Juvenis | Lição 07 – A Santificação Necessária
A Santificação Necessária
Este será o título da nossa sétima aula do terceiro trimestre do ano de 2023 da classe Juvenis.
A paz do Senhor, querido aluno e professor da Escola Bíblica Dominical. Eu sou a professora Damares, sou professora da EBD na congregação em que sirvo ao Senhor, aqui na Assembleia de Deus em Curitiba.
Eu já estou aqui novamente para que nós possamos continuar estudando juntos essa revista em que nós estamos estudando sobre as Epístolas Gerais.
Hoje nós iremos falar sobre a Primeira Carta de Pedro. Iremos falar sobre “A Santificação Necessária”, mais uma vez estudando a respeito deste tema que é constante na vida cristã.
Quando o Senhor nos salva, Ele exige de nós a santificação, porque sem ela nenhum de nós veremos ao Senhor.
Então, nós iremos ter a oportunidade de refletir com os nossos juvenis, neste domingo, a respeito da santificação.
Nossa aula está prevista para ser lecionada no próximo domingo, Dia dos Pais, dia 13 de agosto.
Versículo-chave
Nós teremos como versículo-chave o texto de Hebreus 12.14:
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”
Leitura Bíblica em Classe
Na leitura bíblica em classe nós temos 1 Pedro 1.13-24.
Vamos ler juntos:
“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo.
Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;
mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;
porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.
E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,
sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,
mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e contaminado,
o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.
E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para amor fraternal não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros com o coração puro,
sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
Porque toda a carne é como erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva e caiu a sua flor.”
A busca pela santificação
Me chamou a atenção que, aqui no Conectado com Deus, esta parte logo abaixo da leitura bíblica em classe tem uma frase que diz assim:
“A busca pela santificação é a marca que nos diferencia como cristãos.”
Você tem algo que nos diferencia do mundo, do restante das pessoas: é a busca pela santificação.
É o fato de que nós queremos agradar a Deus, de que nós o amamos e de que, por isso, muitas vezes nós vamos abrir mão de fazer alguma coisa que, inclusive, a gente gosta, que a gente gostaria de fazer, mas que a gente não vai fazer porque não é da vontade do Senhor, porque não agrada.
Como filhos dEle, nós desejamos agradá-lo em tudo.
Objetivos da aula
Vamos aqui para os nossos objetivos da nossa aula.
Primeiro, compreender que a Primeira Carta de Pedro foi escrita para a consolação da Igreja.
Segundo, explanar sobre os sábios conselhos para uma vida santa.
E terceiro, entender que a santificação é o caminho que nos levará ao céu.
1. Introdução à Epístola
A Primeira Carta de Pedro foi o primeiro livro admitido no cânon sagrado e, pela tradição, acredita-se que tenha sido escrito entre 63 depois de Cristo. Há quem defenda, porém, que a data deve ser admitida em 60 depois de Cristo.
A discussão principal gira em torno de saber se a epístola universal foi escrita antes ou depois da perseguição de Nero, que ocorreu no ano de 64.
Pedro traz como tema principal a vitória sobre o sofrimento, palavra que aparece 15 vezes ao longo da carta.
Há dúvidas se ele estava profetizando acerca do que iria acontecer ou se ele já estava consolando os cristãos pela perseguição e difamação empreendidas pelo Império Romano, que culparia, ou que já culpava, os cristãos por supostamente colocarem fogo em Roma.
Assim, essa epístola foi escrita para animar os cristãos que estavam dispersos na Ásia Menor, cumprindo a sua missão de fortalecer os irmãos, estimulando-os igualmente a uma conduta enquanto peregrinam neste mundo.
Aqui nós estamos diante de uma discussão que existe no meio acadêmico-teológico, dos estudiosos da Palavra, a respeito da data de escrita da Primeira Carta de Pedro.
Como a lição já nos falou, em 64 Nero, imperador romano, inicia uma perseguição bastante acirrada contra os cristãos.
Só que, assim como todo grande acontecimento na história, quando ele vai acontecer, existe alguma atmosfera que indica que aquilo vai acontecer. Algumas preliminares começam a acontecer até que, de fato, estoura ali um acontecimento.
Com todas as guerras foi assim e, no caso da perseguição, também foi.
Então, pode ser que Pedro estivesse escrevendo antes da perseguição, porque já havia indícios de que aquela perseguição viria, ou pode ser que a perseguição já estivesse ocorrendo e ele estivesse escrevendo para aqueles irmãos, para fortalecê-los, para animá-los durante aquela perseguição.
A questão — e eu já venho falando isso desde a primeira aula — é que esses detalhes históricos da Palavra de Deus nos ajudam a compreender melhor.
Quando a gente sabe o contexto histórico, o ambiente no qual a carta foi escrita, a gente entende melhor o porquê de ela ter sido escrita.
Aí entendemos por que algumas daquelas palavras estão ali, por que Pedro está nos aconselhando a permanecer firmes, porque estava acontecendo uma perseguição, e que perseguição era essa.
Saber de tudo isso nos ajuda a compreender melhor o texto.
Só que isso não é mais importante do que aplicar o texto nas nossas vidas.
Então, é uma discussão no meio acadêmico. É importante que os nossos juvenis a conheçam, porque a ideia da Escola Bíblica Dominical é justamente que a gente tenha um conhecimento que ultrapasse o raso e chegue numa profundidade melhor, para que a gente conheça melhor ao Senhor.
Todas as cartas, todos os textos bíblicos, cada um dos livros da Palavra dEle revela um pouquinho mais a respeito de quem Ele é.
Então, saber detalhes da Carta de Pedro é importante para o nosso conhecimento a respeito do Senhor.
A perseguição aos cristãos
Algo muito importante me chama a atenção nesse contexto histórico: este é um período em que os cristãos foram duramente perseguidos.
Tudo que a gente lê a respeito das grandes atrocidades que o Império Romano fez contra os cristãos vem bastante desse período, o ano de 64.
É aquele período em que Nero era imperador.
Nero, meus irmãos, era um imperador bastante difícil de entender. Há uma loucura praticamente clara, explícita, na história. Ele manda matar a própria mãe e abrir o ventre dela para ver onde ele foi gerado.
Então, realmente dá para entender que ele não era uma pessoa assim normal.
Mas ele tinha o desejo de construir uma capital em Roma que levasse o seu nome. Ele queria construir uma “Nerópolis”.
Então, ele manda colocar fogo em Roma e culpa os cristãos, dizendo que foram eles.
Então os cristãos passam a ser perseguidos em todo o Império.
E aqui nós estamos falando de uma perseguição sistematizada, porque ela vinha do cabeça do Império, o imperador.
Nessa época ele era considerado um deus.
E o Império Romano é considerado o maior império em extensão e em tempo, em durabilidade, o império que mais durou por mais anos, que esteve ali mandando em todo o mundo.
Aqui, neste período, era o maior império. Era o império que mandava e todos obedeciam.
Então, ser cristão nessa época era ir diretamente contra uma ordem do imperador.
Nós não estamos falando só de calúnia e difamação. Nós estamos falando de perder a vida, de sofrer, de serem encontrados, e o fato de ser cristão levar essas pessoas, por exemplo, para o Coliseu e serem transformadas ali em alimento de bestas, feras.
Nós estamos falando de muitos cristãos que tinham seus corpos colocados em fogo.
Aqueles nossos irmãos, pais da nossa Igreja, eram feitos de tochas para iluminar a cidade de Roma.
Então, nós estamos falando de grandes atrocidades, de um dos períodos mais sofridos no início da Igreja.
E era para estes irmãos que Pedro estava escrevendo.
Então, o contexto era esse.
A gente só não sabe se Pedro escreve antes de tudo começar a acontecer dessa forma ou se ele já tinha escrito enquanto já estava acontecendo, e ele estava ali tentando animar aqueles irmãos, confortá-los.
Como nós lidamos com o sofrimento?
Fato é que nós, aqui no século XXI, precisamos conhecer essa carta.
Porque como nós lidamos com sofrimento?
Vale a pena refletir com seus juvenis: de que forma a gente lida com a dor?
De que forma a gente lida com os “nãos” que Deus nos dá?
Como que a gente entende quando o Senhor fala:
“Não, não vou abrir a porta.”
“Não vou atender a sua oração.”
“Não vou te responder da forma que você me pediu.”
Muitas vezes a gente entende um momento de sofrimento e um “não” do Senhor como:
“Deus me abandonou.”
“O Senhor não me ama.”
“Ele não quer o meu bem.”
Quando, na verdade, a gente precisa entender que muitas vezes o sofrimento tem o objetivo de nos lapidar, de aperfeiçoar a nossa fé e fortalecer a nossa fé.
Então, nós temos aqui o privilégio de, nesta lição, entender a importância do sofrimento para a nossa santificação.
Aqui a gente tem a oportunidade de refletir sobre o sofrimento, porque o sofrimento não significa que o Senhor não nos ama.
Se fosse assim, o cristianismo era a religião de pessoas menos amadas no mundo, porque, desde o início, desde o princípio do cristianismo, grande parte dos irmãos sofreram muito.
O nosso próprio Senhor foi crucificado.
Então veja que cristianismo não significa que eu não vou sofrer, mas que eu sofrerei sabendo que o Senhor me ama para além do momento que eu estou vivendo.
Ele me ama e Ele tem uma vida eterna para mim e para todos nós.
Então, o que nós passamos aqui não define o status do amor de Deus por nós.
E isso é muito importante no processo de maturação da nossa fé, porque, quando nós somos cristãos imaturos, a gente acha que qualquer coisa que o Senhor não fez por nós significa:
“Poxa, Ele não me ama mais.”
Quando o Senhor não nos responde, a gente fala:
“Você é muito mau comigo.”
E não funciona assim.
Então, essa é uma lição que nos obriga a caminhar para uma maturidade maior na nossa fé com o Senhor.
2. Conselhos aos peregrinos
Esta epístola foi escrita para pessoas que estavam em desconforto, longe de seus líderes, sufocadas pelas tribulações da vida.
Mas, apesar de tudo isso, deveriam se lembrar do compromisso com Cristo.
Assim, depois de, entre os versículos 1 a 12, Pedro citar inúmeras bênçãos e privilégios espirituais recebidos, a partir do versículo 13, que nós lemos no início da aula, ele enumera algumas responsabilidades de todos aqueles cristãos.
“Portanto”
Primeiro subtópico: “Portanto”.
Do grego dio, que significa “por esse motivo”.
É o elo de conexão com aquilo que antecede, não com aquilo que virá depois.
Assim, diante de tantas coisas maravilhosas que Deus fez e faz por nós, nós devemos ser corajosos para defender o Reino, para viver o Evangelho e para participar do sofrimento de Cristo.
Deus não nos chamou a navegar pelo mar da vida sem um propósito, mas Ele espera que integremos sua equipe de obreiros, navegando dignamente em seu nome.
Era essa mensagem inicial de Pedro aos peregrinos.
E eu gosto quando ele nos chama de peregrinos, porque ele nos lembra de que nós somos estrangeiros nessa terra.
Às vezes nós desejamos tantas coisas para ficarmos bem, mais confortáveis, e não está errado, não entendam mal.
Mas, às vezes, o nosso foco é todo aqui.
E nós não podemos tirar os nossos olhos da eternidade.
Nós não podemos perder o propósito final e principal da nossa existência, que é estar com o Senhor, alcançar o céu, estar com Cristo para sempre.
Então, tudo que acontece aqui não se compara com o que virá, com a glória que foi reservada para nós por Ele.
A gente não pode perder de vista o fato de que somos peregrinos, de que somos estrangeiros, de que é comum que peregrinos e estrangeiros sofram, estejam em situações ruins.
Desde o princípio, cristianismo é andar na contramão do mundo.
E andar na contramão do mundo significa, muitas vezes, que nós iremos sofrer.
“Cingindo os lombos do vosso entendimento”
Segundo subtópico: “Cingindo os lombos do vosso entendimento.”
Em seguida, Pedro, pelo Espírito, fala sobre cingir os lombos do entendimento.
Isto é, que as mentes dos discípulos estivessem preparadas para os grandes desafios do Reino.
Os cristãos, ainda que dispersos e perseguidos, deveriam se fortalecer mentalmente, entender os tempos e agir com fé.
Se não possuíssem onde pousar nem aonde ir, que permanecessem seguindo adiante, mas que nunca desanimassem.
“Sede sóbrios e esperai”
Terceiro subtópico: “Sede sóbrios e esperai.”
Por fim, neste início, Pedro aconselha que eles sejam prudentes e pacientes, sabendo que o Pai nunca nos decepcionará.
Ser sóbrio significa ser vigilante.
Significa que, ante os iminentes perigos espirituais que nos circundam, devemos estar de prontidão para a vinda de Cristo.
Além disso, era necessário esperar com paciência pelo Senhor.
O sofrimento dos cristãos deve ser suportado com resignação, irmãos.
Uma fé de benefícios
Esta carta vai contra a teologia da prosperidade, porque nós estamos, muitas vezes, acostumados a uma fé de benefícios.
Uma fé que nos traga coisas boas, que nos traga uma melhor situação.
A gente gosta de falar:
“Eu vim para Cristo e a minha vida mudou para melhor.”
A gente gosta de dizer:
“Eu vim para o Senhor e hoje eu tenho uma vida maravilhosa.”
Quem não gosta de contar sucesso da vida?
Todos nós gostamos. Faz parte.
Ninguém deseja insucesso.
Ninguém acorda e fala:
“Nossa, eu desejo muito mal na minha empresa.”
Não.
A gente deseja o melhor, quer a melhor casa, o melhor carro, quer o melhor em tudo.
Isso faz parte de quem nós somos e está tudo bem.
É normal que o ser humano deseje o melhor da vida.
Dito isso, nós precisamos entender que existe uma distância entre a realidade e os nossos desejos.
E, muitas vezes, nossa fé, ao invés de nos trazer benefícios, vai nos causar momentos de dor, de dificuldades.
E eu percebo, por mim, que nós não estamos preparados para lidar com uma fé que nos provoque situações de desespero, conflitos.
Nós não queremos estar numa sala de aula, seja na escola ou na faculdade, e ter a nossa fé utilizada como um motivo para rirem da gente.
A gente não quer ser alvo de chacota por causa da nossa fé.
A gente não quer que as pessoas nos chamem de caretas por causa da nossa fé.
A gente não quer perder amigos porque somos cristãos.
A gente não quer abrir mão do mundo porque somos cristãos.
Então, essa aula, quando nós estamos numa classe de juvenis, 15 a 17 anos, tem um objetivo de fazer com que nós nos levemos a refletir: o que significa ser cristão?
Talvez nós não tenhamos nenhum juvenil em uma situação de ser humilhado, ser questionado, ser ridicularizado por causa da fé.
Mas nós precisamos estar preparados para o caso de a perseguição ocorrer na nossa vida.
E eu não estou dizendo agora uma perseguição sistematizada, estatal, como era nessa época.
Eu estou falando da perseguição de amigos mesmo.
Sabe um grupinho ali de amigos que tem um pensamento bem liberal e que discorda daquilo que nós defendemos, da nossa fé, das bandeiras que a fé cristã nos faz levantar?
Então, dito isso, é importante que a gente entenda que o Senhor nos chamou para ser sal da terra, para ser luz no mundo.
E, no ambiente de trevas, muita luz atrapalha.
Às vezes as pessoas não querem ser iluminadas no ambiente de trevas.
Então, muitas vezes nós não seremos bem-vindos nos lugares que estivermos.
Muitas vezes, por sermos o sal e o mundo estar acostumado com uma comida sem sal, as pessoas vão querer nos vomitar.
E eu sei que esse é um tipo de reflexão que a gente não quer fazer e não quer ter.
Mas cristianismo não significa receber aplausos do mundo.
Pelo contrário.
Significa que o mundo vai nascer, porque a causa da nossa fé é Cristo.
E Cristo nos convida a viver na contramão do mundo.
Cristo nos convida a não fazer concessões com o mundo e a viver uma vida separada.
Só que não é uma vida separada no sentido de:
“Vamos ficar reclusos e escondidos dentro de casa.”
É uma vida separada no sentido de que está todo mundo escolhendo assistir o filme X, um filme que contém cenas que eu não deveria ver, então eu não irei.
Neste momento, quando toda a rodinha vai e você não vai, ser cristão dói.
E é neste momento que nós precisamos fazer a diferença.
Porque, se nós nos assentarmos na roda dos escarnecedores e rirmos das mesmas piadinhas que eles fazem, nós não estaremos fazendo a diferença.
Se nós nos parecemos com eles ao invés de parecer com Cristo, se ao invés de iluminarmos no ambiente de trevas nós formos tão trevas quanto, ao invés de salgarmos o mundo nós ficarmos adocicados como o restante das pessoas, a nossa fé não fará sentido.
É importante refletirmos que, quando nós cremos no Senhor e vivemos uma vida que o agrada, pode ser que, na maior parte das vezes, ao invés dessa vida reta nos trazer benefícios, ela nos traga malefícios.
Basta olharmos para José.
José era um homem reto, bom, cria no Senhor e, mesmo assim, passou mais de uma década da sua vida preso.
Porque ser cristão, crer no Senhor, fazer o bem não significa necessariamente que o mundo irá nos aplaudir.
Pode ser, muitas vezes, que signifique o oposto: que o mundo nos queira longe dali.
Basta olharmos para a história da nossa Igreja.
A maior parte dos pais da Igreja não foram aplaudidos por suas vidas retas e santas, mas foram mortos.
Fica aqui a reflexão para que nós possamos fazer com os nossos juvenis:
O que significa ser cristão?
O que nos custa ser cristãos?
Porque, se a nossa fé em Cristo não nos custar nada, tem alguma coisa de errado.
Porque crer em Deus, crer no Filho, viver como Ele, buscar a santidade custa muito.
Aliás, custa tudo.
Custa tudo.
Custa a nossa vida.
3. Não se conformando com as concupiscências
Santificação: um objetivo
Em seguida, Pedro chama a atenção de que, como filhos obedientes, eles não deveriam ceder aos desejos intensos da natureza humana.
Os peregrinos cristãos deveriam viver e pensar como filhos obedientes, não como escravos.
E, assim, por onde passassem, tinham de trazer com eles os valores do Reino do Pai e não viver conforme o mundo.
Assim, a santidade deveria ser a tônica da existência deles.
E da nossa também.
Não ceder aos desejos da natureza humana
Antes de entrarmos aqui, é importante nós só lembrarmos de “ceder aos desejos intensos da natureza humana”.
Essa frase faz pensar que nós vivemos em um mundo que aplaude e que nos incentiva a sermos o que nós desejarmos ser.
Nos libertarmos e fazermos o que nós temos vontade.
E o cristianismo nos incentiva ao oposto.
O cristianismo não nos diz assim:
“Ah, o Senhor te ama exatamente do jeito que você é.”
Não.
O Senhor quer nos salvar do jeito que nós somos para nos transformar.
É importante a gente entender isso.
Não é que o Senhor não nos ama do jeito que nós estamos.
Ele é Pai. Obviamente Ele nos ama.
Mas Ele quer o quê?
Nos salvar e nos transformar.
Quando nós somos salvos, o Senhor deseja que a santificação seja um objetivo na nossa vida.
Então, nós somos chamados a não ceder aos desejos intensos da nossa natureza.
E a gente vai ter desejo por tudo que não é lícito, por muitas coisas que são pecaminosas.
Nós precisamos estar preparados para dizer não.
Para olhar para uma situação, um desejo que eu tenho…
Muitos dos nossos juvenis estão acostumados a abrir determinadas abas no celular, ver o que não deve, fazer o que não deve, ter pensamentos ilícitos.
E o Senhor nos convida a não ceder aos nossos desejos carnais, pecaminosos, mas a nos mantermos firmes.
Então, que a gente consiga refletir e veja os contrastes entre o que o mundo nos diz:
“Faça o que você quiser.”
E o cristianismo nos diz:
“Não se entregue aos desejos da sua carne. Negue-se a si mesmo.”
Olha a diferença, o contraste do mundo e do que o Senhor deseja para nós.
Santidade em toda a vossa maneira de viver
Vamos agora para o nosso segundo subtópico: “Santidade em toda a vossa maneira de viver.”
O padrão de santidade de Deus não alcança somente uma ou outra esfera da nossa vida, mas tem o propósito de alcançar todos os recantos da nossa existência.
“Toda a vossa maneira de viver.”
Nos diz o apóstolo Pedro.
Alguém pode questionar:
“Por que isso é tão importante?”
A resposta é simples, porque está escrito:
“Sem santificação ninguém verá o Senhor.”
A santificação é um processo contínuo em que buscamos um elevado padrão moral e espiritual.
E isso não se consegue apenas com os momentos que a gente passa na igreja.
A maior parte de nossas vidas ocorre fora dela: em casa, no colégio, no estágio, no emprego.
Por isso, é tão necessário que nós nos conscientizemos de que somos consagrados onde quer que estejamos.
Já deixamos a nossa vã maneira de viver para trás.
Esse ponto, veja como essa coisa de:
“Ah, o Senhor te ama do jeito que você está. Ele te ama assim. Ele que te deu esse sentimento, então viva aí com ele.”
Isso é tão fora do que a Bíblia nos diz.
A santificação custa toda a nossa vida
Porque a Palavra nos mostra que o Senhor deseja que a gente seja santo.
E ser santo custa toda a nossa vida.
Custa todas as nossas vontades.
Todos os nossos desejos.
Tudo que a gente acha.
Tudo que a gente pensa.
Às vezes a gente gosta muito de contar mentira e ser cristão nos custa o fato de a gente não mentir.
Às vezes muitas pessoas são entregues à luxúria.
Muitos são entregues a… sabe? Muitos adolescentes gostam de sair beijando uma aqui, outra ali, querem ter relacionamentos íntimos reservados para o casamento nos namoricos.
Nem namoro oficial, mas cada hora com uma.
Ser cristão nos custa tudo isso.
Porque o Senhor não deseja que a gente esteja cada dia com um, cumpra todas as nossas vontades, mate todos os nossos desejos.
Não.
O Senhor deseja que nós sejamos santos.
E, para isso, a gente tem que sufocar muitos dos nossos desejos.
Então, está longe de ser algo digno de aplausos do mundo.
Mas está muito longe.
Porque o Senhor não nos estimula a uma noite de bebedeira, a ir para balada e ficar “doidão”, “loucona”, como o mundo gosta de dizer para os nossos juvenis.
O Senhor deseja de nós uma vida racional, consciente.
Ele não quer que a gente passe um minuto sequer inconsciente.
Ele não deseja que a gente fique inconsciente ou, tem um termo que acho que o YouTube não vai gostar que eu fale, “chapado”. Vou colocar um “pi” para falar isso aqui.
O Senhor não quer isso para nós.
Cristianismo não é uma religião que quer que a gente entre em transe.
Não.
O Senhor quer que a gente apresente um culto racional.
Ele quer que a gente saiba exatamente o que custa ser cristão.
Sabe?
É dizer assim:
“Negue-se a si mesmo, pegue sua cruz e me siga.”
Cristianismo é isso.
Dói muito.
É difícil.
Quem de nós não deseja entregar à nossa carne o que ela deseja?
Sabe:
“Estou com vontade de dormir o dia todo, vou dormir. E o trabalho? Trabalho.”
“Ah, estou com vontade de pular o status de namoro e adotar algumas coisas para casar ali no namoro.”
E aí o Senhor nos convida a viver uma vida de negar a nós mesmos.
As nossas vontades.
Os nossos desejos.
Os nossos sonhos.
Muitas vezes a gente não gosta de falar disso.
Mas cristianismo é isso.
A essência do cristianismo é que nós nos neguemos a nós mesmos, que a gente seja transformado cotidianamente pelo nosso Senhor.
Então, a santificação é um processo na vida do cristão que faz parte da nossa caminhada com Deus.
Um modelo de santificação
Terceiro subtópico: Um modelo de santificação.
“Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”
É assim que Deus fala lá no Antigo Testamento e repete no Novo Testamento.
Dessa forma, nosso padrão de santidade é altíssimo.
Jesus mesmo disse que fôssemos perfeitos como Deus.
Mas como resolver esse grande problema, visto que o homem é pecador?
É uma pergunta.
O Senhor explica logo no versículo seguinte. Ele diz assim:
“Se invocais a Deus como Pai, andai em temor.”
Ou seja, o Altíssimo sabe que nós estamos sujeitos ao pecado.
Mas Ele espera que o pecado não seja cometido como tendo domínio sobre nós.
Por isso, a recomendação é que andemos em temor.
Porque, quando a gente está com vontade de mentir, vai lá e mente, a gente está deixando que o pecado nos domine.
Quando a gente está com vontade de fazer algo que a gente sabe que é errado…
Porque tem uma coisa que o crente tem em comum: nenhum crente peca em paz.
Se você é crente, você conhece a Palavra de Deus, você frequenta Escola Bíblica Dominical, você não é capaz de estar lá pecando e o Espírito Santo não estar ali te constrangendo, te mostrando que você está pecando.
Então isso nos mostra que a gente sabe o que é pecado.
E que, caso a gente ceda a essa vontade, nós estaremos permitindo que o pecado nos domine.
E, porque nós cremos em Deus e porque nós amamos a Deus, nós não queremos fazer aquilo que o desagrada.
Então a gente deixa de pecar porque a gente ama ao Senhor sobre todas as coisas.
E aqui está o motivo de que o Senhor condena muitas práticas pecaminosas.
Muitas pessoas não entendem isso aqui.
Tem gente que fala assim:
“Ah, por que o Senhor não libera algumas coisas?”
“Por que a Palavra de Deus é tão incisiva, nos proíbe de tantas coisas?”
É porque o Senhor deseja que a gente ame Ele acima de todas as coisas.
E, se a gente amar mais ao mundo do que a gente ama a Deus, amar práticas pecaminosas X, Y ou Z mais do que a gente ama a Deus, a gente estará dando a esses desejos, a esses sentimentos pecaminosos, o controle da nossa vida, e não ao Senhor.
Quando a gente ama o Senhor sobre todas as coisas, o controle da nossa vida é dEle.
Mas, quando a gente ama o pecado mais do que todas as coisas, aí o controle da nossa vida é daquele desejo, daquele sentimento, daquela vontade pecaminosa que está em nós.
O que significa ser santo?
Vamos agora para o nosso quarto subtópico aqui do ponto 3.
O que significa ser santo?
A palavra “santo” quer dizer separado.
E é isso que nós somos.
Nós somos separados do mundo para nos dedicarmos a Deus.
Se você acha que não tem se dedicado ao Senhor como deveria, tente descobrir os motivos que estão impedindo de ter um relacionamento melhor com Deus.
Embora você não precise se apresentar a esse mundo com uma auréola sobre a sua cabeça, a santificação é fundamental para a sua vida.
Nós sabemos que cristianismo não é ir lá no meio da galera e falar:
“Eu não faço isso porque eu sou crente.”
Cristianismo é a gente fazer aquilo que deve ser feito.
Separar-se do pecado, da vontade de fazer muitas coisas, muitas vezes querendo fazer.
Porque a gente ama mais a Deus.
Então, amar a Deus é o ponto fundamental para deixar de pecar.
Porque, quando a gente ama Deus sobre todas as coisas, a gente fala:
“Senhor, eu queria tanto, tanto, tanto, tanto ir lá e falar um monte na cara daquela pessoa, sabe? Porque me ofendeu, porque me magoou. Mas eu não vou. Por quê? Porque eu te amo. Eu vou liberar o perdão. Eu vou dar a outra face porque eu te amo.”
É isso que o Senhor deseja de nós.
O Senhor não espera de nós — Ele não acha — que seremos um monte de seres humanos com auréola na cabeça e uma asinha saindo, brilhantes.
Não.
O Senhor sabe que vai nos custar, que vai nos doer.
Ele esteve aqui.
Ele foi carne como nós.
Ele assumiu forma corpórea.
E, sendo Deus e sendo homem, Ele sabe quanto é difícil ser homem, ser tentado em tudo e resistir.
É por isso que Ele nos entende.
E é por isso que Ele sabe do nosso esforço.
E Ele deseja que a gente se esforce, que a gente alcance uma vida de santidade, assim como Ele alcançou.
Amém?
A salvação foi caríssima
Vamos agora para o quinto subtópico aqui do tópico 3: A salvação foi caríssima.
Pedro, na sequência, lembra de que Deus pode fazer tal exigência porque todos nós éramos escravos e fomos comprados por um preço altíssimo.
Pelo resgate de nossas vidas foi pago o maior preço de todos:
a vida do Filho de Deus.
Por tal razão, devemos purificar a alma na obediência à verdade, na obediência ao nosso Senhor.
Que a gente sempre tenha isso em mente:
“Eu não vou fazer o que eu estou com muita vontade porque eu amo ao Senhor.”
Por que eu amo tanto assim ao Senhor?
Por que eu amo tanto essa pessoa?
Por que eu vou deixar Ele ditar todas as regras da minha vida?
Porque Ele morreu.
Porque Ele se entregou por mim.
Quando nós ainda éramos inimigos, Ele nos amou.
O desejo dEle é que todos nós sejamos amigos dEle, que a gente esteja próximo dEle, que a gente ame Ele, que a gente faça o que o agrada.
Só que Ele morreu por nós quando a gente ainda era inimigo.
Ele morreu por nós quando a gente estava lá longe, afastado dEle, quando a gente não era digno.
O desejo dEle é que a gente possa valorizar esse sacrifício, esse alto preço que Ele pagou por nós.
4. O que significa separar-se do mundo?
Vamos agora para o nosso quarto e último tópico:
O que significa separar-se do mundo?
O processo de santificação, a consagração a Deus, inclui também o ato de separar-se do mundo.
Mas o que isso significa?
Eu devo me isolar das pessoas e viver isolado?
Claro que não.
Não é essa a ideia bíblica de separação do mundo.
Jesus, em sua oração sacerdotal, lembrou ao Pai que ainda estamos no mundo.
Separar-se do mundo significa não participar dos pecados deste mundo, deste sistema corrompido.
Significa também não absorver as suas filosofias, não se deixar levar por seus modismos e doutrinas enganosas.
Separar-se do mundo é pertencer ao outro lado, ao Reino de Deus, e esforçar-se para conduzir a Cristo os que ainda não são santos.
O processo de santificação implica sermos santos, consagrados a Deus e separados do mundo.
Nós somos santos não por alcançarmos um elevado grau de espiritualidade, mas porque pertencemos ao povo de Deus.
A santificação é um processo necessário que se estende por toda a nossa existência.
E a maneira como vivemos neste mundo terá consequências na eternidade.
Viva, portanto, uma vida de santificação.
Separar-se do mundo não é isolar-se
Como eu falei agora há pouco, nós não temos que ficar em casa trancados o resto da vida para nos afastarmos das possibilidades de pecar.
Até porque a gente consegue pecar sozinho.
Quando a gente olha para o relato da queda, Adão e Eva conseguiram pecar ainda assim sozinhos.
Em duas pessoas.
Um casal só.
Eles conseguiram dar um jeitinho de pecar.
Porque dentro de nós brotam desejos e vontades que são pecaminosos.
A gente não precisa de ajuda para pecar.
A gente consegue pecar sozinho.
Então não precisa ficar escondido do mundo.
O que a gente precisa realmente é não participar da rodinha dos escarnecedores.
É entender que a gente está na contramão do mundo.
Que, às vezes, a gente não será bem-vindo em determinados locais porque nós somos cristãos.
Que, muitas vezes, nós teremos que fazer escolhas.
Vai nos custar.
Amar a Deus acima dos nossos desejos
Eu conversava recentemente com um jovem apaixonado por uma menina que não é cristã.
E vendo ele mesmo falar, chegar à conclusão de que ele não podia…
Ele falou:
“Estou apaixonado, mas eu preciso amar o Senhor mais do que isso.”
Não é da vontade do Senhor.
Uma pessoa completamente com vontades e desejos que não vão na direção do Senhor.
E ele, contando mais em forma de relato do que pedindo um conselho, dizia:
“Essa é minha maior prova de amor a Deus.”
“Eu estou muito apaixonado por aquela menina, mas eu amo tanto a Deus que eu vou deixar essa paixão para lá.”
E eu fiquei tão encantada com o relato daquele adolescente de 17 anos de idade.
Eu falei:
“Que lindo, Senhor.”
Porque é entendermos que te servir vai custar.
E não vai custar só o que a gente não quer.
Vai custar aquilo que a gente quer.
Aquilo que a gente deseja.
Só que ser separado do mundo é isso.
É, às vezes, olhar para uma pessoa, achá-la linda, maravilhosa, ficar apaixonado, mas entender que nós temos desejos e vontades opostas.
E muitas vezes não dá.
Não dá.
Eu amo o Senhor e aquela pessoa ama o mundo.
Vai dar para se casar?
Não tem como ter um bom relacionamento entre essas duas pessoas.
Então é isso que significa amar o Senhor.
É perdoar aqueles que nos ofenderam, aqueles que nos bateram, que maldisseram.
É liberar o perdão.
Então, olha que o Senhor está sempre pedindo para nós aquilo que dói fazer.
Enquanto o mundo diz:
“Ah, você não tem sangue de barata. Vai lá e fala todas as verdades.”
O Senhor está falando para nós:
“Ama o teu próximo como você ama a você mesmo.”
Então, o cristianismo nos pede coisas que lá na época de Pedro eram consideradas fraquezas e hoje continuam sendo consideradas fraquezas.
O cristianismo de lá e o de hoje também continua sendo estar na contramão do mundo.
E o Senhor nos convida para essa vida.
Uma vida de santificação.
Conclusão
A maior diferença entre nós e o restante da humanidade é o nosso esforço em agradar a Deus, que se chama processo de santificação.
A gente ama tanto ao Senhor, a gente quer tanto agradá-lo, que a gente vai passar durante toda a nossa existência aqui na Terra lutando pela nossa santificação.
Amém?
Professor, eu desejo que, nesta aula, o Senhor te capacite.
Que você possa estar disposto, em espírito de oração, transmitindo para os seus juvenis uma excelente aula.
Que vocês possam ter uma conversa.
Que eles consigam abrir o coração.
Tenham um momento de compartilhar, de partilhar os desafios, as dificuldades da vida cristã e entender que o Senhor nos fortalece.
Que o Senhor, assim como fortaleceu os irmãos da Igreja Primitiva, que estavam sendo perseguidos por Nero, também nos fortalece caso nós estejamos sendo perseguidos, caso nós estejamos sofrendo.
O Senhor nos fortalece.
O Senhor nos ama.
E o Senhor deseja que nós possamos ser santos como Ele é.
Amém.
Deus abençoe e até a próxima.
Texto extraído do vídeo por IA.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=gRUHWuko0zI&list=PLxODYifQD_t9C8a8p4vOKpDdQS9kkjD1n&index=7
