LIÇÃO Nº 4 – UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO
INTRODUÇÃO
-Na sequência do estudo da igreja em Jerusalém, analisaremos hoje a plenitude do Espírito Santo existente naquela igreja local.
-A igreja em Jerusalém era cheia do Espírito Santo.
I – A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA É A DISPENSAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
-Continuando o estudo da igreja em Jerusalém, o modelo a ser seguido por todas as igrejas locais, analisaremos hoje outro aspecto importante seu, qual seja, a plenitude do Espírito Santo que nela havia.
-Ao término do Seu ministério terreno, o Senhor Jesus fez questão de dar instruções aos Seus discípulos sobre nova realidade espiritual que se apresentaria, sobre a nova etapa do plano da salvação da humanidade que adviria com a consumação da obra que o Pai Lhe dera, que seria a redenção da humanidade mediante o Seu sacrifício vicário na cruz do Calvário.
-Após a celebração da Páscoa e a instituição da Ceia do Senhor e, em sequência, a lição de humildade dada no lavapés, Cristo diz aos discípulos que havia chegado a hora da glorificação do Filho do homem e que, depois, o Senhor haveria de subir aos céus para preparar lugar aos que cressem n’Ele (Jo.13:31-14:3).
-Iniciar-se-ia, então, um tempo em que os discípulos, sem estar na companhia física de Jesus, deveriam dar prosseguimento à Sua obra, seguindo o Caminho, que era o próprio Jesus, caminho este que conduziria à vida eterna (Mt.7:13,14);
a Verdade, que era o próprio Jesus, testificado pelas Escrituras (Jo.5:39), pois a Palavra é a verdade (Jo.17:17) e a Vida, que era o próprio Jesus, que reatava a comunhão entre Deus e os homens, trazendo-lhes vida eterna (Jo.3:16; 5:24).
-Este seguir o Caminho, a Verdade e a Vida, que nada mais é que seguir a Jesus (Jo.14:6) constitui a vida espiritual, a vivificação em Cristo, como o próprio Senhor propusera em Seu ministério (Mt.10:238; 16:24; Mc.8:34; Lc.9:23; 14:27).
-Para tanto, porém, Cristo já mostra que seriam necessárias duas condições: a primeira, seria a glorificação do Filho do Homem, ou seja, a Sua morte vicária na cruz do Calvário, quando Ele Se faria a propiciação dos pecados de todo o mundo (I Jo.2:2); a segunda, a vinda do Espírito Santo, para que ficasse com os discípulos e nos discípulos (Jo.14:16-18; 16:17).
-Durante toda a história da humanidade, vemos a atuação das três Pessoas da Trindade no sentido de concluir o plano de salvação. O momento crucial deste plano inicia-se com a própria humanização do Filho de Deus, enviado pelo Pai e gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:35).
-Percebemos, portanto, que o Espírito Santo promove a geração de Jesus no ventre de Maria, ao mesmo tempo em que o Pai envia o Filho e Este aceita vir ao mundo, como homem, para fazer a vontade do Pai (Hb.10:9).
-Mas o Espírito Santo não se limitou a gerar Jesus homem no ventre de Maria, mas, também, ungiu-O para que pudesse realizar a Sua obra (Lc.4:18-21; At.10:38), o que vemos, perfeitamente, figurado no batismo do Senhor (Mt.3:16).
-Depois da ressurreição, já glorificado, Jesus sopra sobre os discípulos, a fim de que recebessem o Espírito Santo (Jo.20:22), numa clara demonstração de que seria impossível a vida com o Pai e com o Filho (Jo.14:23) se ausente estivesse o Espírito Santo.
-Mas isto ainda era insuficiente, tanto que o Senhor mandou que os discípulos não iniciassem a obra para a qual haviam sido chamados enquanto não fossem revestidos de poder (Lc.24:49), o que nada mais era senão o batismo com o Espírito Santo, como se verificou, posteriormente, no dia de Pentecostes (At.2:1-4).
-Jesus era o Cristo, ou seja, o Ungido, precisamente porque possuía a plenitude do Espírito Santo. O profeta Isaías já predissera que o Messias teria os “sete Espíritos de Deus” (Ap.1:4; 3:1; 4:5; 5:6), ou seja, o Espírito em toda a Sua plenitude (Is.11:1,2).
-Jesus é a luz do mundo (Jo.9:5) e isto era prefigurado no tabernáculo pelo castiçal de ouro, que possuía sete braços, simbolizando, precisamente, a plenitude do Espírito Santo em Cristo (Ex.25:31-39; 37:17-24).
-Ora, como os discípulos de Jesus tinham de ser, também, luzes do mundo (Mt.5:14), devendo refletir a luz de Cristo (Fp.2:15), imperioso que também tivessem a plenitude do Espírito Santo em suas vidas.
-Em Suas últimas instruções, Cristo deixa claro que agora se estabeleceria uma nova forma de relacionamento entre Deus e os homens. Pago o preço pelos pecados do mundo no Calvário, a fé em Jesus traria o perdão dos pecados e a justificação (Rm.5:1), e, deste modo, haveria comunhão entre Deus e o salvo, vindo o Espírito Santo a habitar nele.
-Deste modo, haveria o fim da separação entre Deus e o homem, ocasionando o surgimento de uma nova criatura (II Co.5:17), que passa a produzir o fruto do Espírito (Gl.5:22) e que peregrina sobre esta Terra aguardando morar para sempre com o Senhor nos céus (I Pe.1:3,4,17).
-O Espírito Santo passa a ser Aquele que está ao nosso lado, assim como Jesus esteve durante o Seu ministério terreno ao lado dos Seus discípulos, mas que também está em nós, em união com o nosso espírito, que é vivificado, e, deste modo, passamos a ser um com o Senhor (Jo.17:21), cumprindo-se o propósito da obra salvífica de Cristo.
-A Igreja, ou seja, os que creem em Jesus, passa a ser templo do Espírito Santo (I Co.6:19) e, como tal, se apresenta como agência do reino de Deus aqui na Terra e resiste ao maligno, trazendo luz para este mundo de trevas e sendo o sal da terra, que impede a completa corrupção.
-Este novo tempo, que somente terminará quando Jesus vier buscar os Seus discípulos como prometeu, é o período em que o Espírito Santo é derramado, passa a habitar em todos os salvos, que passam a ser instrumentos de justiça em meio à humanidade.
-A graça de Deus se há manifestado trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente,
aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual Se deu a Si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniquidade e purificar para si um povo Seu especial, zeloso de boas obras (Tt.2:11-14).
-A dispensação da graça, iniciada no dia de Pentecostes, é, portanto, a dispensação do Espírito Santo. Inicia-se com o derramamento do Espírito sobre os discípulos, capacitando-os para dar seguimento ao ministério de Jesus Cristo e somente terminará quando o Senhor vier arrebatar a Sua Igreja para fazê-la escapar da ira futura (I Ts.1:10).
-Como disse Paulo a Tito, a graça de Deus, que é Jesus, trouxe salvação aos homens e ela agora nos ensinar a viver neste mundo sóbria, justa e piamente, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas.
-Ora, quem nos ensina? O Espírito Santo, que foi enviado precisamente para nos ensinar todas as coisas e nos lembrar o que Jesus disse (Jo.14:26), como também nos guiar em toda a verdade, pois Ele nunca fala de Si mesmo, mas veio para glorificar a Jesus e anunciar o que é de Cristo (Jo.16:13,14).
-O que nos permite renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas? A santificação progressiva e que é o ser que nos permite santificar? O Espírito Santo, que é o Espírito de santificação (Rm.1:4), Quem proporciona a nossa santificação (II Ts.2:13).
-Ademais, os dois principais meios de santificação são a Palavra de Deus (Jo.17:17), ou seja, as Escrituras, cuja redação foi inspirada pelo Espírito Santo (II Pe.1:20,21), e a oração (I Tm.4:5), da qual o Espírito Santo é participante, vez que ora conosco com gemidos inexprimíveis (Rm.8:26).
-Esta nova situação na história da salvação é prefigurada pela pomba que Noé utilizou para saber se as águas haviam minguado após o dilúvio.
O texto sagrado diz que, primeiro, Noé mandou a pomba, que retornou por não encontrar lugar para pousar; na segunda vez, a pomba retornou com um ramo de oliveira em seu bico e, na terceira vez, não mais retornou (Gn.9:8-12).
-Estas três situações mostram a ação do Espírito Santo na história da salvação: antes de Jesus, o Espírito Santo não encontrava repouso entre os homens, porque estavam eles separados de Deus pelo pecado; com a vinda de Cristo ao mundo, o Espírito Santo pousou sobre Ele, visto que Jesus nunca pecou (Hb.4:15), sendo gerado por obra e graça do próprio Espírito Santo (Lc.1:35); após a morte e ressurreição de Jesus, o Espírito Santo é enviado para a Terra (Jo.14:16), passa a conviver e a estar nos filhos de Deus, aos que creem em Jesus (Jo.1:12).
II – A IGREJA EM JERUSALÉM ERA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO
-Sendo a primeira igreja local, a igreja em Jerusalém, em que se iniciaria o derramamento do Espírito Santo, é até intuitivo que se tivesse uma igreja cheia do Espírito Santo, até porque é modelo para todas as igrejas locais até o final da dispensação da graça.
-Tendo soprado sobre os discípulos para que recebessem o Espírito Santo no domingo da ressurreição, o Senhor, antes de subir aos céus, mostrou a necessidade para que os discípulos aguardassem o poder do alto (Lc.24:49), o revestimento de poder (At.1:8) para que pudessem dar início à evangelização das criaturas e ao ensino da doutrina aos que cressem em Jesus.
-Jesus foi o primeiro a anunciar a necessidade do revestimento de poder para que se pudesse realizar a obra que estava destinada aos Seus discípulos. Determinou-lhes que não saíssem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc.24:49).
-Para que pudessem levar a efeito o trabalho de evangelização de todo o mundo, como lhes havia sido mandado (Mc.16:15), era indispensável que tivessem, da parte de Deus, o correspondente poder, o que lhes
seria trazido pelo batismo com o Espírito Santo: ” Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós e ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (At.1:8)
-A plenitude do Espírito Santo é, portanto, uma necessidade para que a igreja local cumpra o propósito divino a ela estabelecido. Foi uma ordem de Jesus, que, todos sabemos, é a cabeça da Igreja (Ef.1:22; 5:23).
-Enquanto o Espírito Santo não foi derramado sobre os discípulos, não se iniciou a obra do Senhor. Não há como se entender, pois, que o batismo no Espírito Santo seja desnecessário para que a obra de Deus se realize como defendem alguns, até sedizentes pentecostais.
-O batismo com o Espírito Santo é uma experiência que se segue à conversão na vida espiritual do crente. Após ter nascido de novo, o homem tem à sua disposição a possibilidade de ser revestido de poder, de receber poder divino para que, assim, possa, de uma forma plena e eficaz, ser testemunha de Jesus Cristo neste mundo.
-Tanto é assim que a promessa do revestimento do poder foi feita exclusivamente aos discípulos. João, aquele que preparou o caminho do Senhor, foi o primeiro a anunciá-la abertamente, ao anunciar que o batismo com o Espírito Santo viria por intermédio do Messias, do Cristo (Mt.3:11).
-Ao assim afirmar, ficava claro que o batismo com o Espírito Santo seria uma operação dependente da obra do Messias, obra esta que o próprio Jesus definiu como sendo “salvar e buscar o que se havia perdido” (Lc.19:10).
-Jesus sempre deixou claro aos Seus discípulos que tinha uma missão nesta terra, uma obra que Lhe havia sido determinada pelo Pai (Jo.17:4): a salvação da humanidade (Jo.3:16,17).
-Até mesmo a multidão escarnecedora no espetáculo da crucifixão tinha plena consciência deste objetivo do ministério de Jesus (Lc.23:35,37), finalidade esta que estava estampada no próprio nome de nosso Senhor (Mt.1:21).
-Assim, se o batismo com o Espírito Santo seria uma operação a ser feita por Jesus, bem se vê que está ele umbilicalmente relacionado com a salvação, é uma obra do Espírito Santo que não pode ser dissociada da salvação e, portanto, da obra de Jesus Cristo na cruz do Calvário.
-O batismo com o Espírito Santo, portanto, não pode ser uma experiência que esteja separada da salvação e seu objetivo outro não pode ser senão edificar a vida do salvo que o recebe como tornar eficaz a pregação do evangelho para os outros que contemplarem e observarem a vida daquele que recebe.
-Eis o motivo pelo qual o batismo com o Espírito Santo resulta na salvação de outras almas, tem como efeito a conversão, o novo nascimento de outras pessoas, como se vê desde o primeiro derramamento, ocorrido no dia de Pentecostes, quando quase três mil almas foram salvas em virtude do poder transmitido pelo batismo a Pedro e aos demais discípulos que com ele estavam no cenáculo (At.2:14,37-41).
-E aqui é oportuno observar que, na dispensação da graça, ser “cheio do Espírito Santo” é o mesmo que “ser batizado com o Espírito Santo”. Jesus mandou os discípulos aguardarem o batismo com o Espírito Santo que havia sido predito por João Batista (At.1:5).
-Isto aconteceu no dia de Pentecostes (At.2:1), ocasião em que “todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At.1:5). Destarte, ser “cheio do Espírito Santo” é ser “batizado com o Espírito Santo” e a evidência inicial deste batismo é o falar em línguas estranhas.
-O revestimento de poder já mostrou o seu papel de imediato. Pedro, aquele que, outrora havia negado Jesus, que, mesmo após a ressurreição, ficara pensativo ao ver o túmulo vazio (Jo.20:2-10), resolvera ir pescar depois de ter havido demora em nova aparição de Jesus (Jo.21:3) e teve de ser interpelado pelo Senhor para que desse três declarações de amor a Cristo (Jo.21:15-19), agora toma a iniciativa de contradizer os que zombavam dos discípulos ao vê-los falar em outras línguas (At.2:14).
-A plenitude do Espírito Santo faz com que a passividade dê lugar à proatividade, a igreja toma a iniciativa de ir ao encontro das criaturas para falar-lhes do amor de Jesus. A igreja precisa ir ao encontro do mundo e a falta de revestimento de poder impede que se tenha esta disposição.
-Não é por acaso que, nos dias atuais, quando se está nitidamente diminuindo o interesse pelo revestimento de poder entre os que se dizem pentecostais, tem-se diminuído o evangelismo e as igrejas locais tenham se conformado em ficar entre quatro paredes, preferindo, muitas vezes, mirabolantes projetos de crescimento de igrejas a realizar o que é determinado pelo Senhor Jesus e foi vivenciado pela primeira igreja local: a busca do poder do alto, do batismo com o Espírito Santo.
-Ao término do sermão, quando Pedro lançou o convite ao arrependimento e à salvação, o apóstolo não deixou de dizer aos ouvintes que esta promessa do revestimento de poder também estava disponível a eles e era uma promessa a tantos quantos Deus nosso Senhor chamasse (At.2:39).
-A plenitude do Espírito Santo não só capacita para a evangelização, mas, também, faz com que também se divulgue entre os novos convertidos a necessidade do revestimento de poder para que possam, o quanto antes, também passarem a pregar o Evangelho e a fazer discípulos.
-“…Fazer discípulos não é simplesmente evangelizar como está sendo feito. É conduzir pessoas a um compromisso total com Deus, e acompanhá-las no processo de amadurecimento espiritual, até que estejam preparadas para repassar o que aprenderam.
Se um discípulo não pode discipular outro, então o processo do discipulado estará incompleto.…” (COSTA, José Wellington Bezerra da. Como ter um ministério bem- sucedido. Rio de Janeiro; CPAD, 1999, p.183).
-Desta maneira, imperioso que, já ao novo convertido, seja dito que precisa buscar o batismo com o Espírito Santo, sem o que ele não poderá eficazmente ganhar almas para o reino de Deus. Já na pregação do Pentecostes, Pedro já pregava aos novos convertidos de que Jesus salva, mas também batiza com o Espírito Santo.
-Esta foi uma realidade bem presente nos primeiros anos das Assembleias de Deus no Brasil. Os novos convertidos eram como que convocados para que fossem aos cultos de vigília, onde o objeto precípuo era a busca do revestimento de poder e, não raras vezes, quando desciam às águas do batismo, os novos crentes já eram batizados com o Espírito Santo.
-Estávamos, pois, rigorosamente dentro do modelo estabelecido pela Bíblia Sagrada, estávamos em consonância com a igreja em Jerusalém. Lamentavelmente, hoje tudo está mudado. Voltemos às Escrituras, amados irmãos!
-A igreja em Jerusalém perseverava na doutrina dos apóstolos e na oração (At.,2:42). e, naturalmente, ante esta perseverança, a chama pentecostal não se apagava naquela igreja local.
-Prova disso é que não só diariamente havia conversões (At.2:47), como também começaram a se manifestar os dons espirituais, como os dons de curar, como se verifica no caso do coxo da porta Formosa do templo (At.3:1-11), ocasião que deu a oportunidade para que Pedro proferisse mais um sermão evangelístico, com a conversão de quase cinco mil pessoas (At.4:4).
-A plenitude do Espírito Santo permanecia entre os crentes. O texto sagrado diz que, quando os apóstolos foram conduzidos à presença do Sinédrio, Pedro estava cheio do Espírito Santo (At.4:8).
-Pedro permanecia cheio do Espírito Santo, pois, tendo sido revestido do poder no dia de Pentecostes, continua uma vida de oração e de busca do poder de Deus, tanto que possuía já dons espirituais.
-Somos vasos do Senhor (II Co.4:6,7) e precisamos nos manter cheios do Espírito Santo e isto se dá mediante a santificação e a constante busca do poder de Deus.
-A plenitude do Espírito Santo concede ousadia aos discípulos para pregarem o Evangelho, como também revelam a nossa comunhão com Jesus (At.4:13).
-A plenitude do Espírito Santo, também, faz com que os adversários da obra do Senhor, que nada mais são que agentes de Satanás, se levantem contra a igreja local.
O Sinédrio, que não era nada mais nada menos que a maior autoridade judaica, fez severas ameaças aos discípulos para que não mais pregassem o Evangelho, mas Pedro e João foram firmes em afirmar que não era justo o que as autoridades estavam a lhes ordenar, porque não podiam deixar de falar do que tinham visto e ouvido (At.4:19,20).
-As ameaças das autoridades eram incapazes de diminuir a chama pentecostal. Ela impunha aos apóstolos a necessidade de obedecer à Grande Comissão, eram impelidos pelo Espírito Santo a continuar a testificar a respeito da salvação na pessoa de Cristo Jesus.
-A plenitude do Espírito Santo traz ao crente a convicção plena de que há uma obrigação imposta por Deus, qual seja, a pregação do Evangelho (I Co.9:16).
-O domínio pleno do Espírito Santo sobre o servo de Jesus, quando do revestimento de poder, atinge o mais rebelde dos órgãos do corpo humano, a língua, que Tiago, o irmão do Senhor, compara “a um pequeno fogo que incendia um grande bosque”, “a um mundo de iniquidade inflamável pelo curso da natureza e pelo inferno” (Tg.3:5,6).
-A língua, que é o órgão do corpo fundamental tanto para a linguagem quanto para o paladar, estando sob o domínio do Espírito Santo, faz com que o nosso entendimento se subjugue ao Espírito Santo, bem como que nos portemos com sabedoria (“sabor” e “sabedoria” são palavras da mesma raiz “sab-“, cujo significado é “ter gosto, sabor, perfume, discernimento”).
-Quem é revestido de poder submete seu entendimento, seu gosto ao Espírito Santo e, como consequência, não só passa a ter uma ligação direta com Deus sem passar pelo entendimento, como é o “falar em línguas estranhas” (I Co.14:2), como a fazer o que é de gosto do Senhor, isto é, pregar o Evangelho, querer a salvação das almas (I Tm.2:3,4).
III – A PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO DA IGREJA EM JERUSALÉM É REVELADA APÓS AS AMEAÇAS DO SINÉDRIO
-Não foi por acaso que, após terem sido soltos pelo Sinédrio, após terem sido ameaçados e ordenados a não mais pregarem o Evangelho, que Pedro e João reuniram os irmãos e lhes contaram tudo quanto havia acontecido (At.4:23).
-A comunhão existente entre os crentes da igreja em Jerusalém exigia que tudo fosse comunicado a todos os irmãos. Não há comunhão sem comunicação e, de imediato, os dois apóstolos chamaram os irmãos para lhes dar conhecimento do que se passava.
-A plenitude do Espírito Santo concede sabedoria. Pedro e João contaram tudo, mas aos irmãos. A igreja local deve saber o que se passa quando o assunto diz respeito à obra de Deus, mas somente a igreja.
-Vivemos dias em que estamos a conviver com dois extremos perigosos: o da falta de transparência, em que a membresia não é notificada dos acontecimentos e o da exposição pública, quando os ímpios ficam a saber do que somente à igreja interessa. Esta falta de equilíbrio é reflexo da falta da plenitude do Espírito Santo nas igrejas locais.
-A plenitude do Espírito Santo também se verifica na reação que teve a membresia da igreja em Jerusalém. Por primeiro, a reação foi unânime (At.4:24), ou seja, todos tiveram a mesma reação, porque guardavam a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, havendo um só corpo e um só Espírito, pois todos foram chamados em uma só esperança de vocação, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos (Ef.4:3-6).
-Em nossos dias, lamentavelmente, em especial nas Assembleias de Deus no Brasil, o que mais temos visto são as divisões, uma fragmentação cada vez mais intensa de ministérios, convenções, subdenominações etc., que são diretamente proporcionais à diminuição de batismos com o Espírito Santo, manifestações dos dons espirituais e presença de sinais, prodígios e maravilhas entre nós, o que não é de se admirar, uma vez que onde há divisões e contendas, não está presente o Espírito de Deus (Jd.19).
-A situação está a tal ponto que, recentemente, reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão disse ser uma característica das Assembleias de Deus este ambiente fragmentado e dividido.
OBS: Eis trecho da matéria: “… No bairro do Grajaú, periferia no extremo sul de São Paulo, Juliano mostra como a pesquisa dele é feita em campo: percorrendo o território de moto, ele foi marcando igreja por igreja no mapa.
“Em 100 metros, você tem Assembleias de Deus de ministérios diferentes, que é a característica da Assembleia de Deus, né? O ministério significa que aquilo dali é uma igreja por ela mesma.
As referências passam também nas lojas, então antes você tinha Mercadinho São Paulo, São Bento, e agora você vê ali uma referência ‘Bar da Rose – Deus é Fiel'”, revela Juliano.…” (Evangélicos no Brasil: documentário retrata a multiplicação de igrejas e crentes no país. Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2025/04/06/evangelicos-no-brasil-documentario-retrata-a-multiplicacao-de-igrejas-e-crentes-no- pais.ghtml Acesso em 19 maio 2025).
-Por segundo, eles levantaram a voz a Deus, ou seja, oraram ao Senhor, sabiam que não há como enfrentar a batalha espiritual com armas carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas (II Co.10:4).
Não lutamos contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef.6:12)
-Em nossos dias, não são poucos os que estão a querer combater a oposição à obra de Deus com acordos políticos, com alianças junto a segmentos da sociedade, com investimentos financeiros que tragam poder econômico, já que não têm a plenitude do Espírito Santo.
-Em vez de orações intensas e de busca do poder de Deus, temos visto reuniões políticas, manifestações públicas, negociações e coisas quetais, atitudes que só têm servido para a morte espiritual destas igrejas locais e o triunfo do maligno.
-Isto nos faz recordar o episódio que teria ocorrido quando o grande teólogo Tomás de Aquino (1225-1274) visitou o Papa, que teria dito, com orgulho, diante da opulência material de Roma, que já não precisaria repetir as palavras de Pedro: “não tenho prata nem ouro”.
O teólogo, porém, teria respondido que também o Papa não poderia dizer: “Em nome de Jesus Nazareno, levanta-te e anda”. Uma igreja sem a plenitude do Espírito Santo nada representa do ponto-de-vista espiritual.
-As Escrituras dão bem o significado disto ao falar do triste destino que terá a organização religiosa retratada no capítulo 17 do livro do Apocalipse que, por ter se estruturado com base e respaldo no poder temporal, no sistema de poder gentílico surgido em Babel e que sempre foi rebelde ao Senhor, acabará sendo tragada pelo próprio sistema. Que Deus nos guarde de nos vermos inseridos neste contexto!
-A oração realizada por toda a membresia mostrava como se estava diante de uma igreja cheia do Espírito Santo.
-A oração inicia invocando o Senhor como o Criador dos céus e da terra, e o mar e tudo o que neles há (At.4:24).
-A consideração de Deus como o Criador é uma clara demonstração de que a igreja em Jerusalém tinha o seu entendimento aberto para as Escrituras (Cf. Lc.24:45), o que somente se opera pelo Espírito Santo.
-A compreensão da relação entre Deus e os homens como criação-queda-redenção é a compreensão do plano da salvação, algo que depende do convencimento do Espírito Santo ante a pregação do Evangelho, que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:7-11).
-O apóstolo Paulo, mesmo, mostra como a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça leva ao desprezo da revelação de Deus através da criação e a consequente recusa à glorificação do Senhor, com o surgimento de discursos desvanecedores e o obscurecimento do coração insensato que leva o ser humano à cegueira espiritual e à escravidão do pecado (Rm.1:18-28).
-Em nossos dias, este desprezo à revelação de Deus na criação, chamada pelos teólogos de “revelação geral” encontra guarida, notadamente, na defesa da chamada teoria da evolução, que procura desmentir a realidade da criação de todas as coisas por Deus e que, inclusive, tem angariado adeptos entre não só os que se dizem cristãos ser, mas até entre pentecostais, tendo sido, aliás, preocupante que, no próprio Cremos da Declaração de Fé das Assembleias de Deus se tenha retirado expressão que dizia clarividentemente nossa recusa a crença num processo evolutivo, o que esperamos seja imediatamente revisto pela Mesa Diretora da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.
-Afinal de contas, como ensina o pastor Douglas Roberto de Almeida Baptista, presidente do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil: “…a teoria de Charles Darwin (…) supõe que não há nenhum agente inteligente guiando o processo evolutivo (…).
Essas ideias foram interpretadas como ateístas, e em contradição à narrativa bíblica da criação (…). Entrementes, para a filosofia da Educação Cristã, apesar de não negar a ciência, a Escritura mantém a supremacia.…” (Filosofia da Educação Cristã: uma proposta de formação plena da cidadania. Rio de Janeiro: CPAD, 2025, pp.337-43).
-A plenitude do Espírito Santo fazia os membros da igreja em Jerusalém terem a tranquilidade de que, sendo o Criador de todas as coisas, Deus estava no pleno controle de todas as coisas, pois não apenas havia criado o mundo, mas o sustentava pela palavra do Seu poder (Hb.1:3), motivo por que não havia o que se temer diante das ameaças feitas pelo Sinédrio.
-A plenitude do Espírito Santo permite-nos vivenciar, a cada momento, o poder de Deus, pois, na pregação do Evangelho, a igreja vê a demonstração do Espírito e de poder e a fé não se apoia em sabedoria dos homens mas no poder de Deus (I Co.2:4,5).
-Não é assim a igreja que não busca o poder de Deus, que já não vê sinais, prodígios e maravilhas, baseando- se apenas em palavras persuasivas de sabedoria humana, em sublimidade de palavras, não raras vezes inclusive ensinando que esta manifestação de poder não é mais para os nossos dias, eram apenas para os tempos apostólicos.
-Uma igreja assim não terá como crer que Deus está no controle de todas as coisas, que intervém nas adversidades e dificuldades, tendendo a soçobrar diante das hostes espirituais da maldade. O resultado temos visto com tristeza em muitos lugares, onde as igrejas locais estão fechando as portas. Que Deus nos guarde!
-Após invocar o Deus Criador, em mais uma demonstração de que se estava diante de uma igreja cheia do Espírito Santo, vemos que os crentes mencionam o Salmo 2, a nos mostrar como o Espírito Santo os fazia lembrar do teor das Escrituras a ponto de eles associarem este salmo profético com a situação por eles então vivenciada (At.4:25,26).
-A plenitude do Espírito Santo fazia-os ver que havia uma rebeldia tanto das autoridades romanas quanto judaicas contra Jesus Cristo, que refletia sobre a Igreja, que era o corpo de Cristo, a continuidade da obra salvífica.
-Neste discernimento da passagem bíblica, a igreja em Jerusalém via o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas, de que a morte de Jesus não fora fruto do poder e da vontade de judeus e de gentios, mas o cumprimento do plano da salvação (At.4:27,28).
-Assim, confiante no poder de Deus, os crentes de Jerusalém pediam que o Senhor contemplasse as ameaças do Sinédrio e desse aos Seus servos ousadia para que falassem a Palavra de Deus, Palavra a ser confirmada com curas, sinais e prodígios em nome de Jesus (At.4:29).
-A plenitude do Espírito Santo leva as pessoas a quererem mais e mais do poder de Deus. Os discípulos já tinham ousadia para pregar o Evangelho, Pedro e João haviam acabado de demonstrar isto perante o Sinédrio, mas, ante o aumento da pressão dos inimigos do Evangelho, os crentes pediam ainda mais ousadia.
-A plenitude do Espírito Santo sabe que não há como se vencer a batalha espiritual senão pela presença de Deus em nossas vidas, senão pelo aumento do poder do Senhor em nossas vidas, sabendo que Deus é infinito e que não limites para agir.
-A plenitude do Espírito Santo leva a igreja a ter a convicção da atualidade dos dons espirituais e da presença de sinais, prodígios e maravilhas e, por isso, sempre associa à pregação do Evangelho a demonstração do poder de Deus.
-A plenitude do Espírito Santo faz com que a oração não seja apenas um conjunto de palavras, traz aos crentes uma grande fé e a consequência disto é que a própria oração em si é uma expressão do poder de Deus.
-Enquanto os crentes oravam, o texto sagrado diz que o lugar em que estavam reunidos se moveu e todos foram cheios do Espírito Santo (At.4:31a).
-Os crentes estavam a pedir mais ousadia para anunciar o Evangelho e o Senhor ouviu a oração, batizando com o Espírito Santo os crentes que ainda não tinham sido revestidos de poder, lembrando que havia ocorrido a conversão de quase cinco mil pessoas após a cura do coxo da porta Formosa do templo (At.4:4).
-Ninguém, na igreja em Jerusalém, ficou sem ser batizado com o Espírito Santo e, por conseguinte, puderam todos os membros daquela igreja anunciar com ousadia a Palavra de Deus (At.4:31b).
-Assim como no dia de Pentecoste havia ocorrido um fenômeno sobrenatural, a vinda de um som como de um vento veemente que encheu todo o cenáculo onde estavam reunidos os crentes (At.2:2), agora, neste novo derramamento coletivo do Espírito Santo na igreja em Jerusalém, ocorreu um movimento do lugar onde estavam reunidos, provavelmente o alpendre de Salomão, no templo (At.5:12), tudo para atestar, de forma objetiva, que o poder de Deus não era algo da imaginação dos discípulos, mas uma realidade perceptível a todos.
-A plenitude do Espírito Santo fez com que os apóstolos dessem testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e havia, em toda a igreja, abundante graça.
-A plenitude do Espírito Santo fez com que se fizessem entre o povo muitos sinais e prodígios pelas mãos dos apóstolos (At.5:12) e não só dos apóstolos, mas de outros membros, como foi o caso de Estêvão (At.6:8).
-A plenitude do Espírito Santo fez com que a pregação do Evangelho tivesse respaldo bíblico e houvesse a abertura do entendimento das Escrituras a todos os ouvintes da proclamação da Palavra de Deus, com a devida aplicação dos textos à pessoa de Jesus, que é o assunto da Bíblia Sagrada (At.6:7,9,10).
-A igreja em Jerusalém aprendeu a necessidade de haver o revestimento de poder, tanto que, quando Pedro e João foram a Samaria, foi a primeira indagação que fizeram a Filipe, qual seja, se aqueles crentes já haviam sido batizados no Espírito Santo e, ante a resposta negativa do missionário, imediatamente impuseram as mãos sobre os samaritanos para que fossem revestidos de poder, o que efetivamente ocorreu (At.8:14-17).
-Diferente não agiu Ananias que, quando foi orar por Saulo, em Damasco, conforme a ordem do Senhor, sabendo que o novo convertido havia sido chamado para ser um vaso escolhido para levar o nome de Jesus diante dos gentios, não teve dúvida, em sua oração, de pedir ao Senhor que enchesse Saulo do Espírito Santo (At.9:17).
-Sabendo o Senhor deste entendimento dos crentes da igreja em Jerusalém, que era absolutamente correto, batizou com o Espírito Santo Cornélio e os que com ele estavam em sua casa, o que foi o bastante para que nenhum crente de Jerusalém que ali se encontrava se insurgisse contra a decisão de Pedro de batizar aqueles gentios nas águas (At.10:47,48).
-Paulo, também, anos depois, em Éfeso, impôs as mãos sobre os discípulos que encontrou naquela cidade para que eles fossem igualmente cheios do Espírito Santo, porque não podia conceber a existência de uma igreja local sem que os crentes tivessem o poder do alto (At.19:6).
-A plenitude do Espírito Santo existente na igreja em Jerusalém é que deu a autoridade para que lá se reunissem os apóstolos e os anciãos para resolver a questão da submissão dos gentios à lei de Moisés e a solução encontrada não foi de homens, mas, sim, do Espírito Santo (At.15:28), pois para que se tenha a direção do Espírito Santo na solução de questões, imperioso que a igreja seja cheia do Espírito.
-Eis o modelo de igreja local que temos de seguir: uma igreja cheia do Espírito Santo, cuja membresia toda busque o batismo com o Espírito Santo e com ousadia anuncie a Palavra de Deus, que será confirmada por sinais (Mc.16:20). Ainda há tempo de voltarmos às Escrituras!
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/11614-licao-4-uma-igreja-cheia-do-espirito-santo-i
