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LIÇÃO Nº 13 – O PODER DE DEUS NA MISSÃO DA IGREJA

 

INTRODUÇÃO

-Na sequência do estudo da Eclesiologia, a doutrina bíblica da Igreja, estudaremos hoje a questão do poder de Deus na missão da Igreja.
-A Igreja só pode atuar mediante o poder de Deus.

I – A IGREJA É A MORADA DE DEUS NO ESPÍRITO

-Já temos visto, neste trimestre, que, como afirma a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, “…Entendemos que a função primordial da Igreja é glorificar a Deus:

‘quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus’ (I Co.10:31). Isso é feito por meio da adoração, da evangelização, da edificação de seus membros e do trabalho social…” (DFAD XI.6, p.122).

-Temos visto, também, que a Igreja tem de dar continuidade ao ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que a enviou assim como havia sido enviado pelo Pai (Jo.20:21).

Como bem diz Lucas, no introito do livro de Atos, Jesus começou a fazer e a ensinar (At.1:1), cabendo a continuidade disto à Igreja, como nos deixam claros os textos da Grande Comissão (Mt.28:19,20; Mc.16:15; Lc.24:46-48; Jo.20:21).

-Por isso mesmo, a Igreja é formada por aqueles que seguem a Jesus (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23; Jo.12:26) e seguir a Jesus exige algumas atitudes: negar-se a si mesmo, tomar a cruz e servir.

-Negar-se a si mesmo nada mais é que anular a sua própria vontade e passar a viver na vontade de Deus, para glorificá-l’O, ou seja, dar a Deus a Sua devida honra e louvor, reconhecer a Sua soberania, a Sua condição de nosso dono, nosso Senhor, de modo que não mais fazemos o que queremos, mas o que Ele quer. É a renúncia de si mesmo, sem o que não podemos ser considerados discípulos de Cristo (Lc.14:33).

-Tomar a cruz é assumir a obra que lhe for confiada pelo Senhor. Jesus veio ao mundo para morrer pelos pecadores (Jo.12:23,24,27). A cruz é, pois, o caminho traçado para cada discípulo percorrer, a fim de poder glorificar a Deus, como Jesus o fez (Jo.17:4).

-Servir é assumir a condição de servo, reconhecer que Deus é o Senhor e que, portanto, devemos fazer tudo quanto o Senhor nos mandar.

-Para podermos seguir a Jesus, temos de imitá-l’O (I Co.11:1; Fp.3:17), ou, na linguagem utilizada pelo apóstolo Pedro, “seguir as Suas pisadas” (I Pe.2:21), pois é Cristo o exemplo a ser seguido.

-É bem por isto, aliás, que o Espírito Santo inspirou os evangelistas para que eles registrassem a vida e ministério terrenos de Jesus Cristo, para que, a partir do Seu exemplo, pudéssemos ser Seus verdadeiros discípulos.

-Pois bem, quando verificamos a vida e ministério do Senhor Jesus, notamos, de pronto, que Sua peregrinação terrena tem a indissociável participação do Espírito Santo e do Pai, ou seja, Jesus homem não teria realizado a Sua obra se não tivesse a permanente assistência das Pessoas Divinas.

-Já na encarnação, o primeiro ato desta peregrinação terrena, vemos esta assistência das Pessoas Divinas. No momento mesmo em que abandona a Sua glória, Cristo faz uma oração ao Pai, como vemos em Hb.10:5-9.

Despindo-Se de Sua glória, Jesus já ora ao Pai, pois sabe que não pode prescindir da companhia d’Ele (Jo.16:32).

-Logo em seguida, há a atuação do Espírito Santo, que gera a Jesus no ventre de Maria (Lc.1:35). Assim, para que o Verbo Se fizesse carne, tivemos a atuação tanto do Pai quanto do Espírito Santo.

-Assim que Jesus assume o compromisso de cumprir a lei, com doze anos de idade, já O vemos no templo admirando os doutores, “tratando dos negócios do Seu Pai” (Cf. Lc.2:49) e, ao explanar as Escrituras daquele modo, estava sendo lembrado da Palavra pelo Espírito Santo, que é quem nos lembra o que nos foi revelado por Deus nas Escrituras (Jo.14:26).

-Ao iniciar Seu ministério, quando é batizado por João, o Senhor Jesus mostra toda a necessária atuação divina na realização da Sua obra salvífica, pois, quando assume o lugar do pecador para cumprir a justiça, descendo às águas, o Espírito Santo vem sobre Ele em forma de pomba e o Pai declara ser Ele o Filho por meio de uma voz vinda do céu (Mt.3:13-17; Mc.1:9-11; Lc.3:21,22; Jo.1:32-34).

-Lucas ainda nos diz que Jesus, nesta ocasião, foi cheio do Espírito Santo (Lc.4:1) e é nesta condição de plenitude do Espírito Santo que irá desempenhar todo o Seu ministério terreno.

-Não é surpresa, pois, que, ao sintetizar, na casa de Cornélio, o ministério de Jesus, tenha dito o apóstolo Pedro: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At.10:38).

-A presença do Espírito Santo e do poder de Deus eram “marcas registradas” do ministério de Jesus e, como a Igreja tem de continuar a Sua obra, também devem ser elementos constantes e indispensáveis entre os membros em particular do corpo de Cristo.

-Bem por isso que o Senhor Jesus, nas Suas últimas instruções aos discípulos, disse a eles que não ficariam órfãos com a Sua partida deste mundo, mas que lhes seria enviado o Espírito Santo que habitasse neles e estivesse com eles para sempre (Jo.14:16-18).

-Jesus, também, já ressuscitado, disse aos discípulos que eles deveriam ficar em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc.24:49; At.1:4,5), ou seja, assim como Jesus fora cheio do Espírito Santo para dar início ao Seu ministério, a Igreja deveria, também, ter a plenitude do Espírito para que pudesse dar seguimento ao que Jesus Cristo começara.

-Não há como, pois, dissociar a realização da missão da Igreja da presença plena do Espírito Santo, da assistência das Pessoas Divinas. A obra é de Deus e Ele nos utiliza para realizá-la e, portanto, Deus não pode estar ausente ou ser apenas um espectador passivo de todo este trabalho a ser efetuado em prol da salvação das almas.

-Por isso, Cristo afirmou que não só o Espírito Santo habitaria na Igreja, mas que, também, tanto Ele quanto o Pai fariam em nós morada (Jo.14:23).

-O apóstolo Paulo, ao falar da Igreja, aponta este aspecto, ao afirmar que a Igreja é edificada para morada de Deus no Espírito (Ef.2:22).

-Esta realidade nem sempre é objeto de reflexão por parte da membresia. Nós somos morada de Deus no Espírito.

Deus, nas Suas três Pessoas, mora em nós e por isso mesmo somos templo do Espírito Santo (I Co.6:19), assim como o corpo físico de Jesus era um templo, por ser habitação divina (Jo.2:19-22).

-Se somos morada, somos propriedade de Deus. Somos templo do Espírito Santo e, por isso, não somos de nós mesmos (I Co.6:19), todo o nosso ser pertencendo ao Senhor (I Co.6:20).

-Ora, se somos servos de Deus e, portanto, Sua propriedade (I Co.1:30), tal propriedade somente se manifesta pelo fato de o Espírito Santo habitar em nós. Não há como pertencermos à Igreja se o Espírito Santo não estiver em nós.

-Por isso mesmo, todos os que creem em Jesus recebem o Espírito Santo (Jo.7:38,39; Ef.1:13), sendo o Espírito Santo o selo desta propriedade, a marca deste senhorio divino sobre nós, o penhor da nossa herança (Ef.1:14). Quem tem o Espírito é de Deus (Rm.8:9).

-A presença do Espírito Santo na vida de cada membro em particular da Igreja é demonstrada pela produção do fruto do Espírito (Gl.5:22). Cristo nos ensina que pelos frutos é que conhecemos a árvore (Mt.7:16-20).

-Mas o Espírito Santo não quer apenas habitar em nós, mas se torna necessário que Ele nos encha
(Ef.5:18), que sejam d’Ele revestidos para que possamos cumprir a missão que nos foi confiada.

-Jesus, desde Sua encarnação, tinha íntima relação com o Espírito Santo, fora por Ele gerado, mas, para que pudesse exercer Seu ministério, teve de ser cheio do Espírito, o que ocorreu no seu batismo no rio Jordão. Tinha de ser “ungido com Espírito e com virtude para andar fazendo o bem e curar a todos os oprimidos do diabo”.

-Ora, amados irmãos, se Jesus, o Santo (Lc.1:35), tinha de ter a plenitude do Espírito Santo (Is.11:1,2), como podemos nós imaginar que podemos dar continuidade à obra de Cristo se não tivermos o revestimento de poder, se não formos cheios do Espírito Santo, ainda mais sendo pecadores como somos?

-Precisamos, portanto, não só da presença de Deus em nós, mas também do poder de Deus, sem o que não poderemos fazer a contento a obra de Deus, pois tal obra deve ser a continuidade da obra de Cristo e Ele foi, como já dito, ungido por Deus com o Espírito Santo e com virtude.

-Ser morada de Deus no Espírito é, portanto, não só ser habitação divina, mas, também, ser manifestação do poder do Senhor.

Por isso, pôde o apóstolo Paulo dizer aos coríntios que, quando foi ali implantar uma igreja, fê-lo com demonstração do Espírito e de poder, inclusive para que a fé dos que se convertessem não se apoiasse em homens mas no poder de Deus (I Co.2:1-5).

II – O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA

-Quando se fala em “ministério”, está-se a falar do “serviço”, da “obra” que, no plano da salvação, foi reservada à Pessoa Divina do Espírito Santo.

-Em termos de Igreja, enquanto ao Pai foi incumbido revelar que Cristo era o Filho do Deus vivo para que o próprio Cristo revelasse o mistério da Igreja (Mt.16:16,17), Igreja de quem é a cabeça e o salvador do corpo (Ef.5:23), ao Espírito Santo também foi reservado papel específico neste cuidado divino com a Igreja, o Seu povo formado de judeus e gentios que são salvos por Jesus (Ef.2:11-22).

-Pois bem, a atuação do Espírito Santo na Igreja fica bem descrita pelo próprio Senhor Jesus quando de Suas últimas instruções aos discípulos, aquele profícuo sermão que se encontra registrado nos capítulos 14 a 16 do evangelho segundo João.

-É elucidativo que o Senhor Jesus tenha tratado deste tema depois de ter instituído a Ceia e pouco antes de iniciar o processo de Sua paixão e morte.

-Ao fazê-lo o Senhor estava mostrando como seria o cotidiano da Sua Igreja sobre a face da Terra, como se daria a atuação do Seu povo durante o tempo em que se iniciariam os “últimos dias” (Cf. At.2:17), dias do “derramamento do Espírito Santo”.

-Cristo, portanto, mostra-nos como é extremamente importante sabermos qual o papel do Espírito Santo junto a Igreja e, desta forma, nos apresenta claramente como se daria o ministério do Espírito.

-Faremos, portanto, ainda que sucintamente um quadro deste ministério a partir destas instruções de Nosso Senhor e Salvador.

-O Senhor Jesus disse aos discípulos que rogaria ao Pai e Ele lhes daria “outro Consolador” para que ficasse com eles para sempre (Jo.14:16).

-Temos, portanto, que o primeiro ministério do Espírito Santo é ser o “Consolador”, em grego, “Paráclito”, ou seja, “Aquele que é chamado para estar ao lado”.

-O Espírito Santo é Aquele que está conosco para sempre. Não há como podermos seguir o Caminho, que é Jesus (Jo.14:6), se não tivermos o Espírito Santo em nós e conosco (Jo.14:17).

-Ao dizer que o Espírito é o “outro” Consolador, o Senhor Jesus confirma a divindade do Espírito Santo, porque a palavra grega aqui em foco é “allos”, que significa “o outro da mesma natureza”.

-Jesus veio ao mundo para ser o “Emanuel”, isto é, “Deus conosco” (Mt.1:23) e agora o Espírito Santo é quem desempenha este papel sendo o “Paráclito” e mais do que isto, não apenas está conosco como também habita em nós.

-Quando cremos em Jesus, o Espírito Santo vem habitar em nós (Jo.7:38,39) e não é por outro motivo que os discípulos, já na tarde do domingo da ressurreição, tornaram-se habitação do Espírito (Jo.20:22).

-O Espírito Santo está conosco, veio substituir o Senhor Jesus nesta companhia e, por isso, é Ele o verdadeiro “Vigário de Cristo” e não o Papa, como ensinam os romanistas.

-O Espírito Santo habita em nós e, portanto, somos templo do Espírito Santo (I Co.6:19), morada de Deus no Espírito (Ef.2:22).

-O resultado disto é que não mais nos pertencemos, não somos de nós mesmos, mas propriedade de Deus, de modo que não temos mais vontade própria, mas realizamos única e exclusivamente a vontade do Senhor.

-Se o Espírito Santo é o Consolador da Igreja, isto nos mostra duas verdades importantíssimas.

-A primeira é que temos de estar ao lado do Espírito Santo, já que Ele está ao lado de nós, o que exige de cada de um de nós a santidade, pois como estarão dois juntos se não estiverem de acordo (Cf. Am.3:3)?

-O Espírito é Santo, pois é Deus, e, deste modo, temos de ser santos em toda a nossa maneira de viver se quisermos desfrutar da companhia deste Consolador (I Pe.1:15).

-A segunda é que temos de ser obedientes ao Espírito Santo, mantermos intimidade com Ele, porque Ele mora em nós e temos de agir de modo a que glorifiquemos a Cristo, pois o Espírito veio para glorificar o Filho (Jo.16:14).

-Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que tudo devemos fazer para a glória de Deus (I Co.10:31).

-Depois de apresentar o Espírito Santo como “o outro Consolador”, o Senhor Jesus disse aos discípulos que o Espírito era o “Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas vós O conheceis, porque habita convosco e estará em vós” (Jo.14:17).

-O Espírito Santo é o “Espírito da verdade” e, sabemos todos, que Deus é a verdade (Jr.10:10) e que, portanto, o Espírito Santo estará conosco e habitará em nós para “nos guiar em toda a verdade, pois não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo.16:13).

-A Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e, portanto, o que o Senhor Jesus está a nos dizer é que o Espírito Santo fará com que cumpramos a Palavra de Deus, sigamos os ensinos de Jesus, pois são as Escrituras que d’Ele testificam (Jo.5:39).

-O Espírito Santo tem a tarefa de nos fazer ouvir a Palavra de Deus, de nela meditar, de nos orientarmos por ela e sermos seus cumpridores e não somente ouvintes (Tg.1:22).

-O Espírito Santo impulsiona o salvo a meditar, estudar e cumprir as Sagradas Escrituras, sendo Aquele que nos lembra o que Jesus disse, o que nos ensina o que está escrito (Jo.16:26).

-Não é surpresa, portanto, que sempre que se deixa o Espírito Santo, que d’Ele alguém se afasta, um dos primeiros sinais de que se tem é o abandono da Bíblia Sagrada e a sua substituição por preceitos de homens ou, mesmo, doutrinas de demônios (Mt.15:9; I Tm.4:1).

-Quando observamos, em nossos dias, o contínuo desprezo que se está a dar à Palavra de Deus nas igrejas locais notamos como estamos, mesmo, no princípio das dores, no tempo imediatamente anterior ao arrebatamento da Igreja, pois é este um eloquente sinal da apostasia espiritual, do esfriamento do amor de quase todos (Mt.24:8,12).

-Além de Consolador e Espírito da verdade, o Senhor Jesus disse que o Espírito Santo também seria o Mestre e o Guia da Igreja:

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo.14:26);

“Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo.16:13).

-O Espírito Santo tem a tarefa de nos ensinar todas as coisas. Ele é o nosso Mestre. Alguém pode objetar dizendo que Jesus disse que Ele é o único Mestre da Igreja (Mt.23:8; Jo.13:13).

-Entretanto, não há qualquer contradição no texto bíblico. Jesus é o Mestre e o Espírito Santo é o Seu Vigário, ou seja, Aquele que veio substituí-l’O, e, nesta condição, é Ele quem nos ensina todas as coisas, e este ensino outro não é senão o próprio ensino de Jesus, porque o Espírito Santo não fala de Si mesmo mas apenas nos faz lembrar o que foi dito por Cristo.

-Jesus e o Espírito Santo são o único e verdadeiro Deus, estão em perfeita unidade, de modo que o que um fala, o outro também fala, não há qualquer divergência, mas o Espírito Santo veio para nos fazer lembrar o que Jesus ensinou, para nos manter aguçada a nossa memória espiritual, nada falando de Si mesmo, mas apenas nos fazendo lembrar o que o Senhor Jesus ensinou.

-Assim, temos de estar atentos à voz do Espírito Santo, não sendo por acaso que o Senhor Jesus, ao Se dirigir às igrejas da Ásia Menor, no livro do Apocalipse, tenha sempre recomendado, a todas elas, que ouvissem o que o Espírito diz às igrejas.

-Devemos observar os ensinamentos dados pelo Espírito Santo e seguirmos a Sua direção. Ele nos guiará em toda a verdade, Ele nos mostrará o caminho que devemos trilhar, para que possamos chegar aos céus.

-Como diz o poeta sacro Ernesto Wooton no estribilho do hino 141 da Harpa Cristã:” Guia-me sempre, meu Senhor, guia meus passos, Salvador, Tu me compraste sobre a cruz, rege-me em tudo, meu Jesus”. É o Espírito Santo quem nos guia em toda a verdade, que nos faz seguir os passos do Senhor Jesus.

-Pouco antes de subir ao céu, o Senhor Jesus disse aos discípulos que eles precisavam ser revestidos de poder do alto para serem Suas testemunhas (Lc.24:49; At.1:5,8).

-Apresenta aqui o Senhor outra tarefa do Espírito Santo, o de revestir a Igreja de poder para que eles pudessem eficazmente cumprir a tarefa da evangelização de toda a criatura por todo o mundo.

-O Espírito Santo precisa habitar plenamente em cada servo de Jesus, é preciso que sejamos cheios do Espírito Santo, assim como o Senhor foi cheio do Espírito Santo para exercer Seu ministério (Lc.4:1).

-É uma necessidade, na luta que temos contra o maligno (II Co.10:4; Ef.6:10-12), que tenhamos armas espirituais, que estejamos revestidos do poder de Deus, porque o diabo é maior do que nós (Sl.8:5; I Jo.4:4).

-Por isso, o Espírito Santo é incumbido de nos revestir com poder, o que ocorre quando somos batizados com o Espírito Santo. O próprio Jesus é quem nos batiza com o Espírito Santo, fazendo com que sejamos completamente dominados pelo Espírito.

-Através do batismo com o Espírito Santo, temos, então, acesso aos dons espirituais, que são distribuídos pelo próprio Espírito entre a membresia (I Co.12:7-11), que, deste modo, promove a edificação, a consolação e a exortação na Igreja (I Co.14:3).

-É fundamental que demos liberdade ao Espírito Santo em nossas vidas, e, com esta liberdade, cada um de nós será edificado, consolado e exortado, tendo condições para, juntos, realizarmos a obra de Deus e chegarmos aos céus.

-Sim, porque assim edificados e fortalecidos, desejaremos a vinda do Senhor, e, com o Espírito Santo, participarmos daquele clamor: “Ora vem, Senhor Jesus”. Amém!

III – A AQUISIÇÃO, O EXERCÍCIO E A PRESERVAÇÃO DO PODER DE DEUS NA IGREJA

-Tendo visto quais as tarefas que o Espírito Santo desempenha na Igreja, cumpre-nos agora verificar como podemos também agir ungidos por Deus com o Espírito Santo e com virtude para andar fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo.

-Já vimos que, ao entrar no mundo, Cristo começou orando ao Pai e enquanto era gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria. De igual maneira, os discípulos, para receberem o revestimento de poder, passaram dez dias em oração no cenáculo (At.1:14).

-A oração, portanto, é o primeiro elemento pelo qual podemos alcançar o poder de Deus. Jesus teve uma vida exemplar de oração, tanto que, por isso mesmo, os discípulos pediram-Lhe que lhes ensinasse a orar (Lc.11:1).

-Como ensinou o saudoso pastor Severino Pedro da Silva, Jesus veio ao mundo orando, viveu orando e morreu orando (Cf. Lc.23:46), a nos mostrar que, durante toda a nossa existência perante a face da Terra, não podemos nos descuidar e deixar de orar. Daí o ensino de Paulo para orar sem cessar (I Ts.5:17).

-A oração, que alguns denominaram de “oxigênio da alma”, é fundamental para que obtenhamos o poder de Deus. Como diz um provérbio dos cristãos chineses: “muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder”.

-Um dos principais fatores para instalação de ambientes de fraqueza, frieza e apostasia espirituais é a negligência na vida de oração, é o abandono desta prática essencial para que tenhamos o poder de Deus e possamos realizar a missão da Igreja.

-Um dos pilares da igreja em Jerusalém era a perseverança na oração (At.2:42) e a primeira manifestação dos dons espirituais se deu porque Pedro e João estavam indo para um culto de oração (At.3:1), estavam indo orar no templo mas já tinham vindo de orações em suas casas, tanto que Pedro pôde dizer que tinha poder de Deus para curar o paralítico da porta Formosa (At.3:6).

-A oração deve ser reforçada com o jejum. O Senhor Jesus disse que, depois que Ele se ausentasse fisicamente do convívio dos Seus discípulos, eles necessitariam jejuar (Mt.9:15; Mc.2:19,20; Lc.5:34,35).

-Ora, Jesus subiu aos céus dez dias antes do dia de Pentecostes, que é considerada a data em que a Igreja veio à luz e, portanto, todo o tempo da Igreja sobre a face da Terra, toda a dispensação da graça é um período em que o jejum é uma necessidade, já que não estamos com a presença física de Nosso Senhor entre nós.

-Só o fato de Jesus ter sido que a Sua ausência física torna necessário o jejum já bastaria para que esta prática não ficasse em desuso entre os membros em particular do corpo de Cristo, mas, como se isto fosse pouco, as Escrituras nos mostram que o Senhor Jesus disse ser necessário o jejum para expulsão de certas castas de demônios (Mt.17:21; Mc.9:29), sendo certo que, para ter o enfrentamento direto com o diabo no deserto, o próprio Jesus jejuou quarenta dias e quarenta noites (Mt.4:2; Lc.4:2).

-Foi, também, num ambiente de oração e jejum que o Espírito Santo Se manifestou na igreja em Antioquia e mandou separar Barnabé e Saulo para a obra missionária, dando início ao que seria o principal trabalho missionário dos tempos apostólicos (ASt.13:1-3), a nos mostrar que a oração reforçada pelo jejum nos traz mais intimidade com o Espírito Santo, dá-Lhe mais liberdade e nos permite discernir com mais clareza a direção do Paráclito não só na vida de cada membro mas da própria igreja local.

-Outro elemento indispensável para que se adquira o poder de Deus é a meditação nas Escrituras. O Senhor Jesus, embora seja o Verbo, ao Se humanizar, teve também de ter um crescimento e desenvolvimento intelectual e espiritual, como fica claro no registro de Lc.2:39,40,52.

-Seus pais eram zelosos no cumprimento da lei, como se verifica em Lc.2:21-24,39 e, portanto, deram a devida instrução ao seu filho primogênito, como mandavam os mandamentos (Dt.6:6-9; 11:18-20).

-Tanto assim é que Jesus tinha o costume de ir à sinagoga aos sábados e tinha desenvoltura no manuseio das Escrituras (Lc.4:16) e tal desenvoltura já fora mostrada quando foi assumir o compromisso público perante a lei, aos doze anos de idade, nos três dias em que dialogou com os doutores da lei (Lc.2:46).

-Interessante que, indagado pelos pais, Jesus disse que aquele diálogo com os doutores era “tratar dos negócios do Seu Pai”, o que nos mostra que quando refletimos, estudamos e meditamos nas Escrituras estamos cuidando das “coisas que são de cima” (Cl.3:1,2) e, evidentemente, isto nos traz fortalecimento espiritual.

-Não nos esqueçamos de que as Escrituras nos trazem esperança por meio da paciência e consolação (Rm.15:4), sendo elas que nos tornam árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria e cujas folhas não caem (Sl.1:3), pois assim é quem confia e espera no Senhor (Jt.17:7,8), fé que vem precisamente pelo ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17).

-Quando oramos, jejuamos e meditamos nas Escrituras estabelecemos um diálogo com o Senhor e, deste modo, aprendemos a ouvir a Sua voz, e o conhecimento da Sua voz é um elemento identificador dos membros em particular do corpo de Cristo (Jo.10:27).

-Estabelecida a comunicação com o Senhor, damos início ao processo de comunhão, de intimidade, de conhecimento, pois, como sabemos, a ideia de “conhecer” entre os hebreus é a ideia de intimidade, de unidade, tanto que é o termo utilizado para a relação íntima entre marido e mulher (Gn.4:1).

-Jesus disse que conhece e é conhecido de Suas ovelhas (Jo.10:14) e, nesta união que se estabelece entre a Igreja e o Senhor, objetivo da obra salvífica (Jo.17:21), recebemos da parte do Senhor Jesus o compartilhamento com a Sua glória (Jo.27:22) e a atuação do poder de Deus faz parte desta manifestação de glória.

-É bem por isso que, uma vez adquirido este poder de Deus, deve ele ser devidamente exercido pela Igreja, que deve, deste modo, mostrar ao mundo que Jesus foi enviado pelo Pai e que Deus ama a humanidade querendo salvá-la (Jo.17:23).

-Daí porque a Igreja ter de buscar a face do Senhor para pregar o Evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16), pregação esta que não pode se constituir apenas de palavras, mas que deve ser confirmada com sinais, prodígios e maravilhas, que revelem a presença do Senhor no meio do Seu povo (Mc.16:20; Hb.2:3,4).

-A pregação do Evangelho, por isso mesmo, não diz apenas que Jesus salva, mas também que Ele cura, batiza no Espírito Santo e brevemente voltará.

E, ao pregarmos isto, temos de estar em condições de fazermos sinais que confirmem a nossa crença n’Ele (Mc.16:17,18).

-A perfeição da unidade com o Senhor é evidenciada por meio de uma vida sóbria, justa e pia enquanto estivermos nesta Terra, o que se dá mediante a produção do fruto do Espírito, mas também por meio de atitudes que nos mostrem que estamos a fazer o bem e a curar todos os oprimidos do diabo.

-Precisamos ser testemunhas do Senhor Jesus (At.1:8) e testemunha é uma prova, testemunha é alguém que tem experiência com Deus e que realiza a Sua obra, pregando o Evangelho com ações e palavras, curando os enfermos, expulsando demônios, exercitando os dons recebidos da parte do Senhor para a obra do ministério, sejam dons espirituais (I Co.12:8-10), dons ministeriais (Ef.4:11) ou dons assistenciais (Rm.12:6- 8).

-Quando fazemos a obra do Senhor, Ele coopera conosco (Mc.16:20), ou seja, trabalha juntamente conosco, confirmando a Palavra com sinais, prodígios e maravilhas.

-Este poder de Deus deve ser preservado em nós. Não há possibilidade de inatividade na Igreja. Se somos o corpo de Cristo, devemos observar que Jesus disse que trabalha até agora, assim como Seu Pai (Jo.5:17) e, mesmo no céu, onde agora está, continua a trabalhar intercedendo por nós (I Tm.2:5; Rm.8:34).

-Só permaneceremos em comunhão com o Senhor se estivermos a produzir fruto (Jo.15:1-5) e isto só é possível se Deus estiver em nós, porque sem Jesus nada podemos fazer.

-Eis a absoluta necessidade de estarmos na completa dependência do Senhor, buscando a Sua face a cada dia, orando, jejuando, meditando nas Escrituras, evangelizando, buscando o batismo com o Espírito Santo, a renovação espiritual e os dons espirituais, a fim de que tenhamos condição de nos mantermos unidos a Cristo até o dia em que passarmos para a eternidade, seja pela morte física, seja pelo arrebatamento da Igreja.

-A ociosidade tem sido uma terrível arma do inimigo para levar muitos ao fracasso espiritual. Quando deixamos de orar, jejuar, buscar a Deus, meditar nas Escrituras, tornamos improdutivos e corremos o risco de sermos lançados fora e perdermos até a salvação (Jo.15:6).

-Outro grande fator que tem levado muitos a apostatar da fé é a autossuficiência, o sentimento de que não se precisa de Deus, que as coisas podem ser realizadas tão somente pela capacidade humana. Foi esta a mentira que Satanás fez com que o primeiro casal acreditasse, de que poderiam ser iguais a Deus, d’Ele não dependendo.

-É por este motivo que a Igreja somente poderá cumprir a sua missão se tiver consciência de que depende inteiramente do Senhor e que sem Ele nada poderá fazer. Quando existe esta constatação, todos vão sempre agir segundo a direção do Espírito Santo, nunca ousando tomar qualquer atitude que não seja da vontade do Senhor.

-O poder de Deus, pelo que se pode observar, é indispensável para que a Igreja cumpra a sua missão e, quanto mais o pedirmos, mais se nos dará (Mt.7:7-11; Lc.11:9-13; Jo.16:24).
-No sermão da planície, Jesus, ao dizer desta liberdade que temos de pedir-Lhe, dá destaque ao pedido do Espírito Santo (Lc.11:13).

-Este pedido do Espírito Santo não é o pedido de salvação, porque, quando somos salvos, o Espírito Santo nos é dado (Jo.7:38,39), mas, sim, é o pedido de receber o poder do Espírito Santo, a começar do batismo com o Espírito Santo (Lc.24:49; At.1:4,5) e, em prosseguimento, a busca dos dons espirituais (I Co.14:1).

-O destaque dado pelo Senhor para este pedido mostra a sua extrema relevância para a Igreja, pois sem o poder de Deus nada poderá ser feito pelo corpo de Cristo.

-Lamentavelmente vivemos dias em que os próprios sedizentes “crentes pentecostais” não dão valor algum ao Espírito Santo e negligenciam completamente a busca do poder de Deus, admirados com a “sublimidade de palavras” (Cf. I Co.2:1) e buscando tão somente a “eloquência nas Escrituras” (Cr. At.18:24).

-Entretanto, a “sublimidade de palavras” traz somente palavras persuasivas de sabedoria humana e leva as pessoas a se apoiar na sabedoria dos homens e não no poder de Deus (I Co.2:4,5), o que é a contrafação da proposta divina por meio do Evangelho, sendo um fomento à autoconfiança e autossuficiência, que conduzem à perdição.

-A “eloquência nas Escrituras”, por sua vez, é outro trajeto não querido pelo Senhor, pois se trata de atitude que depende tão somente da intelectualidade, como vemos no caso de Apolo, que só conhecendo o batismo de João, tinha tal qualidade. Foi necessário que Apolo fosse inteirado do “caminho de Deus” por Áquila e Priscila (At.18:26).

-Precisamos, em vez disto, de buscarmos o poder de Deus, reconhecendo nossa fraqueza e procurando sempre o “temor e grande tremor”, que nada mais é que o reconhecimento do senhorio divino (“temor”) e da nossa extrema fragilidade e debilidade (“grande temor”), atitudes que fará com que sejamos vasos para honra do Senhor (Rm.9:20-24).

-Estes vasos são chamados também de “vasos de misericórdia”, porquanto, tendo o poder de Deus, são utilizados para levar o evangelho da salvação para todos os homens, fazendo com que, pelo seu porte, pelas suas palavras e pelos sinais feitos por meio deles todos creiam que Jesus é o Salvador, revelando, assim, a cada salvação de alma, a manifestação da graça, misericórdia e amor de Deus.

-Temos este poder? Temos efetuado pontualmente a missão a nós confiada? Pensemos nisto!

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/10354-licao-13-o-poder-de-deus-na-missao-da-igreja-i

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