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JUVENIS | LIÇÃO 12 – Cuidado com o Ego e Suas Ambições

Este será o título da nossa décima segunda aula do terceiro trimestre do ano de 2023, da classe Juvenis.

A paz do Senhor, querido aluno e professor da Escola Bíblica Dominical!

Sou Damares, professora da EBD na congregação em que sirvo ao Senhor, na Assembleia de Deus em Curitiba. Estou aqui para que possamos dar continuidade ao nosso estudo desta revista, em que estamos aprendendo mais a respeito das Epístolas Gerais.

Hoje, para a glória de Deus e para a nossa edificação e a dos nossos juvenis, estamos chegando à 12ª aula, a penúltima aula desta lição.

Hoje falaremos e aprenderemos juntos mais a respeito da terceira epístola de João.

Esta lição está prevista para ser ministrada no próximo domingo, dia 17 de setembro, e teremos como versículo-chave o texto que está em 3 João, no seu único capítulo, no versículo 3:

“Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade.”

A leitura bíblica em classe traz novamente o texto do único capítulo de 3 João, dos versículos 5 ao 11. Vamos ler juntos:

“Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos e para com os estranhos, que em presença da igreja testificaram do teu amor, aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás; porque pelo seu nome saíram, nada tomando dos gentios. Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade.

Tenho escrito à igreja, mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem receber, e os lança fora da igreja.

Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.”

Objetivos da aula

Como objetivos para a aula de hoje, temos o seguinte:

  1. Explicar para os nossos juvenis o conteúdo da epístola, citando e trazendo as referências de Gaio e Diótrefes.
  2. Fazer com que os nossos juvenis conheçam as características de um cristão fiel e obediente.
  3. Enfatizar para os nossos juvenis a luta contra a rebeldia e o sentimento egoísta.

Aqui, no título da nossa lição, temos este alerta: cuidado com o nosso ego e as nossas ambições.


1. INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA

Nesta sessão do “Conectados com Deus”, logo abaixo da leitura bíblica em classe, temos uma definição de ego que achei muito válida para fazermos essa leitura com os nossos juvenis e para que nós, professores, tenhamos uma noção mais clara do que é ego.

Às vezes, ouvimos uma palavra sendo citada várias vezes ao longo da nossa caminhada educacional, mas nunca paramos para pensar no que ela significa e no que aquela palavra carrega.

Então, veja só:

Ego é o “eu”.

Esse é o significado do grego da palavra “ego”.

Nós possuímos, enquanto seres humanos e pecadores, a tendência de sempre buscar, e alguns até a qualquer custo, a satisfação do próprio ego.

Isso é o que chamamos de egoísmo, e é extremamente perigoso.

O egoísta revela, através de suas ações, a ganância, a cobiça, a idolatria e o culto a si próprio. Ele acredita também que as suas escolhas e as suas preferências são superiores a tudo e a todos.

O alerta bíblico é claro:

Cuidado com o ego e suas ambições!

Oremos para que o Senhor guarde o nosso coração do egoísmo.

Nós já vamos entender isso à medida que caminharmos um pouco mais nesta aula, porque a lição fala sobre o ego e traz, em seu título, o alerta para que tenhamos cuidado com ele.

1.1. O contexto da terceira epístola de João

O apóstolo João, aproximadamente no ano 90 depois de Cristo, lá na cidade de Éfeso, escreve a sua terceira carta ao amado irmão Gaio, que era um cristão proeminente.

O propósito era elogiá-lo pela sua hospitalidade e generosidade em receber os missionários enviados, ao mesmo tempo em que o advertia contra pessoas como Diótrefes, que falava mal do ministério e, não contente com isso, não recebia os irmãos, impedia os que queriam recebê-los e os lançava fora da igreja.

Então, o contexto que temos aqui no primeiro tópico é o seguinte:

Eu até vou deixar para os irmãos, aqui no card, a aula que lecionei na semana passada, a lição de número 11 para a classe de adolescentes, que fala exatamente da mesma lição. Acredito que ela possa trazer um contexto um pouco melhor para os irmãos.

Mas, para termos um breve contexto:

Quando falamos de Igreja Primitiva, naquela época existiam muitos professores da Bíblia que haviam sido discipulados, em grande parte, pelos próprios apóstolos de Cristo, como era o caso de João e também de Paulo, além de vários dos Pais da Igreja que saíam pelas igrejas que estavam sendo fundadas para ensinar a Palavra.

Nós precisamos nos lembrar disso e contextualizar também os nossos juvenis, pois a igreja estava nascendo. O cristianismo estava nascendo.

Então, muitos dos irmãos que vinham para Cristo, que aceitavam o sacrifício de Cristo e o reconheciam como Deus, eram pessoas que haviam ouvido falar do judaísmo e, portanto, precisavam aprender algumas coisas novas a respeito do que era o cristianismo.

Para que eles não judaizassem o cristianismo, temos vários alertas nas cartas do Novo Testamento para que não houvesse essa judaização do cristianismo, que era uma nova forma de se relacionar com Deus.

Também tínhamos pessoas que vinham de outras religiões que existiam naquela época. Havia gregos, egípcios e pessoas de outras localidades que não conheciam a Cristo e estavam acostumadas a viver em um mundo em que existiam muitos deuses.

Então, eles precisavam ser discipulados para que aprendessem a crer em Deus, a conhecer a verdade de Cristo e a saber quais eram as doutrinas desse Evangelho que estavam professando.

Lembrando que, nesta época, muitos deles morriam literalmente, perdendo suas vidas por causa da confissão do Evangelho.

Então, muitos saíam ensinando essas igrejas.

Quando o apóstolo João elogia Gaio pela sua hospitalidade, é porque Gaio abria as portas de sua casa para receber os apóstolos, missionários e professores da Palavra que vinham ensinar a igreja na qual ele congregava.

Já Diótrefes era alguém que não queria receber essas pessoas. Ele não era hospitaleiro, expulsava muitos desses irmãos que vinham até a sua cidade e ainda dava um jeito de influenciar os outros irmãos para que também fechassem as portas de suas casas.

Então, estamos diante de um homem, Diótrefes, que dizia reconhecer Cristo como Salvador, mas contaminava a igreja.

Era um obreiro que, infelizmente, não tinha um bom testemunho e não era digno de elogio.

Por isso, o apóstolo João escreve para Gaio, alertando-o a não ser como Diótrefes, mas parabenizando-o pelo seu esforço em ser diferente e em ter um bom testemunho.

Esse é um contexto básico do motivo pelo qual João estava escrevendo e da razão pela qual Gaio era hospitaleiro, enquanto Diótrefes não era.


2. O CRISTÃO VERDADEIRO

2.1. Fiel em tudo

João elogia o seu amigo Gaio, dizendo que ele é fiel em tudo.

Óbvio que isso não significava que ele não cometesse pecados, mas que procurava, com todas as suas energias, fazer a vontade de Deus.

Ele não era apenas bem-intencionado, mas se conduzia de maneira apropriada, cristã e sincera, sem causar escândalos ao Evangelho.

Naquela época, não havia redes sociais nem mídia. As notícias se difundiam com menor intensidade e rapidez, de maneira bastante diferente dos dias atuais.

Mas, mesmo assim, chegou ao conhecimento do apóstolo João o bom testemunho de Gaio e o amor com que ele servia a Deus.

A pergunta que não quer calar é:

Será que as nossas redes sociais glorificam a Deus?

Será que as informações publicadas, curtidas e compartilhadas sobre nós têm o mesmo bom cheiro de Cristo daquilo que se dizia sobre Gaio?

Essas são perguntas bastante atuais e podem ser contextualizadas com a carta de 3 João.

Nós estamos vendo o apóstolo João elogiar Gaio pelo seu bom testemunho, mas isso nos faz refletir a respeito do nosso próprio testemunho.

Ele é bom ou ruim?

Nós é que precisamos avaliar o nosso testemunho. Precisamos olhar para nós mesmos, estar diante de um espelho e reconhecer se temos um bom testemunho, se damos um bom testemunho de Cristo ou se damos um mau testemunho, às vezes até um péssimo testemunho de Cristo.

E aqui se fala sobre o que as nossas redes sociais dizem.

Hoje, o nosso maior contato com o mundo e com as pessoas que não estão fisicamente próximas de nós é pelas redes sociais.

Às vezes, passamos semanas, meses ou até anos sem ver muitas das pessoas que estão ali nas redes sociais, pessoas que já conhecemos em algum momento e que demoramos para reencontrar pessoalmente.

Mas estamos vendo essas pessoas, conversando com elas e acompanhando seus Stories e suas publicações todos os dias nas redes sociais.

Então, a pergunta que não quer calar é:

Qual é o testemunho que estamos dando nas redes sociais?

Professor, qual é o seu testemunho nas redes sociais?

Qual é o testemunho dos seus alunos, dos seus juvenis?

Será que, pelas nossas redes sociais, estamos evangelizando ou nos tornando pedras de tropeço?

Será que o Evangelho está sendo glorificado através do que postamos, curtimos, compartilhamos e até do que assistimos?

Ou será que o Evangelho está sendo envergonhado por causa de nós?

Essas são perguntas que não veremos os falsos mestres fazendo.

A maior parte dos falsos ensinadores que pregam um falso evangelho não está preocupada em nos ensinar a ter um bom testemunho.

Mas isso era algo com que os Pais da Igreja estavam muito preocupados: que tivéssemos um bom testemunho.

E eles sempre nos alertam a ter um bom testemunho, porque o Evangelho é conhecido por muitos através de nós.

Nós somos embaixadores de Cristo.

Nós somos representantes de Cristo aqui na Terra.

Muitas pessoas que não têm contato com a igreja, que não conhecem o Senhor e que nunca tiveram uma experiência com Deus, apenas ouvem falar de Jesus em diferentes lugares.

Às vezes, ouvem um católico falando, depois um espírita, um cristão, mas não sabem diferenciar o Jesus apresentado por cada uma dessas pessoas.

Elas ouvem um pouco de cada lado a respeito de Jesus, mas não foram à fonte. Não tiveram uma experiência com o Senhor. Não leram a Palavra. Portanto, não conhecem Cristo de forma real.

Mas conhecem os seguidores dele.

E, muitas vezes, os seguidores de Cristo não aproximam a pessoa dele, mas a afastam.

Por isso, tenho dito desde o início do canal — nós completaremos, na sexta-feira desta semana, no dia 15, um ano de canal desde o primeiro vídeo — que possamos orar ao Senhor, pedindo forças, sabedoria e discernimento para não sermos pedras de tropeço para aqueles que ainda não conhecem a Cristo.

E também para os nossos irmãos que já conhecem a Cristo, mas que talvez estejam vivendo um momento de enfraquecimento espiritual.

Então, que tenhamos cuidado com o nosso testemunho.

Às vezes, entro nas redes sociais de alguns adolescentes que conheço e percebo como os critérios ainda não estão bem definidos, até por conta da imaturidade, sobre aquilo que pode ser compartilhado e aquilo que não convém.

É claro que podemos compartilhar o que quisermos em nossa rede social.

Só que, como cristãos, existem publicações, vídeos e algumas pessoas, inclusive alguns influenciadores digitais, que não deveríamos compartilhar e que não deveríamos sequer assistir, dando palco e audiência ao que estão fazendo.

Mas, muitas vezes, infelizmente, acabamos fazendo isso.

Então, perceba como precisamos ser ensinados desde muito novos:

Cristão precisa ter um bom testemunho.

Ele precisa glorificar o Deus que serve.

Ele é um embaixador, um representante do Reino de Deus.

E nós precisamos, por causa de Cristo e de tudo que o Senhor tem para oferecer a toda a humanidade, ter cuidado com o que as pessoas estão enxergando em nós e com o que estão dizendo de nós.

Porque, quando elas nos criticam por causa da nossa fé, é uma coisa.

Agora, quando nos criticam porque o nosso testemunho e o nosso comportamento não condizem com a fé que dizemos professar, aí precisamos tomar cuidado.

2.2. Ama indistintamente

Aqui, no nosso segundo subtópico do tópico 2, temos:

Ama indistintamente.

A expressão pode ser um pouco difícil de falar, mas significa alguém que ama sem fazer distinção.

O padrão de amor de Gaio também glorificava a Deus, pois ele cuidava bem tanto de judeus como de estrangeiros.

Afinal, quem ama como Jesus não faz acepção de pessoas.

Será que o meu e o seu jeito de amar as pessoas traz alegria ao Senhor?

Às vezes, acabamos fazendo distinções entre as pessoas.

Podemos ser verdadeiros aqui uns com os outros:

Às vezes, olhamos para uma pessoa e pensamos: “Nem vou falar de Jesus.”

Ou pensamos: “Esse aí já está muito perdido.”

Nós temos esse costume.

João está elogiando Gaio porque ele amava sem fazer distinção, como Cristo amou.

Claro que nós não somos perfeitos como Cristo é, até porque Cristo é o nosso Senhor, é o nosso Deus.

Mas Ele nos demonstrou e nos deu um padrão de amor a ser seguido, uma forma de amar que o agrada e que o glorifica.

E existe também uma forma de agir que não agrada, que não glorifica a Deus e que, na verdade, não é uma forma de amor.

Então, percebamos como é importante termos o amor que Cristo nos dá.

Porque de nós não provêm naturalmente as coisas boas. Nós somos canais do amor que vem dele, porque Cristo é a fonte de todo o amor e ama sem distinção.

Então, o nosso modelo de como amar deve ser o modelo que Cristo nos deu ao morrer por todos nós, quando ainda éramos inimigos dele.

Quando você encontrar alguém que é resistente ao Evangelho, ore por aquela pessoa com amor.

Ame essa pessoa em Cristo Jesus e profetize que ela, em breve, será um irmão ou uma irmã em Cristo Jesus.

É importante que tenhamos amor pelas pessoas sem fazer acepção.

O Senhor pode salvar todas as pessoas.

Ele me salvou, te salvou.

Nós não éramos melhores do que as outras pessoas, e o Senhor ainda assim nos alcançou.

Nós também éramos inimigos quando Ele nos amou primeiro.

Então, que possamos ter essa atitude de amar as pessoas.

O grande problema de Diótrefes era que ele estava tão focado no seu próprio benefício e em se promover que não amava e se esquecia de amar as pessoas.

E nós, como cristãos, não podemos nos esquecer de que o amor de Cristo não é o amor que o mundo diz que existe.

O amor cristão é o que nos diferencia das outras pessoas, porque Cristo nos ensina a amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.

Nós nos amamos, não é?

Desejamos o bem para nós mesmos.

Também precisamos aprender a desejar esse mesmo bem às pessoas que estão ao nosso redor.


3. OPOSIÇÃO À OBRA DE DEUS

3.1. Diótrefes pelo poder

Temos aqui uma oposição à obra de Deus.

Diótrefes era um homem que se dizia cristão lá no primeiro século, mas não conhecia Deus, pois fazia o mal.

Ele não queria apenas ser grande, mas também queria ser o maior.

Era arrogante e orgulhoso e parecia o próprio diabo.

Misericórdia!

Esse obreiro não tinha as qualidades de um discípulo do Senhor Jesus e, por essa razão, o apóstolo João faz declarações fortes contra ele.

Nós também precisamos ser cuidadosos para que a nossa vida pessoal, as nossas ambições e o nosso ego, como falamos no início, não entrem em conflito com os interesses do Reino de Deus.

Aqui há um ponto muito importante.

Não há nada de errado em um obreiro, em um jovem ou em um irmão que vem para o Senhor, conhece a Palavra, conhece o Evangelho, conhece uma igreja e deseja ser um obreiro da casa do Senhor.

Que deseja ser cooperador, diácono, presbítero e chegar ao pastorado.

Também não há nada de errado em uma jovem que almeja ser líder do Círculo de Oração, regente do coral ou do Círculo de Oração.

Nem em um músico que sonha em ser maestro da orquestra da igreja.

Não há nada de errado em almejar posições de destaque dentro da igreja.

Só precisamos tomar cuidado para que, na vontade e na ânsia de alcançar uma posição de destaque, não nos esqueçamos de que o Reino é de Deus, de que a obra é de Deus e de que nós somos instrumentos do Senhor, e não a causa da obra.

Porque muitos líderes, infelizmente, se apegam aos cargos e às funções que desenvolvem dentro da igreja.

Eu já ouvi várias vezes — talvez você também já tenha ouvido algum líder, regente, enfim — dizer:

“Se eu sair desse departamento, o departamento afunda.”

Há obreiros que, às vezes, na tentativa de elogiar um pastor, acabam passando do ponto e dizendo:

“Se o pastor Fulano sair daquela igreja, a igreja acaba, a igreja fecha.”

Quando, na verdade, a obra é de Cristo.

A igreja não acaba por causa de um pastor.

Ela continua desde o primeiro século. Estamos no século XXI, e a igreja tem permanecido porque ela não existe por causa de nós, nem por causa dos nossos pastores, ou mesmo por causa de João e Paulo.

Ela existe por causa de Cristo.

É por isso que ela não acaba.

Nós somos contribuintes para esta causa. Somos instrumentos para que a igreja continue, mas não somos a causa dela.

Então, se o Senhor nos der a oportunidade de estarmos à frente de um departamento ou mesmo de uma igreja, em uma experiência como pastores, que saibamos que estamos ali como instrumentos do Senhor.

Estamos ali como mais uma pessoa que está fazendo um trabalho para o Senhor.

É por causa do Senhor.

Por isso, é Ele quem dá a hora de começar e a hora de terminar.

Diótrefes era alguém que colocava seus próprios desejos e suas próprias ambições na frente do Reino de Cristo.

Ele se esquecia de que a Igreja era de Cristo e não dele mesmo.

Talvez ele fosse a pessoa que cedia a casa para que os cultos acontecessem. As primeiras igrejas aconteciam dentro de casas.

Só que a igreja não era dele.

Quantas vezes não vemos irmãos que, às vezes, doam o terreno em que a igreja foi construída e se sentem donos da igreja?

Famílias, às vezes, que se sentem donas das igrejas.

E não são.

A Igreja é de Cristo.

A gente passa um tempo em uma igreja e contribui com ela. Devemos contribuir da melhor forma possível.

Se você canta, contribua cantando. Seja um instrumento do Senhor na área do canto.

Se você toca, que possa contribuir dessa forma.

Se você prega, ministra ou é professor da Escola Dominical, faça para o Senhor, com as suas melhores intenções e da melhor forma que conseguir, prestando um bom serviço ao Senhor.

Só não se apegue ao cargo, achando que você é dono dele.

Diótrefes colocava os próprios desejos e as próprias ambições na frente de Cristo, na frente do entendimento de que a obra era de Deus e não dele.

Esse é um cuidado que todos nós precisamos ter.

Uma coisa é você desejar chegar à mais alta posição dentro de uma igreja para contribuir da melhor forma possível com o Reino.

Outra coisa é ter sede pela posição, sede pelo poder, desejo de ser como eles são.

Ele não queria apenas ser grande, mas crescer e ser o maior de todos.

E o Senhor nos livre desse sentimento.

Nós todos somos, por conta da queda e do pecado, muitas vezes tentados a ser dominados pelo nosso ego.

Mas que saibamos controlar o nosso ego e as nossas ambições, entendendo que, dentro do Reino de Deus, não existe maior e menor.

Existe Cristo e os seus servos.

E nós todos estamos na posição de servos do nosso Jesus, que é o nosso irmão mais velho.

Amém.

3.2. Desrespeito aos líderes da igreja

A oposição à obra de Deus feita por Diótrefes era tão intensa que ele falava mal de João e sequer o recebia.

Considerava-o, pelo visto, como um inimigo do trabalho do Senhor.

Certamente, a influência desse pastor fraudulento, que desejava assumir o mais alto posto institucional eclesiástico, estava trazendo alguns prejuízos ao andamento da obra missionária.

Até o ponto em que, segundo alguns teólogos, provavelmente essa carta foi pessoalmente recepcionada pelas mãos de Demétrio, que era obreiro aprovado.

Que o Senhor guarde a sua igreja de pessoas inescrupulosas, ambiciosas e rebeldes, que causam distensão e divisão, como Diótrefes, e que buscam apenas os seus interesses e não os interesses de Deus.

Então, o contexto que entendemos é que, muito provavelmente, o apóstolo João escreveu esta carta no ano 90 depois de Cristo.

Segundo os historiadores da igreja, ele era provavelmente o último apóstolo de Cristo vivo.

Nós sabemos que João foi o apóstolo que faleceu de morte natural. Tentaram matá-lo a todo custo, mas não conseguiram.

E, antes de ele ir para a ilha de Patmos, muito provavelmente escreveu esta carta, a terceira de João, lá em Éfeso.

Ele era provavelmente a pessoa que tinha o mais alto cargo eclesiástico por ter sido obreiro de Cristo, apóstolo do Senhor e por ter acompanhado todo o nascimento da igreja.

Ele provavelmente recebia essa honra de ser considerado o servo de Cristo mais antigo, que viu Jesus pessoalmente, que o acompanhou, que foi discípulo do nosso Senhor, que esteve aos pés de Cristo na cruz e que viu Cristo ressuscitado.

São João, com certeza, viu tudo isso.

Era por isso que Diótrefes fazia oposição direta a João.

Ele talvez quisesse assumir esse posto que era de João, o humilde apóstolo João, que não se colocava acima dos outros, mas no lugar em que todos nós devemos estar:

o lugar de servos de Jesus Cristo.

3.3. Aversão aos companheiros

Os maus obreiros, além de terem uma motivação ilegítima e pregarem rebelião contra os ministros de Deus, ainda atuam para impedir que outras pessoas cooperem com aqueles que trabalham na obra do Mestre.

Essa aversão acentuada aos companheiros, a ponto de impedir a prosperidade de outros irmãos, demonstra uma total repulsa aos princípios do Reino de Deus.

João, por exemplo, ao escrever o Apocalipse, afirmou que era companheiro na aflição e no Reino.

É bem diferente do sentimento de Diótrefes.

Ele era alguém que tinha aversão aos seus companheiros.

Sabe aquelas pessoas que querem ter toda a igreja e fazer tudo sozinhas para levar a glória sozinhas?

Sabe aquelas pessoas que estão no cargo há 10, 15 ou 20 anos e querem que agora tudo seja delas?

Acontece.

A gente encontra essas pessoas, infelizmente.

Assim como existia Diótrefes na Igreja Primitiva, também existem alguns Diótrefes hoje.

Nós precisamos aprender a reconhecê-los e a não ser como eles.

Como eu falei, vou repetir novamente:

A obra é de Cristo.

E, dentro do Reino de Cristo, todos nós, que não somos Cristo, temos uma posição igual: a posição de servos.

Alguns servem como pastores.

Outros servem como membros.

Alguns servem como obreiros e diáconos da casa do Senhor.

Outros servem como missionários.

Mas todos servem.

Não importa a posição que o servo esteja ocupando. Importa que ele está servindo e que o sentimento que o motiva a servir seja o amor a Cristo e à obra de Deus.

E nunca, jamais, o amor ao cargo, à função ou aos possíveis aplausos.

Porque a obra é de Cristo.

Nós somos todos transitórios.

Assim como João veio, fez o que precisava fazer e partiu, nós também estamos aqui agora.

Espero que todos estejam fazendo o que o Senhor colocou em nossas mãos.

Daqui a pouco, também chegará o dia em que finalizaremos as nossas ações aqui e o Senhor nos chamará, seja em um encontro individual com a nossa morte física ou coletivo, com o arrebatamento da igreja.

O fato é que chegará o dia em que finalizaremos as nossas ações e as nossas funções aqui.

É por isso que precisamos ter o sentimento correto na obra do Senhor, que é o sentimento de:

“Eu estou servindo.”

Seja como professor da classe Juvenis ou como pastor da igreja, eu estou servindo.

E a causa deste nosso serviço é o nosso amado Senhor Jesus.


4. CONSELHOS E CONCEITOS

4.1. Não seguir o mal

Após expor a conduta não cristã de Diótrefes, João aconselha que Gaio não siga o caminho trilhado por ele, haja vista que seguir o mal nunca é uma boa opção.

A pessoa prejudica a si mesma, além de agir contra Deus.

Quando alguém pratica o mal, como Diótrefes ou como Judas, em primeiro lugar demonstra que foi vencido pelo diabo, abandonou a Cristo e se constituiu como seu próprio senhor.

Que perigo!

Que perigo é alguém se constituir como seu próprio senhor, não responder a ninguém e não reconhecer nenhuma autoridade sobre si, tornando-se a sua própria autoridade.

A melhor coisa que temos a fazer nesta vida é entender que somos chamados para servir a Cristo e que não temos a nós mesmos como senhor.

Porque quem não tem a Cristo como Senhor, com certeza tem o diabo como senhor.

Foi o próprio Jesus quem nos ensinou que não é possível servir a dois senhores.

Então, quando não estamos servindo a Cristo, estamos servindo ao outro lado, que é o diabo.

Quem se coloca como seu próprio senhor já abriu espaço para o diabo, o inimigo das nossas almas.

Porque quem se interessa mais em que façamos tudo o que temos vontade e em que aceitemos os nossos desejos mais profundos é o inimigo das nossas almas.

Então, que possamos sempre nos lembrar de nos diminuir e de nos esvaziar de nós mesmos, para que Cristo cresça e nos preencha todos os dias.

Assim, negando a nós mesmos e tomando a nossa cruz, podemos seguir ao nosso Senhor.

4.2. Quem faz o bem é de Deus

João, em seguida, menciona algo singelo, simples, porém muito profundo:

“Quem faz o bem é de Deus.”

Ou seja, Deus é a fonte de toda a bondade, beleza e amor.

É por isso que tudo que envolve bondade e benignidade tem a ver com o mover de Deus.

Por outro lado, os maus, aqueles que agem contra a vontade do Senhor, não conhecem a Deus, como era o caso de Diótrefes.

Todos nós temos, diante da vida, escolhas a serem feitas:

Bênção ou maldição.
Vida ou morte.

Cabe a cada um de nós escolher qual caminho iremos seguir.

Amém.


CONCLUSÃO — UMA LIÇÃO SOBRE NOSSAS MOTIVAÇÕES

Professor, aluno que chegou até aqui, estamos diante de uma lição que nos faz refletir a respeito de algo que só o Evangelho nos leva a pensar.

É sobre as nossas ambições.

É sobre o nosso ego.

É sobre qual é o nosso papel no Reino de Cristo.

É sobre qual é a motivação que nos leva a trabalhar para o Senhor.

Então, que você, professor, possa estar debaixo de oração, em espírito de oração, conhecendo o conteúdo da lição, para que você selecione os seus juvenis e os leve a pensar:

Por qual motivo eles querem servir a Cristo?

Ou talvez:

Por qual motivo eles não querem servir a Cristo na igreja?

Às vezes, temos casos de juvenis que não querem executar nenhuma função dentro da igreja.

Às vezes, não querem nem cantar no grupo de adolescentes ou jovens porque não querem fazer parte.

Então, que possamos refletir juntamente com eles:

Qual é a motivação do nosso coração?

Seja para estar participando dos grupos dentro da igreja, seja para não estar participando.

O que nos motiva a tomar essa decisão?

Se participamos dos grupos e estamos ali ativos, que a nossa motivação seja servir a Cristo e servir ao Reino da melhor forma possível.

Se não estamos participando, precisamos entender:

Por quê?

Será que nos consideramos muito bons para aquilo?

Será que achamos que não importa?

Qual é a nossa motivação?

Precisamos levar os nossos juvenis a refletir a respeito disso.

E que nós também possamos refletir sobre o motivo pelo qual estamos servindo ao Senhor como professores da Escola Bíblica Dominical para a classe Juvenis.

Qual é a nossa motivação?

Qual é a nossa verdadeira intenção?

Que possamos ter em nossa intenção o mesmo sentimento que tinha o irmão Gaio, e não o sentimento do irmão Diótrefes.

Na nossa igreja, no meio de nós:

Será que somos como Diótrefes ou somos como Gaio?

Que essa reflexão possa nos fazer pensar um pouco.

Que essas palavras e essas perguntas lançadas nos façam refletir:

Nós somos como Gaio ou somos como Diótrefes?

Bom, Deus abençoe!

Muito obrigada por ter chegado até aqui e até a próxima.

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