JUVENIS | LIÇÃO 04 – MAIS QUE VENCEDOR: PROVAS E TENTAÇÕES
A paz do Senhor, querido aluno e professor da Escola Bíblica Dominical!
Sou a irmã Damares, professora da EBD na Assembleia de Deus em Curitiba, e estou aqui para que possamos continuar o nosso estudo e a nossa meditação nesta revista em que temos o privilégio de estudar as Epístolas Gerais.
Hoje iniciaremos, na classe dos Juvenis, um estudo a respeito da Epístola de Tiago. Vamos compreender o que esse escritor estava querendo nos ensinar quando falou tanto sobre as obras.
Existe um debate muito conhecido no meio cristão e teológico: será que Tiago escreveu sua carta como uma resposta ao que Paulo ensinava?
Paulo enfatiza que a nossa salvação veio mediante a graça, enquanto Tiago fala bastante sobre as obras. Nesta aula, pelo menos iniciaremos uma introdução para compreender o que esses dois autores bíblicos realmente queriam dizer.
Esta aula foi preparada para ser ministrada no dia 23 de julho.
Versículo-Chave
1 Coríntios 10.13
“Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.”
Leitura Bíblica em Classe
Tiago 1.1-16
“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas, saúde.
Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.
Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.
Peça, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte.
Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.
O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação, e o rico em seu abatimento, porque ele passará como a flor da erva.
Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e perece a formosa aparência do seu aspecto; assim se murchará também o rico em seus caminhos.
Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
Ninguém, sendo tentado, diga: “De Deus sou tentado”, porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta.
Mas cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”
Amém.
Objetivos da Lição
Nesta lição, temos três objetivos principais:
- Expor aos juvenis a distinção entre tentação e provação.
- Abordar a origem das tentações e o motivo pelo qual elas surgem.
- Analisar os sábios conselhos apresentados por Tiago para vivermos uma vida cristã vitoriosa.
Primeiro Tópico — Introdução à Epístola
1. Considerações gerais
A Epístola de Tiago é considerada por muitos como o “Livro de Provérbios do Novo Testamento”.
Ela foi escrita muito cedo, provavelmente quando ainda havia poucos gentios na Igreja, ou quando esse número ainda não era significativo.
Isso explica por que seus destinatários são identificados como “as doze tribos que andam dispersas”.
Na página 32 da revista do professor encontramos um comentário de Laurence Richards, no Comentário Devocional da Bíblia, que ajuda a compreender quem eram esses destinatários.
Segundo ele:
“A saudação nos ajuda a compreender o ambiente histórico. Tiago escreveu quando a Igreja ainda era jovem e composta principalmente por cristãos judeus.
Ele escreveu depois do apedrejamento de Estêvão, registrado em Atos 7, quando uma severa perseguição obrigou muitos cristãos a deixarem Jerusalém.
Compreender esse contexto histórico nos ajuda a perceber por que Tiago escreveu uma das cartas menos teológicas do Novo Testamento.
Os primeiros cristãos eram judeus que sabiam quem era Jesus. Muito provavelmente haviam ouvido seus ensinamentos nos átrios do templo, conheciam pessoas como Lázaro, viram Jesus ressuscitar mortos, talvez até tivessem visitado o sepulcro vazio e muitos conheciam algumas das quinhentas testemunhas que viram Cristo ressuscitado.
Esses membros dispersos da igreja de Jerusalém não precisavam que lhes fosse ensinado quem era Jesus, pois já criam nele.
Assim, Tiago passou imediatamente ao verdadeiro propósito da sua carta: ensinar qual deve ser o estilo de vida daqueles que conhecem Cristo e demonstrar a compreensão prática que a fé produz diante das situações enfrentadas pelos seres humanos.”
Esse comentário nos ajuda a entender por que a carta de Tiago é tão diferente das demais.
Ela não apenas possui um conteúdo distinto, mas também uma forma diferente de escrever.
Muito provavelmente trata-se de uma das primeiras cartas do Novo Testamento e foi direcionada a pessoas que já conheciam Cristo.
Por isso, Tiago não precisou explicar quem era Jesus, falar sobre sua encarnação ou apresentar novamente o evangelho.
Esses cristãos já tinham visto Jesus.
Assim, Tiago concentra seu ensino em outro aspecto:
Os cristãos precisam viver de maneira coerente com a fé que professam.
Em outras palavras, suas obras devem ser consequência natural da fé que possuem.
Tiago está dizendo:
“A maneira como vocês vivem revela a fé que vocês possuem.”
Quando entendemos esse contexto, a leitura da carta fica muito mais clara.
Ela foi escrita para pessoas que já eram cristãs.
Não estavam aprendendo quem era Jesus pela primeira vez.
O objetivo era mostrar que um verdadeiro cristão demonstra sua fé através da maneira como vive.
Por isso, Tiago apresenta inúmeros conselhos práticos para a vida cristã.
É exatamente por essa razão que sua carta recebeu o apelido de “Provérbios do Novo Testamento”.
A INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA
A data da escrita
Alguns estudiosos defendem que a Epístola de Tiago foi escrita por volta do ano 45 d.C., enquanto outros afirmam que ela pode ter sido escrita antes do ano 63 d.C., data provável do martírio de Tiago.
Existe uma pequena discussão entre historiadores e teólogos sobre essa questão. Entretanto, muitos concordam que a carta foi escrita entre 45 e 48 d.C., principalmente porque, em 49 d.C., ocorreu o Concílio de Jerusalém.
Nesse concílio, ficou estabelecido que o Evangelho deveria ser anunciado também aos gentios. Um acontecimento tão importante certamente teria sido mencionado por Tiago se já tivesse ocorrido quando ele escreveu sua carta.
Como isso não aconteceu, é muito provável que sua epístola tenha sido escrita antes desse evento.
Isso reforça aquilo que já observamos: o objetivo de Tiago era instruir cristãos que já conheciam a Cristo, e não discipular novos convertidos.
É importante conhecermos:
- quando a carta foi escrita;
- para quem foi escrita;
- por que foi escrita.
Essas informações ajudam na interpretação do texto.
No entanto, elas nunca são mais importantes do que o conteúdo da própria Escritura.
Não precisamos gastar muito tempo discutindo a data exata da carta, porque dificilmente chegaremos a um consenso absoluto.
Assim como acontece com a Epístola aos Hebreus, alguns detalhes históricos talvez só sejam plenamente conhecidos quando estivermos na eternidade.
O mais importante continua sendo aquilo que Tiago escreveu.
Sabemos que Tiago era meio-irmão de Jesus, converteu-se após a ressurreição de Cristo, participou da reunião no cenáculo antes do Pentecostes (Atos 1) e tornou-se um dos principais líderes da Igreja de Jerusalém.
Sua carta não possui apenas um tema central, mas aborda diversas questões práticas da vida cristã, destacando especialmente a necessidade de uma fé demonstrada pelas boas obras, algo esperado de um pastor preocupado com o crescimento espiritual da igreja.
2. Tiago versus Paulo
Existe uma interpretação bastante conhecida segundo a qual Tiago teria escrito sua carta para responder aos ensinamentos do apóstolo Paulo sobre a salvação pela graça.
Entretanto, essa interpretação dificilmente se sustenta quando observamos a cronologia bíblica.
Quando Tiago escreveu sua carta, Paulo ainda não havia escrito as Epístolas aos Gálatas, aos Romanos e aos Efésios.
Logo, Tiago não poderia estar respondendo a algo que ainda não existia.
Na realidade, Tiago e Paulo estavam lutando pela mesma causa.
Uma boa ilustração é imaginar dois soldados lutando lado a lado, de costas um para o outro.
Cada um protege um lado diferente do campo de batalha, mas ambos pertencem ao mesmo exército.
Era exatamente isso que acontecia.
A Igreja estava apenas começando.
Novos desafios surgiam constantemente.
Os cristãos precisavam responder a dúvidas, combater falsas doutrinas e enfrentar perseguições vindas de todos os lados.
Além da oposição do Império Romano, também enfrentavam resistência por parte de muitos judeus.
Portanto, Tiago e Paulo não estavam em conflito.
Eles apenas escreviam para públicos diferentes e tratavam de problemas diferentes.
Enquanto Paulo enfatizava que a salvação é recebida exclusivamente pela graça mediante a fé, Tiago mostrava que essa mesma fé, quando verdadeira, produz naturalmente uma vida transformada e cheia de boas obras.
Os dois ensinos não se contradizem.
Na verdade, eles se complementam.
Segundo Tópico — As Provações
1. Tentação ou provação?
Provas e tentações não são exatamente a mesma coisa.
Entretanto, dentro da vida cristã, muitas vezes as tentações fazem parte das provas que enfrentamos.
Tiago escreve:
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.” (Tiago 1.2-3)
Nesse texto, a palavra “tentação” possui um sentido bastante amplo.
Ela se refere às diversas provações que podem incluir momentos de tentação.
Ao longo do primeiro capítulo, Tiago apresenta diversos aspectos importantes dessas experiências.
Ele mostra:
- os elementos envolvidos nas provações espirituais;
- os benefícios imediatos e futuros que elas produzem;
- a origem da tentação;
- a origem do pecado.
Quando falamos sobre tentação, geralmente pensamos na atuação do inimigo tentando nos levar ao pecado.
Mas Tiago também ensina que a tentação está ligada aos desejos existentes dentro do próprio ser humano.
Ela começa quando algo desperta nossa concupiscência.
No final do capítulo, Tiago explica esse processo:
A concupiscência gera o desejo.
Depois, esse desejo concebe o pecado.
Finalmente, quando o pecado é consumado, produz a morte.
O pecado nunca começa simplesmente na prática.
Antes disso, ele nasce dentro do coração.
Esse é um excelente momento para propor uma reflexão aos juvenis.
Todos nós possuímos áreas em que somos mais vulneráveis.
Há pecados específicos que exercem maior influência sobre determinadas pessoas.
Por isso, normalmente sabemos quais situações nos aproximam desses erros.
Muitos adolescentes, por exemplo, relatam que permanecer sozinhos com o celular no quarto costuma ser um ambiente de forte tentação.
Eles reconhecem que existe um caminho que pode conduzi-los ao pecado.
É exatamente isso que Tiago está ensinando.
Primeiro surge o desejo.
Depois, esse desejo cresce.
Então nasce o pecado.
Por fim, quando o pecado é consumado, produz morte espiritual.
Tudo começa muito antes da prática.
Começa no coração.
A ALEGRIA NAS PROVAÇÕES
2. A alegria na provação
Um dos aspectos mais surpreendentes da carta de Tiago é a maneira como ele trata o sofrimento.
Em vez de prometer que os cristãos seriam imediatamente livres das dificuldades, ele orienta os crentes a se alegrarem nas provações.
À primeira vista, isso parece muito estranho.
Imagine receber uma carta dessas justamente no momento em que sua fé está sendo perseguida.
A igreja estava vivendo dias extremamente difíceis.
Os cristãos eram perseguidos, expulsos de suas casas, presos e, muitas vezes, mortos por causa da fé.
É exatamente para essas pessoas que Tiago escreve:
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações.”
Naturalmente, surge a pergunta:
Como alguém pode sentir alegria em meio ao sofrimento?
Humanamente falando, essa orientação parece contraditória.
Nós costumamos pensar exatamente o contrário.
Quando sofremos, normalmente acreditamos que temos o direito de reclamar, lamentar ou até desanimar.
É comum ouvirmos frases como:
- “Depois de tudo isso, eu mereço descansar.”
- “Hoje foi um dia tão difícil que eu mereço um prêmio.”
- “Tenho o direito de ficar triste.”
Tiago, porém, apresenta uma perspectiva completamente diferente.
Ele diz:
“Alegrem-se na provação.”
Isso não significa sentir prazer na dor.
Também não significa fingir que o sofrimento não existe.
O que Tiago ensina é que devemos olhar além da dor.
Ele escreve para uma igreja perseguida e não promete o fim da perseguição.
Em nenhum momento afirma que Deus faria desaparecer imediatamente todas as dificuldades.
Na verdade, os primeiros cristãos continuariam sendo perseguidos durante muitos anos.
Eles enfrentariam quase três séculos de intensa oposição.
Portanto, Tiago não estava ensinando uma mensagem baseada apenas em declarações de vitória imediata.
Ele não dizia:
“Decretem que a perseguição vai acabar.”
Ao contrário.
Sua mensagem era:
“Mesmo em meio às provações, mantenham a alegria.”
Por que devemos nos alegrar?
A resposta está no propósito da provação.
O sofrimento produz algo precioso na vida do cristão.
Tiago explica que a prova desenvolve:
- paciência;
- perseverança;
- maturidade espiritual;
- fortalecimento da fé.
É exatamente isso que Deus deseja realizar.
Portanto, a alegria não está na dor em si.
A alegria está no resultado que Deus produz através dela.
As provações fazem o cristão crescer espiritualmente.
Elas desenvolvem perseverança.
Fortalecem o relacionamento com Deus.
Prepararam o coração para permanecer firme até o fim.
Sob esse aspecto, o sofrimento deixa de ser apenas uma experiência negativa.
Ele passa a ser um instrumento de crescimento espiritual.
O Reino de Deus possui uma lógica diferente
Essa maneira de pensar é completamente diferente da lógica humana.
Naturalmente, associamos sofrimento ao fracasso.
Mas o Reino de Deus nos ensina outra perspectiva.
Tiago mostra que Deus pode usar as dificuldades para fortalecer nossa fé.
Às vezes pensamos:
“Se estou sofrendo, talvez eu me afaste de Deus.”
Tiago responde exatamente o contrário.
Ele afirma que a provação deve aproximar-nos ainda mais do Senhor.
Ela nos torna mais dependentes de Deus.
Ela fortalece nossa confiança.
Ela amadurece nosso caráter.
Por isso, o cristão não interpreta as dificuldades apenas pelo que sente no momento.
Ele olha para aquilo que Deus está produzindo através delas.
A Igreja cresceu durante a perseguição
Quando observamos a história da Igreja, percebemos algo muito interessante.
Muitas vezes imaginamos que os períodos de liberdade religiosa são os momentos de maior crescimento da Igreja.
Entretanto, a história mostra que os maiores períodos de expansão do cristianismo aconteceram justamente durante épocas de intensa perseguição.
Foi nesse contexto que muitos cristãos tiveram sua fé fortalecida.
Quem aceitava Cristo naquela época sabia que poderia perder tudo.
Ser cristão significava colocar a própria vida em risco.
O cristianismo não era uma religião admirada pela sociedade.
Pelo contrário.
Era motivo de vergonha, perseguição e rejeição.
Os romanos já enfrentavam constantes conflitos com os judeus.
Consideravam o povo judeu extremamente difícil de dominar.
Além disso, estranhavam profundamente a adoração ao Deus de Israel.
Enquanto o mundo romano estava repleto de templos, imagens e esculturas, os judeus adoravam um Deus invisível.
Para os romanos, tudo aquilo parecia muito estranho.
Quando o cristianismo surgiu, a situação tornou-se ainda mais complicada.
No início, a Igreja era formada principalmente por judeus.
Assim, aos olhos do Império Romano, cristianismo e judaísmo eram praticamente a mesma coisa.
Os cristãos passaram a sofrer ataques de todos os lados.
Não eram bem recebidos pela sociedade.
Seguir a Cristo significava enfrentar não apenas a possibilidade da morte física, mas também da exclusão social.
Foi exatamente para esses irmãos que Tiago escreveu.
E sua mensagem permanece atual:
“Alegrem-se nas provações.”
Não porque o sofrimento seja agradável.
Mas porque Deus utiliza essas circunstâncias para produzir perseverança, fortalecer a fé e amadurecer espiritualmente aqueles que permanecem firmes.
O objetivo da provação
O propósito da provação nunca é destruir o cristão.
Seu objetivo é fortalecer sua caminhada com Deus.
Ela produz perseverança.
Ela aumenta nossa dependência do Senhor.
Ela nos torna espiritualmente mais resistentes.
Que possamos fazer a mesma oração sugerida pelo ensino de Tiago:
“Senhor, ajuda-me a viver com alegria mesmo nas provações. Que elas produzam em mim perseverança, paciência e uma fé cada vez mais madura.”
3. A aprovação da fé
Mais adiante, em Tiago 1.12, o apóstolo retoma o assunto das provações.
Mais uma vez ele surpreende seus leitores ao afirmar que passar por tribulações é motivo de bem-aventurança.
À primeira vista, isso parece contraditório.
Como alguém pode considerar uma provação uma bênção?
A resposta está no foco.
Tiago convida o cristão a olhar não para a prova em si, mas para o resultado que ela produz.
Ele escreve:
“Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida…”
O olhar do cristão deve estar voltado para aquilo que virá depois da aprovação.
Dias melhores certamente chegarão.
Para aqueles primeiros cristãos, isso poderia acontecer ainda nesta vida ou, definitivamente, na eternidade.
Essa verdade também se aplica a nós.
Talvez enfrentemos dias difíceis.
Em muitos ambientes existe oposição aos princípios cristãos.
Valores bíblicos são frequentemente considerados ultrapassados, conservadores ou até radicais.
Não sabemos exatamente como será o futuro.
Mas sabemos de uma certeza:
Dias melhores virão.
Seja nesta vida ou na eternidade, Deus permanece fiel.
Por isso, Tiago nos lembra que somos mais do que vencedores.
Esse é o padrão que Deus deseja para seus filhos.
Ele não quer que enfrentemos as provações derrotados ou sem esperança.
Sua vontade é que nossa fé produza frutos que revelem ao mundo a quem pertencemos.
O TRIUNFO DA FÉ E A ORIGEM DAS TENTAÇÕES
4. O triunfo da fé
A visão do cristão não pode estar limitada apenas às coisas desta vida.
Por essa razão, Tiago nos incentiva a suportar as provações lembrando da promessa da coroa da vida, preparada pelo Senhor para aqueles que o amam.
Esse é o grande segredo daquele que permanece firme durante as provações.
Seu coração está voltado para as coisas eternas.
Seu maior desejo não é conquistar riquezas, fama ou sucesso terreno, mas agradar a Deus e viver para a eternidade.
Quando o propósito do cristão passa a ser apenas acumular bens materiais ou alcançar reconhecimento nesta vida, ele corre o risco de desanimar diante das dificuldades e até mesmo abandonar a fé.
Por isso, Tiago apresenta o verdadeiro antídoto contra esse perigo:
Mantenha o foco em Deus.
Ame as coisas do céu.
Viva olhando para a eternidade.
Muitas vezes interpretamos de maneira equivocada textos como:
“O Senhor concederá o desejo do teu coração.”
Na realidade, quando nosso coração está completamente voltado para Deus, os nossos desejos passam a ser moldados pela vontade dEle.
Quando o coração está preso apenas aos tesouros da terra, naturalmente desejará apenas aquilo que pertence a esta vida.
Mas quando o coração está voltado para o céu, Deus transforma também os nossos desejos.
É exatamente essa mudança de perspectiva que Tiago procura ensinar.
A esperança dos primeiros cristãos
Os primeiros cristãos enfrentavam a morte com uma esperança completamente diferente.
Existem inúmeros relatos históricos de homens e mulheres que caminhavam para o martírio louvando ao Senhor, porque tinham plena convicção daquilo que os aguardava na eternidade.
Isso não significa que o cristão não sofra diante da morte.
O próprio Jesus chorou ao receber a notícia da morte de Lázaro.
A tristeza diante da separação física é absolutamente natural.
Sentimos dor.
Choramos.
Experimentamos a saudade.
Entretanto, existe uma grande diferença entre sofrer e perder completamente a esperança.
O cristão não vive desesperado.
Ele sabe que existe uma promessa maior do que a morte.
Foi justamente isso que Tiago procurou ensinar.
Fé verdadeira produz obras
Em momento algum Tiago está afirmando que a salvação acontece pelas obras.
Esse nunca foi o objetivo da carta.
O que ele ensina é algo diferente.
Se alguém conhece verdadeiramente a Cristo, sua maneira de viver será diferente.
A forma como enfrenta:
- as perseguições;
- as dificuldades;
- a morte;
- as tentações;
- os desafios da vida diária;
revelará a autenticidade de sua fé.
As boas obras não produzem a salvação.
Elas evidenciam a salvação.
Os frutos demonstram que a fé é verdadeira.
Terceiro Tópico — As tentações
1. A origem das tentações
Assim como Paulo ensina em 1 Coríntios 10.13, Tiago também demonstra que a tentação possui origem humana.
Ele escreve:
“Cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”
(Tiago 1.14)
Um excelente exemplo é o caso de Eva.
O desejo pelo fruto proibido já havia começado dentro de seu coração.
Quando Satanás apareceu na forma da serpente, apenas estimulou aquilo que já estava sendo desejado.
Esse princípio continua válido para nós.
Quase sempre sabemos quais situações despertam nossas maiores fraquezas.
Uma pessoa extremamente irritada, por exemplo, talvez encontre no trânsito um ambiente propício para pecar através da ira.
Quem possui tendência à murmuração precisa vigiar constantemente esse comportamento.
Da mesma forma, alguém que possui facilidade para mentir deve reconhecer essa fraqueza e combatê-la conscientemente.
Tiago ensina que a origem do pecado está justamente nesse desejo interior.
Nós normalmente sabemos onde estão nossas maiores vulnerabilidades.
Não caímos no pecado simplesmente por desconhecimento.
Na maioria das vezes sabemos exatamente quais circunstâncias nos aproximam dele.
O pecado começa no coração.
Depois alcança a mente.
Em seguida torna-se prática.
Por fim, produz consequências.
Tiago descreve esse processo de forma muito clara.
Primeiro nasce o desejo.
Depois vem o pecado.
Finalmente, o pecado gera a morte.
Pecar é errar o alvo
Uma maneira muito interessante de compreender o pecado é lembrar que a palavra significa errar o alvo.
Existe um objetivo estabelecido por Deus.
Quando deixamos de alcançá-lo, pecamos.
Por exemplo:
- Nosso alvo é viver em pureza.
- Pecamos quando nos contaminamos.
Nosso alvo é falar a verdade.
Pecamos quando mentimos.
Nosso alvo é agradar ao Senhor.
Pecamos quando escolhemos atitudes que desagradam a Deus.
O pecado sempre representa um desvio do propósito estabelecido pelo Senhor.
2. O caminho da tentação
Depois que a cobiça conquista a vontade humana, ela dá à luz o pecado.
O pecado, por sua vez, conduz à morte.
Esse processo não acontece de forma instantânea.
Tudo começa com uma pequena fagulha.
Tiago utiliza uma sequência extremamente didática.
É como um pequeno foco de incêndio.
Se receber combustível, crescerá rapidamente até provocar uma enorme destruição.
Assim também acontece com o pecado.
Ele raramente começa de maneira grandiosa.
Na maioria das vezes inicia com um simples pensamento.
Depois esse pensamento é alimentado.
Transforma-se em desejo.
O desejo cresce.
Finalmente, transforma-se em ação.
Muitas pessoas dizem:
“Eu sou impulsivo. Quando percebi, já tinha feito.”
Mas justamente aí está o problema.
Quem conhece suas fraquezas precisa desenvolver domínio próprio.
Todos percorremos praticamente o mesmo caminho.
Primeiro vemos ou ouvimos alguma coisa.
Depois começamos a pensar continuamente naquele assunto.
Sem perceber, alimentamos aquele desejo.
Quanto mais alimentamos esse pensamento, mais ele cresce.
Até que chega o momento em que desejamos satisfazer aquela vontade.
Esse é o caminho da tentação descrito por Tiago.
As consequências do pecado
Algumas vezes é possível reconstruir aquilo que foi destruído pelo pecado.
Em outras situações, porém, determinadas consequências permanecem por toda a vida.
Por isso, Tiago alerta sobre a gravidade desse processo.
O livro de Provérbios também faz a mesma advertência:
“O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói a sua alma. Achará castigo, e o seu opróbrio nunca se apagará.” (Provérbios 6.32-33)
O pecado sempre produz destruição.
Por isso deve ser combatido ainda quando está apenas no estágio do desejo.
É muito mais fácil vencer a tentação no início do processo do que depois que ela já dominou completamente o coração.
OS CONSELHOS DE TIAGO PARA UMA VIDA VITORIOSA
Depois de explicar a diferença entre provação e tentação, Tiago passa a apresentar conselhos práticos para que o cristão viva de forma vitoriosa.
Assim como Salomão escreveu o livro de Provérbios oferecendo orientações para uma vida sábia, Tiago também apresenta ensinamentos extremamente práticos para o dia a dia do cristão.
Nesta lição, destacam-se três grandes conselhos.
1. Peça sabedoria a Deus
O primeiro conselho de Tiago é:
Peça sabedoria ao Senhor.
As pessoas verdadeiramente sábias conseguem enxergar a vida pela perspectiva de Deus.
Mesmo possuindo poucos recursos materiais, conseguem viver com equilíbrio porque aprenderam a interpretar as circunstâncias à luz da vontade divina.
Para vencer o pecado e enfrentar corretamente as provações, Tiago garante que Deus concede sabedoria a todos aqueles que a pedem.
No entanto, esse pedido deve ser feito com fé.
Sem dúvidas.
Sem incredulidade.
A sabedoria está disponível para aqueles que mantêm um relacionamento verdadeiro com Deus.
O Senhor deseja compartilhar conosco a Sua sabedoria.
Não se trata apenas de aumentar nosso conhecimento intelectual.
Sabedoria não é simplesmente acumular informações.
É muito mais do que isso.
A sabedoria divina nos permite compreender princípios eternos e discernir situações que muitas vezes estão acima da nossa capacidade humana de entendimento.
Quando pedimos sabedoria, estamos pedindo que Deus nos permita enxergar as situações da maneira como Ele as vê.
Essa é a grande diferença entre inteligência e sabedoria.
Uma pessoa pode possuir enorme quantidade de conhecimento.
Pode conhecer profundamente História, Matemática, Ciências ou qualquer outra área do saber.
Entretanto, isso não significa necessariamente que ela seja sábia.
Sabedoria é a capacidade de aplicar corretamente o conhecimento segundo os princípios de Deus.
Ela está relacionada ao discernimento espiritual.
Por isso Tiago aconselha:
“Peça sabedoria ao Senhor.”
Permita que Deus compartilhe com você Sua maneira de compreender as situações.
Somente assim conseguiremos discernir verdades espirituais que nossa mente, sozinha, jamais conseguiria compreender.
2. Tenha fé
O segundo conselho apresentado por Tiago é muito direto:
Tenha fé.
Mesmo diante das dificuldades da vida, o cristão precisa confiar que Deus permanece fiel.
Quando nos aproximamos do Senhor, devemos fazê-lo com confiança.
Devemos orar sem duvidar.
Na lição anterior já aprendemos que a fé é o fundamento da vida cristã.
Todo o cristianismo está alicerçado sobre ela.
É pela fé que:
- cremos que Deus existe;
- reconhecemos quem Ele é;
- confiamos em Suas promessas;
- aguardamos o cumprimento daquilo que Ele prometeu.
Sem fé não existe vida cristã.
Por isso Tiago apresenta uma sequência muito significativa.
Primeiro:
Peça sabedoria.
Depois:
Tenha fé.
Essas duas virtudes caminham juntas.
3. Não erre
O terceiro conselho é extremamente objetivo.
Depois de falar sobre:
- provações;
- tentações;
- sabedoria;
- fé;
Tiago encerra essa sequência fazendo uma advertência muito importante:
Não erre.
Todos nós possuímos livre-arbítrio.
Todos fazemos escolhas.
Entretanto, algumas escolhas produzem consequências extremamente sérias.
Nem todos os erros possuem o mesmo peso.
Alguns custam muito caro.
Outros deixam marcas permanentes.
Por isso Tiago nos alerta para evitarmos o pecado antes mesmo que ele aconteça.
O exemplo de Davi
A vida de Davi ilustra perfeitamente esse ensinamento.
Seu pecado não aconteceu de forma repentina.
Tudo começou exatamente como Tiago descreve.
Primeiro surgiu o desejo.
Davi permaneceu em Jerusalém quando deveria estar na guerra.
Enquanto caminhava pelo terraço do palácio, viu Bate-Seba tomando banho.
Até aquele momento, tudo ainda estava no campo da observação.
Depois veio o desejo.
Em seguida, ele perguntou quem era aquela mulher.
Recebeu a resposta:
Era Bate-Seba, esposa de Urias, um dos seus valentes.
Naquele momento tudo poderia ter terminado.
Davi já possuía todas as informações necessárias para interromper aquele processo.
Entretanto, decidiu alimentar o desejo.
Mandou chamá-la.
Consumou o adultério.
Depois tentou esconder seu pecado.
Por fim, ordenou a morte de Urias.
Perceba como o pecado foi crescendo gradualmente.
Não aconteceu de uma única vez.
Foi uma sequência de decisões.
Exatamente como Tiago ensina.
Primeiro nasce a concupiscência.
Depois vem o pecado.
Finalmente aparecem suas consequências.
As consequências permanecem
Deus perdoou Davi.
Isso é incontestável.
Mas as consequências do pecado permaneceram.
Sua família sofreu profundamente.
Sua casa experimentou conflitos durante muitos anos.
Esse exemplo nos ensina uma verdade muito importante.
Deus sempre está disposto a perdoar o pecador arrependido.
Entretanto, isso não significa que todas as consequências do pecado desaparecerão imediatamente.
Por isso Tiago aconselha:
Não erre.
É muito melhor evitar o pecado do que sofrer suas consequências.
É melhor viver constantemente em comunhão com Deus do que precisar reconstruir aquilo que foi destruído por escolhas erradas.
Existem consequências naturais para nossos atos.
Também existem consequências espirituais.
Por isso vale muito mais a pena permanecer obedecendo ao Senhor.
Conclusão
Tiago encerra esse ensino lembrando que a vigilância é uma das maiores armas do cristão.
Devemos fugir das causas da tentação.
Quanto às provações, precisamos reconhecer quando Deus está trabalhando em nossa vida e aceitar Sua soberania.
As provações fazem parte da pedagogia divina.
Elas são instrumentos usados por Deus para fortalecer nossa fé e aprofundar nosso relacionamento com Ele.
Já a tentação possui outra origem.
Ela nasce da nossa própria concupiscência.
Entretanto, durante uma provação também podemos ser tentados.
Por isso é importante saber distinguir essas duas realidades.
A vigilância continua sendo o melhor caminho.
O exemplo de Davi demonstra isso claramente.
Se tivesse permanecido onde deveria estar, provavelmente não teria enfrentado aquela tentação.
Em contraste, José nos oferece outro excelente exemplo.
Quando a esposa de Potifar tentou seduzi-lo, José não permaneceu discutindo a situação.
Ele simplesmente fugiu.
Essa é a atitude que o cristão deve tomar diante da tentação.
Quando nossos olhos são atraídos para aquilo que pode nos afastar de Deus, a melhor decisão é fugir imediatamente.
Considerações finais
Professor, desejo que o Senhor o abençoe grandemente em sua ministração.
Que esta aula ajude seus juvenis a compreenderem profundamente:
- a diferença entre provação e tentação;
- a origem do pecado;
- o papel da perseverança na vida cristã;
- a importância de uma fé que produz boas obras;
- e os ensinamentos práticos da Epístola de Tiago para uma vida de santidade.
Que, enquanto você ministra esta lição, o Espírito Santo conduza cada palavra e trabalhe poderosamente no coração de seus alunos.
Deus o abençoe, e até a próxima aula.
Texto extraído do vídeo por IA.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=xWJGgrlP7m8&list=PLxODYifQD_t9C8a8p4vOKpDdQS9kkjD1n&index=4
