JUVENIS | LIÇÃO Nº 9 – ESTER: DE EXILADA À RAINHA, HONRANDO A DEUS E À SUA IDENTIDADE
Ester era uma jovem judia, órfã oriunda da tribo do Benjamim que fora criada pelo seu tio Mordecai. O seu nome orginal, de origem hebraica, era Hadassa e significava “murta”, uma planta que os judeus cultivavam na área do mediterrâneo e a ela atribuíam muitas funções.
Logo que foi admitida ao palácio do rei, foi nomeada como Ester, que significa estrela, pode estar relacionado à divindade babilônica “Ishtar”, no grego “Aster”, como afirmam alguns “targumim”, ou seja, comentários das Escrituras escritos pelos doutores da lei.
Sua família já vivia naquela região desde o período do cativeiro babilônico. Morava com seu tio Mordecai, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, homem benjamita. Ou seja, viviam na fortaleza de Susã, onde ficavam uma das capitais do Reino e residência de inverno do imperador Artaxerxes, também conhecido como Xerxes (485 e 464 a. C,)
. No texto bíblico, é nomeado como “Assuero”, o qual é um título dado aos reis da Pérsia.
O nome Mordecai, por sua vez, é originado de “Marduque”, uma divindade babilônica. Seu nome também está associado com a sua trajetória, tendo em vista a sua ascensão no Império Persa. Era um homem proativo que sabia aproveitar muito bem as oportunidades que surgiam diante de si.
De acordo com Champlim (2001, p.402), Ishtar é conhecida como uma deusa assíria e babilônica. Certamente, estas culturas exerceram influências sobre o povo persa que, também, a conhecia como Astarte. Tradicionalmente ela exercia as funções de deusa das fontes, da vegetação, dos rebanhos de gado e de ovelhas, foi bem conhecida como deusa do amor sexual e do casamento. As
lendas astrológicas a associavam ao planeta Vênus. Seu nome não aparece nas páginas do Antigo Testamento, mas sabe-se que ela é bem popular entre o povo assírio e babilônico.
Também sabemos que o povo israelita se envolveu com o seu culto porque é mencionada, pelo profeta Jeremias, nas Escrituras, como a rainha do Céu: “Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres preparam a massa para fazerem tortas à rainha dos Céus.” (Jr 7.18)
“Por outro lado, quando oferecemos incenso à rainha do Céu e quando lhe fazemos libações é, por acaso, sem que saibam nossos maridos que lhe fizemos bolos que a representam e lhe fazemos libações?” (Jr 44.19)
Marduque era venerado como o Rei dos deuses.
Sua imagem era envolta em mantos reais que representam os seus poderes de justiça, cura, agricultura e magia. Os famosos zigurates da Babilônia eram construções dedicadas à Marduque (os quais também apontavam para o modelo bíblico da Torre de Babel).
No início, na Antiga Mesopotâmia, o povo sumério deu origem à mitologia mesopotâmica, na qual havia duas divindades supremas, Enlil e Enki. Enlil era venerado como o “Rei de todas as terras”, “Pai dos cabelos negros” e, até “Pai dos deuses”; Enki, por sua vez, era nomeado como o “deus da criação”.
Um século depois, a partir da liderança de Hamurabi, a Babilônia tornou-se a cidade mais influente e o seu deus patrono Marduque (cujo significado próximo é bezerro; etimologicamente o nome é derivado de amar-UTU ou “filho mortal de Utu” ou “bezerro do deus do sol Utu”) tornou-se a poderosa figura mítica associada ao governo e à sua soberania.
Marduque foi visto como filho de Enki (quando o pai transmite o poder para o filho que digno dele) Enlil foi relegado a uma posição secundária nos confins da Babilônia.
A ascensão de Marduque esteve associada, também, com a ascensão política, econômica e geográfica da Babilônia, pois era considerado o governante e verdadeiro padroeiro da Babilônia, tendo uma adoração que beirava o monoteísmo.
Com a queda do Império Neobabilônico, no século 6 a.C, Ciro, o primeiro governante persa aquemênida, garantiu-se como o “eleito de Marduque” pois manteve o posicionamento de que estava destinado a governar a cidade de Babilônia com a anuência de seu protetor. Em anos posteriores, quando houve uma revolta do
povo babilônico, o imperador aquemênida Xerxes, em resposta a esta rebelião (por volta de 485 a.C), ordenou que a estátua de ouro de Marduque fosse destruída para encher o tesouro real. (MITOS E LENDAS. Marduque: Deus Patrono da Babilônia. Disponível em: https://www.mitoselendas.com.br/2021/07/marduque-deus-patrono-da- babilonia.html. Acesso em 02mar2025.)
Apresentemos, agora, o primeiro dos diversos banquetes que irão se afigurar, diante de nós, a partir da narrativa de Ester. O Rei Xerxes promoveu um banquete a todos os seus oficiais e ministros, em seu palácio de inverno, na capital de Susã.
Vale-nos lembrar com o texto bíblico: “No terceiro ano de seu reinado, deu um banquete, presidido por ele, a todos os seus oficiais e servos: chefes do exército da Pérsia e da Média, nobres e governadores das províncias” (Et 1.3) com o fim de mostrar-lhes toda a sua grandeza, soberania, poderio, realizações etc. Esta celebração durou cento e oitenta dias ! (sic!)
Era em torno de 15.000 homens desfrutando de toda sorte de prazer…..Para todo o povo que se encontrava na fortaleza de Susã, o rei também ofereceu um segundo banquete, no jardim real, que durou sete dias.
O palácio era repleto de cortinas de linho e púrpura suspensas em anéis de prata (um tecido extremamente caro, a púrpura era um tecido propício para uso em casas da realeza), ladeado por colunas de mármore e divãs de ouro e prata, os quais estão sobre um piso de mosaico feito de malaquita, mármore branco e madrepérola.
Nesse banquete não faltava vinho, o qual era distribuído em diferentes taças de ouro, à vontade. Até as baixelas, na qual se serviam, eram de ouro e cravejadas de pedras preciosas. Todos comiam fartamente e faziam o que desejavam.
A ordem real era para que todos ficassem plenamente à vontade e não fossem repreendidos por seu comportamento. Sendo assim, vemos o quanto Assuero desejava mostrar a potência e opulência do Império Persa, o qual estava alcançando territórios nunca imaginados.
Para começarmos a falar sobre o livro de Ester, mencionaremos os personagens principais e os significados de seus nomes, Observamos, desde a
exposição do enredo, que os nomes destas personagens estão associados às suas ações. Ester era uma jovem judia, órfã oriunda da tribo do Benjamim que fora criada pelo seu tio Mordecai. O seu nome orginal, de origem hebraica, era Hadassa e significava “murta” , uma planta que os judeus cultivavam na área do mediterrâneo e a ela atribuíam muitas funções.
Logo que foi admitida ao palácio do rei, foi nomeada como Ester, que significa estrela, pode estar relacionado à divindade babilônica “Ishtar” , no grego “Aster”, como afirmam alguns “targumim”, ou seja, comentários das Escrituras escritos pelos doutores da lei.
Sua família já vivia naquela região desde o período do cativeiro babilônico. Morava com seu tio Mordecai, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, homem benjamita. Ou seja, Viviam na fortaleza de Susã, onde ficavam uma das capitais do Reino e residência de inverno do imperador Artaxerxes, também conhecido como Xerxes (485 e 464 a. C,)
. No texto bíblico, é nomeado como “Assuero”, o qual é um título dado aos reis da Pérsia.
O nome Mordecai, por sua vez, é originado de “Marduque”, uma divindade babilônica. Seu nome também está associado com a sua trajetória, tendo em vista a sua ascensão no Império Persa. Era um homem proativo que sabia aproveitar muito bem as oportunidades que surgiam diante de si.
A rainha Vasti ficou com a responsabilidade de receber as damas ao seu palácio e delas cuidar com toda pompa e generosidade, tal como o rei concedia aos oficiais que lhe faziam companhia.
Num dado momento, Artaxerxes desejou mostrar a todos o quanto a sua rainha era superior às mulheres presentes ao banquete, demonstrando que a sua rainha tinha uma beleza estonteante e era digna do posto que ocupava.
Quando foi chamada para comparecer à reunião, apenas com a coroa na cabeça (segundo alguns estudiosos), Vasti recusou-se, pois sabia que os persas não permitem que as suas mulheres se apresentem diante de estrangeiros. Apesar da insistência do rei em chamá-la,
Vasti disse desobedeceu ao homem mais poderoso do mundo.
O Rei ficou furioso e reuniu os seus conselheiros para tomar uma decisão a respeito. “Carsena, Setar, Admata, Társis, Mares, Marsana, Mamucã, eram sete oficiais persas e medos que estavam pessoalmente diante do rei e se assentavam nos primeiros lugares do reino”. (Et 1.14).
O casamento real tornou-se problema de Estado. A queixa do rei a estes homens estava centrada na intrépida desobediência da rainha. Havia alguma Lei que dava respaldo para que tomasse uma atitude? Memucã, um de seus sábios, afirmou que a rebeldia de Vasti não ofendia apenas o rei, mas a toda a Pérsia.
A partir daquele momento, as mulheres que se mirassem no comportamento da rainha, teriam motivos para desobedecer os seus maridos e isto traria desordem às famílias persas. Foi um argumento contundente. Os outros sábios também deram seus pareceres, mas todos concluíram que o Rei deveria repudiar a Rainha Vasti, castigá-la severamente, publicar o repúdio em todo o território e desposar uma outra esposa para ocupar o seu posto.
Por mais que disfarçasse, o rei ficou aflito. Ele amava Vasti, mas não queria contrariar as leis. Os amigos viram-no ansioso e procuraram acalmá-lo sugerindo que fizesse uma espécie de “procura” pelas jovens mais belas em todas as províncias.
A jovem que mais agradasse ao rei, ocuparia o lugar vago. Ele concordou e determinou que as jovens fossem conduzidas ao palácio. Dentre as inúmeras moças virgens, estava Ester. Ela atraía diversos olhares pela sua beleza, inteligência, modéstia e graça.
Foi entregue aos eunucos e tornou-se alvo de todas as atenções. Num período de seis meses, eram bem alimentadas e cuidadas, adornavam-se e perfumavam-se com requinte. Nos primeiros seis meses, eram tratadas com mirra e nos outros seis meses, com especiarias, perfumes e unguentos.
Após o período de um ano, decidiram que já estavam prontas e, a cada noite, a jovem, enviada ao rei, era devolvida no dia seguinte. Para a jovem se apresentar ao rei, teria que receber tudo o que precisasse para levar, consigo, do harém ao palácio real.
A noite de Ester havia chegado e ela foi devidamente preparada para Artaxerxes. Ele se agradou dela e a escolheu para esposa. A Festa das Bodas foi celebrada no sétimo ano do seu reinado, no décimo segundo mês, que é o mês de adar. Ester foi coroada com diadema real. No entanto, Mordecai a orientou para não revelar sua linhagem e o seu povo. Ela obedeceu. A celebração para os oficiais
e os servos do rei durou sete dias. Em seguida, o rei concedeu um dia de descanso a todas as províncias, além de distribuir presentes com a liberalidade própria de um monarca. Mordecai observava Ester de longe como se ela ainda estivesse sob a sua guarida, tentando protegê-la.
Nessa intermediação de tempo, o rei publicou um decreto por meio do qual todos são proibidos de procurá-lo, sob pena de morte, a não ser que sejam chamados.
Enquanto o monarca estivesse assentado no trono e surgisse alguém para requisitá-lo, deve-se aguardar que ele erga o centro de ouro para tocar a pessoa, concedendo-lhe a graça de ser atendida. O venturoso deveria beijar o cetro, pois escapou da morte.
Com o passar dos dias, o rei foi alvo de uma conspiração para matá-lo. Os dois eunucos Bagatã e Tares, do corpo da guarda da porta, tramaram este atentado, mas foi um judeu de nome Barnabas (um de seus serviçais) que avisou Mordecai.
Por meio de Ester, Mordecai avisou acerca do complô. Descobertos, os eunucos foram presos e enforcados. No entanto, Mordecai não foi reconhecido pela sua iniciativa em proteger a vida do rei. O serviço prestado foi registrado no livro de crônicas real e a ele foi permitido que entrasse no palácio real como um dos familiares.
Neste período, surgiu Hamã, filho de Hamedata, um agagita que se aproximou cada vez mais do rei e angariou certa notoriedade diante de todos, pois o rei ordenou a persas e estrangeiros para se prostrarem diante de Hamã. Mordecai foi o único a não honrá-lo, porque ele devia tributar homenagens apenas ao seu Deus. Quando percebeu isto, Hamã procurou saber qual era a nacionalidade dele.
Descobrindo que era judeu, exclamou: “ Ora, os persas, que são livres, põem o joelho em terra diante de mim, e esse escravo não se digna de fazer o mesmo!” Ele era um amalequita, um inimigo mortal dos judeus, a sua fúria foi tamanha que não desejava matar apenas o judeu, queria exterminar toda a sua nação.
Então Hamã procurou o rei e avisou-lhe que havia uma nação espalhada em seu todo território que não seguia as leis e costumes do povo persa.
Era um povo esquisito, seguidor de leis estranhas, odiosas ao rei, que devia ser exterminado. Inicialmente, ele ofereceria ao rei quarenta mil talentos de prata pela permissão de estabelecer o decreto que livrasse o império desta peste.
O rei deixou tudo ao critério de Hamã e deu-lhe o anel real para escrever e selar o decreto com o anel do rei. E assim se fez. O edito foi escrito e publicado em todo o império persa da seguinte forma:
O Grande Rei Artaxerxes, aos cento e vinte e sete governadores que constituímos desde as Índias até a Etiópia, saudação. Muitas e várias nações estão sujeitas ao nosso império e estendemos o nosso domínio sobre a terra o quanto quisemos, porque, em vez de tratar os nossos súditos com rigor, não temos mais prazer que lhes dar todas as demonstrações de nossa estima e bondade fazendo-os desfrutar muita paz.
E para isso, envidarmos os maiores esforços para que a sua felicidade seja eterna. Por isso, tendo sido avisados por Hamã, a quem honramos mais que a qualquer outro com o nosso afeto, pela sua fidelidade, probidade e sabedoria, de que há um povo espalhado por toda a terra, o qual é inimigo de todos os outros e possui leis e costumes próprios e tem por inclinação natural um grande ódio aos reis, não tolerando dominação alguma, nem a nossa, nem a prosperidade de nosso império, desejamos e ordenamos que quando Hamã, a quem consideramos como pai, vos der a ordem, extermineis inteiramente a esse povo, com as suas mulheres e filhos, sem poupar um sequer e que a compaixão seja mais forte sobre o vosso Espírito que a obediência.
O que entendemos seja feito no décimo dia do segundo mês do presente ano, a fim de que , sendo mortos num mesmo dia esses inimigos públicos, possais passar em paz e tranquilidade o resto de vossas vidas. (FLÁVIO JOSEFO, 2021, p.521-522)
Quando este decreto chegou às províncias, todos começaram a se preparar para este dia e, a partir de então, passaram a tratar os judeus com descaso nos negócios e no cotidiano. Hamã unia-se ao rei em banquetes de vinho, embebedando-o e falando, com ódio, acerca deste povo que devia ser exterminado o mais breve possível.
Logo que soube disto, Mordecai rasgou as suas vestes, cobriu-se de panos de saco, de um tecido bem rústico (que machuca a pele) e jogou cinzas sobre a cabeça.
Era o seu sinal de consternação, sentimento de indignação diante daquele fato que o fizera sair a clamar por toda a cidade. No entanto, estava proibido de entrar no palácio, dadas as suas condições. Ficava assentado à porta para chamar a atenção. Os judeus das cidades circunvizinhas também estavam tão aflitos quanto ele.
Mas Ester de nada sabia. Enviou roupas limpas e novas a Mordecai, mas ele as recusou. Foi então que Ester solicitou ao eunuco Hataque para perguntar-lhe o que se passava. Mordecai falou do edito publicado, em nome do rei, com a ordem para o genocídio de todos os judeus em todo Império Persa. E, assim, enviou-lhe uma cópia. Lembrou-lhe que, também, era judia.
Ela era a pessoa mais indicada para prostrar-se diante do rei e suplicar a misericórdia para o seu povo, haja vista que Hamã, a cada dia, estimulava a ira do rei contra os judeus. A rainha demonstrou intensa preocupação, mas retornou dizendo que só podia falar ao rei se ele solicitasse a sua presença ou lhe estendesse o cetro de ouro, autorizando que se aproximasse; caso contrário, perderia a vida.
Mordecai era bem persistente e disse a Hataque para transmitir a informação de que a vida de Ester deveria ser considerada tanto quanto a vida de sua nação. Ou seja, chegara o momento dela pensar no seu povo, lembrar-se de sua identidade e lutar pela sua preservação.
Ela não poderia ser insensível, precisava da ciência de que não estava só. Se ela se recusasse, viria alguém mais poderoso para ajudar aquela nação que não estava desamparada.
Ester comoveu- se e tomou a iniciativa, enviou mais um recado pelo eunuco: todos os judeus deveriam fazer um jejum de três dias e muitas orações a seu favor; enquanto isto, ela faria o mesmo com as moças que dela cuidavam para, em seguida, falar ao rei, mesmo que isso lhe custasse a vida.
O povo israelita se uniu em jejum e oração, solicitando a preservação do povo e o sucesso de Ester na entrevista com o rei, para que ela dissesse exatamente o necessário.
Os três dias se passaram, Ester livrou-se das vestes da oração e trajou-se de forma magnífica, enfeitando-se como uma grande rainha e foi ao encontro de Artaxerxes, seguida por uma de suas damas em quem se apoiava, ao passo que outra segurava a cauda de seu vestido. Era uma bela visão.
Ester estava rubra e ainda mais encantadora. Quando o soberano a viu coberta de joias faiscantes, demonstrando temor de ali estar, apoiando-se mais ainda na dama. desceu rapidamente do trono e a tomou nos braços. Disse-lhe que não precisava temer, porque a lei que proibia intrusos se reservava aos súditos, não era o caso dela que compartilhava a coroa.
Depois disto, colocou-lhe o cetro na mão para que recobrasse o ânimo e se tranquilizasse. Prometeu-lhe até a metade do Reino, com prazer, para atender o desejo do seu coração. Ela pediu-lhe que fosse cear com ela no dia seguinte e levasse consigo a Hamã. Ao que ele aquiesceu.
O banquete foi muito bem preparado e, logo que começou a regalar-se, o rei prometeu a Ester até a metade do Reino, para atender o desejo do seu coração. Porém, ela suplicou que o seu pedido seria feito no dia seguinte e propôs outro banquete com a participação de Hamã, o qual sentia-se extremamente honrado de ser o único convidado da rainha.
No entanto, ao sair, encontrou-se com o judeu Mordecai e a sua ira aflorou. Ao chegar à casa, sua mulher, Zeres, ficou sabendo do banquete da rainha e do judeu Mordecai. Ela o aconselha a erguer uma forca de 25 metros para pendurá-lo no dia seguinte, depois que recebesse permissão do rei. Hamã aprovou a sugestão e mandou construí-la em seu próprio quintal.
Enquanto Hamã prepara a forca, Ester organiza o banquete e o rei não consegue dormir. Os predecessores do rei escreviam os fatos mais importantes com o fim de conservar as memórias e, naquela noite, solicitou que as tais memórias fossem lidas. Durante a leitura, veio à sua lembrança, o episódio da conspiração e a atuação do judeu Mordecai para salvar a sua vida.
Foi então que o rei ordenou que se interrompesse a leitura e perguntou se foi concedida, ao judeu, alguma recompensa por este serviço. O leitor negou e o rei ficou pensativo.
Pela manhã, Hamã chegou ao palácio animado para solicitar a autorização pra enforcar Mordecai, mas o rei o interpela: “ Como estou certo de que ninguém tem mais afeto por mim do que vós, rogo-vos que me digais o que posso fazer para honrar de maneira digna de mim um homem ao qual eu estimo muitíssimo.”
Hamã, pensando que aquelas palavras referiam-se a ele, que seria honrado pelo rei, por ser o súdito mais fiel, começa a expressar seus desejos internos:
Se Vossa Majestade quer cumular de favores aquele que merece toda a vossa estima, ordenais que o façam montar sobre um de vossos cavalos vestido à maneira dos reis e com uma cadeia de ouro e que um daqueles que vossa majestade mais estima caminhe diante dele por toda a cidade, clamando como um arauto. É assim que se deve honrar a quem o rei concede os seus favores. (FLÁVIO JOSEFO, 2021, p.525)
O rei concordou com a sugestão e disse-lhe para reservar um cavalo real, um manto de púrpura, uma cadeia de ouro para por no judeu Mordecai e proclamá-lo como o homem que agrada a majestade real, pois a este homem ele devia a vida.
Foi como se um raio caísse sobre Hamã que fez conforme as ordens reais e foi ao encontro de Mordecai. O judeu, espantado com a situação, pensava que era alvo da zombaria de Hamã e disse: “Homem mau, o mais perverso de todos os homens! É assim que zombais de nossa infelicidade?”
Ao saber tudo aquilo vinha da parte do rei, aceitou de bom grado, montou no cavalo, trajado com as vestes reais enquanto Hamã exclamava que era assim que se deve fazer àquele a quem o rei deseja honrar.
No final do passeio, Mordecai retorna à família e amigos para compartilhar o acontecido, enquanto Hamã está completamente confuso e, chorando, conta à mulher e amigos o fato. Sua mulher alertou-o sobre a situação favorável do judeu, Neste momento, compareceram dois eunucos da rainha para conduzi-lo ao banquete.
Um dos eunucos, chamado Harbona, viu a forca levantada e perguntou o motivo dela. Sabendo que era para Mordecai, calou-se.
Ao chegar no banquete, foi bem servido pela rainha. O rei, por sua vez, satisfeito com o serviço, disse à rainha que ela podia pedir o que quisesse, até a metade do reino ela teria. Ester não hesitou e avisou que o seu povo estava correndo perigo; se assim não fosse, deixaria de importuná-lo, caso os condenasse apenas a uma total escravidão, ela seria suportável.
Mas aquela circunstância apontava para um extremo perigo e ela precisava da benevolência real. O rei ficou surpreso com aquela notícia e quis saber quem era o responsável.
Ouvindo que era Hamã, foi tomado de uma perturbação tão imensa que se levantou e foi para o jardim. Hamã teve a certeza de que estava perdido. A rainha estava sentada no divã e Hamã levantou-se para suplicar-lhe perdão, mas ele se desequilibrou e caiu junto do assento dela, resvalando-se sobre a rainha.
Ao chegar no jardim, o rei foi informado, por Harbona, acerca da forca que Hamã construiu para Mordecai. No retorno ao banquete, o rei deparou-se com Hamã inclinado sobre a rainha e, irritado, exclamou: “Celerado! O mais pérfido de todos os homens! Quer ainda violar a rainha ?!”
Hamã ficou aterrorizado ao ouvir o rei ordenar para enforcarem-no imediatamente na forca preparada para Mordecai. Pereceu porque abusou de forma insolente da afeição que o rei lhe devotava. Todos os seus bens foram confiscados.
Ao tomar conhecimento de que Mordecai era tio da rainha, o rei entregou- lhe o anel que estava em posse de Hamã e a rainha suplicou que fossem concedidos, a Mordecai, todos os bens de Hamã. O rei não vacilou em atendê-la e proclamou, por todo império, que Mordecai ocupava a posição de Hamã como seu grão-vizir:
O grande rei Artaxerxes, a todos os governadores de nossas províncias e a todos os nossos oficiais, saudação.
Acontece muitas vezes que aqueles aos quais os reis, por um excesso de bondade, cumulam de benefícios e de honras e deles abusam não somente desprezando os seus inferiores, mas se elevando com insolência contra os seus próprios benfeitores , como se tivessem deliberado abolir toda espécie de gratidão entre os homens e julgassem poder enganar a Deus e esquivar- se à justiça.
Assim eles, quando o favor de seus príncipes os constitui em autoridade do governo de seus Estados, em vez de cuidar somente do bem público, não temem surpreendê-los pelo excesso de suas inimizades particulares e nem receiam em oprimir os inocentes com calúnias.
E isso não é apenas ideia ou simples suposição ou exemplos passados, mas um crime que os nossos próprios olhos testemunharam e que nos obriga a no futuro não prestar fé tão facilmente a qualquer acusação, mas cuidar antes de indagar da verdade, a fim de castigar severamente os culpados e proteger os inocentes, julgando de uns e de outros por suas ações, e não pelas palavras.
Hamã, filho de Hamedata, amalequita de nacionalidade e por isso esrangeiro e não persa, educado por nós com tal honra que o chamávamos nosso pai, razão pela qual havíamos ordenado que todos se prostrassem diante dele, e considerado o primeiro depois de nós, não pode conservar-se em tanta honra nem guardar moderação em tão grande prosperidade.
Sua ambição levou-o atentar contra o nosso país, chegando mesmo a persuadir-nos de mandar matar Mordecai a quem devemos a vida, e a procurar, com os seus artifícios, fazer a rainha Ester, nossa esposa, correr o mesmo perigo, a fim de que, privando-nos das pessoas mais queridas, abençoadas e fiéis, ele pudesse apoderar-se da coroa.
Como, porém, reconhecermos que os judeus, cuja ruína ele nos fez decretar, não são culpados, mas, ao contrário, observam uma disciplina muito santa e adoram ao Deus que nos pôs o cetro nas mãos, tal como nas de nossos predecessores, e que conserva este império, não nos
contentamos em apenas isentar este povo do castigo que lhe seria infligido pelas cartas que Hamã nos persuadiu a escrever, das quais não deveis fazer nenhuma conta, mas ordenamos que os trateis com muita honra. Assim, para fazer-lhes justiça e fazer a vontade de Deus, que nos governa e nos manda castigar os crimes, mandamos enforcar às portas de Susã esse pérfido homem.
Ordenamos que cópias dessas cartas sejam levadas a todas as províncias, a fim de que todos sejam informados de nossa vontade e deixem viver em paz os judeus na observância de suas leis, e que eles sejam até mesmo auxiliados na vingança que lhes permitirmos tomar dos ultrajes que sofreram durante esse tempo de amargura, escolhendo para esse fim o décimo- terceiro dia do décimo segundo mês, de nome adar, em que Deus quer tornar-los felizes – o mesmo dia que fora destinado à sua completa ruína.
Quanto a nós, desejamos que esse dia traga felicidade a todos os que nos são fiéis e seja para sempre um sinal do devido castigo aos maus.
Todas as nações e cidades caberão também que os que deixarem de obedecer ao determinado nas presentes cartas serão destruídos pelo ferro e pelo fogo. E, para que ninguém possa duvidar, queremos que ela sejam publicadas em todas as terras de nosso domínio, a fim de que os judeus se preparem para a vingança contra os seus inimigos, no dia que determinamos. (FLÁVIO JOSEFO, 2021, p. 527 – 529)
Diversas cartas, tais como esta, foram escritas e enviadas, apressadamente, pelos correios por todo o reino, Diante dos judeus e da comunidade de Susã, Mordecai foi apresentado vestido majestosamente, usando uma coroa de ouro na cabeça e uma cadeia de ouro em seu pescoço.
A nação judaica foi tomada de imensa felicidade. Era uma espécie de prenúncio da libertação, pois os correios levaram o decreto contendo o comunicado de que no décimo-terceiro dia do décimo-segundo mês de adar, os judeus estavam autorizados a vingar-se de seus inimigos.
Chegou o dia da vingança e os judeus mataram cerca de quinhentos homens em Susã. O rei manifestou suas dúvidas sobre a satisfação da rainha, porque seu propósito era mantê-la feliz. Ela solicitou-lhe que mandasse enforcar os dez filhos de Hamã. E ele atendeu o seu pedido.
As lutas prosseguiram em Susã e trezentos homens foram mortos. Nas outras cidades, o número total de mortos foi de setenta e cinco mil.
O dia seguinte foi reservado para a comemoração. Os judeus receberam um comunicado de Mordecai para que, naqueles dois dias, festejassem aquela vitória sobre seus inimigos. Eles deviam ordenar aos seus descendentes para
prosseguir conservando a memória daquele fato, pois a sua nação quase fora exterminada. Era preciso sempre agradecer Àquele que cuida de Seu povo. Esta festa foi chamada de Purim que significa “Dia da Conservação”.
A história de Ester é um retrato fiel de como Deus vela pelo Seu povo e usa situações inusitadas para demonstrar este amor. A paciência e discrição de Ester foram imprescindíveis para que todo o propósito divino se realizasse.
Que sigamos seu exemplo de prudência, sabedoria e perseverança, andando sempre na presença do Senhor, não importa qual seja o ambiente no qual estejamos inseridos. A diferença está em nosso comprometimento com Deus, com Sua Palavra e com a Igreja do Senhor.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES:
– Conversando com a turma, enquanto conta a história, é possível analisar a postura de Ester.
– Verifiquem, durante os relatos, a operação divina nos fatos ocorridos.
REFERÊNCIAS:
CHAMPLIM, Russel Norman, Ph.D. Ester. In: CHAMPLIM, Russel Norman, Ph.D, O Antigo Testamento Interpretado. 2. ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p.1.823-1.852 (Vol.3).
ISHTAR. In: CHAMPLIM, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.
5.ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 3, p.402.
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão a queda de Jerusalém. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
MITOS E LENDAS. Marduque: Deus Patrono da Babilônia. Disponível em: https://www.mitoselendas.com.br/2021/07/marduque-deus-patrono-da- babilonia.html. Acesso em 02mar2025.
Profª. Amélia Lemos Oliveira
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/juvenis/11684-licao-9-ester-de-exilada-a-rainha-honrando-a-deus-e-a-sua-identidade-i
