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JOVENS | LIÇÃO 11 – A FALÁCIA DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

TEXTO PRINCIPAL

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu).”
(Apocalipse 3.17)

 

Comentário

Este versículo representa o ponto máximo do diagnóstico de Cristo à igreja de Laodiceia. Ele revela o contraste entre a percepção humana sobre si mesma e a avaliação divina.

Contexto histórico e geográfico: a tríade de Laodiceia

A ironia presente em Apocalipse 3.17 não é genérica. Jesus confronta diretamente os três pilares do orgulho daquela cidade:

Riqueza

Laodiceia era um importante centro financeiro. Após o terremoto de 60 d.C., reconstruiu-se sem auxílio do Império Romano.

Indústria têxtil

Era famosa pela produção de uma lã negra, refinada e de alto valor comercial.

Medicina

Possuía uma escola médica reconhecida por produzir um colírio conhecido como “pó frígio”, utilizado para doenças oculares.


A autossuficiência — O discurso humano

“Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta…”

No texto grego existe uma progressão de autoconfiança:

  • “Rico sou” (Plousios eimi): identidade construída sobre o possuir.
  • “Estou enriquecido” (Peploutēka): tempo perfeito indicando algo alcançado e considerado permanente.
  • “De nada tenho falta”: expressão máxima de independência em relação a Deus.

Esse pensamento encontra ecos contemporâneos quando a prosperidade material é tratada como sinal absoluto da aprovação divina.


O diagnóstico de Cristo — A realidade espiritual

“…e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.”

Cristo utiliza cinco expressões que desmontam completamente a aparência espiritual da igreja.

Pobre (ptōchos)

Não indica carência relativa, mas pobreza absoluta — o mendigo sem recursos.

Cego (typhlos)

Mesmo sendo referência médica, Laodiceia não conseguia enxergar sua própria condição espiritual.

Nu (gymnos)

Apesar da fama têxtil, espiritualmente estavam sem vestes de justiça.

Na Escritura, a nudez frequentemente está associada à vergonha e ao juízo.


Síntese Exegética

Este texto revela o perigo da teologia baseada no “eu tenho”.

Laodiceia não abandonou Cristo por idolatria aberta; simplesmente o colocou do lado de fora porque acreditava não precisar de nada (Ap 3.20).

A verdadeira interpretação deste texto não está centrada no que o homem declara sobre si, mas no que Deus declara sobre o homem.

A bênção sem Cristo, biblicamente, transforma-se em miséria.


RESUMO DA LIÇÃO

A Teologia da Prosperidade busca relacionar bênçãos divinas à riqueza material, minimizando o chamado bíblico ao contentamento e à verdadeira prosperidade espiritual em Cristo.

Comentário

Esse pensamento produz uma distorção ao condicionar o favor divino a indicadores materiais e à ausência de sofrimento.

Em contraste, a visão bíblica apresenta prosperidade como plenitude da vida em Cristo — algo independente das circunstâncias externas.

O chamado cristão não é para o acúmulo, mas para:

  • Contentamento bíblico;
  • Dependência de Deus;
  • Prioridade ao Reino;
  • Suficiência em Cristo.

TEXTO BÍBLICO

Jeremias 17.9–11

Versículo 9

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”

Comentário

O coração humano, após a Queda, não possui capacidade de curar a si mesmo.

As intenções humanas são profundas e somente Deus pode examiná-las plenamente.

A advertência é clara: não devemos transformar desejos pessoais em “declarações de fé”.


Versículo 10

“Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos…”

Comentário

Deus conhece motivações e julga cada pessoa conforme seus caminhos.

O princípio apresentado é que riquezas adquiridas sem retidão revelam-se temporárias e incapazes de sustentar o homem.


Versículo 11

“Como a perdiz que ajunta ovos que não choca…”

A imagem ilustra a fragilidade de riquezas acumuladas sem justiça.

Aquilo que foi obtido de forma incorreta acaba revelando a verdadeira condição espiritual do seu possuidor.


Provérbios 30.7–9

Versículo 7

“Duas coisas te pedi…”

Agur inicia uma oração marcada pela busca da verdade e integridade.


Versículo 8

“Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa…”

O pedido não é por extrema pobreza nem por extrema riqueza.

Existe aqui o princípio do equilíbrio espiritual.


Versículo 9

“Para que, porventura, de farto te não negue…”

A fartura pode gerar independência de Deus.

A escassez também pode gerar tentações.

O alvo bíblico é dependência diária.


Síntese Exegética

Jeremias e Provérbios apresentam um argumento complementar:

  • O coração humano engana.
  • A dependência de Deus preserva.
  • O equilíbrio espiritual protege.

Enquanto a Teologia da Prosperidade empurra para o extremo da autossuficiência, a Escritura conduz à dependência do Senhor.

INTRODUÇÃO

A chamada Teologia da Prosperidade tornou-se influente em muitos círculos cristãos contemporâneos ao apresentar uma proposta atraente:

“Deus quer que todos os seus filhos sejam prósperos financeiramente e plenamente saudáveis.”

Essa mensagem atrai multidões por meio de promessas de cura, riqueza e sucesso em troca de fé e ofertas, muitas vezes desconsiderando os contextos bíblicos e teológicos que sustentam a fé cristã.

Contudo, esse ensino apresenta uma compreensão reduzida de Deus, tratando-o como um distribuidor automático de bênçãos condicionado a atos de devoção.

Nesta lição estudaremos como esse pensamento se distancia das Escrituras e produz uma espiritualidade superficial, mais orientada ao consumo do que à consagração.

Também veremos como esse movimento pode gerar:

  • frustração espiritual;
  • escândalos;
  • enfraquecimento do discipulado;
  • afastamento da missão da Igreja.

Comentário ao Professor

A introdução não deve funcionar apenas como transmissão de informações, mas como um momento de despertar espiritual.

O objetivo é provocar reflexão e quebrar a falsa sensação de que já compreendemos completamente o assunto.

Considere a seguinte reflexão:

Você seguiria um Deus que lhe entregasse tudo o que deseja, mas não pudesse oferecer aquilo de que realmente precisa?

Imagine alguém entrando em uma sala cirúrgica esperando tratamento para uma doença grave e recebendo apenas um bilhete de loteria premiado.

Para muitos, a fé tem sido reduzida exatamente a isso.


A Teologia da Prosperidade pode ser entendida como uma alteração do foco da fé:

De:

“Seja feita a tua vontade.”

Para:

“Faça-se a minha vontade.”

Ela apresenta saúde e riqueza como critérios máximos da espiritualidade.

Entretanto, o Evangelho bíblico não coloca o homem no centro; coloca Deus no centro.


Mapa de Estudo da Lição

1. A Engenharia da Ilusão

Como a Confissão Positiva e as barganhas distorcem a soberania de Deus.

2. O Valor do Sofrimento

Por que uma vida sem dor não corresponde ao Evangelho de Cristo.

3. A Riqueza dos Pobres

Redescobrindo as bem-aventuranças e as bênçãos que o dinheiro não compra.


Reflexão Final da Introdução

Se a sua fé depende do saldo bancário para sentir-se amado por Deus, talvez o centro da fé tenha sido deslocado.

A pergunta não é:

“O que Deus pode me dar?”

Mas:

“Quem Deus está formando em mim?”


DICAS PEDAGÓGICAS PARA O PROFESSOR

1. Quebra de padrão (o paradoxo)

Proponha a pergunta:

Se prosperidade material fosse prova absoluta de fidelidade, por que Jesus nasceu em uma manjedoura e morreu em uma cruz emprestada?


2. Impacto emocional

Mostre que existe um risco pastoral importante:

Quando alguém acredita que a fé garante cura e ela não acontece, muitas vezes o que entra em crise não é apenas o corpo — mas a confiança em Deus.


3. Ambiguidade provocadora

Pergunte:

Deus quer que você prospere?

Espere respostas.

Depois complemente:

Sim. Mas a definição de prosperidade de Deus é tornar-nos semelhantes a Cristo.

E, em alguns momentos, isso pode incluir perdas, renúncia e amadurecimento.


TESE DA LIÇÃO

A verdadeira fé cristã não é uma ferramenta para manipular a realidade material.

Ela é uma âncora que sustenta o crente na realidade eterna, transformando primeiro o caráter e depois — quando Deus assim permite — as circunstâncias.


I. PRINCIPAIS ENSINOS

1. CONFISSÃO POSITIVA

A Confissão Positiva ensina que as palavras possuem poder criativo.

Segundo seus defensores, bastaria declarar algo em fé para que a bênção fosse liberada.

Essa ideia possui raízes no Movimento da Fé e em correntes de autoajuda, porém não encontra sustentação consistente nas Escrituras.

Embora a Bíblia reconheça o peso das palavras (Pv 18.21), ela não atribui ao ser humano o poder criador que pertence exclusivamente a Deus.


A consequência prática dessa visão é transformar a fé em técnica.

Nesse modelo:

  • oração deixa de ser comunhão;
  • dependência é substituída por exigência;
  • Deus passa a ser visto como executor de desejos.

Isso inverte a relação entre Criador e criatura.


A fé bíblica está fundamentada na soberania divina.

Mesmo em oração, Jesus ensinou:

“Seja feita a tua vontade.”

(Mt 6.10; Lc 22.42)


Comentário

Se as palavras humanas possuíssem capacidade de criar realidade, o homem deixaria de ser adorador para disputar o lugar de Deus.

A Escritura apresenta que somente Deus sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.

O erro central dessa abordagem está em transformar oração em mecanismo de controle.

A oração bíblica não busca controlar Deus.

Busca alinhar o coração humano à vontade divina.


Aplicação prática

A verdadeira confissão cristã não consiste em declarar aquilo que desejamos.

Consiste em concordar com aquilo que Deus diz.

Quando Deus diz:

“Minha graça te basta.”

A resposta da fé madura não é exigir outro caminho.

É confiar.

I. PRINCIPAIS ENSINOS 


2. PROMESSAS CONDICIONAIS

Outro ensino recorrente da Teologia da Prosperidade é o uso das chamadas promessas condicionais.

A lógica apresentada costuma ser:

Se você orar corretamente e ofertar generosamente, Deus responderá obrigatoriamente com saúde, riqueza e sucesso.

Para sustentar esse pensamento, alguns textos bíblicos são retirados do seu contexto histórico e teológico, como ocorre frequentemente com Malaquias 3.10.

No entanto, a generosidade cristã nunca aparece nas Escrituras como garantia automática de retorno financeiro.

A mordomia cristã é orientada pelo amor, e não pela expectativa de lucro.


Um problema adicional desse ensino é que ele cria uma espiritualidade baseada em mérito humano.

Quando as bênçãos esperadas não chegam, muitos concluem:

  • “Não tive fé suficiente.”
  • “Não orei corretamente.”
  • “Não contribuí o bastante.”

Esse peso não corresponde ao ensino bíblico.


Comentário

A Teologia da Prosperidade frequentemente transforma o altar em uma relação comercial.

Nesse modelo:

  • oração torna-se investimento;
  • oferta torna-se moeda;
  • bênção torna-se produto.

Porém, a Escritura não apresenta um Deus que possa ser comprado.

A graça não é salário.

É favor imerecido.


O problema da leitura mecânica de Malaquias 3.10

Malaquias falava a uma nação dentro da Aliança do Antigo Testamento, onde elementos religiosos e civis estavam ligados à realidade nacional de Israel.

Aplicar automaticamente esse texto como promessa universal de enriquecimento individual ignora o contexto da passagem.

Na Nova Aliança, o foco principal não está em acumular bens, mas em viver reconciliado com Deus.


A verdadeira generosidade

A generosidade cristã não nasce da pergunta:

“Quanto vou receber?”

Mas da pergunta:

“Como posso honrar a Deus?”

No Novo Testamento, ofertar é expressão de gratidão e comunhão.


Aplicação prática

O cristão amadurece quando deixa de perguntar:

“O que preciso fazer para Deus me abençoar?”

E começa a perguntar:

“Como posso permanecer fiel independentemente das circunstâncias?”


3. MINIMIZAÇÃO DO SOFRIMENTO

Outro aspecto comum da Teologia da Prosperidade é minimizar ou ignorar o sofrimento.

Nesse pensamento, doença, escassez ou dificuldades seriam sinais de:

  • pouca fé;
  • pecado oculto;
  • fracasso espiritual.

Contudo, esse entendimento não corresponde ao testemunho bíblico.


A Escritura está repleta de homens e mulheres fiéis que enfrentaram:

  • perseguições;
  • perdas;
  • enfermidades;
  • prisões;
  • tribulações.

O próprio Senhor Jesus declarou:

“No mundo tereis aflições.”
(João 16.33)

Os apóstolos também viveram experiências marcadas por sofrimento.

Paulo escreveu que aprendeu a viver:

  • na fartura;
  • na escassez.

(Fp 4.12)

Além disso, mencionou o seu “espinho na carne”, que Deus não retirou.

(2 Co 12.7–9)


Comentário

A ideia de que sofrimento sempre significa falta de fé produz um problema pastoral profundo.

Ela faz com que pessoas em meio à dor passem a acreditar que Deus as abandonou.

Mas a Bíblia apresenta outra realidade.

A presença de Deus não é medida pela ausência de sofrimento.

Muitas vezes ela se manifesta justamente dentro dele.


Jesus nunca prometeu ausência de aflições.

Prometeu presença.


O sofrimento, na visão bíblica, também participa da formação espiritual.

Ele:

  • desenvolve perseverança;
  • amadurece o caráter;
  • fortalece a esperança.

O exemplo de Paulo

Quando Paulo orou pedindo livramento, recebeu uma resposta inesperada:

“A minha graça te basta.”

A resposta divina não foi remover imediatamente a dificuldade.

Foi sustentar o servo dentro dela.


Aplicação prática

A maturidade espiritual não se mede pela ausência de cicatrizes.

Ela se manifesta pela fidelidade mantida apesar delas.

A verdadeira prosperidade espiritual não é viver sem lutas.

É permanecer com Deus em qualquer estação da vida.


Transição para a próxima seção

Até aqui vimos:

  • Confissão Positiva;
  • Promessas Condicionais;
  • Minimização do Sofrimento.

II. VISÃO BÍBLICA DA BÊNÇÃO


1. BEM-AVENTURADOS NA POBREZA

Jesus ensinou que a verdadeira riqueza não está nas posses materiais, mas no relacionamento com Deus.

Em Mateus 6.19–21, Ele orienta:

Não acumulem tesouros na terra, onde tudo se corrompe; ajuntem tesouros no céu.

A bem-aventurança aos pobres de espírito (Mt 5.3) revela que o coração dependente de Deus possui valor superior a qualquer patrimônio terreno.

O Reino é oferecido àqueles que reconhecem sua necessidade espiritual.


A busca desenfreada por riqueza pode tornar-se uma armadilha capaz de desviar os olhos da eternidade.

Por isso, o chamado bíblico permanece:

Buscar primeiro o Reino de Deus.

Confiando que aquilo que for necessário será acrescentado segundo a vontade do Pai.


Comentário

Jesus iniciou Seu ministério exaltando justamente aqueles que o mundo normalmente considera fracos ou desfavorecidos.

A expressão:

“Pobres em espírito”

descreve alguém que reconhece sua total dependência de Deus.

Não significa ausência de fé.

Também não significa exaltação da miséria.

Significa consciência espiritual.


A ordem para não acumular tesouros terrenos não condena o trabalho nem a provisão.

Ela combate a idolatria do acúmulo.

O problema não está em possuir recursos.

O problema está quando os recursos passam a possuir o coração.


A verdadeira bênção consiste em possuir liberdade interior.

Ter bens sem ser dominado por eles.


Aplicação prática

O cristão precisa aprender a distinguir:

Provisão → recebida com gratidão
Prosperidade → não transformada em identidade

Nossa segurança final está em Deus.


2. O CRENTE E A PROMESSA DAS BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS

A Teologia da Prosperidade tende a limitar a ação de Deus ao campo material.

Entretanto, a Escritura ensina que o crente é herdeiro, antes de tudo, de bênçãos espirituais em Cristo.

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais…”
(Efésios 1.3)


Essas bênçãos incluem:

  • salvação;
  • perdão;
  • adoção como filhos;
  • comunhão com o Espírito Santo;
  • santificação;
  • esperança;
  • consolo nas tribulações.

São promessas que não podem ser retiradas por:

  • crises econômicas;
  • enfermidades;
  • perdas materiais.

O crente vive na certeza de que sua posição em Cristo ultrapassa qualquer circunstância terrena.

Mesmo enfrentando perdas, permanece sustentado pela herança eterna.


Comentário

As bênçãos espirituais não são menos reais do que as materiais.

São mais permanentes.

Enquanto recursos materiais podem desaparecer, a comunhão com Deus permanece.


A vitória cristã não significa ausência de lutas.

Significa que nenhuma luta pode separar o crente de Cristo.

O Espírito Santo:

  • intercede;
  • fortalece;
  • consola;
  • conduz.

Aplicação prática

O jovem cristão precisa redescobrir que sua identidade não depende do que possui.

Depende de quem ele é em Cristo.

A herança espiritual é suficiente para sustentar a fé até a eternidade.


III. CONSEQUÊNCIAS DOS DESVIOS


1. ESCÂNDALOS E FRUSTRAÇÕES

A Teologia da Prosperidade pode gerar frustrações profundas em pessoas sinceras que:

  • oram;
  • ofertam;
  • servem com dedicação;

mas não experimentam os resultados prometidos.

Quando a expectativa criada não se cumpre, podem surgir:

  • culpa;
  • dúvidas espirituais;
  • desânimo;
  • afastamento da comunhão.

A fé genuína não está construída sobre resultados materiais.

Ela está construída sobre um relacionamento vivo com Cristo.

Quando o evangelho se afasta da cruz e se concentra apenas em resultados financeiros, perde-se sua essência.


Comentário

Quando a fé é apresentada como garantia de sucesso imediato, cria-se um conflito doloroso entre expectativa e realidade.

Nesse cenário, muitos acabam acreditando:

“Se não recebi, a culpa é minha.”

Mas a Escritura nunca apresenta a fé como uma técnica de controle.

A fé bíblica é confiança em Deus.


Outro efeito desse ensino é transformar discípulos em consumidores religiosos.

Sem preparo para enfrentar perdas, muitos entram em crise espiritual quando o sofrimento chega.


O Evangelho da cruz ensina algo diferente:

A vitória cristã não consiste em eliminar todas as dificuldades.

Consiste em permanecer firme nelas.


Aplicação prática

Precisamos voltar a amar Deus:

  • pelo que Ele é;
  • não apenas pelo que esperamos receber.

A fidelidade verdadeira permanece mesmo quando as respostas não chegam como imaginávamos.

III. CONSEQUÊNCIAS DOS DESVIOS 


2. DISTÂNCIA DO EVANGELHO PURO

A centralidade da prosperidade material afasta a igreja do núcleo do Evangelho de Cristo.

Em vez de anunciar:

  • a cruz;
  • a graça;
  • o arrependimento;
  • a santificação;

passa-se a anunciar sucesso financeiro como objetivo principal da fé.

Esse deslocamento enfraquece o discipulado porque reduz o chamado cristão à obtenção de benefícios imediatos.


O Evangelho de Jesus não foi direcionado apenas aos:

  • ricos;
  • saudáveis;
  • bem-sucedidos.

Ele foi anunciado igualmente aos:

  • pobres;
  • aflitos;
  • enfermos;
  • pecadores;
  • cansados.

Cristo veio buscar e salvar o que estava perdido.


Voltar ao Evangelho puro significa recuperar temas essenciais:

  • arrependimento;
  • transformação;
  • santidade;
  • perseverança;
  • esperança eterna.

Embora Deus possa conceder bênçãos materiais, o maior presente continua sendo Sua presença.


Comentário

Quando a fé é apresentada como um sistema de resultados imediatos, o crente passa a medir Deus pelas circunstâncias.

Isso produz uma espiritualidade instável.

Se tudo vai bem → Deus está presente.

Se algo falha → Deus teria abandonado.

Mas o Evangelho bíblico ensina o oposto.

Deus continua sendo Deus:

  • na abundância;
  • na escassez;
  • no monte;
  • no vale.

A fé bíblica não foi construída para eliminar toda dificuldade.

Ela foi construída para sustentar o crente dentro dela.


Outro efeito desse desvio é o enfraquecimento da mensagem da cruz.

Sem cruz:

  • não existe arrependimento profundo;
  • não existe discipulado;
  • não existe transformação.

A igreja corre o risco de deixar de formar discípulos e passar apenas a administrar expectativas.


Aplicação prática

O jovem cristão precisa aprender a distinguir:

Evangelho → seguir Cristo
Consumismo religioso → usar Cristo

Cristo não é meio para alcançar objetivos.

Cristo é o próprio objetivo.


3. O CHAMADO À FIDELIDADE

A verdadeira fé cristã nos chama à fidelidade independentemente das circunstâncias.

O apóstolo Paulo declarou:

“Aprendi a contentar-me com o que tenho.”
(Fp 4.11–12)

Esse aprendizado envolveu viver:

  • fartura;
  • escassez;
  • abundância;
  • necessidade.

A fidelidade não depende do que recebemos.

Ela nasce do reconhecimento de quem Deus é.

Confiar em Deus significa servi-Lo não apenas pelos presentes recebidos, mas por Seu caráter.


Também por isso a generosidade cristã não deve ser entendida como investimento espiritual.

A oferta é:

  • adoração;
  • gratidão;
  • obediência.

Não uma negociação.


Além disso, maturidade espiritual exige compreender que o sofrimento participa da formação do caráter.

Quando a Igreja entende isso, ela se torna:

  • mais forte;
  • mais compassiva;
  • mais perseverante.

A providência divina ensina que, mesmo sem abundância material, temos em Cristo aquilo que realmente precisamos.

O chamado bíblico permanece:

Glorificar a Deus em toda circunstância.


Comentário

A fidelidade cristã autêntica não nasce da prosperidade.

Ela nasce do encontro com Deus.

Paulo descreve o contentamento como algo aprendido.

Isso significa que maturidade espiritual não surge automaticamente.

Ela é desenvolvida.


A generosidade cristã também precisa ser resgatada de uma lógica de troca.

No Novo Testamento, doar é participar da missão de Deus.

Não comprar favores.


O sofrimento, longe de ser apenas obstáculo, pode tornar-se instrumento de formação.

Ele produz:

  • humildade;
  • dependência;
  • esperança;
  • solidariedade.

Aplicação prática

A pergunta central não é:

“Quanto Deus me deu?”

Mas:

“Quem estou me tornando diante de Deus?”

Fidelidade é continuar caminhando quando as respostas não chegam no ritmo esperado.


CONCLUSÃO

A Teologia da Prosperidade associa de forma inadequada a bênção de Deus a conquistas econômicas e físicas imediatas.

Ao fazer isso, corre o risco de deslocar elementos centrais da fé cristã:

  • a cruz;
  • o arrependimento;
  • a graça;
  • o discipulado.

Por outro lado, o Evangelho ensina que:

Nosso maior tesouro é Cristo.

A vida cristã inclui:

  • provações;
  • crescimento;
  • renúncia;
  • esperança.

Rejeitar a lógica da barganha espiritual não significa rejeitar as bênçãos de Deus.

Significa recolocar as bênçãos no lugar correto.


A verdadeira prosperidade cristã não consiste em possuir tudo.

Consiste em descobrir que Cristo é suficiente.

Quando temos a Cristo:

mesmo em meio às perdas, permanecemos ricos.

Quando perdemos Cristo:

mesmo possuindo tudo, continuamos pobres.


Encerramento da Lição

Que esta lição conduza cada aluno a redescobrir:

  • o valor da cruz;
  • a beleza do contentamento;
  • a soberania de Deus;
  • a esperança eterna.

Porque o Evangelho não promete apenas uma vida melhor.

Ele promete uma nova vida.

Francisco Barbosa.

Texto organizado para uma melhor leitura através da IA.

Fonte: https://auxilioebd.blogspot.com/2026/06/jovens-licao-11-falacia-da-teologia-da.html

Vídeo: https://youtu.be/O7NIyE6TlBk

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