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LIÇÃO Nº 11 – JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA

INTRODUÇÃO

-Na continuidade do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos hoje os vinte anos em que Jacó esteve em Padã-Arã.

-Em Harã, Jacó precisou se desvencilhar da condição de suplantador.

I – JACÓ, O SOBRINHO DE LABÃO

-Chegando a Harã, Jacó logo foi querendo saber onde morava a família de Labão, seu tio.

-Jacó revela sua firme disposição de cumprir a vontade divina. Isaque dissera que deveria se casar com uma das filhas de Labão (Gn.28:2) e, por isso, já foi logo tratando de saber onde morava seu tio.

-Nesta procura, encontrou-se com Raquel, sua prima, que era pastora de ovelhas (aliás, é a única “pastora” assim denominada nas Escrituras, e o era, literalmente, vez que inexiste ministério feminino na Bíblia Sagrada).

-Jacó, ao conhecer Raquel, como estava no local onde todos levavam as ovelhas para beber água, mesmo tendo sido informado de que somente se poderia revolver a água do poço quando chegassem todos os rebanhos, revolveu a pedra a fim de que Raquel, mesmo antes da hora, pudesse dar de beber a suas ovelhas (Gn.29:10).

-Nesta sua atitude, Jacó mostra-nos como deve proceder um pai de família, como se espera de um chefe de família segundo o modelo bíblico: a iniciativa, a prontidão, a geração de um sentimento de confiança e proteção.

-Nos dias em que estamos a viver, há uma nítida tentativa de se retirar da figura masculina a iniciativa, o arrojamento.

Deus criou macho e fêmea e eles são diferentes, não há como querer dizer que são iguais e que as dissemelhanças entre eles seja fruto de uma “construção social”, como vivem a clamar o movimento feminista que hoje já se tornou a chamada “ideologia de gênero”.

-Homem e mulher se completam, foram assim criados por Deus (Gn.1:27) e não há como se alterar esta realidade.

A negativa de tal fato na chamada “ideologia de gênero” nada mais é que o suprassumo da rebeldia contra o Senhor, o clímax do discurso desvanecedor decorrente da recusa de glorificação a Deus, que tão só o obscurecimento do coração insensato da humanidade sem Deus e a consequente injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça (Rm.1:18,21,22).

-A adoção desta “ideologia de gênero” levou a situações inusitadas, absurdas e inadmissíveis a ponto de ter gerado uma reação, nos últimos anos, com o abandono da chamada “agenda woke”, das “políticas DEI” (diversidade, equidade e inclusão).

-Recentemente, a abertura dos chamados arquivos “Epstein” nos Estados Unidos da América, revelaram quanta podridão moral e espiritual está vinculada a este tema, um dos pilares da agenda anticristã que pretende nortear o nosso mundo, sintetizada na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, que nada mais é que a pauta, a plataforma de governo que será implantada pelo Anticristo.

OBS: Esta podridão pode ser bem verificada com relação à “transgenitalização”, a operação de mudança de sexo em crianças, em troca de e-mails entre o pedófilo suicida Jeffrey Epstein e um dos principais pesquisadores deste tema, como bem explica a jornalista Paula Schmitt na matéria “Epstein, Pritzker e os degenerados”, disponível em https://www.poder360.com.br/opiniao/epstein-pritzker-e-os-degenerados/ .

-Cabe ao homem tomar a iniciativa, mostrar-se como provedor e protetor e é exatamente o que Jacó faz ao saber que Raquel, sua parenta, estava ali para dar de beber às ovelhas.

-Mas, ao lado desta iniciativa, Jacó também mostra uma certa precipitação, pois toma a atitude antes mesmo de se apresentar a Raquel, de cumprimentá-la, a demonstrar, portanto, uma pressa desmedida, que lhe seria fatal no futuro, pois haverá de ter a noite de núpcias com a pessoa errada exatamente por causa desta pressa.

-Devemos ter prudência, cautela e sabedoria, pois a precipitação não é característica divina. Lembremos que há um tempo determinado para cada propósito debaixo do céu (Ec.3:1) e que, como só o Senhor sabe todas as coisas, devemos estar sempre prontos para esperar n’Ele com paciência (Sl.40:1).

-Depois de ter removido a pedra do poço, Jacó beijou a Raquel, ou seja, a ela se apresentou e a cumprimentou, tendo levantado a sua voz e chorado, demonstrando não só a emoção de conhecer sua parentela, mas, sobretudo, de ver como o Senhor realmente estava com ele (Gn.29:12).

-Raquel logo foi contar o que acontecera a seu pai Labão que, então, foi até onde estava Jacó e o levou para sua casa, onde Jacó ficou durante um mês inteiro (Gn.29:14).

-Durante este mês, Jacó começou a trabalhar na casa de seu tio. Seu intento era formar família, casar-se com uma das filhas de Labão e, como tal, não só deveria demonstrar que tinha iniciativa como também que era um homem trabalhador, que tinha condições de prover a casa que haveria de formar.

-É precisamente este o modelo bíblico de família, que, infelizmente, já não é observado em nossos dias e que causa até repugnância por parte dos cristãos se dizem ser, que não admitem que a mulher possa ficar “de fora do mercado de trabalho”.

-Entretanto, esta inserção da mulher no mercado de trabalho, longe de representar a “dignidade da mulher”, a “igualdade entre homem e mulher”, a “emancipação da mulher”, tem servido, isto sim, para que haja a redução dos salários, o que beneficia nitidamente os capitalistas, como também tem levado a uma desestruturação familiar imensa, já que temos hoje “órfãos de pais vivos”.

-Como pai e mãe trabalham, não há a devida criação e educação dos filhos, numa terceirização que leva a uma deficientíssima formação das novas gerações, cujos efeitos deletérios para a sociedade já se percebe a olhos vistos em nossos dias.

-Como se não bastasse isso, as mulheres que se tornam mães acabam tendo uma “dupla jornada”, com gravíssimas consequências em todos os aspectos, sem falar que muitas, por causa da vida profissional, adiam a maternidade para momentos em que há uma série de comprometimentos físicos, biológicos, psicológicos e sociais.

-Jacó logo se enamorou de Raquel, que era formosa à vista e de formoso semblante (Gn.29:17) e, quando seu tio, depois de um mês de serviço, perguntou qual seria o seu salário, não teve dúvida de pedi-la em casamento a seu tio Labão e, como não tinha qualquer patrimônio, dispôs-se a trabalhar sete anos por ela (Gn.29:1-20).

-Revela-se, aí, uma vez mais, a firme disposição de Jacó em cumprir o chamado de Deus na sua vida, pondo a formação de família com uma das filhas de Labão como a razão de ser de sua estada em Harã, não desviando, pois, o foco de sua existência, na busca da pátria celestial.

-Entretanto, de igual maneira, agiu novamente com precipitação, porquanto, ao assim agir, não se inteirou das leis e costumes de Harã, não sabendo que não poderia casar com Raquel antes que a filha mais velha, que no caso era a irmã dela, Leia, o tivesse feito.

-Esta pressa, que o levou a se comprometer com Labão, teria consequências nefastas na sua vida espiritual e na sua própria estada em Harã.

-Jacó realmente amou Raquel, tendo trabalhado sete anos por ela. O texto bíblico demonstra a intensidade deste amor ao afirmar que “serviu Jacó sete anos por Raquel e foram aos seus olhos como poucos dias, pelo que muito que amava” (Gn.29:20).

-Aqui temos uma demonstração de que é o verdadeiro amor. Ainda que se trate de um amor humano, um amor movido pelo interesse próprio, qual seja, o legítimo desejo de ter a Raquel como mulher; um amor motivado também pela beleza física e atraente de Raquel, Jacó externou este amor por meio de um trabalho intenso e irrepreensível.

-O verdadeiro amor sempre contém o sacrifício próprio, uma abnegação, que vemos em Jacó que serviu a seu tio Labão com denodo e dedicação, sem qualquer falha ou desleixo, durante sete anos.

-Esta qualidade do amor, que é conhecido por muitos como sendo o chamado “amor platônico”, pois é o amor defendido pelo filósofo grego Platão (428/7-348/7 a.C.), que foi um dos temas prediletos do maior escritor da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões (1524-1579/1580), foi a inspiração para um dos mais belos sonetos deste grande nome da literatura universal, que merece aqui ser transcrito:

Soneto

Luís Vaz de Camões

Sete anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel, serrana bela.

Mas não servia ao pai, servia a ela, que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia passava, contentando-se com vê-la. porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe deu a Lia

Vendo o triste pastor que com enganos lhe fora assim negada a sua pastora como se a não tivera merecida.

Começa de servir outros sete anos dizendo: Mais servira se não fora para tão longo amor tão curta a vida!

II – JACÓ, O GENRO DE LABÃO

-Passados os sete anos de trabalho, Jacó, então, foi enganado por seu tio Labão, pois, após a festa do casamento, acabou por dormir com Leia e não com Raquel, pois não sabia que, em Padã-Harã, não se podia casar a filha mais nova antes da mais velha (Gn.29:23-26).

-Jacó começa, assim, a sofrer as consequências de seu pecado, ao enganar seu pai, sendo, também, enganado.

-Ao reclamar com seu tio e sogro Labão, é-lhe proposto que trabalhasse mais sete anos por Raquel (Gn.29:27).

-Esta proposta não poderia ser aceita por Jacó. Sua missão era de casar com uma das filhas de Labão, para formar família e, então, retornar a Canaã.

-No entanto, amava Raquel, havia se dedicado sete anos para tê-la por mulher e, no auge da sua frustração, habilmente Labão, que já tudo arquitetara, já lhe trouxera uma solução, que impedia que se frustrasse o seu desejo de ter Raquel como mulher.

-Labão já percebera a falta de cautela de Jacó e dela estava a se aproveitar. Ademais, Jacó estava a colher o engano que semeara quando, fraudulentamente, quisera obter a bênção de seu pai Isaque.

-Como se isto fosse pouco, poderia de imediato casar com Raquel e, já casado, trabalhar os outros sete anos, o que parecia ser extremamente vantajoso aos olhos humanos.

-No entanto, ao fazê-lo, Jacó quebraria a monogamia, passaria a ter mais de uma mulher, fugindo ao princípio divino estabelecido para o casamento, princípio que havia sido seguido tanto por Abraão quanto por Isaque.

-O amor humano falou mais alto e Jacó, então, comete o mesmo erro de seu irmão Esaú e se torna um bígamo, passando a ter duas esposas, desviando-se da conduta que dele se esperaria como patriarca.

-Casou-se com Raquel, mas teve, então, de trabalhar mais sete anos para Labão (Gn.29:28-30).
-Temos aqui a chamada “lei da ceifa”, bem descrita em Gl.6:7: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”.

-Temos aqui mais uma prova de que não foi o engano que deu a bênção a Jacó, tanto que este engano fez com que ele fosse seguidamente enganado por seu tio Labão.

-Mas há, ainda, um outro fator que levou Jacó a ser enganado, qual seja, a falta de vigilância e de comunhão com Deus.

-Deus havia Se manifestado a Jacó em Betel, havia lhe confirmado sua condição de herdeiro da promessa de Abraão, mas, desde que Jacó chegou a Harã, em momento algum vemos Jacó adorando a Deus, em momento algum vemos Jacó edificando um altar ao Senhor.

-Deus estava com Jacó, mas Jacó parece que havia se esquecido do Senhor. Estava obcecado por Raquel, mais por Raquel do que para formar família, tanto que, tendo formado família, logo aceita tornar-se bígamo para ter a mulher que amava.

-Devemos tomar cuidado, amados irmãos, pois nada nos pode separar do Senhor, nem mesmo os familiares, a quem amamos com intensidade.

Bem por isso, o Senhor Jesus disse que quem ama o pai ou a mãe mais do que a Cristo não é digno d’Ele e quem ama o filho ou a filha mais do que Ele não é digno d’Ele (Mt.10:37).

-Jacó passou vinte anos em Harã (Cf. Gn.31:38) e, durante todo este tempo, não ofereceu qualquer sacrifício a Deus, nem sequer educou seus filhos na doutrina e admoestação do Senhor.

-Ora, quem não tem qualquer relacionamento com Deus, acaba por se comprometer com este mundo e, assim, acaba enganando e sendo enganado, indo de mal a pior (II Tm.3:13).

-Jacó aceitou a oferta de seu tio Labão e trabalhou mais sete anos para ter Raquel como sua mulher.

-Em mais uma demonstração de falta de vigilância, adotou a poligamia, algo que não estava nos planos de Deus e que não fora seguida nem por Abraão, nem por Isaque e que tinha sido adotada por seu irmão Esaú.

-Vemos, portanto, a poligamia nunca resultou de uma ação avalizada pelo Senhor, mesmo quando praticada por um escolhido Seu.

-A poligamia adotada por Jacó teve sérias e terríveis consequências na formação de seu lar.

-Leia, embora fosse a primeira mulher, logicamente não era amada por Jacó. O texto bíblico é claro ao dizer que Jacó amava mais a Raquel do que a Leia (Gn.29:30).

-Deus, que é justo, diante de tal atitude de Jacó, fez Leia frutífera como uma “compensação”, enquanto Raquel, a predileta de Jacó, era estéril (Gn.29:31).

-Isto gerou uma terrível competição entre as irmãs, pois Leia buscava usar da sua fertilidade como arma para conquistar o amor de Jacó.

-Tanto assim é que deu o nome a seu primeiro filho de Rúben, que significa “Eis um filho”, querendo, com isto, mostrar a Jacó que a sua felicidade, a própria razão de ser sua vida, que era a de ser uma descendência numerosa, como Deus prometera, somente seria possível por intermédio dela e não de Raquel (Gn.29:32).

-Aliás, ao ver que Leia é quem lhe dava filhos, Jacó deveria ter percebido que fora inócuo, ante os propósitos divinos, ter rompido com a monogamia.

-Esta mesma intenção de Leia vemos quando deu nome ao seu segundo filho, Simeão, cujo significado é “ouvindo”, a dar a entender que considerava que Deus estava ouvindo o desejo de Leia de conquistar o amor de seu marido, dando-lhe mais um rebento (Gn.29:33).

-E esta mesma intenção se repete quando Leia dá a luz ao terceiro filho, a quem dá o nome de Levi, cujo significado é “junto”, achando que, com estes três filhos, Jacó se juntaria com ela, passaria a amá-la e considerá-la mais do que a Raquel (Gn.29:34).

-Entretanto, isto não ocorreu, tendo Leia dado a Jacó um quarto filho e, desta feita, em vez de demonstrar esperança na conquista do amor do marido, Leia preferiu louvar a Deus pela sua fertilidade, pela “compensação” que lhe dera o Senhor e, por isso, pôs o nome de Judá na criança, pois “Judá” significa “louvor” (Gn.29:35).

-É justamente o filho de Leia em que a mãe resolve louvar ao Senhor, reconhecer-Lhe o senhorio que haveria de ser o que daria a linhagem da posteridade de Abraão, aquele que faria benditas todas as famílias da Terra.

-Tem-se mais uma demonstração de que a poligamia assumida por Jacó estava totalmente ao largo do plano divino para a salvação da humanidade.

-O nascimento de Judá trouxe, porém, uma séria consequência. Raquel passou a ter inveja de Leia e confronta Jacó, exigindo que ele lhe desse filhos. Jacó, então, mostra a Raquel toda a sua estultícia, visto que não era ele Deus para que lhe abrisse a madre.

-Enquanto Leia reconhece a autoridade divina, resolve louvá-l’O, embora sua fertilidade não lhe tivesse levado a conquistar o amor de Jacó, Raquel manifesta inveja, nítida obra da carne, revoltando-se contra o Senhor.

-Raquel, então, vendo que não dava filhos a Jacó, obriga-o a deitar-se com sua serva Bila, que lhe deu um filho, a quem Raquel deu o nome de Dã, cujo significado é “juiz”, porque entendeu que Deus a teria julgado e dado um filho por meio de sua serva (Gn.30:4-6).

-Ao contrário de Judá, de cuja linhagem viria o Salvador, de Dã veio, para Israel, a idolatria, porquanto a tribo de Dã seria a primeira tribo a se tornar idólatra (Jz.18:30,31); a primeira tribo a ocupar um território que não lhe tinha sido dado na partilha da terra (Jz.18:27-29).

-Não é por outro motivo que, quando vai abençoar seus filhos, ao abençoar Dã, Jacó vai chamá-lo de “serpente junto ao caminho, víbora junto à vereda que morde os calcanhares do cavalo e faz cair o cavaleiro por detrás” e, aterrorizado, clama: “a Tua salvação, espero, ó Senhor!” (Gn.49:16,17).

Por causa desta passagem, muitos estudiosos entendem que o Anticristo será alguém oriundo da tribo de Dã.

-Bila ainda teria outro filho, a quem Raquel daria o nome de “Naftali”, cujo significado é “lutando”, uma vez que estava numa verdadeira luta contra sua irmã Leia (Gn.30:7,8).

-A luta era tanta que, diante destes dois filhos de Bila, Leia fez com que sua serva, Zilpa, também tivesse relacionamento íntimo com Jacó. Nasceu, então, um filho, a quem Leia deu o nome de “Gade”, cujo significado é “vem uma fortuna” ou “vem uma turba”, querendo, com isso, dizer que, assim como ela tinha quatro filhos, sua serva também daria muitos filhos a Jacó, mais do que Raquel (Gn.30:9-11).

-Zilpa deu um segundo filho a Jacó, a quem Leia deu o nome de “Aser”, cujo significado é “sou feliz”, porque estava contente pelo fato de que dera, por sua serva, a mesma quantidade de filhos que a serva de Raquel havia dado.

-A luta era tanta que, num certo dia, quando Raquel quis ter mandrágoras, uma planta afrodisíaca, que haviam sido trazidas por Rúben, tendo ido pedir isto a Leia, que Leia somente as deu se Jacó viesse dormir com ela, tendo, então, Raquel “alugado” Jacó por conta das mandrágoras.

-Jacó, então, teve de deitar-se com Leia e Leia concebeu, dando a luz a um outro filho, a quem deu o nome de “Issacar”, cujo significado é “galardão”, entendendo ter sido este filho uma recompensa por ter dado Zilpa a Jacó (Gn.30:17,18).

-Leia ainda teve mais um filho, a quem chamou “Zebulom”, cujo significado é morada”, pois achava que, tendo seis filhos, desta vez Jacó resolveria morar com ela e não com Raquel, ou seja, dividir a intimidade e o lar conjugal com ela e não com a mulher amada.

-Isto não se deu, mas Leia haveria de ter mais um filho, no caso, uma filha, a única filha mulher de Jacó, a quem deu o nome de “Diná”, que significa “julgada”, porquanto entendia que, com mais este parto, o Senhor, definitivamente, teria lhe dado a devida compensação pela falta de amor de seu marido (Gn.30:21).

-Talvez até por Leia ter se sentido vingada, o Senhor, então, abriu a madre de Raquel, mais uma vez demonstrando que estava a formar uma nação que seria propriamente sua dentre todas as nações da Terra-.

-Raquel, então, reconheceu que este milagre divino lhe tirava a vergonha e chamou a seu filho de “José”, que significa “aumentador”, pedindo ao Senhor que tivesse mais um filho (Gn.30:24).

-Teve Jacó doze filhos e uma filha, a saber (entre parênteses a ordem de nascimento): de Leia – Rúben (1), Simeão (2), Levi (3), Judá (4), Issacar (9), Zebulom (10), Diná (11); de Bila – Dã (5) e Naftali (6); de Zilpa – Gade (7) e Aser (8); de Raquel – José (12) e Benjamim (13), este último nascido depois da saída de Harã.

-Em meio a esta luta interna, que revelava a perda de autoridade e de espaço por parte de Jacó no seio familiar, deixou ele de ser, como deveria tê-lo sido, o sacerdote do lar e, na verdade, percebemos que tanto suas mulheres viviam nos mesmos costumes e hábitos de sua terra natal, Harã, como toda a prole foi assim educada, porquanto tinha proeminência no lar de Jacó a figura de Débora, a ama de Rebeca, ou seja, a pessoa que havia criado a própria mãe de Jacó e, evidentemente, dentro da cultura arameia (Gn.35:8).

-Esta circunstância seria terrível para Jacó que, durante vinte anos, viu formar-se um lar que não mantinha os mesmos princípios estabelecidos seja por Abraão, seja por Isaque.

-Embora tivesse dado valor à bênção da primogenitura, após recebê-la não se esforçou em zelar para que sua descendência servisse a Deus e, com exceção apenas da circuncisão (Cf. Gn.34:14,15), nada mais fez para que seus filhos buscassem ser um povo diferente dos demais, em particular dos arameus.

III – JACÓ, O SÓCIO SUPLANTADOR DE LABÃO

-Quando Jacó teve o seu primeiro filho com Raquel, que era a sua mulher amada, José, entendendo ter “cumprido seus dias” em Harã, provavelmente pensando que a bênção de Abraão se transferiria ao primogênito de sua amada (como efetivamente aconteceu, não pelo nascimento mas pelo fato de ter Rúben, o primogênito, desrespeitado seu pai, mantendo relacionamento íntimo com Bila, a concubina de seu pai – Gn.35:22; I Cr.5:1), pediu a Labão autorização para retornar à sua terra.

-Percebe-se, pois, que, a esta altura da vida, ao ver o milagre de Deus com o nascimento de José, um verdadeiro milagre já que Raquel era estéril, o patriarca Jacó lembrou da sua condição diante do Senhor, das promessas de Abraão e que, portanto, deveria retornar para Canaã, que era o lugar que o Senhor havia determinado para que Abraão e os herdeiros de sua bênção habitassem (Gn.12:7; 26:2,3).

-O nascimento de José fê-lo lembrar que sua vinda a Padã-Arã fora planejada para que pudesse formar família dentro dos padrões estabelecidos por Abraão e de caráter temporário (Gn.27:44; 28:1-5).

-Entretanto, a paixão que tivera por Raquel o fizera demorar-se sete anos para poder formar família, sete que se tornaram quatorze, ante o engano perpetrado por Labão e, agora que o Senhor confirmava, uma vez mais, Sua promessa, abrindo a madre de Raquel, dezenove anos depois, segundo o cronologista bíblico Edward Reese, ou vinte anos depois, segundo Frank Klassen, era hora de voltar para Canaã.

-Labão, porém, pediu a Jacó que ficasse em Harã, pois havia experimentado que Deus o havia abençoado por amor de Jacó (Gn.30:27), dizendo ao próprio Jacó que determinasse o seu salário (Gn.30:28).

-Jacó, que já há tanto tempo estava deixando de se relacionar com Deus, aceitou esta oferta e preferiu ficar em Padã-Arã a voltar para Canaã, por conta de um salário, salário este, aliás, que foi dez vezes modificado por Labão (Cf. Gn.31:7).

-Não podemos nos envolver com as coisas deste mundo, não podemos preferir o “salário do mundo” às bênçãos de Deus, às promessas do Senhor.

-Quando deixamos de lado o que Deus tem nos dado e prometido por conta do “salário do mundo”, seremos invariavelmente enganados, pois o mundo está no maligno e o príncipe deste mundo é o pai da mentira (Jo.8:44). Pensemos nisto, amados irmãos!

-Começa, então, uma série de enganos e de armadilhas entre Labão e Jacó, um mais ganancioso do que o outro.

Labão querendo, como já fizera desde o início, tira proveito do genro e sobrinho e Jacó, esquecendo-se da pátria celestial, das coisas espirituais, igualmente querendo enriquecer, passando a ter por norte apenas as coisas desta vida.

-A ganância é uma grande armadilha que o adversário de nossas almas tem para nos desviar dos desígnios divinos, para nos fazer perder o caminho do céu.

Como diz o apóstolo Paulo a seu filho na fé Timóteo, “…os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm.5:9,10).

-Jacó, nesta sua estada em Padã-Arã, enveredara pelo mesmo caminho de seu irmão Esaú, porque, por não controlar o seu instinto sexual, acabou aceitando a poligamia e, agora, deixava de lado a promessa divina em troca de vantagens materiais, copiando a profanação de Edom.

-Jacó escolheu como seu salário os cordeiros morenos e as cabras salpicadas e malhadas (Gn.30:32-34). Ambos faziam o possível para ter vantagem em relação ao outro e isto, naturalmente, foi deteriorando o relacionamento entre estes “sócios”. Não pode haver comunhão entre a luz e as trevas, não pode haver sociedade entre o incrédulo e o crente.

-Entretanto, apesar de todo este jogo de astúcia e de engano, a bênção de Deus estava sobre Jacó e, paulatinamente, o patrimônio de Labão foi sendo acrescido ao patrimônio de Jacó. Labão, também, estava a colher a astúcia e o engano que fizera com que Jacó trabalhasse para ele sete anos a mais do que o devido por Raquel. “Aquilo que semeamos, havemos de colher” (Os.8:7; Gl.6:7).

-Os filhos de Labão perceberam esta situação e o relacionamento ficou insustentável. No meio desta situação aflitiva, que poderia mesmo chegar a derramamento de sangue, pois onde há ganância este é o fim mesmo das coisas, o Senhor, vinte anos depois, vai ao encontro de Jacó e o manda tornar a Canaã (Gn.31:3).

-Jacó havia se esquecido de Deus, mas Deus não havia Se esquecido de Jacó! Apesar da indiferença demonstrada por Jacó para com as coisas relacionadas a Deus e que havia se restringido tão somente à observância da circuncisão de seus filhos (Cf. Gn.34:14) durante aqueles vinte anos em que estivera em Padã-Arã,

-Deus vai ao encontro do patriarca e, no momento da angústia e aflição, manda-lhe voltar para Canaã. Deus age ainda assim conosco. Deus quer que os homens se salvem e, por isso, vai ao encontro do homem querendo que ele se arrependa de seus pecados. Quão grande é o amor de Deus!

-Jacó chamou, então, sua família e lhe relatou o ocorrido, dizendo que o Senhor lhe dissera que havia sido Ele quem providenciara a transferência patrimonial para Jacó em detrimento de Labão e que deveria retornar a Betel, inclusive para cumprir o voto que havia feito de que daria o dízimo de tudo que angariasse em Padã-Arã (Gn.31:4-13).

-Sus mulheres, que já haviam notado a inimizade existente com seus irmãos e seu pai, concordaram com Jacó e, então, o patriarca saiu sorrateiramente de Padã-Arã, com destino a Canaã.

-Raquel, porém, levou consigo os ídolos de seu pai, furtando-os, sem que Jacó o soubesse (Gn.31:14-21), a nos mostrar como, durante todo esse tempo, a casa de Jacó não se estruturara segundo os parâmetros de “Abraão, o hebreu”.

-Ao saber da fuga de Jacó, Labão foi ao seu encalço e o fez principalmente por causa dos ídolos que lhe haviam sido roubados.

-Estes ídolos, como explicam os historiadores e arqueólogos, representavam a posse e propriedade da terra e Labão achou que Jacó havia partido mas reivindicaria, posteriormente, todas as terras de Labão.

-Labão não achou os ídolos, pois Raquel simulou estar menstruada e não se levantou onde eles estavam, o que causou a ira de Jacó, que, com razão, achou-se caluniado pelo seu tio e sogro.

-No entanto, Jacó e Labão fizeram um concerto, segundo o qual Jacó não reivindicaria jamais as terras de Labão e Labão, a terra de Canaã (Gn.31:22-55). Jacó, neste pacto, renunciava solenemente a qualquer vantagem material, dava seu primeiro passo para retornar ao seu objetivo que tanto ansiara em sua juventude: a de herdar a bênção de Abraão, a de ser peregrino na terra em busca de uma pátria celestial.

-Jacó, mais uma vez, é enganado, agora por sua mulher Raquel, mas, neste engano, criou-se uma circunstância pela qual Jacó renunciou a Padã-Arã, o que lhe foi extremamente bom, já que, assim, estaria totalmente dedicado à peregrinação em Canaã, retirando, assim, aquela ganância que o havia feito aceitar permanecer em Padã-Arã após o nascimento de José.

-Na volta para Canaã, Jacó viu anjos de Deus (Gn.32:1), uma confirmação divina para o patriarca, uma confirmação de que estava a fazer a vontade de Deus.

-Assim como ocorrera com seu avô Abraão, Jacó teve uma visão das coisas espirituais depois que se desvencilhou de aspectos de sua vida que não eram agradáveis a Deus.

Quando nos aproximamos de Deus, quando nos santificamos, quando eliminamos aspectos de nossa vida que não agradam ao Senhor, temos nossa visão mais nítida para as coisas dos céus. Por isso, como disse o salmista Asafe, boa coisa é nos aproximarmos do Senhor (Sl.73:28).

IV – ISRAEL, O PRÍNCIPE DE DEUS QUE PREVALECE

-Jacó, no entanto, sabia que tinha uma questão pendente na sua volta para Canaã: a relação com seu irmão Esaú.

-Sabia que o relacionamento havia se esgarçado em virtude da mentira com que obtivera a bênção de seu pai, mas Jacó estava determinado a superar esta situação e, por isso, mandou mensageiros a Esaú, que já habitava em Seir neste tempo, dizendo-se servo dele e relatando que havia obtido um patrimônio enquanto tinha estado em Padã-Arã. Os mensageiros retornaram, dizendo a Jacó que Esaú vinha ao seu encontro (Gn.32:2-6).

-Jacó, então teve medo e se angustiou muito, pois se lembrou da intenção homicida de seu irmão.

-Por isso, esperando o pior, Jacó repartiu seu povo em dois bandos, a fim de que, pelo menos, metade de seu povo escapasse de Esaú. Simultaneamente, orou a Deus, pedindo-lhe ajuda, como também mandou presentes a Esaú, com o objetivo de aplacar-lhe a ira (Gn.32:7-21).

-Jacó já demonstrava uma grande mudança em sua vida. Totalmente desprendido dos bens materiais, resolveu dar presentes a Esaú.

-Preocupado em ser um legítimo herdeiro da promessa dada a Abraão, tomou providências para que seu povo não fosse dizimado por Esaú.

-Por fim, reconhecendo o senhorio de Deus, pediu livramento ao Senhor, orando a Ele, algo que jamais havia feito em Padã-Arã. Jacó, com isso, dá uma grande e profunda lição: a oração é não só clamor a Deus mas também ação. Devemos fazer aquilo que depende de nós e confiar em Deus para que o que não podemos fazer, Ele o faça em nosso favor. Temos agido assim?

-Jacó, então, passou o seu povo pelo vau de Jaboque, dividido em dois bandos, tendo ficado sozinho ali, certamente para buscar a presença de Deus, em continuidade à sua oração por livramento (Gn.32:22-24).

-No vau de Jaboque, porém, apareceu um varão com quem Jacó lutou durante toda a noite.

-Esta luta de Jacó com este varão mostra-nos que Jacó não passou o seu povo pelo vau de Jaboque por covardia, como alguns chegam a dizer.

-Uma pessoa covarde não lutaria contra um varão. Jacó queria preservar a sua descendência para cumprir a sua missão de herdeiro da promessa de Abraão, mas foi buscar a presença de Deus.

-Ademais, mantinha, certamente, a esperança de que Esaú, se não tivesse aplacada a ira com os presentes, não conseguiria dizimar todo o povo, dividido que estava em duas bandas, e, na sua sede de vingança, poderia querer matar única e exclusivamente a Jacó, de modo que seria melhor que Jacó estivesse só, preservando assim toda a sua descendência.

-A luta durou toda a noite e, vendo o varão que não conseguia prevalecer contra Jacó, que mantinha o nítido propósito de vencer aquele “inimigo”, deslocou a juntura da coxa de Jacó, deixando-o, pois, coxo.

-Mesmo coxo, porém, Jacó não deixou escapar aquele varão, que teve, então, de pedir que o deixasse partir, o que Jacó concordou desde que fosse abençoado por este varão.

-Entretanto, aquele varão, antes de o abençoar, mandou que dissesse qual era o seu nome. Jacó confessa o seu nome: suplantador.

-Nesta confissão, Jacó reconhece que havia vivido a enganar e a ser enganado até então. A bênção de Deus nunca vem na sua plenitude se não houver confissão e arrependimento. Como diz o proverbista: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv.28:13).

-Aquele varão, então, diante de tal confissão, mudou o nome do patriarca para Israel, nome cujo significado é “aquele que luta com Deus”, porque “como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gn.32:28).

-Estava retirado o último ponto que impedia Jacó de desfrutar da plenitude da promessa de Abraão. Jacó ainda quis saber o nome daquele varão, mas este não o disse, tendo, então, partido.

-Este varão outro não é senão o Senhor Jesus em mais uma das chamadas “manifestações teofânicas”, ou seja, aparições antes de Sua encarnação.

-Como podemos saber que este varão é o Senhor Jesus? Pelo fato de ter abençoado Jacó (e anjo jamais abençoa), como também pela própria circunstância de lhe ter sido dado o nome de Israel, ou seja, “aquele que luta com Deus”. Ora, isto nos mostra, com clareza, que quem lutou com Jacó era Deus e este não é outro senão o Senhor Jesus (Cf. Jo.1:1).

-O próprio Jacó teve esta percepção, tanto que chamou aquele lugar de Peniel, que significa “a face de Deus”, admitindo ter visto Deus face a face e ter sido salvo (Gn.32:30).

-Jacó ficara coxo mas tinha tido o seu caráter completamente mudado com aquele rica experiência espiritual.

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12448-licao-11-jaco-de-enganador-a-homem-de-honra-i

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