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LIÇÃO Nº 13 – O LEGADO DE FÉ DE ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ

INTRODUÇÃO

Na conclusão do estudo do legado dos patriarcas, analisaremos cada patriarca e seu legado específico.

Os patriarcas foram heróis da fé.

I – O LEGADO DOS PATRIARCAS

Estamos concluindo o estudo a respeito do legado dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e, ao terminar este trimestre, analisaremos cada patriarca especificamente, observando qual foi a contribuição de cada um.

Os patriarcas foram pessoas escolhidas por Deus para dar início ao povo de Israel, a nação que Deus formou sobre a face da Terra para ser a Sua propriedade peculiar dentre os povos (Êx 19.5), reino sacerdotal e povo santo (Êx 19.6), de onde viria a salvação da humanidade (Jo 4.22).

O papel dos patriarcas no plano de Deus para a salvação da humanidade era dar início a esta nação para que nela viesse a posteridade, o Salvador (Gl 3.16), por meio da qual seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn 12.3; 26.4; 28.14).

Os patriarcas tinham, portanto, a missão de formar famílias que fossem a base desta nação, a fim de que toda a humanidade pudesse ser bendita e voltasse a ter comunhão com o Senhor.

O escritor aos Hebreus revela que os patriarcas tinham consciência de que sua missão não era apenas dar origem a uma nova nação terrena que servisse a Deus. Eles sabiam que eram instrumentos para que, por meio desta nação e da posteridade prometida, viesse o descendente que traria salvação à humanidade, permitindo que todos alcançassem a pátria celestial (Hb 11.8-16).

Com esta compreensão, os patriarcas foram os primeiros a buscar essa pátria celestial, mantendo uma vida de comunhão com Deus enquanto cumpriam o propósito divino de dar início à nação da qual viria o Salvador.

Essa vida de comunhão com Deus, o cumprimento do desígnio divino e o desejo pela pátria celestial foram os elementos que nortearam o comportamento de cada um dos patriarcas.

Crendo no que lhes fora dito pelo Senhor, fazendo aquilo que estava de acordo com o plano divino e vivendo de modo a não perder de vista a pátria celestial, os patriarcas apresentaram-se como exemplos de fé para todos os que desejam alcançar a vida eterna.

Este exemplo deixado pelos patriarcas é o seu grande legado.

O termo “legado” possui origem jurídica e significa uma disposição de última vontade pela qual alguém deixa determinado bem a outra pessoa. Em sentido figurado, refere-se àquilo que é transmitido às gerações futuras.

Assim, quando falamos do legado dos patriarcas, estamos tratando daquilo que eles deixaram como exemplo para cada ser humano, especialmente para aqueles que desejam viver com Deus e alcançar a pátria celestial.

Os patriarcas tinham consciência de que haviam sido escolhidos para serem pais e chefes de família. A palavra “patriarca” deriva do grego patriárkhes (πατριάρχης), aplicada a Abraão em Hebreus 7.4.

Como chefes de família, deveriam servir de exemplo aos seus descendentes, criando-os na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6.4) e ensinando-lhes a Lei de Deus (Dt 6.6-9).

Sabiam que suas famílias se multiplicariam e se transformariam numa grande nação que deveria servir como reino sacerdotal e povo santo diante das demais nações da Terra.

Por isso, deveriam manter um comportamento digno de servir como referência para seus descendentes.

Não é por acaso que Deus Se identifica repetidamente como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó (Êx 3.6,15; 4.5; Mt 22.32; Mc 12.26; Lc 20.37; At 7.32). Eles eram referências espirituais para o povo de Israel.

O primeiro legado deixado pelos patriarcas é a fé.

Eles fazem parte da galeria dos heróis da fé descrita em Hebreus 11.

Sua fé é demonstrada porque creram nas promessas recebidas de Deus e, mesmo morrendo sem vê-las plenamente cumpridas, contemplaram-nas de longe, abraçaram-nas e confessaram ser estrangeiros e peregrinos na Terra.

A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem (Hb 11.1).

Os patriarcas viveram como se as promessas já estivessem cumpridas, obedecendo a Deus mesmo sem enxergar os resultados.

Sem possuir a terra de Canaã, exceto o sepulcro adquirido por Abraão para Sara, viveram nela como peregrinos porque Deus assim determinou.

Mais do que a terra prometida, buscavam a pátria celestial (Hb 11.16).

Embora peregrinassem em Canaã, nunca se apegaram a ela. Viviam em tendas (Hb 11.9), conscientes de que sua verdadeira esperança estava nos céus.

Por isso, além das tendas que simbolizavam desapego das coisas temporais, erguiam altares que revelavam sua comunhão com Deus (Gn 12.7,8; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.7).

Andar por fé é não andar por vista (2 Co 5.7), e os patriarcas demonstraram isso com suas vidas.

Além da fé, deixaram o legado da aprovação.

Mesmo sendo imperfeitos, demonstraram que é possível vencer provas e dificuldades e ser aprovado diante de Deus.

Cometeram erros e sofreram reprovações em determinadas situações, mas perseveraram e cresceram espiritualmente.

II – O LEGADO DE ABRAÃO

Tendo visto, ainda que em linhas gerais, o legado deixado pelos patriarcas como um todo, verifiquemos agora o legado específico de cada patriarca.

Abraão, o primeiro patriarca, é conhecido como o “pai da fé”, sendo chamado pelas Escrituras de “pai de todos os que creem” (Rm 4.11,16).

Seu nome original era Abrão, que significa “pai exaltado” ou “pai na altura”. Posteriormente, Deus mudou seu nome para Abraão, que significa “pai de uma multidão”. Em ambos os casos, a ideia central é a de paternidade.

Essa designação já revela qual é o principal legado deixado por Abraão: a fé.

Ele é o grande exemplo de fé nas Escrituras, uma fé que alcançou seu ponto culminante no episódio do sacrifício de Isaque.

Como já vimos anteriormente, a fé é um legado comum aos patriarcas, mas foi iniciada de maneira marcante por Abraão. Trata-se de uma fé que cresceu e se desenvolveu ao longo da vida.

Inicialmente, sua fé era pequena e vacilante. Demorou para deixar completamente sua parentela, levou Ló consigo e, diante da fome, desceu ao Egito, chegando a mentir sobre a condição de Sarai.

Entretanto, ao final de sua jornada, demonstrou uma fé madura e robusta, capaz de oferecer Isaque ao Senhor, mesmo sendo ele o filho da promessa.

Abraão mostra claramente o princípio da fé semelhante ao grão de mostarda, mencionado por Jesus (Lc 17.6), uma fé que começa pequena, mas cresce extraordinariamente.

Abraão também se apresenta como o restaurador do monoteísmo.

Após a disseminação da idolatria e do politeísmo, ele confrontou essa tradição e resgatou a adoração ao único Deus verdadeiro, preservada desde os tempos anteriores ao dilúvio.

Por isso, é reconhecido tanto pelo judaísmo quanto pelo islamismo como uma figura fundamental, sendo considerado o “primeiro judeu” e também uma referência para os muçulmanos. Juntamente com o cristianismo, essas são as três grandes religiões monoteístas do mundo.

Seu papel de iniciador e pai dos patriarcas é outro aspecto marcante de seu legado.

Nesse papel de iniciador, Abraão costuma ser associado à bondade.

Sua bondade é evidenciada em diversos episódios de sua vida:

  • A adoção de Ló após a morte de seu pai (Gn 11.31; 12.4);
  • A escolha concedida a Ló quando se separaram (Gn 13.8,9);
  • A guerra para libertar Ló e os habitantes da planície (Gn 14.14);
  • A hospitalidade demonstrada aos visitantes nos carvalhais de Manre (Gn 18.1-8);
  • A intercessão pelos habitantes de Sodoma e Gomorra (Gn 18.23-33);
  • A entrega de todo o seu patrimônio a Isaque antes de casar-se com Quetura (Gn 25.5).

Outro legado deixado por Abraão é o da amizade com Deus.

As Escrituras o chamam de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23).

Ser amigo de Deus significa amá-Lo, obedecer à Sua Palavra e praticar aquilo que Ele ordena.

Abraão demonstrou esse amor de diversas maneiras:

  • Quando deixou sua terra e parentela para obedecer à ordem divina (Hb 11.8);
  • Quando se separou de Ló (Gn 13.8,9);
  • Quando entrou em guerra para libertar Ló (Gn 14.13);
  • Quando foi circuncidado juntamente com todos os homens de sua casa (Gn 17.23);
  • Quando recebeu os visitantes nos carvalhais de Manre (Gn 18.1-8);
  • Quando despediu Agar e Ismael (Gn 21.14);
  • Quando se dispôs a sacrificar Isaque (Gn 22).

Abraão deixou ainda o legado da aliança.

Deus estabeleceu uma aliança com ele, e essa aliança marcou toda a sua história.

Por meio dela surgiu uma grande nação a partir de Abraão (Gn 12.1), não apenas o povo de Israel, mas também todos aqueles que creem em Cristo, a verdadeira posteridade de Abraão (Gl 4.29).

Essa aliança trouxe prosperidade espiritual e material ao patriarca.

Além disso, concedeu-lhe grande honra, tanto que Abraão continua sendo reconhecido mundialmente como o pai das três maiores religiões monoteístas.

Por meio dessa aliança, Abraão tornou-se uma bênção para toda a humanidade, pois Jesus Cristo, o Salvador do mundo, descende de sua linhagem (Mt 1.1; Gl 3.16).


III – O LEGADO DE ISAQUE

Isaque é o segundo patriarca e aquele que ocupa menos espaço no texto bíblico. Contudo, sua contribuição é extremamente significativa.

Ele é chamado de “filho da promessa” (Gl 4.28).

Seu nascimento representa a concretização da promessa divina e a alegria decorrente do seu cumprimento. Não por acaso, seu nome significa “riso”.

A alegria, ou gozo, é a segunda qualidade do fruto do Espírito (Gl 5.22), sendo o primeiro desdobramento do amor.

Assim, Isaque representa a realização da promessa e a concretização do amor demonstrado por Abraão a Deus.

Como filho, aprendeu com o pai e assimilou seus valores, objetivos e modo de vida.

No episódio do sacrifício no monte Moriá, Isaque demonstra conhecimento das coisas espirituais ao perguntar sobre o cordeiro que seria oferecido (Gn 22.7).

Dessa forma, Isaque deixa o legado do aprendizado e do discipulado.

Os cristãos são discípulos de Cristo e devem tê-Lo como Mestre (Mt 23.10; Jo 13.13), aprendendo dEle a mansidão e a humildade (Mt 11.29).

Isaque também deixa o legado da obediência e do sacrifício pessoal.

Ele aceitou ser amarrado e colocado sobre o altar por seu pai (Gn 22.9).

Nesse episódio, torna-se uma figura que aponta para Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).

Sua disposição ao sacrifício demonstra profundo temor a Deus.

Essa característica foi tão marcante em sua vida que Deus chegou a ser chamado de “Temor de Isaque” (Gn 31.42,53).

Foi por temor que:

  • Aceitou ser levado ao altar por Abraão;
  • Permaneceu em Canaã durante a fome, obedecendo à ordem divina (Gn 26.1-6);
  • Reabriu os poços cavados por seu pai (Gn 26.18);
  • Não revidou às provocações dos pastores de Gerar (Gn 26.20-23);
  • Confirmou a bênção sobre Jacó e o enviou a Padã-Arã (Gn 28.1-5).

Esse temor tornou Isaque um exemplo de disciplina, autocontrole e profundidade espiritual.

Sua vida foi mais tranquila e estável que a dos outros patriarcas.

Por essa razão, é frequentemente chamado de “patriarca da paz”.

Firmou um pacto de paz com Abimeleque em Berseba (Gn 26.26-33) e demonstrou um espírito conciliador ao longo de toda a sua vida.

Seu legado nos ensina a buscar a paz com todos os homens e a aperfeiçoar a santificação no temor de Deus (Rm 12.18; Hb 12.14; 2 Co 7.1).

Também nos lembra da necessidade de estarmos dispostos a sacrificar nossa vida pela causa do Evangelho e por nossos irmãos.

Foi essa postura equilibrada e perseverante que permitiu a continuidade da promessa divina.

Por isso, Isaque é visto como o patriarca da consolidação, da estabilidade e da continuidade.


IV – O LEGADO DE JACÓ

Jacó, posteriormente chamado Israel, é o patriarca que transforma a família em um povo.

Ele é o pai das doze tribos de Israel e, por isso, seu novo nome passa a identificar toda a nação.

O nome Jacó significa “suplantador”, enquanto Israel significa “aquele que luta com Deus e prevalece”.

Por essa razão, Jacó é conhecido como o patriarca da luta, da transformação e da perseverança.

Antes mesmo de nascer, já lutava com seu irmão no ventre materno (Gn 25.22).

Ao nascer, segurava o calcanhar de Esaú (Gn 25.26), demonstrando seu intenso desejo de alcançar a promessa.

Entretanto, sua principal luta não era contra o irmão, mas contra si mesmo.

Durante toda a vida, enfrentou o conflito entre sua vontade pessoal e a vontade de Deus.

Seu legado nos ensina a necessidade da mortificação da carne.

Para seguir ao Senhor, é indispensável negar a si mesmo, crucificar as paixões e submeter-se à vontade divina.

Jacó também deixa o legado da transformação.

A mudança de seu nome, ocorrida após a experiência no vau de Jaboque, demonstra a necessidade de uma profunda mudança interior para alcançar a plenitude da vida com Deus.

Enquanto não reconheceu quem realmente era, enquanto não confessou sua condição de “Jacó”, não pôde desfrutar plenamente da promessa.

Somente após sua transformação espiritual tornou-se verdadeiramente Israel.

Essa experiência ilustra a necessidade do novo nascimento, tão enfatizada por Jesus em Seu diálogo com Nicodemos.

A mudança de nome nas Escrituras normalmente representa uma mudança de caráter, e isso se evidencia claramente na vida de Jacó.

Transformado por Deus, passou a agir de maneira diferente diante das crises e desafios.

Jacó também deixou o legado da persistência e da perseverança.

Desde o nascimento, perseguiu a promessa feita a Abraão.

Mesmo enfrentando exílio, dificuldades familiares, conflitos e perdas, jamais abandonou seu propósito.

Durante os vinte anos em Padã-Arã, nunca desistiu de retornar à terra prometida.

Sua perseverança nos ensina que a salvação exige constância e fidelidade até o fim (Mt 24.13).

Muitos estudiosos veem em Jacó uma combinação harmoniosa das características de Abraão e Isaque.

Ele herdou a iniciativa e a coragem de Abraão, mas também a obediência e a submissão de Isaque.

Sua trajetória também simboliza a própria história de Israel: exílio, retorno e aliança.

Após sofrer em Padã-Arã, retornou à terra prometida, mas somente depois de um encontro transformador com Deus.

Da mesma forma, Israel passou pelo Egito, foi libertado e precisou encontrar-se com Deus no Sinai antes de entrar em Canaã.

O mesmo princípio se aplica à Igreja.

Enquanto aguardamos a pátria celestial, permanecemos em peregrinação neste mundo, anunciando o Evangelho, suportando as aflições da vida presente e aguardando o dia em que estaremos para sempre com o Senhor.

Assim se conclui o estudo do legado específico de cada patriarca.

Que possamos estudar suas vidas, refletir sobre seus exemplos e aprender com as Escrituras, recebendo delas consolação, esperança e fortalecimento para nossa caminhada de fé.

Fonte: https://www.portalebd.org.br/classes/adultos/12489-licao-13-o-legado-de-fe-de-abraao-isaque-e-jaco-i

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