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LIÇÃO Nº 7 – QUANDO O ESPÍRITO SOPRA EM ÉFESO

 

 

-Na sequência do estudo sobre a segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, estudaremos o ministério de Paulo em Éfeso.

INTRODUÇÃO

-Em Éfeso, o ministério de Paulo chega ao seu apogeu.

I – A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

-Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, estudaremos hoje o ministério de Paulo em Éfeso.

-Paulo despediu-se da igreja em Corinto, tendo tido o discernimento espiritual de que o seu tempo ali findara e acompanhou o seu casal de amigos, Áquila e Priscila, que foram morar em Éfeso.

Este casal e o apóstolo tinham trabalhado fazendo tendas durante um ano e seis meses em Corinto, o tempo em que o apóstolo havia permanecido na capital da Acaia por determinação do Senhor Jesus (At.18:2,3).

-Este trabalho conjunto do casal com o apóstolo havia dado o sustento a ambos durante aquele período (II Co.11:8,9), ainda que as igrejas da Macedônia, em especial Filipos (Fp.1:15), tivessem mandado ofertas para o apóstolo.

-Terminado o tempo do ministério de Paulo em Corinto, o casal resolveu também deixar a cidade e se mudar para Éfeso, que, era, então, a segunda cidade mais populosa do Império, perdendo apenas para Roma, uma vez que não poderiam voltar de Roma, pois o imperador Cláudio havia de lá expulsado os judeus (At.18:2).

-Em Éfeso, Paulo chegou a disputar com os judeus na sinagoga, durante o período curto em que ali esteve, provavelmente apenas esperando o transporte para Jerusalém, pois resolvera retornar para Antioquia, já que entendera que havia terminado a sua segunda viagem missionária, devendo, deste modo, prestar contas dela para a igreja que o enviara (At.18:19).

-Ademais, o apóstolo havia feito voto, tanto que rapara a cabeça em Cencreia, o porto de Corinto onde pegou o navio para Éfeso, e, como tal, deveria levar os cabelos para o templo em Jerusalém.

-Este o motivo pelo qual declinou do convite dos judeus para que permanecesse em Éfeso, embora não tivesse descartado um possível retorno (At.18:20,21).

-Partiu de Éfeso, foi até Cesareia, que era uma cidade portuária, onde saudou a igreja que lá estava, dirigida por Filipe, o mesmo que pregara o Evangelho em Samaria (At.8:40; 21:8), de onde, então, foi a Jerusalém,

para cumprir o voto do nazireado, partindo, em seguida, para Antioquia, onde prestou contas do que ocorrera em sua segunda viagem missionária.

-O apóstolo, depois de algum tempo em Antioquia, iniciou sua terceira viagem missionária, dirigindo-se até a província da Galácia e da Frígia (At.18:23), locais em que havia aberto igrejas na sua primeira viagem missionária, pois as cidades de Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia ficavam ao sul da província romana da Galácia, locais onde fora impedido de anunciar o Evangelho no início da sua segunda viagem missionária (At.16:6).

-O apóstolo, desta maneira, começava sua viagem indo verificar o estado das igrejas que havia aberto na primeira viagem missionária, já que fora impedido de ir ali quando da sua segunda viagem. Sua missão foi “confirmar todos os discípulos”.

-Eis aí a função do apóstolo, daquele que dá início a um trabalho, que abre igrejas num determinado lugar. Após plantar a igreja, deve o apóstolo, em podendo, visitar tais igrejas, com o objetivo único e exclusivo de confirmar os irmãos, de “regar a planta”, de “confirmar os discípulos”, nunca o de se entremeter na administração da igreja, tarefa que é do pastor, a quem cabe apascentar o rebanho do Senhor (I Pe.5:2).

-Notemos, portanto, que não tem qualquer respaldo a ideia de que o apóstolo é uma autoridade eclesiástica superior ao pastor, é um “pastor de pastores”, um “superior hierárquico”, ou, até mesmo, um “mediador entre Jesus e os crentes”, como defende o chamado “movimento apostólico”, com sua falsa doutrina da “cobertura espiritual”.

-Este entendimento, sem qualquer respaldo bíblico, tem por objetivo tão somente justificar uma sede de poder e um domínio que certas pessoas querem ter sobre os demais servos de Deus, o que se constitui em conduta reprovada pela própria Bíblia Sagrada (I Pe.5:3) e que levou, inclusive, à doutrina do Papado. Fujamos disto, amados irmãos!

-Tendo confirmado os discípulos da Galácia e da Frígia, Paulo, então, vai a Éfeso, onde permaneciam morando Áquila e Priscila, os quais, inclusive, haviam evangelizado Apolo, um judeu alexandrino que era eloquente nas Escrituras, mas que conhecia apenas o batismo de João (At.18:24-28), e que, após ter conhecido mais pontualmente o caminho do Senhor, partiu para a Acaia, para Corinto, onde acabou acolhido por aquela igreja local.

-Chegando a Éfeso, Paulo encontrou ali doze discípulos que, muito provavelmente, haviam sido evangelizados por Apolo, na sua passagem em Éfeso, pois só conheciam o batismo de João, porquanto Apolo, após ter sido evangelizado por Áquila e Priscila, passou a pregar o Evangelho e a mostrar aos judeus efésios que Jesus era o Cristo (At.18:28).

-O apóstolo Paulo, ao conhecê-los, perguntou se aqueles crentes já haviam recebido o Espírito Santo e, para sua surpresa, os discípulos disseram que nem sabiam da existência do Espírito Santo (At.19:2).

-Notemos aqui a pergunta feita por Paulo àqueles discípulos. Como eles afirmassem crer em Jesus como Salvador, como o Cristo, imediatamente o apóstolo lhes perguntou se eram batizados no Espírito Santo.

-O revestimento de poder era considerado, nos dias apostólicos, como fundamental para cada crente. Foi esta também a atitude que Pedro e João tiveram em Samaria, cuja primeira atitude foi a de orar para que os crentes samaritanos fossem batizados no Espírito Santo (At.8:15,16).

-Esta também era a conduta entre a membresia das Assembleias de Deus nas primeiras décadas da denominação, tanto que podem ser perguntados os irmãos mais antigos, que, certamente, contarão que, assim que alguém entregava sua vida para Jesus, já era aconselhado pelos irmãos a buscar o batismo no Espírito

Santo e não era raro que, quando desciam às águas, os novos convertidos já tinham sido antes revestidos de poder.

-O revestimento de poder é uma necessidade na vida de cada servo de Jesus, pois o Senhor disse que os discípulos não deveriam sair de Jerusalém enquanto não fossem recebessem poder do alto (Lc.24:49).

-Se é verdade que a conversão não se confunde com o revestimento de poder, não é menos verdadeiro que a pregação do Evangelho a ser realizada pela Igreja somente será feita da forma querida pelo Senhor após o batismo no Espírito Santo.

-Ora, se a Igreja existe para pregar o Evangelho aos incrédulos e ensinar a Palavra aos crentes, como poder imaginar uma Igreja funcionando, consoante o desejo de Cristo, que é a sua cabeça (Ef.1:22; 5:23) sem que os crentes sejam revestidos de poder?

-Lamentavelmente, não é mais este o comportamento dos que se dizem ser pentecostais. A quantidade de membros que ainda não são revestidos de poder é muito grande, em muitos lugares, já é a esmagadora maioria da igreja local. Como dizer que somos pentecostais num quadro destes? Precisamos despertar enquanto é tempo!

-Paulo, diante da ignorância a respeito até do que era o Espírito Santo, verificou que eles nem sequer eram batizados nas águas, pois, se nunca tinham ouvido falar em Espírito Santo, evidentemente não tinham sido batizados, pois a fórmula batismal menciona o Espírito Santo, tendo descoberto, então, que eram batizados no batismo de João (At.19:3).

-O apóstolo, então, mostra-lhes que o batismo de João era um batismo de arrependimento para a preparação para a vinda do Cristo, mas que o Cristo já havia vindo, tanto que aqueles discípulos haviam crido que Jesus era o Cristo (At.18:28), de modo que não haviam eles sido efetivamente batizados.

-O batismo de João somente vigorou até o início do ministério de Jesus, tanto que, antes de ascender aos céus, o Senhor instituiu o batismo nas águas, o chamado “batismo cristão”, que, não sem motivo, tem como fórmula batismal a expressão “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, ou seja, o anúncio da Trindade, que foi explicitamente revelada pela vez primeira precisamente quando Jesus foi batizado por João.

-O próprio João será aquele que revelará ao povo que Jesus é o Cristo (Jo.1:29-34) e que, portanto, findado tinha o seu ministério, o último profeta da lei (Lc.16:16).

-Tanto assim é que João, já encarcerado, no seu titubeio, mandou perguntar a Jesus se Ele mesmo era o Cristo e, ante a resposta afirmativa, teve revigorada a sua fé (Lc.7:19-23) e cremos que, a partir desta resposta de Jesus, João resignou-se, sabendo que já havia cumprido o seu ministério.

-João veio preparar o caminho do Senhor, como dele profetizara Isaías (Is.40:1-11; Mt.3:1-12; Mc.1:1-8; Lc.3:1-18).

-Ora, como haviam aqueles discípulos sido batizados no batismo de João, não tinham sido batizados ainda com o “batismo cristão”, motivo pelo qual o apóstolo Paulo os batizou nas águas, conforme a ordenança de Jesus, ou seja, “em nome do Senhor Jesus” (At.18:3), mediante a fórmula batismal “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt.28:19).

-O texto nos mostra claramente que “batismo em nome do Senhor Jesus” é o batismo conforme a ordenança estatuída por Cristo antes de ascender aos céus (Mt.28:19) e esta ordenança estabelece a fórmula batismal, qual seja, “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Não houvesse a fórmula batismal, aqueles discípulos continuariam ignorantes a respeito do Espírito Santo.

-Sem razão assim, os que dizem que se deve batizar apenas “em nome de Jesus”, ensino, aliás, que revela a descrença na doutrina da Trindade, o que faz com que tais pessoas jamais possam ser consideradas integrantes da Igreja, pois quem nega o Pai, nega o Filho (I Jo.2:23).

-Assim que aqueles discípulos foram batizados nas águas, Paulo impôs as mãos sobre eles e o Espírito Santo veio sobre aqueles crentes e eles foram batizados no Espírito Santo, falando línguas e profetizando (At.19:6).
-O imediato revestimento de poder e a concessão do dom espiritual de profecia àqueles crentes era a sinalização ao apóstolo de que se iniciava ali um período de grande demonstração do poder de Deus.

II – PAULO, PASTOR DE ÉFESO

-Apesar de o casal Áquila e Priscila estarem em Éfeso há algum tempo, bem como da própria pregação de Apolo naquela cidade, após ter sido evangelizado pelo casal, não havia ainda uma igreja naquela cidade, apesar de ser a segunda maior cidade do Império Romano naquela época.

-“…A cidade de Éfeso era a capital da Ásia Menor e a maior metrópole da Ásia [entenda-se aqui a província romana da Ásia, região que hoje corresponde a partes da Turquia – observação nossa]. Abrangia uma extensa área, e a sua população era superior a 300 mil habitantes.

Ela era o centro do culto de Diana, a deusa da fertilidade, cujo templo, localizado a 1.600 metros da cidade, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo e constituía o principal motivo de orgulho para Éfeso…” (LOPES, Hernandes Dias. Efésios: a igreja, noiva gloriosa de Cristo, p.24).

-“…Éfeso ficava situada na costa ocidental da antiga Ásia Menor, hoje parte da Turquia e que ficava distante de Atenas, na Grécia, apenas 240 quilômetros.

Naquela época, Éfeso era uma importante metrópole pertencente ao Império Romano e que chegou a ter população de aproximadamente 300 mil habitantes.

Éfeso era uma próspera cidade, com porto de mar, o qual favorecia a peregrinação obrigatória dos adeptos dos deuses pagãos daquela região como Diana (cultuada entre os gregos como Ártemis).

A indústria e comércio de Éfeso atraíam gente de todas as regiões adjacentes…” (CABRAL, Elienai. Lições Bíblicas – jovens e adultos. 4º trimestre de 1999 – Efésios: a igreja nas regiões celestiais –aluno-, p.4).

-Áquila e Priscila, em meio a seu trabalho secular, não tinham mesmo como empreender um trabalho evangelístico efetivo, limitando-se a evangelizar os judeus na sinagoga, como fizeram com Apolo, quando lá ele apareceu.

-Apolo, assim que conheceu mais pontualmente o caminho do Senhor, pôde, no pouco tempo que ali esteve, ganhar doze discípulos para Cristo, mas, como não era revestido de poder, nem falou do Espírito Santo para aqueles discípulos, limitando-se, pois, a esta dúzia o número de crentes.

-Notamos, pois, como é limitada a evangelização sem que haja o necessário revestimento de poder. É possível pregar o Evangelho sem ser batizado no Espírito Santo? Sim, é possível, mas os resultados ficam bem aquém do esperado.

-Vemos isto claramente em Éfeso, pois, até a chegada de Paulo, havia somente doze pessoas convertidas ao Evangelho e, pouco tempo depois, com Paulo e estes doze crentes revestidos de poder, multidões se converteram, em número tão elevado que causou até o receio, por parte dos que viviam do comércio oriundo da adoração à deusa Diana que, em pouco tempo, a cidade toda se converteria e os levaria à ruína financeira!

-Esta realidade não se circunscreveu aos dias apostólicos. Ao longo da história da Igreja, o fervor missionário, o crescimento da Igreja esteve sempre ligada ao revestimento de poder.

-As missões modernas, iniciadas no século XVIII, estão umbilicalmente relacionadas com o “avivamento morávio”, no qual os pietistas comandados por Nikolaus von Zinzerdorf (1700-1760), na sua intensa busca da presença de Deus, foram batizados no Espírito Santo e receberam dons espirituais, tendo mandado missionários por toda a Europa.

-Este “avivamento morávio” alcançou o jovem pastor anglicano John Wesley (1703-1791) que, por sua vez, deu início ao “avivamento wesleyano” na Inglaterra e Estados Unidos da América, avivamento que influenciou o movimento missionário batista liderado por William Carey (1761-1834) e Andrew Fuller (1754-1815), bem como a busca da santificação que levou ao “avivamento pentecostal” que, iniciado em 1900, é o mais duradouro e geograficamente extenso avivamento da história da Igreja.

-Paulo, pela experiência que tivera em Corinto, onde estruturara uma igreja com demonstração do Espírito e de poder e atitude de fraqueza, temor e grande tremor (I Co.2:3,4), que a evangelização de Éfeso, um centro de idolatria e de feitiçaria, demandava ainda mais poder divino, motivo por que entendia que não podia a igreja menosprezar o revestimento de poder.

-Uma vez revestidos de poder todos os membros da igreja local, Paulo, então, dá início ao trabalho de evangelização, entrando na sinagoga e falando ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus (At.19:8).

-Quando estivera antes em Éfeso, Paulo já havia ido à sinagoga e os judeus o haviam recebido bem, tanto que pediram que ele ali permanecesse (At.18:19,20). Agora, conforme dissera ser possível seu retorno, estava de volta e voltou a lhes pregar o Evangelho.

-Após três meses de pregação, a reação dos judeus contrários ao Evangelho se fez sentir. Eles se endureceram, não obedeceram e falaram mal do Caminho perante a multidão (At.19:9).

-Quando há a pregação do Evangelho, o ouvinte nunca mais será a mesma pessoa. Ouvir a pregação é retirar a pessoa da ignorância e fazê-la tomar uma atitude diante da proposta de arrependimento e confissão dos pecados trazida por Deus aos homens.

-Como diz conhecido hino “Última hora” da autoria de João Dieners (1889-1963) : “Meu amigo, hoje tu tens a escolha, vida ou morte qual vais aceitar, amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar” (estribilho do hino 570 da Harpa Cristã). A pregação do Evangelho traz vida ou morte ao ouvinte. “Quem crer e for batizado, serão salvo; quem não crer será condenado” (Mc.16:16).

-Os judeus efésios endureceram seu coração ante a pregação de Paulo, repetindo, assim, o que haviam feito seus pais ao longo da história de Israel, como denunciara Estêvão em seu último sermão (At.7:51-53) e assim o farão, na sua esmagadora maioria, até o término da Grande Tribulação (Rm.11:7-11,25-28; II Co.3:13-16).

-Os judeus efésios não obedeceram ao Evangelho, não invocaram o nome do Senhor para serem salvos (Rm.10:11-13), não se arrependeram nem confessaram os seus pecados, mas encobriram as suas transgressões, de modo que assinaram a sua sentença de morte espiritual, a sua ruína eterna (Pv.28:13), privaram-se dos tempos de refrigério do Senhor (At.3:19), mantiveram-se sob a ira de Deus (Jo.3:36).

-Os judeus efésios falaram mal do Caminho e aqui nós temos, pela vez primeira, no livro de Atos, o uso da expressão “Caminho” para se referir ao Evangelho, à doutrina cristã e aos próprios crentes.

-Se os judeus denominavam os crentes de “seita dos nazarenos” (At.24:5); se os gentios os chamavam de “cristãos” (At.11:26), os próprios salvos se denominavam de “Caminho” (At.19:9,23; 22:4; 24:14,22). Como disse, certa feita, o saudoso pastor João Vicente Branco Júnior, se houvesse placa de igreja naquele tempo, certamente os crentes se identificariam como “Caminho”.

-Tanto a oitiva do Evangelho muda a vida da pessoa, que não é possível manter-se neutralidade após a superação da ignorância quanto ao plano da salvação do homem na pessoa de Jesus Cristo. Como afirmou o Senhor, quem não é por Ele, será alguém contra Ele (Mt.12:30; Lc.11:23).

-Os judeus efésios não apenas endureceram seus corações, atitude íntima e interior, imperceptível aos olhos humanos; não apenas não obedeceram, atitude íntima e interior, que se revela por atitudes, como também passaram a falar mal do Caminho, atitude exterior e perceptível, buscando, assim, impedir a continuidade do trabalho de evangelização.

-Paulo, percebendo esta situação, evitou o confronto e, a exemplo do que fizera em Corinto, foi buscar um outro lugar para poder congregar o povo, saindo da sinagoga e levando os discípulos para a escola de Tirano, onde continuou a disputar todos os dias (At.19:9).

-Estes fatos mostram-nos como não tem qualquer respaldo bíblico o discurso tão em voga entre nós, notadamente entre os “desigrejados”, de que não é bíblico ter-se “templos” ou “locais de culto”, porque isto seria algo da “antiga aliança”, algo que teria sido abolido por Jesus, pois, na dispensação da graça, “nós somos o templo do Espírito Santo” e a verdadeira adoração se dá “em espírito e em verdade”.

-Paulo ia pregar e ensinar na sinagoga, mas, quando os judeus rejeitavam a mensagem e se criava um ambiente de confronto, o apóstolo sempre arrumava um local para reunir os discípulos, tanto para pregar o Evangelho como para ensinar-lhes a Palavra. Em Corinto, passou a se reunir na casa de Tito Justo (At.18:7) e, agora, em Éfeso, na escola de Tirano (At.19:9).

-Mesmo em Jerusalém, no início da igreja, quando ainda os discípulos se reuniam no templo em Jerusalém, reuniam-se num local determinado, no alpendre de Salomão (At.5:12), que passou a ser tido pelos próprios judeus como um local exclusivo dos discípulos de Cristo nos momentos de suas reuniões (At.5:13).

Sempre houve locais de culto, locais em que os discípulos se reuniam para adorar a Deus e isto nada tem que ver com o fato de que cada servo do Senhor é templo do Espírito Santo e que nossa adoração deve ser feita em espírito e em verdade.

-O local de culto, o templo é um local para que haja a congregação, para que os servos do Senhor se reúnam e ali cultuem ao Senhor. Este ajuntamento é necessário e indispensável na igreja local, como nos dá conta o próprio apóstolo Paulo em I Co.14:26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.”

-Uma vez instalado o local de culto, o apóstolo, então, deu continuidade ao trabalho de evangelização, e, durante espaço de dois anos, pregou o Evangelho de modo que todos os que estavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus quanto gentios.

-O fato de Paulo ter um local de culto não significou que tenha estabelecido um ministério “templocêntrico”. Se é antibíblico dizer-se que não se deve ter um local de culto, é igualmente antibíblico fazer uma evangelização centrípeta, ou seja, fazer do templo, do local de culto o centro da atividade evangelística, de modo que as pessoas sejam levadas ao templo para ouvirem a mensagem do Evangelho.

-Paulo disputava na escola de Tirano e separou os discípulos para levá-los para lá (At.19:9), mas a palavra foi pregada a todos os que habitavam na Ásia no espaço de dois anos, lembrando aqui que Ásia era a província romana cuja capital era Éfeso.

-Paulo tinha um local de culto, mas evangelizava em toda a província, em toda a cidade de Éfeso. Não chamava os pecadores para vir aos cultos, como acontece na atualidade em muitos lugares, mas, consoante a ordem de Jesus, ia ao encontro dos pecadores, ia por todo o mundo pregando o Evangelho a toda criatura (M.16:15).

-Naturalmente que não só Paulo fazia este trabalho, mas também seus cooperadores, a membresia da igreja local, mas o fato é que, em dois anos, toda a província romana da Ásia tinha sido evangelizada, uma área que, segundo a IA do Google, abrangia de 80 a 100 mil km², a maior parte da Anatólia ocidental (atual Turquia) e que englobava as regiões da Mísia, Lídia, Cária e Frígia.

-Em Corinto, Paulo já havia se disposto a mostrar o Evangelho como “demonstração do Espírito e de poder” (I Co.2:4). Ao chegar a Éfeso, como já vimos, buscou já estruturar uma igreja local que priorizasse o revestimento de poder.
-O resultado disto não poderia ter sido outro e, em Éfeso, “Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias, de sorte que até os lenços e aventais se levavam de seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam” (At.19:11,12).

-Éfeso era um centro de idolatria, pois ali estava o templo da deusa Diana, a deusa romana da caça, lua, bosques e animais selvagens, correspondente da deusa grega Ártemis, irmã de Apolo e que, por ser a deusa da castidade, era considerada a protetora das mulheres e crianças. Em Éfeso, houve um sincretismo religioso, fazendo com que houvesse, também, uma conotação de deusa da fertilidade.

-Diana era considerada a deusa da lua, do mistério, como aquela que transforma a escuridão em luz, tanto que era conhecida como “Diana Lucífera”, a “portadora da luz”, e, por causa disso, foi logo associada às artes mágicas e à feitiçaria, motivo por que logo Éfeso se tornou um centro da feitiçaria e da magia no Império Romano.

-Num lugar assim, evidente que a Igreja deveria ter a plenitude do Espírito Santo, pois está ela em constante luta contra os principados, as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais (Ef.6:12), ensino que o apóstolo, não por acaso, vai dirigir precisamente para a igreja que está em Éfeso, quando já estava preso, anos após a sua estada ali.

-Era extremamente necessário que os crentes efésios buscassem como nunca o poder de Deus para poder enfrentar as forças malignas que eram particularmente invocadas e que atuavam em Éfeso.

-Não se trata aqui de acolher os falsos ensinos a respeito da “batalha espiritual territorial”, que se disseminaram notadamente a partir da década de 1970 por meio de uma equivocada interpretação dada ao Pacto de Lausanne de 1974, quando se disse, muito propriamente, que nós, enquanto Igreja,

“…estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração.…” (Pacto de Lausanne, n.12).

-Entretanto, notadamente sob a influência de Charles Peter Wagner (1930-2016), passou-se a ter um equivocado conceito de “ batalha espiritual” em que se põe a Igreja num confronto direto com forças espirituais que reinariam sobre territórios e que bastaria a expulsão de tais “espíritos malignos territoriais” para que se tivesse a libertação das pessoas naquele espaço geográfico ou que tal libertação seria um pressuposto para o sucesso da evangelização.

-O que vemos em Éfeso, entretanto, foi a devida preparação espiritual da Igreja com o poder de Deus, desde o início da formação da igreja local, bem como uma extraordinária manifestação do poder de Deus na vida do próprio Paulo como instrumentos que, ao lado da pregação do Evangelho, fizeram com que a igreja efésia prevalecesse sobre toda a operação demoníaca existente ali, por causa da invocação igualmente intensa feita pelos feiticeiros e pela idolatria.

-Tem-se, aqui, também, um outro ponto a ressaltar, a respeito da cura operada por meio de lenços e aventais que se levavam do corpo de Paulo para enfermos e endemoninhados. Com base nesta passagem bíblica, muitos hoje têm, também, usado de “materiais ungidos”, para serem levados a enfermos e endemoninhados.

-Sabemos que Deus não muda e se operou desta forma em Éfeso, pode fazê-lo ainda hoje. Entretanto, o texto bíblico é claro ao afirmar que a ação ocorrida naquela cidade foi “extraordinária” (At.19:11).

-A palavra grega em foco é “dunamis” (δύναμις), palavra cujo significado é “… força (literal ou figurado); especialmente em referência a um poder miraculoso (…) por metonímia de efeito pela causa, na forma plural dynameis, poderes, o termo é normalmente utilizado para designar obras de poder, milagres (…)

Por isso, substitui o abstrato pelo concreto: um operador de milagres…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, verbete 1411, p.2157).

-O que se nota aqui, portanto, é que se trata de algo incomum, fora do que se poderia esperar, uma ação específica do Espírito Santo na vida de Paulo, que não havia ocorrido antes na vida do apóstolo, e que não aconteceu depois de sua estada em Éfeso. Ele foi feito um “operador de milagres” diante do propósito do Senhor de confrontar a feitiçaria e idolatria existentes, bem como de propagar, em toda a província da Ásia, naquele espaço de dois anos, o Evangelho.

-Deste modo, se é sem respaldo bíblico dizer que isto jamais acontecerá, que só ocorreu em Éfeso, também não é correto afirmar-se que isto é corriqueiro e que, em qualquer lugar, pode alguém levar vestimentas para que estas, tendo pertencido a A ou B, ou postas em contato com seu corpo, tenham a capacidade de curar pessoas ou expulsar demônios.

-É importante dizer que eram roupas de Paulo que eram levadas e que, em contato com o enfermo ou o endemoninhado, curavam ou expulsavam os demônios. Lenços ou aventais de Paulo que se levavam do seu corpo (At.19:12). Deste modo, de pronto, não eram roupas que fossem abençoadas por Paulo e, depois, levadas aos enfermos ou endemoninhados.

-Por isso mesmo, a expressão “maravilhas extraordinárias”, como vimos, falava de “um operador de milagres”, ou seja, do próprio Paulo, tanto que a operação de Deus se dava “pelas mãos de Paulo”.

-Lamentavelmente, com base nesta passagem única e, sabemos todos, de passagem única nunca se pode construir uma doutrina, o que temos visto é a disseminação de práticas supersticiosas e que em nada perdem para as crendices próprias de uma religiosidade impregnada de magia e feitiçaria.

-O resultado disso é que vemos uma proliferação de “objetos ungidos” (rosa ungida, lenços ungidos, toalhinhas ungidas etc.) que não têm qualquer fundamentação bíblica e que transformam o Evangelho em superstição e crendice, com idolatria de pessoas e objetos. Que Deus nos guarde!

-A repercussão da atuação do poder de Deus na vida de Paulo foi tanta que uns exorcistas judeus, ambulantes, filhos de Ceva., um principal dos sacerdotes, tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, os quais, porém, acabaram sendo surrados por um endemoninhado, o que foi divulgado em toda a cidade (At.19:13-17).

-Este episódio traz-nos importantes lições. A primeira é que sempre há quem procure se aproveitar financeiramente da obra de Deus.

Observe que estes exorcistas judeus, ambulantes, ou seja, pessoas que andarilhas, que viviam indo de lugar em lugar, e que não por acaso se encontravam em Éfeso, lugar propício para o exercício de suas atividades místicas, sabendo do que estava a ocorrer com Paulo, passaram a querer expulsar demônios em nome de Jesus e, com isso, ganharem dinheiro, porque, em sendo ambulantes, viviam precisamente do exercício de atividades de exorcismo mediante paga.

-Precisamos tomar cuidado com estes mercadores da fé, que se aproveitam do exercício genuíno e legítimo do Evangelho, para se enriquecerem, por avareza, fazendo dos crentes negócios com palavras fingidas (II Pe.2:3).

-Estes exorcistas judeus ambulantes faziam parte de uma longa tradição mística existente entre os israelitas.

Matthew Henry explica:

“… Eles eram judeus, mas judeus […] ambulantes (v. 13). Pertenciam à nação e religião judaica, mas andavam de cidade em cidade para ganhar dinheiro fazendo exorcismos. Eles perambulavam pelas cidades dizendo a sorte das pessoas, fingiam, por feitiços e encantamentos, que curavam doenças e atraíam os deprimidos ou os loucos.

Chamavam-se exorcistas, porque ao fazer os seus truques eles usavam formas de evocação por certos nomes poderosos.

Para dar crédito e boa reputação a estas artes mágicas, os judeus supersticiosos maldosamente atribuíram a Salomão a invenção dessas coisas. Josefo (Antiquit., liv. 8, cap. 2) diz que Salomão redigiu encantamentos para curar doenças e expulsar demônios de modo a não mais voltarem, e que estas operações eram comuns entre os judeus daqueles dias.

E, talvez, o que Jesus quis dizer quando comentou: Por quem os expulsam, então, os vossos filhos? (Mt 12.27).…” (HENRY, Matthew. Comentário bíblico: Atos a Apocalipse. Edição completa. Trad. de Luiz Aron, Valdemar Kroker e Haroldo Janzen. Rio de Janeiro; CPAD, 2006, p.211).

-Este misticismo judaico intensificou-se com o contato com a cultura grega, com seus “cultos de mistérios” e com o gnosticismo, que tanto prejudicou a Igreja, desde os dias apostólicos (Cl.2:18; I Jo.4:2,3).

-Hoje em dia, entre os judeus, temos a Cabala, prática esotérica que tem tido grande influência em diversos movimentos espiritualistas da atualidade e que, podemos dizer, é uma das bases da “religião universal” que está sendo implantada e que servirá ao Anticristo e ao Falso Profeta, uma verdadeira adoração a Satanás (Ap.13:1-4).

-O que se tem aqui é uma falsa expulsão de demônios, pois a expulsão de demônios somente ocorreu com a vinda de Jesus ao mundo. Os próprios judeus reconheciam que este falso exorcismo nada mais era que operação de Belzebu, príncipe dos demônios (Mt.12:24; Mc.3:22; Lc.11:15).

-O próprio Jesus disse que a expulsão de demônios era um sinal de que o reino de Deus havia chegado (Mt.12:28; Lc.11:20) e a chegada do reino de Deus se deu com o ministério terreno do Senhor (Mc.1:15).

-Somente se poderia expulsar demônios quando chegasse um mais valente que os demônios (Mt.12:29; Mc.3:27; Lc.11:21,22) e o único que pode fazê-lo é Jesus, por ser Deus (I Jo.4:4).

-Não foi à toa que, ao verem Jesus expulsar um demônio, a própria multidão se admirou, dizendo tratar-se de uma “nova doutrina”, ou seja, uma operação que nunca se havia visto antes (Mc.1:27).

-Agora, os que creem em Jesus, por terem recebido o Espírito Santo (Jo.7:39), podem expulsar demônios em nome do Senhor Jesus (Mc.16:17; At.5:16; 8:7).

-A segunda lição que aprendemos é que toda a ação realizada pelas mãos de Paulo tinha or objetivo a glorificação do nome do Senhor, porque o Espírito Santo age para glorificar a Jesus (Jo.15:14). Os exorcistas judeus procuraram expulsar os demônios em nome de Jesus, a quem Paulo prega.

-Quem expulsava demônios era Jesus e isto fica bem claro na expressão utilizada pelos filhos de Ceva. Paulo era apenas mencionado como o pregador, mas o nome poderoso era o nome de Jesus.

-Vemos quão diferente é a situação com a que vemos hoje com as pessoas que supostamente estariam a efetuar os mesmos milagres do apóstolo, cujos nomes são mais divulgados do que o nome de Jesus, a nos mostrar que não se trata de verdadeira ação do Espírito Santo. É a “toalhinha do fulano”, a “rosa ungida do sicrano” e assim por diante.

-Exatamente para que não houve uma indevida usurpação da glória devida única e exclusivamente a Cristo, pois Deus não dá a Sua glória a ninguém (Is.42:8), diante do atrevimento daqueles exorcistas em invocar o nome de Jesus, permitiu o Senhor que o endemoninhado despisse e ferisse os sete filhos de Ceva, que saíram dali completamente envergonhados (At.19:16).

-Diante desta circunstância, que teve notoriedade em toda a cidade de Éfeso, o pretendido proveito econômico-financeiro e a esperteza dos exorcistas judeus ambulantes somente serviu para que eles ficassem envergonhados e perdessem toda a sua credibilidade, como também que o nome do Senhor Jesus fosse engrandecido (At.19:17).

-Deus está no controle de todas as coisas. Por vezes, a infiltração de aproveitadores, mercenários da fé, espertos e malandros na obra de Deus desgata e deixa escandalizados legítimos servos do Senhor.

-No entanto, irmãos, além de ser cumprimento de profecias bíblicas a multiplicação da iniquidade, o esfriamento espiritual e a apostasia da fé nestes dias imediatamente anteriores ao arrebatamento da Igreja, saibamos que Deus vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12) e que Ele jamais Se deixará escarnecer e que todos estes que procuram vilipendiar o nome de Jesus terão o seu devido pago e que, ao fim e ao cabo, o nome de Jesus será engrandecido.

Como diz Pedro em relação aos que fazem dos crentes negócio com palavras fingidas: “…sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (II Pe.2:3b).

-Este episódio envolvendo os filhos de Ceva, em mais uma demonstração de que eram verdadeiros feiticeiros, serviu para que muitos que seguiam artes mágicas se convertessem e trouxessem os seus livros e os queimassem na presença de todos, ainda que fossem de alto valor, cinquenta mil peças de prata (At.19:19).

-A batalha espiritual estava sendo vencida, com a conversão de mágicos e feiticeiros e a demonstração de que o nome de Jesus era poderoso e que não se podia seguir seja a idolatria, seja a feitiçaria.

-A batalha espiritual é vencida com a pregação do Evangelho, com a demonstração do Espírito e poder nesta pregação, não com práticas esotéricas para expulsão de “espíritos territoriais”, como se tem defendido por aí.

-Enquanto estava em Éfeso, Paulo recebeu a visita da família de Cloe, oriunda da igreja de Corinto, que lhe conta o lamentável estado em que se encontrava a igreja e os questionamentos que lá eram feitos pela membresia, o que fez com que o apóstolo compusesse a primeira carta canônica àquela igreja, que, ao que tudo indica, já era uma segunda missiva que mandava aos coríntios (I Co.5:9).

III – A PARTIDA DE PAULO DE ÉFESO

-Esta circunstância do acúmulo de problemas na igreja de Corinto foi um fator que fez com que Paulo repensasse a sua permanência em Éfeso.

-Assim, resolveu ir para Jerusalém e, no caminho, passar pela Macedônia e Acaia, a fim de confirmar os discípulos nessas igrejas, inclusive e em especial em Corinto, como aliás revela aos próprios coríntios (I Co.16:5-8).

-Paulo sabia que seu ministério apostólico exigia que tivesse cuidado com a saúde espiritual de todas as igrejas que abrira (II Co.11:28) e que já não era útil a sua permanência em Éfeso, até porque sentira, dentro de sua intuição espiritual, que haviam sido “cumpridas as coisas” que deveriam ser realizadas por seu intermédio (At.19:21).

-Em seu ânimo, Paulo pretendia passar pela Macedônia e Acaia, ir até Jerusalém e de lá ir para Roma, com o plano de, por meio da igreja de Roma, poder iniciar a pregação do Evangelho na parte ocidental do Império, ou seja, a Espanha (Rm.15:26-28).

-Na passagem pela Macedônia e Acaia, cuidaria das igrejas que havia aberto e também faria uma coleta para ajudar os crentes pobres de Jerusalém e da Judeia.

Levaria o que fosse recolhido para Jerusalém e, de lá, partiria para Roma, para, então, por meio da igreja da capital do Império, pregar o Evangelho na Espanha. Mais uma vez, o apóstolo fazia um planejamento, mas era um nascido do Espírito e, como diz o proverbista: “Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR, a resposta da boca” (Pv.16:1).

-Assim, de pronto, mandou Timóteo e Erasto para a Macedônia, a fim de que iniciassem a coleta dos recursos a serem levados para os crentes pobres de Jerusalém e da Judeia, ficando, ainda, algum tempo na Ásia, certamente estruturando a igreja para a sua saída (At.19:22).

-Enquanto assim fazia, exsurge um tumulto em Éfeso, pois um ourives de prata, chamado Demétrio, que fazia nichos de prata da deusa Diana, fomentou um movimento contra a igreja, pois pressentiu que, com o crescimento do Evangelho em Éfeso, todos aqueles que viviam da idolatria acabariam por se arruinar financeiramente, já que, se a cidade se convertesse, não havia mais o culto a Diana e todo o comércio que vivia às custas deste culto iria à falência (At.19:23-27).

-Este movimento acabou se transformando num tumulto popular em que boa parte da população foi às ruas exclamando que “Grande era a Diana dos efésios”, querendo, com isto, criar um clima que determinasse a prisão dos cristãos e o fim da igreja na cidade.

-O tumulto cresceu tanto que precisou o escrivão da cidade intervir e mandar que todos fossem para a sua casa e que os comerciantes, se tivessem alguma queixa, a levassem até as autoridades, pois mais danosa era a confusão existente para o governo romano do que eventuais questões religiosas, conseguindo, deste modo, dissipar a turba (At.19:28-41).

-A exemplo do que ocorrera em Corinto, Paulo viu neste episódio um sinal divino para que partisse de Éfeso e foi o que fez, despedindo-se dos irmãos e partindo para a Macedônia~(At.20:1). Terminava, assim, a gestão de Paulo à frente da igreja local de Éfeso, que durou três anos (At.20:31), o mais longo tempo de pastorado que teve o apóstolo.

Pr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: https://portalebd.org.br/classes/adultos/12586-licao-7-quando-o-espirito-sopra-em-efeso-i

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