JUVENIS | LIÇÃO 1 – A Superioridade de Cristo
A paz do Senhor, querido aluno e professor da Escola Bíblica Dominical!
Hoje iniciamos um novo trimestre da classe de Juvenis, no qual estudaremos as Epístolas Gerais, compreendidas entre Hebreus e Judas.
O tema do trimestre é:
“Conhecendo os fundamentos da fé cristã nas Epístolas Gerais.”
Como esta é nossa primeira aula, é importante conhecer os assuntos que serão estudados ao longo do trimestre.
As lições do trimestre
- A Superioridade de Cristo.
- Cristo entende você.
- A fé e o nosso relacionamento com Deus.
- Mais que vencedores: provas e tentações.
- Fé e obras.
- Uma arma poderosamente mortal.
- A santificação necessária.
- O propósito do sofrimento.
- O inimigo íntimo.
- Uma carta para você.
- Diga não.
- Cuidado com o ego e suas ambições.
- Lute por sua fé.
Esses serão os temas que estudaremos juntamente com os nossos juvenis.
Tema da primeira lição
A primeira lição tem como tema:
A Superioridade de Cristo
O versículo-chave encontra-se em Hebreus 1.1:
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.”
Este é, provavelmente, um dos textos mais conhecidos da Carta aos Hebreus e também um dos mais profundos.
Aqui encontramos uma das bases da nossa Cristologia, ou seja, da doutrina sobre Cristo.
Embora não saibamos ao certo quem escreveu a Epístola aos Hebreus, o autor declara que Deus falou de muitas maneiras no passado.
Desde o princípio, Deus tem falado.
Ele falou por meio da criação.
Falou através das obras de Suas mãos.
Falou por meio do ser humano.
Fala através da nossa consciência.
Mas, nestes últimos dias, falou de maneira definitiva por intermédio de Seu Filho, Jesus Cristo.
Portanto, nesta lição estudaremos justamente a respeito de Jesus Cristo e da superioridade do Filho.
Leitura Bíblica
Nossa leitura bíblica está em Hebreus 1.1-6.
1. Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas,
2. A nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
3. O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas alturas.
4. Feito tanto mais excelente do que os anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.
5. Porque a qual dos anjos disse jamais: “Tu és meu Filho, hoje te gerei”? E outra vez: “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho”?
6. E, outra vez, quando introduz no mundo o Primogênito, diz: “E todos os anjos de Deus o adorem.”
Objetivos da lição
Ao final desta aula, os alunos deverão compreender que:
- Cristo é superior aos profetas.
- Cristo é maior do que os anjos.
- A obra de Cristo possui significado muito maior do que a de Moisés.
- Cristo é Deus.
Esses são os principais objetivos que devem ser alcançados durante a aula, conduzindo os juvenis a um entendimento correto sobre quem é Jesus Cristo.
1. Conhecendo a Epístola aos Hebreus
A Bíblia é um livro singular.
Ela é a Palavra de Deus revelada à humanidade.
Podemos dividi-la em diversos grupos de livros que possuem características semelhantes.
Neste trimestre estudaremos um conjunto de oito cartas, desde Hebreus até Judas, dirigidas ao público cristão em geral. Por esse motivo recebem o nome de Epístolas Gerais.
A primeira delas é a Carta aos Hebreus.
Embora não saibamos exatamente quem a escreveu, nem para quem foi originalmente destinada, podemos afirmar que seu autor possuía profundo conhecimento do Antigo Testamento.
As inúmeras conexões e comparações entre o Antigo Testamento e Jesus Cristo levam muitos estudiosos a concluir que essa carta foi escrita para fortalecer a fé dos judeus convertidos ao cristianismo.
Ainda hoje, Hebreus continua sendo extremamente relevante para a Igreja.
A importância da Carta aos Hebreus para a Igreja atual
É importante conversar com os juvenis sobre a aplicabilidade dessa carta para a Igreja do século XXI.
Nós, professores da Escola Bíblica Dominical, temos uma grande missão.
Precisamos ensinar nossos alunos a conhecerem verdadeiramente a Palavra de Deus.
Precisamos despertar neles o desejo pela leitura bíblica e pelo conhecimento do Senhor.
Essa missão não é fácil.
Vivemos em uma época em que a leitura, especialmente de livros, tornou-se cada vez menos comum.
Estamos competindo com um aparelho que carregamos nas mãos: o celular.
Hoje tudo precisa ser rápido.
As pessoas leem muito mais, porém com muito menos profundidade.
Antigamente, quem se sentava para ler dedicava tempo à Palavra de Deus ou a livros que atravessaram décadas e séculos.
Hoje consumimos uma enorme quantidade de informações rápidas, superficiais e passageiras.
Vídeos de poucos segundos ensinam receitas, curiosidades ou informações resumidas.
Essa velocidade influencia diretamente nossos jovens.
Grande parte deles cresceu sem desenvolver o hábito da leitura.
Por isso, convencê-los a ler — especialmente a Bíblia — tornou-se um grande desafio.
Entretanto, precisamos mostrar que todos os 66 livros das Escrituras continuam plenamente atuais.
Todos são inspirados por Deus.
Todos têm aplicação para nossa vida.
E todos revelam a vontade do Senhor para nós.
A importância da Revelação Escrita
Precisamos compreender um ponto muito importante: Deus escolheu revelar-Se por meio da Palavra escrita.
A Bíblia Sagrada foi divinamente inspirada por Deus.
Ela chegou até nós porque foi inspirada, organizada e preservada segundo a vontade do Senhor.
Era propósito de Deus que os cristãos do século XXI tivessem acesso às Escrituras da maneira como temos hoje.
Por isso, não devemos tratar a leitura bíblica como algo opcional ou sem importância.
O desejo de Deus é que Seu povo ame a Sua Palavra.
Não basta ler apenas alguns versículos de forma superficial.
É necessário realizar uma leitura profunda.
Uma leitura que:
- ensine;
- corrija;
- console;
- transforme;
- fortaleça nossa fé.
Foi exatamente para isso que as cartas do Novo Testamento foram escritas.
Elas nasceram para ensinar, corrigir, consolar e demonstrar o profundo interesse dos apóstolos pela formação espiritual dos novos cristãos.
À medida que a Igreja crescia, os apóstolos precisavam discipular pessoas espalhadas por diversas cidades.
Nem sempre podiam permanecer presentes fisicamente.
Por isso escreviam cartas.
O apóstolo Paulo, por exemplo, ao escrever Primeira e Segunda aos Coríntios, já não estava mais em Corinto.
Ele havia estado ali anteriormente, mas agora estava plantando outras igrejas.
As cartas eram uma demonstração de amor, cuidado, preocupação e acompanhamento espiritual daqueles novos convertidos.
O propósito das Epístolas Gerais
Ao estudarmos as cartas de Hebreus até Judas, estamos aprendendo aquilo que Deus deseja para nós.
Talvez algum juvenil pergunte:
“Mas nós não somos judeus. Então por que estudar Hebreus?”
Essa é uma excelente pergunta.
Embora a carta tenha sido escrita, muito provavelmente, para judeus convertidos ao cristianismo, sua mensagem não pertence apenas àquele grupo.
Nós também precisamos saber:
- quem é Cristo;
- qual é Sua obra;
- por que Ele é superior;
- por que é o Sumo Sacerdote perfeito;
- por que é o Profeta perfeito;
- por que é o Messias prometido.
Essas verdades não eram importantes apenas para os primeiros cristãos.
São igualmente essenciais para nós.
O principal objetivo da Carta aos Hebreus é revelar a superioridade de Cristo.
Portanto, compreender essa superioridade é indispensável para todos aqueles que professam Jesus como Salvador.
Ler Hebreus é essencial para que nossa fé não esteja baseada apenas naquilo que ouvimos falar, mas naquilo que conhecemos através da Palavra de Deus.
O Senhor deseja que ofereçamos um culto racional.
Um culto consciente.
Um culto em que saibamos:
- quem somos;
- quem estamos adorando;
- por que O adoramos.
Para chegarmos a esse nível de maturidade espiritual, precisamos conhecer a nossa fé.
Precisamos saber de onde ela vem.
Precisamos conhecer o fundamento sobre o qual ela está edificada.
E esse fundamento é a Palavra de Deus.
2. Cristo é Superior aos Profetas
O autor da Carta aos Hebreus inicia sua argumentação afirmando algo extremamente importante.
Desde a antiguidade, Deus falou de muitas maneiras por intermédio dos profetas.
Agora, porém, falou por meio do Seu Filho.
Um Filho que é:
- herdeiro de todas as coisas;
- Criador do universo.
Durante muitos séculos os profetas atuaram como porta-vozes de Deus.
Por isso eram altamente respeitados entre os judeus.
Entretanto, Hebreus estabelece logo no início seu primeiro grande argumento:
Jesus é superior aos profetas.
Ele é superior tanto na mensagem quanto na própria essência.
A Palavra de Deus caminhou literalmente entre os homens.
Quando João escreveu:
“O Verbo se fez carne.”
Ele estava ensinando exatamente essa verdade.
O próprio Deus encarnou.
O Filho de Deus tornou-Se homem.
O significado da Encarnação
Essa verdade era extremamente importante para a Igreja Primitiva.
Naquela época, muitos desprezavam o corpo físico.
Diversas correntes filosóficas ensinavam que a matéria era má e que o corpo era algo inferior.
Nesse contexto, anunciar que Deus havia Se tornado homem parecia absurdo.
Para muitos, era escândalo.
Para outros, blasfêmia.
Mas essa é justamente uma das maiores verdades do Evangelho.
Cristo realmente Se fez carne.
Ele não apenas enviou outro profeta.
Não apenas inspirou outro mensageiro.
Não apenas falou através de alguém.
O próprio Deus entrou na história humana.
O Verbo habitou entre nós.
Essa doutrina aparece repetidamente nos escritos dos primeiros pais da Igreja justamente porque era necessário combater os falsos ensinos que negavam a humanidade de Cristo.
Jesus não aparentou possuir um corpo.
Ele realmente assumiu natureza humana.
O próprio Deus viveu entre nós.
Esse é um fundamento inegociável da fé cristã.
O contexto da Carta aos Hebreus
Muito provavelmente, o escritor estava dirigindo sua mensagem a judeus convertidos que atravessavam um período de intensa crise espiritual.
Eles sofriam perseguição tanto dos romanos quanto dos próprios judeus que rejeitavam Jesus.
Aceitar Cristo significava sofrer desprezo, rejeição e perseguição.
Muitos começavam a desanimar.
Alguns pensavam até em abandonar a fé.
Por isso o autor escreve para fortalecê-los.
Sua mensagem é clara:
Cristo é superior aos profetas.
Esse é o primeiro grande argumento da Epístola aos Hebreus.
Cristo e a mensagem dos profetas
Os profetas do Antigo Testamento anunciavam aquilo que recebiam do Senhor.
Grande parte de suas mensagens apontava para a vinda do Messias.
Agora, porém, o Messias havia chegado.
O Filho de Deus estava entre os homens.
A Palavra havia se tornado carne.
Assim como aqueles primeiros cristãos precisavam compreender essa verdade para fortalecer sua fé diante das dificuldades, nós também precisamos.
Em outras palavras, a Carta aos Hebreus está dizendo:
“Tudo aquilo que vocês aprenderam sobre Deus ao longo da vida agora encontra seu cumprimento em Jesus Cristo.”
Essa é uma excelente oportunidade para contextualizar o ensino com os juvenis.
Podemos perguntar:
“Tudo aquilo que vocês aprenderam sobre Deus desde a infância, nas classes do berçário, do maternal, da Escola Bíblica Dominical, nos cultos e nas leituras em casa… para onde tudo isso aponta?”
A resposta é simples:
Tudo aponta para Cristo.
A Palavra de Deus ganhou carne e habitou entre nós.
O Messias esperado finalmente veio.
Essa é a maior mensagem do Evangelho.
O Verbo eterno se encarnou.
Mas há algo ainda mais profundo.
Cristo não apenas assumiu um corpo.
O próprio Deus habitou em um corpo humano.
Isso nos ensina algo importante.
Não devemos desprezar o corpo humano como se fosse algo mau em si mesmo.
Sabemos que nosso corpo será glorificado.
Sabemos também que toda a criação será restaurada.
Mas ela não será destruída simplesmente porque Deus criou tudo e declarou:
“É muito bom.”
O corpo humano faz parte dessa boa criação.
A natureza também.
Por isso, toda doutrina que afirma que a matéria é essencialmente má não encontra fundamento nas Escrituras.
O próprio Deus assumiu natureza humana.
Cristo tornou-Se matéria.
Ele viveu entre nós.
Essa é uma das maiores verdades do Evangelho e deve ser anunciada corretamente.
3. Cristo é Superior aos Anjos
O escritor continua desenvolvendo seu argumento.
Em Hebreus 1.3-4, ele declara que Jesus é:
- o resplendor da glória de Deus;
- a expressão exata do Seu ser;
- aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder;
- aquele que realizou a purificação dos nossos pecados;
- aquele que está assentado à direita da Majestade nas alturas.
Por isso, tornou-Se muito superior aos anjos.
Seu nome é superior ao deles.
Na sequência, o autor cita diversas passagens do Antigo Testamento para demonstrar que o Filho ocupa uma posição infinitamente superior à dos anjos.
Por que esse argumento era tão importante?
Entre muitos judeus do primeiro século havia uma valorização exagerada da figura dos anjos.
Alguns passaram a atribuir-lhes uma importância que as Escrituras nunca deram.
Em certos grupos, os anjos eram vistos quase como seres divinos.
Por isso, quando Hebreus afirma que Cristo é superior aos anjos, está corrigindo uma compreensão equivocada existente naquela época.
O escritor mostra que nenhum anjo ocupa a posição do Filho de Deus.
Cristo está acima de todos eles.
Somente Cristo é digno de adoração
Essa verdade continua extremamente atual.
Ainda hoje existem pessoas que dão importância exagerada aos anjos.
Em alguns lugares desenvolveu-se um verdadeiro misticismo.
Fala-se constantemente em “anjo da guarda”, em buscar auxílio dos anjos ou até dirigir orações a eles.
Entretanto, a Carta aos Hebreus é muito clara.
Cristo é superior aos anjos.
Eles são servos de Deus.
Jesus é o Filho de Deus.
Os anjos não devem ser adorados.
Toda adoração pertence exclusivamente ao Senhor.
Essa questão já foi resolvida pelas Escrituras.
Cristo é superior aos anjos.
Essa é uma verdade doutrinária.
Não está em debate.
O perigo da negligência
Depois de demonstrar a superioridade de Cristo, o escritor faz uma séria advertência.
É natural que surjam dúvidas durante nossa caminhada cristã.
Perguntas como:
- Cristo era plenamente Deus e plenamente homem?
- Como aconteceu a encarnação?
- Como Deus inspirou a Bíblia?
- Como ocorreu a revelação das Escrituras?
Esses questionamentos são legítimos.
Não há problema em perguntar.
O verdadeiro problema é a negligência.
Hebreus alerta para o perigo de negligenciar a Palavra de Deus.
O autor afirma que, se a mensagem transmitida pelos anjos recebeu atenção, quanto mais devemos dar ouvidos à mensagem anunciada pelo próprio Filho.
Ele pergunta:
“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”
Essa advertência permanece extremamente atual.
Cristo, sendo Deus, tornou-Se homem.
Entregou-Se voluntariamente por nós.
Venceu a morte.
Derrotou o diabo.
Conquistou nossa redenção.
Como poderíamos tratar essa mensagem com indiferença?
As dúvidas e a negligência da Palavra
É natural que surjam dúvidas durante nossa caminhada cristã.
Perguntas como:
- O corpo é bom ou mau?
- Cristo realmente veio em carne?
- Jesus era verdadeiramente Deus?
- A Bíblia é realmente a Palavra de Deus?
- Ela foi inspirada pelo Espírito Santo?
- Como ocorreu essa inspiração?
Essas perguntas são legítimas.
Entretanto, devemos tomar cuidado com o tipo de dúvida que alimentamos.
As nossas dúvidas revelam, muitas vezes, a profundidade da nossa fé.
Vivemos numa geração que possui acesso a inúmeras informações.
Ainda assim, a pergunta mais importante não deveria ser:
“Será que a Bíblia é verdadeira?”
Mas sim:
“Será que estou negligenciando a Palavra de Deus?”
A questão principal não é se Deus falou.
A questão é se estamos ouvindo.
Será que estamos tratando as Escrituras com a importância que elas merecem?
Será que realmente lemos a Bíblia?
Será que estudamos a Palavra como deveríamos?
Todas as dúvidas mencionadas anteriormente encontram resposta nas Escrituras.
A própria Palavra responde:
- quem é Cristo;
- por que Ele veio em carne;
- qual a importância do corpo;
- qual o propósito da criação;
- como Deus se revelou à humanidade.
Por isso, a solução para muitas dúvidas não é abandonar a Bíblia, mas mergulhar nela.
O perigo de uma fé superficial
Quando negligenciamos a Palavra de Deus, tornamo-nos cristãos espiritualmente fracos.
Nossa base fica instável.
Então qualquer vento de doutrina nos influencia.
Qualquer filosofia contrária ao Evangelho passa a parecer convincente.
Por essa razão encontramos tantas pessoas que afirmam ser cristãs, mas vivem de maneira incompatível com o ensino bíblico.
Isso acontece porque negligenciaram as Escrituras.
O escritor aos Hebreus escrevia justamente para impedir que isso acontecesse.
Aqueles cristãos enfrentavam perseguições intensas.
Muitos cogitavam abandonar a fé.
Grande parte deles pertencia à segunda geração de cristãos.
Provavelmente, a carta foi escrita entre os anos 60 e 70 d.C., pouco antes da destruição do templo de Jerusalém.
Esses irmãos não haviam visto Jesus pessoalmente.
Eles ouviram falar dEle.
Por isso, começaram a surgir perguntas como:
- Será que Jesus realmente existiu?
- Será que Ele era mesmo Deus?
- Será que tudo isso aconteceu?
O autor responde a essas dúvidas chamando a atenção para o testemunho daqueles que conviveram com Cristo.
Em Hebreus 2.3, ele escreve:
“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram?”
Ou seja, a mensagem do Evangelho não surgiu de uma invenção.
Ela foi anunciada pelo próprio Senhor Jesus.
Depois foi confirmada por aqueles que estiveram com Ele.
Havia testemunhas.
Havia pessoas que ouviram, viram e conviveram com Cristo.
Uma advertência para os cristãos de hoje
Os mesmos questionamentos continuam existindo.
Ainda hoje muitas pessoas perguntam:
- Jesus realmente existiu?
- Ele era Deus?
- A Bíblia é verdadeira?
Essas perguntas podem ser respondidas por meio da própria Palavra.
O grande problema é que muitos deixaram de estudá-la.
Se lêssemos mais as Escrituras, dificilmente seríamos enganados por falsas doutrinas.
Não acreditaríamos com tanta facilidade em ensinos que contradizem claramente a Bíblia.
Por isso, a advertência de Hebreus continua extremamente atual.
Não devemos negligenciar as Escrituras.
Um desafio aos professores
Se você é professor da Escola Bíblica Dominical, incentive seus alunos a desenvolverem o hábito da leitura bíblica.
Mostre que ninguém consegue permanecer firme apenas ouvindo sermões.
É necessário conhecer pessoalmente a Palavra de Deus.
Precisamos formar cristãos fundamentados nas Escrituras.
Caso contrário, não resistiremos às pressões deste mundo.
Durante este trimestre estudaremos todas as Epístolas Gerais.
Por isso, é um excelente desafio incentivar os juvenis a lerem cada uma dessas cartas conforme as lições forem sendo estudadas.
Ao final do trimestre eles terão percorrido toda essa importante parte do Novo Testamento.
É importante mostrar aos alunos que essa leitura não deve ser encarada como uma obrigação ou uma simples tarefa de casa.
Cada capítulo lido aproxima o cristão de Cristo.
A Bíblia revela:
- quem Deus é;
- quais são Suas obras;
- qual é Seu caráter;
- como Ele fala conosco.
Ela também responde às grandes perguntas da existência humana:
- Quem somos?
- De onde viemos?
- Qual é o propósito da nossa vida?
- Para onde iremos?
As dúvidas existenciais que afligem tantas pessoas encontram resposta nas Escrituras.
Por isso, jamais devemos negligenciar a Palavra de Deus.
Ela é o instrumento por meio do qual o Senhor nos aproxima de Si.
4. Cristo é Superior a Moisés
Entre os judeus, Moisés era um dos personagens mais respeitados da história.
Era natural, portanto, que ele fosse mencionado na Carta aos Hebreus.
Moisés foi o grande libertador de Israel.
Foi o homem usado por Deus para conduzir o povo para fora do Egito.
Foi o instrumento por meio do qual Deus entregou a Lei.
Entretanto, como acontece em todas as comparações feitas na carta, o escritor demonstra que Moisés ocupava apenas um papel dentro do plano divino.
Cristo, porém, é infinitamente maior.
Hebreus afirma que:
Cristo é considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.
Moisés foi um servo fiel na casa de Deus.
Jesus, porém, é o Filho sobre a casa de Deus.
Mais uma vez, Hebreus declara:
Cristo é superior.
Superior à Lei.
Superior a Moisés.
Superior a tudo aquilo que o Antigo Testamento apontava.
Cristo é superior à Lei e a Moisés
Quando o escritor aos Hebreus afirma que Cristo é superior a Moisés, ele está dizendo muito mais do que apenas comparar duas pessoas.
Moisés representava toda a antiga aliança.
Representava a Lei.
Representava o primeiro grande profeta de Israel.
Ao afirmar que Cristo é superior a Moisés, o autor demonstra que Jesus é superior a toda a estrutura da Antiga Aliança.
Cristo é a perfeita expressão de Deus.
Ele é Deus.
Essa verdade também precisa ser compreendida por nós.
Muitas vezes, ao lermos a Bíblia, corremos o risco de colocar determinados personagens em um pedestal.
Algumas pessoas dizem:
“Eu gosto muito de Davi.”
Outras afirmam:
“Abraão foi perfeito.”
Mas esse não é o objetivo das Escrituras.
Os personagens bíblicos não são apresentados como pessoas perfeitas.
Pelo contrário.
A própria Bíblia faz questão de mostrar seus erros.
Recentemente, ao ensinar sobre os relacionamentos familiares de Davi, observamos que ele teve diversas esposas ao longo da vida.
Sua história revela muitas falhas.
Quando mencionei isso em uma aula, uma irmã comentou que ficou incomodada, pois admirava muito Davi.
Isso nos ensina uma importante lição.
Às vezes lemos a Bíblia de maneira equivocada.
O propósito das Escrituras não é exaltar os homens.
O propósito é exaltar Cristo.
Os homens e mulheres apresentados na Bíblia eram pecadores.
Foram usados por Deus.
Mas continuavam necessitando da graça divina.
Cristo, porém, é diferente.
Ele veio perfeito.
Porque era plenamente Deus e plenamente homem.
Os personagens bíblicos apontam para Cristo
Quando lemos sobre Abraão, não estamos estudando um homem perfeito.
Abraão também pecou.
Mentiu.
Demonstrou medo.
Falhou como marido em diversos momentos.
Basta lembrar da maneira como tratou Hagar e Ismael, enviando-os ao deserto apenas com um odre de água.
A Bíblia não esconde essas falhas.
Ela as registra para mostrar que todos os seres humanos necessitam da graça de Deus.
O mesmo acontece com Moisés.
Com Elias.
Com Eliseu.
Com Davi.
Com tantos outros servos do Senhor.
Todos erraram.
Todos dependeram da misericórdia divina.
Cristo, porém, jamais pecou.
Por isso somente Ele pode ocupar o centro da nossa fé.
As Escrituras mostram os defeitos dos seus personagens justamente para que entendamos que a esperança da humanidade nunca esteve nos homens.
Sempre esteve em Cristo.
Nós também falhamos.
Também pecamos.
Mas encontramos perdão naquele que é superior à Lei, superior a Moisés e superior à antiga aliança.
Ele inaugurou uma nova aliança.
Nele encontramos perdão, restauração e reconciliação com Deus.
A obra realizada por Moisés
Hebreus utiliza a figura da construção de uma casa.
Moisés foi enviado por Deus para libertar os hebreus da escravidão do Egito.
Conduziu o povo pelo deserto.
Contou com o auxílio de Arão, o primeiro sumo sacerdote.
Essa história é lembrada em Hebreus 3.1, quando o autor apresenta Jesus como:
- Apóstolo, isto é, o Enviado de Deus;
- e também como o Sumo Sacerdote da nossa fé.
Os judeus compreendiam profundamente o papel do sacerdote.
Durante séculos, os sacerdotes atuaram como mediadores entre Deus e o povo.
Eles ofereciam sacrifícios continuamente para expiação dos pecados.
Entretanto, tudo isso apontava para Cristo.
Jesus tornou-Se o verdadeiro Sumo Sacerdote.
Mais do que isso.
Ele não apenas ofereceu um sacrifício.
Ele próprio tornou-Se o sacrifício perfeito.
Seu sangue foi derramado de uma vez por todas.
Depois desse sacrifício, nenhum outro seria necessário.
Cristo foi a oferta definitiva.
O escritor aos Hebreus queria que seus leitores compreendessem exatamente isso.
Moisés foi extremamente importante.
Mas não era Deus.
Jesus é Deus.
Jesus é o Filho de Deus.
Essa verdade é indispensável para a fé cristã.
Ainda hoje encontramos pessoas que afirmam que Jesus foi apenas um profeta, um mestre ou um filósofo.
Entretanto, o cristianismo declara algo muito maior.
Jesus veio ao mundo.
Morreu por nós.
Ressuscitou.
E reconciliou a humanidade com o Pai.
Essa verdade transforma completamente nossa maneira de viver.
Não basta apenas acreditar que Jesus existiu.
É necessário permitir que essa verdade transforme nossa vida.
A superioridade de Cristo possui aplicação prática.
Quanto mais conhecemos quem Ele é, mais permitimos que o Espírito Santo transforme nosso caráter conforme a vontade de Deus.
Por isso, estudar a Carta aos Hebreus é tão importante.
Ela revela quem Cristo é.
Mas esse estudo deve sempre ser acompanhado de oração.
Antes de abrir a Bíblia devemos pedir:
“Espírito Santo, Tu inspiraste estes homens a escreverem as Escrituras. Ilumina meu entendimento. Ensina-me aquilo que ainda não compreendo. Transforma meu coração enquanto leio a Tua Palavra. Revela-me aquilo que sozinho não consigo entender.”
É dessa forma que o Espírito Santo vai moldando nosso coração por meio das Escrituras.
5. A Grande Premissa: Cristo é Deus
Em Hebreus 1.2-3 encontramos a grande verdade que sustenta todos os argumentos apresentados ao longo da carta.
Essa verdade é simples e, ao mesmo tempo, fundamental:
Jesus é Deus.
Ele é o Filho unigênito do Pai.
Essa é uma doutrina que jamais pode ser esquecida ou relativizada, especialmente diante dos falsos ensinos e das falsas doutrinas.
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus apresenta inúmeros textos bíblicos que confirmam a deidade absoluta de Cristo.
Hebreus nos exorta a guardar as palavras do Senhor Jesus exatamente da forma como Ele mesmo ensinou.
A importância da Cristologia
Professor, é fundamental compreender bem os três primeiros capítulos da Carta aos Hebreus.
Eles apresentam a base da Cristologia, ou seja, da doutrina de Cristo.
Toda esta primeira lição gira em torno dessa verdade.
Estamos estudando quem Cristo é.
Por isso, é importante dedicar tempo ao estudo dessa parte da Bíblia.
Quanto mais conhecermos a pessoa de Cristo, mais sólida será nossa fé.
A superioridade de Cristo transforma nossa vida
A superioridade de Cristo não é apenas uma informação teológica.
Ela possui consequências práticas.
Quando compreendemos quem Jesus realmente é, nossa maneira de viver muda.
Sabemos que:
- Cristo é Deus.
- Cristo é o Filho eterno.
- Cristo é superior aos profetas.
- Cristo é superior aos anjos.
- Cristo é superior a Moisés.
- Cristo é superior à antiga aliança.
- Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito.
- Cristo é o sacrifício perfeito.
Essas verdades fortalecem nossa confiança.
Quanto mais conhecemos Cristo, menos somos abalados pelos falsos ensinos.
A Carta aos Hebreus foi escrita exatamente para isso.
Ela fortalece a fé.
Ela mostra que toda a história da redenção encontra seu cumprimento em Jesus.
Aplicação da lição
Ao concluir esta primeira lição, devemos compreender que conhecer Jesus não é apenas adquirir informação.
É desenvolver um relacionamento com Ele.
Quanto mais conhecemos Sua Palavra, mais conhecemos Seu caráter.
Quanto mais conhecemos Seu caráter, mais permitimos que o Espírito Santo transforme nossa vida.
Por isso, estudar Hebreus não é apenas estudar uma carta antiga.
É aprender quem é o Salvador que seguimos.
Uma palavra aos professores
Professor, durante este trimestre, ore por seus alunos.
Apresente cada um deles diante de Deus.
Observe-os durante as aulas.
Perceba suas dúvidas.
Perceba suas dificuldades.
Perceba também seus interesses.
Cada classe possui características diferentes.
Aquilo que funciona em uma turma pode não funcionar em outra.
Por isso, peça direção ao Espírito Santo.
Ele conhece cada aluno muito melhor do que nós.
Peça sabedoria para compreender aquilo que sua classe realmente necessita ouvir.
Enquanto você ministra a Palavra, o Espírito Santo trabalha nos corações.
Ele convence.
Ele transforma.
Ele quebra resistências.
Ele fortalece a fé.
Nós ensinamos.
Mas é Deus quem produz o crescimento espiritual.
O desafio deste trimestre
Estamos iniciando um novo trimestre.
Temos diante de nós treze importantes lições.
Que cada professor assuma o compromisso de estudá-las cuidadosamente.
Que cada aluno aproveite esta oportunidade para conhecer mais profundamente a Palavra de Deus.
O objetivo não é apenas terminar uma revista.
O objetivo é crescer no conhecimento de Cristo.
Ao estudarmos Hebreus e as demais Epístolas Gerais, aprenderemos mais sobre:
- a pessoa de Cristo;
- a verdadeira fé cristã;
- a perseverança;
- a santificação;
- o sofrimento;
- o discernimento espiritual;
- e a defesa da fé.
Que este seja um trimestre de crescimento espiritual para toda a classe.
Conclusão
A Carta aos Hebreus apresenta uma mensagem central:
Cristo é superior.
Ele é superior aos profetas.
É superior aos anjos.
É superior a Moisés.
É superior à antiga aliança.
É o Sumo Sacerdote perfeito.
É o sacrifício perfeito.
É o Filho de Deus.
É Deus.
Conhecer essa verdade fortalece nossa fé, firma nossos passos e nos protege contra os falsos ensinos.
Que possamos estudar as Escrituras com dedicação, dependência do Espírito Santo e desejo sincero de conhecer cada vez mais o Senhor.
Que Deus abençoe professores e alunos durante todo este trimestre, concedendo sabedoria, discernimento e crescimento espiritual.
Amém.
Texto extraído do vídeo por IA.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=NwfIgvdIIoM&list=PLxODYifQD_t9C8a8p4vOKpDdQS9kkjD1n
