JUVENIS | LIÇÃO 1 – A NATUREZA DO ESPÍRITO SANTO
INTRODUÇÃO
Professores e professoras, vocês são mais que bem-vindos ao quarto trimestre.
Seremos privilegiados, com nossos juvenis, ao estudarmos a doutrina do Espírito Santo, a Paracletologia, pois não podemos ignorar o maravilhoso trabalho realizado pela terceira pessoa da Trindade.
Muitos ignoram — não sabem exatamente como se processa — o labor do Espírito Santo em prol dos Seus filhos. É necessário glorificá-Lo, da mesma forma que se exalta a pessoa do Pai e do Filho, pois não é uma parte da divindade, mas a divindade completa.
O exame das Escrituras é imprescindível para que compreendamos que Ele não é uma mera influência ou mero poder. É uma Pessoa dotada de intelecto, que conhece as profundezas de Deus, pois é Deus, e as revela:
“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”
(1 Co 2.10,11)
É um Ser Pessoal, cujo propósito é converter os homens ao Criador.
Precisamos nos entregar a Ele para que realize, por meio da nossa vida, o Seu trabalho, a Sua obra neste mundo.
1. O ESPÍRITO SANTO É DEUS
A terceira pessoa da Trindade, dotada da mesma substância do Pai e do Filho, participa da Trindade e já estava presente desde os tempos da eternidade a trabalhar.
1.1. O Espírito Santo é eterno
Como Deus, Ele é eterno:
“Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus […]”
(Hb 9.14)
A Bíblia diz que o Espírito Santo, tal como um poderoso vento — que é simbolizado — pairava sobre a face das águas, ainda sobre a Terra sem forma e vazia.
Antes que fosse dada forma a este mundo, o Espírito Santo lá estava, cooperando na criação:
“E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.”
(Gn 1.2)
É por isto que podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que Ele é Deus, um Ser autoexistente, incriado, causa de todas as coisas, tal como o Pai e o Filho também o são.
A terceira pessoa da Trindade ocupa o mesmo posto valorativo no que se refere aos seus atributos como Deus e ao que entendemos como sua participação na criação do mundo, haja vista que a Trindade sempre trabalha unida em prol do benefício do homem.
1.2. O Espírito Santo faz parte da Trindade
Deus se tem revelado como uma Trindade. Há um só Deus, porém três Pessoas — um só Deus, e não três; nem um só Deus com perturbações do tipo múltipla personalidade.
Para compreendermos a doutrina da Trindade, precisamos aceitar o fato de sermos forçados, mediante a autorrevelação de Deus na Bíblia, a desconsiderar as leis comuns da lógica.
A doutrina da Trindade proclama que Deus é um só, porém três; Ele é três, porém um só.
Isso não significa que o Cristianismo tenha abandonado a lógica e o raciocínio. Pelo contrário, aceitamos o fato de que a doutrina da Trindade refere-se a um Ser infinito que está além da compreensão de suas criaturas finitas.
(McLean, 1997, p. 385)
2. O ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA
Os pronomes pessoais empregados para o Espírito Santo reafirmam que se trata de uma pessoa.
“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”
(Rm 8.16)
De acordo com Bancroft (1995, p. 180), a construção gramatical também contribui para o reconhecimento desta natureza pessoal do Espírito Santo.
O emprego do substantivo masculino “parakletos”, que Cristo empregou ao se referir ao Consolador dos discípulos, aponta para uma Pessoa que viria substituir uma outra Pessoa:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.”
(Jo 14.16,17)
Ele veio para os discípulos com o fim de realizar o que Cristo já vinha realizando. Veio dar continuidade ao trabalho do Mestre.
Como pessoa que viria substituir outra, o Espírito Santo é dotado de personalidade. Possui atributos de uma pessoa, os quais a Bíblia aponta:
- pensar;
- sentir;
- querer;
- consciência própria;
- direção própria.
Portanto, os atos de pensar, de amar, de ter direção própria e de demonstrar consciência própria revelam que o Espírito Santo é uma pessoa.
No entanto, não podemos confundir ser pessoa com possuir corpo humano composto de olhos e ouvidos.
Ele possui os elementos que compõem a personalidade.
3. CARACTERÍSTICAS PESSOAIS DO ESPÍRITO SANTO
3.1. O Espírito Santo fala
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.”
(Ap 2.7)
3.2. O Espírito Santo é inteligente
“E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.”
(Rm 8.27)
3.3. O Espírito Santo tem vontade
“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”
(At 13.2)
3.4. O Espírito Santo ama
“E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus.”
(Rm 15.30)
3.5. O Espírito Santo é bondoso
“E deste o teu bom Espírito, para os ensinar; e o teu maná não retiraste da sua boca; e água lhes deste na sua sede.”
(Ne 9.20)
3.6. O Espírito Santo se entristece
“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.”
(Ef 4.30)
3.7. O Espírito Santo intercede
“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
(Rm 8.26)
3.8. O Espírito Santo ensina
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”
(Jo 14.26)
3.9. O Espírito Santo clama
“E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.”
(Gl 4.6)
3.10. O Espírito Santo guia e conduz
“E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu.”
(At 16.6,7)
3.11. O Espírito Santo chama homens e os comissiona
“Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.”
(At 20.28)
4. O ESPÍRITO SANTO MERECE TRATAMENTO PESSOAL
Se o Espírito Santo é uma Pessoa, a Bíblia demonstra que podemos nos relacionar com Ele pessoalmente.
4.1. Podemos nos rebelar contra Ele e entristecê-Lo
“Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles.”
(Is 63.10)
4.2. Pode-se mentir para Ele
“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”
(At 5.3,4)
4.3. Pode-se blasfemar contra Ele
A blasfêmia contra o Espírito Santo é apresentada nas Escrituras como um pecado imperdoável:
“Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.”
(Mt 12.31,32)
Blasfemar significa falar do Ser Supremo usando termos de ímpia irreverência, usando o ultraje ou falando de forma repreensível acerca de Deus, Cristo ou Espírito Santo.
Sendo assim, é necessário orientar os nossos jovens acerca da reverência ao Espírito Santo, da necessidade de buscarmos a Sua presença e de termos cuidado com julgamentos precipitados que dizem respeito às operações divinas.
Relacionar-se pessoalmente com o Espírito Santo deve ser a meta de todo o cristão, pois o Espírito Santo é Deus.
5. OS ATRIBUTOS DIVINOS DO ESPÍRITO SANTO
O apóstolo Pedro deixou isto bem claro a Ananias quando ele vendeu a herança e mentiu sobre o preço, dizendo:
“Não mentiste aos homens, mas a Deus.”
(At 5.4)
A situação foi tão séria que Ananias caiu morto aos pés do servo de Deus.
Com todos os atributos da divindade, o Espírito Santo tem poder sobre a vida e conhece todos os intentos do coração humano.
Somente Ele pode guiar e ensinar o ser humano pelo melhor caminho porque sabe todas as coisas.
5.1. O Espírito Santo é onisciente
Este atributo chamado onisciência pertence tanto ao Pai como ao Filho também:
“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”
(1 Co 2.10,11)
Também está escrito:
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”
(Jo 14.26)
5.2. O Espírito Santo é onipresente
Aquele que tudo conhece também está em todas as partes. É impossível dele se ocultar.
Tal como Adão não pôde se esconder do Todo-Poderoso, não poderemos nos esconder do Espírito que a tudo contempla e perscruta.
Sua onipresença garante um cuidado especial para com todos os filhos amados do Pai.
Ele nos vê por dentro e vê onde estamos neste mundo afora, seja onde estivermos, até nas profundezas do mar:
“Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.”
(Sl 139.7-12)
5.3. O Espírito Santo é onipotente
Aquele que vive desde os tempos da eternidade e conhece todas as coisas também é detentor de todo o poder nos céus e na terra.
O Espírito Santo é Onipotente e capaz de realizar tudo o que lhe apraz para o benefício humano.
Vemos a Sua atuação no nascimento e na ressurreição de Cristo:
“E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.”
(Lc 1.35)
E:
“E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.”
(Rm 8.11)
5.4. O Espírito Santo é eterno e Criador
Diante da menção desta tríade, há que citar também o atributo da eternidade, em Hebreus 9.14, já citado, e de Criador:
“Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.”
(Sl 104.30)
Aquele que participou da criação de todas as coisas também faz parte da criação humana, como atesta Jó:
“O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.”
(Jó 33.4)
Portanto, podemos afirmar que o Espírito Santo de Deus está conosco desde o início da nossa existência, assistindo a nossa formação no ventre da nossa mãe, cuidando para que tudo saia conforme o Senhor do Universo planejou.
Aleluia!
6. A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA VIDA DO CRISTÃO
Ele é digno de ser chamado Senhor porque está no controle de tudo, orientando seus filhos e trabalhando para que os homens conheçam o Deus verdadeiro, convencendo-os do pecado, da justiça e do juízo.
O Espírito Santo vai realizando um processo santificador contínuo na vida do cristão, com a finalidade de que ele se aproxime cada vez mais do Senhor, comprometendo-se com a Palavra e se prepare para ir ao encontro do Filho nos ares:
“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”
(2 Co 3.18)
6.1. O Espírito Santo justifica e santifica
Neste processo de conversão ao Senhor, observamos que é o Espírito Santo quem justifica e santifica o crente:
“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.”
(1 Co 6.11)
Além disto, ensina ao cristão como deve ser o seu procedimento em diferentes setores da sociedade, para que o nome do nosso Deus seja exaltado:
“E, quando vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados e potestades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar.”
(Lc 12.11,12)
No entanto, é preciso considerar que esta não pode ser considerada uma desculpa para não estudarmos as Escrituras, enfatizando que o Espírito Santo nos ensinará.
Lembremo-nos que o texto sagrado nos diz:
“Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”
(Jo 14.26)
Ora, somente podemos nos lembrar de algo que já estudamos, não é verdade?
Portanto, o Espírito Santo nos fará lembrar tudo o que tivermos estudado — “tudo quanto vos tenho dito”.
Está na Bíblia.
7. A NECESSIDADE DE COMUNHÃO COM O ESPÍRITO SANTO
Assim temos examinado ligeiramente o que diz a Bíblia sobre a verdade tão preciosa de que o Espírito Santo é uma pessoa.
Diante destas Escrituras, não pode haver nenhuma dúvida sobre este grande fato.
Teoricamente, os crentes, em geral, aceitam esta verdade; porém, infelizmente, deixam de realizá-la na sua vida.
O Espírito Santo veio a fim de abrir ao crente as riquezas da graça de Deus e, não obstante ser este o seu desejo, muitos crentes passam os dias na maior pobreza espiritual.
Não devemos continuar nestas condições.
Façamos um esforço especial para que vivamos em Deus e para que estejamos sempre conscientes de que temos conosco uma pessoa, o Espírito Santo, que pode fazer por nós até mais do que Cristo conseguiu fazer enquanto na carne.
Seja a nossa oração diária a que se encontra em 2 Coríntios 13.13:
“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós.”
8. O ESPÍRITO SANTO E O NOVO NASCIMENTO
O novo nascimento é uma das obras magnas do Espírito Santo.
É um nascimento que não vem da carne e do sangue, mas do Espírito.
Conhecida como obra de Regeneração, significa gerar de novo, como uma nova criatura, mediante a fé no sacrifício de Cristo na cruz do Calvário.
Quem convence o homem de que ele é pecador e necessita de restauração?
Somente o Espírito Santo tem o poder de convencer e restaurar, fazendo deste homem uma nova criatura:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
(2 Co 5.17)
O homem está em Cristo como nova criatura, mas foi convencido e restaurado pelo Espírito Santo, o qual garante nova situação não só no aspecto interior, bem como posicional também.
CONCLUSÃO
Este é apenas o início de um relacionamento mais próximo com o Espírito Santo, porque conhecê-Lo pressupõe manter um relacionamento de intimidade.
Para isto, procura-se:
- estabelecer a comunhão;
- conhecer os seus propósitos;
- verificar os significados de Seus nomes;
- conhecer sua simbologia;
- aprofundar o conhecimento acerca de Sua pessoa e obra.
Até a próxima aula.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES
Escrever, numa tira de papel, um versículo referente aos atributos de divindade e de pessoa do Espírito Santo para que os alunos leiam e digam se o texto se refere à divindade ou à pessoa.
Exemplos:
- Onipresença — Salmo 139.12: divindade.
- Fala — Apocalipse 2.7: pessoa.
REFERÊNCIAS
BANCROFT, E. H. Teologia Elementar: Doutrinária e Conservadora. 3. ed. São Paulo: IBR, 1995.
LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: Convicção Editora, 2019.
McLEAN, Mark D. O Espírito Santo. In: HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. 3. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
Colaboração para o Portal Escola Dominical: Profª. Amélia Lemos Oliveira.
Texto organizado por IA.
Vídeo: https://youtu.be/2yry-lG4bM0
