DA CRIAÇÃO DE DEUS
Como parte do nosso ser que faz contacto com o mundo exterior, com o mundo físico, é o corpo o veículo pelo qual podemos fazer o bem ou o mal.
INTRODUÇÃO
– Dando continuidade ao estudo da doutrina bíblica do homem, começaremos o estudo do corpo.
– O corpo é a parte do homem que faz contacto com o mundo físico e, portanto, é o instrumento pelo qual o homem interior faz bem ou mal.
I – HOMEM: IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS
– O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Foi este o propósito divino, como se verifica de Gn.1:26, quando se salienta que o projeto do Senhor era criar um ser que fosse “Sua imagem e semelhança”, um reflexo do Criador entre as criaturas terrenas.
– Deus é bom (Mt.19:17; Mc.10:18; Lc.18:19) e tudo quanto criou, por conseguinte, é bom (Gn.1:31), incluído nisto o próprio ser humano, que as Escrituras afirmam ter sido criado reto (Ec.7:29).
– Ser “imagem e semelhança” é ser “reflexo”, é reproduzir, trazer à lembrança o próprio Deus na criação terrena. Foi este o propósito de Deus ao criar o ser humano: ter um ser que refletisse a glória de Deus na criação terrena, que mostrasse a presença do Senhor de forma palpável num universo físico.
– Este propósito divino foi plenamente realizado, pois o querer divino se equipara ao efetuar (Fp.2:13). Verdade é que o homem pecou e teve a sua queda, passando a ter uma natureza decaída, depravada, mas o fato é que não foi criado assim e se faz mister sabermos como Deus criou o homem, pois a salvação nada mais é que a restauração deste estado inicial do ser humano, ainda que, efetivamente, a salvação não só restaura como eleva a própria dignidade do ser humano.
– Esta condição de ser imagem e semelhança de Deus é, a propósito, a própria dignidade da pessoa humana, dignidade esta que é hoje plenamente reconhecida no direito internacional, como, por exemplo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que afirma, no seu introito, que
“…o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo…” ou, mesmo, a nossa Constituição, que diz serem um dos fundamentos de nosso país precisamente a dignidade da pessoa humana.
– Os seres humanos têm um valor intrínseco, merecem ser respeitados pelo simples fato de existirem
exatamente porque cada pessoa é “imagem e semelhança de Deus”. Foi assim que Deus fez o homem e
mesmo o pecado não tem o poder de destruir tal circunstância, uma vez que nenhum pecado é maior do que o Criador. Verdade é que tal imagem hoje se encontra distorcida, enfraquecida, desvirtuada por causa do pecado, mas nunca pode ser considerada como completamente destruída.
– É este homem criado por Deus, imagem e semelhança de Deus, que se apresenta como o homem que é buscado, querido e almejado pelos seres humanos, que, como parte da criação, também está gemendo para que haja a “manifestação dos filhos de Deus” (Rm.8:19), que nada mais é que a completa restauração do estado anterior ao pecado (At.3:21).
– A certeza de que virá esta restauração foi a vinda de Jesus Cristo ao mundo, o homem perfeito, a expressa imagem de Deus (Hb.1:3), a materialização deste homem criado por Deus e que não foi vencido pelo maligno.
Em Cristo, vemos que este homem criado pelo Senhor pode renascer, nascer de novo e desfrutar assim de todos os atributos e características plasmados pelo Criador quando da criação tanto de Adão quanto de Eva, o macho e fêmea criados à imagem do Senhor (Gn.1:27).
– Tendo em Cristo o nosso exemplo, crendo na Sua obra salvífica, nós mesmos fazemos nascer em nós este novo homem e tornamos realidade, entre os homens, a salvação na pessoa de Jesus, desde já, pois este novo homem não vive pecando (I Co.3:6,9), pratica a justiça, ama a seu irmão (I Jo.3:10), conserva-se a si mesmo (I Jo.5:18).
– Assim, as características do homem antes do pecado, consoante a imagem e semelhança de Deus, nada mais são que as características daqueles que creem em Jesus Cristo, pois Cristo resgatou o homem e o fez conforme à Sua imagem (Rm.8:29), daí porque Seus discípulos são chamados de “cristãos” (At.11:26), ou seja, “pequenos Cristos”, “parecidos com Cristo”.
II – A NATUREZA MATERIAL DO CORPO
– Iniciamos o estudo da doutrina bíblica do homem, a Antropologia Teológica. Após a lição introdutória, iniciaremos o estudo do primeiro elemento a ser criado, a saber, o corpo.
– As Escrituras são claras ao apontar que o homem é corpo, alma e espírito (I Ts.5:23). A consideração do homem apenas como corpo e alma é nítido resquício da filosofia platônica na teologia cristã, como vimos na lição passada.
– A Declaração de Fé das Assembleias de Deus adota, por sua biblicidade, a “teoria tricotômica: “…Entendemos que o ser humano é um ser tricotômico, constituído de três partes, uma física, corpo, e duas imateriais, alma e espírito. Exemplo dessa constituição nós temos no próprio Jesus [Lc.24:39; Jo.12:27; Lc.23:46].
As Escrituras também apresentam essas três características distintas e essenciais do ser humano: ‘todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis […]’ (I Ts.5:23); ‘[…]e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas’ (Hb.4:2) …” (DFAD, 2. ed., V.5, pp.85-6).
– Em que pese ser o espírito a parte superior do ser humano, iniciaremos o estudo pelo corpo, que foi a primeira parte a ser criada (Gn.2:7).
– A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma: “… O corpo é o invólucro do espírito e da alma (…). É a parte física que se corrompe, ou seja, envelhece e é mortal ‘porque toda carne é como erva’ (I Pe.1:24) …” (DFAD, 2. ed., V.5, pp.86-7).
– A Bíblia Sagrada diz que, quando Deus criou o homem, fê-lo do pó da terra (Gn.2:7), demonstrando, assim, que o corpo é a parte do homem constituída de matéria.
– Tal afirmativa bíblica, aliás, encontra-se cabalmente comprovada pela ciência, pois no organismo humano são encontrados boa parte dos elementos químicos da terra, ainda que em quantidades variadas e pequenas, já que boa parte do nosso organismo é constituído de água.
– “…Os elementos químicos ou substâncias encontradas no corpo humano são todas encontradas no barro ou na argila.
Dos 106 elementos químicos existentes na natureza e conhecidos pelos cientistas, 26 são encontrados no corpo humano.19 Assim, por um processo sobrenatural, Deus extraiu do barro os elementos químicos que formam o corpo humano, os combinou de forma especial e formou o homem do pó da terra…” (SILVA, Antônio Gilberto et alii. Teologia sistemática pentecostal, p.261)
– Reproduzimos aqui um texto que mostra a correlação entre a tabela periódica dos elementos e o corpo humano:
“Elementos do corpo humano e o que eles fazem esta entrada foi publicada em20 de maio de 2015 por Anne Helmenstine (atualizado em2 de maio de 2021) Você consegue nomear os elementos do corpo humano e o que eles fazem?
Quase 99% da massa do seu corpo humano consiste em apenas 6 elementos químicos: oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo. Outros 5 elementos compõem a maior parte do último ponto percentual: potássio, enxofre, sódio, cloro e magnésio.
Veja aqui uma análise desses elementos em sua forma pura e sua função no corpo humano. Observe que as porcentagens são estimativas. O nível de hidratação (a quantidade de água que você bebe) tem um grande impacto na quantidade de oxigênio e hidrogênio no seu corpo e afeta a composição relativa dos demais elementos.
Tabela periódica da composição percentual dos elementos do corpo humano Tabela periódica mostrando os elementos presentes no corpo humano. Os valores correspondem à fração de massa do elemento em um corpo humano médio.
Esta tabela periódica mostra a composição percentual do corpo humano médio. Assim, por exemplo, o oxigênio representa 65% da massa corporal, enquanto o nitrogênio representa 3% e assim por diante. Vale ressaltar que a maioria dos metais nobres não é encontrada em quantidades detectáveis no corpo.
Nem os gases nobres. Em ambos os casos, os dois conjuntos de elementos são relativamente inertes. Os elementos radioativos sintéticos estão ausentes, mas alguns elementos radioativos naturais, como rádio, tório e urânio, são encontrados em quantidades vestigiais.
Função dos Elementos no Corpo Oxigênio (O) – 65% do peso corporal Número atômico: 8 O oxigênio líquido é azul. (Warwick Hillier)
O oxigênio é o elemento mais abundante no corpo humano. É encontrado principalmente ligado ao hidrogênio na forma de água. A água, por sua vez, compõe cerca de 60% do corpo humano e participa de inúmeras reações metabólicas.
O elemento oxigênio atua como um aceitador de elétrons e agente oxidante. É encontrado em todas as quatro principais classes de moléculas orgânicas : proteínas, carboidratos, lipídios e ácidos nucleicos. Por ser um elemento-chave na respiração celular aeróbica, grandes quantidades de oxigênio são encontradas nos pulmões e na corrente sanguínea.
A hemoglobina no sangue se liga à molécula de oxigênio, O 2 , do ar inalado. O oxigênio é usado pelas mitocôndrias nas células para produzir a molécula de energia adenosina trifosfato ou ATP. Embora seja essencial para a vida humana, o excesso de oxigênio pode ser mortal, pois pode levar a danos oxidativos nas células e nos tecidos.
Carbono (C) – 18% do peso corporal
Número atômico: 6
O carbono é o segundo elemento mais abundante no corpo humano e considerado a base da química orgânica. Cada molécula orgânica do seu corpo contém carbono.
O elemento se liga a si mesmo para formar cadeias e estruturas em anel que servem de base para todas as reações metabólicas do corpo. O carbono presente no dióxido de carbono é expelido como resíduo quando respiramos.
Hidrogênio (H) – 10% do peso corporal
Número atômico: 1
Tubo de descarga de hidrogênio (Alchemist-hp)
A maior parte do hidrogênio no corpo se liga ao oxigênio para formar água, H₂O . O hidrogênio, assim como o carbono, é encontrado em todas as moléculas orgânicas do corpo. O hidrogênio também atua como próton ou íon positivo em reações químicas.
Nitrogênio (N) – 3% do peso corporal
Número atômico: 7
NItrogênio Líquido (Cory Doctorow)
Como a maior parte do ar é composta de nitrogênio , o gás nitrogênio é encontrado nos pulmões, mas não é absorvido pelo corpo dessa forma.
Os humanos obtêm nitrogênio dos alimentos. O elemento é um componente importante dos aminoácidos, que são usados para construir peptídeos e proteínas.
O nitrogênio também é um componente essencial dos ácidos nucleicos DNA e RNA e de todas as outras moléculas derivadas das bases nitrogenadas.
Cálcio (Ca) – 1,4% do peso corporal
Número atômico: 20
Cálcio metálico (Tomihahndorf)
Cerca de 99% do cálcio do corpo é encontrado nos ossos e dentes, onde o elemento é usado para construir compostos estruturais fortes, como a hidroxiapatita. Embora a maior parte do cálcio esteja nos ossos e dentes, esta não é a função mais importante do mineral.
O cálcio é um íon importante, usado na contração muscular e na regulação de proteínas. Se alguma função crítica tiver cálcio insuficiente, o corpo o extrairá dos ossos e dentes. Isso pode levar à osteoporose e outros problemas, por isso é importante ingerir cálcio suficiente na dieta.
Fósforo (P) – 1% do peso corporal
Número atômico: 15
Alótropos de fósforo (cientista de materiais)
Assim como o cálcio, o elemento e mineral fósforo é encontrado nos ossos e dentes. O elemento também é encontrado em ácidos nucleicos e moléculas de energia, como o ATP (adenosina trifosfato).
Potássio (K) – 0,25%
Número atômico: 19
A eletroquímica do corpo depende de íons. Destes, o cátion potássio está entre os mais importantes. O potássio é usado na condução nervosa e na regulação dos batimentos cardíacos. Todas as células do corpo precisam de potássio para funcionar.
Enxofre (S) – 0,25%
Número atômico: 16
O enxofre é encontrado em vários aminoácidos importantes, usados na construção de proteínas no corpo. O enxofre é encontrado na biotina, metionina, tiamina e cisteína.
Sódio (Na) – 0,15%
Número atômico: 11
O sódio , assim como o potássio, é um cátion essencial. Este elemento é importante para a transmissão nervosa e a função muscular.
Cloro (Cl) – 0,15%
Número atômico: 17
O cloro é um ânion importante. Uma de suas funções envolve o transporte da enzima ATPase, usada para fornecer energia para reações bioquímicas. O cloro é usado para produzir ácido clorídrico, encontrado no estômago e responsável pela digestão dos alimentos.
Magnésio (Mg) – 0,005%
Número atômico: 12
O magnésio se liga ao ATP e aos nucleotídeos. Seu cátion é um cofator importante para reações enzimáticas. O magnésio é usado para construir dentes e ossos saudáveis.
Os oligoelementos incluem ferro, flúor, zinco, silício, rubídio, estrôncio, bromo, chumbo, cobre e muitos outros. Alguns oligoelementos são essenciais ou têm um efeito benéfico no corpo, enquanto outros não têm função conhecida ou parecem ser tóxicos.
Referências
• Banci, Lucia (2013). Metalômica e a Célula . Springer Science & Business Media. pp. 333–368. ISBN 978-94-007-5561-1.
• Chang, Raymond (2007). Química (9ª ed.). McGraw-Hill. pág. 52. ISBN 0-07-110595-6.
• Frausto Da Silva, JJ R; Williams, RJ P (2001). A Química Biológica dos Elementos: A Química Inorgânica da Vida . ISBN 9780198508489.
• Nelson, Lehninger, Cox (2008). Princípios de Bioquímica de Lehninger (5ª ed.). Macmillan.” (HELMESTINE, Anne.
Elementos do corpo humano e o que eles fazem. Disponível em: https://sciencenotes.org/elements-in-the-human-body-and-what-they-do/#google_vignette 20 maio 2015 atualiz. 02 maio 2021 Acesso em 21 ago. 2025) (traduzido em português pelo Google).
– Esta composição química do corpo humano mostra, claramente, como é importante a manutenção de um controle da presença dos elementos químicos no organismo, sendo este, aliás, um importante viés que se tem desenvolvido na medicina ultimamente, que tem valorizado a suplementação alimentar como importante medida de tratamento da saúde em nossos dias.
– A constituição material do corpo humano faz com que ele esteja submetido às leis da natureza, às leis físicas (“physis” – φύσις – , em grego, quer dizer natureza), de forma que o corpo humano, enquanto tal, é idêntico aos demais corpos existentes na natureza, tendo, assim, as mesmas qualidades e características das demais substâncias corporais, tais como, peso, massa, extensão, submissão a espaço e a tempo.
– Vemos, portanto, que o fato de o corpo ser uma substância material não é um mal em si. Muito pelo contrário, o corpo foi feito substância material por expressa vontade de Deus e tudo o que Deus fez foi muito bom (Gn.1:31).
– Como afirma a primeira edição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “… Rejeitamos a ideia de ser o corpo a prisão da alma e do espírito ou de ser inerentemente mau e insignificante, pois ele é o templo do Espírito Santo e templo de Deus, uma vez que o Espírito Santo habita em nós [I Co.3:16,17; I Co.6:19]. O corpo é importante, pois Deus o ressuscitará: ‘Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia- se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção’ (I Co.15:42).” (DFAD, 1.ed., VII.2, p.78).
– É importante insistirmos neste ponto, porque, desde os mais remotos tempos antigos, notadamente entre os hindus, há uma crença de que o corpo, por ser material, é um mal em si, é algo que atrapalha a comunhão com Deus ou o progresso espiritual.
– Este pensamento, inclusive, foi adotado na filosofia grega, notadamente por Pitágoras e por Platão, tendo, da filosofia grega, chegado a influenciar o pensamento de alguns teólogos e filósofos cristãos a partir do final da Antiguidade e que está por detrás de muitas práticas esotéricas e supostamente científicas que têm angariado muitos seguidores na atualidade (yoga, reiki, terapia holística etc.).
OBS: O pensamento de que o corpo é um mal em si é encontrado, com grande clareza, na filosofia de Platão (século III a.C.), o primeiro filósofo grego cuja obra praticamente toda chegou até nós. Vejamos, por exemplo, um trecho do seu diálogo Fédon:
“… Que dizer da aquisição mesma da inteligência? O corpo é ou não um estorvo, quando se toma como colaborador na pesquisa? O que desejo significar é isto: os dados da visão e da audição trazem aos homens alguma verdade? ou se passa o que nos vivem repetindo os poetas, que nada ouvimos e nada vemos com exatidão?
Sem embargo, se não são exatos nem seguros esses, muito menos os outros sentidos corporais, todos, sem dúvida, inferiores a esses. Ou achas que não o são? (…).
_ Quando – tornou ele – a alma atinge a verdade? pois toda a vez que procura examinar algo em colaboração com o corpo, é por ele manifestamente induzida em erro.(…) Com efeito, o corpo nos causa milhões de ocupações, devido à precisão de alimentos e ainda, se nos sobrevêm doenças, elas nos embaraçam a caça da realidade.
Amores, desejos, temores, fantasias de toda a sorte e frioleiras sem conta é o de que ele nos atulha a ponto de, como se diz com razão, tolher-nos deveras a possibilidade de alguma vez sequer compreender alguma coisa.
De fato, guerras, querelas, combates, nada os provoca senão o corpo e seus apetites, pois as guerras todas se produzem por causa da posse dos bens, e somos obrigados a adquirir os bens por causa do corpo, como escravos a seu serviço. Dele é a culpa, se todas essas necessidades nos privam de lazeres para a filosofia.…” (PLATÃO. Diálogos. São Paulo: Cultrix, p.146-7).
– A matéria não é obstáculo a que se sirva a Deus. O homem foi criado num corpo material, do pó da terra e habitava em plena comunhão com Deus no jardim do Éden.
– A Bíblia mostra-nos que Deus fez o homem reto (Ec.7:29) e, portanto, como o homem já era dotado de matéria quando foi criado, isto indica que a matéria não é um mal em si, nem empecilho para que se sirva a Deus.
– Tanto assim é que, até a queda, o primeiro casal serviu a Deus sem qualquer dificuldade, embora fossem dotados de um corpo material. Jesus, também, é um exemplo de quem possuía um corpo material igual ao nosso (Hb.10:5) e que, nem por isso, pecou (Hb.4:15).
– As pessoas não podem confundir entre o corpo e a natureza pecaminosa do homem, que as Escrituras denominam de “carne”. O corpo (em grego, “soma” – σώμα) é a parte material do homem, o homem exterior, a parte do homem que faz contacto com o mundo físico e que pertence ao mundo físico, o ” pó da terra”.
– Já a carne (em grego, “sarx”- σάρξ) é a natureza pecaminosa do homem, é a tendência rebelde, egoísta e que leva o homem ao pecado, a parte do homem que não quer se submeter ao senhorio de Deus, presente não no corpo, mas no homem interior (alma e espírito).
– A carne, deste modo, não são os tecidos, os músculos nem os órgãos do nosso corpo (não estamos aqui falando de carne como quando nos referimos à carne que compramos no açougue), mas os sentimentos, desejos e paixões da alma contrários à vontade de Deus, algo que será objeto de nosso estudo mais adiante neste trimestre.
– É por causa desta confusão entre corpo e carne que se chegam a algumas conclusões que aproximam o pensamento de alguns estudiosos da Bíblia aos dos filósofos já mencionados, algo que deve ser evitado, pois sem qualquer respaldo bíblico e que tanta confusão e margem ao ingresso de falsas doutrinas têm ocasionado em nosso meio.
OBS: ” …Em o Novo Testamento uma distinção marcante deve ser feita entre “soma” (transliteração nossa) e “sarx” (transliteração nossa).
A primeira palavra é geralmente usada para indicar a carne física, enquanto a última é mais ampla em sua importância, e refere-se algumas vezes ao corpo físico (cf. Hb.5.7) e em outras vezes incorpora aquilo que é imaterial e ético em seu significado, com referência específica à natureza caída do homem (…).
Estas declarações (Rm.7.15-25, observação nossa) demonstram que a verdade de que o apóstolo (Paulo, observação nossa) incluiu na palavra carne tudo o que constitui o homem não-regenerado.…” (CHAFER, Lewis Sperry. Teologia sistemática, t.4, v.7, p.71).
– Sobre o corpo, assim afirma o pastor Elienai Cabral: “É a parte inferior do homem que se constitui de elementos químicos da terra como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco e outros elementos em proporções menores. Porém, o corpo com todos esses elementos da terra, sem os elementos divinos, é de ínfimo valor.
No hebraico, a palavra corpo é basar. No grego do Novo Testamento, a palavra corpo é somma. Portanto, o corpo é apenas a parte tangível, visível e temporal do homem (Lv 4.11; 1Rs 21.27; Sl 38.4; Pv 4.22; Sl 119.120; Gn 2.24; 1Co 15.47-49; 2Co 4.7). O corpo é a parte que se separa na morte física.…” (ibid.)
– Este ensino do pastor Elienai Cabral é baseado num estudo de um químico inglês, que, partindo da premissa da separação dos elementos químicos encontrados no organismo humano, chegou à seguinte conclusão:
“…’Se os elementos do corpo humano pudessem ser separados, fabricaríamos os seguintes objetos: com a gordura, sete sabonetes; com o fósforo, uma caixa de fósforos; com o potássio, tirar uma fotografia de tamanho normal; com o açúcar, adoçar uma xícara de café; com o ferro, fazer um prego; enfim, o valor (segundo este cálculo) químico é aproximadamente um dólar’…” (SILVA, Severino Pedro da. O homem: corpo, alma e espírito. Rio de Janeiro: CPAD, p.63).
– Entretanto, este cálculo foi questionado pelo bioquímico H.J. Morowitz, que, a partir do fato de que não seria possível separar os elementos químicos, mas verificando as substâncias existentes pela combinação deles em nosso organismo, chegou a outro valor, bem maior, a saber, seis milhões de dólares! (Cf. SILVA, Severino Pedro da. op.cit., pp.63-4).
– Deste modo, temos a demonstração que, mesmo enquanto matéria, mesmo sendo pó da terra, é o corpo humano valiosíssimo, algo singular no Universo físico, e bem por isso é ele chamado a coroa da criação terrena (Sl.8:4,5)
– Não bastasse esta questão de avaliação econômico-financeira, temos que o corpo humano também apresenta dimensões gigantescas.
O cérebro humano tem cerca de 9 milhões de células nervosas, corpo que possui cerca de 30 a 40 trilhões de células, células que são diversas, com funções específicas e que se combinam numa harmonia e unidade que não tem como não impressionar a todos quantos se debruçarem sobre esta realidade.
– A organização do corpo humano é algo tão excelente que a própria Bíblia Sagrada a ele compara a Igreja, este povo edificado por Cristo para servi-l’O aqui na Terra, a nos demonstrar que o corpo humano é algo divinamente estabelecido e, portanto, algo perfeito.
– Tanto assim é que o corpo humano, antes do pecado, era algo que não tinha como se corromper, que se renovava a cada dia, ainda que, segundo os estudiosos, em virtude do acesso à árvore da vida que permitia a continuidade ininterrupta do corpo enquanto tal, ainda que na dimensão terrena.
– Como se não bastasse isso, o comprimento total dos vasos sanguíneos do corpo humano, por onde passa o sangue que dá vida física a este organismo, é de 96.000 a 100.000 km, algo extraordinário, já que, por exemplo, a malha rodoviária do Brasil, a quarta do mundo, é de 1,7 milhão km.
III – O PAPEL DO CORPO
– Deus criou o homem para o cumprimento do propósito de frutificação, multiplicação, encher a terra, sujeitá- la e dominar sobre as demais criaturas terrenas (Gn.1:28).
– De todas estas faces do propósito divino estabelecido ao homem, vemos que o corpo, sendo o elemento que faz contato com o mundo exterior, seja a própria natureza, sejam os demais seres humanos, temos que tem o corpo papel importante e preponderante em pelo menos quatro dos cinco aspectos.
– O propósito da multiplicação, que é a reprodução biológica, não se pode fazer sem o corpo. A reprodução do ser humano é sexuada, depende, portanto, da união dos gametas, ou seja, das células sexuais masculina (espermatozoides) e feminina (óvulos), para que exsurja um novo homem. Assim, não há como haver reprodução sem a utilização do corpo.
– Nem se diga que, com a inseminação artificial, não haveria necessidade mais do corpo para a reprodução, pois o que se dispensa, aqui, é o contato corporal entre homem e mulher para a inserção dos espermatozoides no organismo da mulher, mas o contato entre as células sexuais continua sendo necessário, ainda que “in vitro”.
– O propósito de encher a terra decorre da reprodução biológica, embora com ela não se confunda, uma vez que não basta a multiplicação para seu cumprimento, mas também se exige a ocupação dos espaços geográficos pela humanidade e, para tanto, mister se faz o deslocamento do corpo para as regiões, como também, a utilização do corpo para a modificação do ambiente, a fim de que a humanidade possa habitar nestes locais.
– Por mais que se tenha a evolução tecnológica e que, a cada dia, mais e mais atividades sejam realizadas por máquinas e, entre elas, os robôs, todas as máquinas e todos os robôs dependem da atividade humana para existirem e para serem aprimoradas, atividades estas feitas por meio do corpo.
– O propósito de sujeição da terra, igualmente, não se pode fazer sem a atuação do corpo, ainda que, repitamos, atualmente isto se possa fazer com o uso de máquinas e robôs, a utilização do corpo humano é imprescindível. Sempre haverá alguém que terá de acionar todo o sistema do maquinário, seja com o dedo, seja com a voz.
– O propósito do domínio sobre a criação terrena, igualmente, não dispensa a utilização do corpo humano, seja porque por ele se faz contato com o mundo exterior, seja porque com ele se faz contato com os demais seres humanos.
– Somente o propósito da frutificação pode se dizer que independa do corpo, pois, aqui a frutificação tem a ver com a produção do fruto do Espírito, algo que é da esfera imaterial, envolvendo mais diretamente o espírito humano, que é quem faz a ligação com o Espírito Santo e conforma a nossa imagem à imagem de Cristo (Rm.8:16,29).
– Ainda assim, não há como se demonstrar esta produção do fruto do Espírito Santo senão pelo corpo, pois o fruto do Espírito possui qualidades que se revelam existentes mediante as boas obras e o comportamento que for seguido pelo homem salvo, conduta esta que se faz perceptível pelo corpo humano.
– Como demonstrarmos que temos amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, fé e temperança (Gl.5:22), senão por meio do corpo? Como afirma o pastor Severino Pedro da Silva:
“…Sem ele [o corpo, observação nossa], o homem não poderá realizar as seguintes coisas: não pode alimentar-se; não pode reproduzir-se; não pode aprender; não pode comunicar-se; não pode divertir-se; não pode trabalhar; não pode adorar.
É mediante o corpo que o homem é um ser social. Mediante o corpo, o homem é um ser religioso e, por meio deles, suas obras serão um dia aprovadas ou reprovadas diante de Deus (II Co.5:10) …” (op.cit., p.60).
– Esta dimensão espiritual do corpo será tema da próxima lição, motivo pelo qual não nos debruçaremos sobre este assunto.
IV – RESPEITO AO CORPO
– O corpo é algo bom em si e, mais do que isto, algo criado por Deus e que é tratado na Bíblia Sagrada como “instrumento de justiça” (Rm.6:13), “serviço de justiça para a santificação” (Rm.6:19).
– Portanto, é o corpo o meio pelo qual o ser humano, na Terra, pode cumprir o propósito estabelecido pelo Senhor ao homem. Em sendo assim, não pode o corpo ser desprezado ou mesmo menosprezado.
– Como, de modo muito feliz, afirma o Catecismo da Igreja Católica Romana, “o corpo do homem participa da dignidade da “imagem de Deus”: ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito” (§ 364 CIC).
– O ser humano é uma inteireza para o Senhor, e isto inclui o corpo, obviamente. A ideia de que o corpo seria um mal é estranho ao ensino bíblico, como já temos visto, sendo doutrina advinda do hinduísmo, que encontrou guarida entre alguns filósofos gregos, como Platão e Pitágoras, que tiveram nítida influência de segmentos religiosos como os dos “mistérios eleusinos”, que foram a origem do gnosticismo, que tanto mal fez à Igreja e cuja ideia de menosprezo ou desprezo ao corpo estava na base da doutrina dos nicolaítas, expressamente condenada pelo Senhor Jesus em Ap.2:6,15.
– Diante disto, o corpo deve ser considerado sagrado, pois foi criado para ser o próprio receptáculo do Espírito Santo (I Co.6:19), e, como templo do Espírito Santo, é santo, algo que deve ser mantido para a glória de Deus.
– Jesus considerava Seu corpo como templo (Jo.2:20,21), corpo que foi especialmente preparado para que Ele pudesse realizar a Sua obra salvífica (Hb.10:5) e foi este corpo físico que se apresentou como sacrifício perfeito pelo qual conseguimos nossa salvação (Hb.10:12-14).
– Diante disto, vê-se que o corpo deve ser respeitado como algo santo (I Co.3:17) e, portanto, não se pode negligenciá-lo nem muito menos contribuir-se para a sua destruição.
– Ora, se o corpo é templo do Espírito Santo, deve o corpo servir única e exclusivamente para a adoração a Deus e, lamentavelmente, muitos estão a utilizar seu corpo para outrem que não o Senhor, pondo imagens no organismo, as conhecidas “tatuagens”, o que faz com que o corpo venha a servir como instrumento de idolatria, pois este é o significado da tatuagem (Lv.19:28).
– Lembremos que mesmo que se defenda a tatuagem de versículos bíblicos, é evidente que isto não tem qualquer respaldo nas Escrituras, pois o culto a Deus deve ser feito sem qualquer representação física, muito menos em nosso corpo, templo do Espírito Santo, devendo a Palavra de Deus ser escondida no coração e não escrita na carne (Sl.109:11).
– Não nos esqueçamos que o modelo bíblico de adoração cristão é sem nenhuma representação visual. Como diz a Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “…Seguimos o modelo bíblico da adoração cristã sem nenhuma representação visual:
‘Então, o Senhor vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes semelhança nenhuma’ (Dt.4:12).
Nisso estão incluídas as coisas que estão nos céus e na terra, como manda o segundo mandamento do Decálogo [Ex.20:4,5]. Isso se faz necessário considerando, ainda, a reverência a Deus: ‘Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade’ (Jo.4:24).
Assim, prestamos nossa adoração e ao nosso louvor em termos espirituais e imateriais sem o uso de imagens de escultura ou de qualquer outro tipo de representação [Dt.4:15-18; Jo.4:23,24] …” (DFAD, 2. ed., IX.6, p.143).
– Igualmente, totalmente reprovável a colocação de piercings no corpo humano, porquanto os piercings são considerados “pontos para conexão com o divino, proteção espiritual ou ato de empoderamento e autonomia individual” (Cf. IA do Google) e, em sendo assim, é evidente prática idolátrica, porquanto se constitui em um meio de “aprimoramento espiritual” que não por meio de Cristo Jesus.
– Há, ainda, a idolatria do próprio corpo, um culto ao corpo, outra tendência que se tem disseminado em nossos dias. Na cegueira espiritual característica do homem sem Deus e sem salvação, muitos supervalorizam o corpo e passam a cultuá-lo, vivendo em função do corpo.
– Práticas como o fisiculturismo (controle e desenvolvimento da musculatura de uma pessoa para fins estéticos), a preocupação excessiva com a beleza, o que faz, inclusive, com que, na atualidade, haja um crescimento imenso do esteticismo e da cirurgia estética, são condutas que devem ser evitadas pelos servos do Senhor, pois o corpo passa a ocupar um lugar desmedido na vida das pessoas, que, assim agindo, esquecem que este corpo é algo passageiro e que devemos primar por recebermos um corpo espiritual, glorioso, com o qual passaremos a eternidade e, para tanto, temos de buscar com prioridade o reino de Deus e a sua justiça e não a bela e enganosa aparência do corpo físico que agora temos.
– Aliás, como disse o proverbista: “Enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada” (Pv.31:30).
Lembre-se, aliás, que, embora esta conduta embora seja, primordialmente, oriunda das mulheres, já tem se disseminado grandemente entre os varões, sendo verdadeiro modismo, hoje em dia, a chamada metrossexualidade, o moderno narcisista das grandes cidades, que gasta tempo e somas consideráveis de dinheiro com a aparência e seu estilo de vida.
– Devemos, pois, ter um comportamento de respeito ao corpo, tanto o próprio, como o alheio e isto envolve algumas condutas como o do cuidado da própria saúde, pois devemos agir de modo a que o corpo seja saudável, a fim de que possa ser utilizado em sua plenitude para a glória de Deus.
– Este cuidado com a saúde envolve a abstenção de práticas que levem à destruição do organismo, como é o uso de substâncias entorpecentes ou quaisquer outras que levem ao comprometimento da saúde. As Escrituras são claras ao dizer que é desagradável a Deus qualquer ação que tenha por objetivo ou que assuma o risco de destruir o templo de Deus (I Co.3:17).
– A utilização de substâncias que causem dependência química ou psicológica é uma conduta que não encontra guarida na Palavra de Deus e que deve ser, de imediato, abandonada por tantos queiram servir ao Senhor (I Co.6:12).
– Vivemos dias em que, lamentavelmente, muitos estão a flertar com tais condutas, não sendo poucos os que se dizem cristãos e se encontram miseravelmente viciados. O saudoso pastor Claudionor Corrêa de Andrade (1955-2025), em sua derradeira obra, alertou para esta triste realidade que encontramos nas igrejas locais, inclusive entre obreiros, “in verbis”:
“…Não são poucos os obreiros que, viciados em álcool e noutras drogas igualmente destrutivas, estão a servir na casa de Deus. Alguns, rescendendo ainda cervejas, uísques e cachaças, ministram a Santa Ceia, sem reverência alguma ao corpo e ao sangue do Senhor Jesus Cristo.
Outros, aprisionados aos entorpecentes pesados, já não podem viver sem as suas doses cotidianas de ilicitude, desgraça, escândalo e blasfêmias. Os tais obreiros não são alcoólicos anônimos, nem viciados ocultos.
Ama publicamente o álcool, a maconha e a cocaína; alguns já estão a consumir drogas mortais como o crack. Se este é o seu caso, busque ajuda imediata.
A Igreja do Senhor tem os recursos necessários, para arrancá-lo deste abismo. E, por amor à sua alma imortal, não continue a ministrar aos santos, em tal condição. Tema a Deus e retire-se do Santo Ministério…” (Os 18 desafios finais das Assembleias de Deus no Brasil, p.204).
– Outra prática a ser adotada em relação ao corpo é que deve ele ser coberto da nudez. Em virtude do pecado, surgiu o pudor e, imediatamente, o primeiro casal procurou cobrir as partes menos honrosas do corpo, para não mostrar as chamadas vergonhas (Gn.3:7).
– É certo que as folhas de figueiras escolhidas por Adão foram completamente inadequadas para tal mister, mas a sua intenção era louvável, tanto que o próprio Deus forneceu vestimentas para os pais da raça humana (Gn.3:21).
– Tem-se, então, que é imperioso que o corpo seja vestido a fim de que a nudez seja coberta (I Co.12:22-24). Devemos não só cobrir a nossa própria nudez, como não violar a nudez do outro (Gn.9:22-25; Lv.18:6-18).
– Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, disseminou-se a prática do nudismo e da total licenciosidade moral, com as vestimentas não mais servindo para cobrir a nudez, mas, sim, realçá-la, fazendo do corpo um instrumento de produção de lascívia e de imoralidade sexual, inclusive entre os que cristãos se dizem ser e, pasmem todos, nos próprios ambientes eclesiásticos.
– O corpo é tratado como mero objeto de desejos pecaminosos e perversos, e muitos adotam como meio de vida a total desconsideração do próprio corpo ou do corpo alheio, utilizando-o como mero objeto de prazer momentâneo, profano e perverso.
Há, mesmo, hoje, uma apologia de práticas sexuais pecaminosas de sadomasoquismo, em que o prazer está, precisamente, no maltrato ao corpo. A que ponto chegamos! Que Deus nos guarde!
– O respeito ao corpo envolve, também, o seu tratamento com dignidade. Deste modo, reprovável toda violação que se faça ao corpo, como é o uso de violência física contra o próprio corpo (automutilação) ou ao corpo alheio (agressão física). Já na lei de Moisés, as agressões físicas eram punidas (Ex.1:18-22,24-27).
– A honra ao corpo também se verifica no tratamento digno ao cadáver, o que, inclusive, inclui o costume de sepultamento. As pessoas que morriam insepultas eram consideradas tendo um final indigno, tanto que até os inimigos eram sepultados (Js.10:27).
– Conhecida foi o zelo que a concubina de Saul, Rispa, teve com seus filhos que foram mortos em retribuição ao mal feito por Saul aos gibeonitas (II Sm.21:1-6), esforço que fez com que Davi resolvesse sepultá-los (II Sm.21:10-14), a demonstrar que, mesmo aqueles que eram punidos por ação contrária à vontade divina, mereciam o sepultamento.
– A prática da cremação de cadáver, ademais, é também oriunda do hinduísmo, onde, como já sabemos, o corpo é considerado um mal em si. Por isso, não é costume que tenha tido guarida seja em Israel, seja entre os cristãos.
– Não há qualquer passagem das Escrituras que proíba a cremação, de modo que não se pode dizer que se trate de conduta pecaminosa. Todavia, não pode a cremação ser associada a um contexto de menosprezo ou desprezo ao corpo, porque aí, sim, teremos uma contrariedade ao ensino bíblico.
Destarte, pecado não é cremar o cadáver, mas não podem as cinzas serem vilipendiadas, como jogá-las ao mar ou em qualquer outro lugar. Devem as cinzas ser, sim, sepultadas e não misturadas com outros elementos, como se nada fossem.
– Assim, perfeitamente bíblico o que consta no Catecismo da Igreja Romana a respeito, o que reproduzimos: “…A Igreja permite a cremação, se esta não manifestar uma posição contrária à fé na ressurreição dos corpos.” (§ 2301 CIC).
– Por fim, devemos observar que se trata de ato meritório e demonstrador do amor a Deus e ao próximo a
doação de órgãos, que é permitir que o corpo seja “serviço de justiça para santificação” mesmo após a morte.
– Assim, devemos sempre estar dispostos a doar órgãos renováveis, como é o caso do sangue, auxiliando assim a saúde e a vida de outrem, como também a doar, após a morte, os nossos órgãos para que outros continuem a sobreviver.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11774-licao-2-o-corpo-a-maravilhosa-obra-da-criacao-de-deus-i
