LIÇÃO Nº 1 – ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ
ESBOÇO Nº 1
A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE
Estamos dando início a mais um trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical e, desta feita, teremos um trimestre temático, quando estudaremos o tema “Homens dos quais o mundo não era digno – o legado de Abraão, Isaque e Jacó”.
Dizemos que se trata de um trimestre temático, porquanto, ao estudarmos a vida dos três patriarcas do povo de Israel, não só estudaremos a vida desses homens de Deus, como também a chamada “dispensação patriarcal” ou “dispensação da promessa”,
que é o período em que Deus trata com o homem a partir precisamente dessas três figuras que foram os instrumentos do Senhor para a formação de Israel, a nação que foi formada para dela surgir o Cristo, tendo em vista que todas as demais nações eram oriundas daquela comunidade pós-diluviana que, unanimemente, se rebelou contra Deus no episódio da torre de Babel.
Deus tratou diretamente com esses homens de maneira especial e este tratamento foi minudenciado nas Escrituras exatamente para que aprendamos a nos relacionar com o Senhor por intermédio de suas histórias, pois tudo o que foi escrito para nosso ensino foi escrito (Rm.15:4).
É elucidativo que, ao Se apresentar a Moisés, no monte Horebe, para que Israel, já formado, fosse libertado do Egito, o Senhor Se identifica como “o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Ex.3:6), a nos mostrar que foi neste relacionamento que Deus Se quis fazer conhecer ao povo que seria “Sua propriedade peculiar dentre os povos” (Ex.19:5).
O Senhor chega, mesmo, a chamar a aliança que firmou com Israel como “concerto com Abraão, Isaque e Jacó” (II Rs.13:23).
Este relacionamento não se circunscrevia apenas aos israelitas, pois também é a história de relacionamento algo a ser observado pelos integrantes da Igreja, o povo de Deus da atual dispensação, porquanto são os cristãos denominados de “descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gl.3:29), o que já inclui aqui também Isaque, sem se falar que Jesus foi glorificado pelo “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” (At.3:13).
Como se isto fosse pouco, os patriarcas são apresentados como tendo ao Senhor como “seu Deus” e que, por isso, terão o direito de habitar numa cidade construída por Ele próprio (Hb.11:16), exatamente o que está reservado para os que crerem e perseverarem até o fim crendo em Jesus (Fp.3:20).
O título da lição, aliás, utiliza-se de expressão que o escritor aos hebreus aplica a todos os chamados “heróis da fé” mencionados no capítulo 11 daquela carta, entre os quais estão os três patriarcas.
Em Hb.11:38, é dito que estes “heróis da fé” não eram dignos deste mundo, precisamente porque resolveram, e isto é explicitado com relação aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, não se prender às coisas desta vida, mas pautarem suas vidas crendo nas promessas de Deus e almejando viver nos céus, na pátria celestial, pessoas que entenderam que este mundo é passageiro e que a vida só tem sentido se resolvermos agradar a Deus, confiar n’Ele, obedecer-Lhe e terem uma existência terrena que leve as pessoas a glorificar a Deus.
Evidentemente que os patriarcas, por serem homens, eram falhos e as Escrituras Sagradas, por serem a Palavra de Deus, em momento algum omitem as suas falhas, pecados e imperfeições, mas, ao mesmo tempo, mostra como, passo a passo, eles foram crescendo espiritualmente, tendo, por fim, alcançado a vida eterna.
Bem por isso, o subtítulo do trimestre é “o legado de Abraão, Isaque e Jacó”. ou seja, iremos estudar aquilo que foi deixado como valor pelos exemplos, pelas vidas terrenas dos três patriarcas, o que devemos observar em suas existências como o que deve ser seguido para que tenhamos o mesmo fim deles, ou seja, a salvação.
A capa do trimestre mostra um dos patriarcas peregrinando nos desertos de Canaã, juntamente com seus servos, bens e família, e a imagem pode se aplicar tanto a Abraão, quanto a Isaque como a Jacó (ainda que poderíamos imaginar que a ausência de crianças excluiria a hipótese de ser Jacó), pois todos eles, consoante nos diz o escritor aos hebreus, habitaram na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas, esperando a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus (Hb.11:9,10).
Este desprendimento com relação às coisas desta vida, mesmo tendo eles a promessa de que se tornariam possuidores de Canaã, é uma grande lição que, como discípulos de Jesus, devemos ter, porquanto quem ressuscitou com Cristo deve ter este comportamento (Cl.3:1-3), pois só pensar nas coisas terrenas é característica de quem é inimigo da cruz de Cristo (Fp.3:18,19).
O trimestre possui três blocos, um dedicado a cada patriarca: as lições 1 a 7 tratarão do “ciclo de Abraão”; a lição 8, do “ciclo de Isaque” e, por fim, as lições 9 a 12, do “ciclo de Jacó”, tendo-se uma lição conclusiva.
O comentarista deste trimestre é o pastor Elinaldo Renovato de Lima, pastor jubilado das Assembleias de Deus em Parnamirim/RN e que, há anos, comenta as Lições Bíblicas.
B) LIÇÃO Nº 1 – ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ
INTRODUÇÃO
-Neste trimestre, estudaremos o “legado de Abraão, Isaque e Jacó”, ou seja, faremos um estudo sobre os três
patriarcas do povo de Israel.
– Abraão é o pai da fé.
I – A VIDA DE ABRÃO ANTES DE SUA CHAMADA
-Abrão (que depois teria seu nome mudado para Abrão) surge nas Escrituras em Gn.11:26, quando é informado que é o décimo da descendência de Sem.
-Era, portanto, um semita e, diz-nos a Escritura, habitava em Ur dos caldeus, juntamente com seu pai Terá (ou Terá), na região que hoje pertence ao Iraque e que, ao tempo de Abrão, era o centro da civilização.
-De lá, por motivos não revelados na Bíblia, Terá saiu para Harã, na região hoje pertencente à Síria, ali se estabelecendo. Com a morte de seu pai, Abrão, já com setenta e cinco anos de idade, começa a sua vida com Deus, vida esta que seria extremamente fecunda e que iniciaria o plano de Deus para a salvação do homem.
-A vida de Abrão começa a ser relevante para com Deus a partir de seu atendimento ao chamado divino. Assim ocorre com os “filhos de Abraão” (Jo.8:39), ou seja, os crentes fiéis e sinceros que, a despeito de tudo que os cerca, ouvem o chamado de Deus e, então, começam a ser relevantes para Deus e a contribuir para a salvação da humanidade.
-A Bíblia pouco nos fala sobre a vida de Abrão antes de sua chamada. Apenas nos diz que era filho de Terá e que acompanhava a seu pai de forma obediente, tanto que deixou Ur dos caldeus, o centro da civilização mundial da época, para acompanhar seu pai a Harã, numa demonstração de fidelidade e de obediência.
-Obedecer aos pais é um sinal de temor a Deus e deve ser uma característica sempre presente na vida dos sinceros adoradores do Senhor. Parafraseando o apóstolo do amor, como podemos crer em alguém que diz obedecer a Deus, que não vê, se nem sequer obedece aos pais, que vê?
-Uma das principais características dos nossos dias é a apologia do conflito de gerações, é o conflito à desobediência a pais e mães, mas devemos, sempre, observar que isto não provém de Deus e que este é um traço dos homens deste mundo (I Tm.3:1). Um bom servo de Deus, mostra-nos a vida de Abrão, começa sendo um filho obediente.
OBS: Entre os muçulmanos, Abrão é considerado o “primeiro islämico”. Eis o trecho em que o Corão enaltece a figura de Abrão:
“…E quem rejeitaria o credo de Abraão, a não ser o insensato? Já o escolhemos (Abraão), neste mundo e, no outro, contrar-se-á entre os virtuosos. E quando o seu Senhor lhe disse: Submete-te a Mim!, respondeu:
Eis que me submeto ao Senhor do Universo! Abraão legou esta crença aos seus filhos, e Jacó aos seus, dizendo-lhes: Ó filhos meus, Deus vos legou esta religião; apegai-nos a ela, e não morrais sem serdes submissos (a Deus). (1.130- 132).
Entre os judeus, a admiração pelo patriarca não é menor. Assim se refere a ele um rabino comentarista do Pentateuco: “…O Midrash compara Abrão a um frasco de delicioso e precioso perfume. Mas desde que este cheiroso perfume é transportado por diversos lugares, todos se deleitam com seu aroma. E o Midrash continua:
‘Abrão, que estava cheio de boas ações e belíssimas virtudes, tinha que abandonar a sua pátria para que sua fama e seus ensinamentos se tornassem conhecidos no mundo inteiro. É este ‘frasco de perfume’- a fé monoteísta, com seus preceitos éticos – que Israel vem transportando através do mundo…” (Meir Matzliah MELAMED. Torá, a Lei de Moisés, com. Gn.12, p.29).
“…O monoteísmo é nota predominante para Moisés. Ao escrever sobre os patriarcas, procurou sempre direcionar mostrando que os monoteístas são escolhidos e abençoados pelo Senhor.
A despeito de suas falhas e alguns deslizes, Abraão tem sido reconhecido como um dos maiores líderes espirituais da Humanidade, como homem de fé inabalável , pelas religiões judaica, cristã e islâmica…”(Osmar José da SILVA. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.3, p.69).
-Com certeza, Abrão foi idólatra no início de sua vida. Vivia em Ur dos caldeus, onde campeavam a idolatria e o politeísmo. Em Js.24:15, fica subentendido de que os pais dos israelitas, ou seja, os ancestrais de Abrão, eram idólatras.
-A sociedade humana logo havia se corrompido, mesmo depois do dilúvio, tendo chegado ao cúmulo de desafiar a Deus, o que fez com que o Senhor, por Sua misericórdia, tivesse espalhado os homens pela terra, gerando as diversas nações que até hoje existem (Gn.11:1-9).
-Os povos estavam, então, em plena organização e surgiam os primeiros conflitos pelo controle e pelo poder do mundo. Nesta luta, surgem os cultos a ídolos, adotados como deuses e protetores de cada família, de cada tribo, de cada nação, como justificadores da luta pela supremacia.
-Entretanto, num instante que não sabemos qual, Abrão teve a revelação de que Deus é um só, é único e que a idolatria e politeísmo que se criavam eram contrários à vontade deste único Senhor. Manteve-se, portanto, Abrão, fiel ao princípio. Mais um traço característico do servo de Deus: a fidelidade ao princípio, ao que o Senhor fez reto, jamais se curvando às invenções humanas (Ec.7:29).
OBS: “…Abrão nasceu cerca de 2.333 anos antes de Cristo… De família abastada da Caldeia, enriquecida pela arte de fabricar imagens dos ídolos reverenciados pelos babilônicos.
Os moradores de Babilônia, em artes e política na época, influíam em outros povos, tornando o fabrico de esculturas um negócio lucrativo.
Terá, pai de Abrão, era hábil fabricante de ídolos; rico fazendeiro, gozava do conforto da água encanada, estrutura do saneamento básico, privilégio para poucos; possuidor de muito ouro, prata, gado e servos; tornou-se um homem riquíssimo e também seus filhos.
Desacreditavam nos ídolos fabricados e passaram a sofrer terrível perseguição por parte de Ninrode, rei de Babilônia, que forçava reverências e sacrifícios aos seus deuses…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.3, p.56).
-Há uma tradição de que o pai de Abrão, Terá, era um fabricante de ídolos e que, não se sabe bem porque, Abrão se insurgiu contra seu pai ao notar que os ídolos nada seriam, não poderiam ser adorados. A tradição, inclusive, atribui a morte de Harã, irmão de Abrão e pai de Ló precisamente porque este teria desafiado a “incredulidade” de Abrão em relação aos ídolos.
OBS: Eis como narra o episódio o “Gênesis Rabbah”, um comentário rabínico do livro do Gênesis compilado entre os séculos V e VI:
“…“Harã morreu na presença de Teraḥ, seu pai, na terra de seu nascimento, em Ur dos Caldeus” ( Gênesis 11:28 ). “Harã morreu durante a vida de Teraḥ, seu pai” – Rabi Ḥiyya, neto de Rav Ada de Jafo: Teraḥ era um adorador de ídolos [e vendedor de ídolos]. Certa vez, ele se ausentou e colocou Abraão como vendedor em seu lugar.
Um homem vinha querendo comprar.
Ele [Abraão] lhe perguntava:
‘Quantos anos você tem?’
Ele respondia:
‘Cinquenta ou sessenta anos.’
Então ele dizia:
‘Ai deste homem de sessenta anos que se prostra diante de algo que tem apenas um dia!’
Ele se envergonhava e ia embora.
Certa vez, uma mulher chegou carregando um prato de farinha fina.
Ela disse a ele:
‘Aqui, ofereça-a a eles.’
Ele se levantou, pegou um bastão na mão, despedaçou todos os ídolos e colocou o bastão na mão do maior deles.
Quando seu pai chegou, perguntou-lhe:
‘Quem fez isso com eles?’
Ele respondeu:
‘Não vou mentir para você. Uma mulher veio, trazendo um prato de farinha fina na mão.
Ela me disse:
“Aqui, ofereça-a a eles”.
Eu a ofereci.
Um deles disse:
“Eu comerei primeiro”, e outro disse:
“Eu comerei primeiro”.
Então, o ídolo maior, que estava no meio deles, levantou-se, pegou o bastão e os despedaçou.
‘ Ele [Terah] disse:
‘O quê? Você está zombando de mim?
Eles são inteligentes?’
Terah respondeu:
‘Seus ouvidos não ouvem o que sua boca está dizendo?’
Ele [Terah] o pegou e o entregou a Ninrode.
Ninrode disse a Abraão:
‘Vamos nos curvar diante do fogo.’
Abraão disse a ele:
‘É melhor nos curvarmos diante da água, que extingue o fogo.’
Ninrode respondeu:
‘É bem assim, então nos curvaremos diante da água.’
Abraão disse:
‘Então, que nos curvemos diante das nuvens que carregam a água.’
Abraão disse: ‘É bem assim, então nos curvemos diante das nuvens.’
Abraão disse:
‘Então, que nos curvemos diante do vento, que dispersa as nuvens.’
Abraão disse:
‘É bem assim, então nos curvemos diante do vento.’
Abraão disse:
‘É melhor nos curvarmos diante de alguém que possa resistir ao vento.’
Abraão respondeu:
‘Você está falando apenas palavras. Eu me curvo apenas diante do fogo. Eu o lançarei nele, e que o Deus a quem você se curva venha e o livre dele.’
Harã estava presente e estava em conflito.
Ele disse: ‘De qualquer forma, eu saberei o que fazer;
Se Abraão vencer, direi: Estou com Abraão; e se Ninrode vencer, direi: Estou com Ninrode.’
Quando Abraão desceu à fornalha ardente e foi salvo, perguntaram-lhe [a Harã]:
‘Com quem estás?’
Ele respondeu:
‘Estou com Abraão.’
Então o pegaram, lançaram-no no fogo e suas entranhas foram queimadas.
Ele saiu e morreu na presença de Terá, seu pai.
Assim está escrito: “Harã morreu na presença de Terá…” (Gênesis Rabbah 38. Disponível em: https://www.sefaria.org/Bereshit_Rabbah.38.13?lang=bi Acesso em 01 fev. 2026) (texto traduzido do inglês pelo Tradutor Google).
-Flávio Josefo acolhe, em parte, esta tradição, ao afirmar, inclusive, que foi esta morte de Harã que teria motivado Terá a abandonar Ur dos caldeus e a seguir para Harã, conforme registrado em Gn.11:31.
-Flávio Josefo afirma que Abrão
“…era homem sensato, muito prudente e de muito grande espírito e tão eloquente que podia persuadir tudo o que queria.
Como nenhum outro o igualava em capacidade e em virtude, ele deu aos homens conhecimento da grandeza de Deus muito mais perfeito do que tinham antes.
Foi ele primeiro que ousou dizer que existe um só Deus; que o Universo é obra das Suas mãos e que é unicamente à Sua bondade e não às nossas próprias forças que devemos atribuir toda a nossa felicidade.
O que o levava a falar dessa maneira era, depois de ter atentamente considerado o que se passa sobre a terra e sobre o mar, o curso do sol, da lua e das estrelas, que ele tinha facilmente deduzido que há um poder superior que regula seus movimentos, e sem o qual todas as coisas cairiam na confusão e na desordem;
porque elas por si mesmas não têm poder algum para nos proporcionar os benefícios que delas haurimos, mas elas os recebem dessa potência superior, à qual estão absolutamente sujeitas, o que nos obriga a honrar somente a Ele e a reconhecer o que lhe devemos por contínuas ações de graças.
Os caldeus e os outros povos da Mesopotâmia não podendo tolerar essas palavras de Abraão, levantaram-se contra ele. Assim, por ordem de Deus e com o Seu auxílio, ele saiu do país para morar na terra de Canaã…” (Antiguidades Judaicas I.7.22. In: História dos hebreus. Trad. De Vicente Pedroso, v.1, p.31).
-O Corão corrobora esta tradição, que, repitamos, não tem qualquer respaldo bíblico, de que Abrão, ao ter a revelação de que Deus foi único, abandonou a todos os seus e entrou em conflito inclusive com seu pai, que não teria aceitado a ideia do Deus único.
-Em algumas passagens, o livro sagrado dos islâmicos procura mostrar um Abrão irritado e inflamado contra seu pai e os seus, por causa desta revelação divina. Entretanto, a Bíblia não nos autoriza tal interpretação, porquanto Abrão somente partiu para Canaã após a morte de seu pai.
-Sabemos que Abrão teve a revelação de Deus antes de partir para Harã, pois Estêvão afirma que seu chamado ocorreu em Ur dos caldeus (At.7:2) e, como é dito que houve entre a chamada de Abrão e a entrega da lei um espaço de 430 anos (Gl.3:17), isto nos leva a verificar que Abrão tinha 70 anos quando Deus o chamou e ele somente deixou Harã, para onde tinha ido, acompanhando seu pai, quando tinha 75 anos (Gn.12:4).
-De qualquer modo, Abrão não deixou de estar sob as ordens de seu pai até a morte deste, o que invalida a interpretação corânica de rebeldia e afronta contra o seu pai Terá, lembrando que a tradição relata uma indisposição entre Terá e Abraão, mas que Terá teria se rendido aos argumentos monoteístas de seu filho.
OBS: Alguns trechos do Corão que trazem esta tradição: “…Quando Abraão disse a Ezra, seu pai: Tomas os ídolos por deuses? Eis que te vejo a ti e a teu povo em evidente erro…(6:74)/ Abraão implorava perdão para seu pai, somente devido a uma promessa que lhe havia feito; mas, quando se certificou de que este era o inimigo de Deus, renegou-o.
Sabei que Abraão era sentimental, tolerante (9:114)/ E menciona, no Livro, (a história de) Abraão; ele foi um homem de verdade, e um profeta. Ele disse ao seu pai: Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?
Ó meu pai, tenho recebido algo da ciência, que tu não recebeste. Segue-me, pois, que eu te conduzirei pela senda reta! Ó meu pai, não adores Satanás, porque Satanás foi rebelde para com o Clemente! Ó meu pai, em verdade, temo que te açoite um castigo do Clemente, tornando- te, assim, amigo de Satanás.
Disse-lhe:
Ó Abraão, porventura detestas as minhas divindades? Se não desistires, apedrejar-te-ei. Afasta-te de mim! Disse-lhe: Que a paz esteja contigo! Implorarei, para ti, o perdão do meu Senhor, porque é Agraciante para comigo.
Abandonar-vos-ei, então, com tudo quanto adorais, em vez de Deus. Só invocarei o meu Senhor; espero, com a invocação de meu Senhor, não ser desventurado. E quando os abandonou com tudo quanto adoravam, em vez de Deus, agraciamo-lo com Isaac e Jacó, e designamos ambos como profetas. (19:41-49).
-Alguns comentaristas entendem que Abrão fosse o filho mais novo de Terá. Assim é a opinião de Adam Clark: “…Harã era, com certeza, o filho mais velho de Terá, e ele aparece como tendo nascido quando Terá tinha cerca de setenta anos de idade e seu nascimento foi seguido pelo de Naor, seu segundo filho, e de Abrão, seu filho mais novo.
Muitos têm se confundido aqui, supondo que, por ter Abrão sido mencionado em primeiro lugar, ele era o filho mais velho de Terá, mas ele foi colocado em primeiro por ordem de dignidade.
Como exemplo disto nós já temos visto que, em G.5:32, onde Noé é apresentado como tendo Sem, Cam e Jafé em ordem de sucessão, embora fique evidente nas Escrituras que Sem era o filho mais novo, mas, pela sua dignidade, foi nomeado primeiro, como Abrão aqui, e Jafé, o filho mais velho, nomeado por último, como Harã aqui.
Terá morreu com duzentos e cinco anos de idade, Gn.11:32; quando Abrão partiu de Harã, tinha setenta e cinco anos de idade, Gn.12:4, por conseguinte, Abrão nasceu não quando seu pai Terá tinha setenta anos, mas quando ele tinha cento e trinta anos de idade…” (Adam CLARK. Comentários, vol.1. CD-ROM Master Christian Library, p.146) (tradução nossa).
-Cabe aqui também uma consideração a respeito do nome de Abrão, pois sabemos que a escolha do nome, entre os orientais, não é algo aleatório, como ocorre, via de regra, na civilização ocidental, mas é uma designação do próprio caráter da pessoa.
-Uma outra tradição judaica diz que, no dia do nascimento de Abrão, Terá e alguns amigos seus tinham saído de uma festa na casa de Ninrode e teriam observado, nos céus, que uma estrela teria engolido quatro estrelas nos quatro lados do céu, a indicar que teria nascido um homem que conquistaria não só este mundo como também o próximo, o que os teria impelido a buscar Ninrode, o rei dos caldeus, para que procurasse saber quem era o pai da criança, desse-lhe muito dinheiro e depois matasse o filho.
-“Abrão” significa “pai da altura” e este nome, pelo que se verifica, estaria vinculada a esta “supremacia” que teria o menino em sua vida, identificada nos céus.
Vem daí também a tradição de que Abrão teria sido um grande estudioso dos astros (lembremos que a Caldeia sempre se distinguiu pelos estudos de astronomia, que, inclusive, deu origem à astrologia) e que teria sido neste estudo que Abrão teria notado que os astros não poderiam ser adorados e, por conseguinte, não faria sentido a idolatria.
II – A CHAMADA DE ABRAÃO
-Morto Terá, Deus Se revela a Abrão, mandando que ele saísse do meio da sua gente e fosse para um lugar que lhe seria ainda mostrado.
-A primeira observação que devemos fazer, aqui, é que Deus foi quem chamou a Abrão e não o contrário. Esta é uma demonstração de que Deus sempre tomou a iniciativa, pelo Seu tão profundo amor, de procurar o homem, embora sempre tenha sido o homem quem tenha necessitado da presença de Deus.
-Deus é quem toma a iniciativa de formar uma nação para anunciar o Seu nome a todas as gentes. Este é o Deus a quem servimos: um Deus de amor que quer salvar o homem e, por isso, vai ao seu encontro. Como afirma o chamado “texto áureo da Bíblia”, Deus não somente amou o mundo mas enviou o Seu Filho para nossa salvação (Jo.3:16). A iniciativa para a salvação do homem é divina!
-A segunda observação que temos aqui é que, para que Abrão atendesse ao chamado de Deus, era necessário que ele saísse de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai. É indispensável, para quem quer servir a Deus, que se separe do mundo, que se desvincule totalmente do pecado e do mal, em que o mundo está imerso (I Jo.5:19).
-Não é possível alguém querer servir a Deus e não deixar o sistema de vida comprometido com o pecado e com a maldade. Nisto é que consiste a santificação, ou seja, a separação do crente do mundo. Para que Abrão pudesse servir a Deus, era necessário que ele abandonasse a idolatria de seu povo, de sua parentela e da casa de seu pai.
-Não seria possível que ele pudesse servir a Deus ainda sob os valores que haviam regido sua vida até ali. De igual forma, já que o Deus de Abrão é o nosso Deus, um Deus que não muda e n’Ele não se vê sombra de variação (Tg.1:17), para servirmos a Deus devemos sempre nos separar do pecado, estarmos no mundo, mas não sermos do mundo (Jo.17:11,15,16).
-Este é o primeiro passo e, por isso, devemos estar vigilantes com as ofertas de contemporização e de tolerância com o pecado que o diabo tem apresentado, incessantemente, aos servos do Senhor.
OBS: “…Em Abraão, Deus estava estabelecendo o princípio importante de que os seus deviam separar-se de tudo quanto possa impedir o propósito divino na vida deles…”(Bíblia de Estudo Pentecostal, p.50).
“…O conceito de separação do mal é fundamental para o relacionamento entre Deus e o Seu povo. Segundo a Bíblia, a separação abrange duas dimensões, sendo uma negativa e outra positiva:
(a) a separação moral e espiritual do pecado e de tudo quanto é contrário a Jesus Cristo, à justiça e à Palavra de Deus;
(b) acercar-se de Deus em estreita e íntima comunhão, mediante a dedicação, a adoração e o serviço a Ele ” (Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1779)
-A terceira observação que temos aqui é que a caminhada com Deus se inicia por um chamado de Deus, uma resolução de abandono do mundo e de suas concupiscências (Tt. 2:12), mas é, sobretudo, um ato de fé.
-Abrão foi considerado o pai da fé porque deixou sua casa, sua parentela, sua terra e foi para um lugar que ainda não lhe tinha sido revelado: “para a terra que eu te mostrarei”.
-Deus não anunciou a Abrão qual seria esta terra, como também não nos anuncia como será a vida que viveremos neste mundo para sermos instrumento de Sua glória.
O fato de não sabermos qual é esta terra, entretanto, é a essência de nossa fé. Somente poderemos ter fé se esperarmos algo, se não soubermos o que é este algo, pois se não houver esta esperança, não poderá haver fé (Rm.8:24).
-É por isso que as Escrituras dizem que andamos por fé e não por vista (II Co.5:7). Devemos, assim, rejeitar toda e qualquer atitude que exija que vejamos a bênção de Deus e a Sua presença a qualquer instante de nossas vidas, pois devemos agir como Abrão: ir, ainda que a terra não nos esteja ainda à vista, pois é nisto que consiste a fé: o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem (Hb.11:1).
-A Bíblia, então, revela-nos que Abrão partiu, mas não partiu de qualquer maneira, mas, diz o texto
sagrado, “como o Senhor lhe tinha dito” (Gn.12:4).
-Eis o segredo da vitória do servo de Deus:
fazer o que Senhor determinou mas também como o Senhor determinou.
Dizem os filósofos, desde Aristóteles, que um ser possui quatro causas:
a material (que diz respeito ao conteúdo do ser),
a formal (que diz respeito à forma do ser),
a eficiente (que diz respeito ao processo de obtenção do conteúdo com a forma conveniente)
e a final (que diz respeito ao propósito, ao objetivo do ser).
Somente podemos afirmar que somos servos de Deus se, além de termos um conteúdo agradável a Deus (o que a Bíblia denomina de “vestes brancas”), termos, também, uma forma agradável a Deus, ou seja, fazermos COMO Ele determinou.
-Eis a razão pela qual o apóstolo Paulo disse que não devemos nos conformar com este mundo (Rm.12:1), ou seja, não podemos ter a forma, o jeito, a maneira, o modo deste mundo, mas sermos diferentes também na forma.
-Abrão teve vitória porque fez COMO Deus mandou. Verdade é que, como veremos em lição posterior, Abrão não agiu exatamente como Deus ordenou, porque as Escrituras informam que, ao partir, “foi Ló com ele” (Gn.12:4), e esta desconformidade a ordem de Deus iria trazer a Abrão sérias consequências.
-Aprendamos, pois, com Abrão e façamos COMO o Senhor ordenar. Foi o próprio Jesus quem disse que bem- aventurado é o servo que, quando vier o Senhor, achá-lo servindo ASSIM (Mt.24:46).
-É interessante notar que, ao partir Abrão de Harã para a terra de Canaã, sem saber que esta era a terra que Deus lhe prometeria dar, Abrão saiu com sua mulher, com Ló, com seus servos e sua fazenda, dando a entender que tinha tido prosperidade material durante o tempo em que viveu em Ur e em Harã.
-Mais uma demonstração de que o objetivo do servo de Deus não é obter a prosperidade material, mas, sim, a de atender ao chamado de Deus.
Abrão é apontado, sempre, pelos teólogos da prosperidade como um exemplo do acerto de sua teologia, mas, muito pelo contrário, a vida de Abrão, que, espiritualmente, se inicia pela sua chamada, mostra que a prosperidade material, embora seja uma dádiva de Deus, é algo irrelevante no serviço espiritual do crente.
-Abrão passou por Canaã, foi até Siquém, até ao carvalho de Moré e observou que a terra ali era habitada pelos cananeus, ou seja, aos olhos humanos, não era aquela a terra que Deus lhe mostraria, uma vez que se tratava de uma terra ocupada e por descendentes de Cão, ou seja, uma terra que, a princípio, Deus havia destinado para outros que não os descendentes de Sem.
-Entretanto, nosso Deus é um Deus que fala, que não permite que os Seus servos fiquem confundidos ou desorientados. A Bíblia afirma que Deus apareceu a Abrão e lhe mostrou que aquela era a terra que Ele daria à sua semente (Gn.12:7).
-Profunda promessa esta a de Abrão, vez que Abrão não tinha sequer um filho, que dirá uma semente e nem poderia ter filhos, porquanto a sua mulher era estéril (Gn.11:30), o que mais demonstra a fé exercida pelo patriarca.
-A terra estava habitada pelos cananeus, como fez questão de enfatizar o texto bíblico, mas Deus afirma a Abrão que aquela terra, já habitada, seria ocupada pela sua semente, algo até então inexistente e sem qualquer perspectiva de vir a existir.
-Este é o nosso Deus! Ele faz as coisas que não são serem como também o contrário. Deus tem lhe prometido coisas que não existem e que as circunstâncias demonstram não ser possível existir? Olhe para este texto e acrescente a sua fé, pois o nosso Deus é o Deus do impossível e tudo que prometeu, fará! (Jr.1:12; Mt.24:35).
-Abrão, ao ter tido a presença de Deus, edificou um altar ao Senhor. O altar é uma presença constante na vida de Abrão. Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor.
-Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns.
-Será que o querido(a) irmão(ã) tem comunhão com Deus? Abrão adorou ao Senhor, edificou um altar ao Deus que lhe aparecera.
Temos tido este mesmo comportamento? Temos adorado a Deus com nossa vida, que é o nosso altar nos dias de hoje?
-Quando Deus Se revela a nós nos cultos, no cotidiano, temos-Lhe correspondido construindo um altar nas nossas ações, nos nossos pensamentos, na nossa vida? Se somos “filhos de Abraão”, devemos ter a mesma conduta do patriarca. Mas, lembre-se: como diz conhecido cântico, “em altar quebrado, não se oferece sacrifício a Deus”!
-Após ter edificado um altar a Deus, Abrão, certamente movido pelo Espírito de Deus, já que se encontrava em perfeita sintonia com a vontade divina, não ficou em Siquém, mas se moveu dali para a montanha à banda do oriente de Betel, que não tinha ainda este nome (será mais tarde Jacó, neto de Abraão, que dará este nome ao lugar, até então conhecido como Luz – Gn.28:19), e armou a sua tenda.
-A tenda é outro elemento que encontraremos na vida de Abrão. A tenda simboliza o desprendimento de Abrão em relação a este mundo. Ele era peregrino na terra, mesmo tendo promessas de Deus de domínio sobre esta mesma terra (Hb.11:13).
-Da mesma forma, nós, crentes em Cristo, somos peregrinos nesta terra (I Pe.2:11), não é aqui a nossa morada nem o nosso descanso (Mq.2:10).
Será que temos este mesmo desprendimento que tinha Abrão ou o adversário já tem conseguido fazer com que finquemos raízes nas coisas deste mundo e nas coisas desta vida?
-Qual é o nosso propósito: caminhar para o céu e desfrutar do que Deus aqui nos traz, mas sem nos prendermos a isto, armando sempre a nossa tenda segundo o movimento do Espírito ou querermos Cristo apenas para as coisas desta vida, vez que a elas estamos presos e arraigados ? Lembre-se: quem espera em Cristo só nesta vida é o mais miserável de todos os homens (I Co.15:19)!
-Em Betel, Abrão invocou o nome do Senhor e edificou um novo altar. Aqui, Abrão ensina-nos que não basta esperarmos Deus falar conosco. Mesmo estando em comunhão com Ele, torna-se necessário invocá-l’O, ou seja, buscá-l’O.
-Embora a iniciativa da salvação do homem seja divina, como vimos supra, há uma parte humana de esforço e constância na busca da presença de Deus.
Precisamos, por isso, sempre estarmos em atitude de busca da presença de Deus, seja através da oração, do jejum, da consagração, do louvor, da leitura e meditação de Sua Palavra, da frequência aos cultos e reuniões de oração.
-O homem que, verdadeiramente, serve a Deus, sabe que não é autossuficiente, que depende da misericórdia do Senhor e de uma constante aproximação de Deus. Como disse o salmista Asafe, “para mim, bom é aproximar-me de Deus” (Sl.73:28).
-É com preocupação que vemos que muitos crentes somente se lembram de buscar a Deus quando vão aos cultos e isto uma vez por semana (e olha lá!). Devemos buscar a Deus a todo tempo, a todo instante.
-Ouvimos, certa feita, um testemunho de um irmão dizendo que aprendeu a buscar a Deus a cada instante do seu dia-a-dia e que o Senhor lhe tem falado muito nas mínimas coisas, até mesmo na paisagem à margem das
estradas que sempre tem de percorrer por causa da sua ocupação. Que lindo vermos os céus e a terra proclamarem a glória de Deus e podermos ser atentos a isto. Invoquemos a Deus.
III – O CARÁTER DIVINO NA CHAMADA DE ABRAÃO
-Ao observarmos a chamada de Abraão, ao lado dos ensinos preciosos que recebemos do patriarca, também verificamos ensinamentos gloriosos a respeito do caráter de Deus.
-Em primeiro lugar, lembremos que a chamada de Abraão era a continuidade do cumprimento da promessa de Deus, no Éden, de redimir o homem e fazê-lo tornar a comunhão com seu Criador.
-Fracassada a comunidade única e seu governo humano, que, ao invés de promover a reconciliação com Deus, partiu para o desafio contra o Criador, Deus inicia o trabalho da formação de uma nação diferente das demais, onde manifestasse Seu amor e Seu poder.
-Assim, a chamada de Abraão mostra-nos a soberania de Deus, ou seja, a supremacia de Deus sobre todas as coisas. Não havia, não há nem nunca haverá o que possa impedir a realização da vontade divina (Is.43:13).
-Embora Deus seja soberano e livre para tomar as Suas decisões, como, por exemplo, o fato de ter escolhido Abrão e não outra pessoa das milhares que existiam no mundo, vemos que Ele respeita, decididamente, a liberdade que deu ao homem, de forma que, embora tenha escolhido Abrão, não o forçou a que obedecesse ao Seu chamado, tendo Abrão decidido partir por sua livre e espontânea vontade.
-Esta é a grande diferença entre o filho de Deus e o filho do diabo, pois o adversário escraviza o homem, retira a sua liberdade, enquanto Deus sempre respeita o livre-arbítrio humano que, afinal de contas, é resultado da própria criação divina. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e esta imagem e semelhança comporta a liberdade, o poder de decisão, como se vê claramente em Gn.2:16,17.
-Observemos que Deus chamou Abrão, mas que este partiu assim como Deus havia ordenado (Gn.12:1- 5).
A ordem foi divina, mas o ato de execução foi humano. Assim acontece até hoje. Deus chama os homens, mas os homens devem atender ao chamado, atendimento este que não é somente de palavras, mas, sobretudo, de gestos concretos e atitudes efetivas. Daí porque Jesus ter nos contado a parábola a respeito dos dois filhos (Mt.21:28-32).
OBS: “… a narrativa da Abraão, desde o início, chama a atenção para a seguinte verdade: a obediência a Deus é essencial para o usufruto da salvação n’Ele.
(1) Abraão obedeceu à palavra do Senhor. Sua obediência incluiu deixar seu lar e sua pátria e confiar-se ao cuidado de Deus, na sua orientação divina e nas Suas promessas…
(2) Assim como Abraão, todos os crentes em Cristo são conclamados a deixar “sua terra…parentela… e casa do pai” (12.1) para seguir a Jesus, no sentido de buscar uma pátria ‘ melhor, isto é, a celestial (Hb.11.16…” (Bíblia de Estudo Pentecostal, com. a Gn.12.4, p.51).
“…A história de Abraão está diretamente ligada à história de toda a humanidade: com ele começa a surgir o embrião de um povo que terá a missão de trazer a bênção de Deus para todas as nações da terra.
Esse povo será portador do projeto de Deus: toda nação que se orientar por esse projeto estará refazendo no homem a imagem e semelhança de Deus, desfigurada pelo pecado.
O caminho começa pela fé: Abrão atende o chamado divino e aceita o risco sem restrições. Ele percorre rapidamente a futura terra prometida: isso mostra que o projeto do qual ele é portador, é um projeto histórico, encarnado dentro da ambiguidade e conflitividade humana.
O que Deus promete a Abrão? Simplesmente aquilo que qualquer nômade desejava: terra para os rebanhos e filhos para cuidar deles.
Em outras palavras, o que Deus promete é exatamente aquilo a que o homem aspira para responder às suas necessidades vitais.
E hoje, quais são as supremas necessidades do homem? Por trás das necessidades estão as aspirações e, dentro destas, a promessa de Deus…”(Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, com. Gn.12:1,9, p.25).
-Por fim, vemos aqui como Deus é longânimo. Chamado em Ur dos caldeus, com 70 anos de idade, Abrão não se dispõe imediatamente a seguir ao Senhor.
Antes, sai, com seu pai, para Harã apenas cinco anos depois e, como sabemos, a ordem era que deixasse não só sua parentela e sua terra, mas também seu pai, o que não o faz de imediato.
-O Senhor, porém, não puniu nem desistiu do patriarca. Aguardou a morte de Terá e, então, renovou a Sua ordem ao patriarca, que, então, o atendeu, ainda que não integralmente, pois também levou Ló com ele, o que não se coadunava com a determinação divina.
-Como bem diz o título da lição, iniciava-se ali uma jornada de fé, pois, ao longo da sua nova vida com Deus, Abrão iria ser submetido a provas e, invariavelmente, nelas falharia, até o momento em que atingiria a maturidade espiritual, na prova do sacrifício de Isaque, num período de décadas.
-Entretanto, o Deus longânimo (Nm.14:18; Sl.103:8; Jn.4:2; II Pe.3:9) tudo aguardou e, assim, pôde Abrão chegar a bom termo, estando, na atualidade, a aguardar o dia em que adentrará, finalmente, na pátria celestial que tanto almejou, o que se fará juntamente conosco (Mt.8:11; Hb.11:16,40), se tivermos o mesmo progresso espiritual que teve Abraão e perseverarmos até o fim. Amém!
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12254-licao-1-abraao-seu-chamado-e-sua-jornada-de-fe-i
