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LIÇÃO Nº 10 – UMA ESPERANÇA INABALÁVEL PERANTE OS PODEROSOS

INTRODUÇÃO

-Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, analisaremos a prisão e o processo a que se submeteu Paulo até ser mandado para Roma.

-Paulo não negou a sua fé perante as autoridades.

I – PAULO É LEVADO AO SINÉDRIO

-Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, analisaremos a prisão e o
processo a que se submeteu Paulo até ser mandado para Roma.

-Depois de ter sido levado para a Fortaleza Antônia, quando a multidão começou a lançar pó da terra em direção a Paulo quando este dissera que Jesus o mandara ir aos gentios de longe, o tribuno mandou açoitar o apóstolo, o que não ocorreu porque Paulo se identificou como cidadão romano (At.22:22-26).

-O tribuno, então, foi falar com Paulo e, ao saber que ele era cidadão romano de nascimento, enquanto o próprio tribuno o era por ter comprado a cidadania, ficou receoso, já que havia acorrentado o apóstolo, o que não poderia ter feito por ser ele romano, resolvendo, então, levá-lo ao Sinédrio, já que a questão discutida era religiosa, da alçada daquele órgão (At.22:27-30).

-Trata-se de mais um episódio em que o apóstolo Paulo nos ensina a usar a cidadania. Paulo era cidadão romano de nascimento, porque era natural de Tarso da Cilícia, e todos os habitantes daquela cidade gozavam desta cidadania, e, como tal, tinha todos os direitos garantidos pelo Império Romano.

-A cidadania romana de nascimento de Paulo não era um elemento do acaso. O Senhor fez com que Paulo fosse cidadão romano exatamente porque este fator iria possibilitar que o apóstolo exercesse o seu ministério diante dos gentios.

-A cidadania romana sempre foi um trunfo na obra missionário do apóstolo, como se vê, por exemplo, em Filipos (At.16:36-39).

-Paulo foi escolhido pelo Senhor Jesus para ser a principal personagem da evangelização dos gentios nos primeiros tempos da Igreja desde o ventre da sua mãe (Gl.1:15) e, por isso mesmo, fez com que Paulo fosse um cidadão romano, um filósofo (pois Tarso era um centro filosófico estoico) e um doutor da lei, formado em Jerusalém por Gamaliel.

-Cada uma destas facetas do apóstolo tinha um propósito na Sua missão, e a cidadania romana representava a remoção dos obstáculos legais e políticos para que o apóstolo pregasse o Evangelho. Por isso, quando surgiam questões jurídicas, Paulo tinha, mesmo, de invocar a sua cidadania para não permitir que estes impedimentos prevalecessem no exercício da sua missão.

-Por isso mesmo, não se pode concordar com a ideia daqueles que dizem que os discípulos de Jesus Cristo não devam buscar os seus direitos junto aos órgãos judiciários ou administrativo, mas, antes, sofrer o dano, conformar-se com eventuais violações de que sejam vítimas, já que é um “cidadão dos céus”, chegando mesmo a citar I Co.6:8. Nada mais falso!

-Neste tema, devemos, como em todas as áreas, tudo fazer para a glória de Deus (I Co.10:31). Assim, por primeiro, devemos verificar se fazer valer os nossos direitos glorifica a Deus.

-Era o caso do apóstolo, que precisava fazer valer seus direitos para que realizasse a obra do Senhor, até porque era seu propósito ir a Roma e, de lá, partir para iniciar a evangelização da parte ocidental do Império Romano, na Espanha.

-O segundo ponto que se deve levar em conta para que se procure fazer valer os seus direitos é se foram esgotados os meios de conciliação. Jesus diz que é necessário tentar-se, antes, um acordo com o adversário antes de levá-lo para a Justiça (Mt.5:25).

-Quando o litígio é com um irmão na fé, o cuidado deve ser ainda maior, pois se deve tentar a conciliação com a pessoa, depois, caso não seja ela frutífera, com a intervenção de outros irmãos e, ainda não conseguido o acordo, deve-se levar o caso à igreja. Havendo fracasso, então tratar o irmão como se não o fosse, indo à justiça para apresentar suas pretensões (Mt.18:15-17).

-Um outro cuidado que se deve ter, antes de ir à Justiça, é saber bem qual a sua situação, se não está também a violar a lei, porque, quando um servo do Senhor vai perante o juiz, Deus não Se deixa escarnecer, e não se sairá de lá enquanto se pagar o último ceitil (Mt.5:26), pois tudo o que alguém semear, também ceifará (Gl.6:7).

-Tendo descoberto que Paulo era romano e tendo todo o tumulto se dado dentro do templo por questões religiosas, o tribuno resolveu levar Paulo ao Sinédrio pois, a uma, escaparia de qualquer punição por ter indevidamente acorrentado um cidadão romano; a duas, como a questão era religiosa, apresentava o caso aos judeus, pois Roma não se intrometia nestes assuntos, como, aliás, ocorreu em Corinto, quando Gálio se negou a cuidar da reclamação dos judeus contra o apóstolo (At.18:12-16)

-Quando Paulo chegou ao Sinédrio, instituição que o apóstolo conhecia muito bem pois ou dele chegou a participar, como entendem alguns, ou era assessor de integrantes dele, aspirando dele no futuro participar, antes de sua conversão (tanto que conseguira que o Sinédrio desse respaldo para o apedrejamento de Estêvão e consequente perseguição aos cristãos, conseguindo inclusive carta para prender em Damasco aos cristãos que lá fossem encontrados), imediatamente já abriu a boca e disse: “Varões irmãos, até ao dia de hoje, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência” (At.23:1).

-Nesta afirmação, o apóstolo quis deixar claro que não havia feito qualquer profanação do templo, tanto que usava o nome do Senhor para dizer que estava com boa consciência, como se diz atualmente, com a consciência limpa.

-Esta atitude de Paulo visava reforçar a sua posição de inocência diante dos integrantes do Sinédrio, pois estava como que, a exemplo da mulher que era suspeita de adultério, fazendo como que um juramento diante de Deus, o que levava a uma abstenção de decisão por parte das autoridades, que, como no caso da mulher suspeita de adultério, deixava ao próprio Senhor o julgamento da causa (Nm.5:11-28).

-Diante desta atitude de Paulo, até certo ponto inusitada e que tinha uma nítida intenção de criar uma situação de constrangimento ao Sinédrio, o sumo sacerdote Ananias mandou aos que estavam junto do apóstolo que o ferissem na boca (At.23:2).

-Paulo, então, dirigiu-se ao sumo sacerdote que, tudo indica, não estava devidamente trajado nem ocupando o lugar que lhe seria de direito, talvez porque o Sinédrio tivesse sido convocado às pressas, reclamando desta atitude, dizendo: “Deus te ferirá, parede branqueada! Tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei e, contra a lei, me mandas ferir?” (At.23:3).

-Foi, então, advertido por algum dos presentes que estava a injuriar o sumo sacerdote e, então, Paulo, vindo a saber que se tratava do sumo sacerdote, imediatamente se retratou, dizendo que não sabia que era o sumo sacerdote e que não se podia dizer mal do sumo sacerdote, citando Ex.22:28 (At.23:5).

-Neste momento, o apóstolo bem percebeu que ficara numa situação delicada, pois, se buscara constranger o tribunal, mediante a afirmação inicial, criando um ambiente favorável à sua absolvição, com a acusação de que injuriara o sumo sacerdote, havia invertido a situação e prejudicado grandemente a sua imagem, correndo o risco de sofrer condenação.

-Neste momento, porém, vemos que atuou nele o Espírito Santo e o apóstolo usava da palavra de sabedoria, um dos dons espirituais (I Co.12:8), pois, sabendo que o Sinédrio era formado tanto por fariseus quanto por saduceus, fez outra declaração, a fim de causar a divisão do colegiado e, então, disse: “Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu! No tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado!” (At.23:6).

-Ao assim falar, punha em dissensão os integrantes do Sinédrio, pois os fariseus iriam defendê-lo, até porque não só se dizia fariseu e de uma linhagem farisaica, dizendo que seu pai era também fariseu, invocou a principal crença que causava a diferença entre ambas as seitas, a saber, a ressurreição dos mortos.

-Com efeito, conforme Lucas mesmo explica no livro de Atos, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa (At.23:8).

-Os saduceus já haviam confrontado o Senhor Jesus a respeito da ressurreição (Mt.22:23-33; Mc12:18-27; Lc.20:27-40), ocasião em que Cristo mostrou que eles erravam nesta postura materialista, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.

-O que também fez os saduceus se oporem aos cristãos foi justamente a pregação da ressurreição de Jesus pelos apóstolos (At.4:1,2), tendo sido eles os primeiros a prender os discípulos, exatamente porque demonstravam crer na ressurreição e dizer que Jesus havia ressuscitado, o que dá a entender que, muito provavelmente, foram os saduceus que inventaram e mandaram os soldados romanos falar que Jesus não havia ressuscitado, mas que Seus discípulos haviam furtado Seu corpo (Mt.28:11-15).

-Paulo, doutor da lei, ele próprio um fariseu e que frequentara a alta cúpula das autoridades religiosas judaicas, sabia muito bem da fratura que existia entre a elite judaica por causa destas duas seitas religiosas, que haviam se formado durante o período intertestamentário.

-Esta divisão era tão aguda que mesmo o historiador judeu Flávio Josefo (37/8-100), cuja obra teve sempre o intento de defender o povo judeu no Império Romano, não a escondeu, como se pode verificar, por exemplo, no seguinte texto:

“…Quando fiz treze anos, desejei aprender as diversas opiniões dos fariseus, as dos saduceus e as dos essênios, três seitas que existem entre nós, a fim de, conhecendo-as, pudesse adotar a que melhor me parecesse. Assim, estudei-as todas e experimentei-as com muitas dificuldades e muita austeridade.…” (JOSEFO, Flávio. Vida de Flávio Josefo escrita por ele mesmo. In: História dos hebreus. 8. ed. Trad. de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. Versão digital ebooksgospel.com.br, p.956).

-Josefo, mais de uma vez, em seus escritos, pontuou a diferença entre elas, como, por exemplo, nessa passagem: “…Entre os judeus, os que faziam profissão particular de sabedoria estavam, há vários séculos, divididos em três seitas: os essênios, os saduceus e os fariseus, das quais, embora eu já tenha falado no segundo livro da Guerra dos judeus, penso que devo dizer aqui também alguma coisa. A maneira de viver dos fariseus não é fácil nem cheia de delícias: é simples.

Eles se apegam obstinadamente ao que se convencem que devem abraçar. Honram de tal modo os velhos que não ousam nem mesmo contradizê-los.

Atribuem ao destino tudo o que acontece, sem, todavia, tirar ao homem o poder de consentir. De sorte que, sendo tudo feito por ordem de Deus, depende, no entanto, da nossa vontade entregarmo-nos à virtude ou ao vício. Eles julgam que as almas são imortais, julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste — virtuosas ou viciosas — e que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida, e outras retornam a esta.

Eles granjearam, por essa crença, tão grande autoridade entre o povo que este segue os seus sentimentos em tudo o que se refere ao culto de Deus e às orações solenes que lhe são feitas.

Assim, cidades inteiras dão testemunhos valiosos de sua virtude, de sua maneira de viver e de seus discursos. A opinião dos saduceus é que as almas morrem com os corpos e que a única coisa que somos obrigados a fazer é observar a lei, sendo um ato de virtude não tentar exceder em sabedoria os que a ensinam. Os adeptos dessa seita são em pequeno número, mas ela é composta de pessoas da mais alta condição.

Quase sempre, nada se faz segundo o seu parecer, porque quando eles são elevados aos cargos e às honras, muitas vezes contra a própria vontade, são obrigados a se conformar com o proceder dos fariseus, pois o povo não permitiria qualquer oposição a estes. Os essênios, a terceira seita, atribuem e entregam todas as coisas, sem exceção, à providência de Deus.

Creem que as almas são imortais, acham que se deve fazer todo o possível para praticar a justiça e se contentam em enviar as suas ofertas ao Templo, sem oferecer lá os sacrifícios, porque o fazem em particular, com cerimônias ainda maiores.

Os seus costumes são irreprocháveis, e a sua única ocupação é cultivar a terra. Sua virtude é tão admirável que supera em muito a dos gregos e de outras nações, porque eles fazem disso todo o seu empenho e preocupação e a ela se aplicam continuamente. Possuem todos os bens em comum, sem que os ricos tenham maior parte que os pobres. O seu número é superior a quatro mil.

Não têm mulheres nem criados, porque estão convencidos de que as mulheres não contribuem para o descanso da vida. Quanto aos criados, consideram uma ofensa à natureza, que fez todos os homens iguais, querer sujeitá-los. Assim, eles se servem uns dos outros e escolhem homens de bem da ordem dos sacerdotes, que recebem tudo o que eles recolhem de seu trabalho e têm o cuidado de fornecer alimento a todos.

Essa maneira de viver é quase igual à dos que chamamos plistes e vivem entre os dácios.…” (Antiguidades Judaicas XVIII, 2, 760. In: História dos hebreus.
8. ed. Trad. de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. Versão digital ebooksgospel.com.br, pp.830-1).

-O apóstolo, sabendo que se encontrava numa situação delicada, certamente guiado pelo Espírito Santo, trabalhou na dissensão existente entre os integrantes do Sinédrio, na grande fratura que havia no povo judeu naquela época, as seitas religiosas, que causava uma grande divisão e, como já ensinara o Senhor Jesus: “…Todo reino dividido contra si mesmo será assolado; e a casa dividida contra si mesma cairá” (Lc.11:17).

-Paulo, por primeiro, quis constranger o Sinédrio com uma afirmação que o levava a uma abstenção de julgamento, agora, ante a sua fala que havia sido interpretada como injúria ao sumo sacerdote, explora a divisão, que também levaria o tribunal a nada decidir.

-Foi exatamente o que ocorreu, pois, com a afirmação do apóstolo, diz o médico amado, “…a multidão se dividiu” (At.23:7 “in fine”).

-Iniciou-se um “grande clamor”, pois os integrantes fariseus do Sinédrio passaram a defender Paulo, dizendo não ver nele mal algum, até porque se algum espírito ou anjo lhe havia falado, não podiam resistir a Deus, citando o que Paulo havia dito à multidão, a respeito do diálogo que havia mantido com o Senhor Jesus no caminho de Damasco e do arrebatamento para fora si que tivera no templo, quando, então, decidiu partir de Jerusalém.

-Naturalmente, os saduceus iam no caminho contrário, seja porque o sumo sacerdote tivera sido injuriado (e tudo indica que o sumo sacerdote era saduceu), seja porque não criam em espírito nem em anjo, como deviam, a exemplo dos fariseus, ter interpretado o discurso de Paulo à multidão.

-O tumulto tomou tão grande proporção que o tribuno, receoso da própria segurança de Paulo, que era cidadão romano, mandou descer a soldadesca para que o tirassem do meio deles e o levassem para a fortaleza (At.23:10).

-Como prova de que Paulo agira sob direção do Espírito Santo, na noite seguinte, o Senhor Se apresentou ao apóstolo, mandando que tivesse ânimo, pois como d’Ele havia testificado em Jerusalém, importava que também testificasse de Cristo em Roma (At.23:11).

-O apóstolo, então, passava a ter certeza de que seu plano de ir a Roma havia sido aprovado pelo Senhor Jesus. Passaria por prisões e tribulações, mas chegaria a Roma, como era o seu intento.

-A aparição de Jesus a Paulo, ademais, confirmava o que o Senhor havia dito desde a conversão do apóstolo, ou seja, de que apareceria ao apóstolo por várias vezes ao longo de seu ministério (At.26:16).

-Neste ponto, aliás, cumpre aqui fazer algumas observações a respeito das aparições de Jesus. Jesus ainda aparece aos crentes, ou isto somente aconteceu com Paulo?

-Não resta dúvida de que a posição de Paulo na história da Igreja é singular, já que era ele “um vaso escolhido para levar o nome de Jesus diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel” (At.9:15), sem falar que, segundo os que entendem que Paulo é o décimo segundo apóstolo, o substituto de Judas Iscariotes, este contato pessoal era absolutamente necessário para que Paulo fosse realmente um apóstolo (Cf. At.1:21,22).

-Entretanto, em virtude destes fatos, dizer que Jesus não mais aparece, como o fez a Paulo, a outros crentes, é ir além do que está escrito. As Escrituras dizem que Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8), de modo que não podemos afirmar que não possa Nosso Senhor aparecer a alguém durante o tempo da Igreja sobre a face da Terra.

-Verdade é que, notadamente entre os romanistas, há uma profusão de aparições que, inclusive, dão respaldo a devoções e crenças que surgiram ao longo dos séculos. Por causa disso, muitos caminham no sentido de dizer que não há a possibilidade de aparições depois dos dias apostólicos.

-Entretanto, não parece ser este o melhor entendimento. Jesus é o mesmo e, se apareceu a Paulo, pode aparecer a qualquer outro cristão. O que se deve observar é que tais aparições jamais podem contrariar a Bíblia Sagrada, pois Jesus é o mesmo e não entraria em contradição, negando as Escrituras, que d’Ele testificam (Jo.5:39).

-Ao mesmo tempo, as aparições têm valor de revelação privada, ou seja, são revelações que dizem respeito à intimidade de Jesus com Seu servo a quem aparece e que, como tal, tem valor limitado a este relacionamento, não podendo, pois, ter caráter normativo nem ser aplicado à Igreja.

-É o que vemos aqui: Jesus apareceu a Paulo para dar-lhe o devido ânimo para prosseguir a sua provação, como também para confirmar Sua aprovação para o plano delineado desde Éfeso de ir para Roma.

-Não havia aqui qualquer doutrina ou qualquer novo ensinamento, como, por vezes, ocorre nas “aparições” difundidas ao longo dos séculos, que, não poucas vezes, invalida o que está escrito na Bíblia Sagrada e que, por evidente, deve ser desconsiderado e desacreditado.

II – PAULO É LEVADO A CESAREIA – SUA DEFESA PERANTE FÉLIX

-Após a retirada de Paulo do Sinédrio e seu retorno à Fortaleza Antônia, mais de quarenta judeus fizeram uma conspiração e juraram dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo e, diante deste juramento, foram até os principais dos sacerdotes e anciãos, contando do juramento e lhes pedindo que convocassem Paulo para uma nova audiência, sendo certo que, no caminho, iriam assassinar o apóstolo (At.23:13-15).

-Entretanto, quando estes judeus conferenciavam com as autoridades, o filho da irmã de Paulo ouviu o que era conversado e, então, foi, entrou na fortaleza e tudo contou ao seu tio, que, então, pediu que seu sobrinho fosse levado ao tribuno para que tudo lhe fosse relatado (At.23:12-22).

-O tribuno, cujo nome era Cláudio Lísias, então se viu numa situação delicada, pois não poderia recusar uma convocação do Sinédrio para uma nova audiência, pois ele mesmo havia admitido a autoridade do tribunal judaico para o caso, mas, se o mandasse, Paulo seria morto e era ele um cidadão romano.

-Diante desta situação, resolveu mandar o apóstolo para Cesareia, a capital romana da Judeia, entregando o caso para o seu superior hierárquico, o governador ou presidente Marco Antônio Félix, livrando-se, deste modo, do problema (At.23:23-35).

-Lucas reproduz a carta que Lísias mandou a Félix, onde o tribuno alegou ter livrado Paulo de ser morto pelos judeus na frente do templo, por ter sabido que era romano, o que, sabe-se, não era bem verdadeiro, pois só depois do livramento é que soube da cidadania romana de Paulo, mas mentia para esconder que havia ligado o apóstolo, o que nunca deveria ter feito.

-Vemos aqui como funciona o mundo sem Deus. Lísias mentia na carta para esconder o seu erro. O mundo está no maligno (I Jo.5:19) e o príncipe deste mundo é o pai da mentira (Jo.8:44).

-O sistema gentílico de poder, construído sob o manto da rebeldia contra Deus, desde o seu nascedouro, em Babel e que, por isso mesmo, é denominado no livro de Apocalipse de Babilônia (Ap.14:8; 16:19; 17:5; 18:2,10,21), tem na mentira um dos seus fundamentos, um dos seus baluartes.

-Como servos do Senhor, não podemos, em absoluto, compactuar com isso e por isso é tão difícil para um discípulo de Cristo pertencer à estrutura do poder político. Daniel é um exemplo de quanto um servo fiel a Deus sofre neste ambiente (Dn.6:1-5).

-Na carta, Lísias confirma a natureza religiosa da questão que envolvia Paulo e os judeus, como que dando já ao governador uma saída para se esquivar do problema e que, diante das ciladas que os judeus estavam armando contra um cidadão romano, mandava-o para que o próprio governador cuidasse do caso.

-A situação era tão delicada que o tribuno destacou dois centuriões para levar Paulo, ou seja, Paulo foi escoltado por duzentos soldados, tudo para evitar que fosse morto pelo caminho, mesmo tendo o tribuno se adiantado e mandado o apóstolo para Cesareia às pressas, e de madrugada (At.23:23,24).

-Ao chegar a Cesareia, Félix leu a carta e disse que somente trataria do caso depois que os judeus formalizassem a acusação, tendo, antes, perguntado qual era a província de Paulo, reconhecendo, assim, a sua cidadania romana, tanto que mandou que ficasse no pretório de Herodes, uma prisão apropriada para um cidadão romano (At.23:34,35).

-Notamos, pois, como a cidadania romana invocada por Paulo foi decisiva para que o apóstolo não só passasse a ter condições de escapar do julgamento do Sinédrio, como também para que ficasse em condições dignas durante o seu encarceramento, tudo porque o objetivo do Senhor Jesus, assim como o do apóstolo, era levá-lo a Roma.

-As autoridades religiosas judaicas tinham pressa e, cinco dias depois, já foram a Cesareia e formalizaram a acusação contra Paulo. O próprio sumo sacerdote foi pessoalmente até lá, levando consigo o orador Tértulo, que, certamente, era um dos mais proeminentes, senão o mais proeminente advogado da região.

-Tértulo apresentou a sua acusação ao governador Félix, acusando Paulo de ser uma peste e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, sendo o principal defensor da seita dos nazarenos e que teria profanado o templo, motivo porque teria sido preso para ser julgado conforme a lei judaica, tendo sido indevidamente livrado pelo tribuno com grande violência, devendo, pois, segundo ele, ser novamente entregue ao Sinédrio e julgado conforme a lei de Israel (At.24:1-9).

-O governador, então, deu a palavra ao apóstolo que, como cidadão romano, tinha amplo direito à defesa.

-Paulo alegou que havia ido a Jerusalém para adorar no templo e que não havia provocado motim algum, seja no templo, seja nas sinagogas, seja na cidade, não tendo seus acusadores trazido qualquer prova sobre isto.

-Paulo admitiu que seguia o Caminho, que os acusadores chamavam de seita, tendo sempre crido na lei e nos profetas, como também crido na ressurreição dos mortos, sempre tendo uma consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens.

-Disse, ainda, que havia vindo a Jerusalém para trazer esmolas e ofertas e, quando, já santificado, adorando no templo, foi indevidamente acusado por judeus da Ásia que, inclusive, não tinham comparecido perante Félix, cujas acusações estavam completamente despidas de comprovação, tendo apenas dito, ao comparecer perante o Sinédrio, que cria na ressurreição dos mortos (At.24:10-21).

-Félix, após ouvir a defesa de Paulo, resolveu informar-se a respeito do teor da doutrina pregada por Paulo, a “seita dos nazarenos” para os judeus; o Caminho, para Paulo, a fim de que pudesse entender se a questão era religiosa ou política, após ter maiores informação do tribuno Cláudio Lísias, o que determinaria a competência do governo romano ou do Sinédrio, mantendo Paulo preso, mas com determinação para que fosse tratado na prisão como um cidadão romano (At.24:22,23).

-Vemos que Paulo contou toda a verdade, não negou a sua fé diante do governador, fazendo uso tanto do direito romano quanto da lei judaica para bem se defender e conseguiu o seu intento de protelar uma decisão. Usou de todo o conhecimento que tinha, mas, sobretudo, tratou de glorificar a Deus. É esta a conduta que sempre deve ser tomada por um servo de Deus.

-Alguns dias depois, Félix, acompanhado de sua mulher Drusila, que era judia, chamou Paulo e lhe perguntou a respeito da doutrina que pregava e, então, o apóstolo, sem perda de tempo, passou a pregar o Evangelho ao governador e a sua mulher. Paulo não perdia oportunidade para testificar de Cristo. Temos feito isto também?

-Quando o apóstolo começou a tratar da justiça, da temperança e do juízo vindouro, Félix ficou apavorado e mandou que Paulo parasse de falar e fosse levado de volta à prisão. O Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê e o governador fora confrontado com a vida pecaminosa. Lamentavelmente, em vez de continuar ouvindo e se arrepender dos pecados, preferiu encerrar a conversa (At.24:24-26).

-O governador, porém, ficou com sede da Palavra de Deus e chamou o apóstolo outras vezes, ainda que aguardasse que o apóstolo lhe desse dinheiro para ser solto, o que, evidentemente, nunca ocorreu. Félix não se converteu, mas perdeu a ignorância a respeito das coisas de Deus.

-Observamos aqui uma outra característica do sistema gentílico de poder – a corrupção, a venalidade. Félix queria dinheiro, propina, prática comum já naquele tempo para a solução dos problemas que envolvessem o poder público.

-O sistema político gentílico é o mundo do amor ao dinheiro, a raiz de toda espécie de males (I Tm.6:10) e como diz conhecida canção, “Money makes the world go around”, ou seja, “o dinheiro faz o mundo girar”.
-Paulo, porém, assim como não compactuava com a mentira, também não fazia uso da corrupção ou da propina, de modo que jamais ofereceu dinheiro ou aceitou qualquer insinuação do governador a este respeito.

-Lamentavelmente, não é isso que vemos, em nossos dias, em muitos que cristãos se dizem ser. São mentirosos e corruptos, repetindo assim a conduta da elite do reino de Israel nos dias do profeta Amós, seja porque “…rejeitaram a lei do Senhor e não guardaram os Seus estatutos, deixando-se enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais” (Am.2:4), seja porque “…vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos” (Am.2:6).

-E isto está particularmente disseminado em nosso país, paraíso da corrupção, onde já se chegou até a orar em gratidão pelo recebimento de propina…

-Esta situação perdurou por dois anos e, quando Félix foi substituído por Pórcio Festo, a fim de contentar os judeus, deixou a Paulo preso (At.24:27).

-Entendemos bem esta atitude de Félix porque, como nos dá conta o historiador judeu Flávio Josefo (37/8-100), o governador estava em grandes dificuldades em Roma por causa dos judeus de Cesareia, que tinham mandado embaixadores ao imperador para levar acusações contra o governador, a ninguém mais, ninguém menos, que Nero, um dos mais cruéis imperadores romanos da história. Com muita dificuldade, Félix conseguiu se livrar destas acusações, mas o imperador resolveu substituí-lo por Pórcio Festo (Cf. JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas, XX, 7, 852. In: História dos Hebreus. Trad de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro: CPAD, 1990, v.2, p.202).

III – PAULO EM CESAREIA – DEFESA PERANTE FESTO E O REI AGRIPA

-Assim que o novo governador, Pórcio Festo chegou a Cesareia, a capital romana da Judeia, foi até Jerusalém, para fazer as visitas protocolares de cortesia às autoridades judaicas, a começar do sumo sacerdote.

-O sumo sacerdote, que ainda era o mesmo Ananias, segundo a história (Ananias seria removido pouco depois por Herodes Agripa II, diz-nos Flávio Josefo), bem como os principais dos sacerdotes, aproveitando a mudança de governo, neste primeiro contato com Festo pediram que Paulo fosse trazido a Jerusalém para que fosse julgado pelo Sinédrio, pois intentavam armar ciladas no caminho para matá-lo (At.25:1-3).

-Festo não atendeu ao pedido, até porque precisava se inteirar do assunto, já que mal havia chegado a Judeia, dizendo que, quando fosse a Cesareia, trataria do caso, o que fez assim que chegou àquela cidade.

-Os judeus também vieram a Cesareia, até porque o novo governador disse que deveriam trazer as acusações que tivessem contra Paulo, o que fizeram, sem que, entretanto, tivessem como prová-las.

-Paulo, em sua defesa, negava ter violado seja a lei judaica, que tivesse profanado o templo bem como que não tivesse nada contra César, ou seja, que tivesse violado qualquer lei romana.

-Festo, como bom político, querendo agradar aos judeus, uma vez que estava recém-chegado e sabia quanto havia sofrido o seu antecessor com os judeus, propôs a Paulo que aceitasse ser julgado perante ele em Jerusalém, ou seja, seria julgado não pelo Sinédrio mas pelo próprio Festo, mas em Jerusalém, como queriam as autoridades judaicas (At.25:9).

-Paulo, então, uma vez mais, invoca a sua cidadania romana, dizendo que, como romano, tinha de ser julgado pelos romanos e, então, pede para ser julgado diretamente pelo imperador, como era seu direito (At.25:10,11).
-Paulo sabia que o Senhor Jesus queria que ele testificasse em Roma e, ao apelar para César, estava transferindo seu julgamento para Roma, para onde iam os presos que apelavam para o imperador. Fazia, pois, Paulo tudo dentro da vontade do Senhor.

-Festo também gostou do apelo, porquanto se livrava deste problema que já se apresentava no início de sua gestão na Judeia. Os únicos prejudicados eram as autoridades judaicas que, diante da situação, perdiam, de vez, a possibilidade de matarem Paulo, já que não queriam senão armar ciladas para matar o apóstolo enquanto ele fosse levado para Jerusalém.

-Passados alguns dias, chegou a Cesareia o rei Agripa, ou seja, Herodes Agripa II, que estava em plena ascensão política, pois, pouco a pouco, estava restabelecendo o reino de Herodes, o Grande, seu bisavô. Agripa e sua mulher Berenice vinham também visitar protocolarmente o novo governador (At.25:13).

-Festo, então, falou do caso de Paulo para o rei, dizendo que precisava preparar a documentação para encaminhar Paulo ao imperador, mas que não achava ter dados suficientes, motivo pelo qual pedia a ajuda do rei para poder cumprir os seus deveres burocráticos, tendo o rei aquiescido em ouvir o apóstolo (At.25:13-22).

-Festo, ao dar seu parecer a Agripa, mostrou que entendeu que não havia qualquer questão política envolvida e que as acusações eram de natureza religiosa e que diziam respeito a “um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver” (At.25:19).

-Vemos aqui como Paulo era objetivo em sua exposição da fé. Festo havia falado com ele, e num contexto de uma audiência judicial, uma única vez, mas, mesmo assim, já sabia que Paulo pregava Cristo e que Cristo havia ressuscitado. Temos esta mesma objetividade ao falarmos do Evangelho? As pessoas têm esta mesma noção do que cremos após o primeiro contato que tiveram conosco? Pensemos nisto!

-Não nos esqueçamos que o próprio apóstolo afirmou que somos salvos se, com a boca, confessarmos o Senhor Jesus e, no coração, crermos que Deus O ressuscitou dos mortos (Rm.10:9).

-No dia seguinte, Festo mandou trazer Paulo à presença de Agripa e Berenice, num auditório onde estavam o tribuno e varões principais da cidade, um verdadeiro evento social no qual o governador aproveitaria para colher as informações que precisava para elaborar a documentação que mandaria para Roma a respeito do caso de Paulo, formalizando, desta forma, as acusações (At.25:23-27).

-Agripa, então, deu a palavra a Paulo que começou a sua defesa, tendo, então, retomado o mesmo tema que falara à multidão no dia em que fora preso, há mais de dois anos, em Jerusalém (At.26:4-29).

-Disse, uma vez mais, que, desde a mocidade, havia sempre observado a lei de Moisés e que era fariseu e que estava sendo julgado pela esperança da promessa por Deus feita aos pais de Israel, ou seja, a ressurreição, mantendo, assim, a questão da divisão existente entre as autoridades judaicas, dizendo que estava sendo julgado por causa da crença na ressurreição.

-Paulo relembra que, como fariseu, iniciou uma perseguição contra o nome de Jesus, o Nazareno, praticando muitos atos contra Seus seguidores em Jerusalém, recebendo poderes dos principais dos sacerdotes para encerrá-los nas prisões, deu o seu voto contra eles quando os matavam, castigou-os muitas vezes por todas as sinagogas, bem como os obrigou a blasfemar.

-Paulo, então, diz que, enfurecido demasiadamente contra eles, perseguiu-os até em cidades estranhas, tendo recebido poder e comissão dos principais dos sacerdotes para fazê-lo em Damasco, quando, no caminho, ao

meio-dia, viu uma luz do céu que excedia em resplendor a luz solar e cuja claridade envolveu tanto o apóstolo quanto a sua comitiva.
-Paulo, então, contou ao rei que caiu por terra e ouviu uma voz que, em língua hebraica, falava-lhe: Saulo, Saulo, por que me persegues?

-Em resposta, o apóstolo disse que perguntou quem era, já chamando aquela personagem de Senhor, tendo Ele Se identificado como sendo Jesus, a quem Paulo perseguia, tendo, então, Jesus mandado que se levantasse, entrasse em Damasco, pois seria ele ministro e testemunha tanto das coisas que tinha visto como daqueles pelas quais lhe apareceria ainda, pois tinha por missão abrir os olhos das pessoas e das trevas os converterem à luz e do poder de Satanás a Deus a fim de que recebessem a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela fé em Jesus.

-Paulo disse, então, ao rei que não tinha sido desobediente à visão celestial, tendo, então, anunciado primeiramente esta mensagem em Damasco, depois em Jerusalém e por toda a terra da Judeia e aos gentios.

-Paulo disse que era esta a razão pela qual os judeus lançaram mão dele no templo e procuravam matá-lo, mas ele tão somente estava a pregar o que já estava escrito na lei e nos profetas, de que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz tanto aos judeus quanto aos gentios.

-Festo, então, interrompeu o apóstolo, dizendo que Paulo estava louco e que as muitas letras o faziam delirar. Paulo respondeu ao governador, dizendo que não estava delirando, mas falava palavras de verdade e de um são juízo, invocando, inclusive, o testemunho do rei Agripa e seu conhecimento a respeito da lei e dos profetas.

-A reação de Festo traz-nos duas importantes lições. A primeira é a de que, aos olhos do mundo, a pregação do Evangelho é uma loucura, como, aliás, constatou o próprio apóstolo Paulo em I Co.1:18 e 1:23.

-A palavra grega em foco para “loucura” é “mória” (μωρία), cujo significado é “bobagem, absurdo, tolice”. As coisas de Deus não são apreensíveis pela mente humana e a razão fica sem compreendê-las, de modo que as recusa, que as considera incompreensíveis, “sem lógica”.

-Não é para menos porque os pensamentos e caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos e pensamentos (Is.55:8,9), somente sendo conhecidos por nós pela revelação divina.

-Somente quando alcançamos a salvação, crendo na pregação, ficamos a saber que o Evangelho é o poder de Deus, “visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela Sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (I Co.1:21).

-Para Festo, Paulo estava delirando, mas o apóstolo fez questão de dizer que suas palavras eram palavras de verdade e de um são juízo.

-A segunda lição é a de que Paulo era reconhecido como um estudioso, um leitor voraz, um homem de letras. Certamente, enquanto estava preso, Paulo não deixou de consultar os livros e os pergaminhos (II Tm.4:13), até porque estava preso no que poderíamos chamar de “cela especial”, sendo tratado com brandura, no pretório de Herodes (At.23:35; 24:23).

-Não pode o servo do Senhor, notadamente aquele que tem lugar de proeminência na igreja local, deixar de ser um estudioso, alguém que esteja constantemente estudando tanto as Escrituras quanto outras obras, devendo, também, ser alguém que esteja sempre atualizado com as notícias quotidianas.

-Agripa, então, tomou a palavra e disse que, ante o discurso de Paulo, por pouco não se tornava cristão e o apóstolo, então, respondeu que era seu desejo que não só ele mas todos quantos o estavam ouvindo se tornassem cristãos.

-Todos então se retiraram do local e comentaram tanto o rei quanto o governador que Paulo nada havia feito de errado e que, se não tivesse apelado para César, era caso de ser solto.

-O apóstolo aproveitava, mais uma vez, para pregar o Evangelho, e o fazia com excelência, tanto que chegou mesmo a influenciar o rei Agripa, que convenceu que por pouco não se convertera ao Evangelho.

-A reação de Festo e de Agripa ao discurso, onde constataram a inocência do apóstolo, fez com que as acusações formais contra Paulo fossem bem fracas, tendo sido, entendemos, este um fator decisivo para que Paulo tenha sido absolvido no seu primeiro julgamento em Roma.

-Entretanto, era propósito de Deus que Paulo fosse para Roma e, portanto, não havia como ter-se outra solução senão o seu encaminhamento para a capital do Império.

-Há cerca de três anos antes, o apóstolo tinha imaginado ir a Jerusalém até o dia de Pentecostes, entregar suas ofertas aos crentes pobres de Jerusalém e da Judeia, embarcar num navio para Roma e lá, depois de ficar um tempo com os irmãos, ser por eles enviado para a Espanha.

– Três anos depois, Paulo iria mesmo para Roma, mas não como passageiro em um navio, mas como prisioneiro, em meio a tribulações. Não era este o modo como havia imaginado, mas sua ida a Roma era certa, Paulo sabia que iria pregar o Evangelho na capital do Império, só não sabia que as tribulações não haviam ainda se encerrado até que ele chegasse lá…

 Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12639-licao-10-uma-esperanca-inabalavel-perante-os-poderosos-i

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