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LIÇÃO Nº 6 – O NASCIMENTO DE ISAQUE

INTRODUÇÃO

– Na sequência do estudo do legado dos patriarcas, estudaremos o nascimento de Isaque e as consequências dele decorrentes.

– Deus cumpre Sua promessa na vida de Abraão e de Sara, nascendo Isaque.

I – O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

– Em Ur dos caldeus, o Senhor chama Abrão e promete fazer dele uma grande nação (Gn.12:1) e que nele seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:3).

– Quando o Senhor mostrou a Abrão, cinco anos depois, quando ele deixou Harã, para onde tinha ido com seu pai Terá, ao chegar a Canaã, o Senhor disse que aquela era a terra prometida e que seria dada à sua semente (Gn.12:7).

– Abrão, porém, sabia que sua mulher era estéril (Gn.11:30) e, por certo, deve ter imaginado que a promessa de Deus não passaria por sua mulher, o que explica, por exemplo, tanto o fato de ter levado Ló, seu sobrinho que adotara como filho, em sua peregrinação, o que não estava na ordem divina, como a mentira contada a Faraó e, até mesmo, a sua passividade quando o monarca do Egito tomou Sarai para si.

– A péssima experiência no Egito fê-lo compreender que Sarai estava, de alguma forma, envolvida na promessa e, logo após seu retorno a Canaã, a contenda com seu sobrinho Ló também mostrou ao patriarca que Ló não fazia parte desta promessa.

– A promessa foi renovada por Deus após a guerra em que o patriarca libertou não só seu sobrinho como também os povos das cidades das planícies, quando a bênção dada por Melquisedeque, rei de Salém e a própria aparição de Deus ao patriarca consolidaram as palavras proferidas na chamada em Ur e na chegada a Canaã.

– É importante observar como o Senhor vai tratando com Abrão. Reafirma o que disse e vai, aos poucos, mostrando a Seu servo como isto se dará, progressivamente.

– Assim o Senhor continua agindo ao longo dos séculos, pois não muda (Ml.2:6; Tg.1:17). Não é Deus de confusão (I Co.14:33), mas, como Seus pensamentos e caminhos não são os nossos (Isa.55:8,9), sempre age de forma progressiva, revelando no momento certo como aquilo que disse estará ocorrendo. Não é, à toa, que, via de regra, operava numa “sombra”, numa “escuridade”, em “trevas” (Ex.20:21; Dt.4:11; 5:22,23; I Rs.8:12).

– Ante a eliminação da “hipótese Ló”, Abrão começa a pensar que seu herdeiro seria seu mordomo Eliezer e busca esta confirmação junto a Deus, que, então, lhe diz que o herdeiro seria alguém que sairia das suas entranhas (Gn.15:2,3).

– Entretanto, Abrão ainda não compreendera bem o desígnio divino e, animado pela própria Sarai, procurou conjugar a palavra divina com a lógica humana, adotando a “solução Agar”, tendo, então, um filho seu biológico, como dissera o Senhor, mas que não era filho biológico de Sarai.

– O resultado de tal atitude, como já estudado neste trimestre, foi o silêncio divino por treze anos e, quando da retomada do diálogo, a afirmação divina de que Ismael, o filho de Agar com Abrão, não era, em absoluto, o filho da promessa, mas, sim, aquele que haveria de nascer de Sarai, cujo nome, na oportunidade, foi mudado para Sara.

– Abrão, cujo nome fora mudado para Abraão, riu-se desta afirmação divina e o Senhor não só reafirmou o que dissera quando ainda disse que a criança deveria chamar-se Isaque, cujo significado é “riso”.

– Renovada a promessa, a que se acresceu o pacto da circuncisão, o Senhor aparece também a Sara, para confirmar a promessa e ela, a exemplo de seu marido, também riu, sendo repreendida por tal atitude.

– Trinta anos depois de Abrão ser chamado em Ur dos caldeus (Gn.15:7; Ne.9:7; At.7:2), depois de ter passado por Harã e, então, iniciado sua peregrinação em Canaã, Deus cumpre Sua promessa e Sara tem um filho com Abraão, que recebeu, conforme a determinação divina, o nome de Isaque.

– Deus cumpre Sua promessa na vida de Abraão e de Sara e o que era impossível acontece: Sara concebe e dá a luz a um filho, que foi chamado de Isaque, que quer dizer riso, nome que, a um só tempo, representava a alegria dos pais no cumprimento da promessa divina e a incredulidade que chegou a estar nos corações dos dois quando do anúncio da promessa.

– Este duplo significado do nome de Isaque é de ser notado. Por primeiro, o “riso” simboliza a alegria, denuncia que o Senhor traz a verdadeira felicidade ao homem, que, com Isaque, começava a formação de um povo no qual nasceria o Salvador, no qual se cumpriria a promessa da redenção da humanidade, tendo, deste modo, o início da “alegria da salvação”.

– Por segundo, o “riso” mostra a fragilidade do homem, a sua tendência à incredulidade, à descrença, porque foi a reação tanto de Abraão quanto de Sara quando o Senhor lhes disse que teriam um filho.

– Tanto Abraão quanto Sara, ao rirem, olharam para as circunstâncias que os cercavam e não creram no que Deus disse.

Abraão viu a sua idade avançada, cem anos de idade, bem como a própria idade avançada e esterilidade de sua mulher, Sara, então com noventa anos de idade, tendo, ademais, ela cessado o costume das mulheres, ou seja, além de estéril, já nem sequer menstruava.

– Eram razões mais do que sobejas para que não se pudesse acreditar no que havia sido dito por Deus e este é o problema que nos leva à incredulidade.

Usamos da lógica humana, do nosso raciocínio, esquecendo-se de que Deus é Todo-Poderoso, é a Verdade e que o que deseja já é acontecimento.

– Como o próprio Deus diz à incrédula Sara: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?” (Gn.18:14a). Temos de ter a mesma atitude de Jó que reconheceu que Deus tudo pode e nenhum dos Seus pensamentos pode ser impedido (Jó 42:2).

– Se o Senhor é o Deus Todo-Poderoso, temos de admitir que, em Seu vocabulário, em Seu dicionário não existe a palavra “impossível” e, por isso, não podemos nos deixar levar pela razão humana e desacreditar naquilo que o Senhor nos disse.

– O riso da incredulidade deu lugar ao riso da alegria e a própria Sara testifica: “Deus me tem feito riso e todo aquele que o ouvir se rirá comigo” (Gn.21:6).

– O riso decorrente da alegria proveniente de uma ação divina deve estar presente entre todos os servos do Senhor. Devemos nos alegrar com quem se alegra (Rm.12:15) e Saara bem entendeu isso, utilizando como critério para saber com quem poderia conviver, ou não, o compartilhamento na alegria do nascimento de Isaque, no cumprimento da promessa divina.

– Sara alegrava-se e dizia: “Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?” (Gn.21:7). A cada momento que amamentava Isaque, Sara podia participar do grande milagre que tinha sido aquele nascimento.

– Uma mulher estéril, que já nem sequer mais menstruava, aos noventa anos de idade, havia se tornado mãe e estava a amamentar o seu filho. Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Que esta cena renove a nossa confiança nas promessas do Senhor!

– Quando Isaque chega à idade do desmame e lhe é dada uma festa, exsurge a incompatibilidade da convivência entre ele e Ismael, o filho que havia sido fruto da incredulidade e do esforço humano.

Deus mostra que Seu plano não admite quaisquer adaptações humanas e nasce um conflito que somente o próprio Deus, através de Seu Filho, poderá solucionar em tempo não muito longe de nossos dias.

– O capítulo 21 do livro do Gênesis começa com uma afirmação firme e sem qualquer dúvida da parte do
escritor: “E o Senhor visitou a Sara, como havia dito e fez o Senhor a Sara como havia falado”.

– Isto revela que Deus é fiel e que vela sobre a Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12). Deus não fez coisa alguma diferente do que havia prometido fazer a Abraão e a Sara.

– Pouco importou se Sara era estéril e se já não era mais fértil. Nosso Deus é o Soberano do Universo e tem o controle de tudo nas Suas mãos. Porque resolveu dar a Sara um filho quando já não tinha sequer condições de ser fertilizada, sendo estéril, é algo que não nos compete saber ou entender.

– Deus mostrou, com isto, que está além de nossos pensamentos e de nossas concepções (Is.55:8,9). Por isso devemos duvidar muito daquelas doutrinas e filosofias que partem de um pressuposto absolutamente falso, qual seja, o de que podemos conceber os pensamentos divinos.

– É interessante verificar que o texto bíblico é bem claro ao demonstrar que Deus não só fez o que havia determinado, da forma que havia estabelecido, mas também, no tempo determinado (Gn.21:2).
– Deus é atemporal.

O tempo é uma realidade que existe apenas para nós, que estamos nesta dimensão,
chamada por alguns, como o saudoso pastor Ailton Muniz de Carvalho, de “universo relativo”.

– Ao contrário do que afirma o mundo em ditado popular, segundo o qual, “Deus tarda, mas não falha”, Deus
jamais tarda, sempre vem na hora certa, no tempo determinado.

– Como afirmou o sábio Salomão, “há um tempo determinado para cada propósito debaixo do céu” (Ec.3:1).

Devemos confiar no Senhor e saber que tudo tem o seu tempo determinado. Nunca pensemos que Deus está demorando, pois o pensamento de que há demora é o primeiro passo para nosso fracasso espiritual.

– O texto bíblico é enfático para nos mostrar a fidelidade divina: Deus visitou Sara como tinha dito; fez o Senhor como tinha falado; concebeu Sara e deu a Abraão um filho na sua velhice ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito (Gn.21:1,2).

– Mas, também, o texto bíblico nos mostra que Abraão também demonstra a sua fidelidade quando Deus cumpre a promessa. Deu o nome de Isaque a seu filho (Gn.21:3), cumprindo a ordem divina (Gn.17:19); circuncidou a criança ao oitavo dia (Gn.21:4), como estabelecido pelo Senhor (Gn.17:10-12).

– Deus cumpre as Suas promessas, mas também nós devemos cumprir os mandamentos divinos, cumprir com os compromissos assumidos diante do Senhor. Somente sendo fiéis até a morte, alcançaremos a salvação e receberemos o nosso galardão (Mt.24:13; Ap.2:10).

– Nascido o filho, Abraão, em primeiro lugar, deu-lhe o nome de Isaque, que quer dizer “riso”, certamente evocando a admoestação que o Senhor havia feito a Sara, quando da visitação um ano antes do nascimento do menino (Gn.18:15).

– A escolha deste nome em virtude deste episódio demonstrava o temor que havia tomado os corações de Abraão e Sara, demonstrava o intento de se submeter à vontade do Senhor e de não mais duvidar de Suas promessas, de, a partir de então, cumprir o propósito de Deus nas suas vidas.

– Fazer a vontade de Deus seria a fonte de alegria para o casal de idosos. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

Se, efetivamente, dedicarmo-nos a nos alegrarmos em fazer a vontade de Deus, seremos fortalecidos pelo Senhor e triunfaremos ao terminarmos nossa carreira de fé em comunhão com Ele.

– Além de evocar o encontro com Deus, o nome de Isaque refletia a felicidade que inundava os corações dos velhos pais que, após uma longa existência e de uma certeza humana de que jamais teriam filhos, agora podiam ver a realização da promessa divina e se realizarem como seres humanos, pois a plena realização do homem e da mulher está em ter filhos, daí porque a Bíblia afirmar que os filhos são herança do Senhor.

– Sara podia dizer que Deus lhe havia feito em riso, tamanha era a sua alegria (Gn.21:9). Assim também, devemos ter a certeza de que o gozo e a glória que estão preparados para os servos do Senhor na eternidade são indizíveis, indescritíveis e vale a pena todo sofrimento, toda angústia e todo problema que venhamos a ter nesta Terra.

– Paulo afirmou que a glória futura não dá para comparar com o que temos aqui (II Co.12:4). Como afirmou o inspirado poeta sacro Jonathan Bush Atchinson (1840-1882): “Metade da glória celeste jamais se contou ao mortal”! (último verso do estribilho do hino 625 da Harpa Cristã).

– Em seguida, Abraão, cumprindo a vontade do Senhor e mantendo o pacto que havia selado com Deus, circuncidou seu filho no oitavo dia de vida de Isaque (Gn.21:4) e o escritor faz questão de demonstrar nesta atitude a intenção de obediência do patriarca: “como Deus havia ordenado”.

– Será que temos feito as coisas como Deus tem nos ordenado? Perceba-se que não é somente fazer O QUE Deus ordenou, mas COMO Deus ordenou.

Os coríntios celebravam a ceia do Senhor, mas não COMO o Senhor havia ordenado (I Co.11:17,20,28,29). Isto é muito importante para Deus, que conhece e sonda todos os corações (Sl.139:1-4). Deus não Se deixa levar pela aparência do homem (I Sm.16:6,7).

II – O SURGIMENTO DO CONFLITO ENTRE OS DOIS IRMÃOS

– Todavia, apesar do cumprimento da promessa de Deus, havia, na casa de Abraão, ainda, uma situação que não correspondia ao planejado pelo Senhor.

– Isaque era o filho da promessa e a ele deveria caber a herança de tudo, pois assim era o plano do Senhor.

– Inobstante, pelas leis então existentes, quem deveria herdar mais do que os outros seria o primogênito e este era Ismael, quatorze anos mais velho que Isaque e que, lembremos, era filho de igual legitimidade que a de Isaque.

– Tendo se livrado de Ló no passado, Abraão deveria, agora, livrar-se de outro problema que sua incredulidade havia trazido para si: Ismael.

– Quantas vezes temos problemas e dissabores em nossas vidas e chegamos até a culpar a Deus pela sua existência, esquecendo-se de que os problemas foram originados de atitudes que fizemos sem a orientação e direção de Deus, que, tendo-nos feito com livre-arbítrio, permite que assim ajamos.

Não havia como tornar compatíveis os dois irmãos, porque suas origens eram totalmente distintas e o nosso Deus não é Deus de confusão.

– Como diz, com muita propriedade, o profeta Jeremias, e, num momento bem ilustrativo desta realidade espiritual, que era o instante em que via, segundo a tradição, do monte das Oliveiras a destruição de Jerusalém e do templo: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm.3:39).

– Houve até uma convivência durante um certo tempo que a Bíblia não esclarece, dizendo apenas que era o do desmame do filho mais novo. Os cronologistas bíblicos Edward Reese (1928-2015) e Frank Klassen (1895- 1967) entendem que foi um período de três anos.

– Abraão decide fazer uma festa e, nela, Sara percebe que há zombaria por parte de Ismael. O filho mais velho, com certeza, fiado na lei humana, na tradição cultural e em tudo o que o cercava nesta vida, certamente descria que Isaque pudesse ter qualquer direito de herança ou viesse a perpetuar a promessa divina sobre a descendência de Abraão.

– É muito triste quando a pessoa passa a querer prevalecer na casa de Deus com argumentos puramente humanos, com estratégias, técnicas e valores obtidos e buscados dentro de recursos puramente humanos e materiais.

– Quando isto acontece é porque a pessoa já perdeu, totalmente, a direção e a unção divinas. Exemplo clássico do que estamos dizendo é o rei Saul que, a partir da rejeição divina, continuou no trono de Israel mas sem qualquer direção divina, levando seu povo e a ele próprio a uma situação de extrema dificuldade e luta.

Que Deus nos guarde e que não venhamos a confiar em homens, mas que, como o salmista, digamos que “uns confiam em carros e cavalos, mas nós fazemos menção do nome do Senhor dos Exércitos” (Sl.20:7)

– A zombaria de Ismael é uma reação típica de quem está confiado em coisas materiais e que não tem a visão de Deus. Ismael era “o filho segundo a carne”, “o filho da escrava” (Gl.4:29,30), ou seja, representa a tentativa humana de obtenção de salvação, a soberba do homem, a sua autossuficiência, que não traz qualquer resultado efetivo, que não consegue a herança divina, apesar de todos os seus esforços e de toda a observância dos mandamentos humanos.

– De direito humano, Ismael era o herdeiro principal, o primogênito, por isso, confiando nos postulados do homem, zombava de seu irmão mais novo.

Mal sabia ele, entretanto, que o que prevaleceria seria a vontade de Deus, o plano que Deus havia concebido bem antes do nascimento de Ismael, na verdade, bem antes da fundação do mundo.

– Tomemos muito cuidado quando começamos a zombar de alguém, pois a atitude de zombaria é própria dos incrédulos. Por isso o salmista nos aconselha a não nos determos na roda dos escarnecedores, se quisermos ser bem-aventurados (Sl.1:1).

– Neste ponto, verificamos como estava diferente o nível de vida espiritual de Abraão. Quando Agar desprezou sua senhora, encontramos um Abraão sem autoridade, que é pressionado por sua mulher para despedir a escrava grávida de seu próprio filho e que, sem orientação divina, divorciado da vontade de Deus, não se impõe e acaba delegando a Sara a decisão que só a ele competia dar, decisão que acabou sendo revogada por Deus.

– Agora, já devidamente animado pelo Senhor e dentro da vontade divina, o patriarca, ao ser pressionado por sua mulher, não toma a mesma atitude de antes.

Pelo contrário, entendeu que não era boa a ação pretendida por Sara (Gn.21:11), demonstrando, assim, que tinha restabelecido sua autoridade em sua casa. A autoridade, como dissemos em lição anterior, decorre precipuamente da nossa submissão a Deus.

– Abraão, entretanto, embora tenha mantido sua autoridade, considerando que a sugestão não era boa (ou seja, não se omitiu, nem delegou o poder de decisão a Sara), não se posicionou como um ditador, como alguém que não tem de dar satisfação ao Senhor.

– Foi consultar o Senhor, tanto assim que a Bíblia nos mostra o Senhor falando com o patriarca e afirmando que ele deveria, mesmo, despedir Ismael e sua mãe Agar daquela casa (Gn.21:12,13).

– Por que Ismael e Isaque não poderiam mais conviver? Por que Agar e Ismael deveriam ser despedidos? Porque não há comunhão entre a luz e as trevas, porque não pode o filho da escrava herdar com o filho da livre, ou seja, não pode o que é fruto de esforço humano, de rebeldia, de autossuficiência humana herdar algo que venha da parte de Deus.

– Deus é luz e nele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5). A separação determinada por Deus dos dois irmãos é elucidativa para aqueles que acham que podem servir a dois senhores. Isto é impossível e Deus não aceita.

– Devemos, pois, separarmo-nos do mundo e servirmos unicamente ao Senhor. Sem santificação, que é esta separação contínua do pecado e do mundo, jamais poderemos contemplar o Senhor (Hb.12:14).

– Não podemos dizer que Ismael não tivesse tido uma educação exemplar na casa de Abraão, nem que não fosse temente a Deus, pois o mesmo capítulo nos demonstra que Ismael tinha temor a Deus e um coração que comoveu ao Senhor (Gn.21:17,18).

– Apenas não era Ismael o fruto da promessa de Deus, mas, sim, da escravidão do homem ao seu “eu”, a demonstração da ânsia humana de ser igual a Deus, ânsia que tem perseguido a humanidade desde o dia em que foi enganada pelo inimigo de nossas almas no Éden (Gn.3:5,6).

– Ismael é o protótipo do homem religioso que crê piamente que suas filosofias e doutrinas, que sua religião é suficiente para que ele possa alcançar a felicidade eterna.

Não é de se admirar, portanto, que a religião que mais cresce no mundo na atualidade tenha orgulho em vincular seu fundador (Maomé) a Ismael. Realmente, ao tentar, por esforços puramente humanos, obter o agrado de Deus, está-se, sem sombra de dúvida, aumentando a descendência espiritual de Ismael.

OBS: Nesta linha de pensamento, Maomé tentou caracterizar Ismael como sendo o real seguidor da religião que teria sido criada por Abraão, “o primeiro islâmico”. Assim é que, além de afirmar que foi Ismael quem o velho patriarca procurou sacrificar por ordem de Deus (alterando, assim, a verdade bíblica a respeito do tema), também dá a Ismael a primazia de ter supostamente construído, com Abraão, a Caaba, o santuário árabe por excelência, localizado em Meca.

Eis o texto do Alcorão:” ..Lembrai-vos que estabelecemos a Casa), para o congresso e local de segurança para a humanidade: Adotai a Estância de Abraão por oratório. E estipulamos a Abraão e a

Ismael, dizendo-lhes:

“Purificai Minha Casa, para os circundantes (da Caaba), os retraídos, os que genuflectem e se prostram.(…)

E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo.

Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu é o Remissório, o Misericordiosíssimo.

Ó Senhor nosso, faze surgir, dentre eles, um Mensageiro, que lhes transmita as Tuas leis e lhes ensine o Livro, e a sabedoria, e os purifique, pois Tu és o Poderoso, o Prudentíssimo. “(2:125,127-129).

É interessante observar que, embora a tradição muçulmana identifique Ismael como sendo o filho que foi levado a sacrifício por Abraão, o texto do Alcorão não o identifica e, mesmo, pode até ser inferido que o filho era Isaque.

Deixamos aqui o texto para que os irmãos tirem as suas conclusões:

“…E disse (Abraão): Vou para o meu Senhor), Que me encaminhará. Ó Senhor meu, agracia-me com um filho que figure entre os virtuosos! E lhe anunciamos o nascimento de uma criança (que seria) dócil.

E quando chegou à adolescência, seu pai lhe disse:

Ó filho meu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!

E quando ambos aceitaram o desígnio (de Deus) e (Abraão) preparava (seu filho) para o sacrifício.

Então o chamamos: Ó Abraão, Já realizaste a visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores. Certamente que esta foi a verdadeira prova. E o resgatamos com outro sacrifício importante.

E o fizemos (Abraão) passar para a posteridade. Que a paz esteja com Abraão – Assim, recompensamos os benfeitores -, Porque foi um dos Nossos servos fiéis.

E lhe anunciamos, ainda, (a vinda de) Isaac, o qual seria um profeta, entre os virtuosos. E o abençoamos, a ele e a Isaac. Mas entre os seus descendentes há benfeitores, e outros que são verdadeiros iníquos para consigo mesmos. ” (37:99-113).

– Diz o apóstolo Paulo que a filiação de Ismael é uma filiação para a servidão (Gl.4:24), ou seja, quem busca, nas coisas desta vida, obter a salvação, a felicidade eterna, está simplesmente se tornando um escravo destas coisas, um escravo de si mesmo, está negando a liberdade oferecida por Deus, liberdade esta que se encontra, paradoxalmente, no ato de submissão ao Senhor e à Sua vontade.

– Ismael era fruto de uma atitude de incredulidade na providência divina, de uma presunçosa conclusão de que Deus não era capaz de, por Si só, cumprir o que havia prometido.

Devemos, em nossas vidas, evitar um comportamento como este e jamais permitir que os Ismaéis a que damos à luz durante a nossa existência possam ter tamanha força em nossas vidas, a ponto de sermos, com eles, despedidos da presença do Senhor. Somente se nos submetermos ao Senhor, somente se nos rendermos a Cristo, seremos verdadeiramente livres (Jo.8:36).

– Dali por diante, não haveria mais possibilidade de acordo e de compatibilidade entre Isaque e Ismael. Várias foram as tentativas de união, mas elas sempre redundaram em fracasso, pois não há possibilidade de origens tão distintas se alinharem.

– Esaú, filho de Isaque, aparentou-se com Ismael (Gn.28:8,9), mas já havia perdido o direito de primogenitura e se tornado um fornicário e profano (Hb.12:16).

Os irmãos de José encontraram nos ismaelitas negociantes dispostos a comprar e levar cativo o próprio irmão para o Egito (Gn.37:28).

Maomé tentou angariar a simpatia dos judeus em Medina e Meca e acabou declarando uma “guerra santa” contra os judeus ao não ser feliz em seu intento. Como se percebe, jamais se estabeleceu um convívio salutar e benéfico entre os dois povos desde então.

III – A JUSTIÇA IMPARCIAL DE DEUS

– Havendo Deus determinado a Abraão que despedisse Agar e Ismael, o patriarca prontamente obedeceu ao Senhor, despedindo a ambos, dando-lhes pão e um odre de água para eles (Gn.21:14).

– Enquanto Abraão agia por orientação divina, crendo que o Senhor cumpriria Sua promessa de fazer de Ismael uma grande nação, Agar estava perdida, sem qualquer orientação.

– Diz o texto que “andava errante no deserto de Berseba” (Gn.21:14). Eis a grande diferença entre o recurso humano e o recurso divino, entre ser resultado de um genuíno nascimento espiritual e de uma conversão humana e puramente racional.

– Abraão bem sabia o que estava fazendo e propiciara o suficiente e necessário para a viagem. Agar, entretanto, estava sem direção, passando a andar errante no deserto, efetivamente consumindo o que lhe fora fornecido, sem critério e de forma a que tivesse falta logo após.

– Quantas vezes assim não agimos em nossas vidas, gastando desnecessariamente a provisão que o Senhor nos concedeu e que, se devidamente utilizada, segundo a orientação divina, seria o bastante para nós?

Quantas vezes nos desgastamos sem qualquer necessidade, única e exclusivamente porque não aceitamos ou desprezamos a orientação que Deus tem nos dado através de Sua Palavra?

Muito prejuízo temos tido em nossas vidas e temos causado, também, à obra do Senhor, por não darmos ouvido ao Senhor e não cuidarmos, como fiéis mordomos, da provisão que Deus tem nos concedido gratuitamente pela Sua misericórdia.

– Agar tinha se fiado nas coisas desta vida, tinha confiado na herança que Ismael haveria, segundo as leis humanas, de auferir de Abraão, tinha confiado única e exclusivamente nas riquezas deste mundo, na sua posição social privilegiada, por ser a mãe do suposto herdeiro e, de uma hora para outra, havia perdido tudo, como num passe de mágica.

– Assim como de escrava passara a mãe do herdeiro, de mãe do herdeiro passava a condição de uma peregrina no deserto. As coisas feitas pelo homem são assim mesmo: efêmeras, fugazes, passageiras. A glória deste

mundo passa, a vida do homem é como a flor da erva, só a Palavra de Deus subsiste para sempre (Is.40:7,8; I Pe.1:24,25).

– Na sua total desorientação, Agar, porém, não tinha perdido um traço característico da “descendência de Ismael”, qual seja, o egoísmo, a soberba.

Após ter havido o consumo da água e do pão, sem qualquer possibilidade de sobrevivência em meio ao deserto, Agar toma uma atitude altamente egoística: abandona seu próprio filho, aquele que era a razão de sua existência e de sua felicidade, a uma certa distância, para não vê- lo morrer.

– Numa atitude egoística, preferia o gosto de não ver seu filho morrer de fome e de sede a dedicar-se a ele nos últimos momentos de vida.

O mundo é assim mesmo: até mesmo a mãe, que é dotada do sentimento humano mais elevado, acaba cedendo ao amor próprio, ao egoísmo, mas, graças a Deus, que, ainda que a mãe se esqueça do seu filho, o Senhor não se esquecerá dele! (Is.49:15).

– Desesperada, Agar começou a chorar, mas não um choro de arrependimento ou de contrição, antes um choro de revolta, de indignação, o que, humanamente, era até compreensível, pois tivera a perda de todos os bens em que depositara a sua confiança (posição social, riquezas, leis humanas etc.).

– Era um choro alto, pois diz a Bíblia que ela “levantou a sua voz” (Gn.21:16) e que, para ser ouvido por Agar,
o anjo do Senhor teve de bradar, ou seja, gritar bem alto e forte (Gn.21:17).

– Entretanto, Deus não ouve a tais lamentações, a tais lamúrias, a tais gemidos, que não O comovem, pois o que comove o Senhor é um coração contrito (Sl.51:17).

– Há muitos, notadamente entre nós, crentes pentecostais, que confundem contrição e pureza de propósitos, com barulho e gritaria.

Eis um típico exemplo em que, apesar da altura da voz de Agar, o Senhor nem sequer ouviu o seu clamor. Como podemos afirmar que Deus não ouviu o clamor de Agar? Porque o escritor é bem claro ao afirmar que Deus ouviu a voz do menino (cf. Gn.21:17).

– Enquanto Agar se desesperava na sua revolta, Ismael, este, sim, que havia sido criado na casa de Abraão, que tinha temor a Deus, não ficou esperando a morte como sua mãe, mas pediu misericórdia a Deus, arrependeu-se da sua zombaria, compreendeu que não poderia confiar na sua posição social, na sua suposta herança, na sua suposta primogenitura e entendeu que somente o Senhor poderia livrá-lo daquela situação e lhe conceder o que Lhe fosse aprazível.

– A um coração contrito, como já dissemos, Deus não despreza (Sl.51:17) e o Senhor mandou Seu anjo para poder providenciar a sobrevivência do menino e de Agar, sem a qual o menino não poderia subsistir.

– Deus tem desejo, também, de salvar os “ismaelitas”, ainda que eles tenham zombado do prometido por Deus, ainda que tenham confiado no mundo e no que nele há. Se houver um verdadeiro e sincero arrependimento, o Senhor está pronto a salvar, a fornecer da água da vida para que se tenha a vida eterna.

– Ismael foi salvo e foi constituído numa grande nação. A esta nação, ainda hoje, o Senhor tem desejo de salvar e poucos são os que se têm despertado para a salvação desta multidão, que é a grande parcela da humanidade que carece ouvir de Jesus e de reconhecê-l’O não como um profeta fracassado que foi, depois, superado por Maomé, mas como o Salvador e propiciador dos nossos pecados. O que temos feito para contribuir a este desejo de Deus?

OBS: “…Aos muçulmanos, eu quero fazer, com muita humildade uma advertência. Não fiquem pasmos com o que Deus estará a fazer entre vós dentro de alguns poucos anos, poucos mesmo.

São poucos anos que nos restam até que a plenitude dos tempos se cumpra e o MESSIAS certamente volte para arrebatar Sua Igreja.

A partir de agora, grande será o mover de Deus(…) entre o povo árabe e islâmico em todo mundo. O povo árabe também é descendente de Abraão e, sem dúvida, é o de mais sério monoteísmo do mundo, porém, por via obscurecida da verdade, via esta criada pela hipocrisia de quatro homens que desviaram Maomé (Muhammad) do Caminho que Deus(…) havia lhe mostrado.(…) Grande é o amor de Deus por este povo, por isso enviou Maomé aos árabes, assim como enviou João Batista aos judeus.

Pena, pena mesmo que esse projeto não tivesse, de fato, se concretizado na vida de Maomé, assim como não se concretizou na vida do profeta Balaão…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. Maomé x Cristo, pp.18-9).

IV. O CONFLITO NÃO RESOLVIDO ATÉ HOJE

– Como já dissemos, o conflito entre Isaque e Ismael perdura até hoje. Na verdade, como Paulo nos afirma,
não há compatibilidade entre o “filho da escrava” e o “filho da promessa”, nem pode haver (Gl.4:29).
– Assim, este conflito até que simboliza o sofrimento que os servos de Deus terão enquanto estiverem neste mundo, onde só são esperadas aflições (Jo.16:33).

– Mas, do ponto-de-vista nacional, o conflito entre árabes e judeus tem sido o principal pomo da discórdia de toda a política internacional e tende, a cada dia que passa, a centralizar as atenções do mundo, porque assim está previsto nas Escrituras Sagradas.

– Dispersos pelo mundo pelos romanos, após a destruição do templo de Jerusalém, os judeus jamais voltaram a habitar a terra de Canaã plenamente, a partir do ano 70, tendo sido de lá expressamente expulsos no ano 135.

– Sempre houve algumas pequenas comunidades judaicas ali, muito tímidas, sendo maiores e mais numerosas as colônias judaicas estabelecidas em prósperas cidades do Oriente Médio, como Alexandria, Babilônia, Éfeso e outras mais.

– Pouco a pouco, também, os judeus foram criando comunidades na Europa. Os árabes, por sua vez, a princípio, formada por tribos nômades, acabaram, pouco a pouco, se fixando em territórios do Oriente, inclusive na terra de Canaã, sendo que, a partir do século VII, com o surgimento de Maomé e de sua religião, o Islamismo, iniciou-se um grande crescimento da presença árabe na região.

– Com efeito, Maomé conseguiu unificar as tribos árabes e, com sua nova religião, reuni-las de forma a criar um poderoso império que, em pouco tempo, dominou praticamente todo o Oriente Médio. Assim,

– Maomé e seus quatro primeiros sucessores, os califas (Abu Bakr, Omã, Otmã e Ali), dominaram o Norte da África (inclusive o Egito), a terra de Canaã (denominada Palestina pelo imperador romano Adriano ao expulsar os judeus em 135), a Península Arábica, a Turquia, a Pérsia (atual Irã) e a região das antigas Assíria e Babilônia (atual Iraque).

– Chegaram, mesmo, os árabes a incentivar a imigração de judeus para a Palestina, que vieram em número bem reduzido.

– Os árabes acabaram sendo substituídos pelos turcos no comando da Palestina e do Oriente Médio.

Primeiramente os chamados turcos seldjúcidas (que, inclusive, invadiram em 1453, Constantinopla, destruindo o último grande império cristão do Oriente Médio) e, depois, os turcos otomanos, passaram a controlar a Palestina, que ficou durante cerca de quatro séculos e meio sob o domínio do Império Otomano, igualmente muçulmano.

– Enquanto isto, as comunidades judias proliferavam pela Europa, tanto a Europa Ocidental quanto a Europa Oriental, formando grandes grupos que, vez ou outra, eram alvos de cruéis perseguições cristãs, notadamente na área sob o domínio da Igreja Romana, que, para eles, havia criado a Santa Inquisição.

– Com a Reforma Protestante, os judeus angariaram alguma liberdade nos países protestantes, mas também os protestantes foram autores de cruéis e duras perseguições contra os judeus (inclusive o próprio Lutero empreendeu uma perseguição contra os judeus).

– Na Europa Oriental, também, vez ou outra, havia perseguições duras aos judeus, mesmo nas regiões de maioria ortodoxa (a Rússia foi palco de grandes perseguições).

– No final do século XIX, surge, entre os judeus, um movimento denominado “movimento sionista”, liderado por Theodor Herzl, que passou a defender a tese de que se deveria procurar criar um “lar nacional judaico”, pois só tendo um Estado judeu, os judeus se livrariam da perseguição e do preconceito racial.

– Após uma frustrada tentativa de se instituir um Estado judeu na África, em Uganda, inicia-se um grande movimento de incentivo de imigração de judeus para a Palestina, para a “Terra Prometida”.

– Este movimento intensifica-se após a Primeira Guerra Mundial, porque o Império Otomano, que havia se aliado à Alemanha na guerra, acaba perdendo o controle sobre a Palestina, que passou a ser administrada pela Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales).

– Nas décadas de 1920 e 1930, milhares de judeus emigram para a Palestina, o que começou a causar dissensões e problemas entre os judeus e os árabes, que lá habitavam.

OBS: O líder soviético Josef Stálin (1878-1953) tentou criar um “lar nacional judaico” na União Soviética, a Região Autônoma Judaica, denominada Birobidzhan, em 1934, mas que não teve a adesão da população judaica mundial, região que até hoje faz parte da Rússia, mas cuja população judaica é de apenas 0,2%.

– A ascensão de Adolf Hitler (1889-1945) ao governo alemão e o início da perseguição aos judeus fez aumentar ainda mais a emigração.

Com a Segunda Guerra Mundial, a situação torna-se insustentável, pois, após a derrota dos nazistas e seus aliados, com a descoberta do “holocausto”, cria-se, na opinião pública internacional, um clamor de que os judeus deveriam ser reparados pelo sofrimento atroz de que foram vítimas e o movimento sionista ganha força e simpatia perante as potências vencedoras da guerra.

– Em 1947, a ONU, recém-criada, estabelece que a Palestina deveria ser partilhada e ali criados dois Estados, um árabe e outro judeu.

Os árabes não aceitam esta resolução, cujo voto decisivo a favor da criação de Israel, foi obra do então embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Oswaldo Aranha, ele mesmo um antissemita, segundo esclarecem as pesquisas efetuadas recentemente na documentação do período de governo de Getúlio Vargas, de quem Oswaldo Aranha foi ministro.

– Os judeus, de um dia para outro, declararam a criação do Estado de Israel, em 1948, Estado que foi reconhecido pelas duas potências da época (União Soviética e Estados Unidos). Os árabes empreenderam, imediatamente também, uma guerra, procurando “lançar Israel ao mar”, mas foram seguidamente derrotados em 1948, 1956 (Guerra do Suez), 1967 (Guerra dos Seis Dias), 1973 (Guerra do Iom Kippur) e 1982 (Guerra do Líbano).

– Em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou áreas que estavam fora do plano de partilha da ONU, a saber, a parte oriental de Jerusalém (onde se encontram os lugares sagrados), a Cisjordânia, a região do Sinai, a Faixa de Gaza e as Colinas de Golã.

– Em 1977, com intermediação dos Estados Unidos, o Egito torna-se o primeiro país árabe a reconhecer a existência de Israel e Israel lhe devolve a região do Sinai.

Em 1993, seria a vez do tratado de paz com a Jordânia. Em 1994, Israel reconhece o direito de os palestinos (que são os árabes que habitam a Palestina) terem um Estado, ao mesmo tempo que a principal organização palestina, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), abandona o projeto de “lançar Israel ao mar” e admite a existência de um Estado judeu.

– Foi, então, estabelecido um cronograma para o surgimento do Estado Palestino, mantida a segurança de Israel, plano, entretanto, que, nos últimos anos, não tem sido implementado, existindo uma Autoridade Nacional Palestina precária, ao mesmo tempo em que Israel ainda tem sérios problemas de segurança.

– Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 tiveram o condão de piorar ainda mais a relação entre árabes e judeus, com o crescimento de grupos radicais em ambos os lados. É o velho conflito entre Ismael e Isaque, que, diariamente, traz mortes e mais mortes.

– Em 2007, o grupo terrorista palestino Hamas, apoiado pelo Irã, tomou o poder na Faixa de Gaza, que, juntamente com a Cisjordânia eram governados pela Autoridade Nacional Palestina, voltando a defender a destruição de Israel, tendo, após ter atacado israelenses em uma grande matança em 7 de outubro de 2023, sido militarmente derrotados por Israel, com apoio dos Estados Unidos e entregando o governo da região ao Conselho de Paz, criado pelo presidente americano Donald Trump em 2026.

– Como percebemos, o deslize de um servo de Deus causa, até hoje, males a muitos inocentes. Eis o tamanho da responsabilidade de um servo de Deus.

Que possamos orar pela paz de Israel e de Ismael, como também, em nossas vidas, guiarmo-nos sempre pela vontade do Senhor, para que muitos não venham a sofrer por causa de nossa incredulidade.

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12349-licao-6-o-nascimento-de-isaque-i

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