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LIÇÃO Nº 3 – A SALVAÇÃO E O ADVENTO DO SALVADOR

A salvação dependia da vinda do Salvador.

INTRODUÇÃO

– Quando Deus prometeu a salvação, disse que haveria um Salvador nascido de mulher.

– A salvação dependia da vinda do Salvador.


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I – A PROMESSA DO SALVADOR

– Na sequência do estudo sobre a doutrina da salvação, estudaremos hoje a necessidade de um Salvador. A promessa da salvação é indissociável da promessa do Salvador.

– Já vimos anteriormente que a salvação do homem já estava prevista por Deus ainda antes da fundação do mundo. Na Sua presciência, Deus já sabia que o homem que haveria de criar iria pecar e que seria necessário um plano para a sua redenção, para a restauração da comunhão entre Deus e o homem.

– Já nesta presciência, o Senhor sabia que, para haver a salvação, necessário se faria que houvesse um Salvador e que este Salvador seria a Pessoa divina do Filho que deveria morrer em lugar do homem para pagar o preço do pecado.

– A deliberação divina para a salvação do homem já foi feita na pessoa do Filho de Deus, de Cristo Jesus. Paulo deixa isto bem claro ao dizer que fomos eleitos em Cristo para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante d’Ele (Ef.1:4),

o que é repetido por Pedro, que diz que foi Ele conhecido antes da fundação do mundo, embora tenha Se manifestado posteriormente (I Pe.1:20), tendo João, na revelação que lhe deu o próprio Senhor Jesus, reafirmado que o Salvador já fora antevisto como Cordeiro de Deus que seria morto desde a fundação do mundo (Ap.13:8).

– Quando o Senhor revela ao primeiro casal a salvação, no dia mesmo da queda, também deixou claro que a salvação se daria por um Salvador, ali denominado de “a semente da mulher” (Gn.3:15).

Além de anunciar que haveria um salvador, o Senhor deixou bem claro que este Salvador seria um ser humano, alguém nascido de mulher, o que explica a alegria de Eva quando teve seu filho Caim, certamente pensando que seria este o anunciado por Deus quando do juízo advindo da prática do pecado (Gn.4:1).

– Na chamada de Abraão (então chamado Abrão), vemos, uma vez mais, a promessa do Salvador, a “posteridade” do patriarca, na qual seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:1-3), “posteridade” esta que outro não é senão o Salvador (Gl.3:16).

Fica-se a saber, portanto, que a salvação adviria da nação que o Senhor formaria, diante da rejeição ocorrida na comunidade única pós-diluviana, que foi fragmentada e deu origem a todas as nações existentes no mundo, ou seja, aos gentios.

Não é por outro motivo que o Senhor Jesus diria à mulher samaritana que a salvação viria dos judeus (Jo.4:22).

– Jacó, o herdeiro da promessa de Abraão, reafirma que o Salvador viria de Israel, quando, nas suas bênçãos aos seus filhos, indica que este Salvador viria da tribo de Judá, pois a ele, Judá, congregariam todos os povos (Gn.49:10), dizendo, também, que o Salvador seria rei, visto que o “cetro não se arredaria de Jacó”, mas também alguém que seria obediente ao Senhor, visto que também “não arredaria o legislador dentre seus pés”.

– Na última bênção dada a Israel por Deus por intermédio de Balaão, reafirma-se que o Salvador seria de Israel, pois o profeta, ainda que a contragosto, teve de anunciar a Balaque e aos seus que “uma estrela procederia de Jacó e um cetro subiria de Israel”, mostrando que o Salvador seria israelita e alguém que teria linhagem real (Nm.24:17).

– O próprio Moisés, numa revelação recebida desde o momento em que subira ao monte Sinai, mas só revelada a Israel num de seus discursos de despedida, registrados no livro de Deuteronômio, indicou a Israel que o Salvador viria do meio do povo israelita e seria um profeta como ele, ou seja, um profeta que realizaria sinais e maravilhas, e que o povo de Israel deveria ouvi-lo, sendo certo que esta oitiva deveria ser observada sob pena de isto ser requerido da parte do próprio Deus (Dt.18:15-19).

– Advém daí a “esperança messiânica”, ainda presente no meio de Israel até o dia de hoje, que é o resultado da promessa do Salvador.

O profeta Natã viria trazer a Davi a mensagem de que o Salvador seria de sua linhagem, o que serviu para uma maior identificação a respeito de quem seria o Messias. Assim, o Salvador viria não só da tribo de Judá, mas, também, da casa de Davi (II Sm.7:16,17).

– Esta profecia de Natã foi reafirmada, ao longo dos séculos, por outros profetas, que bem indicavam que o Salvador seria um descendente de Davi (Is.9:7; 11:1,10; 16:5; Jr.23:5; 33:15; Ez.34:23,24; 37:24,25; Os.3:5; Mq.5:2; Zc.12:7). Não é à toa, aliás, que a expressão “Filho de Davi” passou a designar o Messias, o Salvador prometido.

– Isaías, que não por acaso é chamado de “profeta messiânico”, além de reafirmar a linhagem davídica do Salvador, também trouxe outras informações a respeito d’Aquele que haveria de proporcionar a salvação da humanidade.

Disse que seria alguém que teria a plenitude do Espírito Santo (Is.11:1,2), que seria divino, visto que seria o “Filho dado” por Deus (Is.9:6), o próprio Deus que, diante da impotência humana, viria para efetuar a salvação da humanidade (Is.25:9; 45:17; 59:16,17).

A divindade do Salvador também é realçada por Miqueias, profeta contemporâneo de Isaías, que afirma que o Salvador seria Aquele “cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq.5:2).

– O mesmo Isaías mostraria que este Salvador, além de divino, também seria humano, porquanto viria “da raiz de Jessé” (Is.11:1), seria concebido por uma virgem (Is.7:14) e seria o Servo do Senhor (Is.42:1-4; 49:1-6; 50:4-9 e 52:13-53:12) , expressão que indica toda a humanidade do Salvador, que, aliás, é retratado como o “menino que haveria de nascer” (Is.9:6).

Nos chamados “cânticos do Servo”, ainda, o profeta Isaías mostra claramente que o Salvador seria um “sofredor”, Aquele que haveria de ter “ferido o seu calcanhar” para obter a salvação, como deixa claríssimo o quarto e último cântico do servo, quando temos o retrato, com setecentos anos de antecedência, da paixão e morte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Is.52:13-53:12).

– Por fim, o Senhor também revelou, pelos profetas, que o Salvador seria precedido por um profeta, no estilo de Elias, que prepararia o caminho para o ministério do Messias, a voz que clamaria no deserto, como disse o profeta Isaías (Is.40:3,4), o Elias anunciado por Malaquias (Ml.4:5,6).

II – O ADVENTO DO SALVADOR

– Como diz o apóstolo Paulo, “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl.4:4).

– Jesus credencia-Se como o Salvador porque é o cumprimento de todas as profecias que foram proferidas em relação a Ele, dados que, como vimos, foram sendo revelados progressivamente ao longo dos séculos, para que não houvesse qualquer dúvida quanto à identidade do Salvador, pois nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33).

– Assim, por primeiro, foi necessário que houvesse a concepção virginal de Jesus, o que é descrito minuciosamente pelo médico Lucas no evangelho que, por inspiração do Espírito Santo, escreveu após minuciosa pesquisa a respeito dos fatos relacionados com o Senhor Jesus (Lc.1:1-4).

– Maria era virgem e estava desposada com José, mas ainda não haviam se ajuntado (Mt.1:18), quando concebeu do Espírito Santo, como fora anunciado a ela pelo anjo Gabriel (Lc.1:31-35).

– Esta concepção virginal demonstra que o Salvador é o “último Adão” (I Co.15:45), alguém que é “imagem e semelhança de Deus” (Hb.1:3), sem qualquer natureza pecaminosa e que, portanto, não estava sob o domínio do pecado como os demais seres humanos que, por serem imagem e semelhança de Adão (Gn.5:3), jamais poderiam comparecer diante de Deus para pagar o preço dos pecados de todo o mundo. Ele era, como disse o anjo Gabriel, o Santo (Lc.1:35).

– Em Seu nascimento, uma vez mais, Jesus mostra que era o Salvador, pois assim foi anunciado pelos anjos que deram a notícia de seu natalício aos pastores de Belém.

O anjo do Senhor foi categórico ao afirmar que, na cidade de Davi, tinha nascido o Salvador, que era Cristo, o Senhor (Lc.2:11) e indicou precisamente quem era este, Aquele que estava envolto em panos e deitado numa manjedoura (Lc.2:12).

– Aliás, o fato de ter nascido em Belém era mais um indicador de que se tratava do Messias prometido, pois, como bem sabiam os escribas e doutores da lei, era em Belém que haveria de nascer o Salvador (Lc.2:4-7; Mt.2:1-8), como havia sido profetizado por Miqueias (Mq.5:2).

– Quando da circuncisão de Jesus, ato pelo qual passou Ele a pertencer ao povo israelita, foi-lhe dado o nome de Jesus, a indicar que Ele era o Salvador, pois “Jesus” significa “Salvador” (Mt.1:21; Lc.1:31; 2:21).

Poucos dias depois, quando da Sua apresentação no templo de Jerusalém, o Senhor confirma, seja através de Simeão, seja através de Ana, que ali estava o Salvador (Lc.2:28-32,38).

– Como profetizado, João Batista começa o seu ministério para preparar Israel para a chegada do Messias, anunciando que Ele estava para Se manifestar ao povo e João, no dia seguinte ao batismo de Jesus, anuncia publicamente que ali estava “o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo” (Jo.1:29).

– Este anúncio público foi repetido por João Batista no dia seguinte após Jesus ter voltado do deserto, onde fora tentado pelo diabo, quando, então, uma vez mais, João diz ser Jesus o Cordeiro de Deus (Jo.1:35).

– Devidamente apresentado e já cheio do Espírito Santo, o que ocorreu no batismo, quando o Pai, de uma voz no céu, confirma a messianidade de Jesus (Mt.3:16; Mc.1:11; Lc.3:22), o Senhor inicia o Seu ministério terreno, onde Se revela como sendo o profeta anunciado por Moisés, pois realiza, a exemplo do libertador, sinais,

prodígios e maravilhas (Mt.4:24; Lc.4:40; 6:19; Jo.2:11,23,; 3:2; 6:2; 7:31; 9:16; 11:47), em número bem superior a todos os outros profetas que haviam feito milagres, ou seja, o próprio Moisés, Elias e Eliseu.

Tais sinais, aliás, foram utilizados por Jesus como prova de Sua messianidade quando soube do ódio que lhe tinha Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia (Lc.13:31,32), diante de quem, aliás, não fez sinal algum (Lc.23:8-11).

– Mas, como demonstram claramente os evangelhos, em especial o evangelho segundo Mateus, Jesus cumpriu à risca tudo quanto estava profetizado a Seu respeito, para que não houvesse qualquer dúvida de que era o Salvador, o Messias prometido.

– O próprio Jesus fez questão de mostrar aos discípulos, ao longo de Seu ministério público, como estava a cumprir as Escrituras e qual seria a Sua trajetória, o que ficou bem evidenciado a partir da “declaração de Cesareia”, quando Pedro teve a revelação do Pai de que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus vivo (Mt.16:16).

A partir de então, o Senhor passou a dizer aos discípulos tudo quanto sucederia com Ele, que Ele haveria de sofrer e morrer, mas que também haveria de ressuscitar (Mt.16:21), mensagem que não foi compreendida pelos discípulos (Mc.9:9,10,31,32; Lc.9:44,45; Jo.20:9), com exceção de Maria, irmã de Lázaro, que chegou, inclusive, a ungir o corpo de Cristo para a Sua sepultura antecipadamente (Jo.12:7).

– Jesus sempre fez questão de demonstrar que o objetivo de Seu ministério era o de promover a salvação da humanidade. Na Sua pregação, chamava o povo de Israel para o arrependimento, dizendo ter chegado o tempo da salvação e estar próximo o reino de Deus.

Era esta a Sua mensagem: o arrependimento dos pecados e a necessidade da fé n’Ele para a salvação (Mc.1:14,15).

– Jesus foi claro ao dizer que havia vindo ao mundo para que o mundo fosse salvo por Ele (Jo.3:17), fazendo questão de reafirmar isto quando de Sua oração sacerdotal, quando demonstrou que tinha uma obra a realizar da parte do Pai, que implicava no restabelecimento da unidade entre Deus e o homem (Jo.17:1-3,21-23).

– Seu intuito era a libertação do homem do pecado (Jo.8:31-36), tanto que uma prova de que o reino de Deus havia chegado até os israelitas era o fato de Jesus libertar os homens dos espíritos malignos (Mt.12:28; Lc.11:20), algo que nem mesmo Moisés, Elias ou Eliseu haviam realizado.

– Por isso mesmo, em Cafarnaum, fez questão de ressaltar o perdão dos pecados como algo prioritário, acima dos sinais, quando primeiro perdoa os pecados do paralítico que lhe é posto à frente pelo telhado da casa onde se encontrava, para só depois curá-lo, cura que teve o único propósito de mostrar que tinha Ele poder para perdoar os pecados (Mt.9:1-8; Mc.2:1-12; Lc.5:17-26).

– Em todas as Suas curas, aliás, o Senhor Jesus sempre enfatizava que o mais importante era a salvação decorrente da fé que havia sido depositada em Sua pessoa, tanto que fazia questão de dizer ao curado que a fé o havia salvado (Mt.9:22; Mc.5:34; 10:52; Lc.7:50; 8:48; 17:19; 18:42).

Somente no episódio dos dez leprosos, vemos que a salvação somente veio para o samaritano, o único que retornou e agradeceu ao Senhor (Lc.17:19).

III – O EVANGELHO DO SALVADOR É O EVANGELHO DA SALVAÇÃO

– A mensagem de Jesus era a mensagem da salvação. Conforme já salientamos, ao pregar o Evangelho do reino de Deus, Jesus mostrou que tinha vindo salvar a humanidade, apresentando, primeiramente, esta mensagem aos judeus:

“O tempo está cumprido. O Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15).

– Ao longo de Seu ministério, Jesus identificaria a Sua mensagem como sendo “o evangelho” (Mt.11:5; 24:14; Mc. 8:35; 10:29; 13:10; 14:9; 16:15; Lc.4:43; 7:22), tendo, inclusive, mandado que fosse esta a mensagem a ser pregada pelos Seus discípulos em continuidade à Sua obra.

Não é por outro motivo, aliás, que o apóstolo Paulo diz ser “o Evangelho de Cristo” “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, e também do grego, porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: mas o justo viverá da fé” (Rm.1:16,17).

– Jesus, ao iniciar a pregação do Evangelho do reino de Deus, foi enfático ao dizer: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15).

É esta a mensagem que a Igreja continuou a pregar, como vemos, claramente, no dia de Pentecostes, pela boca de Pedro e dos apóstolos: “ Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (…). Salvai-vos desta geração perversa…” (At.2:39,40).

– Ora, logo verificamos que a mensagem da salvação está relacionada com o arrependimento dos pecados. Não há que se falar em salvação se não se mostrar a necessidade de confessarmos os nossos pecados e deixarmos a vida pecaminosa a fim de que alcancemos misericórdia (Pv.28:13).

– Jesus diz que o tempo estava cumprido, ou seja, havia chegado a “plenitude dos tempos” e o Salvador havia chegado. A chegada do Salvador, o Seu advento era importantíssimo, indispensável para a salvação da humanidade, mas não bastava a Sua chegada.

Fazia-se mister que o homem se arrependesse dos seus pecados, recebesse Cristo em Sua vida, reconhecesse a Sua condição de pecador para que pudesse, então, desfrutar da salvação.

– Isto é importante porque reside aqui o erro dos chamados “universalistas”, que entendem que a vinda de Cristo é suficiente para que “todos os homens sejam salvos”.

Jesus é claro ao dizer que é necessário o arrependimento e a fé na mensagem da salvação para que se tenha efetivamente a salvação. O advento do Salvador é indispensável, é condição “sine qua non” para a salvação, mas não basta.

Como diz o apóstolo João, somente são filhos de Deus aqueles que receberem a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas (Jo.1:12,13).

– Jesus veio ao mundo, cumpriu a promessa do Senhor, também demonstrou, com Seu poder, que era o Messias, confirmando que o reino de Deus havia chegado, mas sem o arrependimento e a fé n’Ele, que é a própria mensagem do Evangelho, o Verbo Divino, não se poderia falar em salvação.

– Jesus demonstrou a Sua condição de Salvador na medida em que pregou o arrependimento dos pecados. E, por isso mesmo, ao comissionar a Igreja para prosseguir a Sua obra, mandou que isto se fizesse pelos Seus seguidores (Lc.24:46-48).

Daí porque ter instituído o batismo para que, por ele, publicamente os Seus discípulos dissessem terem morrido para o mundo e para o pecado e renascido para Deus (Rm.6:1-11).

– Não é, pois, por outro motivo, que devemos pregar o Evangelho da salvação, o mesmo Evangelho pregado por Cristo Jesus, “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”, a mensagem da necessidade de arrependimento dos pecados e da aquisição, em Cristo, de uma vida nova, de uma vida transformada, de uma vida separada do pecado, de uma vida na Palavra de Deus, pois a permanência na Palavra do Senhor nos faz ficar livres do pecado (Jo.8:31,32).

– Salvação importa, pois, em arrependimento e em fé em Jesus Cristo, como haveremos de estudar posteriormente amiúde nas lições que advirão.

– O próprio Jesus Se apresentou como o Salvador porque jamais pecou, embora tivesse sido tentado em tudo (Hb.4:15; 9:28), tendo Ele próprio, em mais de uma oportunidade em Seu ministério público, demonstrado ser uma pessoa inocente, sem pecado e que, por isso mesmo, poderia assumir o lugar do pecador, morrendo por ele.

– Assim, logo no limiar de Seu ministério público, quando foi batizado por João, teve o testemunho do profeta de que não tinha pecado e, por isso, não carecia ser batizado, com o que concordou Jesus, dizendo, porém, que o faria por causa do “cumprimento da justiça”, ou seja, porque convinha que assumisse o lugar do pecador para poder salvá-lo (Mt.3:14,15).

– No episódio da mulher adúltera, vemos que Jesus era o único de todos aqueles que ali estavam no templo que não tinha pecado e que, portanto, podia condenar a mulher apanhada em flagrante adultério, mas não o fez, porque não viera para condenar o mundo mas para que o mundo fosse salvo por Ele (Jo.3:17) e, ao fazê-lo, demonstra que não tinha pecado e que, assim, poderia ter atirado a primeira pedra contra aquela mulher (Jo.8:7-11).

– Em debate com os judeus, ao dizer que os judeus eram filhos do diabo, disse que ninguém O convencia de pecado, ou seja, ninguém poderia apontar um pecado sequer que tivesse cometido, reafirmando, pois, o fato de que nunca havia pecado (Jo.8:46).

Sua inocência, por fim, foi proclamada pelo próprio Pôncio Pilatos quando de Seu julgamento (Jo.18:38), numa constatação da autoridade competente que ali estava o “Cordeiro imaculado e incontaminado” que, assim, poderia ser oferecido em sacrifício perfeito para tirar o pecado do mundo (I Pe.1:19; Hb.10:12).

– A mensagem de Jesus era, pois, a mensagem da salvação, do arrependimento dos pecados e, por isso mesmo, não poderia deixar de ser apontado como o Salvador.

– Tanto é assim que mesmo Seus algozes, quando da crucifixão, faziam questão de enfatizar este teor da mensagem pregada pelo Senhor, já que, em suas zombarias, não deixavam de dizer que Jesus dissera que salvaria aos outros mas que não estava conseguindo sequer salvar-se a Si mesmo na cruz (Lc.23:35).

– Jesus é o Salvador, veio para salvar o mundo. É este o sentido de Seu ministério terreno, é esta a obra que Seu Pai mandou que viesse fazer no mundo, obra esta que era o sentido, a razão de ser da vida terrena do Senhor Jesus (Jo.4:34; 17:4).

– É esta a mensagem que a Igreja continuou a pregar, como vemos, claramente, no dia de Pentecostes, pela boca de Pedro e dos apóstolos:

“ Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (…). Salvai-vos desta geração perversa…” (At.2:39,40).

– Foi isto também que Paulo afirmou quando disse aos coríntios que sua mensagem era “a palavra da cruz” (I Co.1:18), pois a cruz nada mais é que o instante em que Jesus morre por nós pecadores, faz-Se pecado por nós (II Co.5:21), levando sobre Si todas as nossas iniquidades (Is.53:4-6).

Paulo, ao falar sobre a cruz, estava a dizer que somos pecadores e precisamos nos arrepender e que Jesus já pagou o preço de nossos pecados, de modo que, crendo n’Ele, seremos perdoados.

– Não há, portanto, possibilidade de se pregar o Evangelho sem que se fale em necessidade de arrependimento dos pecados, sem que se fale na cruz de Cristo, onde o Senhor ganhou a nossa redenção.

Temos de crer que Jesus, ao morrer por nós, pagou o preço de nossos pecados e que este sacrifício foi aceito por Deus, tanto que Cristo ressuscitou ao terceiro dia, garantindo, assim, a nossa fé n’Ele, daí porque o apóstolo ter afirmado que se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé (I Co.15:14).

Feliz foi o poeta sacro traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão ao afirmar que “Tema do bom pregador: o Calvário” (terceiro verso da terceira estrofe do hino 192 da Harpa Cristã).

– Somente nos arrependendo dos pecados e crendo em Jesus, poderemos ser libertos do poder do pecado e passar a ter uma nova vida, a nascer de novo para não mais vivermos, mas Cristo viver em nós (Gl.2:20), passando, então, a pertencer ao reino de Deus e a fazer a vontade deste Rei, sendo, a partir de então, cidadãos da cidade celestial, em perfeita amizade com Deus, não sendo mais Seus inimigos, estando por Ele protegidos e aquinhoados, como os servos da parábola das minas (Lc.19:11-27), onde há perfeita distinção entre os servos e os inimigos do Senhor, que eram precisamente aqueles que não queriam que Ele reinasse sobre eles.

– Jesus jamais deixou de enfatizar Sua condição de Salvador e a prioridade que isto deveria ter na pregação. De igual modo, jamais se pode admitir que Seus sedizentes seguidores deixem de dar a primazia a esta circunstância, apresentando Jesus como o Salvador.

“Jesus salva” deve ser a primeira coisa que o pregador deve dizer aos incrédulos, que o discípulo de Jesus deve anunciar ao proclamar o Evangelho.

– Não é, porém, o que temos visto e ouvido em nossos dias lamentavelmente. Dias atrás, ficamos a saber de um certo pregador que conseguiu falar uma hora e meia sem sequer mencionar o nome de Jesus e, naturalmente, se não falou em Jesus, não falou em salvação, dada a indissociabilidade que há entre salvação e Salvador.

– A mensagem da salvação tem sido indevidamente substituída por mensagens de autoajuda, de ênfase nas coisas materiais, de curas de enfermidades e outros benefícios decorrentes do Evangelho mas que com ele não se confundem, numa usurpação daquilo que nos foi determinado pelo próprio Jesus Cristo, que nos mandou pregar o Evangelho, o Evangelho genuíno e não o outro evangelho a que Paulo se refere na sua epístola aos gálatas (Gl.1:6-10).

– Precisamos ter a mesma postura que teve Nosso Senhor que, assim que anunciou a Sua paixão e morte aos discípulos, uma vez revelada a sua identidade por parte do Pai a eles, procurou ser dissuadido pelo próprio Satanás, pela instrumentalidade de Pedro, para que deixasse de lado aquela mensagem e obra (Mt.16:22,23).

Jesus repreendeu o inimigo, preferindo ficar com as “coisas de Deus”, por maior sofrimento e dificuldade que significava tal opção.

– Hoje há muitos instrumentos de Satanás querendo desviar o foco da salvação da vida dos que já tiveram a revelação de Cristo como o Cristo, o Filho de Deus vivo e daqueles que poderão ouvir a mensagem do Evangelho e serem convencidos igualmente pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo, alcançando a salvação das almas.

Deixar estas “coisas de Deus” para se voltar às “coisas dos homens”, a uma mensagem que não fale de arrependimento de pecados e da cruz de Cristo é capitular ante a mentira satânica. Tomemos, pois, cuidado, amados irmãos, e não permitamos que isto prossiga em nossos púlpitos!

– Na Sua paixão e morte, Jesus mostrou realmente ser o Salvador. Como Cordeiro de Deus, deixou-Se imolar pelos nossos pecados. Como diz o poeta sacro traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão:

“Sobre o altar, por mim Cristo subiu, oferecendo holocausto de amor; qual um cordeiro, na cruz sucumbiu Cristo Jesus, meu Salvador” (segunda parte da quarta estrofe do hino 381 da Harpa Cristã).

– O escritor aos hebreus bem explica o significado desta morte de Jesus Cristo sobre a cruz do Calvário. O sacrifício único que tirou o pecado do mundo, pois o Senhor Se ofereceu a Si mesmo pelos pecadores, pagando o preço do pecado, cumprindo a justiça de Deus (Hb.9:11-14; 10:1-18). Por isso, Pedro afirma que o justo morreu pelos injustos para levar-nos a Deus (I Pe.3:18).

– Sua morte trouxe a vitória sobre o pecado pois, assim que Jesus expirou, o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt.27:51; Mc.15:38; Lc.23:45), véu este que simbolizava a separação que havia entre Deus e o homem por causa do pecado (Is.59:2), pois era a separação entre o lugar santo e o lugar santíssimo, que, aliás, no Segundo Templo, ficava vazio, já que não mais havia a arca da aliança, que se perdeu quando da destruição do Primeiro Templo.

– Uma vez mais evidenciava Jesus a Sua condição de Salvador, uma vez que, com o rompimento do véu, se consolidava a restauração da comunhão entre Deus e os homens, a tal ponto que, logo em seguida, como o Senhor Jesus já anunciara ao ladrão arrependido (Lc.23:43), teriam os mortos na esperança messiânica a sua entrada no terceiro céu, no Paraíso (II Co.12:4), onde foram levados pelo Senhor Jesus, depois que Este pregou aos mortos, confirmando a Sua condição de Salvador (Ef.4:8-10; I Pe.3:9), mas somente levando ao Paraíso aqueles justos que haviam crido na promessa da salvação ainda em sua peregrinação terrena.

– Mas a Sua vitória sobre a morte e a conquista da salvação não haveria de ficar conhecida apenas no mundo espiritual. Jesus ressuscitou ao terceiro dia, como havia dito aos discípulos, e Se apresentou a eles para comprovar tal verdade (At.1:3; 10:40,41), comprovando, deste modo, que Seu sacrifício fora aceito pelo Senhor e que, com isto, adquirira a salvação para todos aqueles que n’Ele cressem.

– A ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, após a glorificação do Senhor, que se deu, precisamente, na ressurreição (Jo.7:39; 20:22), são a garantia objetiva e evidente da fé em Cristo (I Co.15:14-17), o diferencial da mensagem do Evangelho que torna inescusáveis todos os que ouvirem tal mensagem.

– Não foi por outro motivo que os discípulos, intrepidamente, depois do revestimento de poder no dia de Pentecostes, passaram a proclamar a Cristo e a Seu Evangelho, sempre enfatizando a ressurreição como prova de que a salvação é possível, desde que feita por Cristo Jesus, pois em nenhum outro nome há salvação (At.2:23-38; 4:10-12; 7:51-56; 8:5; 9:19-22; 10:36-43; 13:16-41; 17:2-32).

– A importância da ressurreição é tanta que não há salvação se não se crer nela, como deixa o apóstolo bem claro em Rm.10:9, “in verbis”: “…Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo”.

– Com a ressurreição, portanto, ficou patente que Jesus era o Salvador do mundo, a semente da mulher que traria novamente a amizade entre Deus e o homem, a posteridade de Abraão que tornaria benditas todas as famílias da Terra, o Filho de Davi que reinaria para sempre, o Cristo, o Filho de Deus vivo, que Se entregaria para morrer em lugar dos pecadores, sem nunca ter pecado, para, em um único sacrifício, ganhar a salvação da humanidade e disto deu prova ressuscitando dos mortos.

Não há salvação sem o Salvador e o Salvador é Jesus. Amém.

Ev. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: http://www.portalebd.org.br/classes/adultos/1070-licao-3-a-salvacao-e-o-advento-do-salvador-i

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