LIÇÃO Nº 2 – A PORTA DA FÉ SE ABRE PARA OS GENTIOS
INTRODUÇÃO
– Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, estudaremos a primeira viagem missionária de Paulo.
– A primeira viagem missionária de Paulo confirma que a missão da Igreja se estende aos gentios.
I – BARNABÉ E SAULO EM CHIPRE
– Tendo sido chamados para pregar o Evangelho, Barnabé e Saulo foram despedidos pela igreja de Antioquia (At.13:3), tendo início o que os estudiosos denominam de “a primeira viagem missionária de Paulo”.
– Sem dúvida, a personagem principal da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos é Paulo e, por isso mesmo, os estudiosos assim denominaram esta viagem, mas é importante frisar que, nesta viagem, o “comandante” não era Paulo, mas, sim, Barnabé.
– Barnabé fora a pessoa enviada pelos apóstolos para Antioquia (At.11:22) e, por isso mesmo, pode ser chamado de “apóstolo” (At.14:14), ou seja, o “enviado”, aquele que foi mandado para implantar a igreja local de Antioquia, ante o trabalho evangelístico feito pelos crentes anônimos que haviam ganhado aquelas almas para o Senhor Jesus.
– Barnabé é, assim, o primeiro a ser mencionado nas Escrituras como tendo o dom ministerial de apóstolo, um “apóstolo do Espírito Santo”, como bem ensina o pastor e professor de teologia Antônio Sebastião da Silva Filho, diretor da FATESA (Faculdade Teológica de Santo André).
– Ao chegar a Antioquia, assumiu o pastorado da igreja que estava a implantar e foi até Tarso para trazer Paulo que, então, passa a auxiliá-lo (At.11:25), exercendo ali tanto o dom ministerial de mestre, pois, com Barnabé, ensinava aqueles novos convertidos (At.11:26), como o dom assistencial de ministério (Rm.12:7), pois era auxiliar, ajudante do levita de Chipre.
– Quando o Senhor os escolhe para irem ao campo missionário, o Espírito Santo é bem claro ao dizer que estava chamando “Barnabé e Saulo” (At.13:2), ou seja, Saulo permanecia na condição de auxiliar de Barnabé e foi assim que realizou a primeira viagem missionária, que, portanto, tinha Barnabé e não Saulo no comando.
– É importante perceber que, nesta primeira viagem, Paulo é como que um auxiliar de Barnabé. O Espírito Santo nomeou Barnabé e depois Paulo (At.13:2).
Barnabé havia sido o escolhido pelos apóstolos para ir até Antioquia e era, praticamente, o pastor daquela igreja. Paulo era, então, seu cooperador, o que explica a sua posição de coadjuvante nesta primeira viagem.
– Apesar de toda a preparação, Paulo foi posto pelo Espírito Santo, nesta primeira viagem missionária, como auxiliar, como o segundo, a nos mostrar que a maturidade espiritual vem no tempo de Deus.
– Paulo haveria, ainda, de fazer outras duas viagens missionárias e o Senhor queria prepará-lo devidamente, junto àquele que havia sido posto por Deus não só para que fosse aceito pela igreja em Jerusalém, mas também como ensinador na igreja em Antioquia.
– Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Paulo desceram a Selêucia, cidade que fora construída para ser o porto de Antioquia (a “Selêucia da Síria” ou “Selêucia Piéria”) e dali navegaram para Chipre, terra natal de Barnabé (At.13:4).
– Lucas é conhecido por ser um escritor que sempre enfatiza o papel do Espírito Santo tanto no ministério terreno de Jesus Cristo quanto na atuação da Igreja, sendo, por isso, dito que seus escritos são muito importantes para os cristãos pentecostais e, como uma de suas obras é o livro de Atos, que não é meramente histórico mas também prescritivo, como é a linha pentecostal a que deve ser seguida pela Igreja, por ser a que é mais conforme as Escrituras.
– Aqui temos mais uma demonstração deste “pentecostalismo lucano”, pois é dito que, despedidos pela igreja em Antioquia, a dupla de missionários toma um rumo determinado pelo Espírito Santo: “enviados pelo Espírito Santo”.
– A igreja em Antioquia não disse onde o Evangelho deveria ser pregado, apenas os separou e os enviou. O lugar da pregação foi determinado pelo Espírito Santo.
– Assim se deve proceder na obra missionária. Não é a igreja que determina o local em que o missionário irá, mas o Espírito Santo. A igreja local só deve enviar alguém para o lugar que foi determinado pelo Senhor. O papel da igreja é enviar, não escolher e indicar o lugar.
– Um parente nosso, funcionário de uma grande instituição financeira, sentiu o chamado missionário e tinha o desejo de ir para a Índia e se preparou para tal.
No entanto, surgiram grandes entraves e, num determinado dia, o seu pastor lhe disse da necessidade que havia de se mandar um missionário para a Bolívia e que sentira de Deus que era ele a pessoa.
– Este parente nosso ficou um pouco reticente mas como seu ardor missionário só aumentava, aceitou ir “temporariamente” para aquele país sul-americano. Hoje já algumas décadas se passaram e este irmão tem feito uma grandiosa obra naquele país. Quem envia é o Espírito Santo!
– Assim, foi o Espírito Santo quem determinou que começassem a viagem pela terra natal de Barnabé, a ilha de Chipre.
– Chegados a Salamina, porto situado no extremo leste de Chipre, Barnabé e Paulo foram pregar o Evangelho nas sinagogas dos judeus e se faziam acompanhar de João Marcos, sobrinho de Barnabé (At.13:5).
– Inicia-se aqui um padrão que o apóstolo Paulo seguiria durante todo o tempo de seu ministério, qual seja, o de começar a pregar o Evangelho nas sinagogas para só depois pregar aos gentios.
– Este padrão correspondia mesmo ao plano divino da salvação. O Evangelho foi, primeiramente, pregado aos judeus, pelo próprio Jesus, Que veio para os Seus (Jo.1:11), Que foi enviado para as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt.15:24).
– Não é por acaso que Paulo, anos depois, escreveria que o Evangelho de Cristo “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego’ (Rm.1:16).
– Mas, além disso, ao pregar o evangelho primeiramente na sinagoga, criava-se um ponto de contato com a sociedade local, tinha-se um lugar a partir do qual se poderia iniciar a evangelização.
Era uma estratégia de se fazer conhecido a partir de um ambiente no qual os missionários sabiam se comportar
.– Atravessaram Chipre pregando nas sinagogas, chegando a Pafos, cidade onde ficava a sede do governo romano de Chipre, também uma cidade portuária, situada no sudoeste de Chipre (At.13:6).
– Ali encontraram um judeu mágico, falso profeta chamado Bar-Jesus, que fazia companhia ao procônsul Sérgio Paulo, a máxima autoridade romana na ilha de Chipre.
– Sérgio Paulo, por ter contato com os judeus, tanto que se fazia acompanhar deste Bar-Jesus, procurava ouvir a Palavra de Deus por meio de Barnabé e Paulo, mas o falso profeta se opunha a concretização deste propósito, procurando apartar da fé o procônsul.
– Então Paulo (que a partir de então, no texto sagrado, passa a ser assim chamado e não mais como Saulo, como até então Lucas o chamava), cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, fez com que o falso profeta Bar-Jesus, também chamado de Elimas, ficasse cego por algum tempo.
– Foi o primeiro sinal operado por Paulo de que se tem registro nas Escrituras, sinal que teve como consequência a conversão do procônsul Sérgio Paulo, mais um gentio que se convertia ao Senhor Jesus (At.13:6-12).
– Paulo exibia, assim, o dom espiritual de operação de maravilhas (I Co.12:10), mostrando-nos que a evangelização não pode ser desacompanhada de sinais, prodígios e maravilhas (At.2:43; 4:30; 5:12; 6:8; 8:6; 9:34,35), como, aliás, ocorrera no ministério terreno de Nosso Senhor (Mt.4:23; 9:35; Mc.1:39; Lc.19:37; Jo.20:30,31).
– Esta manifestação do poder de Deus em Paulo fazia-se necessária porque o opositor da pregação do Evangelho ao procônsul era um feiticeiro, que trabalhava com artes mágicas e que, portanto, não só estava se utilizando de atitudes naturais para afastar o procônsul dos missionários, como também de expedientes sobrenaturais.
– Devemos estar atentos para o fato de que, ao evangelizar, estamos em verdadeira “batalha espiritual” contra os principados, as potestades, os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais (Ef.6:10).
– O Pacto de Lausanne, documento da década de 1970, extraído de uma ampla e importante reunião da igreja de todo o mundo para refletir sobre a evangelização mundial, foi bem claro neste ponto, “in verbis”:
“Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração.
…” (Pacto de Lausanne, item 12, conflito espiritual).
– O Manifesto de Manila, este já da década de 1980, foi no mesmo sentido, “in verbis”: “11. Afirmamos que a luta espiritual requer armas espirituais, e que devemos pregar a Palavra no Poder do Espírito e orar sem cessar para participarmos da vitória de Cristo sobre os principados e potestades do mal.”
– Não nos iludamos, enquanto estivermos buscando a Deus e, guiados pelo Espírito Santo, tentando levar a mensagem da salvação aos perdidos, o diabo também estará levantando pessoas para impedir que se ouça o Evangelho, até porque a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17).
– Os impedimentos para que haja a pregação do Evangelho, inclusive dentro das igrejas locais, são de origem satânica e devem ser combatidos com armas espirituais.
– Não podemos militar segundo a carne, “porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas, destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo, estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência” (II Co.10:4-6).
– É absolutamente necessário que haja uma preparação espiritual para a ação de evangelização. Daí porque as equipes que irão efetuar trabalho de evangelismo devam, antes, reservar um período de oração, devendo, no mais das vezes, estar em jejum, para que possam enfrentar as forças malignas, até porque algumas castas somente se expulsam com jejum e oração (Mt.17:21; Mc.9:29).
– Isto também se aplica a cada membro em particular da igreja, porquanto temos de estar sempre prontos para responder a razão da esperança que está em nós e é bem por isso que o apóstolo Pedro diz que precisamos santificar a Cristo, como Senhor, em nosso coração (I Pe.3:15).
– Paulo chamou Elimas de “filho do diabo, cheio de todo o engano, e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça” (At.13:10).
– Esta é a condição espiritual de todos quantos se levantam contra a evangelização, contra a pregação do Evangelho, contra a difusão da verdade bíblica.
– São filhos do diabo, porque estão a serviço de Satanás, realizando o seu intento, que é o de impedir que as pessoas se salvem e as pessoas somente se salvará se invocarem o nome do Senhor e isto apenas ocorrerá se ouvirem o Evangelho e crerem em Jesus (Rm.10:13-15).
– Os filhos do diabo não podem ouvir a Palavra de Jesus, não entendem a linguagem do Senhor, querendo satisfazer os desejos do diabo, não crendo na verdade (Jo.8:43,45).
– Os filhos do diabo vivem na prática do pecado, não praticam a justiça nem amam o próximo (I Jo.3:8-10) e, por isso, ao ouvirem a mensagem do Evangelho, como não a aceitam, investem contra ela, pois a pregação lhes faz sentir um cheiro de morte para morte (II Co.2:15,16).
– Elimas era cheio de todo o engano, porque, com suas artes mágicas, iludia as pessoas, a exemplo de Simão, o mago (At.8:9), sendo um feiticeiro, que, ao invocar os demônios, fazia com que muitos cressem em mentiras e ardis.
– Hoje em dia não é diferente. Vivemos dias de multiplicação da iniquidade (Mt.,24:12) e, uma das facetas disto, é a intensificação da ação de espírito malignos, que têm sido cada vez mais invocados.
– Da mesma maneira que, durante o ministério terreno de Jesus, houve um aumento da ação demoníaca, nos dias imediatamente anteriores ao arrebatamento da Igreja, também estamos a presenciar este crescimento da atuação de espíritos malignos, que agirão com grande desenvoltura no período da Grande Tribulação (II Ts.2:9; Ap.9:1-3; 13:4,8,14-16; 16:9; 18:2).
– O crescimento do satanismo é evidente em nossos dias. O movimento Nova Era incentiva e estimula a prática do esoterismo e não são poucos os que têm, em diversos segmentos, adotado estas práticas e, pasmemos todos, que têm sido adotadas até por gente que cristã se diz ser.
– Condutas nitidamente esotéricas e adotadas em rituais de magia, em sociedades secretas têm sido acolhidas acriticamente por supostos cristãos. Assim, por exemplo, muitos hoje “adoram a Deus” em ambientes escuros,
sem luminosidade, repetindo práticas que, até pouco tempo atrás, somente se viam em sessões espíritas, reuniões maçônicas ou em rituais de bruxaria. A que ponto chegamos, amados irmãos!
– Partindo de Pafos, Barnabé e Paulo foram para Perge, da Panfília, cidade costeira situada no que é hoje o centro-sul da Turquia. Ali ocorreu a deserção de João Marcos que deixou Barnabé e Paulo, voltando para Jerusalém (At.13:13).
– Marcos, ainda jovem, não suportou o encargo do trabalho missionário e voltou para Jerusalém. Este episódio, mais tarde, ocasionaria a separação de Paulo e de Barnabé antes do início da segunda viagem missionária.
– Marcos se apartou de ambos por dois motivos: primeiro, não estava devidamente preparado para a obra missionária; segundo, o chamado havia sido para Barnabé e Paulo, não para Marcos, que estava ali na mesma situação de Ló quando acompanhou a Abrão (Gn.12:4).
– O episódio de Marcos leva-nos, uma vez mais neste estudo, a refletirmos sobre a absoluta necessidade de termos a direção e orientação do Espírito Santo ao realizarmos a obra do Senhor.
– Apesar de jovem, Marcos não poderia ser considerado um neófito total, visto que acompanhara o ministério terreno de Jesus (é ele o jovem mencionado em Mc.14:51,52).
Todavia, a obra de Deus não se faz por “tempo de serviço”, nem tampouco por “parentesco” (Marcos era sobrinho de Barnabé – Cl.4:10), mas única e exclusivamente por “chamada”. Lembremos disto!
II – BARNABÉ E PAULO NA LICAÔNIA
– Após a deserção de Marcos, Paulo e Barnabé saíram de Perge e chegaram a Antioquia da Pisídia, uma colônia e posto militar romanos, situada na rota comercial entre Éfeso e a Cilícia (terra natal de Paulo), regiões que hoje fazem parte da Turquia. Em Antioquia da Pisídia, havia uma influente colônia judaica.
– Como sempre faziam, iniciaram sua pregação em uma sinagoga, num dia de sábado, ocasião em que Paulo, fazendo uso da palavra, pregou o Evangelho, mostrando que Jesus era o Cristo.
– Vemos aqui, mais uma vez, que a mensagem que se deve pregar na obra do Senhor é Cristo e Este crucificado (I Co.2:2).
A repercussão da pregação foi tanta que os gentios pediram que lhes fosse pregada a mesma mensagem no sábado seguinte (At.13:42), tendo muitos judeus e prosélitos passado a seguir a Paulo e a Barnabé, que os exortava a que permanecessem na graça de Deus, numa prova de que tinham estas pessoas se convertido ao Senhor (At.13:43), assim como ocorre com os primeiros gentios evangelizados em Antioquia (At.11:23).
– No sábado seguinte, quando uma multidão se reuniu para ouvir Paulo e Barnabé, os judeus que não haviam se convertido se encheram de inveja e, blasfemando, contradiziam ao que Paulo dizia, mas tanto Paulo quanto Barnabé ousadamente disseram que, diante da rejeição dos judeus,
o Evangelho seria pregado aos gentios, mostrando terem consciência de que o Evangelho tinha de ser pregado até os confins da terra, o que muito mais alegrou os gentios que glorificavam a Palavra do Senhor, tendo havido conversões e divulgação da Palavra do Senhor por toda aquela província (At.13:45-49).
– Os judeus, porém, usando de sua influência sobre as autoridades da cidade, conseguiram levantar uma perseguição contra Paulo e Barnabé, lançando-os fora dos termos de Antioquia da Pisídia.
– Paulo e Barnabé, ante a rejeição do Evangelho por parte daquelas autoridades, repetiram o gesto que Jesus ensinara os Seus discípulos na evangelização da Judeia (Mt.10:14), sacudindo o pó dos seus pés contra ela e partiram para Icônio, principal cidade da Licaônia, na fronteira com a Frígia, também situada na região que hoje corresponde à Turquia.
– Os episódios ocorridos em Antioquia da Pisídia foram muito importantes para Paulo e Barnabé e trouxeram preciosas lições não só para eles mas também para toda a Igreja de todos os tempos.
– Por primeiro, Paulo e Barnabé, embora tenham iniciado seu trabalho junto aos judeus (até do ponto-de-vista estratégico dada a importância da comunidade judaica naquela cidade), puderam experimentar a rejeição de Israel ao Messias, algo que seria, posteriormente, bem explanado pelo próprio Paulo e que representa um desígnio divino para a própria dispensação da graça (Rm.11:25).
– Conquanto a oportunidade de salvação seja para todos os homens, estamos no período especialmente reservado para os gentios, que somente findará ao término da Grande Tribulação, na batalha do Armagedom, quando os judeus finalmente reconhecerão a Jesus como o Cristo (Zc.13:1-6; Rm.11:25-27).
– Por segundo, Paulo e Barnabé perceberam que sua tarefa era levar o Evangelho aos gentios, até os confins da Terra.
– Seu envio pelo Espírito Santo era precisamente para que o Evangelho alcançasse os confins da Terra, que é a missão determinada pelo Senhor a toda a Igreja, em cada geração, como se vê de At.1:8.
– A razão de ser da Igreja é ser a luz de salvação dos gentios até aos confins da Terra (At.13:47).
– Por terceiro, a evangelização é acompanhada de perseguição e, por vezes, a perseguição aparentemente triunfa, lançando fora do lugar onde se pregou o Evangelho aqueles que levaram a Palavra do Senhor.
– A influência política da comunidade judaica foi forte o suficiente para lançar fora de Antioquia da Pisídia Paulo e Barnabé, que somente testemunharam esta rejeição sacudindo contra eles o pó de seus pés.
– Esta influência dos judeus inimigos do Evangelho faz-se sentir ainda hoje. É notório o trabalho de judeus influentes em movimentos contrários à Igreja ao longo da história, notadamente a partir do final da Idade Média, que o sacerdote católico francês Henri Delassus (1836-1921) denominou de “conjuração anticristã”.
– Se, em Chipre, um judeu feiticeiro se levantou contra os missionários, em Antioquia da Pisídia, foram judeus que tinham acesso tanto aos principais da cidade quanto a algumas mulheres religiosas e honestas que fizeram com que estes expulsassem Barnabé e Paulo da cidade.
– Isto continua a se repetir. Satanás tem usado seja judeus místicos e esotéricos, estudiosos da chamada Cabala, para influenciarem e criarem movimentos como a Maçonaria, o Rosacrucionismo e,
por meio deles, criarem obstáculos à Igreja, impedindo ou prejudicando a propagação do Evangelho, como também têm usado judeus influentes (não nos esqueçamos que boa parte do sistema financeiro mundial está nas mãos de judeus) para financiarem agendas político-ideológicas que contrariam os princípios da Palavra de Deus e que buscam descristianizar a cultura ocidental, forjada no Evangelho.
– Por quarto, a perseguição não tem, porém, o condão de destruir a Igreja, pois “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt.16:18).
– Embora Paulo e Barnabé tenham sido expulsos de Antioquia da Pisídia, a igreja ali não foi destruída, tanto que, mesmo com a expulsão dos missionários, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo (At.13:52).
– Tanto a igreja em Antioquia da Pisídia não foi destruída que é mencionada em At.14:21,22, onde, inclusive, foram escolhidos anciãos para governá-la.
– Por quinto, a perseguição não fica impune, cabendo a Deus a vingança contra aqueles que se levantam contra a obra do Senhor.
– Ao sacudir o pó de seus pés contra eles, Paulo e Barnabé cumpriam uma ordem de Cristo e este gesto é um testemunho da Igreja ao Senhor com relação à rejeição da Palavra.
– Segundo o Senhor Jesus, quando se dá tal testemunho está-se estabelecendo um juízo contra os que rejeitaram o Evangelho, pois, “…haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade” (Mt.10:15).
– Em termos de perseguição, amados irmãos, Deus age de duas maneiras: de imediato, assim como se fez com Bar-Jesus ou Elimas em Pafos, opera sinal que revela o desagrado do Senhor ou, então, no dia do juízo, como indicou ao dar Suas instruções aos discípulos para a evangelização da Judeia durante Seu ministério terreno. OBS: Isto ainda ocorre em nossos dias.
Vejamos, por exemplo, este relato de Daniel Berg: “…Estava ele à sombra de uma grande árvore, protegido do sol.
Ele ainda estava lendo as primeiras linhas quando um galho da árvore caiu à sua frente. Era um galho tão grande que até parece uma pequena árvore. Nós nos aproximamos rapidamente para verificar se o galho atingira Vingren e o machucara, mas graças a Deus, por alguns centímetros, ele escapara.
No galho cortado verificamos as marcas características de corte de machado. O inimigo estivera em atividade, trabalhando contra a obra de Deus, mas o Senhor mostrara mais uma vez o seu poder, poupando a vida de um de Seus servos.
Quando olhamos para a árvore, através da espessa folhagem, vimos um vulto e depois ouvimos o ruído de alguém que alcançava a terra firme depois de haver pulado. O homem se afastou correndo e embrenhou-se na mata.
Esse homem só parou de correr quando estava vem longe. Olhou para trás e com a mão fechado fez um gesto que demonstrava o ódio que sentia pelo povo de Deus. Aos gritos, ele desejou que uma fera devorasse os cristãos.(…)Alguns irmãos conheciam aquele homem.
Ele era um dos principais fazendeiros da região.(…). Já havíamos terminado o batismo, quando vimos um jovem correndo pela beira do rio em nossa direção.
Ao chegar, o rapaz contou, ainda respirando com muita dificuldade, que vira uma onça ali perto arrastando algo muito grande na boca. Ele não sabia se era um animal ou uma pessoa.(…).
Diante de nossos olhos apareceu um trecho de terra cavada. Alguém estivera cavando um buraco ali, mas parece que fora interrompido bruscamente. Ao lado daquele buraco estava o pé de um homem, e mais adiante um chapéu de palha.
No chapéu, havia marcas de sangue.(…). Aquele pé e o chapéu de palha eram do fazendeiro(…) o fazendeiro cavando aquele buraco enquanto praguejava e amaldiçoava os crentes (…) Naquele momento ninguém foi capaz de articular qualquer palavra.
Ficamos em silêncio durante algum tempo. Todos estavam abalados diante daquele trágico acontecimento.
Até nossos inimigos ficaram aterrorizados com o que viram.(…). Compreenderam como é perigoso combater a obra de Deus…” (BERG, Daniel. Enviado por Deus. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.202).
– Barnabé e Paulo, então, foram para Icônio, uma cidade também da Licaônia, hoje chamada Konya, que fica na atual Turquia, distante cerca de 156km de Antioquia da Pisídia.
– Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga dos judeus e pregaram o Evangelho, tendo havido a conversão tanto de judeus quanto de gentios, numa grande multidão.
– Também os judeus incrédulos incitaram os ânimos dos gentios contra os dois missionários que, entretanto, falaram ousadamente acerca do Senhor, sendo, então, confirmada a Palavra com sinais e prodígios, levando a cidade a uma divisão entre os que eram favoráveis a Paulo e Barnabé e os que lhes eram contrários.
– A divisão deu ocasião para que houvesse um motim, tendo os judeus e os gentios resolvido insultar e apedrejar os missionários que, sabendo disto, fugiram para Listra e Derbe, também cidades da Licaônia, onde pregaram o Evangelho (At.14:1-6).
– Paulo e Barnabé pregavam o Evangelho completo, mostrando que Jesus salva e cura. Os sinais e prodígios realizados foram importantes para que se criasse um ambiente favorável aos apóstolos em Icônio e, em Listra, foi a cura de um coxo desde o ventre de sua mãe, que nunca havia andado, que abriu as portas para a conversão de almas.
– Paulo foi orientado pelo Espírito Santo, tanto que viu que aquele coxo tinha fé para ser curado (At.14:8-10). Demonstrava, aqui, o apóstolo ser portador de dois outros dons espirituais: a palavra da ciência (I Co.12:8), pois teve a revelação de que o coxo tinha fé para ser curado e o dom de cura (I Co.12:9).
– A realização de sinais e maravilhas sempre acompanha a pregação do Evangelho. Não podemos inverter a ordem bíblica: Jesus salva, Jesus cura.
Muitos, na atualidade, embebidos pela espiritualidade esotérica capitaneada pela Nova Era, que gera uma mentalidade mística, estão se deixando levar pelo misticismo,
falando apenas de curas, sinais e maravilhas, sem atentar para a salvação do homem, o maior milagre que pode existir. Tomemos cuidado para não inverter as prioridades.
– Entretanto, a passagem de Paulo e de Barnabé pela Licaônia ensina-nos claramente que a presença de sinais e prodígios é um fator que o Senhor dá aos Seus servos para resistir à oposição do inimigo.
– Em Icônio, foram os sinais e prodígios que permitiram criar um “partido favorável aos apóstolos”. Em Listra, foi um sinal que fez com que houvesse conversões. Pregação do Evangelho sem sinais e maravilhas mostra-se ineficaz, algo inconcebível para quem é revestido de poder.
– A cura do coxo fez com que as multidões achassem que Paulo e Barnabé fossem deuses, tendo, então, resolvido fazer sacrifícios em sua honra.
– Paulo era chamado de Mercúrio, porque era o pregador (Mercúrio era o deus mensageiro) e Barnabé, de Júpiter, porque era o “chefe” (mais uma demonstração de que Paulo atuava como auxiliar nesta primeira viagem missionária).
– Temos aqui outra lição a respeito da obra do Senhor. Quando o inimigo não consegue com a perseguição o seu propósito, ele atua com outra poderosa arma: a incitação da vaidade humana.
– O sacerdote de Júpiter trouxe para a porta da cidade touros e grinaldas para sacrificar a Paulo e a Barnabé.
Entretanto, ambos rasgaram seus vestidos e saltaram para o meio da multidão, negando que fossem deuses e anunciando o Evangelho, tendo, com dificuldade, conseguido impedir que os sacrifícios fossem realizados (At.14:11-18).
– Quantos, na atualidade, não deixam que os sacrifícios se realizem? Quantos não se corrompem porque tomam para si uma glória que deveria ser única e exclusiva do Senhor Jesus? Quantos que não trocam a presença de Deus em suas vidas pelo louvor das multidões ao seu redor?
– O mesmo povo que queria sacrificar a Paulo e a Barnabé, pouco depois, influenciados por judeus de Antioquia da Pisídia e de Icônio, apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto, tendo sido rodeado pelos discípulos.
– Paulo passava pelo seu primeiro teste de chegar à beira da morte por causa do Evangelho. Já tinha sofrido ameaças de morte, como ocorrera quando ainda estava em Damasco, no início de sua fé, mas agora havia sido apedrejado e perdido os sentidos, tanto que seus algozes achavam que o tinha matado.
– Paulo levantou-se, entrou na cidade e, no dia seguinte, juntamente com Barnabé, foi para Derbe (At.14:19,20).
– O episódio mostra-nos que o homem de Deus não deve se preocupar com a popularidade, como muitos fazem atualmente. O mesmo povo que endeusava, agora quis matar.
– Assim como aconteceu com o Senhor Jesus que, aclamado como Messias num domingo, foi crucificado na sexta-feira pela mesma multidão. Não podemos confiar no povo, na multidão, mas, sim, temos de confiar em Deus, o único que não muda nem tem sombra de variação (Ml.3:6; Tg.1:17). Aleluia!
– Em Derbe, pregaram o Evangelho e feito muitos discípulos, voltando, então, para Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, onde elegeram anciãos, de comum acordo com os crentes, para cada igreja, retornando a Panfília e, depois de terem pregado a Palavra em Perge, desceram a Atália, outro porto de Chipre, onde navegaram e voltaram para Antioquia, donde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido, terminando, assim, a primeira viagem missionária.
– Barnabé e Paulo, como verdadeiros apóstolos, não só plantaram igrejas mas as estruturaram e estabeleceram pastores nelas, organizando o governo, mostrando que o ministério apostólico não se confunde com o ministério pastoral e que não há, como muitos hoje, que querem poder e por isso se denominam “apóstolos” ou “missionários”, “superioridade hierárquica” entre estes ministros.
– Ao apóstolo cumpre plantar a igreja, desbravar o campo missionário e, quando a igreja é plantada, cumpre a ele escolher pastores que passem a apascentar o rebanho do Senhor e promovam o crescimento da igreja local plantada, pregando o Evangelho aos incrédulos e ensinando a Palavra aos crentes.
– Em Antioquia, Paulo e Barnabé reuniram a igreja e relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles e como abrira aos gentios a porta da fé, ficando ali não pouco tempo com os discípulos (At.14:27,28).
– Temos, então, outra preciosa lição nesta primeira viagem missionária de Paulo: os missionários têm de prestar contas de seu trabalho para a igreja que o enviou, devendo retornar a ela para tal prestação de contas. Trata-se de um dever moral e espiritual do obreiro, a fim de que a obra de Deus se complete, com o aumento da fé dos crentes da igreja que enviou o missionário.
– Além disso, o retorno do missionário para a igreja que o enviou tem uma grande importância para o próprio obreiro, que também renova suas forças junto àqueles com quem convivera antes de ser mandado para o campo missionário, um “reabastecimento espiritual” que muito propiciará a continuidade de seu ministério.
Pr. Caramuru Afonso Francisco
Fonte: https://portalebd.org.br/classes/adultos/12528-licao-2-a-porta-da-fe-se-abre-entre-os-gentios-i
