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LIÇÃO Nº 4 – O CORPO COMO TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO


INTRODUÇÃO

-Concluindo o estudo do corpo à luz da Palavra de Deus, veremos o papel do corpo em nossa vida espiritual.

-Nosso corpo é templo do Espírito Santo.

I– O MUNDO USA O CORPO PARA PECAR

-Vimos que o homem é uma integralidade, ou seja, o ser humano é uma triunidade, composto de corpo, alma e espírito. Desta forma, não podemos falar em pecado que seja apenas do corpo, apenas da alma ou apenas do espírito.

-O pecado é uma decisão que o homem toma em sua inteireza, daí porque se sujeitará às consequências do pecado de forma completa, ou seja, tanto corpo, alma e espírito serão reunidos para serem lançados no lago de fogo e de enxofre, que é a segunda morte (ainda que o corpo não seja mais o mesmo do pó da terra, que a ela terá tornado quando da morte física (Ap.20:11-15).

-Assim, ao contrário do que afirmam os hinduístas e os seguidores de seus pensamentos contrários à matéria, a matéria não é em si má nem pode levar ao pecado e à desobediência por si só. O corpo não é um mal em si nem conduz ao pecado por si só.

-O corpo não pode pecar independentemente da alma e do espírito, como também não é uma mortificação do corpo ou uma vida de meditação e de desprendimento do material que nos conduzirá à salvação ou à libertação do pecado.

-Jesus mostrou-nos isto claramente ao ter vivido sempre num corpo físico e material sem que, por causa disto, tenha pecado alguma vez.

Aliás, a ideia de que a matéria era a fonte do pecado foi o princípio doutrinários do gnosticismo, ensino que foi repudiado já nos tempos apostólicos (Cl.1:21,22;2:18,23; I Jo.4:1-3; II Jo.7).

-Isto precisa ficar bem explicado, porque, como o corpo por si só não pode pecar, não podemos entender que as ações próprias do organismo humano sejam pecaminosas por si mesmas.

É a ignorância destas circunstâncias que, por vezes, têm gerado muitos mal-entendidos e muitas considerações que se revelam fruto de fanatismo e de desequilíbrio e que não têm qualquer respaldo bíblico.

-O corpo tem algumas necessidades, que devem ser supridas, pois tais necessidades são próprias da estrutura que foi criada por Deus. 

Ao criar o homem, Deus fê-lo dotado de um corpo e este corpo tem algumas necessidades básicas para a sua sobrevivência, tais como a fome, a sede, a excreção, o crescimento, o gasto de energia etc.

Jesus, enquanto esteve entre nós, comprovou isto, pois, como homem, teve todas estas necessidades, sentindo fome, sede, cansaço, bem como se submetendo a um normal desenvolvimento físico (Lc.2:52).

-Devemos, então, compreender que o corpo tem necessidades que são próprias da sua estrutura e que devem ser supridas, pois nós não somos de nós mesmos e, como Deus nos preparou um corpo, devemos administrá-lo a contento, suprindo suas necessidades de forma a termos uma vida saudável, de forma a podermos usar o nosso corpo para a glória de Deus.

Neste sentido, temos de tomar todos os cuidados concernentes à nossa alimentação, ao sono, à manutenção da homeostase, qual seja, o equilíbrio que existe em todo organismo dotado de saúde.

-Entretanto, devemos, também, observar que estas necessidades e a forma de sua satisfação devem seguir uma ordem de prioridades que não é posta por nós, mas, sim, pelo autor do modelo, ou seja, de acordo com a vontade de Deus, que é o Senhor, o dono do nosso corpo.

-Por isso, ao verificarmos as necessidades do nosso corpo, devemos compreender aí aquilo que Deus disse ser necessário e que Jesus bem sintetizou como sendo o comer, o beber e o vestir (Mt.6:31,32).

-Além disso, Deus também estabeleceu que devemos, num determinado estágio de nossa vida, deixarmos nosso lar paterno e constituir uma família, para que, assim, com nosso cônjuge, possamos suprir, também, a necessidade sexual (Gn.2:24), necessidade esta que não se resume só à procriação (Gn.1:28), mas envolve também uma comunidade de vida (Gn.2:24) e a obtenção de uma vida de satisfação afetivo-emocional (Ct.1:2,3).

-É, precisamente, no desvio do modelo, do padrão estabelecido por Deus que encontramos o pecado contra o corpo.

Como sabemos, pecado, em grego, é ” harmarthia”(αμαρτία), que significa desvio do alvo, tortuosidade. O pecado nada mais é que um desvio de alvo, que uma tortuosidade, ou seja, uma distorção da retidão.

Por isso, como dissemos supra, podemos afirmar que Deus fez o homem reto, mas que ele, em sua rebeldia contra o Senhor, fez suas invenções e, como tal, pecou, pois o pecado é, exatamente, este desvio criado pelo homem.

-Há pecado contra o corpo, portanto, toda vez que o homem faz uma má administração do seu corpo, ou seja, desvia-se do modelo estabelecido por Deus para o corpo e pratica atos em que há esta distorção, há este desvio, há esta alteração do modelo estabelecido pelo Criador.

-Teremos pecado contra o corpo sempre que o homem, ao se rebelar contra a ordem, contra o mandamento de Deus, efetuar esta atitude de rebeldia através do corpo que, assim, ao invés de ser instrumento para a glória de Deus, será um meio, um veículo para a desobediência.

-Ora, no mundo sem Deus e sem salvação, este desequilíbrio é uma constante, de forma que sempre teremos o corpo sendo utilizado como instrumento, como um canal para o pecado.

-O corpo é a parte do nosso ser que faz contacto com o mundo físico, com o que nos rodeia. É o veículo pelo qual mantemos relações com os demais seres, vivos ou inanimados.

-As funções do organismo que fazem este contacto com o mundo exterior são chamadas de “sentidos” e, tradicionalmente, são cinco os sentidos:

visão,

audição,

olfato,

paladar e

tato.

Estas atividades, portanto, são as que permitem que nós tenhamos noção e consciência do mundo que nos cerca, de tal maneira que há quem diga que o conhecimento só é possível por causa da existência dos sentidos.

-Ora, como o corpo, segundo o projeto de Deus, é o veículo pelo qual nós mostramos a Sua glória aos demais seres, é natural que haja uma preocupação toda especial no modelo divino para o uso dos sentidos e é, também, certo que os sentidos, se mal utilizados, acabarão sendo canais para o pecado.

-Deste modo, os sentidos não são um mal em si, mas é através deles que estaremos usando o nosso corpo como instrumento para a glória de Deus ou, ao contrário, como instrumentos para a desobediência, para a rebeldia, para o pecado.

-Todo o nosso corpo deve ser consagrado a Deus e usado da forma determinada pelo Senhor, mas, sem dúvida, os órgãos dos sentidos devem ser um papel preponderante nesta consagração.

-Ainda nos recordamos de lição da Escola Bíblica Dominical que tivemos no final de nossa infância, em que, durante um trimestre todo, aprendemos a respeito da santificação de cada parte de nosso organismo (olhos, mãos, pés, ouvidos, boca, cabeça).

Que tenhamos esta consciência de que todo o nosso organismo deve ser um instrumento para a glória do nome do Senhor.

-É exatamente por causa disto que devemos ser vigilantes no uso dos nossos sentidos, porquanto é por meio deles que glorificaremos a Deus ou que, ao contrário, pecaremos.

Observemos, mais uma vez, que os sentidos, em si, não são nem maus nem bons, são funções que forma criadas pelo Senhor para que, por eles, corpo, alma e espírito glorifiquem a Deus e cumpram com a sua missão para os quais foram criados.

-No entanto, é através dos sentidos que se inicia o processo de contacto com o mal, pois as tentações se valem dos sentidos para que os pecados sejam concebidos e consumados.

-Pois bem, o sentido mais poderoso do homem é, sem dúvida, o da visão. O próprio Jesus salienta que “a candeia do corpo são os olhos, de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mt.6:22).

Vemos, portanto, que o próprio Senhor nos mostra que a visão é um sentido primordial para que possamos manter uma vida santificada diante d’Ele.

-Vemos que o sentido por que se processou a consumação do primeiro pecado da humanidade foi, precisamente, o da visão, pois, dizem as Escrituras, no fatídico versículo 6 do capítulo 3 de Gênesis que “… vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer…”(destaque nosso).

-Também notamos que toda a depravação e violência que levou à destruição de toda a geração antediluviana teve seu início também pela visão, pois assim nos relata a Bíblia Sagrada: “…Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas…” (destaque nosso).

Davi, um homem segundo o coração de Deus, cometeu abomináveis pecados a partir de falta de vigilância na visão:

“…Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista” (II Sm.11:2b) (destaques nossos).

Por fim, o diabo também não deixou de tentar Jesus através da visão: ” Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto e mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a glória deles” (Mt.4:8) (destaque nosso). Não é à toa, portanto, que Jesus nos manda tomar cuidado com a visão.

-Da visão advém uma série de pecados contra o corpo, pois, como afirma o Senhor Jesus, “se os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt.6:23).

As palavras do Senhor, uma vez mais, são verdade e vida! Quando verificamos o altíssimo índice de imoralidade, de promiscuidade e de prostituição que existe hoje em dia, bem percebemos o que gera uma falta de santificação da visão, pois tudo isto é movimentado, estimulado e incentivado pela pornografia, que nada mais é que o uso da visão como fator de erotização e de descontrole do instinto sexual.

-A prostituição é chamada pela Bíblia como sendo um pecado contra o próprio corpo (I Co.6:18), algo que o homem tem de fugir (I Co.6:18) e tal fuga envolve, em primeiro lugar, uma vigilância e uma contínua santificação de nossa visão.

-Quando a Bíblia fala em ” prostituição”, não se está referindo apenas ao comércio do corpo, como estamos habituados no nosso linguajar atual, mas é tradução da palavra grega “porneia” (πορνεία), que significa

“impureza sexual”, ou seja, é algo muito mais amplo do que o simples comércio do corpo. Assim, quando a Bíblia nos manda fugir da prostituição, manda-nos fugir de toda e qualquer ação que revele impureza sexual, seja ela de que natureza for.

-Também é importante observar que, embora as Escrituras estejam dizendo que a prostituição é um pecado contra o corpo, não é ele o único pecado contra o corpo nem a prostituição se apresenta como sendo um pecado maior do que os demais.

-Há pessoas que entendem que a prostituição e o adultério sejam pecados mais graves que os outros. São pecados e, como tal, devem ser abominados pelo povo de Deus, mas não são mais graves do que outros pecados. Não existe “pecadinho” nem ” pecadão”, tudo é pecado e tudo nos impede de termos comunhão com Deus e a vida eterna, por conseguinte.

-Devemos, também, observar que, dada a sua importância como principal órgão encarregado da função da visão, os olhos são, muitas vezes, mencionados na Bíblia como símbolos e figuras de atitudes pecaminosas, pois os olhos são o principal órgão que faz o contacto do corpo com o mundo exterior, sendo, pois, o principal denunciador do que há no homem interior.

-Dentro desta ideia a Bíblia fala em “olhos altivos” (Pv.6:17), reveladores de soberba, de orgulho, que veremos é um pecado com nascimento no espírito;

” olhos malignos” (Pv.23:6), reveladores de malícia, de malignidade, um pecado com nascimento na alma; “olhos cheios de adultério” (II Pe.2:14), reveladores de lascívia, pecado com nascimento no corpo, muitas vezes com início na visão.

-O segundo sentido que verificaremos é a audição, importante sentido, ainda que menos proeminente do que a visão. A audição é importantíssima para que tenhamos direção, orientação, é um sentido que está ligado ao próprio equilíbrio da pessoa (não é à toa que os órgãos responsáveis pela audição também o sejam pelo equilíbrio do homem).

Não é por outro motivo que as Escrituras insistem em que o homem dê ouvidos a Deus, ouça o que Ele tem a nos dizer (Dt.4:30; 31:12,13ç Hb.3:7,8). Não é por outra razão que a Bíblia afirma que a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17).

-A audição apresenta-se, assim, como um sentido fundamental para que o homem alcance a salvação, pois é ouvindo que irá conhecer o amor de Deus revelado na pessoa de Jesus Cristo.

É através da audição que as almas são alcançadas e se arrependem, como vemos no dia de Pentecoste: “…E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?” (At.2:37) (destaque nosso).

-Não ouvir, não permitir que a Palavra de Deus possa ser ouvida é o trabalho que o nosso inimigo e a natureza pecaminosa do homem fazem para que a audição não cumpra o seu propósito conforme o modelo divino para o nosso corpo.

-Através de diversas formas, o homem rebelde contra Deus não tem dado ouvidos ao Senhor e à Sua Palavra.

Vivemos dias em que os homens

“… tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências e desviarão os ouvidos da verdade voltando às fábulas” (II Tm.4:3b-4).

As pessoas somente param para ouvir aquilo que lhes convêm e rejeitam tudo aquilo que lhes possa magoar ou trazer uma reflexão séria a respeito de sua vida com Deus. Lamentavelmente, proliferam os pregadores que somente estão a dizer aquilo que o povo quer ouvir, deixando de trazer mensagens da parte do Senhor.

Estes enquadram-se perfeitamente na descrição do profeta Jeremias, a saber: “…eis que seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela” (Jr.6:10).

-Com preocupação, vemos que, mesmo nos nossos cultos, a Palavra de Deus tem sido cada vez menos ouvida.

Ocupa-se o tempo de nossas reuniões com cânticos e mais cânticos, de conjuntos vocais e/ou de instrumentos, de cantores individuais, de duplas, trios e quartetos, enquanto ao pregador da noite são reservados (quando

são reservados) os últimos quinze ou vinte minutos da reunião. Como poderemos ter uma igreja espiritualmente alimentada ou pessoas se convertendo ao Senhor se a fé vem pelo ouvir pela Palavra de Deus?

-Nada temos contra os cânticos ou contra a música, pois sabemos que o Senhor habita no meio dos louvores (Sl.22:3) e que é sacrifício agradável a Deus o que provém dos nossos lábios (Hb.13:15).

Entretanto, a parte musical é apenas parte do culto de adoração a Deus (I Co.14:26), que não pode deixar de ter a doutrina nem tampouco a manifestação dos dons espirituais.

-Além do mais, quando falamos em música, estamos a falar na música inspirada, ou seja, no salmo, aquele verdadeiro louvor a Deus, aquela música que tem por objetivo enaltecer a Deus e colocar todo o nosso ser, através da melodia, diante do altar do Senhor.

-Todavia, o que temos ouvido, com cada vez mais intensa frequência, é o uso de melodias e ritmos que, ao invés de nos elevar à presença de Deus, nos causa reações corporais, alterações nervosas, muitas vezes meras transposições de melodias e harmonias usadas em músicas profanas, com uma letra “evangélica”.

São os ” comichões dos ouvidos” que têm dominado amplamente muitos setores e segmentos das igrejas locais nos nossos dias.

-A audição tem servido, assim, a começar dos “ambientes sacros” para o estímulo à sensualidade, à alteração emocional, tudo levando à prática do pecado e ao enfraquecimento espiritual.

Como se não bastasse isso, a audição, hodiernamente, tem sido muito utilizada para a corrupção dos bons costumes, através das más conversações (ICo.15:33), das chocarrices (i.e., gracejos petulantes, grosseiros, atrevidos -Ef.5:4) e das parvoíces (i.e., idiotices, tolices – Ef.5:4), ao mesmo tempo em que prolifera a chamada “pornofonia” (i.e., a manutenção de conversas imorais, a troca de pensamentos e desejos sexuais entre pessoas por telefone ou outro meio auditivo).

Devemos ter cuidado no que falamos e como falamos, pois tudo que provier de nosso aparelho fonador, para ser ouvido pelos outros, deve contribuir para a edificação espiritual nossa e de nossos ouvintes.

-O tato é o sentido seguinte que verificaremos. Através deste sentido, sentimos as reações de nosso organismo frente ao mundo exterior, ou seja, o calor, o frio, a natureza das superfícies etc.

A pele é o tecido que nos faz ter tato e, como tal, os membros apresentam-se como os órgãos primordiais para que exerçamos esta função. Quando falamos nos membros, referimo-nos aos pés (membros inferiores) e às mãos (membros superiores), órgãos cujas atividades devem estar, sempre, submetidas à vontade do Senhor.

-As mãos estão relacionadas, nas Escrituras, às obras, às ações que façamos por meio do corpo. Neste sentido, aliás, temos a conhecida expressão do salmista: “… confirma a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl.90:17b).

-Mãos falam de trabalho, de obras, de atividades. Como sinceros mordomos de Deus, devemos trabalhar honestamente, obtendo do fruto do nosso trabalho o nosso sustento (Ef.4:28).

As mãos devem, também estar prontas para a ajuda ao necessitado (Ef.4:28), como também estar limpas, ou seja, serem honestas e puras (Jó 17:9).

As mãos têm servido, entretanto, para a desonestidade, para a fraude e para a falsidade, com cada vez mais intensidade.

-As mãos, também, estão relacionadas ao conforto, ao afeto e a carícias. Através das mãos, podemos expressar a nossa sensibilidade para com os entes queridos (Ct.2:6; 5:14; 8:13).

Inobstante, nos nossos dias tão maus, além de as mãos serem utilizadas para agressões, espancamentos demonstradores de ódio e de violência (Mt.24:49; Lc.20:10), não raro são também utilizadas para a promiscuidade e toda a sorte de imoralidade (I Co.5:9-11).

-Os pés, por sua vez, como são os principais responsáveis pela locomoção do homem (I Co.12:21), são associados nas Escrituras à ideia de direção, de orientação, de sequência da vida espiritual até a glorificação.

-A Bíblia refere-se ao “andar” sempre com o significado de manutenção de uma vida diária e contínua com Deus.

Devemos sempre caminhar no caminho estreito, que conduz à vida, desprezando todo e qualquer atalho, toda e qualquer facilidade que inexista na sã doutrina.

-Os pés falam-nos, também, do cuidado que temos de ter quanto aos lugares onde levamos nosso corpo. Devemos sempre nos desviar do mal (Jó 1:1) bem como fugir da aparência do mal (I Ts.5:22).

-Não somos favoráveis ao pensamento de isolamento completo do cristão do ambiente social, pois não é este o ensinamento de Jesus a respeito do assunto. Jesus diz-nos, claramente, que estamos no mundo embora do mundo não sejamos (Jo.17:11,15,16).

-Se a Igreja se encontra, ainda, na terra é para buscar os doentes, para que possam ser sarados pelo Senhor. Assim, um comportamento isolacionista é contrário à conduta evangelizadora que deve ter o cristão, pois o próprio Jesus vivia entre os pecadores.

-Entretanto, isto não significa que devamos andar como andam os pecadores. Muito pelo contrário, é preciso que sejamos prudentes e saibamos nos portar com sabedoria, indo só até onde a mão de Deus alcança.

O mordomo do Senhor, portanto, não porá o seu corpo, através de seus pés, em ambientes inconvenientes, em antros de perdição e de pecado, pois sabe que, embora todas as coisas lhes sejam lícitas, nem todas lhes convêm (I Co.6:12).

-O paladar é o sentido relativo ao gosto. O paladar está relacionado com a alimentação e, neste ponto, devemos evitar os excessos e abusos, tão característicos da imoderação e da falta de controle.

-A glutonaria e os excessos relacionados à ingestão de bebidas alcoólicas são o resultado da falta de controle com respeito ao paladar.

A mesma ilusão que leva à busca desmedida do prazer nas atividades sexuais é a causadora dos excessos relativos ao paladar. A glutonaria é fruto da natureza pecaminosa do homem, tanto que é elencada entre as obras da carne (Gl.5:21).

-Por fim, temos o olfato, que é de todos os sentidos o que menos relacionamento com o mundo exterior realiza. O olfato está quase sempre associado ao paladar, também sendo, quando fora do controle divino, um fator a estimular a glutonaria e a embriaguez.

O olfato, também, está relacionado à afetividade e sensualidade (Ct.1:3,12;4:16), pois não poucas vezes o relacionamento amoroso está entremeado com o uso de perfumes e aromas, como forma de sedução e de atração, algo que também tem servido para o desenvolvimento da lascívia e da prostituição.

II- EFEITOS DO USO DO CORPO PARA PECAR

-Dizem as Escrituras que ” um abismo chama outro abismo” (Sl.42:7a).

Deixando que os órgãos dos sentidos sejam utilizados para que haja a desobediência, a rebeldia, ou seja, permitindo que o corpo seja um instrumento para o pecado, o homem não só causa um mal que afeta o homem interior, porquanto gera a divisão entre ele e o seu Criador (Is.59:2), que nada mais é senão a morte espiritual (Rm.6:23), como também traz a destruição do corpo, pois o pecado contra o corpo contribui e acelera o processo de morte física.

-Muitas são as consequências do pecado contra o corpo, das quais podemos elencar algumas, a saber:

a) doenças – as ações pecaminosas contra o corpo são, antes de mais nada, atividades que são contrárias ao modelo estabelecido por Deus.

Ora, tendo sido o Criador do corpo humano, Deus sabe como devemos manter a homeostase, ou seja, o equilíbrio do corpo que nos permite ter saúde.

Não havendo a observância do modelo divino, o resultado será um inevitável desequilíbrio, que é a falta de saúde, ou seja, a doença.

Assim, a vida de promiscuidade, de prostituição e de imoralidade tem gerado todas as doenças sexualmente transmissíveis que se conhecem durante toda a história da humanidade.

Doenças como a gonorreia, a sífilis e, ultimamente, a aids só existem por causa do ambiente promíscuo que existe na sociedade. Doenças como a obesidade, os

problemas do coração, vários tipos de câncer estão associados a condutas inadequadas de alimentação e a vícios dos pacientes como a embriaguez e o fumo, por exemplo.

b) vícios – o pecado contra o corpo, também, gera uma série de vícios, que escravizam as pessoas que, no afã de serem independentes de Deus e de Sua Palavra, acabam pecando e, como já advertia Jesus, quem comete pecado é servo do pecado (Jo.8:34).

Assim, milhões e milhões de pessoas, hoje, agridem seus corpos e o destroem única e exclusivamente porque estão escravizados pelo vício.

Os alcoólatras, os fumantes, os dependentes químicos, os sexomaníacos, os que se alimentam compulsivamente, são todas pessoas que, por não viverem conforme o modelo divino, acabaram levando seus organismos para dependências e vícios que os estão matando aos poucos e causando uma série de problemas para si, seus familiares e para a sociedade.

c) problemas sociais – o pecado contra o corpo não se limita a trazer problemas para as pessoas pecadoras, mas, diante da proliferação do pecado no meio da sociedade, acaba gerando uma série de problemas que prejudicam e criam sérias dificuldades para toda a sociedade.

Assim, a promiscuidade, a prostituição e a imoralidade desintegram as famílias e, com a desintegração familiar, temos a própria perda de controle sobre a sociedade, com o aumento da criminalidade e da violência, que também têm seus índices alimentados pelos vícios, em especial o alcoolismo e a dependência química.

Não bastasse isso, o aumento das doenças faz com que se aumentem sobremaneira os gastos com a saúde, contribuindo sensivelmente para a falência do sistema de saúde pública e o aumento da desigualdade e da marginalização sociais.

-Vemos, portanto, quanto mal causamos a nós mesmos e ao nosso próximo quando pensamos que o corpo que Deus nos deu é nosso e dele podemos fazer o que quisermos.

Estejamos sempre conscientes de que o corpo foi o tabernáculo que Deus nos deu, provisório, temporário, frágil, não prioritário mas que, mesmo assim, nestas coisas que só Deus faz, pode ser usado para que a glória de Deus seja revelada até aquele dia em que o nosso novo corpo terá já em si a própria glória que hoje apenas refletindo.

-Que a administração do nosso corpo possa tornar reais as palavras do poeta sacro que dizem: ” Faze-me vaso de bênçãos, Senhor, vaso que leve a mensagem de amor. Eis-me submisso, pra Teu serviço. Tudo consagro- Te, agora, Senhor.” (refrão do hino 304 do Cantor Cristão).

III– O CORPO COMPARADO AO TABERNÁCULO

-Embora o corpo humano tenha sido criado para fazer o contacto do homem com o mundo exterior, tendo, ademais, natureza material, tem ele, sim, um relevante papel em nossa vida espiritual.

-Sendo o instrumento pelo qual o homem entra em contato com a criação terrena, deve o corpo ser o meio pelo qual a presença de Deus no ser humano se faça sentir sobre a face da Terra.

-A Bíblia deixa-nos isto bem claro ao apresentar algumas figuras a respeito do corpo, figuras estas que nos dão a exata posição do corpo no ser humano, qual o seu papel e o que ele deve representar na nossa vida.

Em primeiro lugar, a Bíblia refere-se ao corpo como sendo um tabernáculo ou uma tenda. Paulo diz que o nosso corpo é a ” nossa casa terrestre deste tabernáculo” e, mais, que se trata de uma casa que irá se desfazer (II Co.5:1). Pedro, também, utiliza-se da mesma figura, ao afirmar que ” brevemente hei de deixar este meu tabernáculo” (II Pe.1:14).

-Esta figura do corpo como sendo o tabernáculo é muito profunda e significativa. Trata-se de uma expressão utilizada por quem tinha pleno conhecimento do significado do tabernáculo para o povo de Israel.

-A palavra ” tabernáculo” quer dizer habitação, morada e diz respeito à construção móvel que Deus determinou que Moisés fizesse e que acompanhou o povo na sua peregrinação no deserto e que existiu até a construção do templo no reinado de Salomão. O que o tabernáculo pode nos ensinar a respeito do nosso corpo?

-Em primeiro lugar, o tabernáculo era uma construção móvel (Nm.10:21), ou seja, era uma edificação que não foi feita para ficar no mesmo lugar durante todos os tempos, mas algo que ia de um lugar para outro, embora estivesse seguindo um caminho pré-determinado por Deus (qual seja, a Terra Prometida).

-O nosso corpo, também, não é algo que foi feito para perdurar para sempre. O corpo é algo passageiro, algo que tem um tempo determinado, algo que está submetido ao espaço e ao tempo, algo que envelhece, algo que se modifica, mas algo que deve ser conduzido com um objetivo previamente determinado pelo Senhor, assim como o tabernáculo era levado pelo povo para um lugar já mostrado a Israel por Deus.

-Quando temos consciência de que o nosso corpo é uma construção móvel, é algo que serve para nossa peregrinação no caminho traçado pelo Senhor para cada um de nós, temos uma conduta totalmente diferente com relação a nosso corpo do que o temos feito ou que as pessoas sem esta consciência fazem.

-Não podemos tratar o corpo como algo irrelevante para Deus quando tomamos consciência de que ele é algo que devemos conduzir na nossa caminhada para o céu.

-Em segundo lugar, o tabernáculo era uma construção que foi feita para um determinado período da história de Israel (I Rs.8:4), ou seja, não foi algo que perdurou para sempre.

-Nosso corpo, de igual forma, não foi feito para durar para sempre. Nosso corpo é do pó da terra e a ele tornará (Gn.3:19) ou, se estivermos entre aqueles que serão arrebatados ainda vivos, teremos nossos corpos transformados num corpo glorioso (I Co.15:52).

-O corpo é uma casa terrestre que se desfará, como diz o apóstolo Paulo. Quando sabemos que o nosso corpo irá se desfazer, que ele não herdará a vida eterna, não damos vazão a pensamentos e a desejos instigados pela natureza pecaminosa que têm por finalidade e objetivo a satisfação de necessidades criadas unicamente para o corpo, pois, então, teremos noção de que o corpo é algo passageiro, algo feito apenas para esta dimensão terrestre e que não pode comprometer a nossa eternidade.

-Em terceiro lugar, o tabernáculo foi construído segundo um modelo dado por Deus a Moisés (Ex.25:40). Nosso corpo foi feito segundo a vontade de Deus, pois foi o próprio Deus que o formou e, portanto, deve ser utilizado segundo o modelo estabelecido pelo Senhor, ou seja, deve ser usado e administrado de acordo com a forma determinada por Deus e que se encontra nas Escrituras Sagradas.

-Qualquer uso do corpo fora destes parâmetros, portanto, é algo que não deve ser admitido nem adotado por um mordomo do Senhor.

-Quando percebemos que o corpo foi feito por Deus e segue um modelo Seu, imediatamente abandonamos o falso pensamento de que ” Deus só quer o coração” e de que as coisas relativas ao corpo são irrelevantes do ponto-de-vista de nossa vida espiritual ou que sejam até assunto que prejudique a nossa comunhão com o Senhor.

-Passamos a ter consciência de que o corpo não é primordial no nosso contacto com Deus mas tem um papel a cumprir, de tal maneira que temos de levá-lo em conta e com ele também nos ocuparmos para que sejamos achados servos fiéis e prudentes por nosso Senhor.

-Foi este o erro dos nicolaítas, cuja doutrina foi expressamente condenada pelo Senhor Jesus nas cartas que mandou o apóstolo João endereçar a Éfeso (Ap.2:6) e Pérgamo (Ap.2:15).

Segundo os estudiosos, os nicolaítas consideravam que o corpo era irrelevante para Deus e, por isso, comer das coisas sacrificadas aos ídolos e cometer imoralidade sexual não trazia qualquer dano à vida espiritual.

-Em quarto lugar, o tabernáculo não se confundia com a glória de Deus (Ex.40:34-38), mas era através dele que o povo de Israel notava a presença e a direção de Deus na caminhada para Canaã.

-Nosso corpo, de igual maneira, não se confunde com a glória de Deus. Nosso corpo é matéria, enquanto Deus é espírito (Jo.4:24), mas é o nosso corpo que serve de receptáculo para a glória do Senhor, para o Seu Espírito.

-É neste corpo que habita a Divindade (Jo.14:23), de tal maneira que o corpo é também figurado como sendo o templo do Espírito Santo (I Co.6:19).

-Por causa disto, tudo o que fazemos neste mundo é conhecido dos demais homens através deste corpo e, por meio dele, as pessoas darão, ou não, glória a Deus pelos nossos atos (Mt.5:16) e é pela forma de que dele nos utilizamos que seremos julgados pelo Senhor no tribunal de Cristo (II Co.5:10).

-Quando temos consciência de que o nosso corpo é o instrumento que Deus nos dá para que, neste mundo, o Seu nome seja glorificado pelas obras que façamos, quando percebemos que ele é o veículo pelo qual os demais homens notarão a presença e a direção de Deus em nós e para eles, passamos a ter um comportamento totalmente diverso da conduta negligente e displicente que muitos têm levado em relação aos seus corpos.

-Os homens não têm condições de ver o nosso interior, de compreender-nos pelo que há dentro de nós, mas somente perceberão o que há em nós, a nossa eterna salvação, a nossa pureza, a nossa felicidade através de nosso corpo, pois é ele que, a exemplo do tabernáculo, fará o homem natural notar que, dentro de nós, dentro daquele invólucro, está a presença e a direção do Senhor.

-Em quinto lugar, o tabernáculo era uma edificação que, exteriormente, não causava esplendor, admiração ou atenção.

Com efeito, revela-nos a Bíblia que a parte externa do tabernáculo era composta de uma cobertura de peles de texugo em cima (Ex.26:14), última cobertura de uma série de camadas de outras peles, cobertura que não causava nenhuma admiração a quem a visse, ao contrário, por exemplo, do templo (seja o primeiro, seja o segundo, como vemos, v.g., em Mt.24:1).

-De igual modo, o nosso corpo não deve ser o alvo de nossas atenções. A satisfação de suas necessidades não deve ser o centro de nossas vidas (Mt.6:31-33), mas devemos procurar aparecer menos na aparência e na fisionomia e nos conscientizarmos de que, sobre nós, sobre o nosso corpo, deve reluzir a glória de Deus (Jo.3:30).

-Quando nos conscientizamos de que o nosso corpo não deve ser um fim em si mesmo, nossa conduta passa a ser diferente do comportamento que tanto tem caracterizado os nossos dias de culto ao corpo e a tudo o que lhe diz respeito, culto este que tem, inclusive, já invadido a comunidade evangélica.

-Vivemos, hoje, a época do domínio da moda, da aparência, da beleza estética, com um sem-número de distúrbios e desequilíbrios de toda a sorte.

-Teremos a devida conduta e nos aproximaremos da modéstia que tanto caracterizou o nosso Senhor em sua vida terrena se nos lembrarmos de que o corpo não deve ter parecer nem formosura, mas deve ser capaz de tornar visível a glória de Deus para os que conosco convivem.

-Em sexto lugar, o tabernáculo era uma edificação que foi feita com a vinda de materiais de todo o povo de Israel, de tudo quanto Deus tinha dado ao Seu povo quando ele saiu do Egito, uma contribuição coletiva e voluntária de todos os israelitas (Ex.35:20-29).

-De igual modo, Deus, ao fazer o corpo do homem, teve a contribuição de todos os elementos da terra, pois, como vimos, a composição química do organismo humano possui todos os elementos, ainda que em pequenas quantidades, como a demonstrar que o nosso corpo é o resultado de uma cooperação coletiva de toda a natureza.

-Quando observamos que o nosso corpo é resultado de uma combinação de todos os elementos da terra, percebemos, como nunca, que o homem deve respeitar a natureza e dela cuidar com extremo zelo, pois somos, por assim dizer, uma síntese da natureza.

-Deus fez-nos desta natureza, dotou-nos de um corpo que é a combinação de toda a natureza, para que nos sentíssemos integrados nela, como elemento-chave para a manutenção do seu equilíbrio.

Quando não exercemos bem esta mordomia, sofremos juntamente com a natureza e, tal como ela, nosso corpo aguarda uma redenção (Rm.8:22,23).

-Em sétimo lugar, o tabernáculo foi substituído pelo templo de Salomão, mais majestoso e cuja glória ficou indelevelmente marcada na mente dos israelitas, mesmo após décadas de cativeiro (Ed.3:12).

-Aliás, o que caracteriza e diferencia o templo (ou os templos) do tabernáculo é que nele(s) a glória de Deus era uma nota marcante (I Rs.9:3; Ag.2:7), enquanto, no tabernáculo, ela se efetivava pela nuvem ou pelo fogo, que ficavam sobre o tabernáculo (Ex.40:38).

-De igual modo, o nosso corpo, tal qual o tabernáculo, tem a glória de Deus sobre nós, quando a Ele nos consagramos e, através de nosso corpo, esta glória é demonstrada aos demais seres humanos, mas não se trata de um corpo glorioso, de um corpo que tenha a glória como sua característica.

-Este corpo terreno jamais será caracterizado pela glória, pois é um corpo terreno, corpo este que será substituído por um corpo espiritual, este, sim, um corpo glorioso (I Co.15:40-49).

-Quando temos consciência de que o corpo que agora temos será substituído por um corpo espiritual, por um corpo glorioso, passamos a viver diferentemente, na perspectiva da vinda de Jesus e da eternidade, perspectivas estas indispensáveis para que tenhamos uma vida santa e consagrada a Deus.

IV– CORPO, TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

-Além de ser comparado a um tabernáculo, o corpo é também chamado de ” templo do Espírito Santo” (I Co.6:19), numa perspectiva que já vimos, em parte, ao tratarmos da consideração do corpo como tabernáculo, pois tanto o templo, quanto o tabernáculo nos dão de ideia de morada, de habitação.

-Esta morada e habitação, entretanto, representam algo mais do que o que já temos falado, ou seja, de que seja uma morada de Deus. Quando dizemos que o corpo é o templo do Espírito Santo, devemos ter a exata noção desta afirmação diante do que se entendia por templo na época em que foi escrito o texto pelo apóstolo Paulo.

-Quando Paulo fala em templo, está se referindo a um lugar de adoração, a um lugar onde a divindade era cultuada.

-Como judeu que era, Paulo, ao se utilizar da expressão ” templo” bem sabia que estava se referindo a um lugar de adoração, pois o templo era a casa santificada pelo próprio Deus, onde Deus prometera estar presente e atento a todas as súplicas do Seu povo (I Rs.9:3; II Cr.7:16) bem como casa de sacrifício, onde Deus prometer estar pronto a perdoar e purificar o Seu povo (II Cr.7:12-14).

-Ao mesmo tempo, enquanto apóstolo dos gentios, escrevendo para gentios (“in casu”, os coríntios), Paulo sabia que o templo era um local onde se praticava o culto às divindades, onde os gentios sacrificavam e praticavam atos que agradavam aos deuses, tanto assim que, por exemplo, os deuses de fertilidade tinham seus templos como verdadeiros prostíbulos e locais de obscenidades.

-Assim, quando Paulo nos afirma que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, está nos dizendo que o corpo deve ser uma parte do homem que deve ser destinada a agradar ao Senhor.

-O corpo é um local onde devemos adorar a Deus, um lugar onde devemos demonstrar a pureza de nosso interior, um lugar que deve demonstrar o perdão dos nossos pecados, um lugar onde tudo o que façamos tenha por objetivo agradar a Deus.

-Muito ao contrário dos que defendem a falsa doutrina de que ” Deus só quer o coração”, o que a Bíblia nos ensina, através desta figura, é que o corpo é o lugar em que devemos adorar a Deus, ou seja, servi-l’O.

-É através do corpo que estaremos comprovando se, realmente, fomos santificados, fomos perdoados, fomos purificados e se, realmente, estamos agradando a Deus.

-Tão importante é a consideração do corpo como templo do Espírito Santo que o próprio Jesus disse que Seu corpo era um templo (Jo.2:19-22).

-Assim como o corpo de Jesus foi um templo enquanto esteve aqui na Terra, pois foi um corpo pelo qual Jesus andou fazendo o bem, ungido por Deus com Espírito Santo e virtude, curando a todos os oprimidos do diabo (At.10:38), nunca tendo pecado (Hb.4:15), também devemos assim viver nesta Terra, tendo nossos corpos como instrumentos de justiça para santificação, não mais vivendo na prática do pecado (Rm.6:13,19).

V– O CORPO COMO VASO DE BARRO

-Outra expressão bíblica utilizada para o nosso corpo é a que compara o corpo humano a um vaso de barro.

-Jeremias, no capítulo 18 de seu livro, relata-nos a experiência que Deus lhe fez passar na casa do oleiro, em que diz que o homem nada mais é do que um vaso de barro nas Suas mãos (Jr.18:6) e, no livro de Lamentações, afirma que os filhos de Sião ” são reputados por vasos de barro ” (Lm.4:22).

-Paulo, quando escreve aos coríntios, também afirma que temos o conhecimento de Jesus Cristo, um verdadeiro tesouro, “em vasos de barro” (II Co.4:2) e torna a fazer a comparação do homem como um vaso de barro quando escreve a Timóteo, dizendo que

“…há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém para desonra” e que “… se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor…” ( II Tm.2:20,21).

-A imagem do oleiro e do vaso é uma figura bíblica que nos fala do homem exterior, do corpo humano e que demonstra que seu Criador é o Senhor, tanto quanto das demais partes do ser humano (alma e espírito).

-Também nos dá conta de que o corpo é um elemento material e que é feito do pó da terra. Mas o prisma que queremos aqui ressaltar desta figura bíblica é a que diz respeito ao corpo como um veículo para a comunicação da glória de Deus.

-O vaso tem de ter um conteúdo. Não basta que tenha um material, mas que seja usado para guardar um conteúdo. Paulo afirma-nos que este conteúdo tem de ser um tesouro, ou seja, que o vaso esteja próprio para ” a iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (II Co.4:6b).

-Nosso corpo deve servir para que Jesus seja glorificado entre os homens, deve refletir ” como um espelho a glória do Senhor” (II Co.3:18).

-Quando falamos que nosso corpo é um vaso de barro, ressaltamos a fraqueza de nosso corpo, a sua debilidade, a sua fragilidade, a sua dependência extrema da parte do oleiro, que é o Senhor.

– Quando nos conscientizamos de que nosso corpo é débil, é frágil, é apenas um vaso de barro, não damos importância à aparência, passamos a ser vigilantes quanto à manutenção do conteúdo, pois o vaso, em si mesmo, valor algum tem, pois é apenas um vaso de barro, mas o que está dentro de si, o tesouro, este, sim, é dotado de valor e nos faz valer algo.

Devemos valorizar o que está dentro de nós, jamais nos deixando iludir pelo astucioso comprador, o adversário de nossas almas (Pv.20:14).

 Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11809-licao-4-o-corpo-como-templo-do-espirito-santo-i

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