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LIÇÃO Nº 5 – CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA

INTRODUÇÃO

-Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, estudaremos hoje a pregação do Evangelho por Paulo em Atenas.

-O Evangelho também deve ser pregado aos intelectuais deste mundo.

I – PAULO PREGA O EVANGELHO EM ATENAS

-Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, em que Lucas narra a história da propagação do Evangelho aos gentios, hoje estudaremos a pregação do Evangelho pelo apóstolo Paulo em Atenas, a cidade mais importante da Grécia.

-Paulo, em sua segunda viagem missionária, depois de partir de Filipos, primeira parada desta viagem, foi para Anfípolis e, dali, para Tessalônica que, já naquela época, e até hoje, possui uma grande colônia judaica, prosseguindo a pregação do Evangelho na Macedônia, consoante a visão que tivera antes de partir para Filipos (At.16:9).

OBS: A região conhecida como Macedônia, na Antiguidade, abrange, em nossos dias, um território que está atualmente distribuído entre a Grécia (52,4%), a Macedônia do Norte (35,8%), a Bulgária (10,1%), a Albânia (1,4%) e a Sérvia (0,3%).

-Em Tessalônica, diante de terrível perseguição, os próprios irmãos entendem que Paulo deveria partir da cidade, embora ali ainda não tivesse terminado o seu trabalho de discipulado para deixar a nova igreja local ali formada minimamente estruturada, e, então, é levado para Bereia, outra cidade da Macedônia (At.17:10).

-Ali, Paulo, como sempre fazia, foi à sinagoga e ali iniciou o seu trabalho de pregação do Evangelho, tendo encontrado ali, entre os judeus, pessoas que eram versadas nas Escrituras e que passaram a conferir no texto sagrado o que lhes era pregado por Paulo (At.17:11), tendo, igualmente, tendo sucesso, a exemplo do que ocorrera em Tessalônica, na conversão de gentios, principalmente mulheres, o que também já ocorrera naquela outra cidade (At.17:4,12).

-Este êxito de Paulo na pregação do Evangelho junto ao público feminino mostra, com absoluta clareza, como é completamente mentirosa a ideia, muito difundida em nossos dias, de que a doutrina cristã e bíblica é machista, misógina, porquanto esta receptividade das mulheres gentias o desmente, assim como havia ocorrido com as mulheres judias, ainda durante o ministério terreno de Jesus (Lc.8:2,3).

-O sociólogo americano Rodney Stark (1934-2022) bem estudou o crescimento do Cristianismo e pôde demonstrar, à saciedade, que a adesão feminina a Cristo foi um fator crucial para a rápida expansão da fé cristã nos primeiros séculos.

-A mensagem do Evangelho é uma mensagem que dá a devida dignidade à mulher, a única doutrina que reconhece a igualdade espiritual entre homem e mulher.

Por isso, aliás, Paulo ensinou claramente que “porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl.3:27,28).

-Entretanto, os inimigos do Evangelho que haviam atuado em Tessalônica, ao saberem que Paulo estava em Bereia, para lá também foram e igualmente excitaram as multidões, como haviam feito na sua cidade natal, e, sabedores do que já ocorrera na outra cidade, os irmãos de Bereia resolveram agir da mesma maneira, não permitindo que Paulo se mantivesse em Bereia.

-Não se sabe se por questão de segurança ou em virtude da pressa em proceder à fuga, fizeram com que Paulo fosse para Atenas por mar, acompanhado por alguns irmãos, enquanto Silas e Timóteo, seus companheiros, permaneceram em Bereia, com a tarefa de se encontrarem com o apóstolo o mais breve possível.

-Assim, às pressas, sem planejamento, Paulo saía da Macedônia e ia para Atenas, a principal cidade da Grécia, o centro da intelectualidade do mundo naquela época.

-Paulo chegava a Atenas sem qualquer planejamento. Não era uma cidade da Macedônia e sua ida até lá decorria de uma perseguição à sua atuação na terra para a qual havia sido enviado pelo Espírito Santo.

-Mais uma vez, nesta segunda viagem, o apóstolo experimentava a circunstância de que o nascido do Espírito não sabe donde vem nem para onde vai, porque o vento assopra onde quer (Jo.3:8).

-Paulo encontrava-se, por força das circunstâncias, em Atenas, cidade que, se pode imaginar, o apóstolo tenha almejado conhecer, já que, enquanto esteve em Tarso, sua terra natal, pudera abeberar-se dos estudos de filosofia, já que Tarso era um centro filosófico, onde reinava a filosofia estoica, que era uma das escolas filosóficas predominantes no seu tempo.

-Atenas, a principal cidade da Grécia, era o maior dos centros filosóficos. Ali haviam ensinado e ganhado projeção os três maiores filósofos gregos, Sócrates, Platão e Aristóteles, sendo que estes dois últimos possuíam ali a sede de suas escolas, que haviam sobrevivido a seus mestres, a Academia, de Platão e o Liceu, de Aristóteles (que já não existia quando Paulo foi a Atenas, já que destruída pelos romanos em 86 a.C.).

OBS: A Academia de Platão só encerrou suas atividades em 529 d.C., por ordem do imperador Justiniano I.

-Daí porque se tornara um centro de estudos filosóficos, que, mesmo depois da ascensão política de Roma, continuou a ter a sua importância, até porque a filosofia grega se impôs mesmo no Império Romano.

-Paulo chegou a Atenas, porém, já não mais aquele filósofo e doutor da lei judaica da sua mocidade, mas aquele que fora constituído pelo Senhor Jesus como pregador, doutor e apóstolo dos gentios (I Tm.2:7), cuja obrigação era pregar o Evangelho (I Co.9:16).

-Assim, mesmo não tendo previsto ir a Atenas, ao se achar naquela cidade, Paulo não teve outro pensamento senão começar a pregar o Evangelho ali, pois era esta a sua missão, o seu chamado.

OBS: “…O estudioso que conhece e gosta extremamente da erudição dos autores clássicos da Antiguidade ficaria felicíssimo se estivesse onde Paulo agora se encontra:

em Atenas, no meio das diversas seitas filosóficas. E teria muitas perguntas curiosas para lhes fazer procurando aprender de uma cultura que nos legou apenas vestígios do que fora no passado.

Mas Paulo, embora tivesse estudado para ser erudito e fosse homem ativo e engenhoso, não se ocupa com nenhuma destas atividades em Atenas.

Ele tem outro trabalho em mente. Seu desejo não é aprimorar-se na filosofia dos atenienses, pois aprendeu a considerar essas coisas vãs e está acima disso (Cl 2.8).

A sua função é, em nome de Deus, corrigir-lhes os erros no campo da religião e convertê-los do serviço dos ídolos e de Satanás neles para o serviço do Deus vivo e verdadeiro em Cristo (1 Ts 1.9).…” (HENRY, Matthew. Comentário bíblico: Atos a Apocalipse. Edição completa. Trad. de Luiz Aron, Valdemar Kroker e Haroldo Janzen. Rio de Janeiro; CPAD, 2006, p.189).

-Temos, também, esta mesma consciência missionária do apóstolo? Se é verdade que, ao contrário de Paulo, grande parte de nós não foi comissionada pelo Senhor para ir a outras plagas e ali pregar o Evangelho, não é menos verdade que temos esta mesma missão de levar Cristo aos pecadores nos lugares que o Senhor nos põe, ou seja,

o lugar onde moramos, os lugares para onde viajamos, o lugar onde trabalhamos, o lugar onde estudamos, os lugares que frequentamos por força de sua vida em sociedade. Assim como Paulo, temos a obrigação de pregar o Evangelho. Temos feito isso?

-Paulo foi deixado pelos irmãos que o haviam acompanhado desde Bereia, não sem antes o apóstolo reforçar a eles que avisassem a Silas e Timóteo que fosse encontrá-lo o quanto antes (At.17:15).

-Como sempre fazia, foi até a sinagoga em Atenas e ali disputou com os judeus, mostrando que Jesus era o Cristo (At.17:17), mas, também, enquanto ia à sinagoga, foi até a praça, a chamada “ágora”, onde os atenienses costumavam se encontrar para as suas discussões, onde também pregava o Evangelho.

-Paulo demonstrava, assim, todo o seu conhecimento, pois, tendo estudado filosofia em Tarso, bem sabia o “modus vivendi” de Atenas e sabia que o povo se encontrava na ágora para saber das novidades, motivo pelo qual, ao contrário do que fizera em outras cidades, em vez de primeiro pregar na sinagoga para então pregar aos gentios, usou de uma estratégia diferente, pregando concomitantemente tanto na sinagoga quanto na ágora.

-Além da consciência missionária, o apóstolo foi movido pelo amor às almas perdidas, porque via os atenienses entregues à idolatria (At.17:16).

-Paulo não pregava o Evangelho apenas por obrigação, mas, sim, porque amava os perdidos, queria vê-los salvos, tendo, assim, o mesmo sentimento que havia em Cristo Jesus (Mt.9:36; Mc.6:34).

A pregação do Evangelho é impulsionada pelo amor, e o amor de Deus que está no coração do salvo (Rm.5:5). Foi o amor de Deus que fez com que Jesus viesse ao mundo para nos salvar (Jo.3:16).

-O decréscimo da consciência missionária da Igreja, a diminuição da evangelização em nosso país, que já foi, inclusive, detectada pelo último censo do IBGE, que mostra que diminuiu o ritmo do “crescimento evangélico” no Brasil, é mais um eloquente sinal do esfriamento do amor entre os que cristãos se dizem ser, um sinal da proximidade do arrebatamento da Igreja (Mt.24:12).

-Paulo, ao ver que Atenas estava completamente entregue à idolatria, sabendo que tinha pouco tempo para ficar na cidade, já que pedira a Silas e Timóteo que viessem logo encontrá-lo em Atenas, logo começou a pregar o Evangelho, tanto na sinagoga quanto na ágora, pois era mister levar os atenienses a Cristo.

-Este mesmo sentimento de urgência deve estar em nós, porque também nós estamos de passagem rápida neste mundo, não sabemos quando sairemos daqui, seja porque o arrebatamento da Igreja está muito próximo, ante o cumprimento dos sinais proféticos apontados pelo próprio Jesus, seja pelo fato de não sabermos o final de nossa peregrinação terrena, pois se Jesus demorar a voltar, nós iremos ao Seu encontro pela morte física e o mundo, assim como Atenas, está completamente entregue à iniquidade, que se multiplica a cada dia (Mt.24:12).

-Desta forma, qual tem sido nossa reação ante a observância da multiplicação da iniquidade? O esfriamento espiritual ou a intensificação da evangelização? Agimos como Paulo? Pensemos nisto!

-O que Paulo pregava? Paulo pregava a Jesus e a ressurreição (At.17:18). A mensagem do Evangelho é sempre esta. Pregar o Evangelho é pregar Jesus, pregar que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e brevemente voltará.

-O que Paulo pregava é o que tinha sido pregado por Pedro no dia de Pentecostes (At.2:22-40), após a cura do coxo da porta Formosa do templo (At.3:12-4:2) e na casa de Cornélio (At.10:36-43); por Estêvão, diante do Sinédrio (At.7:1-53); por Filipe, em Samaria (At.8:5) e pelo próprio Paulo em Damasco (At.9:20-22) e em Antioquia da Pisídia (At.13:16-41).

-Quando as pessoas perguntavam qual era a mensagem de Paulo, o seu auditório dizia que o apóstolo era “pregador de deuses estranhos”, a nos mostrar que a mensagem do apóstolo tinha por objeto Jesus e a ressurreição, não esta envolvida com questões filosóficas e abstratas, embora estivesse na “capital mundial da filosofia”.

Que lição para aqueles que, em nossos dias, querem pregar um “Evangelho intelectualista”, o que o pastor Ciro Sanches Zibordi propriamente chama de “evangelho filosófico”, um dos “evangelhos que Paulo jamais pregaria”, como é intitulada a obra desse grande mestre hodierno.

-“…O evangelho filosófico assemelha-se ao ‘fermento’ dos saduceus (Mt.16:6; 22:23; At.23:8). Eles não criam no sobrenatural;

eram racionalistas, agnósticos, céticos, materialistas, liberais e humanistas, rejeitando as doutrinas da ressurreição, dos anjos, dos milagres, da imortalidade e do juízo vindouro. Para os defensores desse evangelho, somente a razão humana — trabalhando com princípios lógicos — pode atingir o conhecimento verdadeiro, universalmente aceito.

Entretanto, para compreendermos as verdades sagradas, de fato, devemos priorizar o que está escrito na Bíblia. Outras fontes de autoridade, como a nossa razão, devem ser usadas apenas para nos ajudar a extrair o que está registrado nas Escrituras.

Você já notou como muitos pregadores, ensinadores, escritores, teólogos e seminaristas valorizam ao extremo a filosofia, a lógica humana, a ponto de questionar as verdades contidas na Palavra de Deus? Esquecem-se de que o verdadeiro conhecimento sobre Deus e Sua obra é obtida por revelação do Espírito (Mt.11:25; I Co.2:9,10; I Jo.2:20).

Em Salmos 25:14, está escrito: ‘O segredo do Senhor é para os que O temem; e Ele fará saber o Seu concerto’…” (ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. 3. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp.116-7).

II – PAULO NO ARÉOPAGO

-O apóstolo Paulo, ao ver a cidade de Atenas entregue à idolatria, dirigido pelo Espírito Santo, foi buscar na própria idolatria um elemento pelo qual pudesse ter um contato com as pessoas e, desta maneira, poder pregar o Evangelho.

-A compaixão é sentir o que o outro sente, é se pôr no lugar do outro para compreender-lhe a situação. Não há compaixão sem esta atitude de se pôr no lugar do outro, que é o que se denomina de “empatia”.

-Jesus não só Se pôs no lugar do homem pecador em sentimento, mas literalmente, pois Se fez carne e habitou entre nós (Jo.1:14), participou da carne e do sangue, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse a todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão, tomou a descendência de Abraão para expiar os pecados do povo e naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados (Hb.2:14-18).

-O salvo na pessoa de Jesus Cristo, o cristão, a nova criatura em Cristo (II Co.5:17) é também alguém que se põe no lugar do pecador e, nesta atitude, procura um ponto de contato para que haja a comunicação mais perfeita para que o ouvinte possa entender a mensagem do Evangelho, pois somente é possível crer se antes a mensagem for ouvida (Rm.10:14).

-Paulo, verificando que os atenienses estavam entregues à idolatria, foi até os santuários existentes na cidade que, por ser a principal da Grécia, possuía altares dos mais diversos deuses adorados nas cidades gregas, ainda que o principal templo da cidade, o Pártenon, fosse o dedicado à “deusa da cidade”, Atena (tanto que a cidade adotou o nome desta divindade), a deusa grega da sabedoria, filha predileta de Zeus, que teria surgido da cabeça de seu pai, que corresponde à deusa romana Minerva.

-Notemos que o pregador precisa conhecer a cultura do povo a quem irá pregar o Evangelho, as suas crenças, a sua maneira de viver, os seus hábitos, para, a partir daí, ver qual o ponto de contato que o permitirá entrar em comunicação com o auditório e, desta maneira, pregar eficazmente o Evangelho.

-Paulo, ao visitar estes santuários, evidentemente agia de forma totalmente contrária ao seu passado de fariseu (At.23:6; 26:5; Fp.3:5), porquanto os fariseus assim eram chamados porque “fariseu” em aramaico significa

“separado”, pois entendiam que, para servir a Deus, deviam se separar dos pecadores e daqueles que não satisfizessem os requisitos de pureza estabelecidos seja pela lei de Moisés, seja pela tradição judaica.

-Paulo agia como Jesus que, igualmente, sempre estava em contato com todas as pessoas, ainda que marginalizadas pela sociedade, o que, aliás, era severamente censurado pelos fariseus (Mt.9:10-12; Mc.2:15-17; Lc.5:29-31; 15:1,2).

-No entanto, este deve ser o comportamento dos servos de Jesus. Nós devemos ir ao encontro dos perdidos, conviver com eles, para que possamos lhes comunicar a mensagem da salvação.

Evidentemente, que conviver com eles é agir como o médico em relação ao doente, como bem disse Nosso Senhor, ou seja, examiná-los, diagnosticá-los, indicar-lhes a cura, ministrar-lhes o tratamento, mas tomando as devidas precauções para não se contagiar com a doença deles.

-Bem por isso, o próprio apóstolo Paulo afirma: “Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais.

E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.

Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns. E eu faço isso por causa do evangelho, para ser também participante dele” (I Co.9:19-23).

-Esta passagem tem sido mal interpretada por alguns que acham que, para evangelizar, é preciso não só se aproximar das pessoas, compreender-lhes o modo de viver, mas também assumir a sua maneira de viver. Assim, por exemplo, os que acham que devem evangelizar os participantes dos desfiles carnavalescos, desfilando com eles. Nada mais incorreto!

-Paulo diz que se fez COMO judeu, COMO sem lei, COMO fraco. Aqui vemos bem a similaridade do comportamento do apóstolo com o comportamento que Jesus teve ao vir a este mundo para nos salvar. Jesus Se fez SEMELHANTE aos homens (Fp.2:7; Hb.2:17), não igual a eles. Qual a diferença entre Jesus e os homens? A própria Bíblia responde: o pecado (Hb.4:15).

-Deste modo, o apóstolo Paulo, imitador que era de Cristo (I Co.11:1), também se fez semelhante ao seu auditório, ou seja, pôs-se no lugar deles, entendeu-se a maneira de viver, as crenças, os hábitos, mas nunca adotou os atos pecaminosos que seu auditório praticava.

-Foi o que ocorreu em Atenas, onde, observando a idolatria dos atenienses, embora tenha ido até seus santuários, jamais adorou os deuses atenienses, mas não deixou de se informar a respeito deles e de seu culto, tanto que, em um dos santuários, deparou-se com um altar dedicado ao “deus desconhecido” (At.17:23).

-Este altar ao deus desconhecido fora erigido por ordem do poeta, filósofo e místico cretense Epimênides (séc VII-VIII a.C.), que chegou a constar de alguma lista dos “sete sábios da Grécia”, que teria purificado Atenas de uma praga, invocando um “deus desconhecido”, a quem mandou se construíssem altares.

-Parece que Paulo teve contato com a história deste homem, pois o cita em Tt.1:12, não sabendo nós se já o conhecia desde seus estudos filosóficos em Tarso ou se ficou a conhecê-lo nesta sua passagem por Atenas.

-A história conta que Epimênides fora chamado a Atenas para tentar solucionar o problema de uma praga que assolara a cidade e, ao chegar à cidade, ficou impressionado com a quantidade de deuses e entendeu que a praga viera de um deus poderoso que era ignorado pelos atenienses e, por isso, mandou que se sacrificasse a eles ovelhas famintas que, pela manhã, em vez de pastarem, mesmo com fome, se deitassem, o que seria um sinal deste deus, que necessariamente era um deus poderoso e misericordioso, de que, ao ser adorado, faria cessar esta praga.

OBS: “…Aqui está a impressão que a ignorância e a superstição abominável dos atenienses causaram no espírito de Paulo (v. 16).

Observe: 1. A descrição da cidade ateniense: A cidade de Atenas estava muito entregue à idolatria (v. 16). Esta característica concorda com a descrição feita pelos escritores pagãos sobre essa cidade. Eles destacam que havia mais ídolos em Atenas que em toda a Grécia reunida, e que os atenienses faziam festas sagradas duas vezes mais que os outros.

Todo deus estranho que lhes fosse recomendado, eles o aceitavam e lhe concediam um templo e um altar, de modo que eles tinham quase tantos deuses quantos homens – facilius possis deum quam hominem invenire. Esta cidade, depois que o império se tornou cristão, permaneceu irremediavelmente apegada à idolatria.

Nem todos os decretos religiosos promulgados pelos imperadores cristãos conseguiram erradicá-la, até que, pela invasão dos góticos, a cidade foi devastada de maneira tão minuciosa que hoje quase não há vestígios dela.

É interessante observar que onde a cultura humana mais floresceu foi onde a idolatria mais abundou, e a idolatria mais absurda e ridícula, que confirma a declaração do apóstolo: Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos (Rm 1.22) (HENRY, Matthew. Comentário bíblico: Atos a Apocalipse. Edição completa. Trad. de Luiz Aron, Valdemar Kroker e Haroldo Janzen. Rio de Janeiro; CPAD, 2006, p.189).

-E assim teria acontecido, algumas ovelhas, apesar de famintas, soltas na Colina de Ares ou Colina de Marte, não pastaram mas descansaram e, onde se deitaram, ergueram-se altares onde cada uma delas foi oferecida a este deus desconhecido, num altar dedicado a este deus desconhecido, com esta expressão, e a praga teria cessado. Desde então, era adorado este deus desconhecido entre os atenienses.

-A pregação de Paulo chamou a atenção de todos e alguns filósofos estoicos e epicureus foram contender com o apóstolo, debatendo com o apóstolo na ágora, ocasião em que, evidentemente, Paulo, que era de Tarso, passou a mostrar o seu conhecimento filosófico.

-Estes filósofos, impressionados com a perfomance de Paulo, levaram o conhecimento destes debates ao Areópago, que era a parte noroeste da Acrópole, isto é, a parte alta da cidade, onde ficava localizado o Pártenon, o templo a Atena, na chamada Colina de Ares ou Colina da Marte, exatamente o local onde Epimênides havia mandado soltar as ovelhas famintas séculos antes.

-O Areópago era o local onde se reunia o conselho da cidade, que não só tratava dos assuntos de justiça, sendo o supremo tribunal de Atenas, como também os assuntos relacionados com a educação e a ciência e onde se costumavam fazer os debates e discussões sobre os assuntos mais importantes do momento (At.17:21).

-A repercussão causada pela pregação de Paulo fez com que o Areópago se interessasse em ouvi-lo, porquanto Paulo estava a pregar uma doutrina diferente. Isto bem mostra que Paulo, em sua pregação, embora tivesse um ponto de contato com o seu auditório, trazia uma mensagem nova, diferente de tudo quanto era ensinado e praticado pelos ouvintes.

-Esta é uma importante lição que devemos aprender, pois, em nossos dias, as pessoas andam confundindo ponto de contato com o teor da mensagem e o resultado disso é que se anda pregando um falso evangelho, um evangelho que não confronta com a vã maneira de viver que por tradição as pessoas recebem de seus pais (I Pe.1:18,19), ou seja,

o modo pecaminoso de viver, o que é apenas mais um discurso vão, como tantos outros que são produzidos pela mente humana no mundo que está no maligno (Rm.1:21,22; I Jo.5:19), discurso que não consegue levar aos homens o resplendor da luz do evangelho da glória de Cristo (II Co.4:4).

-Tanto assim é que os sábios de Atenas, assim que Paulo é levado à sua presença, perguntam qual era essa “nova doutrina” pregada pelo apóstolo, quais eram “as coisas estranhas” que os atenienses estavam ouvindo por intermédio do apóstolo (At.17:19,20).

-O Evangelho é “boas novas”, é uma notícia nova, uma novidade, algo diferente daquilo que existe no mundo, mundo, repita-se, que está cegado pelo diabo, cujo coração insensato está obscurecido nas trevas espirituais, que contaminam o entendimento humano.

-Vemos aqui, com clarividência, que todo o conhecimento humano é incapaz de poder saber das coisas espirituais, daquilo que é relacionado a Deus e, bem por isso, o estudo de Deus, a teologia, deve ser feito a partir da revelação divina e não a partir da razão humana (Is.55:8,9).

-A razão humana organiza, sistematiza, sintetiza, debruça-se sobre o que foi revelado e, deste modo, surge o conhecimento teológico, a teologia e isto nos leva a ter uma maior compreensão a respeito de Deus e de Seu

plano para com a humanidade, mas somente a partir do que foi revelado, e que se encontra na Bíblia Sagrada, que foi definida pelo saudoso pastor Antônio Gilberto (1927-2018) como “a revelação de Deus à humanidade” (Manual da Escola Dominical. 15. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.20), pode-se ter todo este trabalho racional.

-Os homens do Areópago, inequivocamente a nata da filosofia e da ciência daquele tempo, via o Evangelho como “nova doutrina”, como “coisas estranhas”, porque eram completamente ignorantes a respeito das coisas de Deus, pois baseavam todo o seu cabedal de conhecimentos a partir única e exclusivamente da razão.

-Não é, portanto, surpresa vermos que, na atualidade, também parte considerável da nata da intelectualidade mundial, os grandes pensadores, filósofos e cientistas serem totalmente ignorantes com relação às coisas de Deus e até, muitas vezes, inimigos declarados de Deus e da Bíblia, porque todo o seu saber é baseado única e exclusivamente na razão humana, havendo completa e total ignorância com relação às coisas espirituais, já que desprezam a revelação divina (Rm.1:21,22).

-Os areopagitas, porém, tomaram uma atitude corretíssima: chamaram Paulo para ouvi-lo, quiseram saber a respeito da “nova doutrina”, das “coisas estranhas”. E o resultado desta atitude foi que alguns acabaram se convertendo, pois assim será a palavra que sair da boca de Deus, ela não voltará vazia, antes fará o que Lhe apraz e prosperará naquilo que Ele a enviou (Is.55:11).

-Paulo, ao lhe ser dada a palavra, sabendo qual era o auditório, já iniciou dizendo que os atenienses eram supersticiosos. Lembrava, assim, dito que corria pela Grécia de que Atenas era uma “cidade saturada de deuses”.

-A palavra “supersticioso” utilizada em At.17:22 é a palavra grega “deisidaimonesteros” (δεισιδαιμονέστερος), que significa “muito supersticioso, religioso demais”, apontando, exatamente, para o fato de haver muitos deuses, como que uma obsessão para adorar a tantos quantos deuses existissem, um povo com disposição a adorar deuses, a agradar todas as divindades.

-Assim, não há aqui uma conotação negativa por parte do apóstolo Paulo, como hoje nos indica a palavra “supersticioso”, que, por causa do racionalismo que se estabeleceu no Ocidente a partir do século XVIII, vê na “superstição”, na “religiosidade”, algo negativo e atrasado, mas, sim, uma constatação de que os atenienses buscavam sempre um contato com a divindade, apesar de serem os mais proeminentes na racionalidade em todo o mundo.

-A prova desta religiosidade extrema seria a existência de um altar ao deus desconhecido e, neste passo, o apóstolo, na própria Colina de Ares ou Colina de Marte, onde se dera o episódio que envolvera Epimênides cerca de cinco ou seis séculos antes, como que faz os areopagitas se relembrarem de que a “saturação de deuses” era insuficiente para que eles tivessem conhecimento espiritual, tanto que tiveram de invocar um deus desconhecido para se livrar de uma praga, e isto por ensino de um dos maiores sábios da Grécia.

-Paulo, desta forma, usa como ponto de contato este episódio da história ateniense, que revelava a insuficiência da religião para agradar a Deus e, a partir daí, mostrar que este “deus desconhecido” era o Deus pregado por Paulo, pois, lembremos, consoante nos dá conta o missiólogo Don Richardson (1935-2018), em seu livro “O fator Melquisedeque” (onde obtivemos as informações a respeito do episódio que envolveu Epimênides), este deus foi apresentado pelo poeta, filósofo e místico cretense como um deus extremamente poderoso, benigno e misericordioso.

-Paulo identifica o único e verdadeiro Deus como sendo este “deus desconhecido” honrado pelos atenienses e, a partir deste ponto de contato com o auditório (que é exatamente o “fator Melquisedeque” descrito por Don Richardson, ou seja, um elemento da cultura do povo a ser evangelizado que permite que se ingresse no ambiente cultural e, sem estranhamento, se pregue o Evangelho com eficácia), prega o Evangelho aos areopagitas.

-Paulo diz que pregava o Deus que havia feito o mundo e tudo o que nele havia, que era o Senhor do céu e da terra, que, por isso mesmo, não habitava em templos feitos por mãos de homens, como também não era servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa, pois Ele mesmo é que dá vida, respiração e todas as coisas a todos os homens e que de um só fez toda a geração dos seres humanos para os fazer habitar sobre toda a face da Terra.

-Vemos, por primeiro, que o apóstolo Paulo vai falar a respeito do poder de Deus, confirmando o que já antes dissera Epimênides, qual seja, a de que “o deus desconhecido” era extremamente poderoso.

-Ao dizer que Deus havia criado todas as coisas, o apóstolo confrontava com uma crença própria do pensamento grego, qual seja, o da eternidade da matéria. Deus não era apenas alguém que havia moldado a matéria, o chamado “Demiurgo” de muitos pensadores gregos, mas o Ser que preexistia à própria matéria, que a havia criado.

-Em sendo assim, Deus era distinto da matéria e com ela não se confundia, como também era superior à matéria, pois a ela preexistia e por isso era o Senhor do céu e da terra.

-Como consequência desse senhorio, Deus não poderia habitar em templos feitos por mãos de homens, nem tampouco ser servido por mãos de homens, de forma que não poderia, assim, assumir a forma de criaturas nem ser representados por ídolos, como acontecia com os deuses que saturavam Atenas.

-Neste ponto, Paulo retomava aqui o pensamento do filósofo Xenófanes de Colofão (570-475 a.C.), que dizia que Deus era único, eterno, não-gerado, imóvel e puro.

-O apóstolo também mostrou que Deus dá a todos vida e respiração, bem como que todos os homens têm uma origem comum, o que também confrontava os pensamentos materialistas existentes em algumas correntes filosóficas, como também a ideia de que os homens eram diferentes em essência entre si, inclusive alguns defendendo que escravos e mulheres ou não tinham alma ou tinham almas inferiores.

-Ao mesmo tempo, o apóstolo mostra que Deus determina os tempos e os limites da habitação de cada ser, revelando, assim, que não se tratava de um Deus distante, mas que acompanhava todas as coisas, um Deus que, apesar de ser transcendente, ou seja,

estar além da criação, é também um Deus imanente, Deus que participa da criação, que não cria todas as coisas e deixa a criação à mercê, como defenderiam os deístas a partir do século XVII, no movimento iluminista, que traria o racionalismo e o secularismo para o pensamento ocidental.

-O apóstolo mostra, então, àqueles homens doutos, que a própria natureza revela Deus, pois, ao criar todas as coisas e determinar o tempo e os limites da habitação de toda a criação, torna-se possível tateá-l’O e, por conseguinte, achá-l’O, visto que Ele não está longe de cada um de nós, porque n’Ele vivemos e nos movemos, e existimos, já que somos Sua geração (At.17:27).

-Inegável aqui, mais uma vez, a alusão ao pensamento de Xenófanes de Colofão, que defendia que Deus era distinto dos homens exatamente porque, como Deus, era não-gerado, enquanto o homem seria Sua geração.

Daí porque Xenófanes não aceitava os deuses adorados pelos gregos, pois eram, ao seu sentir, fruto da imaginação humana, tanto que esses deuses nada mais eram que seres humanos, com as mesmas atitudes dos homens, o que não correspondia à realidade.

-Xenófanes, que sempre escrevia em versos, teria escrito, certa feita, o seguinte, segundo o pai da Igreja Clemente de Alexandria (? – 215): “Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões E pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, Os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, Desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam Tais quais eles próprios têm.”

-Com isto, Xenófanes considerava que toda a religião existente, partindo do homem, só podia construir deuses completamente humanos, e que, por isso mesmo, eram tão somente ilusões, que não correspondiam ao Deus verdadeiro.

-Paulo retoma esta linha de pensamento, mostrando aos areopagitas que Deus estava pronto para Se revelar, mas que esta revelação, com base apenas na razão, na observação da natureza, levava apenas a um “tatear” e aqui a palavra grega em foco é “psélaphaó” (ψηλαφάω), cujo significado é “manipular, i.e., verificar, comprovar por contato; (em sentido figurado) investigar:- sentir, lidar, tocar…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 5584, p.2469).

-O apóstolo mostra, então, àqueles exímios intelectuais, que o estudo da natureza, o pensamento racional permite tão somente notar a existência de Deus, o reconhecimento de Sua soberania e senhorio, um ponto de partida para que houvesse um aprofundamento, uma busca de conhecimento, que, evidentemente, não se teria como ponto de partida a razão.

-Por isso mesmo, Paulo diz que a divindade não poderia ser semelhante ao ouro, à prata, à pedra esculpida por artifício ou imaginação dos homens, e que aqui retoma o pensamento de Xenófanes, mas também contraria todos os filósofos que viam na matéria o “princípio de todas as coisas”, a chamada “arché”.

-Havia, pois, apesar de todo o conhecimento obtido pela filosofia e ciência, total ignorância a respeito das coisas de Deus e era esta ignorância que Epimênides teria denunciado aos atenienses e os levado a adorar ao “deus desconhecido”.

-Paulo vai além daquele poeta, filósofo e místico cretense, ao dizer que não bastava adorar ao “deus desconhecido” na ignorância, mas, sim, querer conhecê-l’O, pois, se se nota a Sua existência e há negativa de conhecê-l’O e obedecer-Lhe, isto trará a ira d’Ele sobre os homens (Rm.1:22-32).

-Aí, nesse instante, Paulo apresenta a necessidade que têm os homens em se arrepender de seus pecados para que se possa conhecer a este Deus, e, deste modo, escapar do juízo divino, a ser feito pelo varão que destinou, que foi apresentado como sendo o julgador, na medida em que ressuscitou dos mortos (At.17:31).

-Assim, após ter se utilizado da filosofia grega para mostrar a existência e soberania de Deus, para confrontar a religiosidade ateniense, falando a respeito da criação, Paulo chega até Jesus e fala d’Ele e da ressurreição, exatamente o que estava a pregar em Atenas (At.17:18).

-Ao falar na ressurreição, Paulo afrontava outro conceito compartilhado entre os pensadores gregos que, ou eram materialistas, não crendo em uma vida após a morte física, ou, então, quando muitos, admitiam que havia a reencarnação, ou seja, que as almas retornavam a este mundo em outro corpo.

-Como se começasse uma reação a respeito da ressurreição, resolveram encerrar o debate, pois haveria mudança de tema, dizendo que, se houvesse oportunidade, sobre isto discutiriam outro dia (At.17:32).

-Apesar deste abrupto encerramento e da falta de tempo para que Paulo pudesse minudenciar o papel salvífico de Jesus e sobre a ressurreição, mesmo assim, alguns dos ouvintes creram em Jesus, converteram-se, como foi o caso do areopagita Dionísio, uma mulher chamada Dâmaris e outros (At.17:32,33).

-Alguns comentaristas bíblicos entendem que este discurso de Paulo no Areópago tenha sido um fracasso, ante o pequeno número de conversões. Atribuem isto ao fato de que o apóstolo teria se enveredado demasiadamente para o caminho da filosofia, não tendo se limitado a falar de Jesus e da ressurreição, como estava a fazer na praça, mas ter feito uma pregação “com sublimidade de palavras”.

-Estes comentaristas chegam, mesmo, a afirmar que, com a lição que aprendeu em Atenas, ao ir para Corinto, a cidade seguinte em que pregou o Evangelho, o apóstolo teria mudado de comportamento, passando a pregar apenas a Cristo, e Este crucificado (I Co.2:1,2).

OBS: “Em Corinto, Paulo decide não pregar mais com sublimidade de palavras, mas com a sabedoria de Deus e demonstração de Espírito e poder, isto é, não como tinha feito em Atenas” (ROCHA, Aldery Nelson. Bíblia Revelada Versão Di Nelson AT e NT. São Paulo: Sociedade Bíblica do Verbo e ANSR-ME, 2010-13, p.1990).

-É uma interpretação possível, mas devemos entender que Paulo pregava levando em conta o auditório, tendo tido, em Atenas, três auditórios distintos: os judeus, a quem pregou na sinagoga; os atenienses comuns, a quem pregou na praça e os filósofos estoicos e epicureus que o abordaram na praça.

-Tendo sido levado ao Areópago, usou da “sublimidade de palavras” que era condizente com o auditório dali, até porque fora levado lá por filósofos estoicos e epicureus, que, certamente, havia dado aos areopagitas informações a respeito da “nova doutrina” e das “coisas estranhas” faladas pelo apóstolo.

-Assim fazemos coro a Matthew Henry (1662-1714), “in verbis”: “…O sermão registrado aqui e dirigido aos idólatras educados e cultos de Atenas. Trata-se de um discurso admirável e, sob todos os aspectos, adequado ao público-alvo e ao propósito que o apóstolo tinha em mente.…” (op.cit., p.191).

-Ademais, não se pode dizer que Paulo tenha fracassado, porquanto houve conversões após o seu discurso. Apenas é mencionado um areopagita que se converteu, Dionísio, além de uma mulher e outras pessoas que ali estavam.

-O pequeno número de convertidos não é de admirar, pois, por primeiro, a plateia não era numerosa, pois se tratava de um lugar de acesso restrito, era o supremo tribunal de Atenas. Por segundo, eram pessoas extremamente arraigadas a sua posição, a ideia de que eram os maiores conhecedores, um ambiente de soberba que impede a conversão.

Lembremos que, no Sinédrio, o correspondente judaico do Areópago, apenas Nicodemos se converteu durante o ministério terreno de Jesus e não há notícia de qualquer outra conversão após o início da pregação do Evangelho (embora alguns entendam que Paulo tivesse sido membro do Sinédrio, não parece ser o caso, era, quando muito, um candidato a tal posição e, mesmo que o tenha sido, teria sido o único caso de conversão ao Evangelho).

Por terceiro, o fato de pessoas terem se convertido já mostra que não se teve fracasso, já que basta a conversão de uma só pessoa para que se tenha como bem sucedida a pregação (Sl.49:6-8; Lc.15:7).

-Tanto era propósito divino que Paulo pregasse no Areópago que só partiu de Atenas depois deste episódio, quando, sem aguardar Silas e Timóteo, partiu para Corinto, cidade que possuía dois portos, numa clara demonstração que pretendia retornar a Tessalônica, onde havia deixado inacabado o seu trabalho apostólico por causa da perseguição (I Ts.2:17).

-Em Atenas, o apóstolo recebia um outro dom ministerial, o de evangelista, porquanto foi àquela cidade para pregar o Evangelho, de forma imprevista, não tendo ali estabelecido uma igreja local, o que fez com que seu trabalho fosse de evangelista e não de apóstolo, era o terceiro dom ministerial que recebia da parte de Jesus, pois já era mestre ou doutor desde o início da igreja de Antioquia (At.11:25,26) e apóstolo, desde que chamado pelo Espírito Santo em Antioquia para levar o Evangelho aos gentios (At.13:2,3).

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://portalebd.org.br/classes/adultos/12550-licao-5-cristo-entre-os-filosofos-o-deus-desconhecido-se-revela-i

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