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LIÇÃO Nº 11 – DESPERTEMOS PARA A VINDA DO GRANDE REI

(A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS – Mt. 25:1-13)      

Na parábola das dez virgens, Jesus mostra a imperiosa necessidade de os salvos vigiarem para alcançarem a glorificação.

 INTRODUÇÃO

 – A parábola das dez virgens foi proferida por Jesus em meio ao Seu sermão escatológico, o seu mais longo sermão, em que Jesus revela aos discípulos as últimas coisas.

 – Nesta parábola, Jesus mostra porque o salvo deve viver em constante vigilância e que é na perseverança que alcançaremos o fim da nossa fé: a salvação das nossas almas, que só se completará com a glorificação, que se dará no arrebatamento da Igreja.

  I – AS CIRCUNSTÂNCIAS DA PARÁBOLA E A PARÁBOLA PROPRIAMENTE DITA

 – A parábola das dez virgens só é mencionada por Mateus, em meio ao sermão escatológico ou sermão profético de Jesus, como é conhecido o sermão em que Jesus responde aos discípulos a sua indagação a respeito da destruição do templo de Jerusalém e do fim do mundo (Mt.24:3), sermão que é registrado por Mateus de 24:4 a 25:46.

 – Entendemos, portanto, que se trata de uma parábola que tem por finalidade a ilustração dos ensinos de Jesus a respeito das últimas coisas, ou seja, é uma parábola escatológica e, portanto, assim devemos sempre compreendê-la.

A circunstância de só ser registrada por Mateus, embora os outros evangelistas também mencionem este sermão escatológico (Mc.13 e Lc.21:5-36) não deve trazer maiores dificuldades.

Em primeiro lugar, a parábola está umbilicalmente ligada a costumes próprios dos judeus, o que tornaria a sua compreensão difícil para os destinatários gentios dos outros dois evangelhos sinóticos;

em segundo lugar, o próprio recurso a parábolas, em meio ao sermão escatológico, é um recurso, como já tivemos oportunidade de ver durante este trimestre, típico dos povos orientais, que também não eram o alvo dos evangelistas Marcos e Lucas.

 – Na parábola das dez virgens, mais uma vez, Jesus vem nos falar do reino dos céus, ainda que sob o aspecto escatológico. É também um tema muito caro a Mateus e a seus destinatários judeus.

Na parábola, Jesus diz que o reino dos céus é semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo, sendo que cinco eram prudentes e cinco, loucas.

As loucas não levaram azeite consigo. Tardando o esposo, todas tosquenejaram. Perto da meia-noite, ouviu-se o clamor: aí vem o esposo e as loucas, percebendo que suas lâmpadas se apagavam, pediram azeite às virgens prudentes, que, entretanto, não deram azeite para as loucas, que foram comprá-lo.

Todavia, o esposo chegou, as virgens prudentes o acompanharam e a porta se fechou. As virgens loucas quiseram entrar, mas o noivo disse que não as conhecia.

 – A interpretação da parábola não está registrada nas Escrituras, de forma que devemos recorrer aos métodos já anunciados durante todo este trimestre para fazê-lo.

II – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA

(I): AS DEZ VIRGENS 

 – Jesus afirma que o reino dos céus é semelhante a dez virgens. As dez virgens, portanto, são o primeiro elemento da parábola.  Para bem entendermos o que são estas virgens, faz-se necessário que saibamos o costume judaico da celebração do casamento.

– “…O casamento em si continha várias partes importantes. A cerimônia era essencialmente não-religiosa, a não ser por uma bênção pronunciada sobre o casal (…).

O casamento também envolvia os trajes a serem usados. A noiva era praticamente adornada como uma rainha (veja Ap.21.2).

Depois de banhada, ela tinha os cabelos trançados com todas as pedras preciosas que a família possuía ou podia tomar emprestado (Sl.45.14,15; Is.61.10; Ez.16:11,12). As moças que a ajudavam a vestir-se, permaneceriam a seu lado como ‘companheiras’.(…).

Outro elemento importante do casamento era a procissão no fim do dia. O noivo saía de sua casa para buscar a noiva na casa dos pais dela. Nesse ponto, a noiva usava um véu. Em algum ponto o véu era retirado e colocado no ombro do noivo, e feita a seguinte declaração: ‘ O governo estará sobre os seus ombros’.

A procissão deixava então a casa da noiva e seguia para o novo lar do casal, e a estrada escura era iluminada por lâmpadas a óleo carregadas pelos convidados.

Na história contada por Jesus, os noivos demoraram mais do que o esperado, de modo que o azeite nas lâmpadas começou a se acabar. Só os que tinham levado um frasco de óleo de reserva puderam reabastecer suas lâmpadas e dar as boas-vindas aos noivos (veja Mt.25.1-13, esp.vv.8,9).

Havia canções e música ao longo do caminho (Jr.16.9) e algumas vezes a própria noiva participava da dança (Ct.6.13).…” (GOWER, Ralph. Trad. de Neyd Siqueira. Usos e costumes dos tempos bíblicos, p.66).

 – Devemos, portanto, entender que Jesus está se referindo a uma festividade de casamento, mais precisamente, para a procissão do final do primeiro dia das bodas (as bodas costumavam durar sete dias), quando o noivo ia buscar a noiva na casa dos pais dela e seguia para ir até o novo lar do casal.

As virgens, portanto, eram as “companheiras” da noiva, que estavam com ela desde o início dos preparativos para a festividade (o que, atualmente, se denomina de “o dia da noiva”) e que a levavam até a casa onde passaria a morar com o noivo.

 

– Jesus afirma que o reino dos céus é semelhante a dez virgens, ou seja, compara o reino de Deus com dez dessas moças que acompanhavam a noiva desde o início dos preparativos para seu encontro com o noivo até a chegada ao novo lar do casal.

As virgens, portanto, são pessoas que participam do propósito da noiva de se encontrar com o seu noivo e de morar com ele, com ânimo definitivo, em um lugar diferente de onde estava morando, ou seja, a casa dos seus pais.

 – As virgens, são, portanto, pessoas que sabem muito bem o que está acontecendo, ou seja, que a noiva vai se mudar de lugar de habitação, que vai deixar a casa dos seus pais para ir morar na casa do noivo.

As virgens têm consciência plena de que a noiva precisa se preparar, trocar as suas vestes, pôr adornos e enfeites, a fim de que, como rainha, chegar ao encontro do noivo e ir com ele para morar na casa dele.

 – As virgens não são, portanto, noivas, como, às vezes, ouvimos alguns que leem o texto superficialmente dizer em estudos e em pregações. As virgens são moças que acompanham a noiva em sua trajetória desde o início da preparação até a entrada no novo lar do casal.

 – Por causa disto, muitos se embaraçam com a interpretação da parábola, vez que entendem que, se as virgens não são noivas, não poderiam, portanto, representar a Igreja, já que esta é a Noiva do Cordeiro.

O fato, porém, de a Igreja ser tida como a esposa do Cordeiro (Ap.21:9; 22:17) em nada impede que as virgens simbolizem a Igreja, como adiante veremos.

Não devemos nos esquecer que a parábola é uma comparação, é uma linguagem simbólica, de forma que o fato de um elemento significar a Igreja sem que este elemento seja a noiva não é problema algum, até porque, como temos visto durante este trimestre, sabemos que Jesus não é agricultor, não é um tesouro, não é o dono de um campo e isto não impediu que o Senhor Se referisse a Si mesmo nas parábolas como sendo um destes elementos.

 – O fato é que, na parábola das dez virgens, não há qualquer menção à noiva, que é a personagem que fica faltando, o que é de se admirar, já que Jesus está a falar de uma festividade de casamento, onde o centro das atenções é, precisamente, a noiva. Porém, na parábola das dez virgens, a grande ausente é a noiva. Esta ausência não é casual, nem irrelevante.

A noiva, que, como sabemos, é a Igreja, está ausente aqui desta parábola, porque é alguém que surgirá somente quando do arrebatamento da Igreja, quando, então, os salvos de todas as épocas, pela vez primeira, estarão reunidos diante do Senhor Jesus.

Esta ausência corrobora o entendimento de alguns estudiosos das Escrituras que creem que a inauguração da Igreja se dará apenas no dia do arrebatamento, pois só então teremos a “reunião dos tirados para fora do mundo”.

Até lá, jamais se terá a “universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb.12:23a).

OBS: “…Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo:

Hebreus 2.13:’…Eis-Me aqui, e aos filhos que Deus Me deu’. Então haverá festa nos céus, todas as hostes celestiais se alegrarão juntamente com todos os seus servos. Apocalipse 19.5-7.(…).

Somente nesta ocasião é que a Igreja estará pronta, e haverá festa entre toda a criação que teme ao Senhor Deus e Pai. Estará sendo inaugurado o reino eterno de Deus.

Cantares de Salomão retrata Deus como marido da nação de Israel. No Novo Testamento, a Igreja é contemplada como a Noiva de Cristo.

Assim que a Igreja estiver pronta, os remidos serão reunidos de todos os cantos da Terra e subirão para estar com o Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que fará uma apresentação ao Pai, Deus Todo-Poderoso, a seguir terá lugar uma grande festa.…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.110-1).

 – Houve, mesmo, manuscritos do Novo Testamento em que se acrescentou a expressão “e da noiva” no final de Mt.25:1, mas os estudiosos logo verificaram que se tratava de um acréscimo que não tinha qualquer respaldo nas cópias mais antigas e mais consideradas, a confirmar, portanto, que a noiva é a grande ausente da parábola das dez virgens.

Sua ausência, porém, repetimos, revela apenas que os eventos mencionados por Cristo na parábola têm lugar antes da inauguração da Igreja, antes da reunião primeira de toda a Igreja, o que se dará no arrebatamento.

 – Mas, se a noiva está ausente da parábola, quem representam as virgens, então? As virgens representam as pessoas que se dispõem a seguir o caminho da noiva, ou seja, todos aqueles que querem fazer companhia à Igreja, querem participar dos preparativos da Igreja para o encontro com o noivo, ou seja, cada pessoa que, conhecendo a mensagem do Evangelho, dispõe-se a viver eternamente com Deus, ou seja, dispõe-se a se preparar para morar no céu, para mudar de vida, deixando o lugar de sua habitação para uma nova morada com o esposo.

OBS: “…Os professos, durante a ausência do Senhor, são apresentados aqui como virgens que saem ao encontro do Noivo para O alumiarem no Seu caminho até casa.(…).A noiva não aparece nesta parábola.(…).

A Igreja, como tal, não está em cena nestes capítulos. Trata-se aqui da responsabilidade individual durante a ausência de Cristo.

O que caracteriza os fiéis nesta época é que eles saíam do mundo, do Judaísmo, de tudo, até da religião em relação com o mundo, para irem ao encontro do Senhor que vem.…” (DARBY, John Nelson. Trad. de Martins do Vale. Estudos sobre a Palavra de Deus: Mateus-Marcos, p.165).

 

– As virgens representam, portanto, todos aqueles que foram tocados pela mensagem do Evangelho e que resolvem se preparar para ir ao encontro de Jesus Cristo, que se dispõem a ter uma vida eterna de comunhão com Deus. Vemos, assim, que as virgens representam aqui o mesmo que os peixes da parábola da grande rede (Mt.13:47).

As virgens, portanto, não deixam de representar a Igreja, mas não da forma como se costuma dizer.

As virgens não são noivas, mas companheiras da noiva, participantes do mesmo destino da noiva, isto é, pessoas que querem ter o mesmo destino, o mesmo propósito da Igreja.

OBS: A distinção entre a noiva e as virgens encontra-se bem demonstrada nesta descrição da Igreja no principal documento católico-romano do Concílio Vaticano II que, por sua biblicidade, aqui transcrevemos:

“…Deus convocou e constituiu a Igreja — comunidade congregada daqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade e da paz — a fim de que ela seja para todos e para cada um o sacramento visível desta salutífera unidade.

Devendo estender-se a todas as regiões da terra, ela entra na história dos homens, enquanto simultaneamente transcende os tempos e os limites dos povos.

Andando, porém, através de tentações e tribulações, a Igreja é confortada pela força da graça de Deus prometida pelo Senhor, para que, na fraqueza da carne, não decaia da perfeita fidelidade, mas permaneça digna esposa do seu Senhor e, sob a ação do Espírito Santo, não deixe de renovar-se a si mesma, até que, pela cruz, chegue à luz que não conhece ocaso.…” (Constituição dogmática Lumen Gentium, nº 9).

 – Estas virgens, segundo o costume judaico, preparavam a noiva desde o início do primeiro dia das bodas, de modo a que a noiva estivesse devidamente trajada e adornada para se encontrar com o noivo no final do dia.

Temos, assim, a representação de todos aqueles que, durante a dispensação da graça, preocuparam-se em preparar a esposa de Cristo, que é a reunião de todos os salvos de todos os tempos, para o encontro, no final da dispensação, com o Senhor nos ares, no dia do arrebatamento.

OBS: “…Note-se que todas as dez virgens (tanto as prudentes como as loucas) foram surpreendidas, ao vir o noivo (vv.5-7[Mt.25:5-7]).

Isto indica que a parábola das dez virgens refere-se aos crentes vivos antes da tribulação e não àqueles durante a tribulação, os quais terão sinais específicos precedendo a volta de Cristo no final da tribulação…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Mt.25.1, p.1442).

 – Cada salvo que dá o seu fruto do Espírito, cada salvo que contribui para o aperfeiçoamento dos santos e para a evangelização do mundo, está adornando e vestindo a Igreja para o seu encontro com o Senhor no dia do arrebatamento da Igreja.

A Igreja estará totalmente preparada apenas no dia do arrebatamento, quando, então, estará aprontada (Ap.19:7).

Ser virgem é, portanto, aceitar ter o mesmo destino da Igreja, é assumir o propósito de mudar de vida, de mudar de habitação, de deixar as trevas e entrar na luz (Jo.3:18-21).

 – Jesus afirma que as virgens eram em número de dez. Este número, quer-nos parecer, é um elemento secundário da parábola. Jesus a ele teria Se referido apenas para indicar uma totalidade, da qual retiraria dois grupos.

Alguns intérpretes, porém, acreditam que haja um significado no número de virgens: “…dez, o número da vida secular desenvolvida; por conseguinte, tratar-se-ia do número do desenvolvimento secular da igreja.

Esse número era chamado pelos rabinos de ‘número total’, que a tudo abrange. ‘O que ultrapassa de dez volta novamente à unidade.

Por isso é que havia os dez mandamentos, a harpa de dez cordas, os dez Sephiroth dos cabalistas [atributos e emanações divinas que teriam sido utilizados para a criação do mundo, segundo a cabala, o misticismo judaico, observação nossa] etc. (Lange’s Commentary, in loc.).

Essas interpretações são extremamente interessantes, mas infelizmente erradas, pois não nos parece provável que qualquer coisa especial se tenha em vista aqui com o número dez.

É verdade que ‘dez’ era o número de uma companhia, entre os judeus, como também dez era o número de uma família para comemorar a páscoa, e dez judeus em uma localidade eram suficientes para formar uma congregação para a sinagoga.

Dez tochas ou lâmpadas eram o número usual nos cortejos nupciais. É provável que essas idéias e costumes tenham influenciado na escola desse número, mas fora daí não tem qualquer significação.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. CHAMPLIN. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, com. Mt.25:1, v.1, p.571).

OBS: Embora partilhemos do entendimento de Champlin, não deixa de ser interessante que o número dez fosse o número representativo de uma congregação para a sinagoga, ou seja, lembrando que se trata de uma parábola cujos ouvintes eram judeus, o número dez, que era o cortejo nupcial, não deixa de dar a idéia de uma comunidade que se dispõe a servir a Deus.

 – As virgens da parábola tomaram as suas lâmpadas e foram ao encontro do esposo. Isto nos fala dos momentos finais do dia.

Como já dissemos, as virgens acompanhavam a noiva desde o início do dia até o seu término quando, então, saíam em procissão da casa dos pais da noiva, onde o noivo vinha buscá-la, até o novo lar do casal.

Esta cerimônia dava-se no final do dia, daí porque havia a necessidade de iluminação do caminho para o lar do novo casal, caminho este que era iluminado pelas lâmpadas levadas pelas virgens.

Jesus fala-nos, portanto, dos instantes finais desta dispensação, dos momentos terminais da preparação da noiva, da “última hora” (I Jo.2:18).

 – Durante todo o dia, as virgens haviam se preparado para apresentar a noiva pronta para o noivo.

Durante todo o dia, as virgens haviam sabido que sua participação mais importante seria a de iluminar o caminho para o novo lar deste casal que estava se unindo pelos laços do matrimônio.

As dez virgens iriam participar do cortejo, as dez virgens tinham escolhido ir em direção ao novo lar dos noivos, as dez virgens tinham plena consciência a respeito do seu papel e da necessidade de terem azeite para abastecer as lâmpadas.

 – Aqueles que se dispõem a servir a Cristo e a esperar a Sua vinda, crendo na mensagem do Evangelho, são, a exemplo destas virgens, cientes da necessidade que têm de estar devidamente preparados para o encontro com o noivo, mas, e aí vem a diferença entre as virgens, nem todas, embora conscientes desta necessidade, se prepararam para se encontrar com o noivo. Havia as virgens prudentes e as virgens loucas.

 – Intérpretes há que identificam as virgens não com a Igreja, mas com Israel. As virgens seriam os judeus e Jesus estaria, com esta parábola, ilustrando a rejeição que receberia da nação israelita.

Somente os judeus que tivessem recebido Jesus é que desfrutariam das benesses do reino de Deus, ficando os demais do lado de fora.

Esta interpretação, entretanto, não leva em conta a circunstância da parábola. Jesus está Se referindo às últimas coisas, ao tempo do fim, envolvendo, em Seu sermão, não só Israel mas todas as nações.

Portanto, restringir a parábola apenas aos judeus não é uma interpretação que se coadune com os métodos da melhor hermenêutica, sem se falar que, enquanto nação, Israel rejeitou Jesus, como nos dão conta as Escrituras (Rm.9-11, Jo.1:11), o que não se harmoniza com o fato de haver dois grupos de virgens na parábola.

 III – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA

(II): AS CINCO VIRGENS PRUDENTES

 – Jesus afirmou que as dez virgens saíram ao encontro com o esposo. Isto nos mostra que a existência de dois grupos de pessoas que, aparentemente, estão servindo a Deus, que, aparentemente, estão preparados para o encontro com o esposo perdurará até o final do dia, ou seja,

somente quando do arrebatamento da Igreja teremos condição de visualizar quem pertence à Igreja genuína, ao grupo que estava preparado para se encontrar com Jesus e quem pertence à falsa Igreja, ou, como bem denominou o pastor Osmar José da Silva, à “igreja paralela”, formada por pessoas que, embora afirmem que estejam esperando Jesus, simplesmente não vivem de acordo com esta suposta esperança, não estão devidamente preparados para se encontrar com Jesus.

Assim como na parábola da grande rede, os peixes só foram separados quando se chegou à praia, ou seja, no final do trajeto traçado para a rede, assim também somente se reconhecerão os dois grupos de virgens no final do dia, no instante em que estiver terminando a dispensação da graça.

OBS: “…O que se pode perceber pelos ensinamentos é que há, nestes últimos tempos, duas igrejas intitulando-se seguidoras de Cristo.

A de Filadélfia e a de Laodiceia. Embora todas as sete igrejas representem, em certo sentido, alguma unidade cristã ou vida de pessoas da igreja cristã em todos os tempos.

Destacam-se, porém, estas duas últimas neste tempo do fim. Uma perseverante, guardando a Palavra de Deus, Filadélfia.

Outra morna, coitada, miserável, pobre, cega e nua, Laodiceia. Independente da denominação religiosa, estes dois tipos de cristãos estão andando juntos. Vamos chamar aqui de Igreja Fiel, a de Filadélfia.

E Igreja paralela, a de Laodiceia.…” (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.51-2).

 – Ao contrário da parábola do joio e do trigo, na parábola das dez virgens o que está enfocada é a própria comunidade que se apresenta como tendo sido formada pela pregação do Evangelho, precisamente o que ocorre na parábola da grande rede.

O evento que se constitui no pano de fundo de toda a parábola é o casamento e esta figura diz respeito ao mistério da Igreja (Ef.5:32).

Verdade é que a imagem do casamento também foi utilizada no Antigo Testamento para descrever o relacionamento entre Deus e Israel, notadamente pelo profeta Oseias, mas, dentro das circunstâncias da parábola, proferida em meio ao sermão escatológico, como já vimos supra, não se tem como entender que a noiva fosse Israel.

 – As dez virgens saíram ao encontro do esposo, compunham elas o cortejo nupcial da noiva, eram as acompanhantes da noiva, ou seja, as pessoas que, no instante do encontro com o noivo, haviam assumido o propósito de seguir os destinos da noiva, de seguir os passos da noiva, noiva esta que é a Igreja, a “universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus”.

Não obstante, destas dez virgens apenas cinco delas estavam devidamente preparadas e, por isso, são chamadas por Cristo de prudentes (Mt.25:2).

 – Alguns procuram, com base nesta parábola, afirmar que os salvos correspondem a cinquenta por cento daqueles que se dizem servos do Senhor.

Jesus, dizem estes, dividiu as dez virgens em dois grupos de cinco, a indicar, portanto, que metade dos que se dizem salvos o são, efetivamente, enquanto que a outra metade é apenas de crentes nominais.

Procuram, também, alicerçar este entendimento pelas expressões usadas por Jesus no sermão escatológico no sentido de que “então, estando dois no campo, será levado um e deixado o outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra” (Mt.24:40,41).

 – Não resta dúvida de que, tomadas ao pé da letra, estas expressões de Cristo em Seu sermão escatológico, bem como a ilustração decorrente da parábola das dez virgens parece indicar que haverá a salvação da metade dos que cristãos se dizem ser, mas uma precisão numérica não parece ser, entretanto, a finalidade de Jesus, seja no sermão, seja na própria parábola.

Parece muito mais que o Senhor está enfatizando que haverá dois grupos, que haverá duas comunidades no meio daqueles que se disseram tocados pela mensagem do Evangelho:

os cristãos sinceros, que, realmente, servem ao Senhor, honram-n’O e aguardam a Sua vinda e os cristãos nominais, os hipócritas, que, embora digam servir ao Senhor, negam-n’O com as suas ações e atitudes.

Trata-se, portanto, muito mais de um contraponto entre dois grupos do que, propriamente, numa afirmação numérica, de que haverá, exatamente, metade de crentes genuínos e metade de crentes hipócritas nas igrejas locais.

 – Ressaltemos, logo de início, que o aspecto que diferençava um grupo de outro era a prudência. Jesus disse que cinco eram prudentes. A prudência é a virtude que faz prever e evitar as inconveniências e os perigos, a cautela, a precaução.

A palavra “prudência” tem origem em “previdência”, ou seja, é a capacidade de prever. Considera-se prudente aquele que tem conhecimento, que é versado em alguma matéria (daí porque os grandes juristas de Roma serem chamados de “jurisprudentes”). Prudente é quem tem o bom senso, que procede de caso pensado, de propósito.

 – As cinco virgens chamadas de prudentes pelo Senhor eram pessoas que conheciam o cerimonial, que conheciam o caminho que seria percorrido e que, portanto, sabiam que deveriam ter azeite suficiente para a espera do noivo e o caminho até o novo lar do casal.

Elas tinham pleno conhecimento do que estava ocorrendo à sua volta, de que havia possibilidade de o noivo se demorar, mas que ele certamente viria e que, portanto, era de bom senso, era necessário, para evitar inconveniências, que houvesse uma reserva de azeite para poder alimentar as lâmpadas até a chegada ao novo lar do casal.

 – A prudência tem, portanto, como requisito um prévio conhecimento, um domínio sobre o assunto que se está a tratar, sobre o problema que se está a enfrentar.

As virgens prudentes conheciam o que se passava à sua volta, conheciam o noivo, seus atributos e tinham como provável a sua demora e, portanto, a necessidade de um abastecimento de azeite até o momento de sua chegada.

Jesus mostra-nos, portanto, que não há como se chegar ao novo lar do casal, não há como entrar na casa do noivo a não ser através da prudência, ou seja, do prévio conhecimento do noivo, do prévio conhecimento das circunstâncias que nos rodeiam. 

 – A prudência é obtida pelo temor do Senhor. Salomão afirma que para se entenderem as palavras da prudência, para dar aos simples prudência, o temor do Senhor é o princípio da ciência (Pv.1:2,4,7).

Somente se tivermos temor a Deus, poderemos adquirir prudência, ou seja, somente se respeitarmos a Deus, se formos reverentes a Ele, ou seja, se Lhe formos obedientes e submissos, teremos condição de adquirir a prudência.

 – Para que sejamos prudentes, é mister que obedeçamos ao Senhor, que cumpramos a Sua vontade, que a façamos, independentemente do que ocorre à nossa volta, independentemente das consequências das nossas atitudes.

A Bíblia revela que somente os homens que estão andando de acordo com a vontade de Deus são prudentes. A primeira vez que a Bíblia afirma que alguém se conduzia com prudência é em relação ao rei Davi, um homem segundo o coração de Deus (I Sm.18:5,14).

Quem anda com prudência, assim o faz porque está em comunhão com Deus, pois quem anda com prudência, Deus está com ele (I Sm.8:14; II Rs.18:7).

OBS: Por isto, ao concluir seu comentário sobre esta parábola, Matthew Henry afirma: “…Estejam no temor do Senhor durante toda a duração do dia” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Completo. Theophilos 3.0 .Religião.com CD-ROM) (tradução nossa de texto em inglês).

 – Ter prévio conhecimento é necessário para que se tenha prudência e nós somente conheceremos a Deus se tivermos intimidade com Ele.

É preciso que estejamos separados do pecado para venhamos a ter comunhão com o Senhor e, dentro de um ambiente em que fomos perdoados de nossos pecados e que passamos a viver separados dos pecados, em contínua santificação, teremos condição de adquirir a necessária prudência para nos encontrarmos com  o esposo ao término desta nossa dispensação.

 – Quem é prudente, faz-se companheiro de Cristo. As Escrituras afirmam que Jesus age com prudência (Is.52:13), bem como que o prudente tem por companhia a sabedoria, sabedoria esta que, na passagem bíblica, é uma tipificação do próprio Senhor (Pv.8:12).

Como não podem andar dois juntos se não estiverem de acordo (Am.3:3), somente aqueles que forem prudentes poderão desfrutar da comunhão e da companhia de Jesus.

– Estas cinco virgens eram prudentes, relata-nos o Senhor, porque levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas (Mt.25:4), ou seja, porque verificaram que poderia haver alguma circunstância que atrasaria o noivo e, portanto, exigiria uma maior provisão de azeite além daquele que já estava alimentando as suas lâmpadas.

Estas virgens queriam evitar inconvenientes e, ante a probabilidade da sua ocorrência (pois, como prudentes, tudo percebiam, prestavam atenção nas circunstâncias, do que acontecia em volta), preferiram levar consigo azeite em suas vasilhas, além das lâmpadas que já continham algum azeite para a alimentação.

 – A prudência destas virgens mostra que elas não se consideravam autossuficientes, que elas não se julgavam donas da situação, mas que sabiam que os fatos poderiam acontecer independentemente de suas vontades e de seu controle.

Tinham plena certeza de que o noivo viria, de que iriam para o novo lar do casal, mas não sabiam quanto tempo isto duraria e, por cautela, resolveram colocar azeite em suas vasilhas.

 – As virgens prudentes não se sentiam senhoras da situação, não criam em si mesmas. Estavam dispostas a seguir o cerimonial estabelecido, em seguir o noivo para sua casa nova, mas queriam tanto fazê-lo que não aceitaram a hipótese de faltar azeite durante a iluminação do caminho até a casa do noivo.

O dia já declinava, haviam procurado, durante todo o dia, preparar a noiva e não iriam, agora, neste último instante, descuidar deste importante pormenor: o azeite.

 – Vejamos que a única coisa que poderia dar errado, nesta altura do dia, em que todos os preparativos já haviam sido tomados, era a falta de azeite.

As lâmpadas já estavam em suas mãos e se tinha apenas de esperar o noivo, que certamente viria. Assim, o que dependia das virgens era apenas tomar o cuidado de não deixar faltar o azeite até a chegada à nova moradia dos nubentes.

 – Esta é, precisamente, a situação em que se encontra a Igreja genuína, a Igreja militante, a Igreja que está preparada para se encontrar com o Senhor. Ela percebe que se está no final do dia, ou seja, no final da dispensação da graça.

A noite está chegando, quando ninguém mais poderá trabalhar (Jo.9:4) e, desta forma, é hora de empunhar as lâmpadas, mas de tomar todo o cuidado para que não falte o azeite para abastecê-la.

 – Os salvos estão em comunhão com o Senhor e percebem que Ele está voltando, que as profecias estão se cumprindo e que precisamos estar alerta para o momento da chegada do noivo, que vem buscar a noiva para levá-la à nova moradia.

 Assim, como acompanhante da noiva e participante de seu destino (pois é um membro em particular desta Igreja, que, em seu todo, é a noiva – I Co.12:27), o salvo do instante do arrebatamento está ciente de que não pode deixar faltar o azeite em sua lâmpada, ou seja, de que é preciso manter esta comunhão com o Senhor, que é preciso estar na luz, como Ele na luz está (I Jo.1:7), para que não seja apanhado desprevenido no instante da chegada do noivo.

 – Quanto mais a noite se aproxima, mais o salvo do instante do arrebatamento tem de verificar como está a sua reserva de azeite, como está a sua disposição de servir a Deus, de manter-se em santidade, de se separar do pecado e do mal.

Nada pode impedir que venhamos a alimentar a lâmpada, que venhamos a ter azeite para alimentar as nossas lâmpadas.

 

– As virgens prudentes sabiam das suas limitações, tendo, então, cada uma provido a quantidade necessária de azeite para enfrentar todas as dificuldades que, durante o cerimonial, surgissem.

E, realmente, o noivo tardou e, já perto da meia-noite, ou seja, mais ou menos seis horas depois de ter anoitecido, ouviu-se o clamor: aí vem o esposo.

As virgens prudentes tinham até tosquenejado, ou seja, haviam até se cansado de esperar, mas, acordadas pelo clamor, tinham azeite suficiente para reabastecer suas lâmpadas, que, assim como as das outras virgens, certamente estavam se apagando, em virtude do tempo decorrido.

Entretanto, em virtude da reserva, as lâmpadas não se apagaram e as virgens puderam receber o noivo e entrar para as bodas.

 – As virgens prudentes sabiam de suas limitações, sabiam que tinham pouca força, mas guardaram a palavra de Deus e não negaram o nome de Jesus. Por isso, tiveram a porta aberta para entrar nas bodas, porque tinham comunhão com o Senhor (Ap.3:8).

– Temos sido prudentes? Estamos em comunhão com Deus? Temos nos separado do pecado? Temos percebido que a noite está chegando e que o noivo está prestes a chegar? Temos guardado a palavra de Deus? Temos negado o nome de Jesus?

Estas respostas certamente mostrarão se somos, realmente, virgens prudentes, se estamos habilitados a entrar nas bodas, pois “…estar sem comunhão pessoal com o Senhor quando Ele voltar significa ser lançado fora da Sua presença e do Seu reino.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Mt.25.1, p.1442).

Que seja uma realidade em nossas vidas o que diz o poeta sacro: “Com muita prudência eu quero estar esperando por meu Senhor e sempre alerta aqui vigiar, té que venha o meu Salvador.” (refrão do hino 312 da Harpa Cristã).

 IV – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA

(III): AS VIRGENS LOUCAS

 – O segundo grupo de virgens identificado na parábola são as cinco virgens loucas ou insensatas. São virgens que não tinham o bom senso, ou seja, lhes faltava a prudência, que caracterizava o primeiro grupo. Eram loucas, disse Jesus, porque não levaram azeite consigo (Mt.25:3b).

 – Percebamos, em primeiro lugar, que estas virgens não estavam sem azeite em suas lâmpadas, como se costuma dizer inadvertidamente.

Elas eram loucas porque não levaram azeite consigo, ou seja, ao saírem ao encontro do esposo, elas simplesmente levaram as lâmpadas, sem se preocupar em levar uma reserva de azeite para a eventualidade de um novo abastecimento.

OBS: “…A sabedoria das cinco virgens consistia em pegar um suprimento de óleo em vasos, além do óleo já existente em suas lamparinas. Portanto, elas estão preparadas para o atraso do esposo (v.5[Mt.25:5]).” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, nota a Mt.25.4, p.984).

 – Neste ponto, aliás, teremos de analisar aqui o elemento da parábola que é o azeite. O azeite era o combustível das lâmpadas, como diz Champlin, “…o único ingrediente necessário para assegurar um cortejo [nupcial, observação nossa] bem sucedido, especialmente se o cortejo tivesse lugar à noite, conforme era usual entre os gregos e os romanos, mas também, com alguma frequência, entre os judeus.…” (op.cit., com. Mt.25:3, p.572).

 – As lâmpadas mencionadas por Jesus eram, como sabemos, uma variante do que hoje denominamos de lampiões ou candeeiros, normalmente, tigelas dotadas de biqueiras, com pavios de linho retorcido, tendo como combustível, normalmente, o azeite de oliveira (Ex.27:20).

“…Os orientais não dormiam às escuras. A presença da lâmpada simbolizava a vida, alegria e paz (Sl.18:28).

O apagar de uma lâmpada era um acontecimento cuidadosamente evitado, pois indicava melancolia e desolação (II Sm.21:17; Jó 18:5,6).

As evidências arqueológicas têm demonstrado que os antigos sofriam de enegrecimento dos pulmões devido ao costume de deixarem acesa uma lâmpada a noite inteira, o que servia de tremendo fator poluidor.…” (R.N. CHAMPLIN. Lâmpada. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.723).

OBS: “…Um uso igualmente popular [do azeite, observação nossa] na esfera doméstica era a de um combustível para as pequenas lâmpadas encontradas com abundância desde o período mais antigo da Palestina.(…).

Tanto lâmpadas portáteis como de outros tipos geralmente tinham um entalhe na beira, onde era posto o pavio de linho (Is.42:3). Quando a lâmpada estava cheia de azeite de oliveira, o pavio sustentava uma chama constante, até que o suprimento de combustível diminuísse.

Quando tais lâmpadas eram transportadas de um lugar para outro, era costumeiro nos tempos do Novo Testamento que o indivíduo levasse um pequeno receptáculo com azeite de oliveira amarrado a um dedo por um fio.

Então, se a lâmpada precisasse ser cheia novamente em qualquer ocasião, estava à mão um suprimento adequado de azeite.…” (HARRISON, R.K.. Azeite. In: DOUGLAS, J.D. (org.). O Novo Dicionário da Bíblia, v.I, p.174-5).

 – O fato de se usarem lâmpadas numa ocasião festiva como era a cerimônia de um casamento revelava este símbolo de vida, de alegria e de paz e, portanto, era indispensável que não se tolerasse sequer a hipótese de as lâmpadas virem a se apagar.

Tratava-se, portanto, de uma preocupação das mais exigíveis para as virgens, para as acompanhantes da noiva, um dos seus deveres principais.

 

– Levar o azeite consigo era, portanto, a principal obrigação das virgens, neste momento do dia, um dever supremo, a sua principal responsabilidade.

O azeite representa, portanto, aqui o compromisso daquelas virgens em ir até o novo lar do casal de nubentes, a determinação, a disposição de se ir até o fim no cumprimento de seus deveres, no papel que haviam assumido desde o início do dia.

Como afirma o comentarista da Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, o azeite simboliza aqui a prática da justiça que deve haver em cada cristão genuíno.

 – O azeite representa, portanto, a existência da prudência, da comunhão, da santidade. É, por isso, que muitos identificam no azeite a figura do Espírito Santo, que é a Pessoa divina encarregada de manter viva a comunhão que temos com o Senhor Jesus, pois faz parte de Sua tarefa nos guiar em toda a verdade, glorificar a Jesus, recebendo o que é de Cristo e anunciando a nós (Jo.16:13-15), desejando ardentemente a volta de Cristo (Ap.22:17).

 – Não resta dúvida de que somente aqueles que têm o Espírito de Deus, que são os filhos de Deus (Rm.8:9,16), são os prudentes, aqueles que estarão devidamente preparados para se encontrar com o noivo, mas o azeite não representa apenas o Espírito Santo, mas, e isto é mais relevante, a comunhão com Deus através do Espírito Santo (II Co.13:13). 

OBS: “…O azeite, nesta parábola, representa no crente a presença permanente do Espírito Santo, aliada à fé verdadeira e à santidade. Cinco outras parábolas contendo a lição da perseverança são:

O Semeador (Lc.8:4-15);

O Servo Vigilante (Lc.12:35-40);

O Mordomo Fiel (Lc.12.4248);

O Construtor da Torre (Lc.14.28-30) e

O Sal Degenerado (Lc.14.34,35)…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Mt.25.4, p.1442). Discordamos que “o sal degenerado” seja uma parábola, sendo tão somente, no nosso modesto entendimento, uma ilustração.

 – As virgens loucas não levaram o azeite consigo, ou seja, na interpretação costumeira, não tinham o Espírito Santo, se o azeite representa o Espírito Santo. Entretanto, como entender que tinham suas lâmpadas acesas, se não tinham o Espírito Santo?

Como entender que tinham algum azeite, se aqueles que andam segundo a carne não têm o Espírito?

Esta dificuldade surge se identificarmos o azeite com o Espírito Santo, mas, se verificarmos que o azeite simboliza a comunhão com o Espírito Santo, veremos que a situação se esclarece e que passamos a compreender o que se passa na parábola.

 

– Lembremos que as virgens simbolizam as pessoas que, tendo ouvido o Evangelho, resolveram ter o mesmo destino da Igreja, resolveram ir para o céu, creram no retorno de Cristo e na promessa de que nos dará uma nova morada, a vida eterna.

Quando alguém assim age, isto ocorre porque foi despertada pela Palavra do Senhor, porque creu por ouvir pela Palavra e isto só é possível mediante um convencimento do Espírito Santo (Jo.16:8-11).

O Espírito, então, vem habitar na pessoa, que é regenerada, nasce de novo, nasce da água e do Espírito (Jo.3:3-5).

 – Lamentavelmente, porém, as pessoas aqui representadas pelas virgens loucas não decidem conhecer o Senhor.

Nascidas de novo, despertadas para a realidade da vinda de Cristo e da vida eterna, dizem estar se preparando para o encontro com o esposo, mas, infelizmente, não o fazem.

Não se separam do pecado, não criam uma intimidade com Deus e, pouco a pouco, aquela chama que acendeu pelo efeito da fé salvadora, vai enfraquecendo e, como não foi levado azeite consigo, instantes antes da chegada do esposo, a lâmpada começa a se apagar, sem condições de haver um reabastecimento, porque não há mais comunhão, não se construiu um relacionamento entre esta pessoa e Deus depois do instante do novo nascimento.

As virgens loucas, “…embora levassem a lâmpada da profissão cristã externa, não se preocuparam com o azeite da graça, a fim de encher, manter e aparar os pavios de suas lâmpadas; ignoravam a natureza e o uso da verdadeira graça;

não viam necessidade da mesma e por isso mesmo não a pediram; pelo contrário, negligenciaram-na, desprezaram-na, negaram sua utilidade; e, estando destituídas da mesma, professavam-se cristãs sem sê-lo realmente e justamente disso é que consistia sua insensatez.…” (GILL, John apud CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, com. Mt.25:3, p.572).

Não é outro o motivo pelo qual o Senhor lhes diz na parábola: “em verdade vos digo que não vos conheço” (Mt.25:11 “in fine”).

 – As virgens loucas, portanto, chegaram a ter o Espírito Santo num determinado momento de suas vidas, tanto que receberam o Evangelho e resolveram mudar de vida, com vistas a se encontrar com o esposo no final do dia, para entrar nas bodas.

Entretanto, esta intenção não se concretizou, não se tornou uma realidade, não se tornou uma disposição.

Estas virgens não se prepararam para se encontrar com o esposo, tanto que não levaram azeite consigo e, por isso, o Espírito Santo que receberam quando de sua conversão, os deixou, entristecido com a sua vida pecaminosa, que foi retomada, que não foi abandonada.

 Ficou apenas a aparência de religiosidade, simbolizada pela lâmpada que ainda está ardendo, mas, no momento em que se ouvir o clamor “aí vem o esposo”, a lâmpada não resistirá, apagar-se-á, pois não há comunhão, não foi levado azeite consigo.

 – A loucura, a insensatez das virgens néscias é gritante e a imagem usada por Jesus mostra bem isto.

Como vimos, tratava-se de um dever principal das virgens numa cerimônia como esta. Era o que podemos hoje dizer de um “erro crasso”, uma negligência muito grande, um verdadeiro absurdo, um despropósito.

Mas é precisamente isto que representa o fato de alguém ser tocado pela mensagem do Evangelho e resolver seguir uma vida religiosa aparente, sem qualquer transformação, sem abandono do pecado.

Trata-se de uma verdadeira insensatez, de uma loucura, de um procedimento totalmente despropositado.

 – Muitos, porém, são aqueles que têm seguido este caminho louco, que têm preferido dizer que estão esperando Jesus, que têm dito que estão esperando o Senhor, mas que, no fundo, não o provam, porque continuam uma vida de pecado, uma vida de desconhecimento de Deus, uma vida de distanciamento de Deus.

Ao contrário das virgens prudentes, as virgens loucas achavam-se autossuficientes, não criam que o noivo fosse demorar e entendiam que era desnecessária a reserva de azeite. No entanto, acabaram não se encontrando com o esposo e ficando do lado de fora das bodas.

 – Levar o azeite consigo é ter uma vida de comunhão com Deus, é desfrutar da comunhão com o Espírito Santo. O Espírito Santo somente tem comunhão com quem se separa do pecado, com quem se santifica. Quem anda segundo o espírito, quem não anda segundo a carne tem o Espírito de Deus (Rm.8:5-9).

Temos levado o azeite conosco? Temos nos separado do pecado? Somos filhos de Deus? A aparência para nada vale.

As virgens loucas estavam junto com as virgens prudentes, dormiram com elas, esperavam com elas o noivo, mas quando se ouviu o clamor, ao acordarem, suas lâmpadas se apagavam. Lâmpada sem reserva de azeite não ficará acesa até a vinda do Senhor.

 – Por isso, não podemos concordar com aqueles que veem nesta parábola base para sua doutrina do “arrebatamento parcial”, ou seja, de que apenas parte da Igreja será arrebatada.

As virgens loucas, embora tivessem um dia atendido ao chamado do Evangelho, não se libertaram do pecado, porque não conheceram ao Filho (Jo.8:32-36), de forma que não se trata de verdadeiras crentes, mas de pessoas tão pecadoras quanto aquelas que jamais atenderam ao chamado do Evangelho.

 “…O certo é que o trecho não está ensinando que Cristo arrebatará alguns membros das igrejas e deixará para trás os demais que não estiverem preparados. Pois se ‘virgens’ significa ‘crentes’ como é que Jesus falaria: ‘não vos conheço’? Se as últimas cinco ficaram sem ‘óleo’ (o Espírito) então não eram crentes (cf. 24.13; Hb.3:13,14).…’ (BÍBLIA VIDA NOVA, nota a Mt.25.1-13, p.37).

 V – A INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA

(IV): O NOIVO E SEU CLAMOR

 – O noivo aqui é o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O casamento sempre foi uma figura que representa o relacionamento entre Deus e o Seu povo. Assim, Israel sempre foi apresentado como sendo a esposa do Senhor, como também a Igreja, como a esposa do Cordeiro.

 – O relacionamento matrimonial é uma figura típica do relacionamento de Deus com o Seu povo, porque é um relacionamento fundado em amor, em fidelidade e em santidade, precisamente como deve ser o relacionamento entre Deus e os homens. 

 – O noivo era a pessoa que viria buscar a noiva no final do dia para levá-la até o novo lar do casal.

A parábola, portanto, reforça a promessa de Jesus de que viria buscar a Sua Igreja(Jo.14:1-3), os Seus discípulos, promessa que é a mensagem mais repetida em todo o Novo Testamento.

 A volta do Senhor é uma realidade que se apresenta cada vez mais iminente e, por isso, tem de ser divulgada e pregada a cada momento, com maior intensidade pela Sua Igreja.

A noite está chegando, a volta do noivo se aproxima e nós, que tanto a desejamos, devemos anunciá-la, para que outros possam dela usufruir.

OBS: Infelizmente, a mensagem da volta de Cristo tem desaparecido dos nossos púlpitos. A volta de Jesus tem sido substituída por mensagens de prosperidade material e pelas coisas desta vida.

Entretanto, a Palavra de Deus é a verdade e o Senhor não tem Se esquecido da Sua promessa. Um exemplo disto vimos, com muitíssima clareza, recentemente, com a morte do Papa João Paulo II.

Já que os crentes não andam clamando que Jesus breve virá, o Senhor usou de uma pedra para clamar e, em alto e bom som, em toda a mídia do mundo inteiro, quando foi divulgado o testamento espiritual do Papa polonês, vimos, em seu introito, escrito “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt.24:42). Como Deus é maravilhoso! Se o povo de Deus não está clamando, as pedras o estão fazendo!

 – A noiva, desde o início do dia, aguardava com ansiedade o término do dia, quando, então, se encontraria com o noivo.

Vestiu-se e se adornou para este encontro e, durante o dia todo, não desejava outra coisa senão se encontrar com o seu amado. Assim, também, a Igreja é formada por todos aqueles que amam a vinda de Jesus (II Tm.4:8). O clamor da verdadeira Igreja é pela volta do Senhor (Ap.22:17). 

 

– O noivo prometeu vir e viria até o final do dia, pois aquele era o dia marcado para o casamento.

Entretanto, não disse a que hora viria, de modo que a noiva deveria aguardá-lo até o final do dia e a parábola nos diz que o noivo chegou à meia-noite, ou seja, no final do dia, mas, apesar da demora, cumpriu a sua promessa e veio buscar a noiva. Jesus, igualmente, cumprirá a Sua promessa.

No momento certo, que não sabemos nem temos condição de saber qual é (Mt.24:36), Jesus virá e levará conSigo tão somente aqueles que estiverem preparados. “…Cristo deixa, pois, claro que Ele não vai esperar até que todas as igrejas locais estejam preparadas para a Sua vinda.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, nota a Mt.25.1, p.1442).

 – As virgens esperavam o esposo e ele, realmente, demorou além do que se esperava, a ponto de todas elas terem tosquenejado e adormecido (Mt.25:5).

Este tosquenejar e adormecer quer-nos parecer que se trate apenas de uma indicação de que o esposo estava demorando, não havendo aqui nenhuma alusão a uma frieza espiritual geral da Igreja num momento imediatamente anterior à vinda do Senhor.

Jesus apenas estava afirmando que, na concepção das virgens, houve demora por parte do noivo. 

OBS: “Como a precedente [a parábola dos dois servos, observação nossa], esta parábola centraliza-se na demora do Senhor([Mt.] 24,48; 25,5), mas, em vez de fixar a atenção na má conduta dos servos, focaliza a obrigação de estar preparado (24,44; 25,10), quando ressoar o grito que anuncia a chegada do esposo.

As virgens, ou são prudentes ou insensatas, como aqueles que constroem sobre a rocha ou sobre a areia ([Mt.] 7.24-27).” (BÍBLIA – Tradução Ecumênica – nota i, p.1907).

– Esta circunstância é importante, porque, realmente, na história da Igreja, muitos foram os que previam a vinda do Senhor para os seus dias, mas isto não aconteceu. Em virtude disto, houve quem, já nos dias apostólicos, achasse que Jesus estava demorando.

Entretanto, estes, como bem sublinhou Pedro, eram, como ainda são, “…escarnecedores, que andam segundo as suas próprias concupiscências…” (II Pe.3:3b), pessoas ignorantes, ímpias, que não conhecem o Senhor (II Pe.3:5-10).

O fato é que, para cada geração, Jesus veio realmente, já que, após a morte física, não há mais como se alterar a opção que foi feita pelo homem quanto à eternidade.

OBS: “…Os escarnecedores virão com o objetivo de nos tirar de nosso entendimento estável. Se eles conseguirem, terão alcançado sua meta. Os escarnecedores perguntam pela vinda de  Jesus que foi prometida desde os dias que os patriarcas morreram.

Mas eles não sabem que Jesus veio para cada geração. Jesus veio para todas as civilizações. A profecia de Enoque, por exemplo, diz que “Ele veio com os milhares de anjos”.

A civilização de Enoque teve o privilégio de viver os dias da promessa de Sua vinda. A palavra de Enoque está no passado.

“Eis que veio o Senhor com Seus milhares de santos”. A vinda de Jesus para aquela civilização foi súbita e com o juízo de água. Mais adiante, Pedro fala sobre isto. Aquela civilização viveu todos os sinais que precediam a Sua vinda. Ele veio com os Seus anjos.

Ele veio com os seus santos antes de destruir Sodoma. A vinda do Senhor, nos dias da destruição, foi para os justos, mas não havia ali mais que um justo. Ele veio para os justos, mas não havia justos. Somente Ló e duas filhas se salvaram. Mas o Senhor veio.

Sua vinda foi cumprida. Sua vinda foi cumprida nos dias de Noé, e somente Enoque foi arrebatado antes do dilúvio e Noé, salvo durante a tribulação das águas. Hoje, nossa civilização não pode escarnecer que Ele jamais tenha vindo, temos provas de que veio para aquelas civilizações.

Ele veio para aqueles que estavam no Hades. Ele veio, e houve sinais que precederam a Sua vinda. Ele veio. Ele veio, de forma individual, para cada santo que morre no Senhor.

Agora, esperamos nossa “reunião” com Ele, antes da Grande Tribulação, do fogo que virá sobre a Terra, pois agora, o Senhor prometeu que não mais destruirá a terra com água.…” (ROCHA, A. Nelson. 2ª Pedro da Bíblia Rhema Di Nelson: a graça que a nós foi profetizada, p.60-1) (obra ainda no prelo, com publicação autorizada pelo autor, de registros de arquivo de um dos revisores gramaticais).

 – Muitos têm sido levados por estes escarnecedores e começam a achar que o noivo está demorando e, por isso, não mais se preparam para encontrá-lo, preferindo amar o mundo e aquilo que no mundo há.

Como consequência, não mais mantêm comunhão com Deus, não levam consigo o azeite e a consequência disto será funesta: antes que o noivo chegue, terão suas lâmpadas apagadas e ficarão do lado de fora das bodas.

 Não achemos, pois, que Jesus está demorando, esperemos o Senhor a qualquer momento, pois, assim agindo, certamente estaremos vigilantes, não permitindo que venhamos a perder a comunhão com o Senhor.

– Ao determinar que a Igreja comemore a Sua morte e ressurreição, através da ceia do Senhor, Cristo bem demonstrou qual o comportamento que espera dos Seus discípulos, daqueles que, realmente, querem vincular o seu destino ao da Igreja, ao da Noiva do Cordeiro.

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor até que venha” (I Co.11:26).

Ao estabelecer que a Igreja deveria celebrar a Sua morte, o Senhor aponta para a Sua vinda, ou seja, faz-nos conscientes de que devemos aguardá-l’O a todo instante, a todo momento, que o limite de nossa comunhão com Ele é a Sua vinda. Somente aqueles que o fizerem, entrarão nas bodas.

 – O momento em que se notou a diferença entre as virgens prudentes e as virgens loucas foi o momento do clamor. “À meia-noite, ouviu-se o clamor: aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro” (Mt.25:6).

O momento do clamor é o que se costuma dizer de “a hora da verdade”. Todas as virgens haviam saído ao encontro do esposo, mas nem todas estavam preparadas para fazê-lo.

O clamor do esposo representa aqui o instante do alarido, da voz de arcanjo, da trombeta de Deus (I Ts.4:16), ou seja, o dia do arrebatamento da Igreja.

Será apenas neste instante que se saberá a diferença entre os genuínos salvos e aqueles que apenas servem a Deus nominalmente. Quando Deus fizer chamada, então saberemos quem tem levado azeite consigo e quem não o tem.

 – Até que se ouvisse o clamor, todas as virgens estavam adormecidas, todas se encontravam com suas lâmpadas acesas, aparentemente todas estavam em condições de ir ao encontro do noivo.

Assim ocorre nos nossos dias: dentro das igrejas locais, todos parecem estar servindo a Deus, todos parecem estar esperando Jesus, todos parecem estar em comunhão com o Senhor. Entretanto, isto não é verdade.

Existem aqueles que são salvos, que servem a Deus com sinceridade de propósito, com prudência, que estão em comunhão com o Senhor e aqueles que são apenas cristãos nominais, que não servem a Deus, que vivem uma vida de aparência, que, entretanto, não passa de hipocrisia.

No instante da chamada, porém, a aparência se desfará e as lâmpadas se apagarão, porque não haverá azeite, não haverá comunhão com Deus.

 – A Bíblia diz que somente poderão entrar na cidade santa aqueles cujas vestes estiverem lavadas no sangue do Cordeiro (Ap.22:14), revelando assim que somente ingressarão na Nova Jerusalém aqueles que tiverem uma vida de comunhão com Cristo, pois, para as vestes estarem lavadas no sangue do Cordeiro, é preciso que este sangue esteja continuamente purificando a pessoa, o que se dá quando ela está em comunhão com o Senhor (I Jo.1:7).

Por isso, o momento da chamada é o instante em que se verifica se a pessoa vai, ou não, estar preparada para a volta do Senhor.

Um instante em que não é mais possível tergiversar nem se consertar com Deus, é o resultado de toda uma opção que se fez durante a sua vida sobre a face da Terra.

 – Na parábola, Jesus deixa bem claro que quem não tiver levado azeite consigo não o encontrará enquanto noivo, não participará das bodas.

A parábola, portanto, reforça a lição de que a Igreja não sofrerá a grande tribulação e que participará das bodas do Cordeiro, separadamente daqueles que serviram a Cristo apenas de aparência. As virgens loucas não chegaram a ver o esposo.

Ouviram o clamor e notaram que suas lâmpadas se apagavam. Pediram azeite para as virgens prudentes, mas estas só tinham o suficiente para si. Assim, foram comprar mais azeite, mas, quando chegaram, já era tarde demais, pois a porta já havia se fechado e as bodas se iniciado sem elas.

 – A parábola mostra, claramente, que é o que fizemos durante o dia que selará o nosso destino à noite, ou seja, como vivemos sobre a face da Terra é que determinará o nosso destino na eternidade.

Não há segunda chance, não há nova oportunidade. É interessante notar que as virgens loucas tentaram arrumar azeite com as virgens prudentes, mas estas não puderam ajudá-las.

 A salvação é individual, é resultado da ação de cada um, de forma que não há possibilidade alguma de alguém se salvar por intermédio da ação de outros.

Como afirmou John Wesley, o fundador da Igreja Metodista, ao comentar esta passagem bíblica: “nenhum homem tem mais santidade do que a suficiente para si mesmo” (Notas explicativas de John Wesley sobre a Bíblia inteira, nota a Mt.25:9. http://bible.crosswalk.com/Commentaries/WesleysExplanatoryNotes/wes.cgi?book=mt&chapter=025 Acesso em 03 maio 2005). (tradução nossa de texto em inglês).

– Não é verdade, pois, o que ensinam os católicos romanos ou os espíritas kardecistas, ao advogarem uma nova chance de salvação depois da vida vivida sobre a face da Terra.

Também não tem qualquer respaldo bíblico, como se observa, a doutrina de que alguém possa ser intermediário de “unções” ou de “porções espirituais”, como têm defendido, por exemplo, os gedozistas do sr. César Castellanos.

“…Ninguém pode obter a plenitude do Espírito Santo através de outros…” (Novo Testamento, Versão Restauração, nota 1 a Mt.25:9) (tradução nossa ao texto em inglês).

OBS: “…quando Jesus voltar para levar o Seu povo para o céu, deveremos estar prontos. A preparação espiritual não pode ser comprada ou emprestada no último minuto.

O nosso relacionamento com Deus é pessoal e individual, pertence somente a cada um de nós.” (BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, nota a Mt.25.1ss, p.1270).

 – A parábola mostra que nem todos serão salvos, o que desmente, também, os chamados “universalistas”.

As virgens prudentes ingressaram nas bodas, entraram no novo lar do noivo, mas as virgens loucas não entraram ali, embora tenham insistido em pedir.

Há dois destinos para os homens: aqueles que viveram em comunhão com Deus, que viverão eternamente com Ele; aqueles que não viveram em comunhão com o Senhor, que estarão eternamente separados d’Ele.

 – A propósito, devemos aqui alertar sobre interpretações que têm surgido a respeito desta parábola, procurando aqui indicar que haverá uma segunda oportunidade para as virgens loucas, uma vez que elas teriam podido comprar o azeite mesmo depois do início das bodas. Estes intérpretes procuram ver aí uma chance de salvação na grande tribulação, entendendo que os vendedores de azeite representariam os pregadores do evangelho durante a Grande Tribulação e que o preço seria a morte, que será uma necessidade para a salvação naquela época. Esta interpretação, todavia, não se coaduna com a conclusão da parábola, em que o noivo afirma não conhecer as virgens loucas, algo totalmente contrário a esta suposta salvação prometida.

Esta linha de pensamento, defendida por Watchman Nee, o criador da “igreja local”, envolve, inclusive, uma suposta salvação após a ressurreição, o que é extremamente fora da sã doutrina.

 – A parábola, também, é clara ao mostrar que não existe outro modo de salvação a não ser ter a comunhão com Deus através de uma vida voltada para se encontrar com o noivo, Cristo Jesus.

As virgens prudentes mantiveram-se separadas do pecado, em santidade, querendo se encontrar com Jesus e, com Jesus, entraram nas bodas, obtiveram a vida eterna.

As virgens prudentes, apesar de serem santas, nada puderam fazer para a salvação das virgens loucas, nem mesmo seu azeite puderam repartir com elas. Depois que o noivo entrou, a porta se fechou e ninguém mais pôde entrar.

A parábola confirma, assim, que só Jesus é o meio de acesso à vida eterna, que não há outro nome pelo qual devamos ser salvos (At.4:12).

Os “vendedores de azeite” não foram capazes de abrir a porta de entrada para as bodas, pois só o noivo podia fazê-lo.

De igual maneira, todos quantos prometem salvação ou até a negociam (como se fazem com as indulgências) são incapazes de conceder vida eterna para quem quer que seja. Só Jesus salva e ninguém mais!

 – A parábola ensina-nos, por fim, que é fundamental que estejamos vigilantes, que não deixemos, de forma alguma, que falte azeite conosco, que sempre cuidemos para cumprir com os nossos deveres diante do Senhor, que sempre tenhamos o desejo sincero e a disposição para nos mantermos preparados para que, no dia do clamor, possamos encontrar com o noivo, com o Senhor Jesus, que possamos entrar com ele nas bodas do Cordeiro.

Não sabemos quando o Senhor virá, nem quanto tempo temos sobre a face da terra e, por isso, a todo instante, a todo momento, devemos estar preparados, com as lâmpadas acesas, com reserva de azeite, ou seja, devemos estar em plena comunhão com o Senhor, aguardando a Sua vinda, quando, então, poderemos contemplar a Sua face gloriosa para todo o sempre.

“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.” (Mt.25:13).

OBS: “…A lição da parábola é: ‘Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora’. Efeitos desta vigilância:

  1. a) guarda-nos de demasiada preocupação com os interesses atuais;
  2. b) preserva do desânimo que poderia resultar das provações do momento;
  3. c) inspira-nos com grande esperança para o porvir;
  4. d) preocupa-nos com o Cristo, não como sofredor, mas como Rei vindouro.…” (McNAIR, Samuel E.. A Bíblia explicada, p.329).

Ev.  Caramuru Afonso Francisco

Fonte: http://www.portalebd.org.br/classes/adultos/3219-licao-11-despertemos-para-a-vinda-do-grande-rei-i

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